CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1598 DE 21 DE OUTUBRO DE 2021

clipping

Ano 7 | nº 1598 | 21 de outubro de 2021

 

NOTÍCIAS

Boi: indicador do Cepea chega ao menor valor do ano

O indicador do Cepea para o boi gordo, que considera preços de negociação coletados em São Paulo, renovou a mínima do ano e ficou cotado a R$ 262,90 por arroba

Na comparação diária, a queda chegou a 3,5% e ficou em quase R$ 10. No acumulado do ano, o indicador tem uma queda de 1,59% e em 12 meses, de 1,33%. Na B3, as cotações dos contratos futuros do boi gordo tiveram mais um dia de queda e apagaram a pequena recuperação observada entre o final da semana passada e o início dessa. O ajuste do vencimento para outubro passou de R$ 268,95 para R$ 267,55, do novembro foi de R$ 278,05 para R$ 273,40 e do dezembro foi de R$ 291,60 para R$ 284,85 por arroba.

CEPEA

Boi gordo: escala de abate cresce e cotação cai

Na praça pecuária de São Paulo as escalas de abate evoluíram, atendendo, em média, de 11 a 12 dias, e com o consumo doméstico fraco, a cotação do boi gordo caiu R$2,00/@ na comparação diária 

Os preços da vaca e a novilha gordas se mantiveram estáveis. A referência do boi gordo ficou em R$267,00/@, preço bruto e a prazo, R$266,50/@ com o desconto do Senar e R$263,00/@ com o desconto do Senar e Funrural.

SCOT CONSULTORIA

Fator China’ aprofunda queda dos preços do boi gordo

A determinação do Ministério da Agricultura para que os frigoríficos suspendam quaisquer novas produções de carne bovina destinadas à China e a autorização para que empresas com vendas habilitadas àquele mercado possam estocar os cortes produzidos antes do embargo nas exportações tiveram reflexos no mercado pecuário brasileiro

Após a divulgação da notícia, na noite de terça-feira, o contrato do boi gordo para novembro na B3 recuou 0,56% ontem, a R$ 267,50 por arroba. Já o vencimento com entrega para novembro cedeu 1,77%, para R$ 274 a arroba. Embora o Ministério da Agricultura garanta que não está emitindo a certificação para exportação desde 4 de setembro, quando suspendeu as vendas para a China voluntariamente após identificar casos atípicos do mal da “vaca louca”, as indústrias não paralisaram totalmente a produção, confiando na retomada rápida dos negócios com os chineses, segundo fontes do segmento. Conforme Lygia Pimentel, CEO da consultoria Agrifatto, os frigoríficos seguiram com a produção para a China com a ideia de manter “a roda girando”. Ela lembrou que o histórico de 2019, quando a suspensão durou apenas 13 dias, e a dificuldade de se encontrar contêineres podem ter pesado na decisão. “As empresas continuaram produzindo para não perder a oportunidade de venda e o booking do navio. Justamente por essa dificuldade [de contêineres], essas empresas embarcaram cerca de US$ 600 milhões para a China [após a suspensão] sem ter certeza de que as cargas seriam recebidas”, disse. Em nota, o Ministério da Agricultura disse que não houve nenhuma nova orientação aos frigoríficos e que o ofício apenas atendeu ao pedido formalizado pelo setor produtivo para estocar os cortes produzidos antes de 4 de setembro. Mas uma fonte da Pasta admitiu que o documento não seria necessário se as empresas tivessem sido mais cautelosas. “A exportação foi suspensa por causa da ‘vaca louca’ e as empresas continuaram produzindo sem saber quando retornariam à exportação. E ainda correndo o risco de a retomada da exportação poder ser com produtos produzidos apenas a partir da data de reabertura da exportação”, disse a fonte. “Hoje as empresas estão abarrotadas de cortes produzidos para a China e não há onde estocar, querem armazenar em condições precárias. Se tivessem feito um planejamento melhor, teriam parado a produção e retomado somente quando voltassem as importações”, reforçou. Lygia Pimentel acredita que a medida ainda poderá ser benéfica para as margens dos frigoríficos enquanto a suspensão continuar. “O preço do boi caiu mais do que o da carne no atacado. Com isso, a margem doméstica melhorou para a indústria. Agora [com a decisão do governo], o frigorífico consegue tirar o ‘prêmio China’ das negociações e consegue pagar menos pelo animal”. No longo prazo, a analista alerta que a forte interrupção chinesa poderá atrapalhar o planejamento de pecuaristas e frigoríficos. Isso porque os números de confinamento estão caindo desde o embargo. Caso a suspensão demore mais, o fornecimento de carne tenderá a cair e os preços poderão disparar no começo de 2022.

VALOR ECONÔMICO

Athenagro reduz a 2% o crescimento no volume exportado de carne bovina em 2021

A estimativa da Athenagro consultoria é que o volume exportado de carne bovina in natura neste ano tenha um aumento de 2% frente ao total embarcado no ano de 2020, que exportou 2.691 milhões de toneladas. De acordo com o Diretor da Athenagro e Coordenador do Rally da Pecuária, Maurício Palma Nogueira, a projeção inicial era mais otimista e depois foi modificada com a China fora das compras

“No primeiro semestre, a nossa estimativa apontava um crescimento do volume exportado de 7% a 8% em 2021 frente ao total embarcado no ano anterior. A nossa estimativa agora é que feche o ano com 2 milhões de toneladas métricas, o equivalente a 2,7 milhões de equivalente carcaça”, informou durante a apresentação da 10ª edição do Rally da Pecuária 2021. O Diretor ainda aponta que o embargo da China deve ser uma questão pontual e que as negociações devem ser retomadas no curto prazo. As exportações de carne bovina foram impactadas após o Ministério da Agricultura divulgar no dia 04 de setembro dois casos atípicos de encefalopatia espongiforme bovina (EEB), conhecida como doença da vaca louca. A saída da China aos embarques de carne bovina já começou a afetar os preços da arroba bovina no mercado interno, sendo que os preços do boi gordo saíram do patamar de R$ 315,00/@ para R$ 270,00/@isso pode trazer algum efeito no curto prazo com relação a preço. “O ministério da agricultura está fazendo de tudo para viabilizar a exportações para a China, mas é muito complicado estabelecer uma comunicação com as autoridades chinesas”, concluiu.

Athenagro

ECONOMIA

Dólar recua ante real com intervenção do BC

A quarta-feira contou, pelo sexto pregão consecutivo, com intervenção do Banco Central no mercado de câmbio. Pela manhã, a autarquia vendeu os lotes completos de contratos de swap cambial tradicional ofertados em dois leilões –um extraordinário e outro previsto em calendário–, despejando no mercado futuro o equivalente a 1,2 bilhão de dólares em dinheiro “novo”

O dólar à vista caiu 0,59%, a 5,5624 reais na venda. Segundo participantes do mercado, o noticiário esfriou temores sobre possível pagamento do novo programa de transferência de renda parcialmente fora do teto de gastos, que, na véspera, levaram o dólar a saltar 1,35% contra a divisa brasileira, a 5,5956 reais na venda, máxima para fechamento desde o dia 15 de abril deste ano (5,6276). Apesar das promessas do governo e do alívio experimentado pelo real na quarta-feira, investidores seguem atentos a qualquer ameaça de desrespeito ao teto e às consequências que isso poderia representar para a credibilidade fiscal do país. “Qualquer furo do teto de gastos em 2022 não está incorporado em nosso cenário e imporia imediatamente uma deterioração nas nossas previsões fiscais, com seus respectivos impactos secundários em outras variáveis”, alertaram estrategistas do Citi em relatório de quarta-feira. Após o fechamento do mercado à vista, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse, na contramão da fala de Bolsonaro, que o governo avalia se o benefício temporário que irá vitaminar o novo Bolsa Família será pago fora do teto –o que demandaria uma licença para um gasto de cerca de 30 bilhões de reais– ou se haverá opção por uma mudança na regra constitucional do teto de gastos para acomodá-lo. Na esteira de seus comentários, o dólar futuro de maior liquidez, que é negociado além das 17h (de Brasília) devolveu boa parte das perdas registradas mais cedo, apresentando ligeira queda de 0,20%, a 5,587 reais na venda.

REUTERS 

Ibovespa fecha em leve alta, mas tensão com fiscal se mantém

As ações brasileiras tiveram alívio pontual nesta quarta-feira, após o governo federal anunciar seu programa de renda mínima prometendo respeitar o teto de gastos, mas a falta de pistas sobre como fará isso manteve os investidores desconfiados. De acordo com dados preliminares, o Ibovespa subiu 0,34%, a 11.048,03 pontos. O volume de negócios da sessão totalizou 28,6 bilhões de reais

REUTERS 

EMPRESAS

Confirmada compra de fatia da BRF pela Marfrig

Participação de 31,7% foi adquirida por cerca de US$ 1,2 bilhão

O Plenário do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) confirmou a aprovação sem restrições da operação de compra de fatia da BRF pela Marfrig. Estava pendente um pedido de análise que foi afastado ontem, mantendo o despacho de setembro da Superintendência-Geral (SG) do órgão, que foi favorável à operação. O Cade avaliou a compra de 31,7% da BRF pela Marfrig, um negócio de US$ 1,2 bilhão. Depois da operação, a Marfrig será o maior acionista individual da BRF. A conselheira Lenisa Prado havia indicado no processo que apresentaria avocação, questionando o parecer da SG considerando a necessidade de apresentação de outros cenários de mercado. Na avocação (despacho decisório n 17), a conselheira apresentou dois pontos que lhe chamaram a atenção. Primeiro, questões ligadas ao poder de influência do acionista majoritário na BRF, em especial um acionista que atua no mesmo setor, e que já foi concorrente ainda mais próximo quando atuava com a marca Seara – que hoje é uma divisão da JBS. Além disso, para Lenisa Prado, a análise não tratou de aspectos da lógica de conglomerado e do poder de portfólio. A conselheira lembrou que a discussão sobre conglomerados apareceu no julgamento de despacho de avocação da operação envolvendo o Grupo Americanas e a Hortogil Hortifruti. Mas, na sessão de ontem, a conselheira retirou seu pedido de avocação. Ela disse que se reuniu na segunda-feira com advogados das empresas e teve suas preocupações esclarecidas, revendo sua posição. A conselheira afirmou que sua preocupação com a possibilidade de abuso de poder no mercado de alimentos continua presente e será considerada em novos casos. Os demais conselheiros também votaram pela não avocação. Passados 15 dias do parecer da SG e com a retirada da avocação pela conselheira, prevalece a posição da Superintendência Geral pela aprovação sem restrições. Na noite de ontem, as duas empresas confirmaram aos acionistas a decisão do órgão antitruste. Em comunicados enviados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Marfrig e BRF não deram muitos detalhes sobre o julgamento no Cade, apenas destacaram que a aprovação ocorreu sem restrições.

VALOR ECONÔMICO

CVM rejeita acordo com irmãos Bertin em processo sobre incorporação pela JBS

De acordo com o processo, a incorporação da Bertin pela JBS teve elementos suprimidos do público, dos acionistas minoritários e da autarquia

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) rejeitou uma proposta de acordo apresentada pelos empresários Natalino Bertin e Silmar Roberto Bertin, que oferecem pagar, em conjunto, R$ 350 mil para encerrar um processo sobre possíveis operações fraudulentas na incorporação da Bertin pela JBS, em 2009. De acordo com o processo, a incorporação da Bertin pela JBS teve elementos suprimidos do público, dos acionistas minoritários e da autarquia. A Bertin era controladora pela Bracol Holding (73,10%) e o BNDES Participações (26,9%). Em dezembro de 2009, durante o processo de incorporação da JBS, foi criada a Blessed Holdings, em Delaware, nos EUA. Havia suspeita de que a Blessed Holdings pertencia à família Batista, o que foi confirmado posteriormente na delação premiada de Joesley Batista ao MPF. O inquérito administrativo também identificou que cotas do Bertin Fundo de Investimento em Participações (Bertin FIP), da Bracol Holding, foram cedidas à Blessed Holdings por US$ 10 mil. Segundo as apurações, essas cotas valeriam, na verdade, R$ 5,7 bilhões. A cessão por “valores irrisórios” teria sido proposital para “burlar” a CVM e prejudicar os minoritários da JBS, que tiveram a participação diluída, aponta a área técnica. De acordo com a Superintendência de Processos Sancionadores (SPS), os acionistas minoritários da JBS (exceto BNDESPar) tiveram sua participação diluída em 39,25%. Para a área técnica, por meio de operações em tese fraudulentas da cessão de cotas do Bertin FIP, os controladores tiveram um acréscimo em participação anterior na JBS, em 9,58%, “sem despender qualquer numerário”. A aquisição da Blessed Holdings por Joesley e Wesley Batista se tornou pública apenas em 2017, após questionamentos da CVM para a JBS. A autarquia havia identificado nas declarações de Imposto de Renda dos donos da JBS que eles seriam proprietários, cada, de 50% de participação na companhia.

ESTADÃO CONTEÚDO

MEIO AMBIENTE

Grupo pede que BID reveja empréstimo concedido à Marfrig

Organizações criticam crédito para uma atividade relacionada a desmatamento; empresa lembra que tem compromisso público com o combate ao problema na Amazônia

Um grupo de 200 organizações da sociedade civil do Brasil e de outros países – que inclui desde associações com foco localizado, como o Coletivo Indígena Mura de Porto, até ONGs globais como o Greenpeace – publicou ontem uma carta aberta ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) pedindo que um empréstimo de US$ 43 milhões concedido pela instituição à Marfrig seja revisto. A manifestação ocorre enquanto mais de 500 bancos de desenvolvimento se reúnem na Itália para a Cúpula Comum de Finanças. Os signatários da carta argumentam que o investimento, que deverá ser liberado até o fim do ano, “apoiará uma empresa cujas práticas provavelmente levarão ao desmatamento e às violações dos direitos humanos nos próximos anos”, embora os recursos tenham sido captados para financiar parte do plano da empresa de zerar o desmatamento em sua cadeia produtiva até 2030. “A falta de um sistema de monitoramento eficaz para toda a cadeia de abastecimento da empresa e o fracasso da Marfrig em cumprir seus compromissos passados devem desqualificá-la para receber financiamento público”, sustenta o grupo. Na carta, as organizações criticam o fato de o BID liberar um crédito teoricamente “verde” para uma empresa ligada a uma atividade ainda ligada a desmatamento e a outras irregularidades. Procurada pelo Valor, a Marfrig informou, em nota, “que possui um compromisso público com o combate ao desmatamento no bioma Amazônia desde 2009 — e vem desenvolvendo várias ações concretas nesse sentido, todas devidamente publicadas e documentadas. A companhia mantém um rígido protocolo de compra de animais, baseado em critérios socioambientais, e faz o monitoramento via satélite e em tempo real na região amazônica há mais de uma década. O sistema de compra da Marfrig é auditado por terceira parte que, nos últimos oito anos, atestou 100% de conformidade. Graças a esses processos, a Marfrig é destaque nos principais rankings globais de sustentabilidade”. A companhia, informou, ainda, que em meados de 2020 “lançou o Plano Marfrig Verde+, que visa rastrear 100% da sua cadeia, incluindo os fornecedores indiretos, até 2030. Embora tenha objetivos de médio e longo prazos, o Plano Marfrig Verde+ já apresenta vários resultados mensuráveis. Mais de 60% da cadeia de valor da Marfrig no bioma Amazônia e 47% no bioma Cerrado foram mapeados até agora. Houve ainda regularização e reinclusão de mais de 1.000 fornecedores no cadastro da companhia, entre outros avanços. Por fim, com relação aos supostos casos de irregularidades em compliance, todos foram respondidos pela companhia e exaustivamente investigados pelas autoridades competentes, sem que tenha havido qualquer condenação”.

VALOR ECONÔMICO 

Minerva avança em plano para zerar desmatamento

Com novo aplicativo, empresa ajuda produtores a monitorar ações

Embalada pelos resultados que tem alcançado nos últimos anos a partir de investimentos e ações de mapeamento e rastreabilidade de sua cadeia de suprimento, sobretudo dos fornecedores diretos de gado, a Minerva Foods está apertando o passo para aprofundar o monitoramento também dos fornecedores indiretos. Os esforços estão em linha com as metas da empresa de eliminar o desmatamento ilegal na cadeia até 2030 e de zerar as emissões líquidas de carbono até 2035, que exigirão aportes de cerca de R$ 1,5 bilhão. Para acelerar o processo, a empresa vai colocar à disposição dos produtores um novo aplicativo capaz de facilitar a análise de suas fazendas e de suas próprias redes de suprimentos. Desenvolvido pela Niceplanet Geotecnologia, o aplicativo compartilha as mesmas tecnologias e base de dados do sistema de monitoramento da Minerva, com informações sobre embargos ambientais do Ibama e de secretarias estaduais de Meio Ambiente, sobreposições de pastagens em terras indígenas, unidades de conservação, ou territórios Quilombolas e lista suja de trabalho escravo, entre outras. Um projeto-piloto com o aplicativo envolveu 40 pecuaristas escolhidos pela companhia em Rolim de Moura (RO), Mirassol D’Oeste (MT) e Paranatinga (MT). Com o fim dos testes, a ferramenta – SMGeo Prospec -, passa a estar disponível na App Store e no Google Play Store para download gratuito. “Com essa transferência de tecnologia, produtores de todo o país poderão acessar dados que mostram se as fazendas e fornecedores prospectados têm ligação com desmatamento ilegal ou atuam sem conformidade com boas práticas e leis ambientais e sociais”, afirma Taciano Custódio, Diretor de Sustentabilidade da Minerva Foods. Com 100% de seus fornecedores diretos monitorados desde 2020 no país, 65% deles fora do bioma Amazônia, a empresa recentemente recebeu uma injeção de ânimo do Ministério Público Federal (MPF) do Pará para consolidar uma cadeia de fornecimento 100% sustentável. Em auditoria feita de janeiro de 2018 a junho de 2019, o MPF atestou que nenhum gado comprado pela Minerva no Estado no período saiu de áreas com desmatamento ilegal realizado após 2008 ou sobrepostas a terras indígenas e a unidades de conservação, de propriedades embargadas pelo Ibama ou sem Cadastro Ambiental Rural (CAR) e de fazendas com trabalho análogo à escravidão. Como o trabalho do MPF do Pará até agora é único no país, o resultado foi particularmente comemorado pela companhia, até porque quase 10% do gado comercializado no Pará pelos frigoríficos em geral no período apresentou algum tipo de irregularidade. De janeiro de 2018 a junho de 2019, a Minerva monitorou 603 fazendas no Pará, e bloqueou 120 por causa de inconformidades. Em todo o Brasil foram monitoradas 5.527 fazendas e 643 tiveram que ser bloqueadas. Para esse trabalho de monitoramento, intensificado desde o período da auditoria e que já envolve mais de 14 milhões de hectares no Brasil e no Paraguai, a Minerva integrou a tecnologia Visipec, que também analisa riscos de fornecedores indiretos, ao seu sistema interno de compra de gado. A ferramenta, também baseada em dados públicos, foi desenvolvida pela ONG National Wildlife Federation (NWF) e pela Universidade de Wisconsin. “O grande desafio é o escopo 3, que envolve o desmatamento ilegal de fornecedores diretos e indiretos e o balanço de carbono nas fazendas. Mas com as novas tecnologias e o engajamento dos pecuaristas, vamos cumprir nossa meta”, diz Custódio. O executivo destaca que, segundo dados oficiais, 90% do desmatamento registrado em 2019 em 176 mil das 630 mil propriedades privadas com Cadastro Ambiental Rural (CAR) na Amazônia, por exemplo, ocorreu em fazendas com até 500 hectares – 65% em propriedades com até 100 hectares e 25% com entre 100 e 500 hectares. Sem tecnologia e engajamento, portanto, é difícil identificar e coibir problemas em fazendas menores. “A chave é mostrar que uma cadeia sustentável é competitiva e pode ser mais produtiva, inclusive a partir do acesso mais fácil a linhas de crédito”. E para a Minerva, que tem cerca de 70% dos negócios concentrados em exportações – no segundo trimestre deste ano a receita líquida da companhia totalizou R$ 6,3 bilhões -, essa evolução é considerada fundamental.

VALOR ECONÔMICO 

FRANGOS & SUÍNOS 

Ministério da Agricultura da China espera que preços de suínos continuem caindo

Os preços dos suínos na China podem continuar caindo após o Ano Novo Lunar do próximo ano se a produção não for substancialmente reduzida, causando pesadas perdas na suinocultura, disse um funcionário do Ministério da Agricultura da China

A situação de superávit de suínos na China continuará por algum tempo, disse Kong Liang, Chefe do Departamento de Criação de Animais e Veterinária do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais. Os preços dos suínos caíram este ano na China devido ao aumento da oferta e ao abate, levando a enormes prejuízos para pequenos produtores e empresas. Kong acrescentou que o rebanho de porcas em agosto a setembro foi 10% superior aos níveis normais e que o número de porcos comerciais no quarto trimestre de 2021 e no primeiro trimestre de 2022 aumentará significativamente com relação ao ano anterior. Kong encorajou os fazendeiros a acelerar a eliminação de porcas ineficientes e enviar porcos para o abate. Dados recentes mostraram que a China registrou sua maior produção de suínos no terceiro trimestre em três anos, depois que os produtores construíram milhares de grandes granjas de criação no ano passado para reconstruir um rebanho de suínos dizimado pela peste suína africana. Falando na mesma entrevista coletiva, o funcionário do Ministério da Agricultura, Zeng Yande, também disse que a China completou quase 80% da safra de grãos do outono e que o impacto das chuvas contínuas recentes sobre a produção foi “geralmente limitado”.

NOTÍCIAS AGRÍCOLAS 

INTERNACIONAL

China suspende exportação de carne bovina de frigorífico australiano após falhar no teste de amostragem

Na manhã de quarta-feira (20), a indústria frigorífica Australian Country Choice (ACC) informou que que foi notificado pela equipe do Programa de Exportação de Carne do Departamento de Agricultura do Governo Federal Australiano de que sua licença para processar e exportar carne bovina para a China foi suspensa, a partir do dia 18 de outubro

As autoridades chinesas informaram que os produtos congelados recebidos no porto de Ningbo falharam no teste de amostragem para cloranfenicol. A equipe do Programa de Exportação de Carne informou ao frigorífico que, como prática padrão, será feito um pedido às Administrações Gerais da Alfândega da China para um segundo teste ou teste confirmatório. De acordo com as informações do Beef Central, a presença do composto deixou os exportadores perplexos, uma vez que não é prescrito para uso em gado na Austrália. “É um medicamento que pode ser usado para tratar infecções oculares bacterianas em cães e, em alguns casos, sob cuidados veterinários para uso em cavalos”, disse o jornalista australiano, Jon Condon. Até o momento, sete indústrias australianas já foram suspensas de exportar para a China por testes positivos para resíduos na carne bovina e por problemas com documentação. Depois do embargo, nenhuma indústria conseguiu recuperar o acesso ao comércio chinês. A indústria frigorífica ACC informou por meio de nota oficial que vai concentrar a sua produção em mercados alternativos. “Considerando que os processos da cadeia de suprimentos estavam além do controle da ACC, é claramente uma grande decepção e uma grande interrupção para nossos negócios e programas de marca de nossos clientes na China”, disse o frigorífico em seu comunicado.

Beef Central 

Alfândega da China diz que aprova importação de carne da Rússia

A China aprovou as importações de carne bovina da Rússia, disse a alfândega na quarta-feira (20).

A mudança comercial, em vigor a partir de 18 de outubro, veio depois que os dois governos concordaram com os termos de fornecimento de carne bovina russa no mês passado. A carne bovina exportada para a China deve ser proveniente de bovinos com idade inferior a 30 meses, conforme edital publicado no site da Administração Geral das Alfândegas, que estabelece diversos requisitos para a exportação. A demanda por carne bovina da China aumentou graças ao crescimento da classe média. Os altos preços domésticos da carne suína no ano passado também alimentaram o apetite chinês pelas importações de carnes. Na semana passada, Pequim renovou a proibição da importação de carne bovina britânica devido a um caso de doença da “vaca louca”, enquanto o principal exportador de carne bovina, o Brasil, suspendeu os embarques para a China após dois casos atípicos da mesma doença no país sul-americano no mês passado. Apenas dois produtores russos foram autorizados por Pequim a fornecer seu produto à China antes da aprovação.

REUTERS

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