
Ano 11 | nº 2678 | 25 de março de 2026
NOTÍCIAS
Subiu a cotação do boi gordo e do “boi China” em São Paulo
Oferta enxuta, resistência dos vendedores e suporte das exportações elevaram em R$3,00/@ as cotações do boi gordo e do “boi China” em São Paulo.
Na terça-feira (24/3), as cotações do boi gordo sem padrão-exportação e do “boi-China” subiram R$ 3/@ na praça de São Paulo, segundo apuração da Scot Consultoria, que acompanha diariamente os negócios em mais de 30 regiões do País. A cotação da vaca e a da novilha não mudou na comparação feita dia a dia. O fator que sustentou a alta foi a oferta enxuta e uma ponta vendedora que não aceitou negociar abaixo da referência. A exportação também contribuiu para a sustentação dos preços, apesar da redução no ritmo dos embarques. As escalas de abate atenderam, em média, a sete dias. No Pará, a oferta esteve curta, e os frigoríficos pagaram mais pela arroba para completar as escalas de abate. Na região de Marabá, a cotação do boi gordo subiu R$3,00/@ e a da novilha R$2,00/@. A cotação da vaca ficou estável na comparação feita dia a dia. As escalas de abate atenderam, em média, a quatro dias. Na região de Redenção, a cotação da vaca subiu R$3,00/@, e a da novilha subiu R$5,00/@. A cotação do boi gordo não mudou. As escalas de abate atenderam, em média, a dois dias. Na região de Paragominas, a cotação subiu R$4,00/@ para todas as categorias. As escalas de abate atenderam, em média, a três dias. A cotação do “boi China” subiu R$4,00/@ em Paragominas. Já nas regiões de Marabá e Redenção, a cotação do “boi China” subiu R$1,00/@. Na exportação de carne bovina in natura, até a terceira semana de março, o volume exportado foi de 167,0 mil toneladas, com uma média diária de 11,1 mil toneladas, queda de 1,7% frente ao embarcado por dia em março de 2025. A cotação média da tonelada ficou em US$5,8 mil, alta de 18,0% na comparação feita ano a ano.
SCOT CONSULTORIA
Mercado do boi inicia semana travado, com preços estáveis e consumo lento
Oferta restrita sustenta valores do boi gordo, mas demanda enfraquecida limita avanços
O mercado físico do boi gordo começou a semana com preços acomodados e pouca movimentação nas negociações. Apesar de ainda ocorrerem pontualmente negócios acima da média, o cenário predominante é de estabilidade. A oferta restrita de animais terminados segue dificultando a formação das escalas de abate, que permanecem entre cinco e sete dias úteis na média nacional. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, fatores externos continuam no radar, como as tensões no Oriente Médio e o avanço da cota chinesa, que podem influenciar a formação de preços ao longo do semestre. Preços da arroba no Brasil: São Paulo: R$ 352,17, na modalidade a prazo. Goiás: R$ 339,29. Minas Gerais: R$ 342,35. Mato Grosso do Sul: R$ 338,52. Mato Grosso: R$ 344,80, a arroba. No mercado atacadista, o cenário também é de acomodação. O escoamento da carne segue mais lento, refletindo o menor apelo ao consumo neste período. Proteínas mais acessíveis, como frango, ovos e embutidos, continuam ganhando espaço na preferência do consumidor brasileiro, pressionando a demanda por carne bovina. Entre os cortes, o quarto traseiro segue cotado a R$ 27,30 por quilo, enquanto o dianteiro permanece em R$ 21,00 por quilo. A ponta de agulha é negociada a R$ 19,50 por quilo.
SAFRAS NEWS
Bezerro com ágio acima de 35% exige ajuste de estratégia na pecuária de corte
Avaliação é da SIA, Serviço de Inteligência em Agronegócios, que orienta controle de compra, peso e custo no sistema
A perspectiva de alta no preço do bezerro exige mais controle na compra e atenção aos custos de produção por parte de pecuaristas que trabalham com recria e terminação. A avaliação é da SIA, Serviço de Inteligência em Agronegócios, que aponta a relação de troca como um dos fatores centrais para manter a atividade viável em um ano mais desafiador. Segundo o gerente técnico da SIA, Armindo Barth Neto, o primeiro ponto de atenção deve ser o ágio pago pelo bezerro em relação ao boi gordo. Produtores mais eficientes costumam operar com um ágio entre 35% e 40%, o que ajuda a segurar o custo de entrada do animal na fazenda. Em um cenário com a arroba ao redor de R$ 350, o bezerro posto na propriedade deveria ficar próximo de R$ 15,50, no máximo R$ 16,00 por quilo. “O principal é cuidar o quanto está sendo pago de ágio no preço do bezerro. Bons produtores trabalham nessa faixa de 30% a 35% acima do valor do boi gordo”, afirma. O acompanhamento da média de compra dos lotes também é decisivo. A recomendação é utilizar planilhas para monitorar os valores pagos e equilibrar eventuais compras mais caras com aquisições mais baratas, mantendo a média sob controle. “Não tem problema pagar um lote um pouco mais caro, desde que isso seja compensado ao longo das compras”, observa. O peso do animal na reposição também influencia diretamente no resultado. A orientação é evitar animais muito pesados com custo elevado, que dificultam a remuneração na engorda. A faixa indicada para compra fica entre 210 quilos e 240 quilos. Dentro da propriedade, o foco deve ser custo baixo com eficiência produtiva. Pastagens bem manejadas e adubadas, aliadas a suplementação de baixo consumo, permitem alto ganho de peso com maior número de animais por área. “Com pasto bem conduzido, o produtor consegue desempenho elevado com custo relativamente baixo”, ressalta. A estratégia recomendada é manter o animal o maior tempo possível no pasto e concentrar a fase mais cara no final do ciclo. A entrada na terminação deve ocorrer mais pesada, com o bovino entre 430 quilos e 450 quilos, reduzindo o custo médio de produção. O peso de abate também impacta diretamente na rentabilidade. “Abater o animal mais pesado possível aumenta o retorno por cabeça e melhora a relação de troca”, salienta o gerente técnico da SIA. Para Barth Neto, anos de maior pressão no custo da reposição exigem disciplina na compra, ajuste de lotação e eficiência no sistema produtivo como caminhos para preservar margem e competitividade na pecuária de corte.
SIA
Mato Grosso lidera abate de bovinos no país e amplia participação nas exportações em 2025
Ampliação dos embarques e diversificação de destinos impulsionam resultados do Estado
Mato Grosso encerrou 2025 na liderança nacional no abate de bovinos, com 17,1% de participação, e se manteve como o maior exportador de carne bovina do país, respondendo por 24,4% dos embarques. Os dados são da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e reforçam o protagonismo do estado no agronegócio brasileiro. Ao longo de 2025, Mato Grosso ampliou tanto o volume de animais abatidos quanto a quantidade de carne destinada ao exterior, consolidando sua posição estratégica no setor. No acumulado do ano, o Brasil registrou aumento de 3,25 milhões de cabeças de bovinos abatidas em relação a 2024, com crescimento em 25 das 27 Unidades da Federação. Mato Grosso teve um acréscimo de 199,21 mil cabeças e se manteve na primeira colocação do ranking nacional, seguido por São Paulo (11,1%) e Goiás (9,9%). Nas exportações, o estado liderou com o envio de 752,77 mil toneladas de carne bovina ao exterior. A China foi o principal destino, concentrando 54,9% do volume exportado, seguida por Rússia, Chile, Estados Unidos, Filipinas e Egito. Em relação ao ano anterior, Mato Grosso registrou aumento de 168,09 mil toneladas, um dos maiores crescimentos do país. De acordo com o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, o desempenho é resultado de uma cadeia produtiva estruturada, que envolve desde a produção no campo até a indústria frigorífica e a inserção no mercado internacional, com números que refletem a força e a organização da pecuária no estado. “Mato Grosso tem uma pecuária consolidada, com produtores eficientes e um setor industrial estruturado. Esses números mostram não só a nossa capacidade de produção, mas também a confiança dos mercados internacionais na carne produzida no estado”, destacou. No quarto trimestre de 2025, Mato Grosso manteve o desempenho positivo, com aumento de 15,3% no abate de bovinos em comparação ao mesmo período de 2024, além de registrar o maior crescimento absoluto entre os estados, com 256,11 mil cabeças a mais. No mesmo período, o estado também liderou as exportações, com 255,15 mil toneladas embarcadas, o equivalente a 27% do total nacional, alta de 57,5% na comparação anual.
OLHAR ALERTA (MT)
União Europeia lidera a remuneração das exportações de carne bovina em MT
A União Europeia (EU) foi o destino que melhor remunerou a carne bovina exportada por Mato Grosso em fevereiro, segundo dados compilados pelo Instituto Mato-grossense da Carne (Imac) a partir de informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O bloco pagou, em média, US$ 6.082,14 por tonelada, o maior preço entre todos os mercados.
O valor representa um prêmio relevante em comparação com destinos tradicionais. A China, principal compradora em volume, pagou em média US$ 4.206,20 por tonelada, enquanto países do Oriente Médio desembolsaram cerca de US$ 4.481,37 por tonelada. Apesar de menor participação no volume total exportado, a UE se destaca pela maior capacidade de pagamento. Até fevereiro, o bloco importou 5,3 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC), gerando receita de US$ 32,4 milhões para Mato Grosso. O diferencial também aparece no índice de atratividade das exportações, que mede o retorno econômico por tonelada embarcada. A UE lidera com 119,91 pontos, à frente de outras regiões, como Oriente Médio (80,39 pontos). Segundo o diretor de Projetos do Imac, Bruno de Jesus Andrade, o desempenho reflete o avanço na diversificação de mercados. “Mato Grosso tem buscado ampliar o número de mercados atendidos e quando conseguimos acessar destinos mais exigentes, como a União Europeia, isso demonstra que a nossa carne atende padrões elevados de qualidade e sustentabilidade”, afirmou, em nota.
O ESTADO DE SÃO PAULO
ECONOMIA
Dólar supera R$5,25 com continuação do conflito no Oriente Médio
Após a queda firme da véspera, o dólar voltou a subir no Brasil nesta terça-feira, para acima dos R$5,25, em um dia negativo para as moedas de países emergentes em meio à continuação do conflito no Oriente Médio.
No início da tarde, o Banco Central realizou uma operação cambial, aumentando a liquidez no mercado à vista, mas ainda assim a moeda norte-americana encerrou a sessão em alta. O dólar à vista fechou com elevação de 0,25%, aos R$5,2549. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 4,26%. Às 17h03, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,28% na B3, aos R$5,2610. Na segunda-feira o dólar havia fechado com baixa superior a 1%, após o presidente dos EUA, Donald Trump, citar conversas com o Irã e adiar por cinco dias ataques a usinas do país. Na terça-feira, porém, o cenário era diverso, com o Irã lançando mísseis contra Israel e voltando a negar qualquer negociação com os norte-americanos. Com o Estreito de Ormuz ainda sob a mira do Irã, o petróleo tipo Brent voltou a superar os US$100 o barril, reforçando os receios sobre os impactos inflacionários nos países. Os rendimentos dos Treasuries também subiam diante da perspectiva de juros mais altos nos EUA. Já o dólar sustentou ganhos ante a maior parte das demais divisas, incluindo moedas de países emergentes como o real, o peso mexicano e o peso chileno. “O dólar voltou a operar em alta, refletindo a deterioração do ambiente de risco global diante da incerteza sobre a efetividade das negociações entre Estados Unidos e Irã”, resumiu à tarde Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito. No início da tarde, o BC vendeu US$1 bilhão em leilão de linha (venda de dólares com compromisso de recompra), em operação que representou a injeção de recursos novos no mercado à vista, melhorando a liquidez. Ainda assim, o dólar se manteve em alta ante o real. Pela manhã, os agentes também se debruçaram sobre a ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que na semana passada cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,75% ao ano. No documento, o BC afirmou que “a magnitude e a duração do ciclo de calibração (da Selic) serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises”. Entre analistas do mercado e investidores, a ata manteve a divisão sobre o que o BC anunciará no fim de abril: nova redução de 25 pontos-base da Selic, aceleração do corte para 50 pontos-base ou mesmo manutenção da taxa, a depender da guerra no Oriente Médio.
REUTERS
Ibovespa destoa dos demais ativos locais e das bolsas de NY e fecha em alta
Forte alta das ações da Petrobras ajuda a impulsionar o principal índice da B3
Depois de oscilar entre perdas e ganhos na terça-feira ao sabor das notícias em torno da guerra no Oriente Médio, o Ibovespa conseguiu suporte para se estabilizar no campo positivo e adotar uma alta moderada perto do fim do pregão. Pelo fato de as ações da Petrobras representarem uma parcela significativa do índice, a subida de quase 3% dos papéis da petroleira ajudou a principal referência acionária local a encerrar no azul e a destoar também de Wall Street. No fim do dia, o Ibovespa encerrou em alta de 0,32%, aos 182.509 pontos, após oscilar entre os 179.915 pontos e os 182.649 pontos. Entre as blue chips, o destaque ficou para as ações da Petrobras: as PN subiram 2,69% e as ON ganharam 2,51%. Da mesma forma, as ON da Vale exibiram valorização de 0,79%. Papéis de bancos encerraram majoritariamente no negativo, com as ON do Banco do Brasil liderando as perdas, no valor de 1,29%. A exceção ficou para as units do BTG Pactual, que subiram 0,72%. Segundo participantes do mercado, a nova rodada de ataques no Oriente Médio voltou a elevar os prêmios de risco, o que chegou a pressionar para baixo o Ibovespa durante parcela da manhã. No entanto, a alta das ações da atuou como contraponto para manter o índice no campo positivo, juntamente com o avanço da Petrobras. O volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 17,6 bilhões e de R$ 25,0 bilhões na B3. Já em Wall Street, os principais índices fecharam no negativo. No fim, o Nasdaq cedeu 0,84%; o S&P 500 cedeu 0,37%; e o Dow Jones recuou 0,18%.
VALOR ECONÔMICO
Arrecadação federal cresce 5,68% em fevereiro e bate recorde para o mês
Resultado é o melhor de fevereiro desde o início da série histórica em 1995. País arrecadou R$ 222,12 bilhões no mês passado
A arrecadação do governo federal teve alta real de 5,68% em fevereiro sobre o mesmo mês do ano anterior, somando R$ 222,12 bilhões, informou a Receita Federal na terça-feira (24). O resultado é o melhor para meses de fevereiro da série histórica da Receita Federal, iniciada em 1995. No acumulado de janeiro e fevereiro, a arrecadação cresceu 4,41% acima da inflação em comparação com o primeiro bimestre de 2025, a R$ 547,87 bilhões, patamar também recorde para o período. Os recursos administrados pela Receita, que englobam a coleta de tributos de competência da União, cresceram 6,17% em termos reais em fevereiro frente a um ano antes, a R$ 215,21 bilhões. Essa elevação foi mais que suficiente para compensar o desempenho da receita administrada por outros órgãos, que tem peso relevante de royalties de petróleo e caiu 7,46% no mês passado, a R$ 6,91 bilhões. Teve papel relevante no dado do mês uma alta de R$ 2,29 bilhões, equivalente a 35,7% na comparação com janeiro de 2025, nos ganhos com IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), que teve alíquotas elevadas pelo governo no ano passado. A Receita ainda destacou o desempenho do Imposto de Renda sobre rendimentos de capital, que cresceu 19,4%, em razão de ganhos de contribuintes com papéis de renda fixa. O fisco também apontou influência positiva do comportamento de indicadores econômicos que afetam a arrecadação e ganhos de PIS/Cofins, que subiram 8,5%, em função do crescimento do setor de serviços e do desempenho do setor ligado à extração de petróleo.
REUTERS
Governo piora projeção de déficit fiscal em 2026 e anuncia contenção de R$1,6 bi em gastos de ministérios
O governo Luiz Inácio Lula da Silva disse na terça-feira que precisará implementar um bloqueio de R$1,6 bilhão em gastos de ministérios para cumprir o limite de despesas do ano, apontando que não será necessário contingenciar recursos para atingir o piso da meta fiscal.
Em relatório bimestral de avaliação fiscal, os ministérios da Fazenda e do Planejamento apontaram que a previsão é que o governo feche 2026 com um déficit primário de R$59,8 bilhões, mas o saldo iria a um superávit de R$3,5 bilhões após abatimento de exceções ao cálculo da meta, como precatórios. O detalhamento dos cortes por ministério será apresentado até o fim do mês. A meta fiscal de 2026 é de superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$34,3 bilhões, com tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB para mais ou para menos — um intervalo que vai de um saldo zero a um superávit de R$68,6 bilhões. A primeira projeção feita pelo governo neste ano para o resultado primário de 2026 é significativamente pior do que a prevista no Orçamento, que estabeleceu um resultado primário negativo de R$22,9 bilhões sem abatimento das exceções, ou um superávit de R$34,9 bilhões após as exclusões legais da meta. Ao fazer a avaliação sobre eventual necessidade de cortes, o governo seguiu mirando o piso da margem de tolerância da meta. Desse modo, as pastas apontaram que ainda há uma sobra de R$3,5 bilhões em relação ao limite inferior do alvo, não sendo necessário contingenciar recursos. Segundo os cálculos oficiais, a receita líquida do governo, que exclui transferência a Estados e municípios, deve ficar R$13,7 bilhões menor do que o estimado no Orçamento, a R$2,577 trilhões. A previsão de despesas totais, por sua vez, foi elevada em R$23,3 bilhões na comparação com o Orçamento aprovado para este ano, sob pressão de maiores despesas obrigatórias.
REUTERS
GOVERNO
Brasil conclui negociações para exportar gado vivo e material genético para Ruanda
Em 2025, o Brasil exportou mais de US$ 392 milhões em gado vivo e material genético bovino para a África
O governo brasileiro concluiu negociações que permitirão ao Brasil exportar gado vivo e material genético para Ruanda. As aberturas de mercado abrangem bovinos e búfalos vivos para reprodução; bovinos vivos para engorda e abate; embriões bovinos e bubalinos; e sêmen bovino, informa o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Além de fortalecer o comércio com Ruanda, as aberturas sinalizam crescentes oportunidades na África para produtores brasileiros e para serviços de assistência técnica, em vista do grande potencial do continente africano em termos de crescimento econômico e expansão demográfica. Em 2025, o Brasil exportou mais de US$ 392 milhões em gado vivo e material genético bovino para a África. Com este anúncio, o agronegócio brasileiro alcançou 552 aberturas de mercado desde o início de 2023.
MAPA
Acordo UE-Mercosul vai entrar em vigor em 1º de maio
Entre os setores do agronegócio mais beneficiados estão a carne, o açúcar e o etanol, frutas, pescados e suco de laranja. Exportadores brasileiros poderão usufruir das novas possibilidades de acesso ao mercado europeu
O acordo provisório de comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE) vai entrar em vigor em 1º de maio. A vigência ocorre após as notificações entre as partes. O decreto legislativo que aprovou o texto do acordo provisório foi publicado em 17 de março. No dia seguinte, 18 de março, o Brasil notificou oficialmente a Comissão Europeia sobre a conclusão dos procedimentos internos de ratificação do acordo. A União Europeia, por sua vez, notificou hoje o Brasil, concluindo os procedimentos formais. Em comunicado conjunto, os ministérios da Agricultura, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) e o Itamaraty informaram que está em “estágio avançado de tramitação” o decreto de promulgação, o ato final que incorpora tratados e acordos internacionais ao ordenamento jurídico interno, tornando-os obrigatórios. Com isso, a partir de 1 de maio, os exportadores brasileiros poderão usufruir das novas possibilidades de acesso ao mercado europeu, com redução de tarifas e eliminação de barreiras ao comércio bilateral. Entre os setores produtivos do agronegócio mais beneficiados pelo acordo entre Mercosul e União Europeia estão a carne, o açúcar e o etanol, frutas, pescados e suco de laranja.
GLOBO RURAL
INTERNACIONAL
EUA devem bater novo recorde de importação de carne bovina em 2026
Queda na produção interna e menor oferta de vacas devem elevar participação da proteína importada para até 18% do consumo; Brasil ganha espaço como fornecedor-chave.
Em 2025, a produção de carne bovina nos Estados Unidos foi de 26 bilhões de libras (11,8 milhões de toneladas), uma queda de 984 milhões de libras (446 mil toneladas), ou -4%, em relação ao ano anterior e o menor nível desde 2016 (25,2 bilhões de libras ou 11,4 milhões de toneladas), informa Tyler W. Cozzens, o diretor do Centro de Informações de Marketing de Gado (LMIC, na sigla em inglês), em artigo publicado no portal norte-americano da Beef Magazine. A expectativa é de que a produção norte-americana de carne bovina diminua em 2026, ficando abaixo de 26 bilhões de libras (11,8 milhões de toneladas), acrescenta ele. Porém, relata Cozzens, a queda na produção comercial de carne bovina em 2025 foi parcialmente compensada pelo aumento das importações, que atingiram um recorde de quase 5,5 bilhões de libras (2,5 milhões de toneladas), com aumento de 835 milhões de libras (379 mil toneladas), ou +18%, em relação ao ano anterior. Segundo o diretor da LMIC, as importações representaram 17% do fornecimento total de carne bovina em 2025, o maior percentual já registrado, com base em dados que remontam à década de 1970, e um aumento em relação aos 14% de 2024. De acordo com o levantamento do LMIC, os períodos em que as importações de carne bovina dos EUA atingiram dois dígitos só ocorreram entre 1999 e 2007, quando variaram de 10% a 13%. Fora desses períodos, o percentual ficou abaixo de 10%, destaca. Olhando para 2026, diz Cozzens, as estimativas do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), divulgadas em março/26, indicam importações de carne bovina em quase 5,7 bilhões de libras (2,6 milhões de toneladas) e uma oferta total de carne bovina de pouco mais de 32,1 bilhões de libras (14,6 milhões de toneladas). “Isso coloca as importações de carne bovina dos EUA em 18% da produção prevista para 2026”, afirma Cozzens. Segundo ele, o aumento da participação das importações reflete a forte demanda interna por carne moída – segmento no qual o Brasil se destaca como principal fornecedor global de “carne magra”. O aumento das importações norte-americanas de carne bovina deve-se, em parte, à redução do abate de vacas no mercado interno, diz o diretor da LMIC. A produção de carne bovina proveniente do abate de vacas é um componente crucial do abastecimento para a produção de carne moída, observa ele. Em 2025, o abate total de vacas foi de pouco menos de 5 milhões (4,992 milhões) de cabeças, uma queda de 588.000 cabeças (-11%) em relação ao ano anterior. Segundo Cozzens, foi o terceiro ano consecutivo de queda no abate total de vacas; a última vez que o total ficou abaixo de 5 milhões de cabeças foi em 2005, quando caiu para quase 4,8 milhões de cabeças. “A expectativa é de que o abate de vacas permaneça baixo em 2026, já que o rebanho bovino nacional está no nível mais baixo em 75 anos”, prevê o diretor, que completa: “Isso deve manter a oferta doméstica de carne magra em níveis ainda baixos, o que sustentará a necessidade de importações elevadas, reforçando a previsão do USDA de compras externas próximas de 5,7 bilhões de libras (2,6 milhões de toneladas) para 2026”.
PORTAL BEEF MAGAZINE
FRANGOS & SUÍNOS
Ovos, frango e carne suína podem ficar mais caros com a guerra no Irã, diz setor
Associação Brasileira de Proteína Animal aponta alta no frete e em embalagens de plástico. Boom das proteínas sustenta demanda crescente; preços vinham em queda em 12 meses
O aumento nos custos provocado pela guerra no Irã já pressiona a cadeia de produção de ovos, frango e carne suína no Brasil e pode levar a reajustes ao consumidor nos próximos dias, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). A entidade afirma que a alta do diesel elevou em até 20% os fretes rodoviários do setor, incluindo desde o transporte de insumos até a distribuição do produto no mercado interno. Além disso, diz que embalagens plásticas – derivadas de petróleo, com trajeto dificultado pelos conflitos no estreito de Hormuz— já registram aumento de até 30%. “Frente a este quadro, é possível que ocorram nos próximos dias repasses aos preços para o consumidor tanto de ovos, como de carne de frango e carne suína”, afirma a associação. O movimento ocorre em um momento de demanda aquecida com o “boom das proteínas”. No caso dos ovos, por exemplo, o consumo chegou a 287 unidades por brasileiro em 2025, um aumento de 6,7% em relação a 2024 e de 33,4% desde 2015, segundo estimativas da ABPA. A preocupação também demonstra que não é só o preço dos combustíveis que pode aumentar com os conflitos no Oriente Médio. Alimentos, medicamentos, eletrônicos, plásticos e fertilizantes são outros produtos de risco. Os preços dos ovos caíram 10,79% no acumulado de 12 meses, com base no último IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Apesar disso, foi registrada uma inflação mensal de 4,55% em fevereiro, que pode ser explicada pela alta demanda na Quaresma, tradição católica que pede substitutos para a carne vermelha, não consumida especialmente durante a Sexta-Feira Santa, no próximo dia 3. Já a carne de porco registrou queda de 1,21% no último mês e de 1,62% no acumulado de 12 meses. O frango inteiro caiu 0,29% em fevereiro; o em pedaços, 0,19%.
A produção de ovos cresceu 7,9% no último ano, de 57,7 bilhões de unidades em 2024 para 62,2 bilhões em 2025. “O mercado apresenta um cenário de oferta equilibrada em relação ao visto no ano passado, com crescimento dentro do esperado”, afirma a ABPA em nota. “Toda essa turma da musculação, do atletismo, come muito ovo, principalmente depois que saiu aquele mito de que não podia comer muito”, diz Elsio Figueiredo, pesquisador na área de suínos e aves da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária). Ele também cita a Quaresma como fator para o aumento da demanda. “Além do consumo de ovos direto, para substituir a carne, também se faz mais produtos à base de ovos, como massas, bolos, guloseimas, sobremesas”, diz.
FOLHA DE SP
Preço do suíno estabiliza. há pressão nos custos com atraso do plantio da segunda safra de milho e guerra no Oriente Médio
Análise da ABCS aponta margens pressionadas, atraso da safrinha e cenário global como os 3 principais riscos para o setor em 2026.
Após queda nas cotações nos meses de janeiro e fevereiro, o preço do suíno estabilizou em março, mostrando recente ajuste na oferta e demanda. Dados preliminares do SIF indicam um aumento do abate ao redor de 2,5% no primeiro bimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado. O aumento da oferta no mercado doméstico já vinha ocorrendo em 2025, conforme apontam os dados definitivos de abate do IBGE, publicados no último dia 18, indicando que a produção brasileira de carne suína (carcaças) aumentou quase 300 mil toneladas (5,54%) em relação a 2024. Como o incremento das exportações em 2025 foi de pouco mais de 140 mil toneladas, a disponibilidade interna cresceu 3,73% (156 mil toneladas), excedente que o mercado doméstico absorveu bem e que determinou ultrapassarmos a barreira dos 20 kg per capita ano de consumo. Quando se analisa a participação das Unidades Federativas no abate, chama a atenção o crescimento percentual expressivo da produção, de 2025 em relação a 2024, muito acima da média, dos estados de Minas Gerais (11,35% em toneladas) e Mato Grosso do Sul (14,36% em toneladas), sendo que este último ultrapassou o Mato Grosso e assumiu a quinta posição no ranking nacional. O crescimento do abate de Minas Gerais, cujo plantel de produtores independentes é o maior do Brasil, explica em parte o porquê os preços de suínos para abate praticados neste estado, desde março de 2025, estão abaixo de São Paulo. Com produção de suínos crescente e mercado doméstico “andando de lado” a pergunta é: “como está a exportação?” Em 2025 ela ultrapassou os 23% da destinação da produção nacional, assumindo o terceiro lugar no comércio mundial e ultrapassando o Canadá. A resposta é: “vai muito bem em 2026!” com crescimento acima do esperado, sendo que, no acumulado de janeiro e fevereiro, com 204,7 mil toneladas de carne suína in natura, superou em 8,3% os volumes embarcados no mesmo bimestre de 2025. Isto representa pouco mais de 15 mil toneladas a mais exportadas, num período em que, estimativas preliminares indicam um crescimento da produção ao redor de 2,5% (+22 mil toneladas), ou seja, haveria um excedente no primeiro bimestre em torno de 7 mil toneladas que foram ofertadas a mais no mercado doméstico em janeiro e fevereiro de 2026. O atraso do plantio da segunda safra de milho, que hoje representa quase 80% de toda produção nacional deste cereal, é motivo de preocupação e determinou uma alta considerável nas cotações nas últimas semanas. O custo das rações só não subiu mais porque as cotações do farelo se soja têm se mantido relativamente estáveis, mas a relação de troca entre o preço do suíno vivo e os principais insumos, milho e farelo de soja, vem caindo mês a mês, desde outubro de 2025. Esta pressão nos custos, aliada ao recuo das cotações do suíno, determinaram, no início deste ano, margens muito apertadas na suinocultura, próximas do ponto de equilíbrio. Como se não bastassem as incertezas climáticas para o estabelecimento da “safrinha” de milho, as consequências indiretas do conflito no Oriente Médio trazem pressão sobre o preço dos combustíveis e fertilizantes, o que resulta em inflação em toda cadeia de produção, além de ameaçarem e/ou encarecerem a logística no fluxo de exportações de frango, o que pode reduzir a competividade da carne suína no mercado doméstico, dificultando uma eventual retomada de ciclo de alta nas cotações do suíno.
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