
Ano 8 | nº 1738 | 23 de maio de 2022
NOTÍCIAS
Cotações fecharam estáveis na sexta-feira
Em SP, o boi gordo segue valendo R$ 308/@, enquanto a vaca e a novilha gordas saem por R$ 275/@ e R$ 304/@, respectivamente, segundo a Scot Consultoria
Levantamento da sexta-feira realizado pela equipe da Scot Consultoria apontou calmaria nas praças de São Paulo, resultado do avanço das escalas de abate, o que possibilita aos compradores ativos ofertarem preços abaixo da referência. Na comparação com quinta-feira (19/5), as cotações permaneceram estáveis nesta sexta-feira, com o boi gordo paulista valendo R$ 308/@, enquanto a vaca e a novilha gordas são negociadas por R$ 275/@ e R$ 304/@, respectivamente (preços brutos e a prazo), de acordo os dados da Scot.
Scot Consultoria
Boi confinado está engordando com mais rapidez no Brasil, diz estudo
Eficiência de confinadores melhorou no país entre 2017 e 2021
Estudo da Cargill mostra que o confinamento de gado no Brasil ficou mais eficiente nos últimos anos. Os animais estão ganhando peso com mais rapidez e precisam comer menos matéria seca para isso, indica o sexto Benchmarking Confinamento Probeef, para o qual a empresa consultou 120 estabelecimentos e analisou informações de 1,1 milhão de animais. Em 2021, o ganho médio de peso foi de 1,526 quilos por dia, um aumento de 2,4% em relação a 2017. Em rendimento de carcaça, o incremento foi de 2,45%, para 1,041 quilos. A melhoria da conversão alimentar foi de 1,67% – para produzir um quilo de carne, o boi ingeriu 6,93 quilos de matéria seca. “Esses números apontam que a inovação e a sustentabilidade têm tido a tecnologia e a gestão como fortes aliados e isso favorece tanto a produtividade quanto a qualidade no confinamento”, destaca Felipe Bortolotto, Gerente de tecnologia para gado de corte da Cargill.
VALOR ECONÔMICO
Fiscais agropecuários podem aprovar greve
Categoria votará indicativo de paralisação
O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) vai realizar uma assembleia geral extraordinária nesta semana para votar um indicativo de greve. A categoria, que está em nova operação-padrão, busca reestruturação da carreira e melhorias salariais. A proposta de realização da reunião foi levada pelo Comando Nacional de Mobilização (CNM) da categoria e aprovada pelo Conselho de Delegados Sindicais na quinta-feira por unanimidade. Os auditores alegam que os 1,6 mil servidores estão com os salários defasados, já que não recebem reajuste há cinco anos. A categoria é contra a proposta do governo de aumento salarial linear de 5%.
VALOR ECONÔMICO
Valor de exportação da carne bovina brasileira supera a casa dos US$ 6 mil/tonelada pela primeira vez
A tendência é que maio/22 supere o recorde de abril para a carne in natura, batendo algo em torno de US$ 6.300/toneladas, prevê Yago Travagini, analista da Agrifatto
Os preços médios de exportação da carne bovina brasileira in natura oscilam acima do patamar de US$ 6.000/tonelada, relatam ao Portal DBO o economista Yago Travigini, da Agrifatto, e o médico veterinário Hyberville Neto, diretor da HN Agro. Ambos os analistas se referem os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), computados em abril/22 e durante as duas semanas deste mês de maio. “O consolidado dos preços de abril/22 já foi recorde histórico ao atingir US$ 6.209/tonelada e a tendência é que maio/22 supere esse recorde, batendo algo em torno de US$ 6.300/toneladas”, prevê Travagini. Na avaliação de Hyberville Neto, os avanços nos valores médios foram puxados sobretudo pelos importadores da China e da União Europeia, que neste ano seguem pagando preços bem mais altos pela nossa carne fresca. “Tomando como base os dez primeiros dias úteis de maio/22, o preço médio da tonelada da carne bovina in natura brasileira já está acima de US$ 6.300/tonelada (considerando a média diária)”, observa Neto. Segundo Travagini, a redução na produção de carne bovina norte-americana e australiana pesou sobre as cotações internacionais da proteína. “Trata-se de um efeito global, ou seja, não é só a carne bovina brasileira que está se valorizando”, afirma o economista, acrescentando que o quadro inflacionário mundial também está contribuindo para o processo de valorização da proteína. Na opinião de Travagini, no curto e médio prazo, a tendência é de que o preço da carne bovina brasileira continue em um patamar próximo ao atual (em torno de US$ 6.000/tonelada), já que “não há perspectivas de grande redução de demanda internacional, nem mesmo de deflação”. No entanto, diante do retorno da Covid-19 na China, situação que resultou em medidas de isolamento social e, consequentemente, problemas logísticos, o preço pago pelos chineses pela carne importada (incluindo a brasileira) tende a se acomodar daqui para frente. Preços: Março/22 – US$ 5.900/tonelada); Setembro/21 – US$ 5.790/tonelada; Agosto/21 – US$ 5.680/tonelada; Jul/21 – US$ 5.428/tonelada
Secex/Agrifatto
Escalas de abate se mantém alongadas nas praças brasileiras
Com a chegada da onda de frio em diversas regiões brasileiras, os pecuaristas, preocupados com a piora das pastagens, aumentaram a oferta de boi gordo no mercado físico, informa a Agrifatto.
Com isso, as escalas de abate continuaram confortáveis para as indústrias frigoríficas. “Em todas as regiões acompanhadas pela Agrifatto, as programações permaneceram acima da média dos últimos 12 meses, enquanto a média nacional se encontra próxima dos 10 dias úteis”, relata Yago Travagini, economista e analista da consultoria paulista. Veja abaixo as programações de abate nas principais regiões do País, conforme o levantamento da Agrifatto desta sexta-feira, 20 de maio: São Paulo – As indústrias fecharam a sexta-feira com 12 dias úteis programados, recuo de 2 dias no comparativo entre as semanas. Pará – As escalas de abate se encontram na média de 13 dias úteis, 4 dias de queda no comparativo semanal. GO/MG/MS – Os frigoríficos presentes nesses três Estados encerraram a semana com as escalas na média de 10 dias úteis. As programações avançaram um dia em Goiás, 2 dias em Minas Gerais e 3 dias no Mato Grosso do Sul, no comparativo entre as semanas. TO/MT – As escalas estão próximas dos 8 dias úteis, com os frigoríficos tocantinenses recuando 2 dias e os mato-grossenses 1 dia no comparativo semanal. Rondônia – As indústrias locais se encontram com as escalas de abate na média de 7 dias úteis, sem alteração ante o que foi visto na semana passada.
Agrifatto
ECONOMIA
Dólar à vista fecha em queda de 0,98%, a R$4,8713 na venda
O dólar fechou em queda contra o real na sexta-feira, marcando sua segunda semana seguida no vermelho, movimento que especialistas disseram acompanhar o recuo recente da divisa norte-americana frente a picos em duas décadas no exterior
O dólar à vista registrou queda de 0,98%, a 4,8713 reais, seu menor patamar para encerramento desde 22 de abril (4,8065). A baixa veio depois de a moeda já ter recuado 1,24% na véspera, ajudando a consolidar uma desvalorização de 3,69% em relação ao fechamento da última sexta-feira –pior desempenho semanal do dólar desde o tombo de mais de 5% visto no período findo em 25 de março passado. Na B3, onde as negociações vão além das 17h (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 1,23%, a 4,8885 reais. Parte dos mercados apontou como fator de impulso para moedas arriscadas a notícia de que a China cortou uma taxa de juros de referência para hipotecas nesta sexta-feira –conforme tenta reanimar o setor habitacional e a economia –, já que a perspectiva de apoio à demanda do país asiático elevou o preço de várias commodities, como o minério de ferro. Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital, por sua vez, disse à Reuters que a queda do dólar nesta última semana refletiu principalmente o grande alinhamento do mercado doméstico ao internacional, onde o índice da moeda norte-americana contra uma cesta de rivais fortes recuou de picos em duas décadas atingidos mais cedo neste mês, acompanhando um arrefecimento dos rendimentos da dívida soberana dos Estados Unidos. Segundo o BofA, sinais de deterioração do crescimento da China em meio aos lockdowns da Covid-19 e a retórica mais agressiva do Federal Reserve no combate à inflação explicam o desempenho superior do dólar visto mais cedo em maio, com a recente liquidação da moeda norte-americana sendo de “natureza mais técnica”, um ajuste após salto expressivo. “Apesar de o posicionamento estar muito mais limpo nos mercados emergentes após a correção recente (para baixo no preço dos ativos locais) e muitas curvas já estarem precificando uma alta agressiva dos juros (nos Estados Unidos), esperamos que a volatilidade permaneça alta, pois os piores cenários, como estagflação nos EUA ou uma recessão global, não estão totalmente precificados”, alertou o BofA no relatório. Com o desempenho desta sessão o dólar passa a acumular queda de 12,6% contra o real em 2022, embora ainda esteja 5,7% acima do menor valor de encerramento deste ano, de 4,6075 reais, atingido no início de abril.
REUTERS
Ibovespa avança com commodities após China cortar juro
O principal índice da bolsa brasileira avançou nesta sexta-feira, impulsionado por ações ligadas a commodities, após anúncio de estímulos econômicos na China
O Ibovespa subiu 1,39%, a 108.487,88 pontos, e fechou a semana com alta de 1,46%, o segundo avanço semanal consecutivo. O volume financeiro foi de 27,8 bilhões de reais, em sessão de vencimento de opções sobre ações na B3. Para Enrico Cozzolino, sócio e head de análise da Levante, o mercado continua vendo uma migração de recursos de ações do setor de tecnologia e de “crescimento” – mais sensíveis às taxas de juros, porque demandam fortes investimentos – para papéis de commodities e petróleo, diante do cenário macroeconômico global de inflação elevada e alta dos juros. Nesse sentido, o anúncio de mais estímulos econômicos na China foi “mais um fator que acabou favorecendo as commodities”, diz Cozzolino, citando especificamente o minério de ferro. O país cortou nesta sexta-feira a taxa de referência de cinco anos para financiamentos imobiliários em nível maior do que o esperado com a expectativa de reanimar o setor habitacional. Os principais índices em Wall Street até abriram em forte alta, acompanhando o sentimento positivo na Europa e na Ásia devido aos estímulos chineses, mas viraram e chegaram a exibir queda firme. Ainda assim, eles voltaram a se recuperar no final do dia e fecharem próximos da estabilidade.
REUTERS
Exportações do agronegócio em abril alcançam US$ 14,86 bilhões
Valor pode ser explicado pela elevação dos preços dos alimentos no mercado internacional. Destaque foi para complexo soja, carnes e café. Volume caiu 13,2%
O número representa alta de 14,9% em relação a abril de 2021. De acordo com o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, a elevação dos preços dos alimentos no mercado internacional explica o incremento no valor das exportações, mesmo após queda no volume embarcado (-13,2%). O agronegócio brasileiro registrou 51,5% de market share sobre o total exportado pelo Brasil. Os produtos exportados que mais se destacaram no mês de abril foram os do complexo soja (óleo, grão e farelo), carnes bovina e de frango e café. As importações do setor foram de US$ 1,32 bilhão em abril (+14,8%), explicadas também pela expansão dos preços médios, que subiram 14,8%. O complexo soja (grãos, farelo e óleo) é o principal setor exportador do agronegócio brasileiro, com vendas de US$ 8,09 bilhões em abril deste ano. As exportações do setor foram influenciadas principalmente pela expansão dos preços médios de exportação, que subiram 41,4% em relação a 2021.As exportações de carne bovina registraram o valor recorde de US$ 1,10 bilhão em abril (+56,2%), com expansão do volume exportado (+22,1%) e do preço médio de exportação (+27,9%). A China também se destacou nas aquisições de carne bovina brasileira, com US$ 675,06 milhões (+118,3%) dos US$ 1,10 bilhão exportados. O montante representou 61,3% do valor total exportado. O segundo principal importador foram os Estados Unidos, com US$ 79,9 milhões (+22,7%). Nas exportações de carne de frango, o valor alcançado é recorde para toda a série histórica, com US$ 802,80 milhões (+34,3%). A quantidade exportada de carne de frango subiu 5,6%, enquanto o preço médio de exportação subiu 27,2% comparado a abril de 2021. Os principais países importadores foram: China (US$ 100,30 milhões; -1,1%); Emirados Árabes Unidos (US$ 90,16 milhões; +129,3%); Japão (US$ 84,49 milhões; +50,0%); e Arábia Saudita (US$ 76,43 milhões; +12,5%).
MAPA
FRANGOS & SUÍNOS
Mercado de suínos segue acumulando perdas
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF ficou estável em R$ 103,00/R$ 113,00, enquanto a carcaça especial cedeu 3,61%/3,45%, custando R$ 8,00 o quilo/R$ 8,40 o quilo
Na cotação do animal vivo, conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quinta-feira (19), houve leve alta somente no Paraná, na ordem de 0,61%, chegando em R$ 4,98/kg. Os preços ficaram estáveis em Minas Gerais, valendo R$ 6,27/kg, em São Paulo, precificado em R$ 5,88/kg e no Rio Grande do Sul, com R$ 5,15/kg. Houve queda apenas em Santa Catarina, de 2,16%, fechando em R$ 4,98/kg.
REUTERS
Preço do suíno independente tem queda de 35 centavos no RS
A Pesquisa Semanal da Cotação do Suíno, milho e farelo de soja no RS apontou, nesta sexta-feira (20), o preço de R$ 5,43 para o preço pago pelo suíno vivo ao produtor independente. A queda é de 35 centavos se comparado a semana anterior
O custo médio da saca de 60 quilos de milho ficou em R$ 89,33. Já o preço da tonelada do farelo de soja é de R$ 2.555,00 e da casquinha de soja é de R$ 1.167,50, ambos para pagamento à vista, preço da indústria (FOB). Agroindústrias e cooperativas – O preço médio na integração apontado pela pesquisa é de R$ 5,02. As cooperativas e agroindústrias apresentaram as seguintes cotações: Aurora/Cooperalfa R$ 5,10 (base suíno gordo) e R$ 5,20 (leitão 6 a 23 quilos), vigentes desde 09/02; Cooperativa Languiru R$ 5,20, vigente desde 14/02; Cooperativa Majestade R$ 5,10, vigente desde 09/02; Dália Alimentos/Cosuel R$ 5,20, vigente desde 08/02; Alibem R$ 4,10 (base suíno creche e terminação) e R$ 5,20 (leitão), vigentes desde 10/02, respectivamente; BRF R$ 5,30, vigente desde 09/02; Estrela Alimentos R$ 4,10 (base creche e terminação), vigente desde 08/02, e R$ 5,15 (leitão), vigente desde 09/02; JBS R$ 5,30, vigente desde 18/01; e Pamplona R$ 5,10 (base terminação) e R$ 5,20 (base suíno leitão), vigentes desde 09/02.
Acsurs
Aumento na oferta de carne suína pressiona preços
O aumento nos abates de suínos no Brasil no primeiro trimestre colaborou para elevar a oferta da carne no mercado e pressionar preços num cenário de baixa demanda, segundo informações divulgadas pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) e pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea)
O abate de suínos, em peso acumulado de carcaças, subiu 6,7% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, a 1,24 milhão de toneladas. Comparado ao quarto trimestre do ano passado, houve alta de 1,8% no volume abatido, segundo informações divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na semana passada. “Mantida esta média do primeiro trimestre para o restante do ano de 2022, projeta-se um aumento da produção da ordem de quase 2%, podendo chegar à marca de 5 milhões de toneladas”, disse a ABCS em nota. “Mas é pouco provável que este crescimento continue no mesmo ritmo, pois há indícios de que, desde o final do ano passado, houve redução de matrizes que certamente impactará a produção do segundo semestre deste ano com queda nos volumes produzidos.” A fraca demanda doméstica e o recuo no ritmo das exportações de carne suína em maio têm levado à forte queda nos preços da carne e de suínos nas praças acompanhadas pelo Cepea. O preço da carcaça suína especial caiu 8,9% no mês até quarta-feira (18), a R$ 9,14/kg. O valor do suíno vivo caiu entre 7,66% e 16,67% nas praças acompanhadas pelo Cepea.
ABCS
Cotações para o mercado do frango seguem esfriando
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave no atacado baixou 0,72%, cotada em R$ 6,90/kg, enquanto o frango na granja ficou estável em R$ 6,00/kg
Na cotação do animal vivo, São Paulo ficou sem referência de preço, em Santa Catarina, a ave ficou estável em R$ 4,11/kg, enquanto no Paraná houve queda de 3,81%, chegando em R$ 5,56/kg. Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quinta-feira (19), tanto o frango congelado como o resfriado ficaram estáveis, custando, respectivamente, R$ 7,64/kg e R$ 7,65/kg.]
REUTERS
Novo PL preocupa a cadeia de aves e suínos
Proposta suspende PIS e Cofins sobre venda do cereal usado no etanol, mas revoga direito ao crédito presumido das agroindústrias de frangos e suínos
Um projeto de lei criado para beneficiar a cadeia produtiva do etanol de milho tem deixado o setor de proteína animal “apavorado” com a possibilidade de aumento de custos. A proposta suspende a incidência da contribuição de PIS e Cofins sobre a comercialização do cereal usado na produção do biocombustível e também de seus derivados, como óleo e farinha, mas revoga o direito ao crédito presumido das agroindústrias de frangos e suínos, que precisam do grão para alimentar os animais. Nos cálculos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a medida pode gerar um custo extra de 3% a 5% para as empresas de carnes, que seria repassado aos consumidores na ponta. O fim do benefício geraria alta de R$ 500 milhões por ano nas contas dessas empresas. “Essa medida vai bater na mesa do consumidor. É aumento de custo na veia”, afirmou Ricardo Santin, presidente da ABPA. “O crédito presumido existe para reequilibrar a cadeia, pois a tributação cumulativa sobre o produtor do milho é repassada para a empresa”, completou. Isso ocorre porque o agricultor, ao comprar insumos e equipamentos, ou ao pagar a energia elétrica que consome, não toma crédito nem tributa a venda do milho. “A agroindústria, quando compra o milho, puxa toda carga tributária cumulativa, e por isso nos creditamos. É uma maneira de compensação e administração tributária, até para que o pequeno produtor não precise contar com um serviço de contabilidade”, explicou Santin. De autoria do ex-senador Cidinho Santos, o PLS 117/2018 estende ao milho o tratamento tributário já aplicado à soja desde 2013 – ou seja, suspende a incidência da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins sobre as receitas das vendas do cereal e seus derivados. Aprovada no Senado, a matéria já chegou à Câmara. Santin destaca que não é contra a desoneração ao segmento de etanol, mas que a medida não pode acarretar prejuízos à agroindústria que usa o milho na alimentação animal. “Serão propostos ajustes para manter o benefício do crédito presumido, sem afetar as demais cadeias de produção, e só será mantida a extensão ao farelo de milho e ao óleo de milho do mesmo tratamento tributário concedido à soja com a isenção de PIS e da Cofins”, afirmou Guilherme Nolasco, presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem). O autor da proposta, Cidinho Santos, disse que serão feitos ajustes “para poder minimizar e retirar qualquer problema que poderia ter para outras cadeias de produção”.
VALOR ECONÔMICO
INTERNACIONAL
Investidor mira prevenção em frigoríficos
FAIRR Initiative teme que a flexibilização dos cuidados no chão de fábrica abra a porta para novas zoonoses e pandemias
Um grupo de investidores que gerenciam mais de US$ 52 trilhões em ativos quer que as empresas de carnes no mundo ao menos mantenham as políticas de prevenção de contágio de doenças entre os trabalhadores das indústrias adotadas por causa da pandemia da covid-19. A coalizão FAIRR Initiative afirma temer que a flexibilização dos cuidados no chão de fábrica abra a porta para novas zoonoses e pandemias. “Consideramos que a covid-19 é só uma das muitas doenças que podem surgir. Neste momento, vemos casos de gripe aviária no Reino Unido, na Alemanha e nos EUA, e há evidências de que a gripe aviária pode ser transmitida a humanos, potencialmente mais mortal”, disse Maria Lettini, diretora-executiva da FAIRR, ao Valor. Os investidores querem garantias das empresas sobre suas políticas de biossegurança nas fazendas, de proteção dos trabalhadores e de resistência a micróbios. Segundo a FAIRR, no ano passado, 63% dos maiores produtores mundiais de carnes, leite e pescados não estavam tomando as medidas adequadas para prevenir pandemias. O grupo traduziu em números o risco de cada uma à exposição ao desmatamento, que pode aumentar o contato de humanos com animais, à situação do ambiente de produção intensiva, e às condições de trabalho, com foco no risco de contágios. No último quesito, a coalizão de investidores defende que as empresas incentivem os empregados que estão com sintomas de doenças a se afastar do trabalho, sem que isso se traduza em perda de renda. Para a FAIRR, as companhias devem garantir o pagamento aos trabalhadores em licença médica e não podem ter políticas contraditórias, como bonificação por presença no trabalho. Apesar disso, a pesquisa mostra que as condições de trabalho das empresas brasileiras de carnes ficaram acima da média de seus concorrentes globais, superando com folga principalmente as da Ásia. Segundo Lettini, as brasileiras também replicaram as regras adotadas no país em operações em outros países. A JBS no Brasil disse que, “enquanto persistir a pandemia, mantém o seu compromisso de continuar cumprindo todas as recomendações internacionais” , como as da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de governos. A JBS USA disse que “não esperou por regulações” para implementar medidas de segurança e que afastou pessoas “vulneráveis” das plantas, mantendo todos os pagamentos e benefícios. A empresa não detalhou, contudo, se pretende manter as políticas adotadas caso a pandemia acabe. A Marfrig Global Foods e a Minerva disseram que pretendem manter algumas mudanças na organização do trabalho adotadas com a pandemia, mas que não mantiveram o mesmo tempo de licença médica remunerada. Na Marfrig, desde o fim da emergência, decretado pelo governo em abril, o trabalho voltou a ser 100% presencial, mas algumas licenças ainda permanecem, como para pessoas com gravidez de alto risco.
VALOR ECONÔMICO
ABRAFRIGO
imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br
POWERED BY EDITORA ECOCIDADE LTDA
041 3289 7122
