
Ano 8 | nº 1796 | 12 de agosto de 2022
NOTÍCIAS
Boi: férias coletivas em frigoríficos deixam cotações em queda
De acordo com o analista Fernando Henrique Iglesias, a sequência negativa de informações aumentou o pessimismo no mercado do boi
O mercado físico de boi gordo registrou queda na quinta-feira (11). De acordo com o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a sequência negativa de informações aumentou o pessimismo em torno do comportamento do mercado no decorrer da segunda quinzena de agosto. “Muitos frigoríficos estão ausentes da compra de gado, enquanto algumas unidades anunciaram férias coletivas. Com uma posição confortável das escalas de abate aumenta a possibilidade de intensificação deste movimento no curto prazo”, diz Iglesias. Em São Paulo (SP), a referência para a arroba do boi ainda teve preço de R$ 303. Já em Dourados (MS), os preços reduziram a R$285. Em Cuiabá (MT) a arroba de boi gordo caiu e foi cotada em R$ 280. Simultaneamente, em Uberaba (MG), houve queda novamente, e a arroba voltou a R$290. Em Goiânia (GO), os preços do boi fecharam o dia em R$ 290 a arroba. O mercado atacadista operou com preços estáveis. A tendência de curto prazo remete à queda dos preços ao longo da segunda quinzena do mês, período que conta com menor apelo ao consumo. Os frigoríficos sinalizam para uma posição confortável em seus estoques, o que amplia a possibilidade de queda dos preços. O quarto dianteiro do boi continuou com preço de R$ 16,80, assim como a ponta de agulha também continuou cotada a R$ 16,75. O quarto traseiro do boi mantém-se em R$ 22 por quilo.
AGÊNCIA SAFRAS
Compradores ausentes nas praças paulistas resultam em preços estáveis
Com o mercado ainda surpreso com a decisão de algumas plantas frigoríficas do país anunciarem férias coletivas, grande parte dos compradores permaneceram fora das compras e, aqueles que estiveram presentes, sinalizaram preços menores em relação ao dia anterior (10/8)
Assim, após as quedas do dia anterior, as praças paulistas abriram estáveis, mas com expectativa de queda para os próximos dias. Em Goiânia-GO, com a oferta ajustada à demanda na região, os preços do boi, vaca e novilha gordos permaneceram estáveis. No Norte de Mato Grosso, com o impacto do anúncio de férias coletivas em três grandes plantas frigoríficas do estado, houve queda de R$2,00/@ de boi e vaca gordos. Nas praças do interior de São Paulo, a cotação do macho terminado destinado ao mercado interno (sem prêmio-exportação) já recuou R$ 4/@ ao longo desta semana, chegando a R$ 300/@ (valor bruto e a prazo), segundo dados da Scot Consultoria. No mesmo período de comparação, a cotação do boi-China (abatido mais jovem, com até 30 meses de idade) acumulou queda de R$ 5/@, atingindo R$ 310/@ no mercado paulista, informa a Scot. Os preços das fêmeas gordas também caíram durante a semana, e hoje são negociadas nas praças de São Paulo a R$ 278/@ (vaca) e R$ 292/@ (novilha), no prazo, relata a Scot. Os analistas do mercado também destacam a retração dos preços do boi gordo nas praças do Mato Grosso, o Estado com o maior rebanho bovino de corte do País. Nas contas da Scot, a referência média para o animal terminado nas regiões matogrossenses caiu R$ 5,50/@ ao longo da semana, “refletindo o impacto do anúncio de férias coletivas em três grandes plantas frigoríficas presentes no Estado”. Só na quinta-feira, as cotações do macho terminado e a vaca gorda recuaram R$ 2/@ nas praças do MT, chegando, respectivamente, em R$ 284/@ e R$ 268/@ (valores bruto e a prazo), informa a Scot, acrescentando que a novilha gorda ofertada na mesma região está cotada em R$ 276/@.
SCOT CONSULTORIA
Abate de bovinos cresceu 2,7% no 2º trimestre de 2022, diz IBGE
O abate de bovinos somou 7,322 milhões de cabeças no país de abril a junho, aumento de 2,7% ante igual período de 2021, segundo dado que consta nas “Pesquisas Trimestrais do Abate de Animais, do Leite, do Couro, e da Produção de Ovos de Galinha: Primeiros resultados para o segundo trimestre de 2022”, divulgadas ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
Na comparação com o primeiro trimestre, o crescimento foi de 5,2% no abate de bovinos. O IBGE informou ainda que houve produção de 1,929 milhão de toneladas de carcaças bovinas no segundo trimestre. O volume representa uma alta de 2,3% frente ao segundo trimestre de 2021. Em relação ao primeiro trimestre, houve incremento de 5,1%. O instituto divulgou também dados sobre os curtumes investigados, que declararam ter recebido 7,41 milhões de peças inteiras de couro cru no segundo trimestre, com recuo de 2% em comparação ao segundo trimestre de 2021 e aumento de 4% em relação ao primeiro trimestre deste ano. A Pesquisa Trimestral do Couro investiga os curtumes que efetuam curtimento de pelo menos 5 mil unidades inteiras de couro cru bovino por ano.
VALOR ECONÔMICO
Boi/Cepea: Preço médio da carne bovina é o menor desde out/19
O preço médio da carne bovina (carcaça casada), negociada no mercado atacadista da Grande São Paulo, está em R$ 20,20/kg na parcial de agosto (até o dia 9), conforme apontam dados do Cepa.
Essa média é 2,13% inferior à de julho deste ano, 7,74% abaixo da de agosto/21 e, também, a menor, em termos reais, desde outubro de 2019, quando esteve em R$ 17,95/kg (os valores médios mensais foram deflacionados pelo IGP-DI). Segundo pesquisadores do Cepea, a oferta de animais para abate seguiu baixa ao longo deste ano e as exportações, aquecidas. Assim, o cenário de desvalorização da carne está atrelado ao baixo consumo da proteína bovina no mercado brasileiro, devido ao fragilizado poder de compra da população nacional, sobretudo em decorrência da elevada inflação. No acumulado deste ano (entre dezembro/21 e a parcial de agosto/22), a carcaça casada bovina registra desvalorização de 8,31%, em termos reais.
Cepea
Participação de bovinos machos no abate aumenta em Mato Grosso
A participação de animais jovens no abate, tanto nas faixas entre 12 e 24 meses e entre 24 e 36 meses de idade, aumentou em Mato Grosso. O incremento registrado foi de 9,77% e 13,56%, respectivamente, no comparativo entre os meses de junho e julho deste ano
Os dados constam no boletim do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). No mês de julho foram abatidos 54.240 animais entre 12 e 24 meses de idade, além de 194.326 entre 24 e 36 meses. O abate de machos de outras faixas etárias, como de 4 a 12 meses e com mais de 36 meses, também registraram aumento. No total, somente o abate de machos totalizou 275 mil cabeças em julho, um incremento de 10,64% no comparativo com o mês anterior. Em contrapartida, a oferta de fêmeas recuou 4,98% ante o mês de junho. O diretor-técnico da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Francisco Manzi, explica que nesta época do ano o abate é composto significativamente de machos mais jovens do que de fêmeas, uma vez que as vacas que não conceberam durante a estação de monta já foram abatidas durante o mês de março. Além disso, segundo Manzi, a utilização de suplemento alimentar tem permitido que os animais consigam atingir o peso ideal mais rapidamente, o que permite o abate dos animais mais jovens. “Mesmo que a intenção de confinamento seja mais tímida do que nos anos anteriores, a utilização de suplementação de animais a pasto, quer na recria (RIP), quer na terminação (TIP), tem sido cada vez mais comum entre os recriadores e invernistas. Isso explica a redução da idade de abate bastante significativa”, conclui Manzi. Em números absolutos, o abate total de bovinos em Mato Grosso, incluindo machos e fêmeas, foi de 462,17 mil cabeças de animais durante o mês de julho, o que é 3,74% superior ao registrado em junho.
Acrimat
ECONOMIA
Dólar tem maior alta em mais de 1 semana com mercado vendo juro mais alto nos EUA
O dólar deu um salto na quinta-feira, acompanhando de perto a recuperação da moeda no exterior e a piora em medidas de risco em meio a dúvidas sobre uma diminuição do ritmo de altas de juros nos EUA
A cotação à vista subiu 1,46%, a 5,1597 reais, maior alta percentual diária desde o último dia 2 (1,93%). Os menores níveis do dólar foram tocados ainda pela manhã, quando dados de preços ao produtor nos EUA surpreenderam com deflação em julho. O relatório veio apenas um dia depois de a inflação ao consumidor do país em julho ter ficado zerada na base mensal. Ambos ofereceram a investidores esperanças de que o Fed (o banco central dos EUA) pudesse amenizar a velocidade do aperto monetário. Contudo, autoridades do banco central jogaram água fria nessa expectativa, deixando claro que o Fed ainda está longe de declarar vitória contra a alta dos preços e que a inflação segue inaceitavelmente alta. O índice do dólar frente a uma cesta de moedas praticamente zerou toda a queda de 0,56% registrada mais cedo, à medida que as taxas dos títulos do Tesouro norte-americano viraram para cima e as ações em Wall Street apagaram fortes ganhos de mais cedo. O índice Nasdaq –composto por empresas que sentem mais as altas de juros– subiu 1,33% na máxima, mas sofreu uma virada e terminou o pregão em queda preliminar de 0,58%. “O dólar está no mundo em patamar mais alto, o movimento do Fed está mais forte, existe uma reprecificação na curva de juros dos EUA. (…) Na margem os vetores para o dólar aqui vêm mais lá de fora, por isso estamos em processo de revisão de cenário para o dólar”, disse Arthur Mota, economista do BTG Pactual. O BTG espera, por exemplo, que a Fed fund alcance cerca de 4% ao fim do ciclo, contra expectativa geral do mercado em torno de 3,6%. O banco calcula uma alta de 0,50 ponto percentual no juro norte-americano em novembro, ante estimativas do mercado de 0,25 ponto.
REUTERS
Ibovespa sucumbe à realização de lucros e cai após 7 altas
O Ibovespa fechou em baixa na quinta-feira, encerrando uma série de sete pregões em alta, com BRF e Petrobras puxando o movimento de realização de lucros em sessão repleta de balanços corporativos brasileiros
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,28%, a 109.925,86 pontos, segundo dados preliminares. O volume financeiro somava 31 bilhões de reais. No melhor momento do dia, o principal índice da bolsa paulista alcançou 111.309,64 pontos, máxima intradia em mais de dois meses, o que chegou a ampliar a alta acumulada no mês a quase 8%. Nos sete pregões anteriores, o Ibovespa contabilizou ganho de 7,8%.
REUTERS
Setor de serviços do Brasil cresce 0,7% em junho, diz IBGE
O volume do setor de serviços do Brasil cresceu 0,7% em junho em relação ao mês anterior e teve alta de 6,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira. As expectativas em pesquisa da Reuters eram de avanços de 0,5% na comparação mensal e de 6,1% na base anual.
REUTERS
Exportação/Cepea: receita com exportações do agro é recorde no 1º semestre
O forte crescimento da demanda mundial por alimentos e energia tem elevado os preços de produtos do agronegócio desde o início de 2021. Em 2022, a guerra na Ucrânia agravou o quadro de oferta e demanda, que já estava apertado por conta da pandemia, que, vale lembrar, levou à redução das operações entre os países produtores, com consequentes desarranjos nas cadeias globais de valor e aumento no frete marítimo
O cenário de preços em forte alta no mercado internacional garantiu ao agronegócio brasileiro, importante exportador mundial de alimentos e energia, sucessivos recordes de receitas nas vendas externas. Pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, realizadas com base em dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Economia), mostram que, de janeiro a junho de 2022, o volume exportado pelo agronegócio nacional recuou 1% frente ao mesmo período do ano anterior, mas os preços em dólar subiram 28%. O faturamento somou US$ 79 bilhões no primeiro semestre, sendo 26% acima do registrado no mesmo período de 2021 e um recorde. Mesmo diante de faturamento em dólar recorde, em moeda nacional, a receita real não apresentou o mesmo desempenho, devido ao processo inflacionário observado no Brasil ao longo do primeiro semestre de 2022. A alta do preço real em Reais no primeiro semestre de 2022 frente ao mesmo período de 2021 se limitou a aproximadamente 6%. Quanto aos produtos exportados pelo agronegócio nacional de janeiro a junho deste ano, os do complexo da soja continuam liderando o desempenho do setor. A soja em grão e seus derivados representaram quase 48% do faturamento externo do agronegócio no primeiro semestre de 2022, seguidos por carnes, produtos florestais, café e os do complexo sucroalcooleiro. Do lado comprador, o destaque foi a China, como esperado (representando 35% do faturamento externo do agronegócio), seguida pela União Europeia e pelos Estados Unidos (com 16% e 6,5%, respectivamente). Nos primeiros seis meses de 2022, a participação do agronegócio no saldo comercial do País foi de 48%, superando a participação obtida no mesmo período de 2021. Com esse resultado, a balança comercial do setor (exportações menos importações de produtos agrícolas) ficou positiva, em mais de US$ 70 bilhões, compensando o déficit comercial dos outros setores da economia brasileira e contribuindo para um superávit comercial de mais de US$ 30 bilhões. As atenções neste segundo semestre estão voltadas ao andamento da safra no Hemisfério Norte. A colheita nos Estados Unidos e a evolução dos embarques dos grãos ucranianos terão papel crucial na contenção da escalada dos preços dos alimentos – que, ressalta-se, já tem mostrado certa desaceleração.
Cepea
Safra 2022 baterá recorde e será 4% maior que a do ano passado, estima IBGE
Levantamento aponta produção de 263,4 milhões de toneladas na safra atual, 10,2 milhões de toneladas a mais do que em 2021
A safra agrícola de 2022 deverá totalizar 263,4 milhões de toneladas, alta de 4% em relação ao resultado de 2021, o equivalente a 10,2 milhões de toneladas a mais, conforme o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de julho, divulgado na quinta-feira, 11, pelo IBGE. Se confirmada, será uma safra recorde. Em relação ao LSPA de junho, a projeção para a produção agrícola de grãos em 2022 foi ajustada para cima, com alta de 0,8%. Além disso, os produtores brasileiros deverão colher 73 milhões de hectares na safra agrícola de 2022, alta de 6,4% em relação à área colhida em 2021, o equivalente a 4,4 milhões de hectares a mais.
O Estado de São Paulo
EMPRESAS
Marfrig dribla impacto de BRF e EUA e garante meio bilhão de dividendos
Companhia também aprovou um programa de recompra de ações que pode chegar a R$ 480 milhões
No primeiro balanço como controladora da BRF, a Marfrig Global Foods surge como uma gigante de R$ 140 bilhões em vendas anuais, o que a coloca entre as cinco maiores empresas do Brasil. Mesmo com o prejuízo da dona da Sadia, a firma de Marcos Molina fechou o segundo trimestre no azul e vai distribuir R$ 500 milhões em dividendos. Também aprovou um programa de recompra de ações que pode chegar a R$ 480 milhões. A Marfrig entregou um lucro líquido de R$ 4,2 bilhões no trimestre, mas esse número não retrata o resultado operacional por incluir um efeito contábil de R$ 3,8 bilhões na mudança de tratamento do investimento na BRF, que passou a ser consolidada no balanço. Antes, os R$ 9 bilhões que a Marfrig investiu na dona da Sadia eram marcados a mercado pelo preço da ação. Desconsiderando esse efeito, a Marfrig teve um lucro de R$ 374 milhões. Esse montante é composto por um ganho de R$ 560 milhões na operação de carne bovina (na prática, a operação da companhia antes da consolidação) e um prejuízo de R$ 186 milhões na BRF, que reflete a fatia acionária da 33% que a Marfrig possui na empresa. Para uma comparação histórica que faça sentido, o lucro da Marfrig excluindo a BRF caiu 67% no segundo trimestre, saindo de R$ 1,7 bilhão no mesmo período do ano passado para os R$ 560 milhões. A queda reflete a normalização das margens da National Beef, que estava em níveis muito acima da média no ano passado. Como ocorreu com as demais empresas americanas de carne bovina, a National viu sua margem Ebitda recuar no trimestre, passando de históricos 24,3% a 13,4%. No trimestre, o Ebitda consolidado (que considera a BRF) atingiu quase R$ 4 bilhões, alta de 1,6%. Nesse caso, a inclusão da dona da Sadia ajuda. Só na National, o Ebitda caiu 49,6%, para R$ 1,9 bilhão. No negócio de carne bovina na América do Sul, o Ebitda aumentou 275% puxado pela maior oferta de gado e pelos preços maiores da carne exportada, totalizando R$ 678 milhões. “Se você olhar a média do mercado, nós vendemos acima dela”, disse o CEO da Marfrig, Miguel Gularte. Na região, 77% da receita veio da exportação. Em receita, a Marfrig cresceu graças à entrada da BRF nos resultados e à melhora dos negócios de carne bovina na América do Sul. Ao todo, o faturamento líquido aumentou 67,6% no trimestre, alcançando R$ 34,5 bilhões. Nessa mesma base de comparação, a receita da National Beef diminuiu 6,9% (para R$ 14,5 bilhões) ao passo que o negócio de carne bovina na América do Sul cresceu 41,6% (R$ 7,1 bilhões). A BRF contribuiu com R$ 12,9 bilhões, mas não há base de comparação já que a Marfrig não controlava a dona da Sadia no segundo trimestre do ano passado. Na estrutura de capital, a consolidação da BRF não arranhou tanto o índice de endividamento da Marfrig, que permanece em níveis considerados saudáveis pela empresa. Excluindo a BRF, a alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) teria aumentado de 1,36 vez para 1,67 vezes, o que é explicado pela queda do Ebitda da National Beef. Ao incluir a BRF, o índice de alavancagem passa para 2 vezes. Em entrevista coletiva, os principais executivos da Marfrig traçaram as perspectivas para os próximos meses. Nos Estados Unidos, a normalização das margens deve se tornar a tônica. “Não vemos uma grande mudança nas perspectivas de rentabilidade, a despeito dos efeitos sazonais”, disse Tim Klein, CEO da National Beef. Na América do Sul, por outro lado, o cenário é amplamente positivo, com a melhora das margens e a ampla oferta de gado no Brasil. “Tudo indica que vai continuar assim até 2024”, disse Gularte, fazendo coro às perspectivas positivas traçadas na véspera pela rival Minerva Foods. Para a Marfrig, também há o benefício da recuperação do food service.
VALOR ECONÔMICO
Lucro líquido da JBS caiu 9,8% no 2º trimestre
Resultado da maior empresa de proteínas animais do mundo alcançou R$ 3,9 bilhões
Na maior indústria de carnes do planeta, o efeito negativo da normalização das margens no negócio de carne bovina dos EUA começou a aparecer. No segundo trimestre, a brasileira JBS reportou um lucro líquido de R$ 3,9 bilhões, redução de 9,8% ante o mesmo período do ano passado. A magnitude da queda, no entanto, mostra a força que a diversificação regional e de proteínas tem para a JBS. Enquanto a Marfrig viu o lucro operacional cair 67%, o conglomerado dos irmãos Batista contou com os negócios de carnes de frango e suína nos Estados Unidos, e com a melhora das operações de carne bovina no Brasil e na Austrália, para aliviar o efeito. “Essa diversificação permite que a volatilidade do resultado seja muito menor, o que é uma vantagem competitiva tremenda”, disse ao Valor o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni. Além da diversificação de proteínas (bovinos, frangos, suínos, cordeiros e aquacultura), a companhia produz no Brasil, na América do Norte, na Europa e na Oceania, posição sem paralelo no segmento de proteína animal. A receita da JBS cresceu 7,7% no segundo trimestre, totalizando R$ 921 bilhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) — ajustado por itens não recorrentes — chegou a R$ 10,3 bilhões, queda de 11,5% (também um reflexo dos negócios de carne bovina nos EUA). Maior unidade de negócios da empresa, a JBS Beef North America teve uma receita líquida de R$ 5,5 bilhões no trimestre, alta de 2,7%. O Ebitda ajustado diminuiu 53,4%, para US$ 624 milhões, com a margem caindo 13,6 pontos, de 24,9% para 11,3%. Em contrapartida, as demais unidades de negócio melhoraram. Nos EUA, a Pilgrim’s Pride (de carne de frango) reportou um Ebitda de US$ 623 milhões, aumento de 67,7%. Por sua vez, o negócio americano de carne suína registrou um Ebitda de US$ 213 milhões, incremento de 33,8%. No Brasil, as duas divisões (Friboi e Seara) deixaram de ser penalizadas pela disparada de custos e contaram com a forte alta do preço das carnes de frango e bovina no mercado internacional para engordar as margens. No trimestre, a JBS Brasil (que inclui Friboi) teve uma receita de R$ 14,1 bilhões, avanço de 10,8%. O Ebitda chegou a R$ 803 milhões, praticamente dobrando. A margem do negócio de carne bovina no Brasil passou de apenas 3,4%, no segundo trimestre do ano passado, para 5,7%. No caso da Seara, a receita líquida aumentou 19,5%, chegando a R$ 10,7 bilhões no segundo trimestre. Nesse mesmo período, o Ebitda atingiu R$ 1,5 bilhões, aumento de 86,2%. Com isso, a margem chegou a 14,1%, aumento de cinco pontos percentuais. Em comparação, a BRF teve uma margem Ebitda ajustada de 10,6%. Financeiramente, a JBS manteve o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda) em patamar confortável, afirmou Guilherme Cavalcanti, CFO do grupo. No trimestre, o indicador chegou a 1,64 vez, um ligeiro aumento em relação ao patamar de 1,36 vez registrado no fim de março. Esse aumento é um reflexo da dívida líquida maior. De acordo com Cavalcanti, a JBS chegou ao menor custo de dívida de sua história no segundo trimestre, de 4,4% ao ano. A melhora reflete a estrutura de capital da JBS, com as dívidas alongadas, e à conquista do grau de investimento conferido pelas três maiores agências de rating (S&P, Moody’s e Fitch). O executivo vê espaço para subir a nota de crédito da empresa em mais um nível, o que permitiria o acesso aos “commercial papers”, uma linha de crédito nos EUA que é 1 ponto percentual mais barata. Desde 2020, a companhia fez mais de R$ 11 bilhões em investimentos orgânicos (só no segundo trimestre foram R$ 1,5 bilhão) e R$ 12,3 bilhões em aquisições. Ao mesmo tempo, a JBS recomprou R$ 14,7 bilhões em ações e pagou cerca de R$ 11 bilhões em dividendos. Mesmo nesse ritmo, os números mostram que as ações da JBS continuam negociadas com um desconto relevante sobre a americana Tyson Foods. Enquanto os papéis da brasileira são negociados a um múltiplo (EV/Ebitda) de 3,1 vezes, a Tyson negocia a 6,7 vezes. Em doze meses, o Ebitda da JBS chegou a US$ 9,1 bilhões, e o da Tyson encostou em US$ 6 bilhões. Na bolsa brasileira, as ações da JBS caíram 15,2% de janeiro até agora, com os investidores já antecipando uma queda de margens no negócio de carne bovina nos Estados Unidos. A companhia está avaliada em US$ 69 bilhões. A família Batista (48,8%) e o BNDES (20,8%) são os maiores acionistas do grupo.
VALOR ECONÔMICO
FRANGOS & SUÍNOS
Suínos: preços se sustentam
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF ficou estável em R$ 135,00/R$ 140,00, enquanto a carcaça especial aumentou o preço em até 0,96%, valendo R$ 10,00/R$ 10,50 o quilo
Na cotação do animal vivo, conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quinta-feira (10), houve aumento de 0,28% em São Paulo, chegando em R$ 7,21/kg, e de 0,13% em Minas Gerais, alcançando R$ 7,66/kg. Ficaram estáveis os preços no Paraná, custando R$ 6,48/kg, R$ 6,40/kg no Rio Grande do Sul e R$ 6,38/kg em Santa Catarina. Esta quinta-feira (11) se mostrou positiva para o setor da suinocultura independente, trazendo preços melhores nos principais Estados que comercializam os animais nesta modalidade.
Cepea/Esalq
Abate de suínos avança 6,6%
Entre abril e junho ante igual trimestre em 2021, o abate de suínos avançou 6,6% para 13,999 milhões de cabeças
Na comparação com o primeiro trimestre do ano houve aumento de 2,6%. O peso acumulado das carcaças de suínos chegou a 1,3 milhão de toneladas no segundo trimestre, com aumento de 6% em relação a igual período de 2021 e incremento de 4,5% na comparação com o primeiro trimestre deste ano.
VALOR ECONÔMICO
Suinocultura independente: preços em alta nas principais praças
Segundo o Cepea, o aumento das compras de novos lotes de animais para abate devido à maior demanda doméstica, e a oferta mais controlada têm impulsionado os valores
No Paraná, em relação a média semanal (entre os dias 03/08/2022 a 10/08/2022), o indicador do preço do quilo vivo do Laboratório de Pesquisas Econômicas em Suinocultura (Lapesui) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) teve alta 3,16%, fechando a semana em R$ 6,52/kg. “Espera-se que na próxima semana o preço do suíno vivo apresente queda, podendo ser cotado a R$ 6,34/kg”, informou. São Paulo registrou alta, saindo de 7,47/kg vivo para R$ 7,73/kg vivo, com acordo entre suinocultores e frigoríficos, segundo informações da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS). No mercado mineiro, o preço subiu de R$ 7,70/kg vivo para R$ 8,00/kg vivo com acordo entre suinocultores e frigoríficos, conforme dados da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg). Em Santa Catarina, segundo dados da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), o preço do animal vivo também aumentou, passando de R$ 6,76/kg para R$ 6,94/kg vivo.
AGROLINK
Frango: mercado estável no PR E SC
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave na granja ficou estável em R$ 6,10/kg, enquanto o frango no atacado cedeu 0,39%, custando R$ 7,72/kg
Na cotação do animal vivo, São Paulo ficou sem referência de preço. Em Santa Catarina não houve mudança de preço, custando R$ 4,25/kg, nem no Paraná, valendo R$ 5,47/kg. Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quarta-feira (10), a ave congelada aumentou 0,87%, atingindo R$ 8,10/kg, enquanto o frango resfriado subiu 0,74%, custando R$ 8,12/kg.
Cepea/Esalq
Abate de Frango cai 2%
Foram abatidos no país 1,493 bilhão de frangos de abril a junho, o que representou quedas de 2% em relação a igual período de 2021 e de 3,4% na comparação com o primeiro trimestre deste ano, conforme o IBGE
O peso acumulado das carcaças foi de 3,625 milhões de toneladas no segundo trimestre, com aumento de 0,6% em relação a igual período de 2021 e recuo de 3,7% frente ao resultado do primeiro trimestre de 2022. Ainda conforme o IBGE, a produção de ovos de galinha somou 992,4 milhões de dúzias no país de abril a junho, em queda de 0,6% ante igual trimestre de 2021. Na comparação com o primeiro trimestre de 2022, contudo, houve aumento de 1,6%.
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