
Ano 11 | nº 2664 | 05 de março de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo temeroso em São Paulo
Mercado do boi gordo abre estável, com negócios majoritariamente dentro das referências; tensões no Oriente Médio elevam a cautela da indústria e levam parte dos compradores a adotar postura de espera.
A cotação abriu estável para todas as categorias. Os dados da Scot apurados em São Paulo apontam para um boi gordo sem padrão exportação de R$ 352/@ e um “boi-China de R$ 355/@ (valores brutos, no prazo). As indústrias que estavam com escalas mais confortáveis abriram o dia com oferta de compra abaixo das referências, mas com acordos pontuais. A grande maioria dos negócios ainda ocorria dentro das referências. Por outro lado, o recrudescimento do conflito no Oriente Médio acendeu um ponto de atenção no mercado, deixando os compradores mais temerosos em pagar mais pela arroba, já que a região, além de grande consumidora, também atua como um “entreposto” no comércio global de carne bovina e, com os portos fechados, o problema atenua-se. Em decorrência desse quadro geopolítico, parcela da indústria optou por sair das compras, adotando uma postura de espera prudencial até que se delineiem com maior clareza os desdobramentos do conflito e seus reflexos sobre a dinâmica do comércio internacional da carne bovina. As escalas de abate estão, em média, para seis dias. Em Goiás, a oferta de boi estava restrita, enquanto a de fêmeas estava mais confortável. Algumas indústrias exportadoras, por conta do conflito no Oriente Médio, reduziram suas compras e outras saíram das negociações. Nesse sentido, a cotação de todas as categorias não mudou. Na região de Goiânia, as escalas de abate estão, em média, para seis dias. Na região Sul, as escalas de abate estão, em média, para cinco dias. No Espírito Santo, a procura por boiadas estava aquecida no estado, mas não o suficiente para alterar a cotação.
As escalas estavam, em média, para seis dias.
SCOT CONSULTORIA
Carne bovina: importadores da China pagam mais pelo dianteiro brasileiro
Compradores chineses intensificam a busca internacional pela proteína para fugir da sobretaxa de 55%
A China passou a pagar mais pela carne bovina importada, um reflexo das novas restrições de cotas (medidas de salvaguarda) que incidem sobre os principais fornecedores desde janeiro de 2026. Segundo dados levantados pela Agrifatto nesta semana o dianteiro brasileiro de 8 cortes está fixado em US$ 6.800/tonelada, um avanço de 6,2% em relação ao preço da semana anterior. O fator determinante para essa valorização, diz a consultoria, é o receio generalizado de um desabastecimento futuro no mercado chinês. “Agentes que tentam negociar descontos agressivos enfrentam o risco real de perder lotes para competidores mais ágeis, uma vez que a mercadoria disponível tem sido liquidada rapidamente”, explica a consultoria. A China definiu limites anuais de importação de carne bovina por país, impondo sobretaxa de 55% sobre a tarifa normal caso as cotas de cada fornecedor internacional sejam extrapoladas. A cota total para 2026 foi fixada em cerca de 2,7 milhões de toneladas, com o Brasil recebendo a maior parte desse volume, de 1,106 milhão. A medida foi resultado de uma investigação de salvaguarda iniciada em dezembro de 2024, quando autoridades chinesas começaram a analisar o impacto das crescentes importações sobre a indústria doméstica.
PORTAL DBO/AGRIFATTO
Carne Bovina: Cota imposta pela China pode reduzir ritmo da demanda externa e conter alta da arroba
Limite, válido até 2028, pode reduzir ritmo da demanda externa, conter alta da arroba e manter atual estrutura de mercado entre frigoríficos.
A decisão da China de impor cotas à importação de carne bovina para os principais países fornecedores inaugura um novo capítulo para a pecuária brasileira. O Brasil terá limite de 1,106 milhão de toneladas em 2026, com aumento de cerca de 2% nos dois anos seguintes. O volume que ultrapassar esse teto enfrentará sobretaxa de 55%, o que, na prática, inviabiliza embarques acima da quota. Do ponto de vista econômico, trata-se de uma salvaguarda comercial. “É uma medida de salvaguarda, ou seja, quando o país impõe alguma restrição nas importações com a justificativa de proteção do mercado e da indústria local. Acima da cota, há o pagamento de sobretaxa de 55%, o que prejudica a competitividade”, explica Leandro Gilio, pesquisador do Insper Agro Global. A medida atinge o principal destino da carne bovina nacional. Segundo a Secex, em 2025, foram exportadas 3,50 milhões de toneladas de carne bovina brasileira, aumento de 20,9% em relação a 2024. O volume gerou US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% acima do ano anterior. A China respondeu por 48% desse total, com 1,68 milhão de toneladas e US$ 8,90 bilhões. Na sequência vieram Estados Unidos (271.800 t; US$ 1,64 bilhão), Chile (136.300 t; US$ 754,5 milhões), União Europeia (128.900 t; US$ 1,06 bilhão), Rússia (126.400 t; US$ 537,1 milhões) e México (118.000 t; US$ 645,4 milhões). A ABRAFRIGO manifestou “profunda preocupação” com a decisão chinesa, classificando a medida como um risco “material e imediato” ao desempenho das exportações brasileiras e ao equilíbrio da cadeia produtiva nacional. A entidade alerta que o impacto potencial pode significar perda de até US$ 3 bilhões em receita para o Brasil em 2026. A principal dúvida do produtor é direta: isso derruba o preço do boi? Segundo Gilio, a restrição tende a limitar a demanda externa e, consequentemente, reduzir parte da pressão altista. A médica veterinária e economista Lygia Pimentel, CEO da Agrifatto, pondera que não há motivo para pânico imediato. “Não, mas requer a necessidade de o Brasil buscar estar mais ativo junto a outros compradores, já que hoje 600 mil toneladas estão em jogo dentro do contrato com os chineses.” Ela lembra que o ciclo pecuário também influencia. A recente liquidação de fêmeas sinaliza menor oferta futura, o que pode sustentar a arroba mesmo com o teto chinês. Gilio reforça que o impacto não é automático nem linear. “Atualmente estamos em um ciclo de menor produção global e tendência interna também nesse sentido. Os preços devem se manter pelo próximo período e dificilmente vamos ter uma redução significativa no curto prazo. A pressão baixista vai depender da continuidade da imposição de restrições”, disse. Outro ponto sensível é a forma como o Brasil distribuirá o volume autorizado entre frigoríficos. A proposta em análise considera o market share de exportação registrado em 2025. Para Gilio, esse modelo não altera a estrutura atual do setor. “Essa definição de cotas mantém o poder dos atuais frigoríficos exportadores, não propiciando concorrência ou mudando o quadro atual de concentração de mercado. É a manutenção da concentração, devido à divisão avaliada por eles.” Lygia Pimentel também alerta para a necessidade de análise regulatória detalhada. “O que acontece se uma indústria tem a compra de gado mais eficiente do que a outra e, consequentemente, preços mais competitivos? O que acontece caso alguma indústria nova seja habilitada?” A divisão trimestral das cotas, segundo Gilio, tende a trazer previsibilidade. “A divisão reduz um pouco a volatilidade, tornando o processo mais previsível, permitindo maior controle por parte dos frigoríficos.” Ele acrescenta que, com a cota compartilhada, o incentivo para corrida de compras diminui. “Com a cota compartilhada e maior previsibilidade, o frigorífico acaba não tendo mais esse incentivo.” A salvaguarda chinesa está prevista para três anos. Se mantida até 2028, pode gerar impactos mais profundos. “A China é nosso principal destino de exportação de carne. Isso poderia reduzir investimentos produtivos na área e limitar preços e produção interna”, afirma Gilio. A ABRAFRIGO também avalia que a decisão ocorre em um momento delicado do ciclo pecuário e pode desestimular novos aportes no campo. “É uma medida que pode funcionar como fator de desestímulo para o pecuarista investir mais na atividade, ampliando a produção”, afirma a entidade. O especialista pondera, porém, que o cenário não é definitivo. “Não é certo que a China mantenha essa restrição até 2028, até porque o mercado internacional vive hoje uma restrição em termos de oferta e o Brasil tem grande capacidade de produção a baixo custo. É importante que o Brasil busque algum tipo de negociação que reduza esse bloqueio de mercado”, observa. O Brasil poderia redirecionar parte da carne a outros destinos? Gilio explica que há limites estruturais. “Há limites com relação à possibilidade de mercados abertos. O segmento de carnes depende da habilitação de frigoríficos, abertura de mercados com relação a regras sanitárias, entre outros, o que limita um pouco a questão de redirecionamento produtivo”, comenta. Ele lembra, no entanto, avanços recentes. “Recentemente o Brasil teve abertura e habilitação de frigoríficos para exportação ao Vietnã, outros mercados como Coreia do Sul têm sinalizado uma possibilidade de abertura para o Brasil. Isso pode amenizar essa redução de demanda momentânea por parte da China.” Caio Penido, presidente do IMAC – Instituto Mato-Grossense da Carne, mantém visão semelhante. “O Brasil tem tudo para se sair bem diante desse novo desafio, pois tendo um produto competitivo e de qualidade, poderemos conseguir colocá-lo em outros países.” Penido reforça a importância da gestão. “A melhor estratégia ao produtor é conhecer bem seus custos de produção, travar sua rentabilidade no mercado de derivativos, tentar distribuir melhor suas vendas de animais para as indústrias frigoríficas e buscar a produção de animais mais versáteis.” A China seguirá estratégica, mas a diversificação de mercados e a gestão eficiente dentro da porteira passam a ser ainda mais decisivas. O cenário não é de ruptura, mas de ajuste. E, como mostra a análise econômica, a forma como o Brasil reagirá nos próximos meses será determinante para o comportamento da arroba, dos investimentos e da competitividade da carne bovina brasileira até 2028.
NOTÍCIAS AGRÍCOLAS
ECONOMIA
Dólar acompanha exterior e cai a R$5,2184 apesar da guerra no Oriente Médio
Depois de subir quase 2% na véspera, o dólar fechou a quarta-feira em queda ante o real, em sintonia com o sinal negativo da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior em dia de maior apetite global por ativos de risco, ainda que um desfecho para a guerra no Oriente Médio pareça distante.
O dólar à vista encerrou a sessão com baixa de 0,86%, aos R$5,2184. No ano, a divisa acumula agora queda de 4,92%. Às 17h05, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 1,18% na B3, aos R$5,2560. A quarta-feira foi marcada pela queda firme do dólar ante divisas de países emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano, o peso mexicano e o real. O movimento ocorreu em paralelo ao avanço dos principais índices de ações na Europa e nos Estados Unidos, com os ativos de risco recuperando parte das perdas recentes. O petróleo, que disparou nas últimas sessões, oscilava perto da estabilidade no fim da tarde. “A estabilização dos preços do petróleo, depois da forte alta provocada pela escalada das tensões no Oriente Médio, ajudou a aliviar parte da pressão sobre o dólar”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito. “Com isso, investidores passaram a devolver prêmios incorporados na divisa americana em um dia típico (de) ajuste técnico.” Na quarta-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse que o país está vencendo a guerra e que pode lutar pelo tempo que for necessário. Do lado iraniano, reportagem da Reuters informou que a Guarda Revolucionária reforçou seu controle sobre as decisões no cenário de guerra, impulsionando a estratégia linha-dura que está por trás da campanha de drones e mísseis de Teerã em toda a região. Apesar de as operações militares de EUA e Israel contra o Irã seguirem em curso, os investidores também se apegaram à notícia de que agentes iranianos entraram em contato secretamente com os norte-americanos para buscar negociações para encerrar o conflito — mas as autoridades norte-americanas seguiram céticas quanto à possibilidade de o governo Trump ou o Irã estarem preparados para uma redução do conflito no curto prazo. No noticiário brasileiro, sem efeitos sobre o câmbio, o destaque foi a nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que levou à prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e teve como alvos o ex-diretor do Banco Central Paulo Souza e o servidor da autarquia Bellini Santana. Souza foi afastado do BC e precisará usar tornozeleira eletrônica.
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Ibovespa fecha em alta com ajuda de bancos em dia de trégua externa
O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira, em pregão de ajustes após tombo na véspera, com ações de bancos entre os principais suportes, em dia de trégua na aversão a risco global, mas com o conflito no Oriente Médio e seus potenciais reflexos ainda no radar.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 1,34%, a 185.561,63 pontos, de acordo com dados preliminares, após chegar a 186.306,18 pontos na máxima e marcar 183.110,02 pontos na mínima do dia. O volume financeiro somava R$23,78 bilhões antes dos ajustes finais.
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Brasil tem fluxo cambial positivo de US$5,429 bi em fevereiro, diz BC
O Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$5,429 bilhões em fevereiro, conforme dados divulgados na quarta-feira pelo Banco Central.
Pelo canal financeiro, houve entradas líquidas de US$2,906 bilhões em fevereiro. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de fevereiro foi positivo em US$2,523 bilhões. Os dados mais recentes são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Somente na semana passada, de 23 a 27 de fevereiro, entraram no país US$2,071 bilhões. O resultado ocorreu em meio ao forte fluxo de investimentos de estrangeiros para a bolsa brasileira. No acumulado do ano até o fim de fevereiro, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$10,496 bilhões.
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Senado aprova por unanimidade acordo entre Mercosul e União Europeia
Negociação começou há mais de 25 anos e aprovação cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. Atualmente, a União Europeia é o segundo principal parceiro comercial do Brasil
O Congresso Nacional concluiu a aprovação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, encerrando um processo de negociação iniciado há mais de 25 anos. Após a aprovação pela Câmara, na semana passada, o Senado deu, na quarta-feira (4), seu aval ao tratado que cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. Assim como fizeram os deputados, os senadores aprovaram o acordo por unanimidade, em votação simbólica. O texto segue agora para promulgação. A relatora do acordo no Senado, Tereza Cristina (PP-MS), defendeu a aprovação do texto, mas destacou a necessidade de o Executivo estabelecer salvaguardas bilaterais para a proteção dos produtores rurais brasileiros. As salvaguardas foram publicadas durante a tarde, via decreto editado pelo Executivo, resultado de negociações com o vice-presidente, Geraldo Alckmin, que acumula o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Na prática, as salvaguardas servirão como uma espécie de “freio”, permitindo ao país, por exemplo, elevar tarifas, limitar volumes importados ou suspender preferências tarifárias para dar um fôlego aos produtores locais enquanto o setor se ajusta à concorrência externa. O acordo comercial reúne países que somam cerca de 718 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado de aproximadamente US$ 22,4 trilhões, formando um mercado integrado entre o Mercosul — composto por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — e os 27 países da União Europeia. Pelos termos negociados, a União Europeia eliminará tarifas de importação sobre cerca de 95% dos bens comercializados com o Mercosul, o que corresponde a 92% do valor das importações europeias de produtos brasileiros. Já o Mercosul promoverá a liberalização tarifária de aproximadamente 91% dos bens, equivalentes a 85% do valor das importações provenientes da União Europeia. A redução das tarifas ocorrerá de forma gradual, com prazos que variam entre quatro e quinze anos, período considerado necessário para permitir a adaptação das economias sul-americanas à abertura comercial. Entre os setores diretamente impactados, estão os produtos industriais, como máquinas, automóveis, produtos químicos, aeronaves e equipamentos de transporte, que passarão progressivamente a ter tarifa zero. A expectativa é que a medida amplie o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu e fortaleça a integração às cadeias globais de produção. O tratado também estabelece regras para salvaguardas comerciais, especialmente em setores considerados sensíveis. No caso europeu, mecanismos paralelos permitem a abertura de investigações quando houver aumento significativo das importações provenientes do Mercosul ou queda relevante de preços de produtos agrícolas no mercado europeu, como carne e açúcar. Para o governo brasileiro, o acordo tem potencial para diversificar as parcerias comerciais do país e estimular a modernização da indústria nacional por meio da maior integração com o mercado europeu. Atualmente, a União Europeia é o segundo principal parceiro comercial do Brasil. Apesar da aprovação pelos parlamentos do Mercosul e da União Europeia, o acordo ainda enfrenta etapas institucionais no bloco europeu. Em janeiro, o Parlamento Europeu decidiu submeter o texto a uma revisão jurídica pelo Tribunal de Justiça da União Europeia, procedimento que pode atrasar a entrada em vigor plena do tratado. Na sexta-feira (27), a União Europeia anunciou que vai colocar em prática, temporariamente, o acordo de livre comércio com o Mercosul, mesmo antes da decisão da Justiça, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, defendeu a celeridade do processo.
VALOR ECONÔMICO
GOVERNO
Governo vê impacto mínimo do acordo Mercosul-UE sobre importações brasileiras no curto prazo
Mais da metade das importações do Brasil provenientes da União Europeia apenas terá Imposto de Importação eliminado após pelo menos dez anos de vigência do acordo entre Mercosul e o bloco europeu, e quase a totalidade dos setores brasileiros não terá nenhuma alteração de alíquota nos primeiros quatro anos, disseram duas fontes do governo.
Com projeções que mostram gradualismo da implementação e uma negociação de regras claras para salvaguardas, o governo tenta reduzir resistências de setores específicos ao acordo, cuja validação do texto pode ser votada ainda nesta quarta-feira no Senado após aval da Câmara na semana passada. Pelos cálculos do governo, 55,3% da importação vinda da União Europeia para o Brasil terá tarifa zero para entrada no país apenas após dez anos ou mais da entrada em vigor do acordo. Na outra ponta, 14,5% das importações terão tarifa zero já nos primeiros quatro anos de vigência, pelos termos do acordo, mas uma das fontes ressaltou que 96% desses produtos já possuem tarifa zero hoje. A estimativa é que a tarifa média dos itens impactados nos primeiros quatro anos caia de 0,5% para zero. Essa autoridade enfatizou que a implementação do lado europeu é acelerada no período inicial da vigência, com mais da metade dos itens comprados do Mercosul ficando com tarifa zero logo na entrada em vigor do acordo, embora parte desses produtos também já seja isenta hoje. Setores como o de laticínios e de vinhos têm apresentado ao governo preocupações com uma possível enxurrada de produtos europeus no Brasil, o que a fonte afirma que não acontecerá porque o acordo prevê mecanismos de defesa e reequilíbrio, além de cotas em parte dos produtos. Além de exclusões de produtos, prazos longos de adaptação e instrumentos de defesa comercial já previstos no acordo, o governo publicará nos próximos dias um decreto para regulamentar salvaguardas, que podem estabelecer controles específicos sobre as importações de certos produtos, destacou a fonte. O texto trará regras horizontais para disciplinar processos de investigação e aplicação de salvaguardas caso um surto de importações gere prejuízo grave à indústria ou ao agronegócio, mas não terá mecanismos voltados a acordos específicos ou a setores específicos, destacou. “A salvaguarda só faz sentido depois que você implementa o acordo, que o acordo produz efeitos, e que você tem o surto de importação. Não faz sentido de antemão você sinalizar setor A, B ou C”, disse. “O governo brasileiro estará pronto para responder a qualquer setor, o decreto oferece segurança jurídica.” Há previsão de votação do texto do acordo de livre comércio entre os dois blocos na quarta-feira na Comissão de Relações Exteriores e no plenário do Senado. Em caso de aprovação, o governo editará um decreto que conclui a internalização do acordo pelo Brasil e, em seguida, emitirá uma notificação para o bloco europeu. No final de fevereiro, a União Europeia anunciou que aplicará provisoriamente o acordo com o Mercosul, que poderá entrar em vigor dois meses após a troca de notificações entre os membros dos blocos. Uma das fontes destacou ser importante a conclusão desse processo ainda em março para que o Brasil tenha vigência concomitante aos outros países do bloco, a partir de maio.
REUTERS
Governo regulamenta aplicação de salvaguardas no acordo Mercosul-UE
Decreto prevê a possibilidade de investigar e, a depender da conclusão, aplicar restrições a produtos que entram no Brasil nas condições do tratado comercial assinado em janeiro. Acordo foi assinado em janeiro e ainda depende de aprovações de Congressos dos países dos dois blocos regionais
O governo federal publicou em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), o decreto que regulamenta a aplicação de medidas de salvaguardas bilaterais previstas em acordos comerciais firmados pelo Brasil, incluindo o acordo entre o Mercosul e a União Europeia. A norma estabelece como o governo poderá investigar e, se necessário, aplicar restrições às importações de produtos que entram no país com tarifas reduzidas, no âmbito do acordo comercial, quando houver risco de prejuízo grave à indústria nacional. Entre as salvaguardas bilaterais definitivas previstas estão, por exemplo, a suspensão da redução tarifária e estabelecimento de cotas. Pelo decreto, o aumento dessas importações poderá ser caracterizado tanto em termos absolutos, em relação à produção nacional ou, quando previsto no acordo comercial, ao consumo doméstico. Segundo apurou o Valor, a publicação do decreto foi articulada pela senadora Tereza Cristina em conjunto com a Casa Civil para que a medida saísse no mesmo momento da votação relacionada ao acordo comercial. O decreto prevê que as medidas de salvaguarda bilateral poderão ser adotadas de forma provisória a qualquer momento durante o curso da investigação, desde que observados os requisitos, as condições e os limites previstos no acordo comercial. Já as medidas definitivas poderão ser aplicadas na “extensão necessária” para prevenir a ameaça de prejuízo ou reparar danos graves à indústria doméstica. Entre os instrumentos possíveis estão a suspensão do cronograma de redução tarifária previsto no acordo, a diminuição das preferências tarifárias concedidas ao produto afetado, a imposição de cotas tarifárias ou outras restrições quantitativas, além de outras modalidades previstas no próprio acordo comercial. Caberá à Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidir sobre a aplicação de medidas de salvaguarda bilateral, sejam elas provisórias ou definitivas, bem como deliberar sobre a prorrogação das medidas definitivas. De acordo com a norma, as medidas de salvaguarda bilateral só poderão ser aplicadas após o início de investigação destinada a verificar a existência de prejuízo ao mercado nacional. O decreto prevê que as investigações deverão avaliar fatores objetivos e quantificáveis relacionados à situação da indústria doméstica e demonstrar o nexo causal entre o aumento das importações e o eventual prejuízo. O período de coleta de dados no processo investigativo deverá abranger, em regra, os últimos 36 meses, salvo em situações excepcionais devidamente justificadas. As investigações de salvaguardas bilaterais deverão, de forma geral, ser solicitadas mediante petição escrita. Excepcionalmente, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) poderá iniciar investigação de ofício, “desde que disponha de indícios suficientes de que as importações de determinado produto aumentaram em quantidade e em condições tais que causem ou ameacem causar prejuízo grave à indústria doméstica de bens similares ou diretamente concorrentes”, diz o decreto.
GLOBO RURAL
INTERNACIONAL
EUA devem aumentar tarifa para 15% nesta semana, diz secretário do Tesouro
Declaração foi dada por Scott Bessent em entrevista à CNBC na quarta; aumento na taxa atual tinha sido anunciado por Trump no final de fevereiro
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta quarta-feira, em entrevista à CNBC, que a tarifa global de 15% anunciada pelo presidente Donald Trump será implementada nos próximos dias. “Isso provavelmente acontecerá em algum momento desta semana”, disse. No final de fevereiro, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que a tarifa geral seria de 15%, após a Suprema Corte ter derrubado as tarifas recíprocas estabelecidas pelo republicano em abril do ano passado. No entanto, a alíquota acabou sendo menor por pelo menos 150 dias. À época, o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer já tinha previsto a elevação e afirmado que poderia passar dos 15% para alguns países. Durante a entrevista, ele afirmou ainda que essas tarifas substitutivas, que estão sendo impostas de acordo com a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, podem durar apenas 150 dias – a menos que o Congresso aprove uma prorrogação. Durante o período, afirma Bessent, o Escritório do Representante Comercial dos EUA e o Departamento de Comércio devem concluir concluirão estudos relacionados ao relacionados ao comércio que poderão permitir a imposição de mais tarifas. “Acredito firmemente que as tarifas voltarão aos seus valores anteriores dentro de cinco meses, e essas são autorizações bastante abrangentes.” “Eles sobreviveram a mais de 4.000 contestações judiciais”, disse ele. “Eles são mais lentos, mas são mais resistentes.”
O ESTADO DE SÃO PAULO
FRANGOS & SUÍNOS
China pede redução na produção de suínos diante de excesso de oferta e queda nos preços
Entenda as medidas que a China está tomando para reduzir a produção de suínos em meio ao excesso de oferta no mercado
A China solicitou aos produtores de suínos que reduzam a produção e reforcem o controle de custos, diante do excesso de oferta e da demanda enfraquecida no mercado interno. A informação foi divulgada pelo veículo financeiro CLS. Em reunião com suinocultores, o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China orientou o setor a cumprir os limites de produção estabelecidos para 2025 e a estruturar um sistema de registro para aprimorar os mecanismos de controle. A carne suína registrou retração de 14,6% nos preços em dezembro, na comparação anual. O movimento representa mais um episódio em um ciclo prolongado de desvalorização, associado à demanda doméstica fraca, à desaceleração econômica e a mudanças nos padrões de consumo. Em 2024, a China — maior produtora mundial de suínos — abateu cerca de 720 milhões de animais. No quarto trimestre de 2025, a produção alcançou 15,7 milhões de toneladas de carne suína, o maior volume para o período desde 2018. O cenário de oferta elevada e consumo enfraquecido pressiona a rentabilidade dos produtores e reforça a necessidade de ajustes na produção para reequilibrar o mercado interno.
REUTERS
Gripe aviária já matou 201 milhões de aves em granjas dos EUA
Após retorno ao país em 2022, vírus se espalhou por todo o território americano. Doença traz perda econômica para produtor e pressão na inflação do consumidor
No aparecimento da gripe aviária nos Estados Unidos em 2015, a doença matou 50 milhões de aves em granjas comerciais do país. No reaparecimento, em fevereiro de 2022, os produtores acreditavam que o cenário seria menos desastroso. Estavam enganados. Até esta quarta-feira (4), 201 milhões de aves foram sacrificadas em granjas americanas. Só nos últimos 30 dias, foram abatidos 11,5 milhões, segundo o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). É um número muito alto em relação ao plantel do país, que tem 379 milhões de galinhas poedeiras (para a produção de ovos), e abate perto de 9,4 bilhões de aves por ano. No Brasil são abatidos 6,5 bilhões. A gripe aviária traz prejuízos econômicos para os produtores e inflação para os consumidores. Além de afetar as exportações, a doença força o país a importar mais, como ocorreu no início do ano passado com os Estados Unidos no período de falta de ovos. A doença se espalha pelo país devido à grande circulação de aves silvestres e por uma política confusa de combate. Um dos primeiros atos de Donald Trump, ao assumir no ano passado, foi desativar o departamento de pesquisa onde cientistas buscavam uma solução para a crise da gripe aviária. Mais tarde, quando a doença passou também para vacas leiteiras, o governo prometeu US$ 1 bilhão para o setor. A longa permanência do vírus pelo país preocupa. As mutações dele já o levaram para diversos mamíferos, como focas, ursos, raposas, golfinhos, pumas e gado leiteiro. Neste último caso, o aparecimento foi em março de 2024, e já está em 17 estados do país. A falta de controle na circulação interna dos animais facilitou essa dispersão do vírus, segundo cientistas voltados para o controle da doença. Já ocorreram 1.090 casos confirmados da influenza aviária em gado leiteiro. O risco para a saúde pública é baixo, dizem as autoridades americanas, mas a doença já afetou 71 pessoas, e, em dois desses casos, o vírus provocou a morte dos infectados. As transmissões para humanos vieram de gado leiteiro (41), de granjas de aves (24), de outros animais (3) e de fontes desconhecidas (3).
Fragmentos do vírus foram encontrados no leite cru, e as autoridades americanas recomendam o uso apenas do produto pasteurizado. O medo maior é que haja uma transmissão do vírus de pessoa para pessoa, provocando uma pandemia. Autoridades sanitárias, por ora, descartam essa hipótese. O vírus da gripe aviária está espalhado por todo o mundo, e um dos últimos locais a chegar foi no Brasil, em maio de 2025. Mesmo com pouco tempo sob a doença, o Brasil teve perdas comerciais, com muitos países interrompendo a compra da carne de frango brasileira. O vírus ainda preocupa os brasileiros, uma vez que reapareceu em granjas comerciais da Argentina e em aves silvestres do Uruguai, vizinhos do Brasil. Segundo o Ministério da Agricultura, a Influenza Aviária é uma doença viral grave. O vírus pode passar de animais para humanos, embora a ocorrência seja esporádica. A gripe aviária não é transmitida pelo consumo de carne de aves e de ovos, segundo o Ministério.
FOLHA DE SP
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