CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1732 DE 13 DE MAIO DE 2022

clipping

Ano 8 | nº 1732 | 13 de maio de 2022

 

NOTÍCIAS

Mercado físico do boi volta a cair com oferta em bom nível

Chegada de uma frente fria na próxima semana será mais um fator relevante de pressão de baixa sobre a arroba do boi gordo, uma vez que deve acelerar a deterioração das pastagens

O mercado físico do boi voltou a se deparar com preços mais baixos em algumas regiões produtoras na quinta-feira (12). Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere pela continuidade do movimento de queda, em linha com o avanço do volume de oferta no mercado doméstico. A oferta de boiadas segue em bom nível, algo natural para a época do ano. “Somado ao incremento de oferta de animais terminados, a manutenção do embargo provisório imposto pela China a algumas unidades frigoríficas brasileiras segue produzindo distorções regionais na formação de preço”, assinalou Iglesias. Em São Paulo, Capital, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 320,00 a arroba. Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 291,00. Em Cuiabá, a arroba ficou em R$ 288,00. Em Uberaba, Minas Gerais, preços a R$ 290,00 por arroba. Em Goiânia, Goiás, a indicação foi de R$ 290,00 para a arroba do boi gordo. No mercado atacadista, o dia foi de preços mais baixos para a carne bovina. Segundo Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere pela continuidade deste movimento no curto prazo, em linha com o consumo mais tímido ao longo da segunda quinzena do mês. “Além disso, os frigoríficos ainda se deparam com escalas bastante confortáveis, ou seja, isso também pode ser traduzido em aumento do estoque de carne”, disse ele. O quarto traseiro foi precificado a R$ 23,20 por quilo, queda de R$ 0,60. O quarto dianteiro foi cotado a R$ 16,40 por quilo, queda de R$ 0,25. A ponta de agulha cedeu ao patamar de R$ 16,30 por quilo, queda de R$ 0,20.

AGÊNCIA SAFRAS

Boi gordo: valor da arroba com quedas pontuais

De acordo com a Scot Consultoria, em São Paulo, após dois dias seguidos de baixa, os preços do boi gordo e demais categorias prontas para abate (vaca e novilha) ficaram estáveis

“Os frigoríficos abriram o dia com menor ímpeto comprador”, destaca a Scot, acrescentando que as “ofertas de compra com preços abaixo da referência foram relatadas, mas com poucos negócios”. Com isso, a cotação para o boi gordo segue em R$ 312/@ no mercado paulista, enquanto a vaca gorda e novilha gorda são negociadas a R$ 278/@ e R$ 307/@, respectivamente (valores brutos e a prazo).

Scot Consultoria

Boi/Cepea: Preços médios de machos e fêmeas atingem diferença recorde

A diferença média entre os preços das arrobas dos animais machos e fêmeas prontos para abate, ambos comercializados no mercado paulista, está em patamar recorde, de acordo com a série histórica mensal do Cepea.

Segundo pesquisadores do Cepea, esse cenário se deve à sustentação dos preços do animal macho e à queda nos valores da vaca. Na parcial deste ano (de dezembro/21 a maio/22), enquanto a arroba do boi gordo no mercado paulista apresenta ligeira desvalorização nominal de 0,55%, o preço da vaca registra queda de fortes 8,48%. Pesquisadores do Cepea indicam que, no caso do boi, os valores são sustentados pela forte demanda internacional pela carne, sobretudo chinesa, e pela oferta enxuta. Já no caso da vaca, a proteína da fêmea geralmente é destinada ao mercado brasileiro, que, vale lembrar, atravessa um período de demanda enfraquecida, tendo em vista o fragilizado poder de compra de grande parte da população.

Cepea

Abate de bovinos e suínos cresce e de frangos recua no 1° trimestre

O abate de frangos caiu 1,8% e o de bovinos e suínos subiu 4,7% e 7,2%, respectivamente, no primeiro trimestre de 2022, na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo os resultados preliminares da Estatística da Produção Pecuária, divulgada ontem pelo IBGE.

Os resultados completos para o primeiro trimestre de 2022 e para as unidades da federação serão divulgados em 8 de junho de 2022. De acordo com os dados preliminares, o número de cabeças de bovinos abatidas no trimestre foi 6,91 milhões, enquanto o abate de suínos registrou 13,64 milhões e o de frangos 1,54 bilhão de cabeças. Apesar do recuo, o abate de frangos representou aumento de 0,1% em relação ao último trimestre do ano passado. O abate de bovinos também cresceu 0,1% em relação ao 4º trimestre de 2021, enquanto o de suínos, na mesma comparação, teve acréscimo de 2,0%. No primeiro trimestre deste ano, do total de bovinos abatidos, o resultado preliminar aponta uma produção de 1,82 milhão de toneladas de carcaças, aumento de 5,2% em relação ao mesmo período de 2021, porém redução de 4,5% na comparação com o último trimestre do mesmo ano. Em relação aos suínos, o peso acumulado das carcaças atingiu 1, 24 milhão de toneladas, com alta de 6,7% frente ao primeiro trimestre do ano passado e de 1,8% na comparação com o quarto trimestre de 2021. Já o peso das carcaças de frango foi de 3,76 milhões de toneladas. Na comparação anual, houve aumento de 2,4%, e frente ao último trimestre de 2021, o acréscimo foi de 1,9%.

IBGE

Fiscais agropecuários terão apoio de ruralistas em pedidos ao governo

Categoria quer contratação de mais servidores e reestruturação da carreira

Os auditores fiscais federais agropecuários, que entraram novamente em operação-padrão para pedir reestruturação da carreira, terão o apoio da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) na interlocução com o Palácio do Planalto. O presidente da bancada, deputado federal Sérgio Souza (MDB-PR), prometeu levar os pleitos da categoria ao ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, em reunião na próxima semana. Nesta terça-feira, o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), Janus Pablo, reuniu-se com parlamentares da bancada ruralista em Brasília. Com déficit de profissionais, a categoria quer a abertura de concurso público para a contratação de mais servidores e pede reestruturação da carreira. Segundo o Anffa, a bancada ruralista reiterou o compromisso de “sensibilizar o Planalto” para que todas as reivindicações dos auditores agropecuários sejam atendidas.

VALOR ECONÔMICO

ECONOMIA

Dólar tem novo dia de volatilidade com incertezas sobre inflação

O mercado de câmbio teve mais um dia de instabilidade no Brasil, mas no fim da sessão a moeda acabou variando quase zero, conforme investidores evitaram ficar expostos diante do amplo conjunto de incertezas

Ao fim dos negócios no mercado à vista, o dólar ficou quase estável, com variação negativa de 0,06%, a 5,1424 reais. Analistas dizem que o nível psicológico de 5,20 reais pode funcionar por ora como uma barreira, mas na B3 contratos de opções de compra de dólar mostram uma resistência ainda mais forte na casa de 5,30 reais –que, se rompida, poderia deflagrar ordens automáticas de compras e puxar a moeda ainda mais para cima. Os rumos da economia global em meio ao ciclo agressivo de aperto monetário nos EUA seguiram monopolizando as atenções de investidores. Riscos de estagflação global –crescimento econômico fraco com alta inflação– empurraram o dólar a uma nova máxima em 20 anos contra uma cesta de divisas. “Existe a discussão de que, enquanto o BC aqui deve parar de subir os juros em breve, nos EUA o Fed vai seguir aumentando –e isso seria em tese ruim para a nossa moeda”, disse Luca Mercadante, economista da Rio Bravo, citando o potencial menor diferencial de juros a favor do real. “O que de fato dá para dizer é que continuaremos com volatilidade… Chegando próximo das eleições a gente (o mercado) ganha outros problemas, isso vai começar a ter importância maior mais para a frente”, disse.

REUTERS

Ibovespa tem alta com ajuda do setor financeiro

O principal índice da bolsa brasileira subiu nesta quinta-feira, à medida que um avanço das ações do setor financeiro e de empresas ligadas ao consumo doméstico compensou queda de Vale e de ações de algumas siderúrgicas

O índice acelerou ganhos no final do pregão à medida que Wall Street reduziu perdas. De acordo com dados preliminares, o Ibovespa avançou 1,13%, a 105.576,53 pontos. O volume financeiro foi de 15,6 bilhões de reais.

REUTERS

BNDES tem lucro recorde de R$12,9 bi no 1º tri, com venda de ações da JBS

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou na quinta-feira que teve lucro líquido recorde de 12,9 bilhões de reais no primeiro trimestre, alta de 32% ante igual período de 2021

Segundo o banco de fomento, o resultado foi influenciado por receita com dividendos da Petrobras, vendas de ações e reclassificação de investimento na JBS. Em fevereiro, o BNDES vendeu mais de 50 milhões de ações da JBS em operação de cerca de 1,9 bilhão de reais. De janeiro a março, os desembolsos do BNDES somaram 14,8 bilhões de reais, alta de 31% no comparativo anual. O índice de inadimplência da carteira acima de 90 dias ficou em 0,21%.

“Mais importante que lucros e desembolsos é a qualidade do resultado”, disse o Presidente do BNDES, Gustavo Montezano, em nota.

REUTERS

Colheita recorde de grãos deve atingir 261,5 milhões de toneladas, diz IBGE

Volume previsto é 3,3% maior que o do ano passado, puxado pelo avanço do milho

A colheita brasileira de grãos deverá atingir o patamar recorde de 261,5 milhões de toneladas em 2022, 3,3% acima de 2021 – um acréscimo de 8,3 milhões de toneladas), segundo o novo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado ontem. Na comparação com a previsão anterior, o volume é 1% maior (ganho de 2,5 milhões de toneladas). O IBGE informou que é esperado recuo de 12,2% na produção de soja ante 2021, para 118,5 milhões de toneladas. Para o arroz, a estimativa é de 10,6 milhões de toneladas, retração de 8,5% ante safra anterior. No caso do milho, é esperada queda de 1,4% na 1ª safra (25,3 milhões) e avanço de 39,4% na 2ª safra (86,6 milhões). Soja, milho e arroz são os três principais grãos cultivados no país. Representam 92,2% da estimativa da produção e respondem por 87,8% da área a ser colhida. O novo LSPA aponta que a área a ser colhida chegará a 71,9 milhões de toneladas, alta de 4,9% ante 2021 (mais 3,4 milhões de hectares) e 155,3 mil hectares a mais, ou 0,2%, que o indicado na projeção anterior. Na comparação dos resultados da pesquisa de abril ante a de março de 2022, o instituto destacou variações positivas nas seguintes estimativas de produção: batata-inglesa 3ª safra (20,4%, ou 163 344 toneladas), feijão 3ª safra (16,5%, ou 98 215 toneladas), batata-inglesa 2ª safra (9,0%, ou 102 083 toneladas), sorgo (4,0%, ou 112 407 toneladas), milho 1ª safra (2,7%, ou 654 257 toneladas), soja (2,0%, ou 2 337 581 toneladas) e feijão 2ª safra (1,3%, ou 17 134 toneladas). Em contrapartida, na mesma comparação houve quedas nas estimativas de produção de feijão 1ª safra (7,5%, ou 90 328 toneladas), batata-inglesa 1ª safra (3,2%, ou 55 526 toneladas) e milho 2ª safra (0,7%, ou 643 820 toneladas).

VALOR ECONÔMICO

Volume de serviços avança 1,7%, maior alta para o mês na série histórica iniciada em 2011

Na comparação com igual período do ano anterior, indicador teve alta de 11,4%; setor está, em média, 7,2% acima do nível pré-pandemia

O volume de serviços prestados no país teve alta de 1,7% em março, frente a fevereiro, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgados na quinta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a maior expansão para o mês de toda a série histórica, iniciada em 2011. Em fevereiro, o setor tinha avançado 0,4% (dado revisado após divulgação inicial de -0,2%). Com o desempenho de março, os serviços recuperaram a perda de janeiro (-1,8%) e alcançaram o maior patamar de produção desde maio de 2015. Além disso, os serviços estão, em média, 7,2% acima do nível pré-pandemia, em fevereiro de 2020. Algumas atividades, no entanto, ainda não recuperaram o patamar do pré-pandemia. Na comparação com março de 2021, o indicador teve alta de 11,4%. No resultado acumulado em 12 meses até março, houve alta de 13,6%. No acumulado do ano, o volume de subiu 9,4% frente a igual período de 2021. O resultado na série com ajuste sazonal ficou acima da mediana das estimativas de 26 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, de variação de 0,9%. Todas as cinco atividades acompanhadas pela pesquisa tiveram alta na passagem de fevereiro para março. Foram destaque os transportes (2,7%) e os serviços de informação e comunicação (1,7%). O IBGE informou ainda que a receita nominal subiu 1,2% na passagem entre fevereiro e março. Na comparação com março de 2021, a receita de serviços teve alta de 17,9%. Em março de 2022, frente a fevereiro, 24 das 27 unidades da federação investigadas registraram taxas positivas. Entre os locais com alta, o impacto mais importante veio de São Paulo (2,7%), seguido por Minas Gerais (6,4%) Distrito Federal (10,3%), Santa Catarina (4,2%), Rio Grande do Sul (2,6%) e Rio de Janeiro (0,8%). Resultado trimestral O volume de serviços teve alta de 1,8% no primeiro trimestre do ano, frente ao quarto trimestre, segundo os dados da PMS. Este foi o sétimo trimestre seguido de crescimento na série trimestral, frente ao trimestre imediatamente anterior, e veio mais intenso que o do quarto trimestre (0,8%). Ao longo de 2021, as taxas de expansão foram ainda de 2,7% no primeiro trimestre, 3,3% no segundo trimestre e de 2,9% no terceiro trimestre, além do 0,8% no quarto trimestre. Na comparação com o primeiro trimestre de 2021, o crescimento dos serviços foi de 9,4% no período de janeiro a março de 2022.

VALOR ECONÔMICO

Brasil continua recebendo fertilizantes russos

Apesar das sanções econômicas impostas por diversos países ocidentais contra a Rússia, o Brasil segue comprando – e recebendo fertilizantes do seu maior fornecedor

Reportagem do jornal norte-americano The New York Times revela que “os compradores conseguiram encontrar maneiras de contornar esses obstáculos, incluindo o uso de um banco russo excluído das sanções e a ajuda do Citigroup em Nova York”. Os correspondentes Jack Nicas e André Spigariol reportaram que “o Brasil está reabastecendo seus estoques de fertilizantes – com a ajuda da Rússia. Assim como o gás russo que flui através de gasodutos para a Europa, centenas de milhares de toneladas de fertilizante russo chegaram ao Brasil desde a invasão. E mais está a caminho.” Nas últimas semanas, revela o jornal norte-americano, uma “grande empresa russa de fertilizantes vendeu mais de 165 mil toneladas de potássio para clientes brasileiros, com embarques previstos para junho, segundo um executivo envolvido nas transações que não estava autorizado a falar publicamente. Esse valor já era metade do potássio russo que havia chegado ao Brasil em junho de 2021”. O The New York Times lembra que “o Brasil correu para comprar fertilizante russo logo antes da invasão para manter os embarques no início da guerra. E embora a compra de fertilizantes russos em si não tenha sido proibida, os compradores brasileiros tiveram que enfrentar sanções aos bancos russos e obstáculos logísticos que os especialistas temiam que ainda cortassem o comércio”. “Os embarques são boas notícias para os preços e suprimentos globais de alimentos, mas más notícias para a estratégia do Ocidente de isolar economicamente a Rússia em uma tentativa de enfraquecer a determinação do presidente Vladimir Putin na Ucrânia”, analisam os correspondentes. A reportagem destaca que a “perspectiva de uma crise” fez com que os Estados Unidos criassem uma “redução em suas sanções no final de março para permitir explicitamente a compra de alimentos e fertilizantes russos. Embora as sanções financeiras ainda compliquem as transações, as autoridades americanas têm trabalhado para tranquilizar outros governos e líderes empresariais – incluindo reuniões com autoridades governamentais e da indústria no Brasil – que a compra de fertilizantes russos não é proibida”.

The New York Times

EMPRESAS

Minerva projeta segundo trimestre melhor que o primeiro

Aumento da oferta de gado no Brasil tende a aliviar pressão de custos de produção, avalia a empresa

A Minerva acredita que pode ter um segundo trimestre melhor do que o anterior. Mas, em teleconferência sobre os resultados dos primeiros três meses de 2022, o Diretor de Finanças da empresa, Edison Ticle, foi cauteloso e preferiu não cantar vitória antes da hora. “O trimestre ainda não acabou, mas fato é que os indicadores estão melhores”, respondeu a analistas. No primeiro trimestre, a receita líquida da Minerva cresceu 25% em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 7,2 bilhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 646 milhões, um aumento de 33%, e a margem Ebitda chegou a 8,9%. A companhia está otimista com o aumento da oferta de gado no Brasil. O CEO Fernando Queiroz prevê que o ciclo pecuário permaneça em alta por pelo menos três anos, aliviando a pressão dos custos para aquisição de animais — que são 80% dos gastos totais da empresa. “Espera-se uma redução de quase 5% na produção de carne bovina dos EUA em 2022, e a Europa também deve ter uma queda anual. Assim, a América do Sul deve aumentar sua participação no mercado global”, afirma Queiroz, frisando que a criação de gado a pasto é uma vantagem competitiva dessa geografia. Entre janeiro e março, OS negócios para exportação representaram 70% da receita da Minerva. Entre as origens dos embarques, o Brasil se destaca, respondendo por 52% do faturamento. Relevância brasileira à parte, os executivos da Minerva reforçaram a visão global da companhia, que se vale da capacidade de redirecionar demandas durante turbulências — quando a China suspendeu as importações do Brasil no ano passado, a empresa atendeu os asiáticos por meio de suas plantas em outros países da América do Sul. A demanda chinesa, a propósito, deslanchou no primeiro trimestre porque ficou represada durante o embargo. Agora, com os lockdowns para conter a pandemia da covid-19, novamente, as compras diminuíram. “Mas está retornando. Vemos mais pedidos e interesse que devem se concretizar em 30 dias”, projetou Queiroz, mencionando que a demanda por carne bovina na China se descolou do consumo de proteína suína. “O quadro é positivo para os próximos meses”. Ticle finalizou o diálogo com analistas reforçando que a companhia está comprometida com uma gestão responsável, que remunera acionistas e não compromete a alavancagem, mantendo-a perto de 2,5 vezes. “Os investimentos não serão transformacionais e não prejudicarão o caixa. Reafirmo nosso compromisso com uma alocação de capital responsável”, disse.

VALOR ECONÔMICO

JBS vê cenário favorável para todos os negócios nos próximos meses

Lucro líquido da companhia aumentou 155% no primeiro trimestre, para US$ 5,1 bilhões

Maior companhia de alimentos do mundo, a JBS projeta um crescimento sólido nos próximos seis meses, assim como no primeiro trimestre, em boa medida graças à forte demanda global por proteínas. No início do ano, a companhia entregou um lucro líquido de US$ 5,1 bilhões, 155% superior ao do intervalo entre janeiro e março de 2021, em um cenário de custos mais altos em alguns mercados. Os Estados Unidos foram fundamentais, mais uma vez, para o negócio dos irmãos Batista. Mas, em teleconferência com analistas na quinta-feira, o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, disse que houve resultados positivos até na Seara, que tenta driblar o aumento de preços de milho e farelo de soja, insumos que representam mais de 70% do custo de produção da avicultura e da suinocultura no Brasil. No país, a companhia também lida com as consequências da inflação, que derrubou o consumo de carne bovina aos níveis mais baixos da história. Porém, com atuação nas três proteínas animais mais importantes, a empresa conseguiu atrair consumidores que migraram para produtos mais acessíveis. “Quando temos um ciclo mais desafiador em algum mercado, a diversificação permite compensá-los”, frisou Tomazoni. Já o faturamento da Seara foi de R$ 9,5 bilhões, cerca de 21% a mais no comparativo anual. O Ebitda ficou positivo em R$ 616,2 milhões, mas caiu 33,9% em relação ao mesmo período do ano passado. A margem Ebitda foi de 6,5%, em queda de 5,4 pontos percentuais. “Foi um começo de ano bem mais difícil, mas conseguimos fazer um repasse importante de preço e crescer em volume. Mesmo nesse cenário desafiador, a nossa estratégia foi consistente”, afirmou o CEO para a América Latina, Oceania e do negócio de plant-based, Wesley Batista Filho. “Mantivemos nosso plano de produção de curto e longo prazo; não houve queda nos volumes”, reforçou. “Estamos bem otimistas quanto a continuar crescendo e ganhar mercado. Suíno continua sendo um desafio, mas acreditamos em uma recuperação relevante”, disse Wesley Batista Filho. A disponibilidade de gado na Austrália continua bem aquém do que é considerado normal, mas melhorou, e isso se refletiu nos números da JBS. A receita da operação no país cresceu 20,2%, para R$ 7,4 bilhões. O Ebitda saltou 398%, para R$ 445,2 milhões, e a margem Ebitda ficou em 6%, um aumento de 4,6 pontos percentuais. “Quando a gente olha o ciclo de gado na Austrália, que está em reconstrução desde o ano passado, vemos a retenção de matrizes, que cria um problema de disponibilidade de gado no curto prazo, mas é uma ótima notícia para 2023 e 2024”, diz o CEO para a região. Mas, como mencionado, foram os negócios nos EUA — comandados por André Nogueira — que puxaram os resultados globais. A demanda aquecida continua sendo o pilar de crescimento da operação, em meio ao aumento do preço do gado. “Nos próximos meses, veremos margens menores em relação ao ano passado, mas bastante razoáveis em relação à história da companhia. Anos após ano, estamos batendo os nossos concorrentes com diferenças significativas”, disse. A receita da JBS Beef foi 21,7% maior, totalizando R$ 29 bilhões. O Ebitda do trimestre chegou a R$ 4,1 bilhões, em alta de 56%, e a margem Ebitda ficou em 14,2%, um aumento de 3,1 pontos percentuais. A USA Pork teve receita de R$ 9,9 bilhões (+13,2%), Ebitda de R$ 1,2 bilhão (+20,1%) e margem Ebitda de 12,4% (0,7 ponto percentual a mais). A Pilgrim’s Pride faturou R$ 22,2 bilhões, com Ebitda de R$ 3,2 bilhões e margem Ebitda de 14,5%. A JBS acredita que a demanda chinesa por carne seguirá firme, a despeito dos lockdowns para conter a covid-19. Mas, no caso de suínos e frangos, será um “importador situacional, mas não estruturalmente”, disse Tomazoni.

VALOR ECONÔMICO

FRANGOS & SUINOS

Mercado de suínos segue enfraquecido

Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF ficou estável em R$ 113,00/R$ 120,00, enquanto a carcaça especial cedeu 1,10%/1,05%, custando R$ 9,00 o quilo/R$ 9,40 o quilo

Na cotação do animal vivo, conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quarta-feira (11), houve queda de 1,43% no Rio Grande do Sul, atingindo R$ 5,51/kg, e de 1,05% em Santa Catarina, alcançando R$ 5,65/kg. Ficaram estáveis os preços em Minas Gerais, valendo R$ 6,96/kg, R$ 5,62/kg no Paraná e R$ 6,57/kg em São Paulo.

Cepea/Esalq

Suinocultura independente: preços caíram forte na quinta-feira

No Paraná, considerando a média semanal (entre os dias 05/05/2022 a 11/05/2022), o indicador do preço do quilo vivo do Laboratório de Pesquisas Econômicas em Suinocultura (Lapesui) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) teve queda de 0,85%, fechando a semana em R$ 6,01. “Espera-se que na próxima semana o preço do suíno vivo apresente queda, podendo ser cotado a R$ 5,95 o quilo”, informou o Lapesui.

Em São Paulo, segundo dados da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), o preço caiu de R$ 7,36/kg vivo (registrado no dia 28 de abril, já que no dia 5 de maio não houve referência de preço) para R$ 6,13/kg. No mercado mineiro, o valor caiu de R$ 7,00/kg para R$ 6,30 o quilo vivo, com acordo entre suinocultores e frigoríficos, conforme com informações da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg). Santa Catarina também registrou recuo, saindo de R$ 6,18 para R$ 5,76 o quilo vivo.

AGROLINK

Suínos/Cepea: Poder de compra avança pelo 3º mês seguido

O poder de compra de suinocultores paulistas frente aos principais insumos da atividade (milho e farelo de soja) vem crescendo nesta parcial de maio frente ao verificado em abril

Trata-se do terceiro mês consecutivo de avanço no poder de compra. Segundo pesquisadores do Cepea, esse cenário favorável ao suinocultor foi possível diante dos aumentos nos preços médios de comercialização do animal vivo e também das desvalorizações dos insumos. Apesar disso, agentes do setor consultados pelo Cepea têm se mostrado bastante apreensivos e com receio de que, até o final do mês, esse movimento de avanço no poder de compra seja interrompido. Esses agentes se fundamentam no fraco desempenho das vendas de carne na semana que antecedeu o Dia das Mães, quando tipicamente o mercado se aquece. Assim, os preços da proteína e, consequentemente, dos animais para abate, estão em queda nesta semana.

Cepea

Frango: setor ampliou quedas na quinta-feira

Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave no atacado baixou 1,23%, cotado em R$ 7,23/kg, enquanto o frango na granja cedeu 1,54%, valendo R$ 6,40/kg.

Na cotação do animal vivo, São Paulo ficou sem referência de preço, no Paraná a ave ficou estável em R$ 5,44/kg, assim como em Santa Catarina, valendo R$ 4,11/kg. Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quarta-feira (11) tanto a ave congelada quanto a resfriada cederam 0,64%, custando ambas R$ 7,82/kg.

Cepea/Esalq

Exportações de carne de frango alcançam 418,2 mil toneladas em abril

As exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 418,2 mil toneladas em abril, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).  O dado é 5,7% superior ao registrado no mesmo período de 2021, quando foram exportadas 395,7 mil toneladas

Em receita, o resultado dos embarques do período totalizou US$ 821 milhões, número 34,6% maior que o desempenho alcançado em abril do ano passado, com US$ 610 milhões. No quadrimestre (janeiro a abril), as vendas internacionais de carne de frango alcançaram 1,560 milhão de toneladas, número 9% maior que o registrado nos quatro primeiros meses de 2021, com 1,432 milhão de toneladas. Em receita, o resultado do período cresceu 32,4%, com US$ 2,872 bilhões, contra US$ 2,169 bilhões no ano passado. Entre os principais importadores dos produtos brasileiros no quadrimestre estão a China, com 197,1 mil toneladas (-3%), Emirados Árabes Unidos, com 164,4 mil toneladas (+80,4%), Japão, com 132,4 mil toneladas (+0,3%), África do Sul, com 119,8 mil toneladas (+14,3%), União Europeia, com 71,7 mil toneladas (+27,8%), e México, com 58,5 mil toneladas (+128,6%). “Houve um crescimento generalizado entre os grandes importadores do Oriente Médio, Ásia e Europa, que compensou leves retrações na China e impulsionaram o bom resultado alcançado em abril. Os impactos gerados pela Influenza Aviária em grandes produtores e exportadores favoreceram o Brasil no comércio global, já que o país nunca registrou focos da enfermidade. A forte elevação dos custos de produção e a alta dos preços dos alimentos em âmbito global também influenciaram o resultado cambial das exportações, minimizando as dificuldades enfrentadas pelo setor”, avalia o presidente da ABPA, Ricardo Santin.

ABPA

ABRAFRIGO

imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br

POWERED BY EDITORA ECOCIDADE LTDA

041 3289 7122

abrafrigo

Leave Comment