CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1576 DE 20 DE SETEMBRO DE 2021

clipping

Ano 7 | nº 1576 | 20 de setembro de 2021

 

NOTÍCIAS

Boi: mercado segue apreensivo com incerteza em relação às exportações

De acordo com a consultoria Safras & Mercado, o compasso de espera em relação às exportações de carne bovina para China segue gerando apreensão no mercado físico brasileiro do boi gordo 

Nesta semana, toda a expectativa dos frigoríficos e dos pecuaristas fica novamente voltada para a resolução do caso. Na B3, o mercado segue alternando entre dias de alta e de baixa. Desta vez, o pregão foi marcado por leve recuperação dos contratos futuros do boi gordo. O ajuste do vencimento para setembro passou de R$ 299,50 para R$ 301,35, do outubro foi de R$ 304,20 para R$ 306,05 e do novembro foi de R$ 313,30 para R$ 315,00 por arroba.

AGÊNCIA SAFRAS

Pressão de baixa no mercado do boi gordo

Em São Paulo, após as quedas ocorridas ao longo da última semana, as cotações permaneceram estáveis no levantamento de sexta-feira (17/9), no comparativo diário

No acumulado da semana passada, as cotações do boi gordo recuaram R$6,00/@ ou 2,0%. Já o preço da vaca gorda caiu R$7,00/@ ou 2,5% e novilha gorda registrou queda de R$8,00/@ ou 2,7%. Segundo levantamento da Scot Consultoria, o boi gordo ficou cotado em R$302,00/@, a vaca gorda em R$285,00/@ e a novilha gorda em R$299,00/@, respectivamente, preços brutos e a prazo.

SCOT CONSULTORIA

Ausência da China, maior importador de boi, mantém apreensão no mercado

“Nesse ambiente é compreensível que os frigoríficos sigam exercendo pressão sobre o mercado”, avalia Fernando Iglesias, da Safras & Mercado

O mercado físico de boi gordo registrou preços estáveis na sexta-feira (17). Segundo o analista de Fernando Henrique Iglesias, da consultoria Safras & Mercado, o mercado permanece em compasso de espera. “A ausência do principal importador de carne bovina brasileira segue gerando transtornos. Os frigoríficos exportadores ainda trabalham no remanejamento de suas escalas de abate. Estima-se que importante parcela de carne bovina aguarda escoamento em câmaras frias ou nos portos. Nesse ambiente é compreensível que os frigoríficos sigam exercendo pressão sobre o mercado”, disse Iglesias. Para o pecuarista a situação também é complicada, avaliando os elevados custos de nutrição animal que envolvem o confinamento em 2021. “A necessidade de manter os animais por mais tempo resulta em ampliação dos custos com baixa capacidade de repasse ao longo da cadeia produtiva”, assinalou o analista. Em São Paulo, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 304 na modalidade à prazo. Em Goiânia (GO), a arroba teve preço de R$ 285. Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 302. Em Cuiabá, a arroba ficou indicada em R$ 285. Em Uberaba (MG), os preços estão em torno de R$ 304 a arroba. A carne bovina segue com preços acomodados no mercado atacadista. “O ambiente de negócios aponta para menor propensão a reajustes no decorrer da segunda quinzena do mês, período que conta com menor apelo ao consumo. Precisa ser mencionado que a carne que no momento aguarda para ser embarcada ainda não foi ofertada no mercado doméstico. Caso isso aconteça, os preços derreteriam levando os frigoríficos a exercer pressão ainda maior sobre os preços na compra de gado”, alertou Iglesias. Com isso, o quarto dianteiro ainda foi precificado a R$ 16,30 o quilo. Ponta de agulha também permanece precificada a R$ 16,30, por quilo. Quarto traseiro ainda é precificado a R$ 21,50, por quilo.

AGÊNCIA SAFRAS

Sauditas derrubam veto a frigoríficos suspensos após ‘vaca louca’

País anunciou a retomada das compras de carne de cinco unidades mineiras, excluídas depois da identificação de casos atípicos da doença no Brasil

A Arábia Saudita retirou na quinta-feira (16/9), a suspensão que havia imposto a cinco frigoríficos mineiros após a identificação de casos atípicos do mal da “vaca louca” no Brasil. O fim do veto, em vigor desde o último dia 6, foi divulgado no site oficial da Saudi Food and Drug Authority (SFDA), a agência governamental que regula alimentos e medicamentos no país. A identificação do primeiro caso atípico da doença ocorreu em Minas Gerais, onde ficam os cinco frigoríficos (Plena Alimentos, em Pará de Minas; MaxiBeef Carnes, em Carlos Chagas; Dimeza Alimentos, em Contagem; e as unidades da Supremo Carnes em Campo Belo e Ibirité). As autoridades brasileiras também confirmaram um animal doente em Mato Grosso, mas os sauditas não suspenderam nenhum frigorífico no Estado. Continuam paralisadas as exportações de carne bovina de todos os frigoríficos do Brasil para a China, principal importador – a suspensão, preventiva, foi adotada voluntariamente pelo governo brasileiro. Além disso, a Rússia impôs nesta semana algumas restrições aos frigoríficos brasileiros. O Serviço de Inspeção russo (Rosselkhoznadzor) determinou que a carne bovina importada de unidades de Mato Grosso e Minas só poderá ser de animais que tinham menos de 30 meses de idade no momento do abate. O produto precisará ainda de um certificado veterinário que dê essa garantia. As medidas valerão também para a entrada de gado vivo e outros subprodutos do boi, mas não serão impostas a outras unidades da federação autorizadas a vender ao mercado russo.

VALOR ECONÔMICO

Mercado da carne bovina em MT está em compasso de espera

Compras de carne brasileira foram suspensas há 12 dias pela China após identificação de caso de EEB. Rússia aderiu ao bloqueio

Apesar do bom volume de exportações nos primeiros dias de setembro, o cenário ainda está difícil de ser lido, dificultando projeções. No dia 15 o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) declarou que não há previsão para o fim da suspensão de exportação do Brasil para China e Rússia. A paralisação das exportações para a China foi tomada pelo Mapa de forma preventiva. “É um momento de vigilância e espera. Tivemos um mês de agosto aquecido nas exportações, com recorde no volume embarcado. O início de setembro indicava que o ritmo seguiria intenso, mas a suspensão de vendas para a China é um fato muito relevante para Mato Grosso, já que 62% das nossas exportações são destinadas ao mercado chinês”, diz o Diretor de Operações do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade.  Oito das 31 indústrias frigoríficas no estado estão habilitadas pelo protocolo do governo chinês. Em agosto, Mato Grosso exportou 50,18 mil toneladas de equivalente carcaça (TEC) de carne bovina. É um número recorde, que correspondeu a uma alta de 20,94% em relação ao volume embarcado em julho. Esta não é a primeira vez em que a EEB paralisou o comércio exterior da carne bovina mato-grossense. Em 2019, um caso da doença foi identificado no estado, também de forma atípica e sem risco sanitário.  As exportações foram imediatamente suspensas, como prevê o protocolo de controle sanitário da OIE. O fato teve como consequências a queda nas cotações de boi gordo, a redução na escala de abate dos frigoríficos e uma pequena retratação nas exportações (de apenas 1,13%).  Em 2019, a suspensão nas exportações durou 10 dias. Neste ano, já são 12 dias de bloqueio.

IMAC

ECONOMIA

Dólar emenda 2ª semana de ganhos com ambiente local conturbado

O dólar fechou em alta contra o real na sexta-feira, com investidores mais uma vez evitando exposição antes do fim de semana e de dias que terão como destaque reuniões de política monetária pelo mundo, inclusive no Brasil e nos EUA

O dólar à vista subiu 0,42%, a 5,2875 reais, máxima desde o último dia 8 (5,3236 reais). Em meio ao intenso noticiário político, operadores terminaram a semana já em modo espera por decisões de política monetária dos próximos dias, com destaque para as reuniões dos bancos centrais brasileiro e norte-americano. Do lado doméstico, o foco é saber se o BC manterá ritmo forte de alta de juros, o que ajudaria a taxa de câmbio. O Credit Suisse elevou de 8,25% para 9,75% a expectativa para a taxa Selic terminal em 2022. Nos EUA, a atenção está voltada para se o Fed dará indícios sobre quando cortará a oferta de dinheiro barato em curso desde o ano passado –o que reduziria a disponibilidade de dólares, exercendo pressão de alta na moeda. Na semana, o dólar avançou 0,37%, evitando uma correção mesmo depois de ter saltado 1,62% na semana anterior –quando o mercado sentiu o baque da escalada da crise político-institucional após o 7 de setembro. Não por acaso, o dólar fechou na sexta no maior patamar desde o dia 8, quando os preços dos ativos reagiram violentamente à deterioração da perspectiva local, antes de algum ajuste na sessão seguinte com a divulgação de carta à nação pelo Presidente Bolsonaro. Em meio ao clima mais arisco, o dólar subiu em setembro 2,23%. Em 2021, a cotação se valoriza 1,85%. A expectativa é que a volatilidade cambial se mantenha, especialmente adentrando 2022, o que pode bater na economia real –o que pioraria a avaliação para a taxa de câmbio.

REUTERS

Ibovespa engata 3ª semana de queda com riscos domésticos

A MINERVA ON subiu 16,72%, com o setor de proteínas entre os destaques positivos no mês. MARFRIG ON avançou 10,28% e JBS ON teve alta de 4,59%. O setor vinha passando por um momento de exportação de carne bovina recorde pelo Brasil, com embarques de frango e suínos também mostrando altas relevantes 

O Ibovespa fechou em queda de 2% na sexta-feira e engatou a terceira perda semanal consecutiva, ampliando as perdas em setembro para mais de 6%, reflexo do desconforto de agentes financeiros com um combo de questões sem sinais de equacionamento no curto prazo no Brasil. O risco de desrespeito ao teto dos gastos é um dos problemas que ocupa os holofotes no momento, sem avanço nas negociações envolvendo os precatórios, com uma fatura de quase 90 bilhões de reais a vencer em 2022, enquanto o governo busca um Auxílio Brasil mais robusto. Na quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro editou um decreto com elevação do IOF para custear o aumento no valor do novo programa social do governo que irá substituir o Bolsa Família. Essa dúvida tem fomentado preocupações com a situação fiscal no país e a percepção é de que, sem um desfecho, continuará pressionado os ativos brasileiros. Ao mesmo tempo, há piora nas perspectivas de crescimento da economia brasileira, inflação elevada e juros maiores, bem como uma crise hídrica. Nesta semana, o Banco Central anuncia decisão de política monetária e a previsão é de que a Selic seja elevada para 6,25% ao ano. na tributação de empresas, com decisão do Federal Reserve na próxima quarta-feira. Na sexta-feira, o Ibovespa caiu 2,07%, a 111.439,37 pontos, menor patamar de fechamento desde 9 de março, acumulando perdas de 2,49% na semana e de 6,18% no mês. No ano, a queda agora é de 6,37%. O volume negociado no pregão nesta sexta-feira somou 44,58 bilhões de reais, influenciado pelas operações relacionadas ao vencimento de opções sobre ações.

REUTERS 

Produção agroindustrial voltou a recuar em julho

Índice calculado pelo FGV Agro caiu 4,3% em relação ao mesmo mês do ano passado

Chegou ao fim uma sequência de quase um ano de variações positivas do Índice de Produção Agroindustrial Brasileira (PIMAgro) calculado pelo Centro de Estudos em Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro). Em julho houve queda de 4,3% em relação ao mesmo mês de 2020, determinada pela piora de resultados no segmento de produtos alimentícios e bebidas, que registrou baixa de 11,1%, e também no ramo de produtos não-alimentícios, cuja alta arrefeceu e ficou em 4,5%. Foi a primeira retração do indicador desde junho do ano passado e o pior desempenho em um mês de julho desde 2015. O PIMAgro é baseado em dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) do IBGE e nas variações do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR), da taxa de câmbio e do Índice de confiança do Empresário da Indústria de Transformação (ICI) da FGV. O FGV Agro ressalva que a base de comparação interanual permanece contaminada pelos reflexos da pandemia e que em julho de 2020 houve um dia útil a mais, o que tem influência sobre as variações. Mas destaca que o indicador também recuou em julho em relação a junho – 1,5%, considerando os ajustes sazonais -, a segunda queda consecutiva na comparação com o mês imediatamente anterior.

VALOR ECONÔMICO 

EMPRESAS

BRF anuncia projeto em energia renovável; vê economia de R$1,7 bi em 15 anos

A companhia de alimentos BRF anunciou na quinta-feira que fechou contrato com a Pontoon para construir um parque de autogeração de energia solar em Mauriti e Milagres, no Ceará, com capacidade instalada de 320 Megawatt pico (MWp)

Segundo a empresa, o investimento estimado no projeto é de aproximadamente 1,1 bilhão de reais (3,7 milhões/MWp instalado), e a BRF investirá diretamente cerca de 50 milhões de reais. O parque deve iniciar as operações em 2024. Em 1.170 hectares, serão instalados 600 mil painéis solares, que permitirão que a energia gerada seja distribuída às unidades da BRF no Sul do País. A iniciativa se soma à joint venture da BRF anunciada no mês passado com a AES Brasil para autoprodução de energia eólica no Complexo Eólico Cajuína (RN), e outros projetos em andamento, envolvendo produtores integrados. “Isso vai trazer um ganho estimado em 1,7 bilhão de reais ao longo dos próximos 15 anos”, estimou o presidente da BRF, Lorival Luz, em videoconferência com jornalistas, considerando que reduzirá a aquisição de energia nos mercados livre e cativo. O Vice-Presidente de operações e suprimentos da BRF, Vinicius Barbosa, acrescentou que, juntas, essa operação e do parque eólico com a AES, podem garantir autoprodução de energia necessária para atender 2/3 das necessidades da empresa no país. Segundo a BRF, o atual portfólio e as parcerias permitirão que a empresa atinja 88% de energia elétrica proveniente de fontes limpas e renováveis no Brasil. A BRF anunciou em junho o compromisso de ser emissão líquida de gases de efeito estufa (GEE) até 2040, tanto em suas operações, como em sua cadeia produtiva.

Reuters 

FRANGOS & SUÍNOS

Frango/Cepea: Competitividade da carne de frango frente à suína é a melhor em 9 anos

Na primeira quinzena de setembro, a carne de frango negociada no atacado da Grande São Paulo se valorizou de maneira mais intensa que as principais substitutas, as proteínas bovina e suína 

Diante disso, a competividade da carne avícola frente a essas substitutas caiu pelo quarto mês consecutivo – na comparação com a carcaça suína, a competitividade do frango inteiro na parcial deste mês é a menor desde setembro de 2012. Levantamento do Cepea mostra que, na média deste mês (até o dia 15), a diferença entre a carcaça especial suína, também comercializada na Grande São Paulo, e o frango inteiro é de apenas 1,19 Reais/kg, 50,4% menor que a registrada no mesmo período de agosto e 80,4% abaixo da observada na primeira metade de setembro de 2020. Segundo colaboradores do Cepea, apesar dessa redução na competitividade, a proteína de frango segue apresentando boa liquidez no mercado doméstico, visto que ainda é a carne mais barata dentre as mais consumidas no País. Com demanda e produção ajustadas, o setor avícola de corte consegue repassar os custos de produção à carne, garantindo sua margem.

CEPEA

INTERNACIONAL

Caso clássico do mal da “vaca louca” é confirmado na Inglaterra

Animal estava em uma fazenda localizada em Somerset, a 228 quilômetros de Londres

A Agência de Saúde Vegetal e Animal (APHA, na sigla em inglês) do Reino Unido confirmou na sexta-feira a ocorrência de um caso clássico de encefalopatia espongiforme bovina (EEB), também conhecido como mal da “vaca louca”. O animal era de uma fazenda localizada em Somerset, a 228 quilômetros de Londres. A agência informou que o animal morreu e já foi retirado da propriedade. A forma clássica de “vaca louca” ocorre, normalmente, a partir da ingestão de ração contaminada por príons, que são proteínas que danificam o cérebro do animal. Esse tipo e EEB é considerado mais preocupante do que a forma atípica (que surge em animais com idade avançada), segundo especialistas. A agência britânica disse que já notificou a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) e os países importadores sobre o caso. É possível que ocorram restrições para a carne do Reino Unido. No caso do Brasil, que recentemente confirmou dois casos atípicos, em Belo Horizonte e Nova Canaâ do Norte (MT), as restrições foram limitadas. “Isso não afeta a capacidade do Reino Unido de exportar carne bovina para outros países. O status de risco geral do Reino Unido para BSE permanece ‘controlado’ e não há risco para a segurança alimentar ou saúde pública”, disse a AHPA, em nota. A agência afirmou ainda que vai realizar uma investigação completa do rebanho, das instalações e das fontes potenciais de infecção. Desde 2014, os britânicos detectaram cinco casos da doença, em situações em que os animais já estavam mortos e “não se destinavam à cadeia alimentar humana e não representavam riscos para o público em geral”. “Em linha com o plano de resposta de prevenção de doenças, restrições de movimento preventivo foram colocadas em prática para impedir o movimento de gado na área enquanto novas investigações continuam para identificar a origem da doença”, completou a AHPA.

VALOR ECONÔMICO 

Queda de estoques mantém alimentos mais caros, diz FAO

Economista-chefe da agência nota, ainda, que reservas estão mais concentradas em poucos países

Os estoques globais de alimentos estão agora menores do que no começo da pandemia de covid-19, e essa queda mantém os preços agrícolas sob pressão de alta no mercado internacional. Esse é o resumo da avaliação feita por Máximo Torero, economista-chefe da Organização das Nações para Agricultura e Alimentação (FAO). Torero também chamou a atenção para a crescente concentração das reservas de alimentos em alguns poucos países. A China controla a vasta maioria. No caso dos cereais, por exemplo, o país asiático tem 49% das reservas mundiais. Somados os volumes estocados em Estados Unidos, Índia, Europa, Brasil, Argentina e Rússia, o percentual alcança 76%. A FAO já indicou que a demanda mundial por cereais deverá atingir 2,809 bilhões de toneladas nesta safra 2021/22, que começou em setembro, e os estoques finais da temporada ficarão em 809 milhões de toneladas. A relação entre os estoques e a utilização desses produtos no mundo deverá ficar em 28,1%, abaixo do nível de 2020/21 (29%) e de 2019/20, quando o percentual superou 30%. Mas o patamar ainda indica uma situação de abastecimento relativamente confortável, bastante superior à observada em 2002/03 e em 2013/14 – média de 24,3%. Para Torero, a concentração desses estoques mais justos em poucas mãos pode, de um lado, ter um efeito estabilizador sobre os mercados internacionais, com segurança sobre a disponibilidade de suprimentos. De outro lado, entretanto, o fato de volumes robustos serem mantidos por grandes países com imenso consumo de alimentos, como China e Índia, significa que as reservas “podem ser menos sensíveis aos sinais de preços globais no caso de choques que também afetem seus mercados domésticos”. “Além disso, quaisquer mudanças políticas que afetem os estoques ou ações para acumular ou liberar grandes quantidades de reservas provavelmente terão fortes repercussões nos mercados mundiais’’, diz Torero. Conforme a FAO, a queda nos estoques, pela quarta campanha agrícola consecutiva, é atribuída a retiradas de volumes de trigo e cevada, enquanto os volumes de milho e arroz deverão aumentar. Em agosto, o índice de preços de alimentos da FAO ficou 33% maior que um ano antes. As cotações dos cereais e dos óleos vegetais foram as que mais contribuíram para o aumento dos preços internacionais dos alimentos, embora as cotações de açúcar, laticínios e carnes também tenham subido. “O aumento dos preços dos alimentos está entre os riscos de médio prazo que podem minar os esforços para melhorar a situação da segurança alimentar em muitos países”, alerta Torero. Em relação ao comércio e às perspectivas do Brasil, a constatação da FAO é que a oferta de milho pelo país diminuirá em 2021/22 por causa de queda de 15% na colheita deste ano em relação ao recorde do ano passado. Também há uma crescente utilização doméstica do cereal impulsionada pela forte demanda por ração por parte da indústria de aves e suínos. As exportações de milho do Brasil deverão cair na temporada internacional 2021/22 para seu patamar mais baixo em três temporadas. Em contraste, a agência da ONU vê melhora no fornecimento de trigo do Brasil em 2021/22 com uma colheita farta – embora problemas climáticos estejam levando a reduções nas estimativas de produção. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), serão mais de 8 milhões de toneladas, um recorde, mas no mercado já há quem projete menos de 6 milhões.

VALOR ECONÔMICO 

ABRAFRIGO

imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br

POWERED BY EDITORA ECOCIDADE LTDA 

041 3289 7122

 

abrafrigo

Leave Comment