
Ano 11 | nº 2783 | 25 de agosto de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo: a semana começou com queda nas cotações em São Paulo
Menor ritmo nas vendas da carne pressionou a cotação.
Com isso, o boi gordo sem padrão-exportação e o “boi-China” recuaram R$ 2/@ em relação aos preços de sexta-feira (21/8), para R$ 345/@ e R$ 348/@ (valores brutos, no prazo), de acordo com a Scot. Os preços das fêmeas terminadas também caíram no mercado paulista, com retração diária de R$ 3/@ para a vaca (agora valendo R$ 322/@) e recuo de 2/@ para novilha (cotada a R$ 335/@). A fraqueza das vendas de carne contaminou o mercado do boi gordo e a cotação caiu. A cotação do boi gordo, do “boi China” e a da novilha caiu R$2,00/@. A escala de abate atendia, em média, a sete dias. Alta na cotação da novilha na região Noroeste do Paraná. Com chuvas ainda acontecendo na região, dando relativa capacidade de suporte às pastagens, e sem geadas, que poderiam acometê-las, a ponta vendedora está conseguindo segurar a boiada, sustentando os preços. Por outro lado, as vendas de carne estão fracas, fazendo com que as indústrias pressionem. Dessa forma, a cotação subiu apenas para a novilha, cuja alta foi de R$3,00/@. As demais categorias ficaram estáveis. A escala de abate estava, em média, para seis dias. Queda no mercado atacadista da carne com osso. As vendas de carne no mercado varejista na última semana foram fracas, repercutindo no setor atacadista, que registrou poucos pedidos para reposição de estoque. Além disso, as câmaras frias apresentaram acúmulo de mercadoria e, com isso, a cotação das carcaças casadas caiu. A cotação da carcaça casada do boi capão caiu 2,5%, ou R$0,60/kg, e a do boi inteiro caiu 2,4%, ou R$0,55/kg. Entre as fêmeas, a cotação da carcaça casada da vaca caiu 2,6%, ou R$0,60/kg, e a da novilha caiu 2,2%, ou R$0,50/kg. A tendência é de que esse cenário permaneça. No mercado de proteínas alternativas, a cotação do frango médio não mudou em relação à última segunda-feira. Enquanto a cotação do suíno especial caiu 1,3%, ou R$0,10/kg.
SCOT CONSULTORIA
Quatro fatores reforçam expectativa de alta para a arroba do boi gordo em setembro
Cota chinesa e decisão de Donald Trump estão entre os indicadores que devem gerar valorização no mercado pecuário
O mercado físico brasileiro do boi gordo registrou uma semana de preços inalterados na compra. De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, a dinâmica do mercado aponta para escalas de abate mais alongadas para os frigoríficos de maior porte e mais curtas para as indústrias menores. Nas exportações de carne, o desempenho sinaliza enfraquecimento, considerando a menor participação da China no mercado no decorrer do terceiro trimestre. “No cenário doméstico, a demanda permanece enfraquecida na segunda quinzena de agosto, algo natural para o período”, afirma. O que esperar de setembro? Para setembro, diversos indícios apontam para um mercado pecuário de altas consistentes na arroba do boi gordo. O coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, aponta que os frigoríficos estarão concentrados na compra de bovinos jovens para abate, principalmente na segunda quinzena do mês, já pensando em garantir estoque para atender a cota de 2027 de exportação à China. “Ao verificar o contexto de estação de monta e oferta de bovinos, os meses de setembro a dezembro, geralmente, têm menor participação de fêmeas nos abates em comparação aos bimestres anteriores, ou seja, é outro ponto que deve pesar em precificação, visto que a menor oferta deve fazer a demanda se recuperar no setor exportador”, contextualiza. Além disso, Fabbri cita que a decisão do governo dos Estados Unidos de liberar até 300 mil toneladas de carne a tarifa zero deve beneficiar o Brasil. “Trata-se de um novo componente que impulsiona o comportamento da arroba do boi, principalmente se a medida [de Donald Trump] for realmente válida para os próximos 90 dias, ou seja, praticamente até o fim do ano.” O especialista da Scot ainda cita que o mercado interno deve receber sustentação com o início das campanhas eleitorais e a distribuição das verbas do fundo partidário. “É um valor substancial que entra no mercado brasileiro e ajuda no consumo de carne bovina no país”, arremata. Preço médio da arroba do boi: Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 20 de agosto, sem mudanças em relação ao final da semana anterior: São Paulo (Capital): R$ 355. Goiás (Goiânia): R$ 335. Minas Gerais (Uberaba): R$ 335. Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 340. Mato Grosso (Cuiabá): R$ 330. Rondônia (Vilhena): R$ 338. O mercado atacadista registrou preços de estáveis a mais baixos durante a semana. Iglesias ressalta que o ambiente de negócios ainda aponta para a possibilidade de recuo das cotações no curto prazo diante de um cenário marcado pelo menor apelo ao consumo. “Além disso, a carne bovina permanece menos competitiva em relação às proteínas concorrentes, especialmente na comparação com a carne de frango”, assinala. Quarto do dianteiro do boi: R$ 21,00 por quilo, 2,33% abaixo dos R$ 21,50 praticados na semana passada. Quarto do traseiro bovino: R$ 27,00 por quilo, inalterado ante a semana anterior. As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 579,688 milhões em agosto até o momento (10 dias úteis), com média diária de US$ 57,968 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A quantidade total exportada pelo país chegou a 94,419 mil toneladas, com média diária de 9,442 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.139,50. Em relação a agosto de 2025, houve baixa de 19,1% no valor médio diário da exportação, queda de 26,1% na quantidade média diária exportada e avanço de 9,6% no preço médio.
SAFRAS NEWS
Medida dos EUA sobre carne pode favorecer o Brasil
O Brasil tem condições de exportar aos Estados Unidos entre 30% e 40% do volume de 300 mil toneladas de carne bovina que Washington permitirá entrar em seu mercado sem tarifa nos próximos 90 dias, na visão de analistas.
Na sexta-feira (21), o presidente Donald Trump, disse, em sua rede social Truth Social, que os Estados Unidos permitirão a entrada de até 300 mil toneladas do produto destinado à fabricação de carne moída sem aplicação de tarifas sobre volumes que excedam as cotas dos países fornecedores. “Hoje, concluí um acordo para reduzir substancialmente o preço da carne moída para as famílias trabalhadoras americanas”, disse Trump na rede social. “Temos o compromisso de que essa carne será vendida a 25% abaixo dos valores atuais de mercado”, continuou. Ele não informou quais países fornecerão a carne. A medida ocorre após outras iniciativas do governo dos EUA para aumentar a oferta de carne bovina no mercado americano e conter a alta dos preços, como a expansão das importações de carne da Argentina e a retomada das compras de gado vivo do México para abate. O rebanho americano é um dos menores em mais de 70 anos. No fim da tarde de sexta, o presidente americano voltou a tratar do tema. “Queremos baixar os preços da carne bovina, vamos reduzi-los um pouco, e é isso que as pessoas querem. É isso que os eleitores querem, e é isso que eu quero”, afirmou a jornalistas, antes de embarcar no Air Force One para Myrtle Beach, na Carolina do Sul. “Os pecuaristas [americanos] são ótimos, são a minha gente. Eu adoro os pecuaristas, eles fizeram um trabalho fantástico, mas admitem que precisamos de uma pequena ajuda para baixar os preços”, disse. Para Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, o Brasil poderá abocanhar até 120 mil toneladas do total autorizado. Segundo ele, o Brasil está “bem-posicionado” em termos de plantas habilitadas para vender aos EUA e de potencial de oferta de carne magra para suprir a demanda americana. Nas contas de Iglesias, os frigoríficos brasileiros poderão preencher de 30% a 40% do volume total. De janeiro a julho, o Brasil exportou 223,8 mil toneladas de carne bovina aos americanos, o que gerou receita de US$ 1,5 bilhão.
GLOBO RURAL
Venda de sêmen bovino cresceu 12,4% no primeiro semestre de 2026
Dados fazem parte do Index Asbia, elaborado pela Asbia em parceria com o Cepea/Esalq. Valorização do bezerro é um dos fatores que explicam crescimento do setor. No gado de leite, a comercialização alcançou 3,2 milhões de unidades, com ligeira alta de 0,1%.
O mercado brasileiro de genética bovina cresceu 12,4% no primeiro semestre de 2026, com 12,3 milhões de doses de sêmen comercializadas. Os dados fazem parte do Index Asbia, elaborado pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), da USP. Do volume total, 11,1 milhões de doses foram comercializadas para pecuaristas no Brasil, enquanto 663,4 mil tiveram como destino a exportação. Outras 551,5 mil doses foram comercializadas na categoria de prestação de serviços (criadores contratam a coleta e a industrialização de sêmen do seu próprio rebanho). As vendas de material genético para gado de corte cresceram 17%, com 7,8 milhões de doses. No gado de leite, a comercialização alcançou 3,2 milhões de unidades, com ligeira alta de 0,1%. “Com a valorização do bezerro, o pecuarista busca repor seu rebanho com ainda mais qualidade. O melhoramento genético, realizado com apoio das biotecnologias reprodutivas, é essencial para que o país siga sendo protagonista na produção de carne e leite”, disse o presidente da Asbia, Luis Adriano Teixeira. Segundo o indicador Cepea/Esalq, a valorização do bezerro foi de cerca de 10% no primeiro semestre deste ano. Nas exportações, as 663,4 mil doses comercializadas garantiram um crescimento de 66,8% em comparação com o primeiro semestre do ano passado. No gado de corte, o avanço foi ainda mais expressivo, de 120%. Os embarques de sêmen no segmento leite cresceram 19%. O levantamento também aponta que a tecnologia foi utilizada em 76,4% dos municípios brasileiros no primeiro semestre, alcançando um total de 4.225. O número é 10% superior ao mesmo período do ano passado.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar fecha em alta no Brasil com exterior e eleições no foco
O dólar fechou a segunda-feira em leve alta contra o real, refletindo o fortalecimento da divisa norte-americana ante as principais moedas, enquanto os agentes
O dólar à vista fechou em alta de 0,23%, aos R$5,1534 na venda. Às 17h45, o contrato de dólar futuro para setembro — atualmente o mais negociado no Brasil — subia 0,24% na B3, aos R$5,1585. Os agentes aguardaram com apreensão os comentários do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, na busca de mais detalhes sobre as medidas que o país adotaria contra o Irã. Contudo, em coletiva de imprensa durante a tarde, Bessent se recusou a dizer quais países específicos serão alvo das sanções, ou quando essas sanções entrarão em vigor. O Departamento do Tesouro anunciou novas sanções contra 60 indivíduos, entidades e embarcações, mas essa lista não incluía nenhuma das instituições financeiras chinesas suspeitas de facilitar o comércio de petróleo do Irã. Nesse contexto, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,18%, a 98,992. A divisa norte-americana registrou ganhos contra moedas pares do real, como o peso mexicano, e ante moedas de países desenvolvidos, como o euro e o iene. No Brasil, um levantamento BTG/Nexus divulgado nesta segunda-feira mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão em um cenário de empate técnico em um eventual segundo turno, com Lula com 46% das intenções de voto no segundo turno e Flávio com 45%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Antes da abertura dos negócios, pela manhã, pesquisa Focus do Banco Central apontou que a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 caiu a 1,95%, de 1,98% na semana anterior. Para 2027 a conta permaneceu em 1,50%. Nos próximos dias, os agentes ficarão atentos aos dados de inflação e do PIB dos EUA, além do simpósio anual de Jackson Hole, do Fed, para balizar as expectativas de juros, enquanto, no mercado doméstico, cenário fiscal e eleitoral seguirão no foco.
REUTERS
Ibovespa avança em pregão com Braskem e Yduqs sob holofotes
O Ibovespa fechou em alta na segunda-feira, apoiado principalmente pelo forte avanço da Vale, em pregão com noticiário corporativo intenso, incluindo decisão da Braskem de pedir recuperação extrajudicial e anúncio entre Yduqs e Afya sobre conversas para possível combinação de negócios.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,51%, a 171.906,72 pontos, abandonando a fraqueza dos primeiros negócios, quando recuou a 169.330,39. Na máxima do dia, alcançou 173.109,43 pontos. O volume financeiro somou R$25,33 bilhões.
De acordo com analistas do Itaú BBA, o Ibovespa está em recuperação após as quedas recentes e perto de sair da tendência de baixa. “Porém, até que sejam superados os 173.000 pontos (no fechamento), esse movimento deverá ser interpretado como um repique dentro da tendência principal de baixa”, afirmaram no relatório Diário do Grafista. Na última sexta-feira, o Ibovespa avançou 1,85%, a 171.031,73 pontos, cravando três altas seguidas e acumulando alta de 2,45% na semana. No mês, porém, o desempenho permanece com sinal negativo. Mesmo com a alta nesta sessão, ainda cai 3,42%. A pauta da segunda-feira também incluiu pesquisa BTG/Nexus mostrando que a vantagem numérica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno da eleição presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) diminuiu para 1 ponto percentual. Ambos seguem em empate técnico. Na visão do chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, Gabriel Magno, o levantamento apoiou o tom positivo na bolsa paulista, uma vez que corrobora um cenário de eleição mais acirrada.
REUTERS
Boletim Focus: Expectativa para inflação em 2027 sobe pela segunda semana consecutiva
O relatório do Banco Central apresenta as expectativas do mercado para os principais indicadores econômicos do Brasil
A expectativa dos economistas para a inflação em 2026 seguiu estabilizada pela segunda semana consecutiva, enquanto a estimativa para 2027 subiu pela segunda semana consecutiva. Já a previsão para 2028 foi mantida pela quarta semana seguida, apontou o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (24). A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 continuou em 5,02%. É importante lembrar que a meta perseguida pelo Banco Central é de 3% ao ano, com limite tolerável de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Portanto, o topo da meta é de 4,5% e a expectativa aponta para uma inflação maior que esse teto. Já a expectativa para a inflação em 2027 subiu de 4,24% para 4,25%, enquanto a estimativa para o IPCA em 2028 seguiu em 3,80%. O Boletim Focus reúne semanalmente as expectativas do mercado para os principais indicadores da economia e é acompanhado pelos investidores de perto, especialmente as expectativas de inflação, que ajudam a calibrar as previsões para a Selic, a taxa referência para os juros da economia. A previsão para os juros no fim de 2026 continuou em 13,75% pela terceira semana consecutiva. Para 2027, a expectativa ficou em 12%, como ocorreu nas semanas anteriores. Para 2028, a projeção seguiu também em 10,50%, como nas semanas anteriores. A expectativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 recuou de 1,98% para 1,95%, após continuar estabilizada na semana anterior. Para 2027, a estimativa seguiu em 1,50%, após cair na semana passada. Para 2028, a previsão subiu de 1,89% para 1,98%, após cair na semana anterior. A expectativa para o dólar em 2026 continuou R$ 5,20, como ocorreu nas semanas anteriores. Para 2027, a estimativa subiu pela segunda semana consecutiva, de R$ 5,29 para R$ 5,30. Para 2028, a previsão seguiu em R$ 5,30, como nas últimas semanas.
VALOR ECONÔMICO
EMPRESAS
Mais de 90% dos frigoríficos auditados em MT cumprem TAC da Carne, afirma MPF
Mais de 90% dos frigoríficos convocados em Mato Grosso concluíram as auditorias previstas no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne, instrumento utilizado pelo Ministério Público Federal (MPF) para acompanhar o cumprimento de critérios socioambientais na cadeia da pecuária na Amazônia Legal. Dos 14 estabelecimentos convocados no estado, 13 passaram pelo processo, o equivalente a 92,9% do total.
“Nós mostramos que há uma parceria muito grande entre o trabalho que o Ministério Público Federal desenvolve no âmbito do Carne Legal com os produtores, que são realmente nossos parceiros, e com os frigoríficos que têm acordos diretos conosco. E vale dizer que as irregularidades são pequenas. A maioria dos frigoríficos cumpre a legislação brasileira no âmbito da legislação ambiental”, enfatiza o procurador da República Erich Masson. Segundo apresentação realizada pelo MPF em Cuiabá na última semana, a maioria dos frigoríficos mato-grossenses auditados cumpre os compromissos estabelecidos pelo TAC da Carne. Os estabelecimentos que concluíram o processo respondem por 82% de todos os animais comercializados para abate ou exportação em Mato Grosso no período analisado, entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024. Os números fazem parte do 3º Ciclo Unificado de Auditorias do TAC da Carne na Amazônia Legal, que analisou transações realizadas nos estados de Mato Grosso, Pará, Rondônia, Tocantins, Amazonas e Acre. O acompanhamento busca verificar se a compra de animais pelos frigoríficos atende aos compromissos socioambientais assumidos pelas empresas. Presidente do Instituto Mato-grossense da Carne, Caio Penido destacou a importância de se oferecer mecanismos como o Programa de Reinserção e Monitoramento (Prem) para que os produtores em situação irregular possam se regularizar e voltar ao mercado formal. “A gente vê que a maioria dos produtores está regular ou em condições de se regularizar. Então, a gente não pode travar esse processo de regularização, temos que incluir esses produtores dentro do processo, trazer eles para dentro e criar mecanismos para que eles possam vender legalmente enquanto estão buscando a regularização”, explicou Penido.
Entre os critérios analisados estão potenciais irregularidades ambientais nas propriedades fornecedoras de gado. O sistema utilizado pelo MPF cruza informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR) com dados da Guia de Trânsito Animal (GTA) e verifica, entre outros pontos, possíveis sobreposições dos imóveis rurais com áreas de desmatamento identificadas pelo sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
IMAC
SUÍNOS & FRANGOS
Alimentação animal cresceu 5,4% no primeiro trimestre de 2026
Resultado reflete avanço das cadeias de aves e suínos, impulsionadas pelo aumento da produção e pelo desempenho das exportações. Avicultura de corte foi responsável pela maior demanda entre as cadeias acompanhadas
A indústria brasileira de alimentação animal produziu 22,6 milhões de toneladas de rações no primeiro trimestre de 2026, alta de 5,4% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Sindirações. O resultado reflete principalmente o avanço das cadeias de aves e suínos, impulsionadas pelo aumento da produção e pelo desempenho das exportações. Para o ano, a entidade projeta uma produção superior a 98 milhões de toneladas, crescimento estimado de 4,5% sobre o volume registrado em 2025. A avicultura de corte foi responsável pela maior demanda entre as cadeias acompanhadas, com aproximadamente 10 milhões de toneladas de rações consumidas até março. O resultado acompanha a recuperação do setor após as dificuldades sanitárias enfrentadas em 2025. No primeiro trimestre, o abate de frangos cresceu 3,6%, enquanto o peso acumulado das carcaças avançou mais de 7%, segundo dados do IBGE. Para 2026, a expectativa é de uma demanda de 39,8 milhões de toneladas de rações para frangos de corte. O crescimento também veio pela suinocultura, foram demandadas 5,5 milhões de toneladas de rações no primeiro trimestre. O abate de suínos alcançou 15,3 milhões de cabeças entre janeiro e março, crescimento de aproximadamente 5,5% na comparação anual. O desempenho das exportações também contribuiu para absorver a maior disponibilidade de carne e dar sustentação às cotações. A projeção para o ano é de aproximadamente 23,6 milhões de toneladas de rações para o segmento. A produção de ovos também apresentou crescimento no período, segundo a Sindirações. A demanda por rações para poedeiras somou 1,8 milhão de toneladas e deve alcançar aproximadamente 7,7 milhões de toneladas até dezembro. Na pecuária de leite, a aquisição de leite cru pelos estabelecimentos sob inspeção sanitária alcançou 6,8 bilhões de litros, crescimento de 3,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025. O resultado foi favorecido pelo aumento da oferta de matéria seca, investimentos em produtividade e maior intensificação tecnológica. A demanda por rações para bovinos leiteiros chegou a 2 milhões de toneladas no trimestre, com previsão de atingir 7,9 milhões de toneladas no ano. Na bovinocultura de corte, a produção de rações para o segmento somou aproximadamente 1,28 milhão de toneladas. Apesar da elevada oferta de animais e carne, o forte fluxo exportador contribuiu para equilibrar a disponibilidade no mercado doméstico e sustentar os preços. Para 2026, a previsão é superar 8,2 milhões de toneladas de rações para bovinos de corte. Na aquicultura, a demanda por rações alcançou aproximadamente 500 mil toneladas entre janeiro e março. O setor iniciou 2026 em um ambiente de maior previsibilidade após as dificuldades enfrentadas no ano anterior, embora ainda enfrente desafios relacionados à concorrência dos pescados importados, custos de produção, segurança jurídica e regulamentação. Na carcinicultura, a expectativa é de que a demanda por rações para aquicultura chegue a 1,97 milhão de toneladas em 2026. O mercado de alimentos industrializados para cães e gatos também manteve volume expressivo, com pouco mais de 1 milhão de toneladas consumidas no primeiro trimestre.
GLOBO RURAL
Missão da UE vai avaliar empresas de aves e mel
O foco será verificar o cumprimento dos controles de uso de antimicrobianos nessas cadeias produtivas. Técnicos europeus vão analisar apiários paranaenses
Técnicos da União Europeia passarão as próximas duas semanas no Brasil em uma missão para avaliar o sistema de produção, processamento e fiscalização de carne de aves e mel. O foco será verificar o cumprimento dos controles de uso de antimicrobianos nessas cadeias produtivas para um possível aval à continuidade das exportações aos europeus. A missão, inclusive, estará no país em 3 de setembro, data prevista para a entrada em vigor do bloqueio às exportações de carnes de aves, bovina, mel e pescados. Em maio, a UE anunciou a retirada do Brasil da lista de exportadores aptos a enviar produtos de origem animal ao bloco alegando que o país não conseguiu comprovar o controle do uso de antimicrobianos nas cadeias produtivas. No setor produtivo de aves, a expectativa é que a auditoria corra bem. Fontes dizem, sob reserva, que os técnicos poderão ver aquilo que as empresas já executam há bastante tempo, que é a segregação de animais para a Europa e o não uso de antimicrobianos como promotores de crescimento. O retorno ou não à lista de exportadores, dizem pessoas a par do tema, será uma consequência da missão e uma decisão exclusiva dos europeus. Há, portanto, a possibilidade de que as vendas sejam interrompidas, mesmo que por um período curto. As equipes oficiais nos frigoríficos já foram orientadas a não certificar, a partir de 3 de setembro, os produtos que não apresentarem conformidade aos requisitos relacionados ao uso de antimicrobianos previstos na legislação europeia. O retorno do Brasil à lista de exportadores aptos depende de decisão do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (Scopaff, na sigla em inglês) da Comissão Europeia. Há possibilidade de realização de reuniões extraordinárias, mas o próximo encontro está agendado apenas para novembro, disse uma fonte. O Brasil exportou 226,2 mil toneladas de carne de frango para a UE em 2026, com faturamento de quase US$ 680 milhões. Em julho, os embarques chegaram a 36,8 mil toneladas e US$ 104,2 milhões, segundo dados do Agrostat, do Ministério da Agricultura. Os técnicos europeus vão ter reuniões com o Ministério da Agricultura em Brasília a partir desta segunda-feira (24/8) e seguirão para visitas em quatro empresas de carnes de aves habilitadas a exportar à UE no Paraná e em Mato Grosso do Sul. Também vão analisar apiários paranaenses e uma indústria de processamento de mel no interior de São Paulo, além de agências estaduais de defesa agropecuária. Eles ficam no país até 4 de setembro, quando terão uma reunião de conclusão em Brasília.
GLOBO RURAL
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