
Ano 11 | nº 2782 | 24 de agosto de 2026
NOTÍCIAS
Boi gordo: baixa oferta sustenta cotações no mercado
Vaca gorda sobe R$ 3/@ no Sul da Bahia
A cotação do boi gordo permaneceu estável na sexta-feira (21) nas principais praças analisadas pela Scot Consultoria, sustentada pela baixa disponibilidade de animais. Pelos dados da Scot Consultoria, no interior de São Paulo, o boi gordo sem padrão-exportação segue valendo R$ 347/@, enquanto o “boi-China” está cotado em 350/@ (valores brutos, no prazo). Segundo dados divulgados pela Scot Consultoria no informativo “Tem Boi na Linha”, a demanda retraída por carne no mercado interno e a exportação menos aquecida limitaram o avanço das compras pelos frigoríficos. De acordo com a análise da sexta-feira (21), os frigoríficos mantiveram as compras, mas não conseguiram ampliar as escalas de abate diante do escoamento lento da carne. O equilíbrio entre oferta enxuta e demanda mais fraca manteve as cotações sem alterações na maior parte das regiões. As escalas de abate ficaram, em média, em oito dias.
Segundo dados divulgados pela Scot Consultoria, a disponibilidade limitada de boiadas foi o principal fator de sustentação das cotações nesta sexta-feira. Apesar da oferta enxuta, a demanda mais fraca impediu movimentos de alta mais consistentes. No mercado interno, o escoamento da carne permaneceu lento, enquanto as exportações apresentaram ritmo menos aquecido. Com isso, os frigoríficos seguiram comprando, mas sem avançar nas escalas de abate. No Rio Grande do Sul, segundo dados divulgados pela Scot Consultoria, as cotações permaneceram estáveis nas praças pecuárias gaúchas. O cenário acompanhou o equilíbrio observado no mercado, com oferta restrita de animais e demanda sem força suficiente para provocar alterações nos preços. Na Bahia, as cotações também ficaram estáveis na comparação feita dia a dia, com uma exceção. Segundo dados divulgados pela Scot Consultoria, a vaca gorda subiu R$ 3,00 por arroba na região Sul do estado. A oferta de boiadas continuou restrita, contribuindo para a sustentação dos preços. As escalas de abate atenderam, em média, entre quatro e cinco dias. No Espírito Santo, segundo dados divulgados pela Scot Consultoria, as cotações não apresentaram alterações na comparação diária. O mercado estadual acompanhou o movimento de estabilidade observado nas demais regiões analisadas no informativo, em um cenário marcado pela oferta limitada e pela demanda mais retraída.
SCOT CONSULTORIA
Trump permitirá importação de carne moída “sem tarifa fora da cota”
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na sexta-feira que permitirá a importação de até 300 mil toneladas métricas de carne moída “sem tarifa fora da cota” pelos próximos 90 dias, em um acordo que, segundo ele, permitirá que a carne seja vendida a um preço 25% inferior aos preços atuais de mercado.
REUTERS
Boi gordo: veja como os preços terminaram a semana em dia de anúncio de Trump
Presidente dos EUA anunciou isenção total de tarifas para 300 mil toneladas de carne bovina por 90 dias, o que deve beneficiar o Brasil
O mercado físico do boi gordo voltou a se deparar com pressão de queda nos preços nesta sexta-feira (21), em um ambiente de negócios pautado por uma posição mais confortável das escalas de abate, em especial para os frigoríficos de maior porte. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, diante desse cenário, as tentativas de compra em níveis mais baixos se tornaram recorrentes nas mais diferentes regiões do país. No início do dia, o presidente norte-americano anunciou isenção total de tarifas para 300 mil toneladas de carne bovina por 90 dias, para reduzir o quadro de escassez presente no país. “As regras não foram estabelecidas, mas o Brasil pode ser o principal beneficiado da medida, diante do perfil de corte isento (prioritariamente dianteiro bovino) e pela quantidade de plantas habilitadas para exportação aos Estados Unidos que o país possui”, assinalou Iglesias.
Preços médios da arroba do boi: São Paulo: R$ 342,75. Goiás: R$ 333,04. Minas Gerais: R$ 335,88. Mato Grosso do Sul: R$ 336,68. Mato Grosso: R$ 327,77. O mercado atacadista permanece fragilizado, com perspectiva de queda nas cotações. Segundo Iglesias, a demanda segue deprimida, diante do menor apelo ao consumo, e a expectativa é de continuidade desse movimento no curtíssimo prazo. “As proteínas concorrentes permanecem altamente competitivas, em um ambiente marcado pelo excesso de oferta de carne suína, carne de frango e ovos”, ressalta. Quarto traseiro: R$ 26,00 por quilo. Quarto dianteiro: R$ 20,00 por quilo. Ponta de agulha: R$ 19,00 por quilo.
SAFRAS NEWS
Frigoríficos de MT aumentam exportações de carne bovina para a Espanha em 172% em julho
Em julho, os frigoríficos de Mato Grosso ampliaram as vendas de carne bovina para diferentes mercados internacionais, com crescimento dos embarques para países como Chile, Estados Unidos e Espanha. O avanço mais expressivo foi registrado nas exportações para o mercado espanhol, que aumentaram 172% de junho para julho, segundo dados do Comex Stat.
Nos primeiros sete meses do ano, os frigoríficos de Mato Grosso exportaram 457,1 mil toneladas de carne bovina, movimentando US$ 2,8 bilhões. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve aumento de 29,6% no volume exportado, com 104,4 mil toneladas a mais. A receita obtida com as vendas externas cresceu US$ 951,5 milhões, alta de 51,2% no período. Em junho, Mato Grosso exportou para a Espanha 549,7 toneladas de carne bovina. Em julho, o volume avançou para 1,4 mil toneladas, crescimento de 172%. De janeiro a julho, foram vendidas ao país 5,1 mil toneladas da proteína bovina, volume 10,2% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Outro mercado que apresentou crescimento foi o dos Estados Unidos. Em junho, o país comprou 3,1 mil toneladas de carne bovina mato-grossense, volume que passou para 5,3 mil toneladas em julho, alta de 66,6%. De janeiro a julho, os norte-americanos compraram 36,8 mil toneladas, crescimento de 69,6% em relação aos primeiros sete meses de 2025. Também houve aumento nas vendas para o Chile, segundo o Comex Stat. Os embarques passaram de 4,9 mil toneladas em junho para 6,8 mil toneladas em julho, crescimento de 37,4%. No acumulado de janeiro a julho, o país sul-americano comprou 30,8 mil toneladas de carne bovina mato-grossense, volume 76% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. “Esse crescimento nas exportações é resultado de uma combinação de fatores em toda a cadeia produtiva, que vem ampliando a eficiência da produção e a capacidade de atender às diferentes exigências do mercado internacional. Nesses mercados já consolidados, o aumento das vendas mostra que ainda existe espaço para aprofundar essas relações comerciais, o que é importante para todos os elos da cadeia”, avalia o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade.
IMAC
Mercado do boi gordo em alta na região Sul da Bahia
A oferta curta sustentou a alta da cotação.
A segunda quinzena de agosto começou com alta nas cotações das três categorias do gado gordo. A oferta permaneceu curta, suficiente apenas para atender à demanda. Desta forma, a arroba do boi gordo subiu 1,6%, ou R$5,00, negociada em R$324,50. A cotação da vaca subiu 2,4%, ou R$7,00/@, negociada em R$297,00/@. E a arroba da novilha subiu 2,3%, ou R$7,00, cotada em R$305,00. Em relação às praças paulistas, o diferencial de base na região Sul da Bahia está em R$17,00/@, ou 5,0% abaixo da cotação registrada em São Paulo, onde a arroba do boi gordo está em R$341,50. Todos os preços são a prazo, descontados o Senar e o Funrural. Para o curto prazo, a expectativa é de estabilidade nas cotações, com pouca margem para novos movimentos de alta.
SCOT CONSULTORIA
Compras indiretas de gado na Amazônia feitas a partir de 2027 vão entrar na mira do MPF
O Ministério Público Federal (MPF) passará a exigir, a partir de janeiro de 2027, que as vendas de gado feitas por fornecedores indiretos de frigoríficos na Amazônia Legal não sejam de áreas oriundas de desmatamento ilegal ou com outras irregularidades socioambientais, como prevê o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) da Carne. A vigência da nova regra foi adiada em seis meses em relação ao previsto inicialmente.
O monitoramento passa, assim, a abranger os chamados fornecedores indiretos “nível 1”, ou seja, os pecuaristas que vendem gado às fazendas para a engorda final dos animais antes do abate. Serão considerados fornecedores indiretos todos aqueles imóveis rurais que tenham vendido bovinos aos fornecedores diretos entre 12 e 24 meses antes da compra final pelo frigorífico. O recorte temporal foi estabelecido para evitar que fossem contados animais adquiridos muito recentemente, que não tenham tido tempo para engordar até serem vendidos ao frigorífico, nem muito tardiamente, que já possam ter sido vendidos a outros frigoríficos. Até então, o MPF exigia o monitoramento e a auditoria das compras de gado apenas das compras diretas de gado dos frigoríficos. O TAC da Carne já prevê desde 2019 que as empresas signatárias não comprem animais provindos de nenhuma área com desmatamento ilegal, mas até então o monitoramento e auditoria dos dados era um desafio. Serão contabilizadas as vendas de gado dos fornecedores indiretos feitas a partir de 2027, mas o MPF só começará a monitorar as compras feitas em 2028, levando em consideração os dados das transações feitas a partir de 2027. A partir de janeiro de 2029, o MPF deverá avisar o frigorífico sobre as inconformidades dos fornecedores indiretos a partir de dados de uma plataforma criada pela UFMG que cruza automaticamente dados das Guias de Trânsito Animal (GTAs), Cadastros Ambientais Rurais (CARs) e outras bases de dados públicas. Os avisos serão dados quando ao menos 30% das compras de gado feitas pelo fornecedor direto tiverem problemas. Com o aviso dado, o frigorífico deverá bloquear as compras dos fornecedores diretos que tenham comprado os animais dos fornecedores indiretos com irregularidades. Caso tenha ocorrido uma identificação falsa de irregularidade, o fornecedor direto terá que provar a regularidade da fazenda de onde comprou o animal para engorda. Segundo o procurador Ricardo Negrini, “se o CAR [Cadastro Ambiental Rural] estiver validado e sem passivo, está resolvido o problema da propriedade rural. Isso serve como desbloqueio”. O fornecedor indireto de pequeno porte, com propriedades de até quatro módulos fiscais, também poderá ser desbloqueado caso entre em um programa de restauração produtiva via sistemas agroflorestais (SAF). Segundo Negrini, também poderá ser bloqueado o fornecedor direto que tenha comprado animais de fazendas irregulares em outros biomas que sejam monitorados pelo Prodes.
GLOBO RURAL
Queda das exportações pesa menos que o esperado sobre o boi gordo
Alcides Torres Jr., da Scot Consultoria, diz que o mercado tem reagido melhor à queda dos embarques do que previam os mais pessimistas e vê cenário positivo para a arroba até o fim do ano
A redução das exportações brasileiras de carne bovina trouxe pressão e aumentou a cautela no mercado do boi gordo, mas, até agora, seus efeitos sobre os preços têm sido mais amenos do que parte do setor projetava. Mesmo com o menor ritmo dos embarques e a recente perda de fôlego do consumo doméstico, o mercado segue relativamente equilibrado. A avaliação é de Alcides Torres Jr., engenheiro agrônomo e diretor-proprietário da Scot Consultoria, de Bebedouro (SP). “Tinha os alarmistas e os pessimistas dizendo que a coisa ia desmontar, ia quebrar todo mundo, o preço ia cair, ia fechar frigorífico. Não aconteceu isso”, afirmou. Segundo Torres Jr., a redução dos embarques é evidente e deverá resultar em um desempenho exportador mais fraco, mas outros fatores ajudaram a amortecer seus efeitos sobre o mercado pecuário. “Estamos tendo algumas compensações com relação aos Estados Unidos e outros mercados. Os frigoríficos já tinham dado férias coletivas, então o mercado já tinha se ajustado. O consumo interno, apesar dessa pequena queda que a gente está tendo agora, continua firme”, explicou. Para o analista, substituir a demanda chinesa está longe de ser uma tarefa simples. Ainda assim, o comportamento do mercado até aqui ficou distante dos cenários mais negativos projetados anteriormente. “O que está acontecendo agora com relação a preço e ao comportamento de mercado está bem mais ameno do que os mais pessimistas imaginavam”, disse. “É um mercado equilibrado, vamos falar assim, para ficar no meio do caminho.” Para os próximos meses, a perspectiva traçada por Torres Jr. é mais favorável. Entre os fatores que podem contribuir para sustentar o mercado estão uma maior circulação de recursos na economia, o aumento sazonal do consumo no fim do ano e uma possível recuperação da demanda chinesa. “A expectativa é positiva. A gente imagina um mercado comprador”, afirmou. O analista espera que a China volte a comprar mais carne bovina brasileira dentro de um ou dois meses, movimento que, combinado ao fortalecimento sazonal da demanda doméstica, pode contribuir para a firmeza das cotações. “Mais para o final do ano ainda temos as bonificações de fim de ano e, é claro, imaginamos que a China volte a comprar daqui a um ou dois meses. Então, os cenários são positivos no que diz respeito à firmeza da cotação da arroba do boi gordo”, afirmou. “A expectativa é de que a exportação para os Estados Unidos aumente. Mesmo porque, para eles voltarem àquele nível de rebanho, vai levar algum tempo, se é que vão voltar”, afirmou. O analista também chamou atenção para os efeitos indiretos de uma maior demanda norte-americana dentro da própria América do Norte. Segundo ele, se os Estados Unidos ampliarem suas compras de carne do México, o mercado mexicano poderá, por sua vez, aumentar as aquisições do produto brasileiro. “Se os Estados Unidos voltam a comprar muito do México, o México passa a comprar muito da gente. Então, com relação à América do Norte, o cenário é positivo, pelo menos para este semestre”, concluiu.
PORTAL DBO
ECONOMIA
Dólar fecha em queda firme contra o real com exterior favorável e eleições
O dólar fechou a sexta-feira em queda firme contra o real, que liderou os ganhos entre as principais moedas, pegando carona no enfraquecimento da moeda norte-americana, ao mesmo tempo em que os agentes monitoraram o noticiário eleitoral. O dólar à vista fechou em queda de 1,00%, aos R$5,1417 na venda.
Às 17h40, o contrato de dólar futuro para setembro — atualmente o mais negociado no Brasil — caía 1,05% na B3, aos R$5,1515. Na semana, o dólar acumulou 1,53% de queda contra o real. A moeda norte-americana caiu no exterior para o menor nível em três meses, com o aumento das preocupações de que o plano do Tesouro dos Estados Unidos de expandir a recompra de títulos públicos de longo prazo possa pressionar ainda mais a divisa. Por volta das 17h40, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,07%, a 98,856. Nesse ambiente, o real e o peso chileno lideraram os ganhos da sessão entre as moedas mais líquidas, enquanto o euro atingiu o maior valor desde 14 de maio e a libra esterlina atingiu o maior nível desde 11 de fevereiro. Além do quadro cambial favorável no exterior, o cenário eleitoral doméstico deu ainda mais fôlego para o real.
Investidores aguardam a divulgação, no início da noite da sexta-feira, de uma nova pesquisa de intenções de voto do Datafolha sobre o cenário para as eleições presidenciais de outubro. Na última segunda-feira, levantamento BTG/Nexus mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) seguem em empate técnico em um eventual segundo turno, embora o petista continue numericamente à frente. A perspectiva de uma disputa presidencial mais acirrada, com menor diferença de percentual de intenções de voto entre os principais candidatos, é bem-vista pelo mercado, que vê um risco fiscal maior em um eventual próximo mandato de Lula. “O mercado segue bastante sensível ao quadro fiscal, que, por sua vez, é uma derivada direta do desfecho eleitoral”, disse Bruno Perri, economista-chefe e fundador da Forum Investimentos.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta com respaldo de bancos e assegura ganho semanal
O Ibovespa fechou em alta na sexta-feira, rondando os 172 mil pontos, com respaldo das ações dos bancos e assegurando desempenho semanal positivo.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 1,84%, a 171.014,62 pontos, acumulando alta de 2,44% na semana, de acordo com dados preliminares. No mês, ainda recua 3,92%. Na máxima do dia, chegou a 171.979,78 pontos. Na mínima, marcou 167.928,33 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$30,1 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Indústria vê déficit comercial bater recorde no 1º semestre
Defasagem tecnológica brasileira ajuda a explicar saldo negativo, com problemas que vão de remédios a carros elétricos
A indústria de transformação fechou o primeiro semestre do ano com déficit comercial de US$ 38,2 bilhões, o mais profundo da série histórica iniciada em 2000. De janeiro a junho de 2025 o saldo negativo foi de US$ 37 bilhões, agora o segundo mais acentuado da série. O resultado da indústria na primeira metade deste ano contrasta com o desempenho da balança comercial total do país. Puxada pela exportação de commodities, a balança total acumula saldo positivo de US$ 49 bilhões de janeiro e julho e deve ter em 2026 superávit superior ao projetado no início do ano. A indústria de transformação teve na primeira metade do ano a reação do ramo de aeronaves, cujas exportações, após sete anos, recuperaram o nível pré-pandemia. O desempenho levou o déficit comercial do segmento a quase um décimo do observado de janeiro a junho de 2025. Outros ramos industriais, porém, tiveram os mais agudos déficits para o primeiro semestre desde 2000, provocados principalmente por níveis históricos de importação. Entre eles, farmacêuticos, complexo eletrônico e os ramos de veículos, reboques e carrocerias, de produtos de borracha e plástico e de têxteis, vestuário e calçados, segundo dados do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Para Rafael Cagnin, economista-chefe do Iedi, os déficits comerciais em níveis históricos refletem a defasagem tecnológica brasileira em vários segmentos, favorecendo o aumento das importações, desde remédios até eletrônicos e carros eletrificados. Os dados do Iedi mostram que houve pelo menos um segmento com déficit comercial recorde em todos os quatro grupos da indústria classificada por intensidade tecnológica, desde a alta tecnologia até a média-baixa intensidade, passando pela média-alta e média tecnologias. Nos grupos menos intensos em tecnologia, aponta Cagnin, a questão é a competitividade da produção brasileira, que enfrenta importados fabricados em grande escala e em condições de melhor custo, caso de borrachas e plásticos e de têxteis, vestuário e calçados. O impacto das cotações de petróleo com a eclosão do conflito no Oriente Médio também fez diferença em algumas atividades. O déficit da balança da indústria de janeiro a junho deste ano resultou de US$ 94,7 bilhões em exportações, com alta de 7,1% ante igual período de 2025. Na mesma comparação, as importações cresceram a taxa um pouco menor, de 5,9%, mas sobre uma base maior, o que resultou em US$ 132,9 bilhões em compras externas. Apesar do aprofundamento do déficit comercial da indústria de transformação, Cagnin destaca aspectos positivos. Na alta tecnologia, pela primeira vez as exportações superaram o patamar do pré-pandemia, de 2019. Esse grupo fechou o primeiro semestre com US$ 4,4 bilhões em embarques, superior aos US$ 3,3 bilhões do ano passado e pouco acima dos US$ 4,3 bilhões de 2019, sempre de janeiro a junho. A recuperação deve-se muito à exportação de aeronaves, que alcançou US$ 2,8 bilhões no primeiro semestre do ano e cresceu 52,9% ante mesmos meses de 2025, desempenho que puxou a alta de 33,1% nos embarques do grupo da alta tecnologia. A alta da exportação foi acompanhada de redução de 52,5% na importação de aeronaves. A combinação resultou num saldo comercial ainda negativo, de US$ 0,6 bilhão, mas bem menor que o déficit de US$ 5,4 bilhões de 2025, sempre no primeiro semestre. Mesmo assim, observa Cagnin, o déficit comercial do grupo da indústria de alta intensidade tecnológica persiste em nível elevado.
VALOR ECONÔMICO
EMPRESAS
Custos mais altos derrubaram lucro das empresas do agro no 2° trimestre
Aumentos de frete marítimo e combustíveis decorrentes do conflito no Oriente Médio, juros elevados e novas dinâmicas comerciais pesaram nos resultados. Empresas de carnes que atuam nos EUA ainda sentem impacto da oferta restrita de gado no país
As expectativas do mercado eram negativas e se confirmaram. No segundo trimestre do ano, boa parte das empresas do agronegócio teve queda nos lucros, reflexo de um cenário de custos elevados nem sempre acompanhados de preços remuneradores. A guerra no Oriente Médio fez disparar os gastos de exportadores com fretes e, ao aumentar a pressão inflacionária, freou o ritmo de corte dos juros, elevando despesas com dívidas. Entre os frigoríficos, o alto custo do gado bovino nos Estados Unidos e a formação de estoques para lidar com novas dinâmicas comerciais também pesaram. Mas o terceiro trimestre tende a ser mais positivo, com a elevação de preços de vários produtos. Dados compilados pelo Valor Data mostram que, de 21 companhias do setor, 11 viram o lucro cair em relação ao segundo trimestre de 2025. Oito tiveram prejuízo e 13 marcaram recuo no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda). “Um denominador comum foi o nível de alavancagem mais alto que, quando combinado com o alto patamar de juros, faz com que a geração de caixa fique comprimida”, observa Gustavo Troyano, analista do Itaú BBA. A Selic em níveis elevados também afeta o endividamento dos produtores rurais e suas compras de insumos, com impacto para empresas como a 3tentos, afirma Gabriel Barra, analista do Citi. Entre os frigoríficos, o preenchimento da cota de exportação de carne bovina para a China pesou sobre os resultados do segundo trimestre e deve seguir afetando os do terceiro trimestre. De abril a junho, a perspectiva de que a cota seria preenchida em julho fez algumas empresas utilizarem mais capital de giro para formar estoques de vendas a serem pagas no terceiro trimestre. Foi o caso da Minerva, que espera monetizar os estoques no segundo semestre. “Em geral essa indústria não trabalha com estoques, mas achei positivo, de forma tática”, diz a analista do Citi Renata Cabral. A ausência da China nas compras no terceiro trimestre deve ser sentida, ainda que grandes frigoríficos consigam diversificar mais as vendas que os de menor porte. Mas até empresas com baixa exposição à China, como a MBRF, poderá ser afetadas pela maior oferta e preços mais baixos no mercado interno da carne que iria para os chineses, segundo a analista do Citi. Quanto às operações de frango, a maior oferta nos Estados Unidos prejudicou o resultado da Pilgrim’s Pride, da JBS. A margem Ebitda encolheu 6,9 pontos, para 5,2%. Já a MBRF, sem operação de frango nos país, lidou com oferta mais equilibrada no Brasil. De forma similar à Minerva, a MBRF fez estoques para suprir o Oriente Médio, o que dificultou a redução da alavancagem, mas deve se reverter em receita no terceiro trimestre, disse o vice-presidente de finanças da empresa, José Ignacio Scoseria, em teleconferência. Nos diversos mercados internacionais, a demanda segue firme, impulsionada pelo aumento da renda e da ingestão de proteínas. Para o estrategista-chefe da Sincra, Gustavo Cruz, 2026 está sendo um ano difícil para o setor. “O agronegócio sofreu também por conta da guerra no Irã, que encareceu o diesel e o preço de fertilizantes”, afirma. Além de obrigar os brasileiros a enviarem cargas por rotas alternativas mais longas e caras, como o Canal de Suez, o conflito também encareceu o escoamento interno da safra brasileira em razão da alta do petróleo e do diesel. Troyano, do Itaú BBA, acredita em uma melhora gradual do cenário para as empresas do agro no terceiro trimestre. O El Niño ainda é um “problema do futuro” para os balanços, mas pode virar oportunidade, dependendo de onde a empresa estiver, diz ele. O fenômeno, previsto para ser o mais forte da história, terá seu pico entre o fim de 2026 e início de 2027. “Na nossa visão, 2026 como um todo ainda é um ano desafiador”, avalia Troyano.
VALOR ECONÔMICO
MEIO AMBIENTE
Na Famato, MPF apresenta dados do TAC da Carne e avanços da pecuária em MT
A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) participa das discussões sobre o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne. Na quinta-feira (20), a entidade sediou o encontro realizado pelo Ministério Público Federal (MPF) que reuniu representantes do setor produtivo e de instituições de pesquisa para apresentar e debater os dados do 3º ciclo unificado de auditorias na cadeia econômica da pecuária na Amazônia Legal e os avanços na regularização da cadeia produtiva.
A análise faz parte do acompanhamento dos compromissos previstos no TAC da Carne, firmado com frigoríficos para estabelecer critérios socioambientais na compra de animais e verificar a regularidade dos fornecedores. Em Mato Grosso, os resultados foram apresentados pelo procurador da República Erich Masson. Segundo o procurador, 14 frigoríficos foram convocados para apresentar os resultados das auditorias e 13 entregaram os dados. Juntos, eles representam 82% do volume de abates do estado, que possui o maior rebanho bovino do Brasil. “Nos dois anos avaliados no terceiro ciclo, foram consideradas 13,8 milhões de cabeças abatidas, das quais mais de 11 milhões foram auditadas. Os dados também indicam que as ocorrências relacionadas ao desmatamento ilegal tiveram menor participação entre as não conformidades identificadas”, apontou Erich. Durante o encontro, o gestor jurídico da Famato, Rodrigo Bressane, destacou o compromisso dos produtores rurais com o cumprimento da legislação e o combate ao desmatamento ilegal. Para ele, o avanço da conformidade ambiental precisa ser acompanhado de condições que permitam ao produtor realizar sua regularização com segurança e previsibilidade. Bressane também ressaltou que o processo de regularização precisa considerar a realidade das pequenas propriedades, especialmente aquelas que não dispõem de suporte técnico especializado. Em relação ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), Bressane reforçou a necessidade de aprimorar os processos de análise e validação dos cadastros para dar maior previsibilidade ao produtor e permitir o avanço da regularização ambiental. A discussão sobre o TAC da Carne ocorre em um momento de expansão da presença da carne bovina mato-grossense no mercado internacional. Segundo dados do Instituto Mato-Grossense da Carne (Imac), Mato Grosso exportou carne bovina para 88 países no primeiro semestre de 2026, movimentando US$ 2,4 bilhões. No mesmo período de 2025, eram 77 países e receita de US$ 1,47 bilhão.
CENÁRIO MT
SUÍNOS
Preços baixos pressionam suinocultura independente em 2026
Oferta elevada de animais e demanda enfraquecida derrubam cotações do suíno vivo e ampliam dificuldades de produtores, segundo o Cepea
O mercado independente de suínos enfrenta um cenário de preços baixos em 2026. Até julho, produtores consultados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) relataram prejuízos e, em alguns casos, o encerramento das atividades. Segundo o Cepea, a pressão sobre as cotações ocorre em meio à combinação de demanda enfraquecida e oferta elevada de animais. Esse cenário também amplia a disponibilidade de carne suína no mercado e contribui para a queda nos preços pagos pelo suíno vivo. Em julho, a média de comercialização do animal vivo na região SP-5, que reúne Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba, ficou em R$ 5,18 por quilo. De acordo com o Centro de Pesquisas, esse foi o terceiro menor valor registrado em toda a série histórica acompanhada para a região, evidenciando a pressão enfrentada pelos produtores independentes.
Pesquisadores do Cepea apontam que a situação observada neste ano se aproxima daquela registrada em 2022, período também marcado por dificuldades no setor. Na comparação em valores reais, corrigidos pelo IGP-DI de julho de 2026, o pior momento do mercado em 2022 ocorreu em fevereiro. Naquele mês, o preço médio do suíno vivo na mesma região correspondeu a R$ 5,97 por quilo. O valor registrado em julho deste ano, portanto, ficou abaixo daquele patamar, reforçando o cenário de baixa remuneração enfrentado pela produção independente diante do excesso de oferta e do consumo enfraquecido.
CEPEA
FRANGOS
Frango/Cepea: Alta dos insumos reduz poder de compra do avicultor paulista
O poder de compra do avicultor paulista frente ao milho e ao farelo de soja está recuando em agosto pelo segundo mês consecutivo. Segundo o Cepea, o movimento resulta da combinação entre a desvalorização do frango vivo e a alta nos preços dos principais insumos utilizados na atividade.
De acordo com o Centro de Pesquisas, a oferta interna elevada de frango vivo no início deste mês pressionou as cotações. Com a acomodação desse excedente, porém, os valores foram se estabilizando. Do lado dos insumos, milho e farelo de soja se valorizaram. Segundo a Equipe de Grãos do Cepea, o avanço foi mais expressivo para o farelo, refletindo a maior disputa entre consumidores internos e externos e a valorização do dólar frente ao Real.
CEPEA
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