
Ano 11 | nº 2629 | 13 de janeiro de 2026
NOTÍCIAS
Cotação estável no mercado do boi gordo em São Paulo
Como previsto, a segunda-feira começou com manutenção do cenário observado no fechamento da semana anterior.
Pelos dados da Scot Consultoria, o animal terminado sem padrão-exportação segue cotado em R$ 318/@ em São Paulo, enquanto o “boi-China, a vaca gorda e a novilhas são negociados por R$ 322/@, R$ 302/@, R$ 312/@, respectivamente (preços brutos, no prazo). O mercado segue com poucas movimentações, com os frigoríficos aguardando para avaliar a saída de carne no fim de semana e mantendo a cotação do boi gordo estável. As ofertas, até o momento, estão razoáveis e suficientes para atender à demanda de carnes. As escalas de abate estavam, em média, para nove dias. No Espírito Santo, as ofertas apresentam volume suficiente para atender à demanda. As escalas de abate estavam, em média, para uma semana. A cotação do “boi China” subiu R$2,00/@. No atacado de carne com osso, impulsionadas pelo bom desempenho das vendas no varejo no primeiro decênio de janeiro – acima do esperado para esse período, que tende a registrar menor movimento devido a despesas como IPTU, IPVA, gastos escolares, entre outros –, os pedidos de reposições de estoque seguiram firmes, movimentando a indústria. Diante desse cenário, houve espaço para ajustes positivos nos preços. A carcaça casada do boi capão subiu 2,3%, ou R$0,50/kg. Já a do boi inteiro apresentou alta de 2,6%, ou R$0,55/kg. Entre as carcaças casadas das fêmeas, a da vaca aumentou 2,5%, ou R$0,50/kg, enquanto a da novilha registrou alta de 1,7%, ou R$0,35/kg. No mercado de carnes alternativas, o movimento foi de queda. O frango médio caiu 3,9%, ou R$0,28/kg, e o suíno especial caiu 5,3%, ou R$0,70/kg.
SCOT CONSULTORIA
Arroba do boi terá preços mais tímidos em 2026
O mercado físico do boi gordo apresentou preços de estáveis a mais altos ao longo da semana nas principais praças de comercialização do Brasil. Contudo, esse cenário tende a não perdurar ao longo do ano.
De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, os frigoríficos de menor porte atuaram de maneira mais contundente na compra de gado, em função das escalas de abate mais apertadas, o que contribuiu para a alta de preços em algumas regiões. “O mercado ainda tenta se ajustar após a definição de tarifas e cotas por parte da China, que limitou as exportações do Brasil neste ano em 1,1 milhão de toneladas, com tarifas excedentes acima desse volume”, detalha. Segundo Iglesias, por conta da decisão chinesa, alguns frigoríficos já sinalizam que pode haver uma redução na capacidade de abate das plantas. “Essa iniciativa da China vai acabar trazendo uma perspectiva mais baixista para a arroba do boi gordo, então fica mais difícil conseguir enxergar altas mais consistentes. É provável que o mercado fique mais pressionado em função do comportamento dos preços da indústria, que vai aumentar a capacidade ociosa, reduzindo abate”, conta. De acordo com o analista, esse redirecionamento de estratégia dos frigoríficos pode perdurar durante todo o ano, visto que o ritmo de compras do gigante asiático será diferente do observado nos últimos anos. Preços médios do boi gordo na semana: Os valores da arroba do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 8 de janeiro: São Paulo (Capital): R$ 323, alta de 0,94% em relação aos R$ 320 praticados no final da última semana; Goiás (Goiânia): R$ 315, aumento de 0,64% frente aos R$ 313 registrados no encerramento da semana passada; Minas Gerais (Uberaba): R$ 315, inalterado frente ao valor praticado no fechamento da última semana; Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 315, sem alterações frente ao preço registrado no final da semana passada; Mato Grosso (Cuiabá): R$ 300, sem mudanças ante a semana passada; Rondônia (Vilhena): R$ 280, similar ao preço registrado na última semana. No mercado atacadista, Iglesias comenta que o mercado se deparou com preços acomodados. De acordo com ele, após o período de festividades, o que se aguarda é a retração dos cortes de maior valor agregado, ou seja, do traseiro bovino. “O perfil de consumo prioriza produtos mais acessíveis, a exemplo dos cortes do dianteiro bovino, carne de frango, ovos e embutidos em geral”, avalia. Quarto traseiro: cotado a R$ 25,40 o quilo, inalterado ante a semana passada. Quarto dianteiro: vendido por R$ 17,85 o quilo, também sem alterações. Nas exportações de carne bovina, com recordes sucessivos mês a mês, 2025 entra para a história como o ano de registros de maiores números nas exportações de carne bovina pelo Brasil. Segundo os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), foram, ao todo, 3,50 milhões de toneladas, incremento de 20,9% em relação a 2024. O volume exportado movimentou US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais do que o faturado no ano anterior. A carne bovina in natura respondeu pela maior parte dos embarques, com 3,09 milhões de toneladas, crescimento de 21,4% na comparação anual, e receita de US$ 16,61 bilhões. Somadas todas as categorias: in natura, industrializadas, miúdos, tripas, gorduras e salgadas, os embarques brasileiros alcançaram mais de 170 países, ampliando a presença internacional do setor e diversificando destinos.
SCOT CONSULTORIA
Exportações brasileiras de carne bovina crescem nos primeiros dias de janeiro
Houve melhora significativa em volume exportado, receita e preço da tonelada
O Brasil começou 2026 com bom desempenho nas exportações de carne bovina, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Os dados são referentes aos embarques realizados até a segunda semana de janeiro, portanto, considerando apenas 6 dias úteis. Desempenho de janeiro de 2026: o volume parcial exportado: 89,3 mil toneladas de carne bovina in natura; a média diária de embarques: 14,9 mil toneladas. Faturamento parcial: US$ 493,8 milhões. Média diária de receita: US$ 82,3 milhões. Em todo o mês de janeiro de 2025, o Brasil exportou 180,3 mil toneladas, com faturamento de US$ 906,8 milhões. A média diária em janeiro de 2025 foi de 8,2 mil toneladas e US$ 41,2 milhões. Comparando as médias diárias entre 2025 e 2026 houve: aumento de 81,6% em volume e a aumento de 99,7 % na receita cambial. No preço pago pela tonelada de carne também teve aumento, passando de US$ 5,02 mil em 2025 para US$ 5,5 mil em janeiro de 2026, com elevação de 10%.
SECEX/MDIC
ECONOMIA
Dólar fecha estável no Brasil apesar de recuo no exterior
Em mais uma sessão sem gatilhos fortes no noticiário brasileiro, o dólar encerrou a segunda-feira próximo da estabilidade ante o real, enquanto no exterior a moeda norte-americana sustentou perdas ante a maior parte das demais divisas, após o governo Trump voltar a ameaçar o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, desta vez com uma possível acusação criminal.
O dólar à vista encerrou o dia em leve alta de 0,11%, aos R$5,3723. No ano, a divisa acumula queda de 2,13%. Às 17h04, o contrato de dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — cedia 0,08% na B3, aos R$5,3975. No domingo, Powell revelou que o Fed havia recebido intimações do Departamento de Justiça referentes a comentários que ele fez ao Congresso sobre os custos excedentes de uma reforma de US$2,5 bilhões na sede da instituição, em Washington. De acordo com o chair do Fed, “essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças do governo e da pressão contínua” por taxas de juros mais baixas e, de forma mais ampla, por uma maior influência sobre a instituição. A ameaça a Powell conduzia nesta segunda-feira a queda do dólar ante boa parte das demais divisas, como o euro, a libra, o franco suíço e a maior parte das moedas de países emergentes. Neste cenário, o dólar à vista marcou a cotação mínima de R$5,3489 (-0,33%) às 9h02, logo após a abertura do mercado, mas depois a moeda se recuperou no Brasil. “Embora o índice DXY (índice do dólar) esteja em queda, a princípio o cenário doméstico não traz nada específico para justificar a desvalorização do real em relação ao dólar, ao que parece ser apenas uma pontual saída de capital”, disse no início da tarde Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito. “O Brasil ainda negocia em um ambiente de liquidez reduzida, operando no patamar entre R$5,35-R$5,40, com baixa amplitude de preço e poucos catalisadores domésticos”, acrescentou. No noticiário local, destaque apenas para o encontro entre representantes do Banco Central e do Tribunal de Contas da União (TCU), para discutir o caso do Banco Master. Após a reunião, o presidente do tribunal, ministro Vital do Rêgo, afirmou ter sido informado pelo BC que é “muito importante” que o órgão faça inspeção na autoridade monetária sobre a liquidação do banco. Segundo ele, a inspeção pelo TCU será feita com interlocução entre os dois órgãos. Mais cedo, o boletim Focus do Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas para o dólar no fim de 2026 e de 2027 seguiu em R$5,50. Já a inflação esperada para 2026 passou de 4,06% para 4,05% e para 2027 seguiu em 3,80%. A taxa básica Selic para o fim deste ano continuou em 12,25% e para o final do próximo ano permaneceu em 10,50%.
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Ibovespa tem queda modesta com Powell sob holofotes
O Ibovespa teve uma queda modesta na segunda-feira, marcada pela repercussão da ameaça de acusação criminal contra o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, e receios sobre a autonomia do BC norte-americano, enquanto, na cena corporativa, Vamos disparou mais de 8% após dados do quarto trimestre de 2025.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com variação negativa de 0,13%, a 163.150,35 pontos, após marcar 162.277,01 na mínima e 163.493,22 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$18,02 bilhões. No final do domingo, Powell disse que o Fed havia recebido intimações do Departamento de Justiça referentes a comentários que ele fez ao Congresso sobre os custos excedentes de um projeto de reforma de um prédio de US$2,5 bilhões no complexo da sede do Fed em Washington. Ele citou o movimento como “pretexto” do governo do presidente Donald Trump para tentar ganhar mais influência sobre as taxas de juros que o republicano quer reduzir drasticamente. Na visão do economista-chefe do Goldman Sachs, Jan Hatzius, a ameaça contra Powell reforça preocupações com a independência do banco central dos Estados Unidos. Ele afirmou, contudo, não ter dúvidas de que Powell tomará decisões com base nos dados econômicos e não será influenciado de uma forma ou de outra. Para o analista Nícolas Merola, da EQI Research, está havendo uma escalada de tensões entre o governo de Trump e o Fed, o que adiciona incerteza no cenário, principalmente sobre o posicionamento da autoridade monetária norte-americana em relação à inflação. Ele destacou que o mandato de Powell está próximo do final e que Trump já disse que tem como pré-requisito para o próximo candidato a comandar o Fed que ele seja mais “dovish”, mais leniente com a inflação e, por consequência, tenha uma tendência ou uma visão de queda da taxa básica de juros. A oscilação discreta do Ibovespa ocorre após uma semana positiva, a primeira completa do ano, com alta de 1,76%, quando voltou a superar os 164 mil pontos no melhor momento. Em 2025, ano marcado por novas máximas históricas, acumulou uma valorização de quase 34%, melhor desempenho anual desde 2016. Estrategistas do Bank of America elevaram a recomendação das ações brasileiras a “overweight” em seu portfólio de América Latina, conforme relatório na segunda-feira, destacando que o país está na direção de um ciclo de queda de juros acentuado, possivelmente começando no primeiro trimestre do ano.
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Projeção para inflação este ano no Focus cai a 4,05%
Os especialistas consultados pelo Banco Central fizeram apenas pequenos ajustes em suas projeções econômicas na pesquisa Focus divulgada na segunda-feira, vendo a inflação ligeiramente mais baixa este ano.
O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou que a expectativa para a alta do IPCA em 2026 caiu 0,01 ponto percentual, a 4,05%. Para 2027 permanece projeção de inflação de 3,80% ao final do ano. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. A inflação no Brasil acelerou em dezembro a 0,33%, mas ainda encerrou 2025 abaixo do teto da meta, com uma taxa de 4,26%, consolidando um processo de desinflação no país apesar da pressão do setor de serviços. Os analistas no Focus seguem vendo o início dos cortes da taxa de juros em março, com uma redução de 0,5 ponto percentual na Selic, atualmente em 15%. Também não houve mudanças nas expectativas de que a taxa básica terminará 2026 em 12,25% e 2027 a 10,50%. Para o Produto Interno Bruto (PIB), as estimativas de crescimento permaneceram em 1,80% tanto este ano quanto no próximo.
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Tesouro piora projeções para dívida pública e prevê trajetória de alta até 2032
O Tesouro Nacional piorou significativamente suas projeções para a dívida pública bruta do Brasil, diante do nível elevado dos juros no país, prevendo uma trajetória de alta no endividamento até 2032, quando chegaria a 88,6% do PIB, segundo novas estimativas divulgadas na segunda-feira.
Em seu relatório de projeções fiscais, a secretaria estimou que a dívida bruta subirá a 83,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no fechamento deste ano, contra uma previsão de 79,3% do PIB em 2025. A pasta estimou que o pico da dívida bruta será de 88,6% do PIB em 2032, passando a cair sutilmente nos anos seguintes. Em 2035, último ano da projeção, o patamar ficaria em 88,0% do PIB. A previsão do relatório anterior, de julho do ano passado, previa um pico mais baixo, de 84,3% do PIB em 2028, caindo gradualmente até atingir 82,9% do PIB em 2035. O novo documento apontou que a piora “se explica, principalmente, pelo nível dos juros nominais, que seguem pressionando a dívida nos anos seguintes”. “As expectativas de resultados primários positivos e de redução dos juros/PIB serão determinantes para assegurar a trajetória de queda da dívida bruta do governo geral/PIB no médio prazo para além das estimativas feitas no cenário de referência deste relatório”, afirmou. O Banco Central tem mantido a taxa Selic em 15% ao ano desde junho do ano passado, patamar mais alto em quase duas décadas, ainda sem dar sinal de quando poderá iniciar um ciclo de redução dos juros. O nível dos juros básicos impacta diretamente o endividamento do governo porque aproximadamente metade do estoque de títulos públicos do país usa a Selic como referência para remunerar os investidores.
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Balança comercial brasileira tem superávit de US$ 4,11 bi nas duas primeiras semanas de janeiro
O valor é resultado de US$ 9,96 bilhões em exportações e US$ 5,85 bilhões em importações, no período
A balança comercial registrou superávit de US$ 4,11 bilhões nas duas primeiras semanas de janeiro, período com seis dias úteis. O valor é resultado de US$ 9,96 bilhões em exportações e US$ 5,85 bilhões em importações, no período, informou a Secretaria do Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/Mdic). A média diária de exportações (US$ 1,66 bi) avançou 43,8% nas duas primeiras semanas de janeiro, quando comparadas ao mesmo mês de 2025. A alta foi impulsionada pelas vendas externas da indústria extrativa (+82,3%) e acompanhada pela agropecuária (+32,5%) e indústria de transformação (+27%). Já a média diária de importações até a segunda semana de janeiro (US$ 974,86 milhões) caiu 7%, quando comparada a janeiro do ano passado. A indústria extrativa puxou a queda nas compras (-34,6%), seguida por agropecuária (-26,2%) e indústria de transformação (-4,6%). Em dezembro, a balança registrou superávit de US$ 9,63 bilhões. Com isso, o superávit comercial do Brasil no ano passado foi de US$ 68,3 bilhões.
VALOR ECONÔMICO
CARNES
Mercosul-UE: carnes ganham com acordo, mas impactos são distintos entre bovinos, aves e suínos
Acordo deve impulsionar as exportações do setor entre 5,1% e 19,7%, projeta Ipea; há expectativa para geração de vagas de emprego. Acordo amplia o valor da produção da agroindústria brasileira.
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) tende a gerar um impacto estrutural para o setor brasileiro de carnes, com efeitos distintos entre as cadeias de bovinos, aves e suínos. Segundo as simulações do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com o acordo o Brasil deverá registrar um crescimento de 19,7% nas exportações de carnes de suínos e aves e de 5,1% nas exportações de carne bovina nos próximos anos. Apenas o setor de carne bovina, por exemplo, adicionaria algo em torno de US$ 521 milhões ao saldo da balança comercial do setor, enquanto carnes de suínos e aves podem responder por cerca de US$ 2,57 bilhões. No caso da carne bovina, o acordo prevê uma cota de 99 mil toneladas em peso carcaça, dividida entre 55% de carne resfriada e 45% congelada, com tarifa intraquota de 7,5% e crescimento gradual ao longo de seis etapas. Além disso, a Cota Hilton, que estabelece um volume limite de exportação de 10 mil toneladas, terá a tarifa reduzida de 20% para zero com a entrada em vigor do acordo. Para Fernando Iglesias, economista e analista da Safras & Mercado, o impacto não será tanto quantitativo, mas qualitativo. “Não é um acordo para explosão de volume e sim de arrecadação, já que estamos falando de cortes de maior valor agregado”, explica. A análise é reforçada pelo atual contexto europeu. O especialista explica que a União Europeia enfrenta um cenário deficitário de rebanho, o que tende a elevar a necessidade de importações no curto prazo. “Isso deve permitir ao Brasil avançar em vendas já no curtíssimo prazo, mesmo com a concorrência da Argentina que também faz parte do acordo”, indica. Os números do Ipea reforçam a perspectiva. Segundo o instituto, o valor da produção da carne bovina no Brasil deve crescer 1% com o acordo, enquanto, na União Europeia, há retração de 1,5%. Se na carne bovina o ganho é de valor, na carne de aves o ganho é de volume. O acordo estabelece uma cota de 180 mil toneladas, com tarifa zero, divididas igualmente entre cortes com osso e desossados. Conforme noticiado pelo Agro Estadão, ao comemorar a ratificação por parte da maioria dos países europeus, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) destacou que o principal ganho do tratado é, justamente, “a criação de um novo contingente tarifário adicional de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa”, a ser compartilhado entre os países do Mercosul e implantado de forma gradual ao longo de seis anos. Diante de um mercado marcado por episódios recorrentes de influenza aviária de alta patogenicidade na Europa e nos Estados Unidos, o Brasil surge como fornecedor estratégico. “É um volume importante, que vai ajudar a motivar as vendas e ampliar a presença brasileira no mercado europeu”, afirma Iglesias. Para a carne suína, o impacto tende a ser mais restrito, uma vez que a Europa é um dos maiores produtores e exportadores globais da proteína de porco, com destaque para a Espanha e Alemanha. Assim, mesmo que o acordo preveja uma cota de 25 mil toneladas, com tarifa intraquota de € 83 por tonelada, os efeitos esperados na cadeia são mais limitados frente à carne bovina e de aves. “Eu não vejo grandes mudanças para a carne suína brasileira. A União Europeia é extremamente competitiva nesse mercado”, avalia Iglesias. Porém, isso não significa que não haverá ganhos. Com o provável aumento de demanda, o setor de carnes de suínos e aves deve registrar um crescimento de 8,9% no nível de emprego no Brasil, conforme os dados do Ipea. No valor da produção, o avanço brasileiro chega a 9,2%, contra queda de 2,4% no bloco europeu. No agregado, o acordo Mercosul–União Europeia amplia o valor da produção da agroindústria brasileira em US$ 10,9 bilhões, segundo o Ipea, ao mesmo tempo em que reduz a produção europeia em vários segmentos agropecuários. Ainda assim, antes de entrar em vigor após a assinatura — prevista para 17 de janeiro, no Paraguai —, o acordo ainda precisa vencer etapas decisivas: aprovação no Parlamento Europeu — diante de protestos de agricultores europeus —, e ratificação nos Congressos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Ainda não há um prazo para que todos os processos sejam concluídos.
O ESTADO DE SÃO PAULO/AGRO
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