
Ano 11 | nº 2785 | 27 de agosto de 2026
NOTÍCIAS
ABRAFRIGO NA MÍDIA
FIM DA QUOTA CHINESA EM JULHO REPRESENTA DESAFIO MAIOR PARA O PARÁ
O Estado, que não é aprovado para mercados como Estados Unidos, Chile, México e União Europeia, será um dos mais afetados com o esgotamento da quota de importações de carne bovina da China
O fim da quota para exportações de carne bovina do Brasil para a China representa um dos maiores desafios já enfrentados pelo setor, que assistiu a um crescimento vertiginoso das exportações ano a ano e alcançou recorde absoluto em 2025, tanto em termos de valor como de volume embarcado. Mas esse desafio será sentido de forma ainda mais intensa em determinadas regiões brasileiras. O Pará é um exemplo emblemático dessa situação, uma vez que o Estado está fora de importantes mercados de carne bovina que poderiam representar alternativas à China, como é o caso de Estados Unidos, Chile, México e União Europeia. Esse efeito começou a ser sentido a partir dos resultados das exportações de julho, que apresentaram queda substancial, já refletindo o esgotamento da quota chinesa. Números da Secex, compilados pela Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO) mostram que em julho o Brasil exportou US$ 1,63 bilhão em carne bovina e derivados, queda de 5,6% em relação a julho do ano anterior, com o embarque de 308,2 mil toneladas (-16%). Quando se considera apenas a carne bovina in natura, que representa 91% das receitas com as exportações do setor, as vendas de julho apresentaram queda de 5,7% em receitas, para US$ 1,447 bilhão, e de 17,5% em volume, para 227,89 mil toneladas. Esse resultado foi fortemente influenciado pela queda nas vendas de carne in natura para a China, que caíram 39,6% em receitas, para US$ 529,24 milhões, e 47,8% em volume, para 82,7 mil toneladas. Com a quota da China para o Brasil praticamente esgotada, (https://globorural.globo.com/pecuaria/boi/noticia/2026/08/brasil-atinge-90percent-da-cota-de-carne-para-a-china.ghtml), o cenário para os meses restantes do ano traz preocupações para os exportadores, em especial os que não dispõem de alternativas relevantes de mercados, como é o caso das indústrias localizadas no Estado do Pará. O desempenho do Estado, que já era prejudicado antes da decretação da quota chinesa, deverá ser agravado ainda mais. Vale ressaltar que, embora o Pará detenha o segundo maior rebanho bovino do País, com 25,56 milhões de cabeças (atrás apenas de Mato Grosso, com 32,85 milhões), o Estado é apenas o 4º colocado em abates e o 7º em exportações de carne bovina, conforme dados levantados pela ABRAFRIGO. Isso indica que o desempenho exportador do Pará está muito aquém do seu potencial, deixando de gerar renda para produtores rurais, indústrias frigoríficas e outros serviços relacionados, além de perda de receitas para o Estado e para o País como um todo. Essa situação será ainda agravada no segundo semestre, com o esgotamento da quota chinesa. Embora parte da carne que seria vendida à China possa ser redirecionada para outros destinos ou mesmo para o mercado interno, não há alternativas viáveis para absorver todo o excedente de produção do segundo maior rebanho bovino do País. É importante lembrar que o Pará, assim como todo o restante do Brasil, é livre de febre aftosa sem vacinação, não havendo justificativa técnica ou sanitária para manter o Estado fora de importantes mercados de exportação. O Pará precisa ser tratado como prioridade nas negociações com vistas à sua aprovação para todos os mercados relevantes com os quais o Brasil comercializa a sua carne. No acumulado de janeiro a julho de 2026, o Brasil exportou 2,119 milhões de toneladas de carne bovina e derivados, resultado 3,1% maior do que no mesmo período de 2025. Em receitas, houve aumento de 26%, para US$ 11,56 bilhões. O maior importador da carne bovina brasileira continua sendo a China. Nos primeiros sete meses do ano, os chineses importaram 857,24 mil toneladas, alta de 8,5%, e pagaram US$ 5,346 bilhões, 30,95% mais. A China respondeu por 46,26% das receitas de exportações do setor. Considerando apenas a carne bovina in natura, a China foi responsável por 50,75% das aquisições, em valor, e 49,76% em volume. Os preços médios da carne destinada à China passaram de US$ 5.166 por tonelada, em 2025, para US$ 6.238 em 2026, alta de 20,76%, refletindo os aumentos de preços do boi gordo no Brasil. Os Estados Unidos, segundo maior comprador do Brasil, aumentaram suas compras de carne bovina in natura em 48%, para US$ 1,276 bilhão, de janeiro a julho de 2026. Em volume, houve crescimento de 23,9%, para 209,64 mil toneladas. Os preços médios variaram 19,5%, passando de US$ 5.092 por tonelada, de janeiro a julho de 2025, para US$ 6.086 no mesmo período deste ano. Os Estados Unidos continuam com perspectivas bastante favoráveis, tendo em vista o elevado déficit de abastecimento, estimado em 2,64 milhões de toneladas em equivalente carcaça para o ano de 2026. Apenas no mês de julho, as vendas de carne bovina in natura para os Estados Unidos aumentaram 127,7% em valor, alcançando US$ 160 milhões, e 105,8% em volume, para 26 mil toneladas. As perspectivas dos Estados Unidos no segundo semestre são ainda mais promissoras, considerando que recentemente o governo Trump anunciou um plano para importar 300 mil toneladas de carne bovina livre do imposto de importação de 26,4%. Ainda não foi publicada a ordem executiva que definirá os critérios dessas importações, mas a carne brasileira poderá ganhar mais competitividade e participação no mercado americano caso o Brasil seja contemplado na medida. O aumento das vendas para os Estados Unidos, assim como para outros mercados, compensa em parte os efeitos provocados pelo fim da quota chinesa. Mas novamente é preciso lembrar que o Pará e outros estados brasileiros não se beneficiarão dessas oportunidades, em função de restrições comerciais. Na sequência dos maiores importadores da carne bovina in natura do Brasil estão Chile e União Europeia. O Chile aumentou suas compras para US$ 539 milhões de janeiro a julho de 2026, alta de 45,86% sobre o mesmo período do ano anterior. Em volume, houve crescimento de 30,64%, para 88,9 mil toneladas. Para a União Europeia houve crescimento de 21,8% em valor, para US$ 480,4 milhões, e de 9% em volume, para 52,4 mil toneladas. Os preços médios de venda para a União Europeia subiram 11,7% no período comparativo, para US$ 9.163 por tonelada. A União Europeia também é causa de preocupações no setor, uma vez que o Brasil poderá ficar fora daquele mercado a partir do mês de setembro próximo, em função das dificuldades em se chegar a um consenso nas negociações relacionadas com a certificação de produção livre de antimicrobianos (exigência do mercado europeu). A Rússia, quinto maior destino de exportações da carne bovina brasileira, aumentou suas compras em 43,83% em valor, para US$ 317,4 milhões, e 31% em volume, para 62,34 mil toneladas. Apesar de todo o esforço que vem sendo feito para ampliação de mercados para a carne bovina brasileira, é preciso lembrar que o setor ainda possui uma elevada dependência em poucos mercados. No período de janeiro a julho de 2026, os 5 maiores importadores, China, Estados Unidos, Chile, União Europeia e Rússia foram responsáveis por aquisições de US$ 7,957 bilhões, que representaram 75,56% das exportações de carne bovina in natura. Em volume, esses mercados absorveram 1,27 milhão de toneladas, ou 73,4%. Essa elevada concentração é especialmente preocupante em um cenário de agravamento dos problemas geopolíticos atuais, como as guerras e as disputas tarifárias, que causam aumentos de custos e instabilidades no mercado, afetando especialmente os produtores dos estados que, além de tudo, ainda sofrem com barreiras comerciais. No total de janeiro a julho, 116 países aumentaram suas compras enquanto outros 60 reduziram suas importações.
PUBLICADO EM: VALOR ECONÔMICO/NOTÍCIAS AGRÍCOLAS/CNN BRASIL/GLOBO RURAL/PORTAL DO AGRONEGÓCIO/SPACEMONEY/AGÊNCIA ESTADO/BROADCAST/UOL ECONOMIA/CANAL RURAL/BRASIL AGRO/FEED&FOOD/CARLOS COGO/BOCA/BOL NOTÍCIAS/AGROLINK
NOTÍCIAS
EUA oficializam suspensão de tarifas sobre importação de carne
Entidades do setor afirmam que Brasil pode ser beneficiado com a medida. EUA querem adotar estratégia para reduzir preços da carne no país
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou ontem a ordem que amplia a suspensão de taxas para a importação de carne bovina magra (lean beef trimmings). Esse tipo de proteína é usado no país para a produção de carne moída. A medida publicada pela Casa Branca terá validade de 90 dias e passa a vigorar a partir de 1º de setembro de 2026. Nesse período, serão permitidas a compra de até 100 mil toneladas por mês pelos americanos. Na semana passada, Trump informou que aplicaria a suspensão das taxas com o objetivo de reduzir os preços para os consumidores americanos. Na avaliação da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a iniciativa dos EUA pode representar uma oportunidade para o setor brasileiro, embora o mercado local não seja o único país que poderá se beneficiar da ampliação. “Além disso, a própria decisão estabelece que os produtos sejam comercializados no mercado americano a preços 25% inferiores aos praticados atualmente, o que limita ganhos imediatos de margem para a indústria”, disse a entidade, em nota. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) também acredita que o país pode ser beneficiado pelo anúncio de Trump. “É uma grande notícia que era muito aguardada pelo setor. Sem dúvida veio em um bom momento, pois ajudará a mitigar os efeitos do fim da cota da China para o Brasil pelos próximos 3 meses, gerando melhores condições de competitividade para a carne brasileira no mercado americano”. A decisão do governo dos EUA não agradou os produtores locais. A American Farm Bureau Federation pediu a Trump para reconsiderar a suspensão das taxas. A entidade afirma que o momento escolhido pode prejudicar os pecuaristas que estão decidindo se expandem ou não os seus rebanhos, que atualmente estão nos menores níveis em 75 anos.
VALOR ECONÔMICO
Medida dos EUA abre espaço para Brasil exportar até 120 mil toneladas de carne sem tarifa
Iniciativa deve ser adotada por Trump para reduzir preços domésticos da carne moída. Trump: precisamos de uma pequena ajuda para baixar os preços da carne
O Brasil tem condições de exportar aos Estados Unidos entre 30% e 40% do volume de 300 mil toneladas de carne bovina que Washington permitirá entrar em seu mercado sem tarifa nos próximos 90 dias, na visão de analistas. Na sexta-feira (21), o presidente Donald Trump, disse, em sua rede social Truth Social, que os Estados Unidos permitirão a entrada de até 300 mil toneladas do produto destinado à fabricação de carne moída sem aplicação de tarifas sobre volumes que excedam as cotas dos países fornecedores. “Hoje, concluí um acordo para reduzir substancialmente o preço da carne moída para as famílias trabalhadoras americanas”, disse Trump na rede social. “Temos o compromisso de que essa carne será vendida a 25% abaixo dos valores atuais de mercado”, continuou. Ele não informou quais países fornecerão a carne. A medida ocorre após outras iniciativas do governo dos EUA para aumentar a oferta de carne bovina no mercado americano e conter a alta dos preços, como a expansão das importações de carne da Argentina e a retomada das compras de gado vivo do México para abate. O rebanho americano é um dos menores em mais de 70 anos. No fim da tarde de sexta, o presidente americano voltou a tratar do tema. “Queremos baixar os preços da carne bovina, vamos reduzi-los um pouco, e é isso que as pessoas querem. É isso que os eleitores querem, e é isso que eu quero”, afirmou a jornalistas, antes de embarcar no Air Force One para Myrtle Beach, na Carolina do Sul. “Os pecuaristas [americanos] são ótimos, são a minha gente. Eu adoro os pecuaristas, eles fizeram um trabalho fantástico, mas admitem que precisamos de uma pequena ajuda para baixar os preços”, disse. Para Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, o Brasil poderá abocanhar até 120 mil toneladas do total autorizado. Segundo ele, o Brasil está “bem-posicionado” em termos de plantas habilitadas para vender aos EUA e de potencial de oferta de carne magra para suprir a demanda americana. Nas contas de Iglesias, os frigoríficos brasileiros poderão preencher de 30% a 40% do volume total. De janeiro a julho, o Brasil exportou 223,8 mil toneladas de carne bovina aos americanos, o que gerou receita de US$ 1,5 bilhão.
GLOBO RURAL
Mercado do boi gordo frouxo em São Paulo
Mercado pressionado, queda nas cotações e compras cautelosas
Na comparação feita dia a dia, a cotação caiu R$1,00/@ para o boi gordo, R$2,00/@ para o “boi China” e R$3,00/@ para a novilha. A cotação da vaca não mudou. Os frigoríficos compraram apenas o necessário para o abate imediato, com escalas que atenderam, em média, a sete dias. O escoamento da carne esteve lento. A ponta vendedora resistiu, mas os negócios foram fechados dentro das referências. Houve disputa em torno dos patamares vigentes, e os frigoríficos de pequeno e médio porte, com maior necessidade de completar as escalas, ofertaram preços ligeiramente acima das referências. Esses negócios, porém, foram pontuais. No Mato Grosso, após a queda, no dia anterior, da cotação do “boi China”, a pressão alcançou as demais categorias. Na comparação feita dia a dia, a cotação do boi gordo caiu R$5,00/@ nas regiões Norte e Sudoeste e R$3,00/@ em Cuiabá e no Sudeste. A da novilha caiu R$2,00/@ no Norte e em Cuiabá e R$3,00/@ no Sudeste. A da vaca caiu R$5,00/@ em Cuiabá. Nas demais praças, a cotação das fêmeas não mudou. A oferta esteve maior, em decorrência da seca no estado, com os pecuaristas ofertando mais gado. Do lado da demanda, a venda de carne esteve fraca, o que sustentou a pressão baixista.
SCOT CONSULTORIA
Arroba do boi gordo: dia de especulação sobre a China
Mercado teoriza que país asiático pode retornar às compras de carne bovina brasileira de forma precoce
O mercado físico do boi gordo ainda se depara com tentativas de compra em patamares mais baixos, em um ambiente de maior disponibilidade de gado para abate. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, os frigoríficos de maior porte têm encontrado menor dificuldade na composição de suas escalas, contando com a incidência de animais de parceria, somado a utilização de confinamentos próprios. Enquanto isso, ainda são evidenciadas especulações no mercado futuro, considerando o retorno precoce da China às compras de carne bovina brasileira, fazendo uso de rotas mais longas para que o produto chegue apenas em 2027. “Essas operações parecem improváveis diante do adicional de custo logístico. De qualquer forma é evidenciada grande distância entre mercado físico e o vencimento setembro na B3. É válido mencionar que o consumo doméstico permanece deprimido, com expectativa de nova queda dos preços da carne no atacado”, disse o especialista. Preços da arroba do boi gordo: São Paulo: R$ 341,58 — ontem: R$ 341,92. Goiás: R$ 332,25 — ontem: R$ 334,29. Minas Gerais: R$ 334,65 — ontem: R$ 334,88. Mato Grosso do Sul: R$ 336,09 — ontem: R$ 336,27. Mato Grosso: R$ 326,35 — ontem: R$ 327,23. O mercado atacadista confirma a tendência de enfraquecimento e registra queda nos preços para a carne bovina, com possibilidade de novos recuos no curto prazo. Iglesias pontua que a demanda permanece enfraquecida, diante do menor estímulo ao consumo. “A expectativa é de continuidade desse cenário no curtíssimo prazo. Ao mesmo tempo, as proteínas concorrentes mantêm elevada competitividade, em um ambiente caracterizado pelo excesso de oferta de carne suína, carne de frango e ovos.” Quarto traseiro: se manteve a R$ 26,00 por quilo. Quarto dianteiro: continuou em R$ 20,00 por quilo. Ponta de agulha: R$ 18,80 por quilo, queda de R$ 0,20
SAFRAS NEWS
ECONOMIA
Dólar tem leve alta no Brasil após divulgação de dados econômicos dos EUA
O dólar fechou a quarta-feira com leve alta no Brasil e novamente acima dos R$5,15, acompanhando o fortalecimento da moeda norte-americana no exterior após a após a divulgação de novos dados sobre a economia dos Estados Unidos.
O dólar à vista fechou o dia com alta de 0,23%, aos R$5,1533. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,12%. Às 17h03, o dólar futuro para setembro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,06% na B3, aos R$5,1570. O Departamento de Comércio dos EUA informou pela manhã que o índice de inflação PCE — bastante observado pelo Federal Reserve em sua política monetária — subiu 0,2% em julho, após cair 0,1% em junho. Nos 12 meses até julho, o índice subiu 3,7%, repetindo a taxa de junho, mas superando a previsão de 3,6%. O núcleo do PCE subiu 0,2% em julho, em linha com o esperado. Já o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre nos EUA cresceu 1,5%, também em linha com as expectativas. Na esteira dos números de inflação, os rendimentos dos Treasuries ganharam força, assim como o dólar ante boa parte das demais divisas, em meio à avaliação de que o Fed pode ser levado a subir juros no curto prazo para conter a alta de preços. No mercado de câmbio brasileiro, isso se materializou no avanço do dólar ante o real. O fortalecimento do dólar ante o real esteve em sintonia com o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de emergentes, como o peso colombiano e o peso chileno. A moeda norte-americana também avançou ante divisas fortes como o euro e a libra. Às 17h09, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,24%, a 99,148. No início do dia, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, cedeu 0,40% em agosto, após ter subido 0,06% em julho. A deflação no mês foi maior que o recuo de 0,30% esperado pelo mercado, conforme pesquisa da Reuters. A abertura do indicador, no entanto, não trouxe números tão favoráveis, com aceleração de preços em algumas métricas de serviços e na média dos núcleos de inflação. À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$2,552 bilhões em agosto até o dia 21.
REUTERS
Ibovespa perde fôlego e fecha quase estável após superar 176 mil pontos
O Ibovespa fechou praticamente estável na quarta-feira, perdendo o fôlego após superar os 176 mil pontos no melhor momento do dia, em meio a um ambiente de incertezas que ainda mina o apetite a risco na bolsa paulista.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa terminou com acréscimo de 0,01%, a 174.586,26 pontos, após ajustes. Mesmo que marginal, a variação assegurou o sexto fechamento seguido com sinal positivo. Na máxima do dia, o Ibovespa chegou a 176.296,49 pontos. Na mínima, marcou 174.208,48 pontos. O volume financeiro somou R$29,8 bilhões. Pesquisa da XP com assessores afiliados à plataforma mostrou uma deterioração significativa do apetite em relação à bolsa em agosto, com os riscos fiscais no Brasil e a incerteza eleitoral entre as maiores preocupações. De acordo com o levantamento, considerando o cenário dos próximos meses, 10% dos participantes afirmaram que seus clientes planejam aumentar a alocação em ações, bem abaixo dos 21% da pesquisa de julho e menor leitura desde maio de 2023. Em paralelo, 17% dos respondentes afirmaram que seus clientes pretendem reduzir a alocação em renda variável, de 14% no mês passado. Dados da B3 sobre a movimentação de estrangeiros na bolsa mostram alguma trégua na pressão vendedora em agosto, com entrada líquida no último dia 24, de R$69 milhões. No pregão anterior, na sexta-feira, as compras superaram as vendas em R$1,76 bilhão. Para o especialista em investimentos Marcos Bassani, sócio fundador da Boa Brasil Capital, trata-se de um fluxo bem pontual, pois “investidores ainda aguardam o fim da guerra (no Oriente Médio) e a definição da eleição presidencial”. No mês, o saldo de capital externo na bolsa segue negativo em R$21,37 bilhões. Na pauta do dia, o IBGE mostrou que o IPCA-15 caiu 0,4% em agosto, após alta de 0,06% em julho. Em 12 meses, subiu 4,24%, de 4,52% um mês antes. Expectativas em pesquisa da Reuters apontavam recuo mensal de 0,3% e alta de 4,34% em 12 meses. Na visão do economista-chefe da Sicredi Asset, Filipe Stona, o IPCA-15 isoladamente não altera de forma estrutural o cenário para a Selic, mas reforça a perspectiva de continuidade do processo gradual de flexibilização monetária, sem indicar, por ora, a necessidade de aceleração do ritmo de cortes. Ele manteve a expectativa de Selic terminal em 13,75% ao ano, com um corte residual na próxima reunião do Copom.
REUTERS
Energia, alimentos e transportes caem e IPCA-15 tem em agosto 1ª deflação em um ano
O IPCA-15 registrou em agosto a primeira deflação em um ano graças às quedas nos preços da energia elétrica, dos alimentos e de transportes, com a taxa em 12 meses indo abaixo do teto da meta do Banco Central. Em agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) caiu 0,40%, após alta de 0,06% em julho, de acordo com os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
A última vez que o índice registrou deflação foi em agosto de 2025, de 0,14%. Em 12 meses, o IPCA-15 passou a um avanço de 4,24% em agosto, contra 4,52% em julho, ficando abaixo do teto da meta pela primeira vez desde abril. O objetivo para a inflação é de 3% medido pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Os resultados foram mais fracos do que as expectativas em pesquisa da Reuters, de recuo de 0,30% na comparação mensal e de alta de 4,34% em 12 meses. Analistas vêm reduzindo suas projeções para a inflação na pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central. Na mais recente, divulgada na segunda-feira, a projeção para a alta do IPCA este ano era de 5,02%. “Apesar da surpresa baixista estar concentrada em itens mais voláteis, o balanço qualitativo segue benigno no curto prazo. Os núcleos vieram melhores do que o esperado”, disse Leonardo Costa, economista do ASA. No início do mês, o BC cortou a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual pela quarta reunião seguida, a 14,00% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto em meio a uma melhora no cenário corrente, argumentando que manterá “a restrição adequada” para assegurar a convergência da inflação à meta. No entanto, um mercado de trabalho ainda sólido e medidas de incentivo do governo favorecem o consumo, ficando no radar do BC, bem como a expectativa de um El Niño forte. “Para o Banco Central, o resultado é positivo e reduz um pouco a pressão sobre o cenário inflacionário. Mas ainda é cedo para comemorar uma vitória definitiva contra a inflação”, disse Pablo Spyer, conselheiro da Ancord. “Agora começa o teste de verdade: saber se a inflação continuará desacelerando sem a ajuda dos efeitos sazonais e temporários.” Em agosto, o grupo Habitação registrou deflação de 1,41%, após alta de 0,97% em julho. O resultado se deveu à queda de 6,25% da energia elétrica residencial, principal impacto negativo no índice geral, devido à incorporação do bônus de Itaipu nas faturas de agosto. O bônus é um valor distribuído a milhões de consumidores residenciais e rurais todo ano após apuração do saldo registrado na conta de comercialização da energia da usina hidrelétrica binacional no ano anterior. No mês de agosto, a bandeira tarifária da energia elétrica no Brasil permaneceu amarela, o que representa um custo adicional de R$1,885 a cada 100 kWh consumidos. Já a queda dos preços de Alimentos e bebidas foi de 0,57% em agosto, depois de recuo de 0,66% no mês anterior. A alimentação no domicílio caiu 0,97%, com destaque para os resultados do tomate (-27,38%), da batata-inglesa (-25,14%), da cenoura (-17,05%) e do café moído (-2,31%). Os custos do grupo Transportes, por sua vez, recuaram 1,0% em agosto, depois de alta de 0,11% em julho. Houve queda nos preços da passagem aérea (-13,30%) e dos combustíveis (-1,43%) — etanol (-3,63%), gasolina (-1,23%) e óleo diesel (-0,71%). Nas contas de Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, a queda nas passagens aéreas ajudou a inflação de serviços a desacelerar a 0,07%, de 0,41% em julho. O IPCA-15 estima a variação de preços coletados entre meados do mês anterior até meados do mês de referência na comparação com o período imediatamente antecedente.
REUTERS
Dívida Pública sobe 0,22% em julho e supera R$ 9,2 trilhões
A incidência dos juros da dívida pública impediu a Dívida Pública Federal (DPF) de cair em julho. Segundo números divulgados na quarta-feira (26) pelo Tesouro Nacional, a DPF passou de R$ 9,268 trilhões em junho para R$ 9,288 trilhões no mês passado, alta de 0,22%.
Em junho deste ano, o indicador havia superado a barreira de R$ 9 trilhões. Apesar da alta, a dívida pública está abaixo do previsto. De acordo com o Plano Anual de Financiamento (PAF), apresentado em janeiro e revisado na quarta-feira, o estoque da DPF deve encerrar 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. A Dívida Pública Mobiliária (em títulos) interna (DPMFi) avançou 0,31%, passando de R$ 8,921 trilhões em junho para R$ 8,948 trilhões em julho. No mês passado, o Tesouro resgatou R$ 61,91 bilhões em títulos a mais do que emitiu, principalmente em títulos prefixados. A apropriação de R$ 89,95 bilhões em juros, porém, impediu a queda do endividamento. Por meio da apropriação de juros, o governo reconhece, mês a mês, a correção dos juros que incide sobre os títulos e incorpora o valor ao estoque da dívida pública. Com a Taxa Selic (juros básicos da economia) em 14% ao ano, a apropriação de juros pressiona o endividamento do governo. No mês passado, o Tesouro emitiu R$ 198,14 bilhões em títulos da DPMFi. Desse total, R$ 124,11 bilhões corresponderam a títulos vinculados à Selic. Os resgates em julho somaram R$ 260,05 bilhões, motivados principalmente pelo elevado volume de vencimentos de títulos prefixados, típicos do primeiro mês de cada trimestre. A Dívida Pública Federal externa (DPFe) caiu 2,12%, passando de R$ 347,71 bilhões em junho para R$ 340,06 bilhões em julho. O principal fator foi a queda de 1,92% do dólar no mês passado. O colchão da dívida pública (reserva financeira usada em momentos de turbulência ou de forte concentração de vencimentos) subiu pelo quarto mês seguido. Essa reserva passou de R$ 1,346 trilhão em junho para R$ 1,346 trilhão em julho, o maior nível desde o início da série histórica, em 2015. Atualmente, o colchão cobre 7,81 meses de vencimentos da dívida pública. Nos próximos 12 meses, está previsto o vencimento de R$ 1,76 trilhão em títulos federais. Com o vencimento de títulos prefixados, a composição da DPF variou da seguinte forma de junho para julho: Títulos vinculados a Selic: 49,32% para 51,11%; Títulos corrigidos pela inflação: 25,9% para 26,02%; Títulos prefixados: 21,04% para 19,22%; Títulos vinculados ao câmbio: 3,74% para 3,65%. Revisado na quarta-feira, o PAF prevê que os títulos encerrarão o ano nos seguintes intervalos. Títulos vinculados a Selic: 49% a 53%; Títulos corrigidos pela inflação: 21% a 25%; Títulos prefixados: 20% a 24%; Títulos vinculados ao câmbio: 3% a 7%. Normalmente, os papéis prefixados (com taxas definidas no momento da emissão) indicam mais previsibilidade para a dívida pública, porque as taxas são definidas com antecedência. No entanto, em momentos de instabilidade no mercado financeiro, as emissões caem porque os investidores pedem juros muito altos, que comprometeria a administração da dívida do governo. Em relação aos papéis vinculados à Selic (juros básicos da economia), esses títulos estão atraindo o interesse dos compradores por causa dos juros altos definidos pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). A dívida cambial é composta por antigos títulos da dívida interna corrigidos em dólar e pela dívida externa. O prazo médio da DPF subiu de 4,01 para 4,05 anos. O Tesouro só fornece a estimativa em anos, não em meses. Esse é o intervalo médio em que o governo leva para renovar (refinanciar) a dívida pública. Prazos maiores indicam mais confiança dos investidores na capacidade do governo de honrar os compromissos. A composição dos detentores da Dívida Pública Federal interna ficou a seguinte: Instituições financeiras: 31,35% do estoque; Fundos de pensão: 22,73%; Fundos de investimentos: 22,23%; Não-residentes (estrangeiros): 9,82%. Demais grupos: 13,87%.
VALOR ECONÔMICO
EMPRESAS
Frigorífico entra em recuperação judicial com R$ 33 milhões em dívidas e atribui crise à alta da arroba
Grupo Frigorífico G.O., de Várzea Grande, afirma que valorização do boi para abate, aumento dos custos e dificuldade de repassar preços reduziram margens e pressionaram o caixa; recuperação envolve 48 credores
A combinação entre boi mais caro, custos operacionais elevados e dificuldade para repassar integralmente os aumentos ao preço da carne aparece no centro da crise financeira que levou o Grupo Frigorífico G.O., de Várzea Grande (MT), à recuperação judicial. O processamento do pedido foi aceito pelo juiz Márcio Aparecido Guedes, da 1ª Vara Cível de Cuiabá. O grupo informou aproximadamente R$ 33 milhões em dívidas, considerando tanto os créditos submetidos à recuperação quanto aqueles que ficam fora do processo. O caso chama atenção por ocorrer justamente em Mato Grosso, maior estado produtor de bovinos do país e uma das principais bases da indústria frigorífica brasileira, e expõe uma equação conhecida do setor: a valorização da arroba beneficia o pecuarista vendedor, mas pode comprimir rapidamente a margem das indústrias que dependem da compra de animais para manter suas linhas de abate. Segundo os requerentes, as dificuldades financeiras começaram a ganhar força a partir de 2024. A explicação apresentada no processo aponta que a valorização da arroba aumentou o custo de aquisição dos bovinos destinados ao abate sem que o frigorífico conseguisse repassar integralmente esse avanço ao consumidor. A decisão judicial reproduz esse diagnóstico ao mencionar aumento do preço dos animais, elevação dos custos operacionais, retração das margens de comercialização e redução da liquidez. Na atividade pecuária integrada ao grupo, também foram apontadas despesas maiores com alimentação animal, combustíveis, medicamentos veterinários, biossegurança e outros insumos. É um ponto importante para entender o caso. A alta do boi gordo, isoladamente, não significa necessariamente prejuízo para um frigorífico. O problema aparece quando a matéria-prima sobe em velocidade ou intensidade maior do que a capacidade da indústria de melhorar suas receitas com carne, miúdos, couro e demais produtos. No caso do Grupo Frigorífico G.O., a pressão teria avançado até atingir o capital de giro. Segundo os autos, foram adotadas medidas como antecipação de recebíveis, renegociação de obrigações, alongamento de prazos e utilização de capital próprio, mas elas não teriam sido suficientes para restabelecer a liquidez. Dívida chega a cerca de R$ 33 milhões O passivo diretamente sujeito à recuperação judicial é de R$ 29.045.079,16, distribuído entre 48 credores. Outros R$ 4.052.341,30 correspondem a créditos que não integram o processo recuperacional. Somados, os valores levam o endividamento informado para aproximadamente R$ 33 milhões. Atualmente, o grupo mantém 11 empregados. O Grupo Frigorífico G.O. reúne a G.O. Comércio e Distribuição de Carnes Bovinas e Suínas Ltda. e os produtores rurais Vilson Gonçalves de Oliveira e Sandra Regina Dantas. A Justiça autorizou que os três sejam tratados como um único devedor na recuperação. A perícia identificou integração entre as operações: os produtores possuem 90% e 10% do capital da empresa, utilizam o mesmo endereço como sede e aparecem como avalistas de operações de crédito. Além disso, a Fazenda Guanandi fornece bovinos ao frigorífico. Por isso, haverá uma única relação de credores e um único plano de recuperação. recuperação judicial não significa o encerramento imediato das atividades. Pelo contrário, o mecanismo busca criar condições para que uma empresa considerada economicamente viável reorganize suas dívidas enquanto mantém a operação. No caso de Várzea Grande, os próprios requerentes relacionaram a deterioração financeira ao aumento do custo do boi e de outros insumos, seguido pela necessidade crescente de financiamento do caixa. A recuperação judicial agora abre uma nova etapa: o plano que será apresentado aos credores mostrará como o Grupo Frigorífico G.O. pretende reorganizar aproximadamente R$ 29 milhões em créditos submetidos ao processo e preservar suas operações em Mato Grosso.
COMPRE RURAL
INTERNACIONAL
Fronteira dos EUA Reabre para Gado Mexicano, Mas Persistem Preocupações com Parasita
O México está intensificando sua campanha contra a mosca que transmite um parasita que atinge os rebanhos da fronteira norte, onde foram detectados casos recentes, aumentando o rigor na fiscalização das exportações de gado, à medida que o comércio transfronteiriço foi retomado na segunda-feira, no âmbito de uma reabertura gradual dos Estados Unidos.
A reabertura marca a primeira flexibilização da proibição imposta pelos EUA há mais de um ano para impedir a entrada das larvas devoradoras de tecidos animais, com a retomada inicial das importações pelo Arizona. O plano tem gerado críticas de alguns grupos pecuários dos EUA e de autoridades estaduais, que argumentam que a retomada das importações poderia aumentar os riscos de proliferação da mosca, mesmo com o parasita continuando a se espalhar no norte do México e já tendo sido detectado no Texas e no Novo México. Por outro lado, frigoríficos avaliam que oferta de gado tende a aumentar nos EUA em 2027, ajudando o país a lidar com uma escassez de animais e preços mais altos da arroba bovina. A ministra da Agricultura do México, Columba López, afirmou que as autoridades reforçariam a dispersão de moscas estéreis em Sonora e Chihuahua, uma estratégia-chave de erradicação que visa impedir a reprodução do parasita. A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, disse aos repórteres na segunda-feira que o USDA considera ter “tomado todas as medidas para proteger o rebanho norte-americano e o consumidor norte-americano; portanto, agora podemos começar lentamente a reabrir os portos”. O USDA planeja abrir mais dois portos no Novo México, um em 30 dias e outro em 60 dias, disse Rollins. “Não planejamos abrir nenhum porto no Texas tão cedo, simplesmente porque é lá que está a verdadeira atividade”, afirmou Rollins. O USDA identificou 46 casos de larva-de-parafuso no Novo México e no Texas, sendo dois deles ativos atualmente, de acordo com o site da agência. Um comunicado no site do USDA na segunda-feira informou que o porto de Douglas, no Arizona, foi reaberto para importações de gado do México “orientado por medidas de segurança complementares e um protocolo de importação com base científica” acordado entre os dois países. O USDA avaliará, em seguida, a reabertura dos portos de Santa Teresa e Columbus, no Novo México, para gado, bisões e cavalos. “A abertura dos portos poderá ser suspensa se o USDA identificar um aumento do risco em Sonora ou Chihuahua por meio de auditorias pós-abertura ou outras observações/informações”, informou o site. A reabertura começará com exportações de 700 cabeças de gado por dia durante a primeira semana, aumentando para 900 por dia na segunda semana e subindo gradualmente para cerca de 1.300 por dia, de acordo com a Confederação Nacional de Organizações Pecuárias (CNOG) do México. Se outros pontos de passagem na fronteira de Chihuahua forem reabertos no quarto trimestre, o México poderá exportar até 200 mil cabeças de gado em 2026, com um valor estimado de cerca de US$420 milhões a preços de mercado dos EUA, informou a CNOG. Seu cenário base para 2027 projeta exportações de 1,09 milhão de cabeças de gado, avaliadas em cerca de US$2,1 bilhões no mercado dos EUA. Chihuahua, um dos Estados mais importantes do México na exportação de gado, registrou 183 casos da larva desde a detecção do primeiro caso em julho, enquanto o Estado vizinho de Sonora registrou dois casos confirmados após anunciar sua primeira detecção na semana passada. Sonora ativou protocolos de emergência de vigilância e contenção, enquanto Chihuahua intensificou as inspeções, os controles de movimentação de gado e as campanhas de tratamento para evitar uma maior disseminação.
FORBES
Receita com exportações de carne bovina da Argentina avançam 42% no período de jan-jul/26
Embarques da proteína argentina renderam US$ 2,77 bi no período, um ganho de US$ 816 milhões sobre o montante registrado em igual intervalo de 2025
As exportações de carne bovina resfriada e congelada da Argentina atingiram 403.100 toneladas no período de janeiro a julho de 2026, 6,7% acima do volume obtido no mesmo período de 2025, com receita de US$ 2,77 bilhões, representando um aumento anual de 41,8%, informa o jornal Clarín, com base em dados do Consórcio de Exportadores de Carne ABC. Os embarques, relata a entidade, foram impulsionados por uma combinação de maiores volumes e, principalmente, pela recuperação dos preços internacionais. “A diferença entre as duas taxas de crescimento reflete o fator-chave no desempenho das exportações de carne bovina argentina: o preço da carne aumentou muito mais do que as quantidades exportadas”, reforça a reportagem do Clarín. A melhora nos preços internacionais da proteína argentina permitiu que o setor de carnes gerasse aproximadamente US$ 816 milhões a mais do que nos primeiros sete meses de 2025, apesar de um aumento relativamente modesto na tonelagem, acrescenta o texto. Em julho/26, a carne bovina refrigerada e congelada exportada pela Argentina atingiu um preço médio de US$ 7.123 por tonelada, 27,5% superior ao registrado em julho de 2015, de US$ 5.585/tonelada, de acordo com os dados do Consórcio ABC. Em apenas um ano, cada tonelada exportada pela Argentina passou a gerar, em média, US$ 1.538 adicionais, destaca o Clarín. A recuperação dos preços é ainda mais significativa quando se considera a tendência dos últimos anos, observa a reportagem. Após atingir um pico de aproximadamente US$ 6.300 por tonelada em abril de 2022, os preços iniciaram uma prolongada tendência de queda, chegando a uma mínima de cerca de US$ 3.740 em meados de 2024. No entanto, uma recuperação teve início em 2025 e acelerou durante 2026, atingindo quase US$ 7.300 por tonelada em maio. Em julho, o preço se estabilizou em torno de US$ 7.120, permanecendo em níveis historicamente altos. Em julho/26, as exportações de carne bovina in natura da Argentina somaram 64.900 toneladas, avaliadas em cerca de US$ 461,9 milhões. Em comparação com junho/26, o volume diminuiu 1,6%, enquanto o valor caiu apenas 0,3%. A comparação anual, no entanto, mostra uma tendência positiva: as remessas foram 1,8% superiores às de julho de 2025, enquanto o valor obtido aumentou 29,9%. O preço médio em julho foi 1,3% superior ao de junho e 27,5% superior ao de um ano atrás.
CLARÍN
SUÍNOS & FRANGOS
Preços da soja e do milho redefinem custo de ração e pressão de margem no agro
Com milho e soja reprecificando o custo do grão, o retorno para proteína animal passa a depender de contratos de proteção e disciplina de capital de giro em 2026/27
Na leitura de mercado de 24 de agosto de 2026, o risco econômico mais relevante não veio de uma notícia de quebra isolada, mas de uma mudança de base no custo de alimentação animal. A cadeia de aves e suínos já sente o encadeamento da produtividade norte-americana com preço de insumo e, no mesmo dia, com o ritmo forte de exportação brasileira. Isso torna o planejamento de margem mais tático e reduz a margem para decisões com base em médias históricas. No front de preços, o monitor registra contratos de soja em Chicago com alta de 3% na semana. O motivo central não é apenas sentimento de curto prazo; é a percepção de produtividade menor dos EUA em ciclo recente. O próprio recorte anterior já mostrava revisão para baixo do ciclo, inclusive com perda de expectativa de oferta em matéria-prima para ração. Em termos práticos, o custo por tonelada de milho e soja deixa de ser uma variável estável no trimestre e passa a exigir contratos com gatilho e revisão de datas de compra. O outro componente vem de junho/atualização interna do setor: queda produtiva dos EUA já sinalizou nova pressão e, no dia 23, a cobertura registrou redução de 17 milhões de toneladas na safra americana de milho em um cenário de preços em movimento. Para formuladores de ração, esse cenário altera a hierarquia de decisões: prioriza-se hedge de curto prazo, diversificação entre originários e maior controle de estoque técnico em vez de volume máximo de compra no pico de preços. O risco clássico de “esperar a baixa” fica mais caro quando o ciclo de oferta permanece estreito. A dimensão comercial também importa para a matemática de margem. Secex apontou exportações de US$ 218,6 bilhões e 490,1 milhões de toneladas até 8 de agosto, com dólar comercial em PTAX de 5,1625. O volume exportador ajuda no fluxo de caixa, mas também exige capital de giro para manter qualidade e cumprir programação de embarque. Em paralelo, a notícia de investimento de R$ 42,8 milhões do BNDES para ampliar armazenagem da Coasul no Paraná introduz um amortecedor operacional: melhor capacidade de recepção e fluxo interno reduz perdas de escala, ainda que não mude o preço do milho por si só. No curto prazo, o painel indica que o mercado foi favorecido por quem já trabalha com disciplina financeira ativa: definir metas de compra por cenário, proteger o principal de margem em contratos e manter risco de custo por tonelada sob monitoramento diário. Sem esse ajuste, o choque de insumo vira queda direta em margem bruta de proteína animal, especialmente no período de recomposição e abastecimento.
AGRIMIDIA
imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br
POWERED BY NORBERTO STAVISKI EDITORA LTDA
Whatsapp 041 999368886
