
Ano 7 | nº 1630 | 08 de dezembro de 2021
NOTÍCIAS
Dia de quedas no mercado brasileiro do boi gordo; cotação em SP vai a R$ 318/@, segundo a Scot Consultoria
Arroba recua em São Paulo e em outras praças pecuárias importantes do País, devido ao ritmo mais cauteloso dos frigoríficos compradores
Na terça-feira, 7 de dezembro, os preços do boi gordo registraram quedas entre as principais praças pecuárias do País, fragilizados pela menor procura por animais terminados, informa a IHS Markit. “Sem apetite para as compras, resultado do avanço das escalas de abate na semana passada, os frigoríficos paulistas abriram o dia ofertando R$ 2/@ a menos para o macho terminado, que agora vale R$ 318/@”, relata a Scot Consultoria. Por sua vez, as cotações para as fêmeas permaneceram estáveis em São Paulo, a R$ 299/@ (vaca) e R$ 309/@ (novilha). Segundo a IHS, boa parte das indústrias que voltaram às compras retornaram com menor necessidade de aquisição por disporem de escalas de abate mais confortáveis, o suficiente para atender compromissos para a próxima semana. “Muitas unidades de abate relataram, que após trabalharem com preços da arroba nas máximas do ano, conseguiram estender as suas escalas”, observa a IHS. A maior cautela das unidades de abate também é atribuída ao fato de as vendas externas se mostrarem mais fracas neste período do ano, em função da ausência do mercado chinês. Na B3, os contratos futuros do boi gordo seguiram em baixa. “A fragilidade dos futuros do boi deve-se à lentidão na ocorrência de novas vendas de gado e a preocupação da cadeia pecuária com relação a capacidade do consumo doméstico em absorver os repasses de custos sem prejudicar o escoamento”, esclarece a IHS. No mercado atacadista, a terça-feira foi de preços estabilizados.
PORTAL DBO
Expectativa de negócios com a Rússia depois das reabilitações
O consultor de Agronegócios do Itaú BBA, Cesar de Castro Alves, disse que o cenário para o setor de carne bovina, que teve em novembro três unidades reabilitadas pela Rússia – enquanto a indústria de carne de porco recebeu nove habilitações -, pode não ser tão promissor quanto o de suínos
“Para carne bovina eu sou um pouco mais cético, por conta da política que foi adotada na Rússia nos últimos anos, que desestimulou o consumo, então o potencial é menor para compras do que na carne de porco”, disse o consultor do Itaú BBA. O Presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Paulo Mustefaga, disse que a reaproximação com a Rússia se tornou ainda mais importante, visto que a China está temporariamente fora dos negócios com a indústria brasileira. No entanto, ele ressaltou que faltou certa clareza no processo de reabilitação, visto que não se sabe qual critério foi utilizado para as unidades aprovadas. “Muitas plantas estão à espera, aguardando a retomada de negociações do governo brasileiro com a Rússia para que plantas suspensas sejam habilitadas e novas habilitações sejam feitas… gostaríamos de ver esse processo sendo retomado para todos”, disse ele.
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Boi: Volume de animais abatidos no Mato Grosso cresceu 16% em novembro/21
Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o aumento é reflexo da saída dos animais confinados no estado e que foi de 448,19 mil cabeças de bovinos abatidos no mês, com destaque para as categorias de 12 a 24 meses que aumentaram cerca de 30,00%
É importante destacar que este aumento não é algo pontual, mas uma mudança de mercado já estruturada no estado, uma vez que no acumulado de jan.21 a nov.21, essas categorias corresponderam com 26,00% do total abatido, enquanto 48,00% foram animais entre 24 e 36 meses. O mês de novembro foi marcado por valorizações consecutivas nos preços da arroba do boi gordo, sendo que as referências do boi tiveram um incremento de 6,33% no comparativo mensal. As cotações passaram de R$ 256,86/@ e estão precificados ao redor de R$ 273,13/@. “Essa valorização repentina esteve atrelada à elevação da demanda interna, movimento recorrente do mercado no último bimestre do ano devido às festividades e recebimento do décimo terceiro, que sobrepôs a oferta de bovinos”, reportou o IMEA. A cotação da arroba está na média de R$ 298,25/@ e teve um acréscimo de 2,17% no comparativo semanal. Já o indicador da vaca gorda aumentou 2,08% e ficou cotado na média de R$ 287,43/@, isso é reflexo da demanda aquecida no mercado interno que contribuiu para esse cenário.
IMEA
Preços do boi gordo começam a registrar acomodação em Goiás
Após semanas consecutivas de altas para os preços do boi gordo, o mercado já começa a mostrar uma acomodação nas cotações no estado de Goiás. Para a próxima semana espera uma lentidão no mercado pecuário com a proximidade do final de ano, porém a demanda varejista deve ter um aumento com as festas de fim de ano
O Instituto para o Fortalecimento do Agronegócio em Goiás (IFAG) informou que a cotação do boi gordo à vista registrou alta de 0,30% no comparativo semanal e está cotado em R$ 304,20/@, enquanto a vaca gorda apresentou variação positiva de 1,24% frente à semana anterior e está cotada em R$ R$ 292,08/@. “Foi observado valorização da arroba em todo o estado durante a semana que se encerrou no dia 03 de dezembro, mas as escalas já apresentam uma média superior, com média de 7 dias, sendo reflexo da posição confortável que alguns frigoríficos já se encontram”, apontou o instituto em seu relatório semanal. Segundo o levantamento realizado pela a Scot Consultoria, a referência para o boi gordo na região de Goiânia está ao redor de R$ 308,50/@, à vista e livre de impostos e teve uma alta de 2,66% se comparado ao valor da semana passada, que estava em R$300,50/@ Já na região Sul do estado, o preço do boi gordo registrou alta de 1,68% no comparativo semanal e está cotado a R$ 303,50/@, à vista e livre de impostos. No mercado de reposição, foi registrado novas altas para as categorias mais jovens em função da melhora das chuvas e cenário favorável no mercado do boi gordo. “A cotação do nelore macho de 13 a 24 meses teve alta de 11,95% no comparativo semanal, em que passou de R$ 3.305,00 por cabeça para R$ 3.700,00 por cabeça”, destacou. No caso da nelore fêmea de 13 a 24 meses, os preços tiveram um incremento de 14,67% no comparativo semanal, sendo que estavam precificados em R$ 2.420,00 por cabeça e está cotado em R$ 2.775,00 por cabeça.
IFAG
Demanda por carne bovina deve aumentar neste fim de ano, diz Acrimat
Abertura de vagas temporárias de emprego e 13º salário sustentam a previsão
A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) acredita que a demanda por carne bovina deve aumentar devido às festividades de fim de ano. “Se o mercado se comportar dentro da normalidade, a expectativa é que o maior consumo de carnes dê fôlego para o mercado do boi gordo”, afirma o Gerente de Relações Institucionais da entidade, Nilton Mesquita, em nota. Além do churrasco de fim de ano, a abertura de empregos temporários e o recebimento do 13º salário podem colaborar para uma maior procura pela proteína. A despeito da previsão da Acrimat, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) acredita que a transferência de demanda da carne bovina para proteínas mais baratas, que tem ocorrido neste ano — como reflexo, também, do aumento dos preços dos alimentos — deve prosseguir no consumo associado às festas de fim de ano. O aumento da inflação e o alto desemprego no país pressionam o poder de compra da população, o que deve reforçar a procura por carnes de frango e suína.
VALOR ECONÔMICO
ECONOMIA
Dólar fecha em queda de 1,27%, a R$5,6204 na venda
O dólar caiu com força em relação ao real nesta terça-feira, acompanhando melhora internacional no apetite por risco de investidores em meio ao alívio, pelo menos por ora, de temores relacionados à variante Ômicron da Covid-19
Mostrando fraqueza desde os primeiros minutos de negociação, a moeda norte-americana encerrou a sessão em queda de 1,27%, a 5,6204 reais na venda, seu pior desempenho diário desde 11 de novembro.
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Ibovespa tem quarto dia de ganhos com rali nas ações globais
Com receios cada vez menores sobre a variante ômicron do novo coronavírus, as commodities tiveram um dia de recuperação expressiva, o que ajudou a recolocar o índice na marca dos 107 mil pontos
O bom humor dos investidores globais e a nova queda nas taxas longas de juros no mercado local voltaram a impulsionar o Ibovespa no pregão, contribuindo para o quarto dia consecutivo de ganhos nas ações brasileiras. Com receios cada vez menores sobre a variante ômicron do novo coronavírus, as commodities tiveram um dia de recuperação expressiva, o que ajudou a recolocar o índice na marca dos 107 mil pontos. Após ajustes, o Ibovespa encerrou o pregão com ganhos de 0,65%, aos 107.557,67 pontos, maior patamar de fechamento desde o pregão de 11 de novembro. Nos últimos quatro dias, a valorização acumulada do índice é de 6,73%. Assim, o dia foi de demanda elevada por ativos de risco, como ações e commodities. Em Nova York, o S&P 500 avançou 2,07%, o Dow Jones fechou em alta de 1,40% e o Nasdaq subiu 3,03%, enquanto, na Europa, o Stoxx 600 ganhou 2,45%. Os preços do petróleo Brent para fevereiro subiram 3,22%, a US$ 75,44 o barril, enquanto o minério de ferro terminou o dia com ganhos de 8,3% no porto de Qingdao, na China, negociado a US$ 111,34 a tonelada. Assim, companhias ligadas a materiais básicos tiveram um pregão majoritariamente positivo no mercado local. Segundo Luiz Fernando Araújo, Diretor-Executivo da Finacap, a recuperação da bolsa brasileira já tinha sido iniciada mesmo antes dos últimos quatro pregões, mas a variante ômicron havia atrasado o movimento. Com a leitura de que a nova cepa não deve provocar maiores turbulências na economia global, o movimento de alta, que se firmou mais recentemente, pode ter sequência. Araújo tampouco acredita que a chegada de 2022, ano de eleições no Brasil, torne negativas as perspectivas para a bolsa. “Pode ter volatilidade, mas não tenho a mesma convicção do mercado que vai ser um ano negativo”, diz. A visão é semelhante à da equipe de gestão da Quantitas, para quem há empresas geradoras de caixa e com lucros sólidos na bolsa local negociadas em múltiplos próximos aos da crise de 2015-2016. De acordo com eles, considerando o contexto econômico e de preços atual, o início do ano eleitoral em 2022 não traz uma assimetria negativa para os preços como era a leitura do mercado alguns meses atrás. “Enfim, o fluxo de migração de recursos para renda fixa parece estar ampliando o grau de ineficiência na precificação das ações locais, gerando oportunidades”, concluem.
VALOR ECONÔMICO
IGP-DI cai mais que esperado em novembro com minério de ferro; gasolina salta 7,44%
O IGP-DI –uma medida mais ampla de inflação divulgada pela FGV– caiu mais do que o esperado em novembro, mais uma vez influenciado pelo comportamento dos preços de grandes commodities, mostrou a Fundação Getulio Vargas (FGV) na terça-feira
O Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu 0,58% em novembro, após alta de 1,60% em outubro. Pesquisa Reuters apontava recuo de 0,50%. O índice acumula aumento de 16,28% no ano e de 17,16% em 12 meses. Em novembro de 2020, o IGP-DI havia subido 2,64% e acumulava elevação de 24,28% em 12 meses. “Mais uma vez, minério de ferro (4,29% para -24,98%), soja (-0,38% para -3,73%) e milho (-4,45% para -5,15%) apresentaram queda em seus preços influenciando o resultado do IGP”, afirmou em nota André Braz, Coordenador dos Índices de Preços. O Índice de Preços ao Produtor Amplo-Disponibilidade Interna (IPA-DI) –que mede as variações médias dos preços recebidos pelos produtores domésticos na venda de seus produtos e responde por 60% do IGP-DI– caiu 1,16% em novembro, após alta de 1,90% no mês anterior. O estágio das Matérias-Primas Brutas caiu 6,40% em novembro, depois de aumento de 0,75% em outubro. Na contramão, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) acelerou a alta para 1,08% em novembro, contra 0,77% em outubro. Duas das oito classes de despesa componentes do índice registraram acréscimo em suas taxas de variação: Transportes (de 1,31% para 3,07%) e Habitação (de 0,37% para 0,56%). Vale mencionar o comportamento de gasolina, cuja alta acelerou de 2,73% para 7,44%, e condomínio residencial (de 0,39% para 1,43%). O IPC –que abrange 30% do IGP-DI– mede variações intertemporais de preços de um conjunto fixo de bens e serviços componentes de despesas habituais de famílias com nível de renda situado entre 1 e 33 salários mínimos mensais. Com 10% do IGP-DI, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) esfriou a alta em novembro para 0,67%, de 0,86% no mês anterior.
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Agronegócio tenta reverter tendência de queda dos últimos anos e contrata mais
Pnad e Cepea indicam maior patamar de população ocupada no terceiro trimestre em seis anos. Na pecuária, enquanto o setor de bovino repôs vagas, o de suinocultura e o de avicultura reduziram o quadro de trabalhadores
A agropecuária brasileira passa por um momento em que está havendo uma mudança de tendência no setor de emprego dessa atividade. Em queda nos últimos anos, a população ocupada do setor subiu para 18,9 milhões no terceiro trimestre deste ano, uma alta de 10,24% em relação a igual período de 2020. Esse número de trabalhadores não só é uma recomposição das vagas perdidas na pandemia, como é o maior dos últimos seis anos, quando considerado o terceiro trimestre de cada ano. Para Nicole Rennó Castro, pesquisadora do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), se persistir esse cenário, haverá uma continuidade na geração de empregos e uma reversão dessa tendência de queda que o setor vinha apresentando. A recomposição está ocorrendo, no entanto, em maior percentual no quadro informal e com trabalhadores sem escolarização. O rendimento também é menor. Rennó explica que, na verdade, esses trabalhadores haviam sido demitidos em maior número e que, agora, estão voltando. Essa mudança na composição de trabalho gera, inclusive, um valor médio menor dos rendimentos, uma vez que são incorporados salários menores no setor. Os dados do Cepea, com base na Pnad Contínua e na Rais (Relação Anual de Informações Sociais), indicam que, no período de julho a setembro, a agropecuária tinha 18,9 milhões de postos de trabalho, 5,7 milhões ocupados por mulheres. Estas aumentam sua participação, e registraram crescimento de 13,3% no terceiro trimestre, em relação a igual período de 2020. Os homens tiveram aumento de 8,9% na população ocupada no período. O crescimento dos postos de trabalho dos sem carteira foi de 17,9%, e o dos sem instrução, de 31,9%. Com isso, o rendimento médio dos empregados recuou 7,2% no período. Já o dos que trabalham por conta própria subiu 5,82%. Fertilizantes e defensivos agrícolas, dois insumos importantes nessa expansão atual da agricultura brasileira, tinham no terceiro trimestre uma população ocupada 36,3% maior do que a de igual período de 2020. Já o de ração perdeu 11% da população ocupada. Os setores de proteínas, principalmente o de leite, estão usando menos ração. No setor da agroindústria, a de biodiesel foi bastante prejudicada neste ano. A redução da mistura de biodiesel ao diesel para 10% pelo governo fez o setor dispensar 38% da mão de obra, conforme os dados apurados pelo Cepea no terceiro trimestre, em relação a igual período do ano passado. Ainda na agroindústria, o setor de açúcar, além de registrar seca nas lavouras de cana perdeu espaço para a produção de etanol. Com isso, houve redução de 17% na população ocupada.
FOLHA DE SP
FRANGOS & SUÍNOS
Brasil espera elevar vendas de carne suína para Rússia no início de 2022
A indústria de carne suína do Brasil se prepara para elevar as exportações da proteína para a Rússia já nos primeiros meses de 2022, apesar da limitação de acesso ao país durante o inverno russo devido ao congelamento das águas em diversos portos
A opção dos exportadores, que recentemente receberam uma rodada de reabilitações de unidades frigoríficas pela Rússia, seria entrar pelo porto de São Petersburgo, disse a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). “Tenho certeza que vai aumentar o volume embarcado em janeiro e fevereiro… porque São Petersburgo não congela”, afirmou o Presidente da associação, Ricardo Santin. Um executivo de uma das principais exportadoras de carnes do país disse à Reuters na condição de anonimato que o movimento tende a começar no primeiro trimestre, mas o impacto positivo, de fato, é previsto para beneficiar a indústria no primeiro semestre do ano que vem. Santin lembrou que o mercado russo já foi o principal comprador da proteína suína do Brasil no passado, depois reduziu drasticamente as importações por uma estratégia de aposta na produção local e agora retoma um estreitamento na parceria. “A Rússia conseguiu ter autossuficiência neste setor por um período, mas agora tem vários fatores que a levam a buscar o mercado externo. A peste suína africana (PSA), aumento de custo de produção, e também aumento de consumo local”, disse Santin. Dados da associação indicam que os brasileiros exportaram 259,41 mil toneladas de carne de porco aos russos em 2017. Entre janeiro e outubro de 2021, no entanto, esse volume despencou para 3.827 toneladas. O Ministério da Agricultura informou à Reuters em nota que até 2020 havia uma cota da Rússia de 430 mil toneladas para importação de carne suína de qualquer país do mundo com tarifa zero. Em 2020, a cota foi extinta e os russos estabeleceram uma tarifa única de 25%. Mas na semana passada, disse a pasta, o governo russo anunciou uma nova cota de 100 mil toneladas, sem tarifa, com validade entre 1º de janeiro e 30 de junho do próximo ano. “A tendência é que agora aumente novamente a exportação”, disse o presidente da ABPA, citando que a cota não é exclusiva para o Brasil, porém o país pode ser um dos principais beneficiários. Pelas estimativas da associação, considerando o atual preço médio de importações para o mercado russo, a cota disponibilizada tem potencial de geração de exportações de mais US$ 200 milhões. O consultor de Agronegócios do Itaú BBA, Cesar de Castro Alves, destacou que também não está descartada a possibilidade de o Brasil embarcar produtos além da cota, a depender da avidez de compras dos russos. “Podemos ir além da cota, parece importante que eles estejam querendo parceiros para importar carne suína, isso é um sinal claro”, disse o especialista. Santin afirmou ainda que a Rússia compra produtos suínos similares aos que são vendidos para a China, então a reaproximação com este player é uma boa alternativa para a indústria nacional. Para Alves, um outro efeito secundário é que o Brasil pode ocupar um espaço maior no mercado do Vietnã, que vinha sendo atendido pela proteína suína da Rússia e agora está com uma lacuna devido à PSA entre os russos.
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Suínos: preços caíram na terça-feira
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF caiu 5,30%/3,57%, valendo R$ 125,00/R$ 135,00, enquanto a carcaça especial baixou 1,01%/0,97%, custando R$ 9,80/R$ 10,20 o quilo
Na cotação do animal vivo, conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à segunda-feira (6), o preço ficou estável somente em Minas Gerais, no patamar de R$ 7,47/kg. Houve queda de 1,83% em São Paulo, chegando em R$ 7,49/kg, baixa de 3,26% em Santa Catarina, atingindo R$ 6,52/kg, recuo de 3,83% no Paraná, baixando para R$ 6,27/kg, e de 0,47% no Rio Grande do Sul, fechando em R$ 6,33/kg.
Cepea/Esalq
Frango: a terça-feira fechou com preços mistos
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave na granja cedeu 1,96%, chegando em R$ 5,00/kg, enquanto o frango no atacado subiu 1,57%, valendo R$ 6,45/kg
Na cotação do animal vivo, o preço subiu 1,35% em Santa Catarina, valendo R$ 3,75/kg, e no Paraná ficou estável, custando R$ 5,77/kg. São Paulo ficou sem referência de preço nesta terça-feira. Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à segunda-feira (6), tanto a ave congelada quanto a resfriada sofreram baixa de 0,44%, custando, respectivamente, R$ 6,72/kg e R$ 6,73/kg.
Cepea/Esalq
Exportações de carne de frango mantêm alta de 9,08% em 2021
Receita de vendas de novembro cresce 26,9% em novembro
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que as exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 4,198 milhões de toneladas entre janeiro e novembro deste ano, superando em 9,08% as vendas registradas no mesmo período do ano passado, com 3,849 milhões de toneladas. Em receita, as exportações de carne de frango acumulam alta ainda mais expressiva no mesmo período, chegando a 25,3%. Ao todo, foram US$ 6,944 bilhões registrados nos onze primeiros meses de 2021, contra US$ 5,543 bilhões no ano anterior. Considerando apenas o mês de novembro, foram exportadas 334,7 mil toneladas de carne de frango, número 4,5% menor que o efetuado no mesmo período de 2020, com 350,7 mil toneladas. Por outro lado, a receita dos embarques de novembro cresceu 26,9%, com US$ 605,3 milhões neste ano, contra US$ 476,8 milhões no décimo primeiro mês de 2020. “O Brasil se encaminha, de fato, para o recorde histórico nas exportações de carne de frango, muito possivelmente ampliando a distância em volume para os principais concorrentes. Isto reforça o papel do País como importante player em favor da segurança alimentar”, completa o Presidente da ABPA, Ricardo Santin. Entre os principais destinos das exportações no ano estão o Japão, com 403,5 mil toneladas exportadas, 8,8% a mais que o embarcado no mesmo período de 2020, além dos Emirados Árabes Unidos, com 344 mil toneladas (26,4%), África do Sul, com 268,8 mil toneladas (13,3%), União Europeia, com 178,7 mil toneladas (+14%) e Filipinas, com 154,8 mil toneladas (158,7%).
ABPA
EMPRESAS
Na BRF, o choque de custos passou – mas empurrou a meta de Ebitda em um ano
Pressão de margem faz companhia postergar em um ano meta de atingir um Ebitda de R$10 bi
Quando Lorival Luz chegou à BRF, em 2017, o clima na rua Hungria não era dos mais amistosos. O conselho de administração vivia às turras e os resultados iam de mal a pior. A história recente é relativamente conhecida, mas nem mesmo naquele inferno astral a dona de Sadia e Perdigão precisou lidar com um ambiente inflacionário tão adverso quanto foi 2021. Quem garante é o próprio CEO global da BRF. A magnitude da alta dos custos de produção, que em alguns casos superou 50%, não estava no horizonte nem dos mais conservadores como o executivo mineiro. “Já viramos 2020 muito comprados em grãos, mas mesmo assim tivemos de fazer reajustes sequenciais para lidar com custos”, disse Luz ao Pipeline. Diante da escalada das matérias-primas, desde a ração às embalagens, a margem Ebitda naturalmente sofreu – caindo de 13% para11% –, ficando abaixo do que a companhia imaginava quando fez o orçamento de 2021. O copo meio cheio, e que será explorado no BRF Day de amanhã, é o impacto positivo da melhor gestão de custos. Nos últimos anos, a diferença de custos de produção da BRF ante as concorrentes aumentou, em benefício da dona da Sadia, que vem entregando um CPV bem mais comportado que a média do setor, o que se traduz em Ebitda. A BRF fez um Ebitda de R$ 5,5 bilhões nos últimos 12 meses encerrados em setembro, número que seria sensivelmente menor se a trajetória dos custos de produção segue à média do mercado. Em uma extrapolação, a companhia perderia R$ 2 bilhões no resultado operacional, o que faria com o que o Ebitda ficasse abaixo de R$ 3 bilhões, em nível parecido ao ciclo de 2016-2018. Num ambiente menos hostil do que o atual, a reestruturação da BRF nos últimos anos pode ter como legado uma companhia bem mais rentável no futuro – num mundo de custos menos instáveis, o Ebitda potencial da empresa já seria de R$ 7 bilhões, com as margens mais próximas de 15%. Por ora, a disparada dos custos provocou uma revisão nas projeções de longo prazo. Ao invés de chegar a um Ebitda de R$ 10 bilhões em 2023, como projetou durante o BRF Day do último ano, a dona da Sadia levará mais um ano para chegar a esse objetivo, portanto, em 2024. A meta é chegar a uma receita de R$ 65 bilhões daqui a três anos, ante cerca de R$ 50 bilhões este ano. A adequação do passo é também um sinal de que a BRF usará o tempo para dosar a velocidade de investimentos, com vistas a preservar o índice de alavancagem abaixo do limite prudencial de 3 vezes (teto ultrapassado no terceiro trimestre). “É compreensível que os analistas fiquem preocupados com o custo caixa dos juros”, reconhece Carlos Moura, Vice-Presidente de Finanças e de Relações com Investidores da BRF. A companhia detém um colchão de liquidez de R$ 7 bilhões em caixa e um prazo médio de vencimento das dívidas de mais de 9 anos. Além disso, vem conseguindo monetizar mais impostos – cerca de R$ 1 bilhão apenas em 2021, o que alivia o fluxo de caixa. Na leitura do CEO da BRF, a maior parte do aumento de custos já ficou para trás, e o grupo conseguiu fazer os reajustes – o que deve se traduzir em margens mais gordas em 2022.
VALOR ECONÔMICO
INTERNACIONAL
Brasil perde para Índia liderança na exportação de produtos agro para a Liga Árabe
Mas embarques brasileiros cresceram em 2020 e renderam US$ 8,1 bilhões
O Brasil perdeu para a Índia a liderança na venda de alimentos para a Liga Árabe, segundo dados compilados pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. A “culpa”, segundo a entidade, foi da logística ineficiente e da ampliação de fornecedores de alimentos para aqueles países. Em 2020, o Brasil respondeu por 8,15% de todos os produtos do agronegócio importados pelos 22 países membros da entidade diplomática. A participação da Índia chegou a 8,25%. O Brasil liderava o ranking desde 2006. Segundo a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, o Brasil perdeu espaço por causa de problemas logísticos. A desorganização de rotas marítimas geradas pela pandemia no ano passado, a escassez de contêineres frigorificados e a alta concentração das companhias de navegação resultaram no alongamento das rotas tradicionais entre os portos brasileiros e árabes, o que inviabilizou o comércio de perecíveis. Enquanto o tempo para a chegada de carregamento do Brasil para a Arábia Saudita dobrou, passando de 30 para 60 dias, as viagens a partir da Índia duram cerca de uma semana. O país asiático passou a exportar mais frutas, verduras, legumes, além de açúcar, carnes e grãos. “Estamos buscando conversar com investidores para viabilizar a criação de linhas marítimas diretas, um antigo sonho da Liga Árabe, cuja necessidade está mais que evidente neste momento”, afirmou Tamer Mansour, Presidente da entidade. Mesmo sem a liderança, o Brasil aumentou as exportações para os países árabes em receita (1,4%) e volume (15,9%), com negócios que somaram US$ 8,1 bilhões. Entre janeiro e outubro deste ano, as vendas parciais já somaram quase US$ 6,8 bilhões, alta de 5,5% em relação ao mesmo período de 2020. Mansour disse que os países da Liga Árabe fizeram esforço para ampliar o rol de fornecedores para fugir do risco de desabastecimento, o que resultou na maior participação da Índia, Turquia, Estados Unidos, França e Argentina. As nações árabes também aceleraram planos para fomentar a produção local.
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