CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2833 DE 06 DE NOVEMBRO DE 2026

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Ano 11 | nº 2833 | 06 novembro de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo: cotações estáveis em São Paulo

Poucos negócios e frigoríficos comprando apenas o necessário para manter escalas.

Em São Paulo, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 387/@, enquanto “boi-China” está valendo em R$ 390/@ (valores brutos, no prazo), segundo a Scot Consultoria. Na mesma praça, a vaca gorda é negociada por R$ 360/@ e os lotes de novilha saem por R$ 382/@, acrescentou a Scot. Após a alta da cotação da novilha no dia anterior (4/11), o mercado abriu a quinta-feira com poucos negócios e, na comparação feita dia a dia, preços estáveis para todas as categorias. Segundo dados parciais do Serviço de Inspeção Federal (SIF), atualizados até 5/11, a participação de fêmeas no abate de outubro estava em 27,2%, o que justificava a oferta curta da categoria e a firmeza na cotação das fêmeas. A oferta de boiadas estava enxuta, com a ponta vendedora segurando os lotes em busca de melhores preços. Apesar disso, as negociações seguiram, de modo geral, sendo realizadas dentro das referências. Do lado da indústria, as compras se limitavam ao necessário para manter as escalas de abate, que atendiam, em média, a cinco dias. Houve negócios pontuais acima das cotações indicadas, mas sem volume suficiente para se tornarem referência de mercado. Em Goiás, na comparação feita dia a dia, considerando as duas praças pecuárias, a cotação do boi gordo e a do “boi China” subiu R$2,00/@, e a da novilha, R$3,00/@. Para a vaca, houve estabilidade. A oferta de boiadas estava curta e a demanda por parte dos frigoríficos estava aquecida, o que sustentou a alta. As escalas de abate atendiam, em média, entre três e sete dias. No Rio de Janeiro, na comparação feita dia a dia, a cotação do boi gordo subiu R$5,00/@, e a da novilha, R$3,00/@. Para a vaca, estabilidade.

SCOT CONSULTORIA

Boi/Cepea: Outubro é marcado por preços recordes para a arroba

Valores foram influenciados pela restrição na disponibilidade de animais terminados e pela demanda. As cotações do boi gordo subiram de forma expressiva em outubro e atingiram recordes reais da série histórica do Cepea, iniciada em 1994.

Pesquisadores do Centro de Pesquisas apontam que os valores foram influenciados pela restrição na disponibilidade de animais terminados e pela demanda consistente por carne bovina, combinação que ampliou a disputa entre frigoríficos pela aquisição de matéria-prima. Em 30 de outubro, o Indicador do boi gordo CEPEA/ESALQ, referente ao estado de São Paulo, foi de R$ 389,90, à vista, forte avanço de 7,03% no acumulado do mês. Nesta primeira semana de novembro, o Indicador opera na casa dos R$ 390. Estes valores são recordes reais da série histórica do Cepea – os dados foram deflacionados pelo IGP-DI de setembro/26. Vale lembrar que o recorde anterior, de R$ 385,26, havia sido registrado em 11 de novembro de 2020. A média de outubro do Indicador foi de R$ 379,55, também recorde real da série do Cepea, com elevações de 7,5% frente à de setembro/26 e de 17,75% na comparação com outubro/25 – considerando-se os valores deflacionados pelo IGP-DI de setembro/26. Pesquisadores do Cepea indicam que, para os próximos meses, o comportamento do mercado deve depender principalmente da evolução da oferta de animais terminados, da capacidade de repasse dos reajustes ao longo da cadeia e da sustentação das demandas interna e externa por carne bovina.

CEPEA

Arroba do boi tem dia de cotações firmes, com altas perdendo fôlego

Melhora no volume de negócios favorece o atendimento das necessidades imediatas dos frigoríficos e reduz parte da urgência das compras

O mercado físico do boi gordo permaneceu firme na quinta-feira (5), mas a alta vem perdendo fôlego durante a semana. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, os reajustes se concentram em algumas praças, enquanto a melhora no volume de negócios favorece o atendimento das necessidades imediatas dos frigoríficos e reduz parte da urgência das compras. “A oferta de animais terminados continua restrita, com escalas de abate, em geral, entre cinco e seis dias úteis.” De acordo com o especialista, a expectativa para o restante de novembro permanece positiva, sustentada pela entrada dos salários e pela sazonalidade favorável do consumo de carne bovina no último bimestre. “O mercado segue atento ao comportamento da China no mercado internacional e ao ritmo das aquisições. A eventual gestão da cota chinesa pode distribuir os embarques e limitar movimentos mais agressivos de compra de boiadas, sem eliminar os elementos de sustentação da arroba”, considera. Iglesias ressalta que no mercado doméstico, o 13º salário e as festividades reforçam a perspectiva de demanda, embora a menor competitividade da carne bovina diante do frango e dos cortes suínos continue limitando os repasses ao consumidor. Preços médios da arroba do boi: São Paulo: R$ 392,78. Goiás: R$ 378,75. Minas Gerais: R$ 385,18. Mato Grosso do Sul: R$ 383,05. Mato Grosso: R$ 369,53. O mercado atacadista de carne bovina apresenta preços sustentados nesta quinta-feira. Quarto dianteiro: permanece a R$ 22,50 por quilo. Quarto traseiro: continua a R$ 29,50 por quilo. Ponta de agulha: segue a R$ 21,00 por quilo. “A expectativa de entrada dos salários na economia durante a primeira quinzena de novembro tende a favorecer a reposição entre atacado e varejo, oferecendo suporte às negociações no curto prazo.”

SAFRAS NEWS

Mercado interno deve limitar alta de preços na pecuária bovina, diz Rabobank

O preço do boi gordo tende a se manter elevado em 2027, mas não deve se consolidar acima dos R$ 400 a arroba. Foi o que afirmou, na quarta-feira (4/11), o analista de mercado de proteínas do banco holandês Rabobank, Wagner Yanagizawa.

A principal razão é o comportamento do consumidor nacional. Enquanto a redução da oferta deve dar suporte ao mercado, os preços elevados estimulam a migração para opções mais baratas, como o frango e o suíno, limitando a valorização do produto bovino. A previsão do Rabobank é de uma retração de 6,2% no consumo doméstico de carne bovina em 2027. O volume deve cair de 33,4 quilos para 31,4 quilos em média por habitante ao ano. “O mercado futuro indica uma arroba acima dos R$ 400, o que é plausível. Deve ter picos de preço, mas, na média do ano, deve ficar abaixo disso, por causa do consumo local”, disse ele, durante evento de apresentação das projeções do banco para o agronegócio brasileiro. Ele explicou que a oferta de animais para abate será a principal variável do mercado nos próximos meses. A expectativa do Rabobank é de uma redução de 3% na produção, de 11,3 milhões para 11 milhões de toneladas equivalente carcaça (TEC). Pecuaristas estão renovando o estoque de fêmeas e há escassez de bezerros para reposição. “O El Niño é um ponto de atenção, por causa do período de engorda do gado. Se houver um veranico, pode ter limitação de oferta no primeiro trimestre”, disse o analista. O Rabobank projeta um crescimento de 1,5% nas exportações brasileiras de carne bovina, de 4,43 milhões para 4,5 milhões de toneladas. Yanagizawa avaliou que o Brasil está em uma condição favorável no mercado internacional, porque consegue oferecer produto competitivo e com segurança. Ele disse também que uma eventual abertura de mercados como Japão e Coreia do Sul pode trazer uma compensação ao embargo da União Europeia. “Devemos ter oportunidades no sudeste da Ásia, onde a tendência é de aumento de consumo”, acrescentou, destacando que a redução da oferta também em nível global deve favorecer as vendas externas de carne bovina do Brasil. Ele destacou que a reabertura da cota de exportação para a China ajuda a valorizar a carne bovina e o boi gordo. Mas, se o comportamento dos exportadores for semelhante ao de 2026, o movimento dos preços também pode se repetir: altas no começo e no fim do ano e baixa entre um período e outro. Yanagizawa lembrou, no entanto, que há uma discussão dentro do setor e do governo sobre a possibilidade de o atendimento da cota ser escalonada ao longo dos meses, para evitar rupturas no mercado. A consequência seria uma curva de preços mais estável. “Considerando que essa cota vai até 2028, a estratégia do governo chinês pode ser redução de tarifa ou aumento de cota. Estamos apostando em um aumento, o que, para o Brasil, seria 33 mil toneladas adicionais. É incipiente, mas em linha com o que estamos vendo”, disse.

GLOBO RURAL

ECONOMIA

Dólar fecha em alta ante real com pressão externa

O dólar encerrou a quinta-feira em alta contra o real, refletindo o ambiente de maior aversão ao risco que tomou conta dos mercados globais, somado à cautela dos investidores locais em relação aos rumos da política econômica no novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,67%, a R$5,4876. Às 17h40, o dólar futuro para dezembro subia 0,60% na B3, aos R$5,5190. O mau humor externo partiu do mercado acionário dos Estados Unidos, onde ações ligadas a inteligência artificial registraram quedas expressivas diante de temores de um maior escrutínio sobre a expansão do setor com a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos EUA, além do avanço do petróleo no pregão desta quinta-feira. Ao final do dia, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,09%, a 101,560. “Com receio de perdas maiores, investidores passaram a reduzir posições em ativos de risco, incluindo moedas de países emergentes, e buscar proteção no dólar. No Brasil, esse movimento ganhou força porque o mercado também está preocupado com a situação fiscal do país”, disse Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos. Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com autoridades e conselheiros para debater agenda econômica e pediu que seus ministros afunilem medidas para serem validadas apenas após viagem do petista ao exterior, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan. O encontro aconteceu um dia após o Banco Central interromper o ciclo de cortes de juros, mantendo a Selic em 13,75% ao ano, e em meio às incertezas sobre o futuro da equipe econômica e da política fiscal de Lula depois de sua reeleição, o que tem provocado turbulência em indicadores e cobranças de agentes do mercado e economistas. Durigan reafirmou que o plano de Lula pressupõe compromisso com a sustentabilidade das contas públicas, melhora progressiva de resultados primários e possíveis ajustes em regras fiscais. Ele ponderou que medidas específicas não foram discutidas no encontro. Ainda na agenda doméstica, mas em segundo plano, os agentes também avaliaram dados econômicos. Pela manhã, foi divulgado que a produção industrial no Brasil teve queda de 0,8% em setembro em comparação com o mês anterior.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda pressionado por exterior, com balanços e Selic no radar

O Ibovespa fechou em queda na quinta-feira, sem conseguir sustentar os ganhos da primeira etapa do pregão, quando encostou nos 169 mil pontos, em meio a fortes perdas em Wall Street, principalmente de ações de empresas ligadas a chips e data centers.

Investidores também repercutiram uma bateria de resultados corporativos, bem como a decisão do Banco Central de manter a Selic em 13,75% ao ano, tendo ainda no radar reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com autoridades e conselheiros para debater agenda econômica. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,58%, a 166.595,71 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 168.994,33 na máxima e atingir 166.249,09 na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somava R$31,16 bilhões.

REUTERS 

Produção industrial no Brasil recua 0,8% em setembro, diz IBGE

A indústria brasileira marcou o segundo mês seguido de retração da produção em setembro, com queda maior do que a esperada por economistas, em meio a um processo de arrefecimento da economia.

A produção industrial teve em setembro queda de 0,8% em comparação com o mês anterior, de acordo com dados divulgados na quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O setor apresenta comportamento predominantemente negativo desde maio deste ano, sendo que o único mês em que não apresentou retração na comparação mensal foi julho, quando a produção ficou estável. A expectativa em pesquisa da Reuters com analistas era de retração de 0,2% no dado mensal. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, houve recuo de 2,5% na produção industrial, contra expectativa de queda de 1,7%. A indústria brasileira vem mostrando perda de dinamismo em linha com o arrefecimento da economia no segundo semestre. A política monetária ainda restritiva pesa sobre o setor, apesar do mercado de trabalho resiliente. Na véspera, o Banco Central manteve a Selic em 13,75% ao ano e, prevendo inflação mais alta nos próximos anos, deixou em aberto o que fará à frente ao citar uma ampliação das incertezas e um cenário desafiador para a política monetária. Em setembro, as influências negativas mais importantes para o desempenho da indústria foram dadas por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-4,2%) e produtos alimentícios (-1,7%). Por outro lado, o crescimento de 1,7% nas indústrias extrativas exerceu a principal influência positiva, interrompendo quatro meses consecutivos de perdas. Entre as grandes categorias econômicas, a produção de bens de capital caiu 1,9%, enquanto a de bens de consumo semi e não duráveis recuou 1,2% e a de bens intermediários teve queda de 0,7%. Os bens de consumo duráveis registraram alta de 0,7% na produção.

REUTERS

Contração de serviços do Brasil se aprofunda em outubro com queda de novos trabalhos, mostra PMI

A contração do setor de serviços do Brasil se aprofundou em outubro em meio à queda mais intensa dos novos trabalhos em cinco anos e meio, com a confiança perdendo força e empregos sendo cortados pelo segundo mês seguido, mostrou a pesquisa PMI (Índice de Gerentes de Compras) divulgada na quinta-feira (5).

Em outubro, o PMI de serviços do Brasil, compilado pela S&P Global, caiu a 44,5, de 49,2 em setembro, no recuo mais forte da produção desde abril de 2021. A marca de 50 separa crescimento de contração. Com a atividade industrial ainda em retração em outubro, embora em um ritmo mais fraco do que no mês anterior, o PMI Composto do Brasil caiu a 44,4 em outubro, de 47,4 em setembro, marcando a retração mais acentuada em mais de seis anos. “Os dados até agora apontam para uma contração do PIB no quarto trimestre”, destacou Pollyanna De Lima, diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence. O mês de outubro foi marcado por uma queda na entrada de pedidos no setor de serviços pelo segundo mês consecutivo, e as vendas recuaram em um ritmo não observado em mais de cinco anos. Os prestadores de serviços atribuíram a contração às tendências desfavoráveis da demanda, às pressões inflacionárias, às greves dos Correios, ao cancelamento de projetos e à eleição presidencial. Esse cenário pesou sobre o nível de confiança do setor, que ficou abaixo de sua média histórica em outubro, embora as projeções de crescimento tenham permanecido positivas. Algumas empresas esperam uma melhora das condições econômicas após a eleição, mas várias preveem um ano difícil à frente devido à intensa concorrência por novos negócios, às políticas públicas e ao aumento do endividamento. A demanda fraca também afetou o mercado de trabalho, e a capacidade ociosa levou as empresas de serviços a cortar mais vagas de trabalho. Por outro lado, as taxas de inflação tanto de insumos como de preços cobrados diminuíram, embora as pressões de preços tenham permanecido historicamente fortes. Os participantes da pesquisa relataram preços mais altos de itens como produtos químicos, componentes eletrônicos, energia, alimentos, metais, têxteis, pneus e madeira, com cerca de 36% dos prestadores de serviços sinalizando aumento das despesas totais. Enquanto isso, os preços cobrados aumentaram no ritmo mais fraco desde meados de 2025, mas ainda acima da tendência histórica de longo prazo. Embora as empresas tenham afirmado que repassaram parte dos custos adicionais aos clientes, menos de 12% elevaram seus preços. Diversas empresas sugeriram que o enfraquecimento da demanda limitou seu poder de precificação. “Se essa tendência continuar, o Banco Central pode encontrar espaço para reduzir a taxa de juros, o que pode dar suporte ao investimento e ao empréstimo”, disse De Lima.

REUTERS

SUÍNOS & FRANGOS

Suínos/Cepea: Valorização do animal vivo chega a superar os 30%

Impulso veio da combinação de demanda aquecida e menor oferta de animais

Os preços do suíno vivo avançaram de forma expressiva entre setembro e outubro – as altas nos valores chegaram a superar os 30%. Segundo pesquisadores do Cepea, o impulso veio da combinação de demanda aquecida e menor oferta de animais para abate. Levantamento do Centro de Pesquisas mostra que, em SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), a valorização do animal vivo foi de 29,8% de setembro para outubro – trata-se do avanço mensal mais intenso, em termos reais (IGP-DI set/26), desde agosto de 2012. Além disso, a procura pela carne suína se manteve firme durante a maior parte de outubro, o que também resultou em acréscimos expressivos nos preços da maioria dos cortes, apontam pesquisadores do Cepea.

CEPEA

Malásia reduz embargo por Newcastle apenas para Santa Catarina

Apenas o Uruguai mantém suspensão a todo o território brasileiro neste momento. A China, principal cliente do setor, adotou o embargo focado nas empresas catarinenses desde a confirmação do primeiro foco

A Malásia reduziu as restrições às exportações de carnes de aves e produtos avícolas brasileiros. O país decidiu regionalizar o embargo apenas ao Estado de Santa Catarina, onde quatro focos da Doença de Newcastle foram identificados desde 18 de outubro. Antes, os malaios haviam bloqueado as vendas de todo o Brasil. Como México também havia regionalizado o impacto das restrições, apenas o Uruguai mantém embargo a todo o território brasileiro neste momento. O setor exportador e representantes do Ministério da Agricultura têm vai conversado com autoridades uruguaias para que façam o mesmo movimento. A China, principal cliente do setor, adotou o embargo focado nas empresas catarinenses desde a confirmação do primeiro foco. O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, afirmou à reportagem que a regionalização do embargo pelos principais importadores é um marco para o país, resultado da atuação coordenada do governo e do setor com os importadores. “Há confiança no sistema do Brasil e no setor para continuar a ser o maior provedor de carne de frango do mundo. Hoje falta só Uruguai [regionalizar]”, disse durante evento da Globo Rural em São Paulo. Ele informou que o diretor de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Marcos Vinícius de Santana, conversou com autoridades do Uruguai durante a 28ª Conferência da Comissão Regional da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) para as Américas, realizada nesta semana em Assunção, no Paraguai. Segundo Santin, o Uruguai manifestou informalmente que se recebesse respostas satisfatórias aos questionamentos sobre o caso enviados ao Brasil também regionalizariam. “Esse é um grande marco porque em menos de 30 dias o Brasil não terá nenhum país fechado para o país inteiro. Hoje só tem um, demonstrando a confiança no setor e nas empresas”, completou. Santin reforçou a importância do trabalho feito pelas adidâncias agrícolas na transmissão das informações sobre os casos registrados até agora. Ele ressaltou que o Brasil “não tem a doença” de Newcastle em si, mas que os exames laboratoriais detectaram a presença de um traço do vírus de pombo em perus. Nos focos registrados até agora, as aves não têm sintomas, por exemplo. “Isso precisava ser levado diretamente aos importadores e o foi. Muito rapidamente o Ministério da Agricultura e o Ministério das Relações Exteriores levaram essas informações e temos o resultado disso hoje”, completou. Santin ressaltou que a regionalização das restrições à avicultura brasileira ajudou a reduzir as perdas em função dos casos de doença de Newcastle em Santa Catarina. Segundo ele, o foco registrado em Anta Gorda (RS) em 2024 gerou perda de produção de 163 mil toneladas, o equivalente a US$ 300 milhões. Neste ano, o cálculo até momento aponta perda de 21 mil toneladas, em um valor de US$ 50 milhões. Em nota, o Ministério da Agricultura afirmou que houve “avanços nas tratativas com o Uruguai para o reconhecimento da regionalização sanitária”. Segundo a Pasta, foram encaminhadas “informações técnicas atualizadas sobre o controle do surto e aguarda uma resposta”. As delegações presentes na reunião no Paraguai e a representação da OMSA elogiaram a postura brasileira, relatou o ministério. “Para elas, o caso é um exemplo claro de zoneamento e regionalização bem aplicados e de confiança entre parceiros comerciais”, aponta o comunicado. O Brasil se ofereceu para compartilhar com a OMSA a experiência e o conhecimento científico obtidos, contribuindo para aperfeiçoar as normas internacionais, completou.

GLOBO RURAL

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