
Ano 11 | nº 2790 | 03 de setembro de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo: estabilidade em São Paulo
Oferta controlada e postura firme dos vendedores equilibram o mercado.
Segundo levantamento da Scot Consultoria, o boi gordo paulista vale hoje R$ 345/@, no prazo, sem ágio para o animal com padrão-China. Após a alta do dia anterior para a cotação da arroba do boi gordo e do “boi China”, o mercado abriu estável na quarta-feira. A oferta de boiadas estava controlada e os frigoríficos compravam apenas o necessário para manter as escalas de abate fluindo, que atendiam, em média, a nove dias. Com as escalas formadas, os frigoríficos pressionavam os preços. A ponta vendedora, porém, estava firme em suas expectativas de preços e não negociava diante de ofertas de compra deprimidas. Em Minas Gerais, na comparação feita dia a dia, a cotação do boi gordo subiu R$2,00/@ nas regiões do Triângulo Mineiro, de Belo Horizonte e no Sul. A da vaca subiu R$2,00/@ no Triângulo Mineiro e no Norte. A da novilha subiu R$3,00/@ no Triângulo Mineiro, em Belo Horizonte e no Norte. A cotação do “boi China” subiu R$2,00/@. Ágio de R$5,00/@ na região do Triângulo Mineiro e de R$2,00/@ nas regiões de Belo Horizonte e Norte. Não havia referência para o “boi China” na região Sul. No Tocantins, a cotação não havia mudado.
SCOT CONSULTORIA
Arroba do boi gordo tem alta após dias de preços estáveis
Mesmo assim, no geral, escalas de abate dos frigoríficos de maior porte seguem confortáveis
O mercado físico do boi gordo volta a apresentar manutenção do padrão das negociações em grande parte do país, com algumas transações acima da referência média. O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias aponta que, no geral, as escalas de abate dos frigoríficos de maior porte ainda são confortáveis, considerando a incidência de animais de parceria somado a utilização de confinamentos próprios, elementos muito comuns durante o terceiro trimestre do ano. “Sob o prisma da demanda, o mercado ainda carrega certo otimismo com a entrada dos salários na economia. O ponto de inflexão segue nas exportações, com ritmo fraco entre os meses de agosto/setembro, considerando o esgotamento precoce das cotas chinesas.” Média da arroba do boi gordo: São Paulo: R$ 344,85 — ontem: R$ 343,92. Goiás: R$ 334,46 — ontem: R$ 333,57. Minas Gerais: R$ 333,82 — ontem: R$ 333,59. Mato Grosso do Sul: R$ 337,36 — ontem: R$ 337,16. Mato Grosso: R$ 327,32 — ontem: R$ 326,69. O mercado atacadista apresenta maior otimismo nesta primeira semana de setembro, embora ainda não haja espaço para movimentos expressivos de alta, considera Iglesias. Segundo ele, a entrada dos salários na economia pode favorecer a reposição entre atacado e varejo e permitir alguma recuperação dos preços durante a primeira quinzena do mês. “Em contrapartida, a elevada disponibilidade de carne suína, carne de frango e ovos mantém essas proteínas altamente competitivas e limita o potencial de valorização da carne bovina”, pontua. Quarto traseiro: R$ 26,00 por quilo. Quarto dianteiro: R$ 20,00 por quilo. Ponta de agulha: R$ 18,80 por quilo.
SAFRAS NEWS
Imea/Boi gordo: Diferencial de Base entre SP e MT encerrou agosto em -7,95% Imea
Na comparação com agosto/25, a diferença entre os preços do animal terminado nos dois Estados avançou 3,47 pontos percentuais, refletindo a maior valorização da arroba no mercado paulista.
Em agosto/26, o preço médio do boi gordo de Mato Grosso ficou em R$ 327,30, enquanto a arroba paulista fechou o período em R$ 349,77, em média, destaca o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). Na comparação mensal, os preços do boi gordo avançaram em torno de 3% tanto em MT quanto em SP, resultando em estabilidade do Diferencial de Base entre MT-SP, que encerrou agosto/26 em -7,95%. No comparativo anual (agosto/26 versus agosto/25), porém, o Diferencial de Base MT-SP registou aumento de 3,47 pontos percentuais, refletindo a valorização mais intensa da arroba em SP, de 12,53%, frente ao avanço de 8,44% observado na arroba de MT, compara o Imea. Na avaliação dos analistas do Imea, além da escassez de oferta de boiadas ocasionada pela entressafra do capim, a expectativa de maior saída dos animais de confinamento nos próximos meses em Mato Grosso tende a ampliar a oferta de bovinos terminados e pressionar as cotações do boi gordo no Estado.
IMEA
Boitéis crescem 58% e já respondem por quase 20% do confinamento no Brasil
Entre 2020 e 2025, a engorda terceirizada passou de 1,21 milhão para 1,91 milhão de bovinos no País
Os boitéis ganharam espaço no confinamento de bovinos e se consolidaram como alternativa para pecuaristas que desejam terceirizar a terminação dos animais. Entre 2020 e 2025, o número de bovinos alojados nesse sistema cresceu 58%, passando de 1,21 milhão para 1,91 milhão no Brasil. Com esse avanço, os boitéis já respondem por 19,6% dos bovinos confinados no País. Além de poupar pastagens e reduzir a necessidade de investimentos em estruturas próprias, a engorda terceirizada acompanha a profissionalização dos grandes confinamentos e a adoção de diferentes modalidades de prestação de serviços.
PORTAL DBO
ECONOMIA
Dólar cai por terceira sessão seguida após Flávio se aproximar de Lula em pesquisa
O dólar recuou ante o real na quarta-feira pela terceira sessão consecutiva, após nova pesquisa eleitoral indicar queda na distância numérica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto.
O dólar à vista encerrou o dia com recuo de 0,91%, aos R$5,1065, o menor valor de fechamento desde 7 de agosto, quando marcou R$5,0845. Nas últimas três sessões, a moeda acumulou baixa de 1,72% e, no ano, tem queda de 6,97%. Às 17h03, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,96% na B3, aos R$5,1380. A nova pesquisa Quaest revelou que Lula tem 42% das intenções de voto no segundo turno da disputa pelo Planalto, contra 41% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), indicando um empate técnico entre os dois, já que a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Numericamente a distância entre os dois diminuiu de 3 pontos percentuais na pesquisa anterior para 1 ponto agora. No primeiro turno, Lula tem 37%, Flávio soma 29% e Augusto Cury (Avante) aparece com 10%. “Independentemente de quem esteja do outro lado, o mercado é mais simpático à candidatura que não seja a do Lula, em função das contas públicas”, resumiu o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, citando ainda a disparada da bolsa de ações como um fator favorável à queda do dólar ante o real. “O investidor estrangeiro parece estar voltado para o Brasil”, acrescentou. Bandeira de Lula na campanha, a proposta de fim da escala de trabalho 6×1 foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado durante a tarde e agora segue para o plenário. Apesar dos recuos recentes do dólar, ao considerarem o cenário mais geral, analistas ouvidos em pesquisa da Reuters avaliaram que, independentemente da vitória de Lula ou de Flávio, a moeda norte-americana deve subir ligeiramente no médio prazo. Em um ano, a previsão mediana é de que o dólar atinja R$5,23. A estimativa foi gerada em consulta a 26 estrategistas de câmbio entre 31 de agosto e 2 de setembro. No exterior, o petróleo Brent chegou a operar em baixa mais cedo, mas voltou a subir durante a sessão, para acima dos US$95 o barril, em um cenário geopolítico ainda conturbado. As forças norte-americanas atacaram a costa sul do Irã, que revidou disparando contra bases dos Estados Unidos em todo o Oriente Médio, no maior confronto armado entre os dois países desde julho.
REUTERS
Ibovespa salta quase 3% com fluxo estrangeiro
O Ibovespa fechou em alta de quase 3% nesta quarta-feira, flertando com os 186 mil pontos no melhor momento, endossado por fluxo estrangeiro e expectativas relacionadas à disputa presidencial no país, enquanto o noticiário corporativo teve como destaque reestruturação societária da Azzas 2154, que fez a ação da empresa disparar.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 2,98%, a 185.073,86 pontos, maior alta percentual em um dia desde março, de acordo com dados preliminares. Na máxima do dia, chegou a 186.028,06 pontos — patamar que não superava desde o começo de maio. Na mínima, registrou 179.733,57 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$36,7 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Produção industrial no Brasil reverte quedas e volta a crescer em julho, indica IBGE
A produção industrial no Brasil registrou crescimento da produção em julho, após dois meses de perdas, mas iniciou o terceiro trimestre com um desempenho abaixo do esperado.
A produção avançou 0,20% em julho em relação ao mês anterior, de acordo com os dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na quarta-feira (2). Foi o melhor resultado para o mês de julho desde 2022 (+1%). Na comparação com o mesmo período do ano passado, houve queda de 0,5% na produção. Mas os resultados ficaram aquém das expectativas em pesquisa da Reuters com analistas de crescimento de 0,6% no mês e de estagnação na base anual. “Não é uma mudança de trajetória, mas para de cair. Voltar a subir é algo positivo, mas não recupera as perdas dos dois meses anteriores”, avaliou André Macedo, gerente da pesquisa no IBGE. “Os indicadores mais amplos mostram essa perda de intensidade e dinamismo da indústria brasileira nos últimos meses, apesar do crescimento na margem”. A indústria iniciou o ano com resultados positivos, mas passou a perder força na metade do segundo trimestre pressionada por produtos derivados do petróleo. “O que tem travado a indústria é a política monetária restritiva, mesmo com a redução modesta dos juros. Isso traz impacto sobre a economia e setor produtivo, causa adiamento de investimentos, de ampliação do parque produtivo e as famílias também adiam o seu consumo, e ainda afeta o endividamento das famílias”, completou Macedo. Em julho, as influências positivas de maior destaque para a produção industrial foram dadas por equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (12,2%), produtos alimentícios (1,0%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (1,1%). Já a produção das indústrias extrativas, com queda de 1% sobre junho, exerceu o principal impacto negativo no mês ao marcar a terceira taxa negativa consecutiva, com destaque para a produção de minério, segundo o IBGE.
REUTERS
GOVERNO
Equalização de juros do crédito rural demandará mais orçamento em 2027
As quatro principais modalidades de financiamentos apoiadas pela subvenção da União passarão para R$ 22,9 bilhões. Está previsto um aumento de 21% da verba em relação ao montante estimado para 2026
O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) 2027, encaminhado pelo governo federal nesta semana ao Congresso Nacional, prevê um aumento de 21% da verba destinada ao pagamento da equalização de juros do crédito rural em relação ao montante estimado atualmente no orçamento de 2026. As quatro principais modalidades de financiamentos apoiadas pela subvenção da União passarão dos atuais R$ 18,9 bilhões, após remanejamentos e suplementações feitas ao longo de 2026, para R$ 22,9 bilhões no projeto original para 2027. Na comparação com o orçamento inicial de 2026, que estava em R$ 18,3 bilhões, o incremento é de 24,8% ou R$ 4,5 bilhões. As ações incluem a subvenção do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do custeio agropecuário, dos investimentos agroindustriais e da comercialização. Para 2027, o aumento contempla o valor destinado à equalização de juros das renegociações de dívidas rurais autorizadas pela Medida Provisória 1.376/2026. O gasto do governo com a subvenção ao crédito rural ficou alto por conta da redução nas taxas de juros do Plano Safra 2026/27, anunciado no fim de junho, e da queda ainda lenta da Selic, que mantém grande a diferença entre o custo da operação para os bancos e a taxa favorecida cobrada do produtor na ponta. De acordo com o Observatório do Crédito e Seguro Rural do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Agro) o reforço é relevante, mas ressaltou que mais de R$ 11,5 bilhões estão condicionados à aprovação de crédito adicional pelo Congresso Nacional para cumprimento da “regra de ouro”, que impede o governo de gastar mais do que arrecada. O órgão apontou ainda que a expansão da verba é concentrada na agricultura familiar. “O Pronaf responde por R$ 2 bilhões do aumento, o custeio por R$ 1,5 bilhão e o investimento rural e agroindustrial por R$ 922 milhões. A comercialização cresce 224,2%, mas parte de uma base de apenas R$ 12,2 milhões”, disse me nota. “O PLOA reforça o crédito rural, mas o valor escrito no orçamento ainda precisa atravessar decisões legislativas e etapas de execução. Para o produtor, a pergunta decisiva é quando o dinheiro subsidiado estará disponível, e não apenas quanto foi anunciado”, opinou Pedro Loyola, coordenador do Observatório. Ele reforçou a crítica de que o orçamento federal “cresce mais no crédito e na equalização do que nas ferramentas que reduzem a probabilidade de inadimplência depois de uma quebra de safra”. A proposta para 2027 prevê queda no Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), de R$ 6,6 bilhões para R$ 5,6 bilhões, enquanto o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) sobe de R$ 1,01 bilhão para R$ 1,2 bilhão. O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), base técnica usada por crédito, seguro e Proagro, recua de R$ 750 mil para R$ 500 mil. “A boa política não é a que anuncia o maior volume. É a que transforma o subsídio em investimento viável, protege a capacidade de pagamento e reduz a necessidade de socorro público no ciclo seguinte”, concluiu Loyola.
GLOBO RURAL
Saldo ‘problemático’ de crédito rural bate recorde
Ao todo, são R$ 207,4 bilhões em financiamentos em atraso, inadimplentes, prorrogados e renegociados. Segundo os dados do BC, houve avanço, sobretudo, do saldo de operações inadimplentes, ou seja, aquelas não pagas após 90 dias ou mais do vencimento
O saldo problemático do crédito rural bateu recorde em julho em termos percentuais e nominais na série analisada desde agosto de 2020. Ao todo, são R$ 207,4 bilhões em financiamentos em atraso, inadimplentes, prorrogados e renegociados. O montante equivale a 23,5% da carteira total registrada no sistema financeiro nacional, de R$ 881,6 bilhões, segundo dados atualizados do Banco Central. O aumento do saldo com problemas coincide com outra estatística divulgada na semana passada pelo BC, de que a inadimplência no crédito rural para pessoas físicas também foi recorde em julho, em 8,8%. Enquanto isso, produtores relatam dificuldades para renegociar dívidas de acordo com as regras da Medida Provisória 1.376/2026. Segundo os dados do BC, houve avanço, sobretudo, do saldo de operações inadimplentes, ou seja, aquelas não pagas após 90 dias ou mais do vencimento. O valor passou de R$ 38,1 bilhões em junho para R$ 45,7 bilhões em julho. As demais categorias evoluíram de forma marginal. Os financiamentos com atrasos entre 15 e 90 dias passaram de R$ 21,2 bilhões para R$ 22,4 bilhões no período; as parcelas prorrogadas saíram de R$ 31,6 bilhões para R$ 32,2 bilhões e as renegociadas, de R$ 106,5 bilhões para R$ 106,9 bilhões. A situação piorou no Rio Grande do Sul, onde produtores enfrentam prejuízos na produção há cinco anos em função de secas e enchentes. O saldo problemático das operações chegou a R$ 44,9 bilhões, 41,6% da carteira total de R$ 108,8 bilhões. Em julho, financiamentos em atrasos praticamente dobraram, para R$ 4,1 bilhões. A maior parte da carteira “problemática” continua adimplente, pois R$ 37,4 bilhões estão em financiamentos prorrogados ou renegociados. Nesses casos, o prazo de pagamento das operações é dilatado antes do vencimento da parcela ou há alteração contratual. Em ambas as situações, o crédito não entra em inadimplência. Mesmo assim, a soma das operações de crédito rural em “curso normal” no Rio Grande do Sul tem caído desde março deste ano, saindo de quase R$ 74 bilhões para R$ 63,8 bilhões em julho. Em Mato Grosso do Sul, a maior parte da carteira total está com problemas. São R$ 19,5 bilhões em operações com atrasos, inadimplentes, prorrogadas ou renegociadas contra R$ 9,5 bilhões de financiamentos em curso normal. Goiás reduziu a carteira problemática para cerca de R$ 20 bilhões e Mato Grosso, para R$ 21,8 bilhões. Enquanto os problemas crescem nas carteiras das instituições financeiras, produtores seguem com dificuldades para acessar as linhas de renegociações de dívidas criadas pela MP 1.376/2026. Há relatos de cobranças de pagamentos de entradas de até 15% do passivo e de exigências de novas garantias para contratar a liquidação do débito. Agricultores reclamam também do não enquadramento de parcelas de custeio já vencidas e investimento adimplentes. Um produtor do Rio Grande do Sul que teve contratos renegociados de custeio do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor (Pronamp), a 8% ao ano, e do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), a 5% ao ano, disse que a medida é inócua. Segundo ele, que prefere não se identificar, como há cobrança de IOF nas novas operações, o saldo devedor aumentou. As emissões de Cédulas de Produto Rural (CPRs) e as operações de crédito rotativo, feitas para rolar dívidas anteriores, também não têm entrado na renegociação e geram críticas do setor. O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), relator da MP 1.376, disse que haverá extensão do prazo para prorrogação de parcelas de crédito rural que estão vencendo para que permaneçam adimplentes e possam ser enquadradas na renegociação. Ele teve reuniões nesta semana no Palácio do Planalto sobre o tema, mas ainda não foram conclusivas.
GLOBO RURAL
INTERNACIONAL
UE suspende entrada de carne brasileira, e setor corre para tentar reverter medida
Bloco europeu cobra garantias sanitárias do país e questiona uso de antibióticos na pecuária. Suspensão das importações também afeta ovos e mel; entidades criticam decisão dos europeus
O acesso da carne brasileira a um mercado que paga caro pelo produto esbarra a partir desta quinta-feira (3) na decisão da EU (União Europeia) de suspender a importação de carne bovina, ovos, carne de frango e de outras aves provenientes do Brasil. Enquanto o bloco cobra garantias de cumprimento de suas normas sanitárias, entidades brasileiras se mobilizam para reverter a medida. Em maio, o Brasil foi retirado de uma lista de países que cumprem as regras da UE sobre o uso de antibióticos na produção pecuária, em meio à pressão do setor. Segundo a Comissão Europeia, o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o cumprimento dessas normas. A decisão foi assinada e publicada em junho pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, formalizando a determinação que havia sido anunciada pelo bloco em maio. Apesar da intervenção pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de tratativas técnicas e diplomáticas nos últimos meses, o bloco não flexibilizou a decisão, anunciada em maio, de retirar o Brasil da lista de países autorizados a vender os produtos à UE. Um porta-voz da União Europeia afirmou à agência AFP que o Brasil é um parceiro importante e que assim que esse cumprimento for comprovado, as exportações poderão ser retomadas. As medidas fazem parte da política europeia de combate à resistência dos microrganismos aos medicamentos, buscando evitar o uso desnecessário de antibióticos. As regras proíbem o uso desses produtos na pecuária para estimular o crescimento dos animais e restringem antimicrobianos reservados ao tratamento de infecções em humanos. A União Europeia é um mercado estratégico para o Brasil, principalmente pelo alto valor agregado e pelo perfil específico dos cortes comercializados, e não há substituição automática desse mercado, já que diferentes destinos demandam produtos e cortes distintos. Segundo dados do setor, no período de janeiro a julho de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina para a União Europeia somaram 63,7 mil toneladas e US$ 562,2 milhões, com preço médio de US$ 8.823 por tonelada. A alta é de 10,4% em volume e de 22,8% em valor na comparação com igual período de 2025, quando o preço médio já era 11,2% mais baixo. No período, a UE representou 3,24% do volume exportado pelo Brasil e 4,92% da receita, ocupando a quarta posição entre os maiores mercados em valor, a sétima em volume e a primeira em preço médio. Em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina para o bloco haviam crescido 17% em volume, passando de 110,2 mil para 128,9 mil toneladas, com receita 18,1% maior, de US$ 895,7 milhões para US$ 1,058 bilhão. A suspensão das importações também afeta ovos e mel. Quando considerados todos os itens, o impacto anual estimado poderia ficar próximo de US$ 2 bilhões. No caso da carne de aves e do mel, uma auditoria está em andamento e deve ser concluída nesta sexta-feira (4); se os resultados forem considerados satisfatórios pela UE, as importações brasileiras poderão voltar a ser autorizadas já neste ano. Para a carne bovina, porém, o prazo pode ser mais longo, devido à duração dos ciclos de produção, informou a Comissão Europeia, podendo demorar até 2028. Segundo relatório do Rabobank, a suspensão aperta o fornecimento de carne bovina e frango da UE e pode levar a uma alta dos preços no mercado europeu. “Suspender as importações de carne bovina da UE do Brasil intensificaria ainda mais a pressão sobre as exportações brasileiras, que já devem enfrentar obstáculos na segunda metade de 2026 devido às restrições de cotas tarifárias da China”, diz o documento. Por outro lado, embora a União Europeia compre mais de fornecedores alternativos —como Argentina, Uruguai e Austrália para carne bovina, e Ucrânia, Tailândia e China para aves— é improvável que essas fontes compensem totalmente os volumes ausentes no Brasil. Em julho, a Argentina conseguiu a reabertura do mercado da UE para a exportação de aves e ovos, tendo recuperado seu status de país livre de gripe aviária. Mais de 40 fábricas de processamento de carne do país estão autorizadas a exportar carne bovina para a União Europeia. No âmbito privado, foi elaborado um protocolo de controle sobre o uso de antimicrobianos, desenvolvido em conjunto com a Abcar (Associação Brasileira das Certificadoras por Auditoria e Rastreabilidade) e pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).
FOLHA DE SP
SUÍNOS & FRANGOS
Suíno vivo mantém preços estáveis em três estados
Minas Gerais registra maior cotação entre os mercados acompanhados pelo Cepea, a R$ 5,02/kg.
Os preços do suíno vivo permaneceram estáveis em três dos cinco mercados acompanhados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) na terça-feira (1º). Em Minas Gerais, o suíno foi cotado a R$ 5,02 por quilo, no mercado de posto, sem variação no dia e no mês. Em São Paulo, também no mercado de posto, a cotação ficou em R$ 4,83 por quilo, igualmente sem alterações. No Paraná, o preço ficou em R$ 4,48 por quilo, no sistema a retirar, com queda de 0,22% no dia e no mês. Em Santa Catarina, a cotação foi de R$ 4,56 por quilo, recuo de 0,22% nas duas comparações. No Rio Grande do Sul, o suíno vivo foi negociado a R$ 4,54 por quilo, no mercado a retirar, sem variação diária ou mensal.
CEPEA/ESALQ
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