
Ano 7 | nº 1606 | 03 de novembro de 2021
NOTÍCIAS
Preço do boi gordo estável em meio ao feriado de Finados
Com a semana curta devido ao feriado nacional (2/11) e com a maior parte dos frigoríficos com as escalas completas para a semana, poucos negócios foram reportados na segunda-feira (1/11)
As cotações do boi e vaca gordos nas praças paulistas ficaram estáveis, negociados em R$262,00/@ e R$252,00/@, preços brutos e a prazo, respectivamente, enquanto o preço da novilha gorda caiu R$2,00/@ comparado ao fechamento de sexta-feira (29/10), negociada por R$260,00/@, na mesma condição.
SCOT CONSULTORIA
Boi: arroba chega a R$ 257 em São Paulo
De acordo com a consultoria Safras & Mercado, o feriado atrapalhou o fluxo de negócios no início da semana, mas o cenário para os confinadores segue complicado
A capacidade de retenção continua reduzida em virtude da elevação do custo de nutrição animal. Em São Paulo capital, a referência para a arroba ficou em R$ 257,00 na modalidade a prazo. Na B3, as cotações dos contratos futuros do boi gordo apresentaram boa valorização na véspera do feriado, com o mercado ainda especulando novidades em relação à China. O ajuste do vencimento para novembro foi de R$ 273,35 para R$ 274,90, do dezembro foi de R$ 288,00 para R$ 291,05 e do janeiro passou de R$ 297,50 para R$ 300,00 por arroba.
AGÊNCIA SAFRAS
Mercado do boi gordo registra poucos negócios nas praças pecuárias brasileiras
Com estoques elevados nas câmaras frias, as indústrias tiram o pé das compras de boiadas gordas e mantêm a pressão baixista no valor da arroba, relata a IHS Markit
Com estoques elevados nas câmaras frias e a ausência da China no mercado importador, as indústrias reduzem a procura por boiadas gordas e reforçam a pressão baixista na arroba, diz a IHS. Além disso, os frigoríficos relatam preocupações com as sucessivas quedas nos preços internos da carne bovina, em função da inconsistência da demanda pela proteína. Segundo a IHS Markit, entre importantes regiões pecuárias do País, sobretudo onde se concentra as maiores estruturas de confinamentos, a pressão de baixa é mais forte. É o caso das praças de São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso, onde os preços da arroba acumularam quedas acentuadas. Especialmente nessas regiões, as unidades de abate reduziram consideravelmente a capacidade operacional, com o objetivo de ajustar a produção à demanda vigente. Por outro lado, outras regiões do País registraram impactos mais moderados nos preços do boi gordo. No Sul, por exemplo, onde a oferta de animais terminados se mostra apertada, a demanda existente é suficiente para garantir suporte aos preços locais da arroba, informa a IHS. “Outro ponto é que o leque de importadores da proteína bovina produzida nos estados da região Sul é mais diversificado”, relata a consultoria, acrescentando que grandes volumes estão sendo enviado aos países do Oriente Médio e da Europa.
PORTAL DBO
Terceirização de fiscais sofre revés na Justiça
Ministério da Agricultura terá que cancelar Acordos de Cooperação Técnica com 11 municípios de SC
O Ministério da Agricultura terá que cancelar os Acordos de Cooperação Técnica firmados com 11 municípios de Santa Catarina que permitiam a contratação temporária de servidores cedidos pelas prefeituras para desempenhar atividades privativas do cargo de auditor fiscal federal agropecuário. Uma decisão judicial também impediu a realização de novos convênios dessa natureza e pode abrir precedente para a derrubada de contratos semelhantes em outros Estados. Com déficit de servidores na área, a medida poderá afetar a continuidade dos serviços de inspeção e da produção em Santa Catarina. A decisão impede a abertura de novos frigoríficos, segundo o ministério. Notificada após o trânsito em julgado da ação civil pública proposta pelo Ministério Público catarinense, a Pasta terá que desfazer acordos com as prefeituras de Herval d’Oeste, Seara, Chapecó, Ipumirim, Joaçaba, Itapiranga, São Miguel do Oeste, Capinzal, Colombo, Ipuaçu e Irineópolis, alguns assinados este ano. Os acordos garantiam a cessão de 13 veterinários dos municípios para atuar no Serviço de Inspeção Federal (SIF) em abatedouros sob a supervisão de um auditor fiscal. Os profissionais eram responsáveis por operações de ante e post mortem e coletas de amostras oficiais. O cancelamento deverá ocorrer gradativamente, com a substituição dos médicos veterinários por servidores públicos federais concursados. O cronograma estabelecido pela Pasta prevê o encerramento dos acordos até 2024. Nota técnica do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) diz que haveria necessidade de nomeação de dois médicos veterinários em 2022, seis em 2023 e cinco em 2024. O problema é que o pleito insistente da Ministra Tereza Cristina com a equipe econômica para a realização de concurso público ainda não teve resposta positiva. O tema estaria em estudo para 2022, mas sem garantias, haja vista a situação fiscal e orçamentária do país. “Novos abatedouros não poderão ser abertos com a proibição da celebração de novos acordos com as prefeituras, bem como a abertura de novos turnos de abate em abatedouros já existentes. A população e os municípios acabam sendo afetados”, completou a Pasta. O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) comemorou a decisão, pois é contra a contratação de “terceiros” para a realização de tarefas privativas dos servidores. O ministério garante, no entanto, que os médicos veterinários cedidos pelas prefeituras não assinam certificados de trânsito ou autuação de estabelecimentos em caso de infração, tarefas dos profissionais concursados. O Ministério da Agricultura não informou quantos convênios existem. O presidente do Anffa Sindical, Janus Pablo, disse que a decisão reforça a necessidade de concurso público para a categoria. O déficit está estimado em 1.620 profissionais.
VALOR ECONÔMICO
Relação de troca com boi gordo é a pior da história para a recria de gado de corte
A quantidade de arrobas necessárias para a compra de animais de reposição é a maior
A atual relação de troca entre o valor da arroba na comercialização do boi gordo e o preço pago na compra de animais de reposição atingiu o momento mais desfavorável ao pecuarista que se dedica a recria de gado, considerando-se toda a série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), iniciada em 2000. Segundo os pesquisadores, quando consideradas as médias mensais deflacionadas pelo IGP-DI (base setembro/21), o pecuarista de São Paulo precisa, na parcial de outubro (até o dia 26), de 10,17 arrobas de boi gordo para a compra de um animal de reposição no mercado sul-mato-grossense, sendo 8,4% a mais que no mês passado, 16,8% acima do necessário em outubro de 2020. A quantidade de arrobas em relação aos animais de reposição é quantidade já registrada. A média histórica da relação de troca do Cepea é de 7,69 arrobas de boi gordo paulista para um animal de reposição de Mato Grosso do Sul. Os pesquisadores explicam que esse cenário está atrelado às recentes fortes quedas nos preços da arroba bovina, diante da continuidade da suspensão dos envios de carne à China e da entrada de animais de confinamento no mercado spot nacional. “Além disso, os valores dos animais de reposição seguem relativamente firmes em muitas praças acompanhadas pelo Cepea, reforçando a piora na relação de troca do recriador”, dizem eles.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar fecha em alta de 0,52%, a R$5,6712 na venda
O dólar registrou ganhos frente ao real na segunda-feira, com investidores elevando a cautela em início de semana que prevê votação da PEC dos Precatórios no Congresso, divulgação da ata do Copom, reunião do Federal Reserve e dados de emprego dos Estados Unidos
O dólar à vista fechou o primeiro pregão de novembro em alta de 0,52%, a 5,6712 reais na venda, seu maior patamar para encerramento desde 13 de abril deste ano (5,7175). Na B3, o dólar futuro subia 0,73%, a 5,7015 reais. Ainda na quarta-feira desta semana, o Banco Central divulgará a ata de sua última reunião de política monetária, e os mercados ficarão atentos à linguagem que a autarquia adotará, depois que a mais recente elevação da taxa Selic foi vista por alguns operadores como tímida demais para conter as crescentes expectativas de inflação domésticas. Em sua última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC aumentou os juros básicos em 150 pontos-base, a 7,75% ao ano. Há ampla expectativa de que o banco central norte-americano anuncie o início da redução de suas compras mensais de títulos ao fim do encontro, uma vez que a inflação nos Estados Unidos parece mais persistente do que o inicialmente esperado pelas autoridades. A reversão dessa medida de estímulo é vista como positiva para o dólar. Também estavam no radar dos investidores dados sobre a criação de vagas de trabalho nos EUA, que serão divulgados na sexta-feira. O relatório, conhecido como “payroll”, é considerado fonte de informação importante para a condução da política monetária do Federal Reserve.
REUTERS
Ibovespa começa novembro com alta de 2%
O Ibovespa fechou em alta o primeiro pregão de novembro, reflexo de ajustes de posições, após acumular queda nos últimos quatro meses. No setor de carnes, a MARFRIG ON perdeu 4%, com algumas ações de empresas de proteínas passando por correção após forte valorização no último pregão. JBS ON cedeu 4,8%. MINERVA ON, que divulga balanço no dia 4, subiu 0,5%.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 1,98%, a 105.550,86 pontos. O volume financeiro no pregão somou 28 bilhões de reais. A alta da segunda-feira veio após o Ibovespa cair 6,7% em outubro, acumulando perda de mais de 18% ao longo de quatro meses seguidos de queda. Para Tomás Awad, sócio fundador da 3R Investimentos, o movimento nesta segunda-feira foi uma recuperação técnica após um outubro “bem difícil”, sem fundamentos que justificassem os ganhos nesta sessão. Apesar do avanço, pouco mudou na percepção do mercado de elevação dos riscos internos, principalmente quanto a potenciais medidas com efeito fiscal, além do cenário de menor crescimento, inflação ainda pressionada e taxas de juros mais elevadas. Nesse contexto, no radar desta semana estão divulgações como a da ata da última reunião do Copom, quando a Selic foi elevada a 7,75% ao ano, bem como movimentações em Brasília relacionadas à votação da PEC dos Precatórios. Para Awad, o cenário externo tende a começar a ajudar menos o Brasil, em meio ao ajuste no modelo econômico na China, que deve se refletir em menor crescimento, além da esperada confirmação da redução de estímulos nos EUA.
REUTERS
Mercado vê inflação em 2021 acima de 9% e Selic em mais de 10% em 2022
O mercado financeiro promoveu mais uma rodada de expressiva piora nas estimativas para variáveis financeiras e econômicas brasileiras, vendo agora Selic de dois dígitos em 2022, quando a inflação ficará ainda mais distante da meta
De acordo com a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central na segunda-feira, o juro básico irá a 10,25% ao fim de 2022, ante previsão anterior de 9,50%. Ao fim de 2021, a Selic estará em 9,25%, ante 8,75% do cenário mostrado na semana passada. A mediana das projeções do mercado para o crescimento da economia brasileira em 2021 voltou a cair, de 4,97% para 4,94%. Para 2022, o ponto-médio das expectativas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) também foi reduzido, de 1,40% para 1,20%. Para 2023, permaneceu em 2,00%. Para 2024, caiu de 2,25% para 2,20%. O dólar ficará mais caro e irá a 5,50 reais ao término de 2021 e de 2022, contra taxa anterior de 5,45 reais para ambos os anos. E a inflação prevista foi novamente elevada –para 4,55% em 2022 (de 4,40%) e 9,17% neste ano (8,96% antes).
REUTERS
FRANGOS & SUÍNOS
Cepea/Suínos: cotações caíram no 1º de novembro
O mercado de suínos iniciou o mês de novembro com preços em queda
Segundo informações do Cepea/Esalq, a demanda pela carne no atacado se desaqueceu, devido à diminuição na renda da maior parte dos consumidores, reforçada pela inflação elevada. Por sua vez, frigoríficos limitam a demanda por novos lotes de animais para abate. Em São Paulo, conforme a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF caiu 1,71%/4,00%, chegando a R$115,00/R$ 120,00, enquanto a carcaça especial baixou, pelo menos, 1,10%, valendo R$ 9,00/R$ 9,50 o quilo. No caso do animal vivo, com informações do Cepea/Esalq referentes à sexta-feira (29), o preço ficou estável somente em Santa Catarina, valendo R$ 6,16/kg. Houve queda de 1,34% no Rio Grande do Sul, atingindo R$ 5,91/kg, baixa de 1,32% em São Paulo, chegando a R$ 6,72/kg, recuo de 0,72% em Minas Gerais, custando R$ 6,93/kg, e de 0,16% no Paraná, fechando em R$ 6,30/kg.
CEPEA
CEPEA/Frango: novembro começa com mercado estável
O início desde mês de novembro para o mercado do frango foi de preços estáveis na segunda-feira
Segundo o Cepea/Esalq, o poder de compra do avicultor paulista está mais elevado neste mês frente aos principais insumos utilizados na atividade, milho e farelo de soja. Os preços médios do frango vivo estão estáveis em outubro frente ao mês anterior, ao passo que os valores dos insumos estão em queda. Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave na granja ficou estável em R$ 6,00/kg, assim como o frango no atacado, cotado em R$ 7,30/kg. No caso do animal vivo, não houve alteração no preço em São Paulo, valendo R$ 6,00, no Paraná, fixado em R$ 5,91/kg, nem em Santa Catarina, cotado em R$ 3,70/kg. Para o Cepea/Esalq, referentes à sexta-feira (29), o preço da ave resfriada não mudou, valendo R$ 8,10/kg; já o da congelada sofreu leve queda de 0,13%, fechando em R$ 7,79/kg.
CEPEA
Namíbia suspende aves da Alemanha e Holanda após surto de gripe aviária
A Namíbia suspendeu as importações de aves vivas, aves e produtos avícolas da Alemanha e da Holanda na segunda-feira, após surtos da gripe aviária altamente patogênica H5N1 nos países europeus
A Alemanha relatou o surto de gripe aviária em uma fazenda de ganso na semana passada, enquanto fazendas comerciais na Holanda foram obrigadas a manter todas as aves dentro de casa após um surto em uma fazenda na província central de Flevoland. A Direcção de Serviços Veterinários da Namíbia disse que suspendeu imediatamente a importação e trânsito em trânsito de aves vivas, aves, produtos avícolas crus, avestruzes vivos e produtos de avestruz dos dois países. Ela disse que as remessas de produtos avícolas embalados de 1º de outubro na Alemanha e 5 de outubro na Holanda seriam rejeitadas e devolvidas ou destruídas a um custo para o importador. O risco da doença para os humanos é considerado baixo, mas surtos anteriores entre aves de granja resultaram em extensos programas de abate para conter a disseminação.
REUTERS
Desempenho do frango (vivo e abatido) na 43ª semana de 2021, quinta de outubro
Na quinta semana de outubro, o frango abatido apresentou queda de preço em relação ao mês anterior (na média da semana, redução de 3,84% em relação à semana anterior) e, no último dia de negócios da semana (29) redução de, praticamente, 8% em relação ao pico de preços do mês
O pico de preços foi inferior ao dos dois meses anteriores, enquanto o valor de fechamento registrou um dos maiores índices de redução dos últimos tempos quando comparado ao valor alcançado no pico. E isto quer dizer que a semana foi encerrada com preços que não eram registrados desde o início de julho passado, há mais de 100 dias. Na sexta-feira (29), o mercado mostrou-se bem mais ativo que em idênticos momentos anteriores. Quanto ao frango vivo nada de diferente em relação às semanas anteriores ou aos 108 dias anteriores. Ou seja: fechou a semana e o mês (dia 30) ainda cotado a R$6,00/kg. Mas, diferentemente do que prevaleceu até os primeiros dias de outubro, a demanda caiu sensivelmente. Daí a realização de negócios por valores abaixo do preço de referência. O que vem pela frente é difícil de prever com a chegada da primeira parcela do décimo -terceiro salário e a aproximação das Festas. Mas hoje é encarado com apreensão.
AVESITE
MEIO AMBIENTE
Brasil se compromete a reduzir emissões de metano em 30% até 2030
Considerado um dos cinco maiores emissores mundiais de metano, o Brasil tem a atividade pecuária como a principal contribuição para esta posição junto com a produção de óleo e gás e os aterros sanitários. Com o maior rebanho bovino do mundo, o país precisará aumentar a produtividade no setor e investir em tecnologia para garantir o cumprimento da meta
Anunciado em setembro por EUA e UE, compromisso recebeu adesão de 15 dos 30 maiores emissores globais do gás, considerado 80 vezes mais danoso ao clima do que o CO². O Brasil somou-se a um grupo de mais de 90 países que decidiram aderir nesta terça-feira (02/11) em Glasgow, ao compromisso de reduzir em 30% duas emissões de metano, um dos gases de efeito estufa mais potentes presentes na atmosfera. A meta havia sido anunciada em setembro por EUA e União Europeia e toma como base as emissões atuais. O metano tem vida mais curta na atmosfera do que o dióxido de carbono, mas é 80 vezes mais potente no aquecimento da Terra. Como resultado, reduzir as emissões do gás, que se estima ter respondido por 30% do aquecimento global desde os tempos pré-industriais, é uma das formas mais eficazes de desacelerar as mudanças climáticas. Ao todo, 15 dos 30 maiores emissores mundiais de metano já aderiram ao compromisso durante a COP26, incluindo Indonésia, Paquistão, Argentina, México, Nigéria, Iraque e Canadá. O grupo estima que o compromisso permitirá reduzir o aquecimento global em pelo menos 0,2 grau Celsius até 2050.
GLOBO RURAL
COP26: Brasil promete reduzir emissões de gases pela metade até 2030
Meta foi divulgada durante abertura da participação brasileira
O Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, anunciou na segunda-feira (1º) uma nova meta de redução de emissões de gases do efeito estufa. A informação foi divulgada durante a abertura da participação brasileira na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26), em Glasgow, na Escócia. “Apresentamos hoje uma nova meta climática, mais ambiciosa, passando de 43% para 50% até 2030; e de neutralidade de carbono até 2050, que será formalizada durante a COP26”, disse. Leite participou da abertura da cúpula por meio de transmissão simultânea, em evento realizado em Brasília, no edifício-sede da Confederação Nacional da Indústria. Segundo o Ministro, a conferência marca “uma transição do debate das promessas climáticas para a criação de empregos verdes”. Leite argumentou ainda que o Brasil tem atuado como articulador do debate. “Realizamos encontros bilaterais prévios com mais de 60 países, atuando como país articulador, buscando o diálogo e pontos de convergência. Também conduzimos dezenas de reuniões técnicas, coletando subsídios que culminaram numa estratégia de negociação para defender o interesse nacional e posicionar o Brasil como país fundamental nessa nova agenda verde mundial”, disse.
AGÊNCIA BRASIL
Oito grupos se comprometem com investimentos de US$ 3 bi em soja e gado sem desmatamento
Empresas do setor financeiro e do agronegócio se comprometeram na COP26 a tornar disponível esse montante
Oito grupos do setor financeiro e do agronegócio se comprometeram na segunda-feira, na COP26, a tornar disponíveis investimentos US$ 3 bilhões na produção de soja e na criação de gado livres de desmatamento na Amazônia, no Cerrado e no Chaco. Assinaram o compromisso o fundo de impacto holandês &Green Fund, o fundo AGRI3 (gerido pelo banco holandês Rabobank), a fintech DuAgro, o Grupo Gaia, a gestora JGP Asset Management, a gigante de insumos Syngenta, a consultoria Sustainable Investment Management (SIM) e a securitizadora VERT. O compromisso faz parte da iniciativa Finanças Inovadoras para a Amazônia, Cerrado e Chaco (IFACC, na sigla em inglês), criada pelas organizações The Nature Conservancy (TNC), Tropical Forest Alliance (TFA) e pelo Programa Ambiental da ONU (Unep), e já antecipado pelo Valor em março. Com as oito instituições signatárias até o momento, já foram comprometidos desembolsos de mais de US$ 200 milhões até 2022, e cada uma delas ainda vai apresentar seus compromissos específicos. Mas o IFACC quer atrair mais signatários. Seus criadores almejam alcançar US$ 10 bilhões em compromissos e US$ 1 bilhão em desembolsos até 2025. O plano é incentivar financiamentos e investimentos nos três biomas que acelerem a transição do modelo de produção atual, incentivando a produção agrícola em pastos que hoje estão degradados e elevando a produtividade da pecuária com intensificação. Para escalar os investimentos, a inciativa está estimulando instituições financeiras a se comprometerem com “crédito verde” às regiões e vai atuar junto aos signatários para implantar e ampliar a escala dos mecanismos de financiamento criados. Os organizadores do IFACC lembram que Amazônia, Cerrado e Chaco estão sob forte ameaça, dado que a demanda por produtos agropecuários tem aumentado duas vezes mais que o crescimento populacional. Eles estimam que sejam necessários US$ 30 bilhões para a transição do setor produtivo nesses biomas, frente às “centenas de milhões” disponíveis hoje. O fundo AGRI3, por exemplo, pretende contribuir com a iniciativa fornecendo garantias para financiadores comerciais em empréstimos a projetos de uso da terra. A DuAgro, por sua vez, pretende mapear e destravar emissões de títulos verdes no Brasil. Segundo a CEO da fintech, Fernanda Mello, a companhia quer emitir ao menos US$ 30 milhões em títulos verdes no próximo ano e, até 2025, garantir que 30% de suas operações estejam alinhadas com os requisitos do IFACC, elevando esse percentual para ao menos 35% daqui cinco anos. O SIM pretende criar uma série de fundos de dívida capitalizados com a emissão de títulos verdes para direcionar financiamentos à produção de soja no Cerrado sem desmatamento, segundo o CEO da consultoria, Pedro Moura Costa. A VERT, por sua vez, pretende emitir ao menos US$ 100 milhões em títulos verdes no próximo ano e “educar” o mercado, incentivando os produtores rurais a se adequarem aos parâmetros do IFACC e promovendo a disponibilidade de ativos verdes aos investidores, disse Martha De As, CEO da securitizadora.
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