CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2732 DE 15 DE JUNHO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2732 | 15 de junho de 2026

 

NOTÍCIAS

Fêmeas puxam alta no mercado do boi em São Paulo

Mato Grosso do Sul registra avanço nas cotações

A cotação das fêmeas bovinas avançou na sexta-feira (12) em São Paulo, enquanto os preços dos machos permaneceram estáveis. A análise foi divulgada no informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria, que apontou aumento de R$ 2,00 por arroba para a vaca e de R$ 3,00 por arroba para a novilha, após a valorização observada na véspera para o boi gordo. Segundo a consultoria, o mercado foi sustentado pela negociação mais cautelosa dos vendedores e por uma demanda considerada firme. A oferta seguiu equilibrada, com os pecuaristas comercializando os lotes de forma gradual, sem pressão excessiva por vendas. Do lado das indústrias frigoríficas, o cenário foi marcado por estratégias distintas. Enquanto algumas empresas buscaram ampliar as escalas de abate, outras optaram por manter o abastecimento de forma moderada, realizando compras sem elevar significativamente os volumes negociados. A cautela dos compradores esteve relacionada ao comportamento do consumo. O varejo ainda trabalhava com mercadorias adquiridas recentemente e a proximidade da segunda quinzena do mês costuma reduzir o ritmo das vendas de carne bovina. O mercado também acompanhava a expectativa em torno do fim de semana. O primeiro jogo da seleção brasileira era visto como um possível estímulo ao consumo de carne. No entanto, a avaliação era de que um desempenho abaixo do esperado nas vendas poderia limitar a reposição de estoques e influenciar o comportamento das negociações na semana seguinte, com redução da demanda. As escalas de abate atendiam, em média, sete dias. Oferta restrita sustenta preços em Mato Grosso do Sul. Em Mato Grosso do Sul, a oferta mais limitada contribuiu para a sustentação das cotações, embora o cenário não tenha sido caracterizado como de escassez. A necessidade de compra por parte dos frigoríficos permaneceu presente para manutenção das escalas, mas o abastecimento ocorreu de maneira controlada. Na região de Dourados, os preços não apresentaram alterações na comparação diária. Já em Campo Grande, a cotação do boi gordo e da vaca permaneceu estável, enquanto a novilha registrou valorização de R$ 2,00 por arroba. Em Três Lagoas, o boi gordo teve alta de R$ 2,00 por arroba. As cotações da vaca e da novilha ficaram inalteradas. A análise da Scot Consultoria indica que o mercado segue atento ao comportamento do consumo interno e à reposição de estoques por parte do varejo, fatores que devem influenciar o ritmo das negociações nos próximos dias.

SCOT CONSULTORIA

Fim da cota da China deve ditar ritmo do mercado do boi gordo nos próximos meses

Segundo analista, apesar do atual cenário positivo para os pecuaristas, mercado pode passar por ajustes diante do esgotamento da cota chinesa

O mercado físico do boi gordo encerrou a semana com preços firmes em boa parte das regiões produtoras do país. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, a expectativa de aumento da demanda no curto prazo e as escalas de abate mais encurtadas contribuíram para a valorização da arroba em diversos estados. Apesar do cenário positivo, Iglesias avalia que o mercado pode passar por ajustes nas próximas semanas. Isso porque frigoríficos já buscam negociar compras em níveis mais baixos em algumas regiões, diante do esgotamento precoce da cota chinesa destinada ao Brasil em 2026. A expectativa é de que o limite seja preenchido entre junho e julho. Com isso, pode haver redução nos abates e diminuição das bonificações pagas pelo chamado “boi China”, o que tende a limitar movimentos mais expressivos de alta para a arroba nos próximos meses. Confira as cotações do boi gordo na modalidade a prazo em 11 de junho: São Paulo (SP): R$ 355,00, estável. Goiás (GO): subiu de R$ 330,00 para R$ 340,00. Uberaba (MG): avançou de R$ 325,00 para R$ 330,00. Dourados (MS): passou de R$ 350,00 para R$ 355,00. Cuiabá (MT): aumentou de R$ 355,00 para R$ 360,00. Vilhena (RO): avançou de R$ 335,00 para R$ 345,00. No atacado, a carne bovina também apresentou desempenho positivo. A boa reposição entre atacado e varejo durante a primeira quinzena do mês e a expectativa de maior consumo em junho deram sustentação aos preços. Ainda assim, a proteína bovina segue enfrentando concorrência da carne de frango, considerada mais competitiva para o consumidor. O quarto dianteiro foi negociado a R$ 21,70 por quilo, alta de 0,93% na semana. Já os cortes do traseiro permaneceram estáveis em R$ 27,00 por quilo.

SAFRAS NEWS

Preço do boi gordo encerra a semana estável em meio a expectativas com a Copa do Mundo

Frigoríficos seguem realizando movimentos em torno da redução das premiações relacionadas às exportações para a China. Muitas indústrias estão ausentes da compra de gado neste momento

O mercado pecuário apresentou acomodação em seus preços nesta sexta-feira (12/6), com tendência de estabilidade em quase todo o Brasil. No entanto, as indústrias aguardam o resultado das vendas de carne bovina no primeiro fim de semana com jogo do Brasil na Copa do Mundo para planejar suas estratégias. Das 33 regiões monitoradas pela Scot Consultoria, 29 não tiveram alterações nos preços do boi gordo na comparação diária nesta sexta-feira. Houve altas em Três Lagoas (MS) e sul da Bahia, enquanto no sul de Minas Gerais e no sudeste de Rondônia as cotações caíram. Nas praças de referência de Barretos (SP) e Araçatuba (SP), o preço do boi gordo seguiu em R$ 350 a arroba para o pagamento a prazo. Já as cotações das fêmeas subiram. A vaca aumentou R$ 2, para R$ 322 a arroba, enquanto a novilha avançou R$ 3, para R$ 335 a arroba. O preço do “boi China” não houve mudanças. O indicador Cepea/Esalq do boi gordo registrou nesta sexta-feira a cotação de R$ 353,40 a arroba. Desde o início de junho, a alta acumulada é de 1,06%. Segundo a Scot, o mercado foi fundamentado por vendedores negociando lotes de maneira compassada e por uma demanda firme, mas sem exageros. Do lado da ponta compradora, houve distinção entre as estratégias. Alguns frigoríficos sentiram necessidade de alongar as escalas de abate, outros preferiram maneirar o abastecimento, comprando, mas sem exagerar no volume. Essa prudência esteve relacionada ao consumo, já que o varejo ainda absorvia as mercadorias adquiridas recentemente e a proximidade da segunda quinzena do mês costuma trazer um ritmo mais lento para o consumo de carne bovina. Muito se esperou do final de semana, destaca a Scot. O primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo trouxe a expectativa de bom desempenho nas vendas de carne. Contudo, se elas ficassem abaixo do esperado, isso poderia acabar limitando pedidos para recompor estoques e ditando o comportamento do mercado na semana seguinte, com um arrefecimento da demanda. Fernando Iglesias, analista da consultoria Safras & Mercado, destaca que os frigoríficos seguem realizando movimentos em torno da redução das premiações envolvendo animais padrão China, somados a aumentos da ociosidade média. A intenção é se adequar a uma realidade em que o grande importador de carne bovina do Brasil estará menos presente e participativo no mercado. “Muitas indústrias estão ausentes da compra de gado neste momento. Ainda não há alertas por parte das autoridades chinesas em relação ao preenchimento de 80% da cota brasileira, o que deve acontecer nos próximos dias” destaca Iglesias.

GLOBO RURAL

Cotação do boi gordo cai em Alagoas

A oferta de bovinos tem melhorado e, na comparação semana a semana, a cotação da arroba do boi gordo alagoano recuou, enquanto a cotação da vaca e a da novilha permaneceu estável.

A cotação da arroba do boi gordo caiu 1,5%, ou R$5,00, negociada em R$334,50. A vaca está apregoada em R$315,00/@ e a novilha em R$324,50/@. O diferencial de base do boi gordo está em R$10,00/@, ou 3,0% menor na região em relação a São Paulo, onde a arroba está cotada em R$344,50. Todos os preços são a prazo, descontados o Senar e o Funrural. No curto prazo, o viés é de estabilidade. Destaque BC: a oferta de bovinos tem melhorado, e no curto prazo é projetado um viés de estabilidade nos preços no estado.

SCOT CONSULTORIA

ECONOMIA

Dólar à vista fecha em baixa de 0,76%, a R$5,0610 na venda

O dólar fechou a sexta-feira em queda no Brasil e novamente abaixo dos R$5,10, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes, em meio à esperança de que um acordo seja finalmente assinado por Estados Unidos e Irã.

No Brasil, destaque para os novos dados de inflação divulgados pela manhã, que mantiveram a incerteza sobre se o Banco Central voltará ou não a cortar juros na próxima semana. O dólar à vista fechou o dia com baixa de 0,76%, aos R$5,0610. Na semana, a divisa acumulou baixa de 1,83% e, no ano, queda de 7,80% ante o real. Às 17h07, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,83% na B3, aos R$5,0825.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda pressionado por Petrobras, mas assegura 1º ganho semanal desde abril

O Ibovespa fechou com um declínio modesto na sexta-feira, ditado principalmente pela queda das ações da Petrobras, mas assegurou a primeira alta semanal desde abril.

A última sessão da semana não teve uma direção única, com investidores atentos ao noticiário geopolítico e à estreia das ações da SpaceX após o maior IPO da história, mas também repercutindo dados de inflação no Brasil. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com decréscimo de 0,21%, a 171.133,73 pontos, de acordo com dados preliminares, após oscilar entre a mínima de 169.992,77 pontos e a máxima de 172.544,54 pontos.  O volume financeiro no pregão somava R$21,95 bilhões antes dos ajustes finais. Na semana, o Ibovespa acumulou uma alta de 1,25%, conforme os dados preliminares, encerrando uma série de oito perdas semanais, a maior sequência na série histórica, conforme dados da LSEG.

REUTERS

Alimentos pressionam IPCA em maio e taxa em 12 meses vai acima do teto da meta

A inflação no Brasil desacelerou um pouco menos do que o esperado em maio sob pressão dos alimentos, mas a taxa em 12 meses ficou bem acima da expectativa a poucos dias de nova reunião de política monetária do Banco Central.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta de 0,58% em maio, depois de subir 0,67% em abril, contra expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,53%. Os dados divulgados na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram ainda que a taxa acumulada em 12 meses alcançou 4,72% em maio, de 4,39% em abril e contra expectativa de 4,66%. Assim, a inflação em 12 meses volta a superar o teto da meta pela primeira vez desde outubro de 2025 (4,68%). A meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. O Banco Central se reúne na próxima semana depois de ter reduzido a Selic a 14,5% em abril e pregado cautela para os próximos passos diante das incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio. Além dos choques dos preços do petróleo, questões climáticas ainda estão no radar para a inflação. O grupo alimentos e bebidas respondeu pela metade do resultado do IPCA de maio, com alta de 1,33%, segundo o IBGE. A alimentação no domicílio subiu 1,65% no mês, com influência dos avanços da batata-inglesa (44,69%), do tomate (20,62%), da cebola (16,80%), e das carnes (1,39%). “A alta de alimentos se deu por conta da menor oferta de produtos e pelo frete, que mesmo com o combustível mais barato continuou subindo em maio”, disse o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves. Já o grupo habitação teve alta de 1,22% com os custos da energia elétrica residencial subindo 3,67% e marcando o principal impacto individual no índice. Em maio, as contas de energia tiveram a bandeira tarifária amarela, com custo adicional de R$1,885 a cada 100 kWh consumidos. Também se destacou a alta de 0,90% em saúde e cuidados pessoais, sob peso dos artigos de higiene pessoal (1,95%) e do plano de saúde (0,50%). Por outro lado, os transportes apresentaram queda de 0,46% em maio com recuo de 1,95% nos preços dos combustíveis. Os custos do etanol caíram 6,20%, os do óleo diesel recuaram 2,34% e a gasolina teve queda de 1,46%. Em meio aos impactos do fechamento do Estreito de Ormuz sobre o petróleo, o governo anunciou em meados de maio medida provisória com novas ações para reduzir a pressão do conflito sobre os combustíveis no Brasil. A Petrobras anunciou no fim de maio aumento do preço da gasolina vendida a distribuidoras em R$0,48 por litro, o que será aliviado com a oferta de um desconto de R$0,44 por litro por conta da subvenção econômica instituída pelo governo federal. A inflação de serviços, por sua vez, acelerou a alta a 0,40% em maio, de avanço de 0,04% em abril, chegando a 5,97% em 12 meses. A passagem aérea passou de uma queda de 14,45 para alta de 3,20%. O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, repetiu em maio a taxa de 65% do mês anterior. A mais recente pesquisa Focus do BC mostra que a projeção para o IPCA é de alta de 5,11% em 2026, indo a 4,03% em 2027. A Selic no final deste ano foi calculada em 13,50%.

REUTERS

EMPRESAS

JBS anuncia fechamento de duas unidades nos EUA

A JBS, maior produtora global de carnes, anunciou na sexta-feira o fechamento de duas unidades de produção nos Estados Unidos, na Pensilvânia e no Tennessee, como parte de ajustes para fortalecer suas operações no país.

As unidades afetadas incluem uma planta de carne bovina em Souderton, na Pensilvânia, e uma unidade de produtos de valor agregado em Memphis, no Tennessee, segundo comunicado da empresa. O ajuste foi feito em momento em que os Estados Unidos lidam com uma menor oferta de gado, o que tem elevado custos para frigoríficos e consumidores. O CEO da JBS USA, Wesley Batista Filho, afirmou que a companhia adotará medidas para apoiar os funcionários impactados, incluindo oportunidades de transferência para outras operações no país e suporte durante a transição. A empresa informou que a produção dessas unidades será absorvida por outras operações de sua rede, sem impacto no fornecimento a clientes. Segundo a JBS USA, os fechamentos fazem parte de uma estratégia mais ampla voltada a crescimento, modernização e competitividade de longo prazo nos Estados Unidos. Nos últimos 12 meses, a companhia realizou investimentos e expansões em Estados como Texas, Geórgia e Iowa, com foco em produtos processados e de maior valor agregado.

REUTERS

Mundial de 2026 deve impulsionar encontros em casa e ampliar ocasiões de consumo de carne bovina, avalia Minerva Foods

Com mais seleções, maior número de partidas e jogos da Seleção Brasileira em horário nobre, torneio reforça tradição de reunir amigos e familiares ao redor da mesa.

A Copa do Mundo de 2026 promete movimentar não apenas os torcedores, mas também os hábitos de consumo dos brasileiros. Com um formato inédito de 48 seleções, aumento no número de partidas e jogos da Seleção Brasileira previstos para o período da noite, o torneio deve ampliar as ocasiões de confraternização e fortalecer uma tradição nacional: reunir amigos e familiares para assistir ao futebol acompanhado de boa comida. Mais do que um evento esportivo, a Copa representa um importante momento de consumo para o setor de alimentos. Os horários das partidas da primeira fase, entre 19h e 21h30, favorecem encontros após o expediente e criam oportunidades para diferentes experiências gastronômicas, desde o tradicional churrasco até preparos mais práticos, como cortes na air fryer, tábuas de petiscos e sanduíches especiais. Para a Minerva Foods, líder em exportação de carne bovina na América do Sul e detentora das marcas Cabaña Las Lilas, Estância 92 e PUL, o torneio reforça a conexão entre alimentação e celebração. A expectativa é que os consumidores busquem opções que combinem conveniência, sabor e qualidade para transformar cada partida em uma experiência compartilhada. “A Copa do Mundo historicamente impulsiona o consumo de alimentos ligados aos momentos de confraternização. Em 2026, esse movimento ganha força adicional com o maior número de jogos e horários que favorecem encontros presenciais. Observamos uma demanda crescente por experiências gastronômicas que vão além do churrasco tradicional e acreditamos que será um momento aquecido para o mercado de carne bovina, principalmente pensando em cortes premium”, afirma Daniela Arantes, Head de Marketing e Comunicação da Minerva Foods. Segundo a executiva, o comportamento do consumidor também vem evoluindo. Embora o churrasco continue sendo uma das principais escolhas para acompanhar os jogos, cresce o interesse por alternativas que permitam praticidade sem renunciar à experiência gastronômica. Por meio das marcas Cabaña Las Lilas, Estância 92 e PUL, a Minerva Foods oferece opções para diferentes perfis de consumidores e ocasiões de consumo. Enquanto a Cabaña Las Lilas é voltada para experiências premium, com cortes de elevado marmoreio e sabor marcante, a Estância 92 aposta em cortes selecionados para momentos especiais. Já a PUL oferece praticidade e qualidade para o dia a dia, atendendo consumidores que buscam conveniência sem renunciar ao sabor. Para quem pretende manter a tradição do churrasco, a Minerva Foods disponibiliza na plataforma My Minerva Foods uma calculadora que auxilia no planejamento das compras. Em uma simulação para um grupo de 15 pessoas — sendo dez adultos e cinco crianças — reunidas durante mais de quatro horas para acompanhar uma partida, a recomendação é de aproximadamente 5,6 kg de carne, considerando cortes como bife ancho, bife de chorizo, picanha, maminha e fraldinha.

MINERVA FOODS

CLIMA

El Niño em 2026 eleva incertezas para a produção pecuária no Brasil

Em partes do Centro-Oeste e do Sudeste, fenômeno climático tende a ocasionar irregularidade das chuvas, maior frequência de períodos secos e temperaturas elevadas, aponta relatório do Cepea

A atuação do El Niño em 2026 – confirmada pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) – deve causar choque climático desuniforme nas regiões pecuárias do Brasil, alerta relatório divulgado na sexta-feira (12/6) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Segundo os pesquisadores do Cepea, o fenômeno tende a aumentar o risco de seca na faixa norte do Norte e Nordeste e favorecer maiores volumes de chuva no Sul. Por sua vez, continua o Cepea, em partes do Centro-Oeste e do Sudeste, os efeitos tendem a aparecer mais como irregularidade das chuvas, maior frequência de períodos secos e temperaturas elevadas. “A leitura mais adequada é tratar o El Niño 2026 como um fator de aumento da volatilidade climática e produtiva, com impactos regionais bastante distintos”, ressaltam os pesquisadores do centro de estudos. Segundo os pesquisadores, para bovinos de corte, os efeitos do El Niño tendem a se concentrar em quatro pontos: qualidade das pastagens, disponibilidade de água, estresse térmico e aumento dos custos de suplementação. Para a produção leiteira, o impacto tende a aparecer de forma combinada sobre produção de volumosos, custo do concentrado e conforto térmico dos animais. Em relação aos ovinos e caprinos, no Nordeste, o principal risco é a redução da disponibilidade de água e forragem, exigindo maior uso de reservas alimentares e suplementação. Já no Sul, o excesso de chuvas pode aumentar problemas sanitários, dificultar o manejo e comprometer a qualidade das forragens. Para as cadeias de suínos e aves, os maiores impactos tendem a ocorrer por meio do aumento dos custos da ração, do consumo de energia e do estresse térmico. Temperaturas elevadas podem reduzir o desempenho produtivo, afetar a fertilidade e pressionar ainda mais as margens dos produtores.

CEPEA 

INTERNACIONAL

Exportações de carne bovina dos EUA ficam abaixo do nível do ano passado

As exportações de carne bovina dos Estados Unidos totalizaram 89.783 toneladas em abril, uma queda de 11% em relação ao mesmo mês do ano passado. Em valor, as vendas externas somaram US$ 780,6 milhões, recuo de 5%.

Embora as perspectivas para a retomada das exportações americanas para a China estejam melhorando, os resultados de abril ainda refletiram um bloqueio quase total do mercado chinês. Por outro lado, os embarques cresceram para destinos como Taiwan e Egito e registraram forte avanço para os países do Caribe, da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático) e para o Peru. Já outros mercados importantes apresentaram desempenho inferior ao observado há um ano. As exportações de miúdos bovinos voltaram a ser um dos principais destaques. Em abril, os embarques alcançaram 25.314 toneladas, aumento de 20% em relação ao ano anterior. O México, principal destino em volume, importou US$ 114,7 milhões em miúdos bovinos norte-americanos, crescimento de 40%. No acumulado de janeiro a abril, as exportações de carne bovina e miúdos bovinos dos Estados Unidos somaram 365.138 toneladas, volume 11% menor que o registrado no mesmo período de 2025. Em valor, as vendas atingiram US$ 3,13 bilhões, queda de 5%. No entanto, quando a China é retirada da conta, o cenário muda significativamente: o volume exportado apresenta leve alta de 0,3% e o valor cresce 7%. Segundo Dan Halstrom, presidente e CEO da U.S. Meat Export Federation (USMEF), a demanda global pela carne bovina americana continua demonstrando grande resiliência, mesmo diante da oferta mais restrita e dos preços mais elevados. Ele ressalta, entretanto, que persistem desafios importantes, como o enfraquecimento das moedas da Coreia do Sul, Japão e países do Sudeste Asiático, além dos custos mais altos de energia, fatores que afetam a confiança dos consumidores e reduzem a renda disponível para gastos. Entre os mercados de destaque, Taiwan manteve forte desempenho. Em abril, as exportações para o país atingiram 4.892 toneladas, crescimento de 9% sobre o mesmo período do ano anterior, enquanto o valor aumentou 3%, chegando a US$ 55,8 milhões. No acumulado do ano, os embarques para Taiwan somam 19.801 toneladas, alta de 19%, com receita de US$ 224,2 milhões, avanço de 11%. Os Estados Unidos seguem como principal fornecedor de carne bovina resfriada para o mercado taiwanês, detendo aproximadamente dois terços desse segmento.

USMEF

SUÍNOS

Mercado de carne suína atinge estabilidade diante de oferta confortável

A semana registrou preços estáveis a mais baixos no quilo vivo e nos principais cortes de carne suína do atacado. Segundo o analista de Safras & Mercado, Allan Maia, há uma oferta considerada confortável e uma postura cautelosa por parte dos frigoríficos nas compras.

“Ao mesmo tempo, a dinâmica do atacado também não favorece avanços, já que os preços dos cortes permanecem praticamente estáveis, andando de lado. Embora exista a expectativa de melhora no consumo, impulsionada pela reposição ao longo da cadeia, pela maior atratividade relativa dos cortes suínos frente a proteínas concorrentes — especialmente a carne bovina —, além de fatores como maior capitalização das famílias e eventos como a Copa do Mundo, esse avanço ainda ocorre em ritmo aquém do esperado”, disse. Diante desse cenário, os suinocultores seguem apreensivos, principalmente em relação à evolução dos preços e à pressão sobre as margens da atividade. Levantamento de Safras & Mercado apontou que a média de preços do quilo do suíno vivo no país caiu de R$ 5,36 para R$ 5,33 na semana. A média de preços pagos pelos cortes de carcaça no atacado ficou em R$ 8,85 e a média do pernil foi de R$ 11,40. A análise de preços de Safras & Mercado apontou que a arroba suína em São Paulo permaneceu em R$ 101,00. Na integração do Rio Grande do Sul, o quilo vivo permaneceu em R$ 5,70 e no interior do estado em R$ 5,10. Em Santa Catarina, o preço do quilo na integração seguiu em R$ 5,70 e no interior catarinense decaiu de R$ 5,00 para R$ 4,95. No Paraná, o preço do quilo vivo teve queda de R$ 5,00 para R$ 4,90 no mercado livre e, na integração, seguiu em R$ 5,75. No Mato Grosso do Sul, a cotação em Campo Grande continuou em R$ 5,10 e, na integração, em R$ 5,65. Em Goiânia, os preços seguiram em R$ 5,25. No interior de Minas Gerais, os preços tiveram estabilidade de R$ 5,60 e, no mercado independente, de R$ 5,80. Em Mato Grosso, o preço do quilo vivo em Rondonópolis seguiu em R$ 5,50 e, na integração do estado, em R$ 5,70. As exportações de carne suína “in natura” do Brasil renderam US$ 57,767 milhões em maio (4 dias úteis), com média diária de US$ 14,441 milhões. A quantidade total exportada pelo país no período chegou a 23,464 mil toneladas, com média diária de 5,866 mil toneladas. O preço médio ficou em US$ 2.461,9 por tonelada. Em relação a maio de 2025, houve recuo de 10% no valor médio diário, baixa de 3,9% na quantidade média diária e queda de 6,3% no preço médio. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

SAFRAS NEWS 

Preços globais do suíno mostram Brasil entre os menores patamares em junho

O relatório mundial de preços do mercado de suínos, com dados atualizados até 12 de junho de 2026, revela um cenário de forte desigualdade entre os principais países produtores. O Brasil aparece com uma das menores remunerações ao produtor, enquanto mercados como México e Reino Unido operam em patamares significativamente mais elevados.

Na região Sul do Brasil, o preço do suíno vivo está em 5,42 reais por quilo, considerando o animal em peso vivo. Convertido, esse valor corresponde a 49,18 centavos de dólar por libra-peso, o menor entre todos os países analisados no levantamento. Nos Estados Unidos, o preço do suíno, baseado na cotação do CME, está em 92,87 dólares por 100 libras de carcaça, equivalente a 68,72 centavos de dólar por libra-peso. No Canadá, a referência de Ontário aponta 234,23 dólares canadenses por 100 quilos de carcaça, com equivalência de 61,21 centavos de dólar por libra. O México lidera o ranking, com preço de 37,17 pesos por quilo de animal vivo, alcançando 97,82 centavos de dólar por libra-peso. O Reino Unido também se destaca, com 180,20 libras por 100 quilos de carcaça, equivalente a 87,65 centavos de dólar por libra. Na Europa, os preços se mantêm em níveis intermediários. A Espanha registra 1,310 euro por quilo de suíno vivo, com equivalência de 68,95 centavos de dólar por libra. Já a França apresenta 1,434 euro por quilo de carcaça, resultando em 64,19 centavos de dólar por libra. Outros mercados relevantes incluem a Rússia, com 108 rublos por quilo vivo, equivalente a 68,60 centavos de dólar por libra, e a China, onde o preço está em 9,50 yuans por quilo vivo, correspondendo a 64,66 centavos de dólar por libra. Na Ásia, os dados mostram diferenças importantes conforme o tipo de comercialização. O Vietnã registra 67.400 dongs por quilo vivo, com equivalência de 1,16 dólar por quilo. A Coreia do Sul apresenta 6.488 won por quilo de carcaça, equivalente a 1,94 dólar por quilo. Nas Filipinas, o valor é de 180 pesos por quilo vivo, com equivalência de 1,31 dólar por quilo. No segmento de leitões, os preços também variam significativamente. Nos Estados Unidos, o valor está em 96,76 dólares por animal de 40 libras. Na Espanha, o preço é de 37 euros por 20 quilos, equivalente a 42,82 dólares. A Alemanha registra 38,40 euros por 20 quilos, com equivalência de 44,44 dólares, enquanto a Holanda apresenta 32,40 euros, ou 37,50 dólares. Na China, o leitão é cotado a 468,80 yuans por 20 quilos, o que corresponde a 69,18 dólares. O conjunto dos dados evidencia a posição competitiva do Brasil no mercado internacional em termos de preço, ao mesmo tempo em que reforça os desafios de rentabilidade enfrentados pelos produtores diante de valores mais baixos em comparação com outros países. No caso da China, maior produtor e consumidor global de carne suína, o cenário segue marcado por desequilíbrios estruturais. O país enfrenta um período prolongado de perdas no setor, com produtores operando no prejuízo e pressionados pelo excesso de oferta. A redução nos preços ao longo dos últimos anos levou a ajustes na produção, incluindo cortes no plantel de matrizes, em uma tentativa de reequilibrar o mercado. Ainda assim, a liquidação de rebanhos mantém a oferta elevada no curto prazo, dificultando a recuperação das cotações. Esse movimento ocorre em um ambiente econômico mais amplo de demanda enfraquecida, o que limita o consumo mesmo diante de preços mais baixos. Como principal referência mundial, o comportamento do mercado chinês segue determinante para a dinâmica global da suinocultura.

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