
Ano 11 | nº 2730 | 11 de junho de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo: sem mudança nas praças paulistas
Oferta curta e menor apetite de compra mantiveram o mercado equilibrado e sustentaram a estabilidade nas cotações
Segundo levantamento da Scot Consultoria, que monitora diariamente mais de 30 praças no País, o boi gordo destinado ao mercado doméstico paulista é negociado por R$ 349/@, e boi padrão-China vale R$ 355/@ (preços brutos, com prazo). A cotação não mudou na comparação feita dia a dia. A oferta de bovinos estava curta e a ponta compradora estava devagar, comprando apenas o necessário para suprir as escalas de abate. Dessa forma, o mercado estava equilibrado, com oferta sem folga e menor apetite de compra. As escalas de abate estavam, em média, para nove dias. Em Minas Gerais, a cotação subiu em todas as praças pecuárias. A oferta estava curta e os frigoríficos estavam pagando mais pela arroba bovina para cumprir as escalas de abate. Na região do Triângulo Mineiro, a cotação subiu R$3,00/@ para todas as categorias. Na região de Belo Horizonte, a cotação do boi gordo subiu R$3,00/@ e a das fêmeas, R$5,00/@. Na região Norte, a cotação do boi gordo e a da vaca subiram R$5,00/@, e a da novilha, R$3,00/@. Na região Sul, a cotação subiu R$5,00/@ para todas as categorias. A arroba do “boi China” subiu R$3,00. Na região Oeste do Maranhão a cotação não mudou. As escalas de abate estavam, em média, para nove dias.
SCOT CONSULTORIA
Arroba do boi gordo registra alta no Centro-Norte do país
Indústrias que atuam na região ainda encontram dificuldades na composição de suas escalas de abate
O mercado físico do boi gordo teve uma terça-feira (9) de firmeza nos preços. Segundo o analista de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, houve negociações acima da referência média em grande parte do Centro-Norte brasileiro. Ele afirma que as indústrias atuantes nesses estados ainda encontram dificuldades na composição de suas escalas de abate. “Já no mercado paulista, os frigoríficos passam a testar patamares de preços mais baixos e começam a reduzir as bonificações envolvendo animais padrão China”, ressalta. Segundo Iglesias, esse movimento é consequência da progressão da cota chinesa, sendo que a expectativa é de que, nos próximos dias, seja divulgado o alerta pelas autoridades do gigante asiático de que 80% da cota brasileira já foi preenchida. “A partir desse anúncio, os frigoríficos tendem a interromper a produção destinada ao mercado chinês”, diz. O analista pontua que o mercado também sofre sobressaltos, considerando a movimentação da União Europeia, que mantém o Brasil ausente da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal a partir de 3 de setembro. Média da arroba do boi gordo: São Paulo: R$ 353,67 — ontem: R$ 358,50. Goiás: R$ 338,75 — ontem: R$ 336,96. Minas Gerais: R$ 333,53 — ontem: R$ 335,29. Mato Grosso do Sul: R$ 354,20 — ontem: R$ 354,89. Mato Grosso: R$ 359,46 — ontem: R$ 359,26. O mercado atacadista, por sua vez, apresentou preços acomodados durante esta terça-feira. Segundo Iglesias, este movimento está lastreado na boa reposição entre atacado e varejo durante a primeira quinzena do mês. “Além disso, a expectativa de consumo em junho permanece favorável em função dos jogos da Copa do Mundo, em especial às vésperas de partidas da seleção brasileira. A carne bovina ainda perde em competitividade em relação às proteínas concorrentes, principalmente na comparação com a carne de frango”, frisa. Quarto dianteiro: R$ 21,70 por quilo. Quarto traseiro: R$ 27,00 por quilo. Ponta de agulha: R$ 19,70 por quilo.
SAFRAS NEWS
Boi gordo acumula alta em junho com oferta limitada de animais, aponta Cepea
Pecuaristas negociam aos poucos em meio à expectativa de novas valorizações da arroba
O mercado do boi gordo acumula alta de 1,10% em junho no estado de São Paulo, impulsionado principalmente pela baixa oferta de animais terminados e por reajustes pontuais registrados em importantes praças pecuárias do país. O Indicador Cepea/Esalq fechou a terça-feira (10) cotado a R$ 353,55 por arroba. Segundo análise do Cepea, apesar de a liquidez ainda seguir moderada, o mercado apresentou melhora em relação ao início da semana. A restrição na oferta de animais prontos para abate continua sustentando os preços em diversas regiões. Em Mato Grosso do Sul, a praça de Cassilândia registrou alta de até R$ 5 por arroba no boi gordo. As negociações ocorreram entre R$ 340 e R$ 350, enquanto as escalas de abate permaneceram curtas, variando entre dois e sete dias. Já em Cuiabá, no Mato Grosso, a oferta limitada também favoreceu reajustes pontuais de R$ 5 por arroba. Pecuaristas seguem comercializando os lotes de forma gradual, apostando em preços mais altos nas próximas semanas. As negociações na região variaram entre R$ 340 e R$ 350, com alguns lotes alcançando R$ 355. As escalas de abate giraram em torno de uma semana. Em Goiás, o mercado permaneceu firme, mas sem alterações significativas nos preços em relação à semana passada. Os negócios foram registrados entre R$ 320 e R$ 335 por arroba, com escalas de abate entre três e sete dias. No Rio Grande do Sul, o mercado ficou mais travado. A baixa oferta de animais, somada às chuvas em regiões produtoras, dificultou o andamento das negociações. Os preços permaneceram estáveis, na média de R$ 25 por quilo morto. Em São Paulo, a maior parte dos negócios ocorreu entre R$ 350 e R$ 355 por arroba, embora lotes diferenciados tenham atingido até R$ 365. Segundo o Cepea, a quarta-feira costuma registrar maior liquidez no mercado pecuário, o que mantém o setor atento ao comportamento das negociações nos próximos dias.
CEPEA
ECONOMIA
Dólar fecha perto da estabilidade ante real com exterior no radar
O dólar encerrou a quarta-feira perto da estabilidade ante o real, em uma sessão sem gatilhos fortes para a moeda norte-americana, com investidores repercutindo dados de inflação nos Estados Unidos e o noticiário sobre a guerra no Oriente Médio.
O dólar à vista fechou o dia com variação negativa de 0,12%, aos R$5,1723. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 5,77% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para julho – atualmente o mais líquido no mercado brasileiro – cedia 0,15% na B3, aos R$5,1955. O câmbio no Brasil mostrou certa volatilidade até o início da tarde, com as cotações oscilando entre altas e baixas na esteira dos números de inflação nos EUA. O Ministério do Trabalho dos EUA informou que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 4,2% nos 12 meses até maio, após avançar 3,8% em abril na base anual. Na margem, o indicador subiu 0,5% em maio, ante 0,6% em abril. Os resultados ficaram em linha com as altas de 4,2% em base anual e de 0,5% em base mensal projetadas pelos economistas consultados pela Reuters. O núcleo do índice subiu 2,9% em maio na base anual, ante 2,8% em abril, e teve alta de 0,2% em maio ante abril – abaixo da estimativa mensal de 0,3% e inferior ao aumento de 0,4% em abril. No exterior, a divisa dos EUA tinha sinais mistos ante as demais, em meio ao noticiário sobre a guerra. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o Irã demorou demais para negociar um acordo e que agora “terá que pagar o preço”, enquanto Teerã afirmou que reavaliará o engajamento diplomático com Washington após ataques recíprocos durante a madrugada. No Brasil, destaque ainda para a nova pesquisa Genial/Quaest mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto. Lula tem 44% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio, ante 42% da pesquisa realizada em maio. Já o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro soma agora 38%, ante 41% no levantamento anterior. Na simulação de primeiro turno, Lula tem 39%, Flávio soma 29%, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 3% e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) atinge 2%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com aumento de tensão geopolítica
O Ibovespa fechou em queda na quarta-feira, quase perdendo o patamar de 168 mil pontos no pior momento, contaminado pela aversão a risco decorrente do aumento da tensão geopolítica, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar atacar o Irã “com muita força”.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,7%, a 168.619,26 pontos, renovando mínima desde janeiro. Na máxima do dia, marcou 169.812,46 pontos. No piso, registrou 168.070,99 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$26,1 bilhões. Trump afirmou na quarta-feira que os EUA atacarão o Irã “com muita força” se nenhum acordo de paz for alcançado. Washington, segundo o republicano, atua em resposta à derrubada de um helicóptero Apache pelo Irã no Estreito de Ormuz. “Vamos atacá-los, atacá-los com muita força”, disse Trump a jornalistas na Casa Branca, afirmando que os EUA devem atacar o Irã na quarta-feira. Declarações de Trump de que as Forças Armadas dos EUA escoltaram secretamente navios que transportavam mais de 100 milhões de barris de petróleo para fora do Estreito de Ormuz, porém, ajudaram a atenuar a alta dos preços do petróleo. O barril da commodity sob o contrato Brent fechou em alta de 1,8%, a US$93,10. Dados de inflação nos EUA também ocuparam as atenções. O índice de preços ao consumidor norte-americano subiu 4,2% nos 12 meses até maio, em linha com o esperado, mas ainda a maior alta desde abril de 2023. Na comparação mensal, os preços aumentaram 0,5%. Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o núcleo do índice subiu 2,9% em maio em na base anual e 0,2% ante abril. De acordo com a economista Andressa Durão, do ASA, o dado de maio continua ilustrando o forte impacto da guerra na inflação cheia, enquanto a contaminação para os núcleos permanece contida. “Nossa visão para a política monetária do Fed (banco central dos EUA) permanece de taxa de juros parada ao longo do ano, com riscos cada vez mais inclinados para cima, diante dos riscos no radar e de uma inflação de serviços pressionada, mesmo sem efeitos da guerra”, afirmou. Em Nova York, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, caiu 1,62%, pressionado ainda pelo setor de tecnologia. No Brasil, investidores também repercutiram nova pesquisa Genial/Quaest, que mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente do senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno da eleição presidencial de outubro. Estrategistas do Bank of America cortaram o Brasil para “marketweight” em seu portfólio de ações para América Latina, citando uma perspectiva mais desafiadora para as taxas de juros e expectativas mais fracas para os resultados corporativos. Mas, no relatório com data da véspera, também destacaram que a volatilidade relacionada às eleições está aumentando.
REUTERS
Brasil tem fluxo cambial positivo de US$2,588 bilhões em junho até dia 5, diz BC
O Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$2,588 bilhões em junho até dia 5, conforme dados divulgados na quarta-feira pelo Banco Central, em período correspondente à última semana.
Pelo canal financeiro, houve entradas líquidas de US$515 milhões em junho até dia 5. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de junho até dia 5 foi positivo em US$2,074 bilhões.
REUTERS
Comércio entre Brasil e EUA recua 14,3% no ano, com queda de exportações e importações, aponta Monitor da Amcham
Maio de 2026 registra o décimo mês consecutivo de queda das exportações para os EUA; cenário reforça importância de avanços nas negociações bilaterais em curso
O comércio entre Brasil e Estados Unidos segue em desaceleração em 2026, segundo a mais recente edição do Monitor do Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Amcham Brasil. Nos cinco primeiros meses do ano, a corrente de comércio bilateral somou US$ 29,5 bilhões, queda de 14,3% em relação ao mesmo período de 2025, refletindo a retração simultânea das exportações e importações. As exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 14,0 bilhões entre janeiro e maio, recuo de 16% em relação ao mesmo período do ano passado e o menor valor para o período desde 2022. As importações brasileiras de produtos norte-americanos também registraram queda, de 12,6%, somando US$ 15,5 bilhões. Como resultado, o déficit brasileiro no comércio bilateral aumentou 43,3%, alcançando US$ 1,5 bilhão. Entre os principais fatores que explicam a retração das exportações estão as quedas nas vendas de petróleo bruto, café não torrado, semiacabados de ferro ou aço e celulose. Do lado das importações, destacam-se as reduções nas compras de motores e máquinas, aeronaves e partes, e óleos brutos de petróleo. Em maio, as exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram US$ 3,1 bilhões, queda de 14,0% em relação ao mesmo mês de 2025, marcando o décimo mês consecutivo de retração. As importações recuaram 11,0%, registrando o sexto mês seguido de queda. “O comércio bilateral continua operando abaixo do seu potencial. Os resultados no acumulado de 2026 reforçam a importância de avançar nas negociações em curso para evitar novas tarifas e criar condições para a retomada do comércio entre Brasil e Estados Unidos”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil. O levantamento mostra ainda que as vendas brasileiras para os Estados Unidos apresentaram desempenho significativamente inferior ao das exportações brasileiras para o mundo. Enquanto as exportações totais do Brasil cresceram 8,7% entre janeiro e maio, as vendas para o mercado norte-americano recuaram 16% no mesmo período. Os produtos sujeitos a sobretaxas adicionais registraram retração ainda mais intensa, de 22,6%. O cenário ocorre em meio aos relatórios divulgados no âmbito das investigações da Seção 301 conduzidas pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Caso sejam confirmadas as medidas propostas nesses relatórios, determinados produtos brasileiros poderão enfrentar tarifas adicionais de até 37,5%, reduzindo sua competitividade no mercado norte-americano em relação a concorrentes de outros países.
AMCHAM BRASIL
GOVERNO
Brasil formaliza abertura de 13 mercados para produtos agropecuários
Medida envolve itens como material genético bovino, sementes, castanha de caju, couro bovino e ovos férteis, após conclusão de protocolos sanitários
O Brasil formalizou na terça-feira (9) a abertura de 13 novos mercados para produtos agropecuários, segundo nota conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE). As habilitações foram concluídas após a definição de protocolos sanitários com os países compradores. No acumulado de 2026, o país soma 114 aberturas de mercado para itens do agronegócio. De acordo com os ministérios, a Argentina abriu seu mercado para sêmen de pacu-caranha do Brasil, enquanto a Bolívia autorizou a entrada de couro bovino salgado. El Salvador passou a permitir a importação de material genético bovino brasileiro. Na América Latina e no Caribe, Equador e República Dominicana liberaram o milho pipoca brasileiro. A Guiana aprovou sementes de coco, Honduras autorizou material genético bovino e mudas de cana-de-açúcar, a Nicarágua abriu mercado para sementes de pimenta habanero, o Paraguai para sementes de mamona e a Venezuela para sementes de maracujá. Na África, a Etiópia habilitou a importação de farinhas e gorduras de pescado, de ruminantes e de outros animais, além de hemoderivados para alimentação animal. A Nigéria autorizou ovos férteis. Já a União Econômica Euroasiática, bloco formado por Rússia, Belarus, Casaquistão, Quirguistão e Armênia, aprovou a exportação de castanha de caju brasileira. Segundo a nota oficial, as aberturas foram formalizadas após a conclusão dos requisitos sanitários entre o Brasil e os destinos envolvidos. Esse tipo de autorização é uma etapa necessária para viabilizar embarques regulares e ampliar o portfólio exportador por produto e por país. Os ministérios não detalharam, na nota divulgada nesta terça-feira (9), estimativas de volume, faturamento ou prazo para início efetivo dos embarques em cada mercado. Do ponto de vista técnico, a ampliação de destinos pode diversificar a inserção internacional de segmentos específicos do agro brasileiro. O efeito comercial sobre receita e fluxo de exportações, porém, dependerá da habilitação operacional de empresas, da demanda em cada país e da execução dos embarques, informações ainda não detalhadas pelas fontes oficiais.
MAPA
Ministério indica que não conseguirá R$ 670 bilhões para o Plano Safra 2026/27
Exigibilidades bancárias não deverão ser alteradas para o novo ciclo agrícola. Valor do Plano Safra será maior que o da temporada 2025/26, de R$ 594 bilhões para pequenos, médios e grandes produtores
O Ministério da Agricultura sinalizou aos integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) que não conseguirá alcançar os valores propostos pelo setor produtivo, de R$ 670 bilhões, para o Plano Safra 2026/27. Durante reunião com o ministro da Agricultura, André de Paula, os parlamentares ouviram que o valor será maior que o da temporada 2025/26, de R$ 594 bilhões para pequenos, médios e grandes produtores. Não foram adiantados números, mas técnicos da Pasta relataram que as exigibilidades bancárias não deverão ser alteradas para a safra 2026/27. Essa é uma demanda da FPA. Os R$ 670 bilhões foram sugeridos por entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e o Instituto Pensar Agropecuária (IPA). “O que ele [ministério] pôde adiantar do Plano Safra é que havia recebido uma devolutiva dos bancos quanto à demanda de equalização na última semana e que estavam trabalhando nesses números. E que [o valor total] ficará acima do que foi 2025/26, tentando chegar próximo do número apresentado pela CNA, pela OCB e pelo IPA. Que não vão chegar aos R$ 670 bilhões, acho improvável chegar nesse valor, mas vão tentar chegar próximo disso, acima do que foi essa última”, disse o deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da FPA, em coletiva de imprensa. O lançamento do Plano Safra 2026/27 está previsto para 1º de julho. As discussões seguem em Brasília e não há números fechados. Como há um debate intenso sobre a renegociação de dívidas rurais neste momento, o Tesouro Nacional ainda não teria apresentado o orçamento disponível para equalização de juros na próxima temporada. O Banco Central também não apresentou as estimativas de recursos que as instituições financeiras terão que aplicar de acordo com o direcionamento dos depósitos à vista (31,5%), poupança rural (70%) e Letras de Crédito do Agronegócio (60%). “Perguntamos quanto às exigibilidades e disseram querem manter mais ou menos o que foi na última safra”, completou Lupion. A FPA também alertou o ministro sobre a necessidade de encaminhar uma solução para as dívidas rurais e não deixar o assunto “contaminar” a discussão e a disponibilidade de recursos para o Plano Safra. A bancada tem defendido que o projeto de lei 5.122/2023, que trata da renegociação do passivo no campo, indicou fontes não fiscais, como o Fundo Social do Pré-Sal e outros fundos, que não fazem parte do funding atual do crédito rural. “Há uma contaminação total do assunto do Plano Safra. Não podemos misturar as coisas. Plano Safra é uma coisa, endividamento do produtor é outra. A gente precisa que o produtor tenha solucionado e saneado o endividamento para poder acessar o Plano Safra “, destacou Lupion. “São duas coisas diferentes e elas precisam ser calculadas separadamente, não existe misturar uma coisa com a outra e não adianta a gente ter um Plano Safra bom, se o produtor endividado sem garantia não conseguir acessar. Uma coisa não resolve a outra”, completou. Em nota, o Ministério da Agricultura disse que, no âmbito do Plano Safra, foram apresentadas “informações preliminares” durante a reunião do ministro com a FPA nesta terça-feira sobre as propostas em discussão, “com foco na ampliação do acesso ao crédito, na manutenção de condições adequadas de financiamento e no fortalecimento dos instrumentos de apoio à produção”.
GLOBO RURAL
INTERNACIONAL
Mosca-varejeira do Novo Mundo chega aos EUA: o que isso significa para a pecuária de corte
A chegada da bicheira-do-Novo-Mundo (New World Screwworm – NWS) nos Estados Unidos finalmente se concretizou, encerrando meses de incerteza que pairavam sobre produtores e mercados de gado no país.
Conforme destacado pelo professor Derrell Peel, líder de extensão da Universidade Estadual de Oklahoma, agora é o momento de enfrentar a realidade e lidar com a infestação. “A boa notícia é que não se trata de um problema generalizado para o mercado”, afirma Peel. Segundo Peel, os efeitos imediatos da NWS serão sentidos localmente. Produtores afetados, vizinhos próximos, bem como membros da indústria e órgãos governamentais responsáveis pelo controle e erradicação da praga, enfrentarão custos significativos e desafios de manejo. O tempo que antes era dedicado ao planejamento e à antecipação de um surto agora será direcionado às ações práticas de contenção e tratamento. Nos mercados futuros de gado, a confirmação da NWS gerou um efeito psicológico predominantemente positivo. Durante meses, a ameaça da chegada da mosca-varejeira contribuiu para uma incerteza significativa nos preços do gado. Com a confirmação, uma das principais fontes de dúvida foi eliminada, permitindo que o mercado se concentre na realidade, que já estava amplamente precificada. “A chegada da NWS remove uma fonte de incerteza e permite que o mercado foque na realidade, já precificada”, explica Peel. Peel enfatiza que a infestação não afetará de maneira significativa a oferta de gado ou a produção de carne bovina nos EUA. Além disso, não há implicações para a segurança alimentar, nem impacto sobre a carne comercializada. Assim, os fundamentos de oferta e demanda do mercado de carne permanecem estáveis, e nenhum efeito significativo nos preços é esperado. Embora a NWS não represente risco para o consumo de carne, algumas ações políticas surgiram como resposta à confirmação da praga. O Canadá, por exemplo, anunciou uma suspensão temporária de importação de gado do Texas, uma medida simbólica que afetará um volume muito pequeno de comércio. A fronteira mexicana permanece fechada, e ainda não se sabe se a presença da NWS influenciará decisões políticas sobre sua reabertura. Quando ocorrer, a expectativa é que a retomada do fluxo de gado seja deliberada e gradual, sem causar choques imediatos nos mercados. Assim como em outros desastres sanitários, os impactos da NWS serão principalmente locais. A contenção da praga exigirá: Criação de perímetros de isolamento ao redor dos focos detectados; Controle rigoroso da movimentação de animais; Monitoramento e tratamento diligente de bovinos afetados. Embora ainda seja incerto o tamanho da área afetada, Peel afirma que não são esperados impactos significativos para os mercados nacionais de gado ou carne. “O foco agora é a observação atenta dos animais e a implementação de medidas de contenção para proteger os rebanhos e a indústria”, conclui Peel.
OKLAHOMA FARM REPORT
SUÍNOS & FRANGOS
Suíno vivo acumula queda de até 6,2% em junho enquanto carcaça sobe no atacado
Rio Grande do Sul registra a maior desvalorização entre os estados monitorados pelo Cepea; carcaça especial avança 1,2% no mês e amplia pressão sobre a indústria.
Os preços do suíno vivo seguem em trajetória de queda nas principais regiões produtoras do país neste início de junho, enquanto a carcaça suína apresenta valorização no mercado atacadista. O movimento amplia a diferença entre o desempenho do mercado de animais e o comportamento da carne. Segundo levantamento do Cepea/Esalq, o maior recuo foi registrado no Rio Grande do Sul, onde o suíno vivo foi negociado a R$ 4,80/kg em 8 de junho, acumulando desvalorização de 6,25% no mês. Também houve queda expressiva no Paraná, onde a cotação caiu para R$ 4,54/kg, retração de 3,81% em relação ao início de junho. Santa Catarina, principal estado produtor e exportador de carne suína do Brasil, foi a única praça a registrar alta diária no último levantamento. O indicador avançou 0,63% no dia, para R$ 4,76/kg. Ainda assim, acumula perda de 2,66% no mês. Em Minas Gerais, o preço do animal vivo foi cotado a R$ 5,53/kg, com queda mensal de 1,60%, enquanto em São Paulo a cotação atingiu R$ 5,25/kg, recuo de 0,94%. A comparação com os primeiros meses de 2026 mostra uma forte correção dos preços pagos ao produtor. No Paraná, por exemplo, o suíno vivo saiu de uma média mensal de R$ 7,78/kg em janeiro para R$ 4,54/kg em junho, queda de 41,6%. Em Santa Catarina, a cotação recuou de R$ 7,76/kg para R$ 4,76/kg no mesmo período, redução de 38,7%. No Rio Grande do Sul, a retração alcança 38,7%, passando de R$ 7,83/kg em janeiro para os atuais R$ 4,80/kg. Enquanto os preços do animal vivo recuam, a carcaça suína especial segue valorizada no atacado da Grande São Paulo. O indicador do Cepea fechou em R$ 8,73/kg em 8 de junho, alta de 0,23% no dia e de 1,16% no acumulado do mês. No início de junho, a carcaça era negociada a R$ 8,63/kg. Desde então, o mercado registrou sucessivas altas, mantendo os preços próximos dos maiores níveis observados neste mês. O comportamento oposto entre as cotações do suíno vivo e da carne sugere um mercado ainda sustentado pelo consumo no atacado, ao mesmo tempo em que a oferta de animais continua pressionando os preços recebidos pelos produtores. A diferença entre o desempenho da matéria-prima e da carne tende a melhorar as margens da indústria frigorífica, embora o setor siga atento ao ritmo da demanda doméstica e das exportações ao longo de junho.
O PRESENTE RURAL
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