CLIPPING DO SINDICARNE Nº 33 DE 20 DE DEZEMBRO DE 2021

clipping

Ano 7 | nº 1638 | 20 de dezembro de 2021

 

NOTÍCIAS

Dois dias com China

Os compradores estiveram ativos na manhã de 17/12 e abriram as compras ofertando R$3,00/@ a mais para o boi gordo na comparação feita dia a dia. A procura por fêmeas foi mais compassada, mas os compradores ofertaram R$2,00/@ a mais para a vaca. Para novilha, cotações estáveis.

O mercado esteve comprador e negócios acima da referência foram especulados. Na região Sul de Minas Gerais, com escalas confortáveis, atendendo a reta final do ano, as negociações esfriaram e poucos negócios foram relatados, com grande parte dos compradores se ausentando das negociações. Assim, preços estáveis para todas as categorias de animais terminados. O mercado virou e a carne bovina com osso já registra altas frente à semana anterior. Com incremento de 1,6%, a carcaça casada de bovinos castrados ficou cotada em R$18,97/kg, ao passo que a de bovinos inteiros aumentou 0,5%, e ficou cotada em R$17,33/kg.

SCOT CONSULTORIA

Preços do boi gordo voltam a subir no mercado interno

O mercado físico de boi gordo registrou preços predominantemente mais altos na sexta-feira. Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, a retomada das buscas por animais padrão China é o grande fator para justificar este movimento, enquanto os frigoríficos exportadores passaram a ampliar a capacidade de abate

“A prioridade ainda é escoar a carne que estava estocada aguardando o certificado internacional de exportação, e a logística segue como um relevante foco de atenção. Os pecuaristas, por sua vez adotam uma postura de retração, considerando a expectativa de preços mais altos no curto prazo. As escalas de abate pouco avançaram desde quarta-feira, quando houve a confirmação da retomada das compras chinesas”, assinalou Iglesias. Com isso, em São Paulo, Capital, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 320, ante R$ 316 na quinta-feira. Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 316, contra R$ 306. Em Cuiabá, a arroba ficou indicada em R$ 297, estável. Em Uberaba, Minas Gerais, preços a R$ 320 por arroba. Mercado atacadista encerra a semana apresentando preços acomodados, a tendência de curto prazo ainda remete a pouco espaço para reajustes daqui até a virada de ano. A queda dos preços deflagrada recentemente nas proteínas concorrentes é um importante limitador para novas altas nos preços da carne bovina, com a predileção do consumidor médio no país ainda recaindo sobre proteínas mais acessíveis, a exemplo da carne de frango e do ovo. Quarto traseiro ainda é precificado a R$ 22,25, por quilo. Quarto dianteiro segue precificado a R$ 14,00, por quilo. Ponta de agulha permanece no patamar de R$ 13,30.

AGÊNCIA SAFRAS

China permanece no foco do ministério

Após suspensão do embargo à carne bovina, Tereza Cristina quer novas habilitações de frigoríficos

A demora de 103 dias para a reabertura do mercado chinês para a carne bovina brasileira não foi culpa de falhas técnicas ou de comunicação, segundo a Ministra da Agricultura, Tereza Cristina. Ela confia na boa relação com as autoridades do país asiático para retomar a agenda pré-pandemia e conquistar novas habilitações daqui para a frente. Com a suspensão, a Pasta foi pressionada em um primeiro momento, principalmente por frigoríficos de médio porte – que ficaram sem o cliente e tiveram que suportar a queda no preço da arroba, revertida recentemente. A Ministra disse que o tema demandou explicações mais aprofundadas de Brasília. “Foram dois casos [atípicos do mal da “vaca louca”] ao mesmo tempo. Eles quiseram checar o sistema e rechecar. E tiveram as conveniências e estratégias que é de cada país”, afirmou ela. O retorno à normalidade do comércio gera alívio aos pecuaristas e novas oportunidades ao Brasil, disse ela. “O sistema brasileiro de inspeção foi validado pelo principal parceiro. Mostramos para os outros países que o Brasil está fazendo o dever de casa”, disse. Passada a turbulência do embargo, a Ministra quer retomar temas que ficaram parados nas tratativas com a China desde o início da pandemia. Ela vê espaço para novas habilitações de plantas brasileiras e espera resultados em 2022. Ao menos 12 abatedouros aguardam o aval de Pequim. “A relação continua como sempre esteve. A gente trata a China como parceiro importantíssimo pelos volumes que eles precisam e o Brasil tem”, disse. A Ministra acredita em uma “bolha verde” no planeta gerada pela antecipação no cumprimento de exigências ambientais, o que impactou na oferta de várias cadeias de suprimento, desde insumos agrícolas até pneus, baterias e chips. “Algumas coisas estão acontecendo no mundo pós-pandemia e pós-mudanças climáticas talvez foram feitas de maneira mais rápida e causou essa escassez. Isso gera custo e aumento de preço por um tempo de ajuste”.

VALOR ECONÔMICO

ECONOMIA

Dólar encerra semana em alta com temor fiscal no radar

O dólar fechou em leve alta ante o real na sexta-feira, mas longe das máximas, encerrando uma semana marcada por fluxos de saídas de recursos do mercado doméstico

A moeda norte-americana à vista subiu 0,08%, a 5,6845 reais na venda. Fernando Bergallo, Diretor de Operações da assessoria de câmbio FB Capital, disse que “sinais mistos” explicam a movimentação da sexta-feira. “O dólar lá fora está desde cedo operando em alta e, no cenário doméstico, temos a sazonalidade habitual de dezembro. Por outro lado, quando o dólar toca nos 5,70 reais, isso chama o exportador, que vende a moeda”, afirmou o especialista. O dólar teve no acumulado da semana alta de 1,26% sobre o real, o que muitos investidores atribuíram a movimento técnico de saída de dinheiro do país, comum no final do ano à medida que empresas fazem pagamentos de juros e dividendos. O Banco Central fez quatro leilões de moeda à vista desde sexta-feira passada, injetando 3,37 bilhões de dólares no mercado spot, o que o próprio presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, associou aos fluxos sazonais. À medida que o ano chega ao fim, investidores também começam a olhar com preocupação para as perspectivas fiscais de 2022 –que podem se mostrar um obstáculo ao desempenho do real– após o Ministério da Economia enviar ao Congresso um ofício com a sugestão de que sejam remanejados quase 2,9 bilhões de reais no Orçamento de 2022 para pagar reajuste de salários de algumas carreiras de servidores públicos. “Investidores já parecem ter precificado a aprovação de um orçamento que engloba maiores gastos, às vésperas de um ano eleitoral”, disse a equipe de pesquisa da Levante Investimentos. “A bem da verdade, esse desfecho já era esperado desde que se propôs realizar a mudança na regra do teto de gastos, sob a justificativa de comportar os dispêndios do Auxílio Brasil –mas, nas entrelinhas, aproveitar o espaço fiscal aberto para incluir outros gastos de interesse do Executivo e Congresso.”

REUTERS

Ibovespa fecha em queda e devolve ganhos da semana

No pregão de sexta, as empresas mais negociadas do índice tiveram desempenho bastante fraco, puxando o Ibovespa para baixo

As ações locais não resistiram ao ambiente externo de menor demanda por risco, diante dos temores de que os bancos centrais possam acelerar o ritmo na redução de estímulos e com a cautela ainda persistente com a variante ômicron do novo coronavírus. Assim, o Ibovespa fechou o dia em queda firme, devolvendo totalmente os ganhos que vinha acumulando na semana. Em pregão que também foi marcado pelo vencimento de opções sobre ações e futuro de ações, o Ibovespa terminou o dia em queda de 1,04%, aos 107.200,56 pontos. Na sexta-feira, o índice foi negociado em baixa durante todo o pregão, atingindo os 106.518 pontos, em recuo de 1,66%, nas mínimas do dia. O volume negociado no Ibovespa foi de R$ 29,10 bilhões, acima da média anual diária de cerca de R$ 23,8 bilhões. Com a baixa do dia, o índice acabou devolvendo a totalidade dos ganhos acumulados na semana e encerrou o período em queda de 0,52%, pondo fim à sequência de duas semanas positivas para as ações locais. Do lado positivo, o destaque diário ficou por conta da BRF ON, que subiu 5,39%. A companhia pode levantar mais de R$ 6 bilhões com um follow-on e solucionar a estrutura de capital que incomoda investidores e analistas. “Desde 2018, a BRF está em uma situação complicada no que diz respeito à alavancagem. Isso se deve principalmente a um processo mal sucedido de internacionalização e preços muito mais elevados dos grãos, que geraram resultados fracos no mercado interno. Portanto, desde 2018, muitos investidores acreditam que a BRF precisa de um follow-on. No entanto, com as ações perto das mínimas históricas (excluindo os níveis de pandemia), o momento da transação levanta algumas dúvidas”, escreveram analistas do Credit Suisse. No entanto, o analista Victor Saragiotto afirma que o followon representa uma boa oportunidade para a Marfrig, que teria margem de manobra para adquirir uma participação incremental na BRF, da qual já possui mais de 30%. Marfrig ON registrava alta de 3,71%.

VALOR ECONÔMICO

Indústria derruba PIB de outubro e 2022 pode ser outro ano perdido para economia, alerta FGV

Segundo o Monitor do PIB, a atividade econômica caiu 0,7% ante setembro, com estagnação ante outubro de 2020

A atividade fraca da indústria derrubou o Produto Interno Bruto (PIB) em outubro ante setembro, na leitura do Monitor do PIB, anunciado na sexta-feira (17) pela Fundação Getulio Vargas (FGV). No Monitor, o PIB de outubro caiu 0,7% ante setembro, com estagnação ante outubro de 2020; e crescimento de apenas 1% no trimestre móvel, encerrado em outubro ante o finalizado em julho. Para Claudio Considera, pesquisador associado da fundação e responsável pelo indicador, os sinais da economia até outubro não são bons. Ele comentou que, fora a economia de serviços, que agora mostra indícios de reação devido à flexibilização de circulação social, ocasionada por melhora de indicadores da pandemia, não há muitos setores na economia sinalizando retomada robusta. Isso, na prática, seria má notícia para a atividade econômica no próximo ano, admitiu. “Estamos correndo risco de 2022 ser outro ano perdido [para a economia]”, alertou o economista. Ao falar sobre a evolução da economia mensurada pelo Monitor, de setembro para outubro, Considera notou que houve aprofundamento de queda na indústria, no período. No indicador, a atividade industrial saiu de queda de 0,6% para recuo de 2,1%, no período. “A indústria teve uma melhora muito grande há alguns meses”, lembrou. No entanto, essa melhora não se sustentou porque houve arrefecimento de demanda por bens duráveis, a partir de meados de 2021, um reflexo do cenário de menor renda, originada do trabalho; e inflação e juros mais elevados ante meses imediatamente anteriores. O impacto da indústria foi tão forte que acabou por inibir, em parte, influência da recuperação do segmento “outros serviços” dentro do Monitor do PIB de outubro. No indicador da FGV, a atividade nesse campo subiu 10,2% em outubro ante setembro – sendo que já tinha aumentado 11% em setembro ante agosto. Essa área contempla serviços de bares, restaurantes, turismo. Ao ser questionado sobre perspectivas para os próximos meses, bem como começo de 2022, a partir das sinalizações na atividade delineadas no Monitor do PIB de outubro, Considera foi cauteloso. Ele comentou que as projeções do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (FGV/Ibre) são de alta em torno de 4,5% em 2021 ante 2020, o que mal recupera queda de 4,1% na economia do ano passado, ante 2019, ocasionada pela crise na atividade econômica causada pela pandemia. Na prática, admitiu Considera, não há sinais de boas notícias para a economia, para 2022, tendo em vista o atual contexto macroeconômico. “Temos problema de desemprego, na casa de dois dígitos”, lembrou ele, considerando que isso afeta renda originada do trabalho, e diminui o consumo das famílias, de maneira geral. E, no momento, o orçamento das famílias segue pressionado por cenário de preços e juros altos. No Monitor do PIB, o consumo das famílias caiu 0,2% em outubro ante setembro, após sair de alta de 1,5% em setembro ante outubro. No entendimento do técnico, se o poder de compra das famílias não reagir, isso não levaria a uma impulsão maior na economia de serviços, que representa mais de 70% do PIB; nem a uma recuperação na indústria, visto que o setor industrial é muito influenciado por demanda de bens duráveis. Ele informou ainda que, também segundo as projeções do FGV/Ibre, 2022 estaria sinalizando crescimento de apenas 0,7% no PIB. “Seria um crescimento medíocre [caso confirmado]”, finalizou.

VALOR ECONÔMICO

FRANGOS & SUÍNOS

Suínos:  sexta com cotações estáveis ou em queda

Segundo o Cepea/Esalq, o setor suinícola esperava que o mercado se aquecesse ao longo de dezembro, o que é típico para este período do ano, mas a oferta elevada de animais e a diminuição na demanda final têm pressionado as cotações da carne e também do animal vivo

Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF ficou estável em R$ 110,00/R$ 118,00, enquanto a carcaça especial cedeu 1,09%/1,04%, custando R$ 9,10/R$ 9,50 o quilo. No caso do animal vivo, conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quinta-feira (16), os preços ficaram estáveis em São Paulo, valendo R$ 6,60/kg, e no Rio Grande do Sul, custando R$ 5,97/kg. Houve queda de 0,18% no Paraná, chegando a R$ 5,55/kg, baixa de 0,17% em Santa Catarina, atingindo R$ 5,83/kg, e recuo de 0,15% em Minas Gerais, fechando em R$ 6,76/kg.

Cepea/Esalq

Frango: preços estáveis na sexta-feira

Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave na granja ficou estável em R$ 5,00/kg, assim como o frango no atacado, valendo R$ 6,30/kg

No caso do animal vivo, o preço não mudou em Santa Catarina, valendo R$ 3,76/kg, e cedeu 12,17% no Paraná, custando R$ 5,05/kg. São Paulo ficou sem referência de preço nesta sexta-feira. Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quinta-feira (16), tanto a ave congelada quanto a resfriada ficaram com preços estáveis, custando, respectivamente, R$ 6,70/kg e R$ 6,71/kg.

Cepea/Esalq

Frango/Cepea: Preços recuam com força na primeira quinzena deste mês

Os valores da carne e do frango vivo registraram baixa expressiva na primeira quinzena de dezembro, de acordo com informações do Cepea

A queda está atrelada ao fraco ritmo de vendas da carne nos mercados interno e externo. Segundo dados do Cepea, no mercado atacadista da Grande São Paulo, o frango inteiro congelado registrou média de R$ 6,50/kg na parcial de dezembro (até o dia 15), forte recuo de 14,6% frente ao mesmo período de novembro/21. Quanto ao vivo, além da menor demanda final, a pressão pelo custo de produção elevado faz com que produtores evitem represar animais nas granjas, negociando o frango a valores menores. No estado de São Paulo, o frango vivo teve média de R$ 5,04/kg na primeira quinzena de dezembro, retração de 13,2% em relação ao mesmo período de novembro.

CEPEA

França diz que a gripe aviária se espalha para a região de criação de patos no sudoeste

A França detectou a gripe aviária em uma fazenda de patos no sudoeste do país, disse o ministério da fazenda na sexta-feira, marcando o retorno da doença à região de produção de foie gras, onde bandos de patos foram dizimados por surtos inverno passado.

REUTERS

EMPRESAS

BRF propõe aumento de capital de R$6,6 bi, mercado vê potencial movimento da Marfrig

As ações da processadora de alimentos BRF dispararam na sexta-feira após a companhia propor um aumento de capital por meio da emissão de 325 milhões de novas ações ordinárias, potencialmente levantando 6,63 bilhões de reais

A medida levou analistas e participantes do mercado a especularem se o acionista Marfrig Global Foods pretende adquirir o controle acionário da BRF sem o risco de desencadear a cláusula de “poison pill”. Uma fonte com conhecimento do assunto, no entanto, disse que o acionista controlador da Marfrig, Marcos Molina, não conversou com a BRF sobre a transação e não pretendia aumentar significativamente sua participação atual de 33% durante a oferta. A BRF disse em um comunicado na noite de quinta-feira que planeja expandir suas operações e fazer investimentos estratégicos. Segundo a companhia, 500 milhões de reais da oferta seriam destinados ao capital social e o restante do valor à formação de reserva de capital. O negócio ainda depende de aprovação de uma assembleia geral de acionistas, marcada para ocorrer em 17 de janeiro, e de condições favoráveis de mercado. Analistas do Credit Suisse disseram em nota que seria uma “oportunidade muito sólida” para a Marfrig comprar uma participação incremental sem estar sujeita ao prêmio de 40% do preço médio dos últimos 30 dias definido nas regras de “poison pill”, que não são acionadas pelo aumento de capital proposto. Analistas do Itaú BBA e do BTG Pactual tiveram visão semelhante. “Se a Marfrig propuser um prêmio significativo sobre o preço atual das ações e nenhum outro acionista acompanhar a subscrição de ações, a Marfrig poderia atingir uma participação de 51%”, observou o Itaú BBA. “Nunca pensamos que a Marfrig seria apenas um acionista passivo da BRF. A empresa tem um longo histórico de negócios agressivos e transformadores de fusões e aquisições”, disse o BTG. A Marfrig não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. As ações da BRF, que fecharam a 20,40 reais na quinta-feira, subiam cerca de 6% a 21,58 reais no início da tarde da sexta-feira, enquanto os papéis da Marfrig avançavam 4,7%, para 24,02 reais. Ambos registravam as maiores altas do Ibovespa.

REUTERS

JBS condenada a pagar indenização no RS por negligência durante covid

A Justiça do Trabalho em Montenegro, no Rio Grande do Sul, condenou a JBS Aves a pagar indenização de R$ 1,5 milhão por dano moral coletivo devido à adoção insuficiente de medidas de prevenção à covid-19 ao longo da pandemia na unidade localizada nesta cidade

A JBS ainda pode recorrer da decisão. A condenação atende a pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Santa Cruz do Sul, que ajuizou ação contra o frigorífico em agosto do ano passado. A decisão da Vara do Trabalho de Montenegro também define multas caso a JBS descumpra normas de prevenção e controle de surtos. A JBS disse que não comenta processos judiciais em andamento.

CARNETEC

LEGISLAÇÃO

Estados conseguem maioria no STF para adiar redução do ICMS de luz e telefone

Ministros estão prestes a bater o martelo sobre um novo modelo para alcance de decisões

O Supremo Tribunal Federal (STF) já tem maioria para restringir a decisão que reduziu o ICMS das contas de luz, telefone e internet, o que prejudica o contribuinte. Os ministros estão prestes a bater o martelo sobre um novo modelo de modulação de efeitos – quando há definição de data futura para que uma decisão da Corte entre em vigor. De dez ministros aptos à votação, oito haviam se posicionado até as 20h de sexta. Todos atendendo ao pedido dos Estados para que a redução de alíquotas só comece a valer no ano de 2024. Advogados dizem que o STF nunca foi tão longe numa modulação de efeitos. Essa situação, criticam, acaba por validar uma conduta inconstitucional. Os ministros afirmam que os Estados violam a Constituição ao cobrar ICMS acima da média sobre o fornecimento de energia e serviços de telecomunicações, mas permitem a continuidade do erro que, frisam, pesa no bolso do contribuinte. “A modulação de efeitos foi pensada para solucionar problemas de segurança jurídica. Mas essa está permitindo uma arrecadação já invalidada”, diz Priscila Faricelli, do escritório Demarest. A modulação que está sendo fixada, além disso, inova em relação aos processos em curso. Geralmente, quando essa medida é aplicada, os contribuintes que têm ações em andamento – para discutir a cobrança – não são afetados. Ou seja, para esse grupo fica resguardado o cumprimento imediato da decisão. Os ministros costumam resguardar as ações ajuizadas até o dia do julgamento ou da publicação das atas de registros das sessões. Desta vez, porém, está prevalecendo entendimento para que somente aqueles contribuintes que buscaram o Judiciário até a data de início do julgamento – 5 de fevereiro – sejam preservados. Estão antecipando, e muito, o que vinha sendo praticado até aqui. O modelo, inédito na Corte, foi sugerido pelo ministro Dias Toffoli. A conclusão desse caso depende somente dos votos de Luiz Fux e Edson Fachin. A intenção dos ministros que já se posicionaram é a de diminuir o impacto nas contas públicas. A redução de ICMS é considerada como uma bomba fiscal. Os tributos sobre energia elétrica e telecomunicações são os que mais geram arrecadação – juntamente com os combustíveis. Estão estimados R$ 26,7 bilhões em perdas ao ano com a decisão que determinou a alteração das alíquotas. Um dia depois de a Corte decidir, em 22 de novembro, o Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda, Finanças, Receita e Tributação dos Estados e Distrito Federal (Comsefaz) enviou carta aos ministros expondo o rombo e pedindo para que a redução das alíquotas de ICMS começasse a valer somente em 2024. Justificaram que, desta forma, ficaria alinhada aos Planos Plurianuais (PPAs) que são elaborados por um período de quatro anos. O ICMS varia entre 25% e 35% – conforme cada localidade. Já a alíquota ordinária, cobrada de forma geral pelos governos, fica entre 17% e 20%. Em relação ao fornecimento de energia, somente quatro Estados – São Paulo, Roraima, Amapá e Maranhão – têm alíquotas equivalentes. Todos os outros cobram mais na conta de luz. O percentual chega a 29% no Rio de Janeiro e no Paraná, por exemplo.

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