
Ano 11 | nº 2611 | 08 de dezembro de 2025
NOTÍCIAS
DEZEMBRO COMEÇA COM ALTA DO BOI
Na 1ª semana de dez/25, o mercado de SP registrou altas de R$ 2/@ para o boi gordo sem padrão-exportação e de R$ 1/@ para o “boi-China”
“O desempenho do mercado interno está positivo, como deve ser para um final de ano. Salários, 13º salário, bonificações, empregos temporários, festas de final de ano, confraternizações, entre outros fatores, sustentam o cenário positivo”, relata o engenheiro agrônomo Pedro Gonçalves, analista da Scot Consultoria. Ao longo da primeira semana de dezembro/25, o mercado de São Paulo registrou altas de R$ 2/@ para o boi gordo sem padrão-exportação e de R$ 1/@ para o “boi-China”, de acordo com a apuração da Scot. “Essas valorizações foram fundamentadas pela boa demanda por carne bovina no mercado doméstico e pelo bom desempenho das exportações, somados a uma oferta de boiadas que tem atendido à demanda, mas sem excedentes”, ressalta a consultoria. Nesta sexta-feira (5/12), porém, os negócios começaram em ritmo mais lento, movimento comum para o dia da semana, observa a Scot. “Frigoríficos com escalas mais alongadas ofertam valores abaixo da referência, mas a ponta vendedora se mantém firme nos preços pedidos”, relatou a consultoria. Com isso, os preços dos animais terminados fecharam a semana estáveis, com o boi gordo “comum” cotado em R$ 322/@ em São Paulo, enquanto o “boi-China” segue valendo R$ 326/@ (valores brutos, no prazo), conforme os números da consultoria.
SCOT CONSULTORIA
Preço do boi gordo encerra a semana estável depois de subir em São Paulo
Para a segunda semana do mês, o viés era de preços firmes e demanda consistente. Frigoríficos, especialmente os de maior porte, já estão com boa parte das escalas feitas para as duas próximas semanas
Ao longo da primeira semana de dezembro, o mercado pecuário no Estado de São Paulo registrou altas de R$ 2 a arroba para o boi gordo e de R$ 1 para o “boi China”, segundo dados da Scot Consultoria. Para a vaca e a novilha, a cotação não mudou. Essas valorizações foram fundamentadas pela boa demanda por carne bovina no mercado doméstico e pelo bom desempenho das exportações, somados a uma oferta de boiadas que atendia à demanda, mas sem excedentes. Contudo, na sexta-feira (5/12), os negócios tiveram ritmo mais lento, movimento comum para o dia da semana. Frigoríficos com escalas mais alongadas ofertavam valores abaixo da referência, mas a ponta vendedora se manteve firme nos preços pedidos. Com isso, os preços ficaram estáveis na comparação feita dia a dia. A cotação do boi gordo seguiu a R$ 322 a arroba para o pagamento a prazo nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referências para mercado. Das 33 regiões monitoradas pela Scot, os preços permaneceram estáveis em 30 praças nesta sexta-feira. Apenas em Marabá (PA) e Redenção (PA) registraram quedas, enquanto no sul do Tocantins as cotações subiram. Segundo a Scot, para a segunda semana do mês, o viés era de preços firmes e demanda consistente. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) informa que os frigoríficos, especialmente os de maior porte, já estão com boa parte das escalas feitas para as duas próximas semanas e têm negociado pouco no mercado de balcão, forçando os preços. Porém, ainda há algumas indústrias com escala curta. Esses frigoríficos, a depender da necessidade, pagam valor pedido pelo pecuarista, mas, em geral, têm adquirido lotes nos patamares que já vinham sendo praticados.
GLOBO RURAL
Mercado conta com sinais de aquecimento, com a demanda interna em seu auge
O mercado físico do boi gordo apresentou predominante acomodação em seus preços no decorrer da sexta-feira (5), com muitas indústrias ausentes da compra de gado.
De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a abertura dos preços deve ocorrer entre segunda e terça-feira. “Sob o prisma da demanda, o mercado ainda conta com sinais de aquecimento, com a demanda interna em seu auge, somado ao forte ritmo de embarques. É válido mencionar que os frigoríficos de maior porte sinalizam para escalas de abate confortáveis, o que pode limitar altas mais consistentes”, disse.
Preços médios da arroba do boi: São Paulo: R$ 324,50 — ontem: R$ 324,00. Goiás: R$ 315,71 — R$ 316,25. Minas Gerais: R$ 320,18 — R$ 320,53. Mato Grosso do Sul: R$ 320,00 — R$ 320,23. Mato Grosso: R$ 302,43 — R$ 301,49. O mercado atacadista encerra a semana apresentando manutenção do padrão dos negócios no decorrer da sexta-feira. Segundo Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere por novos reajustes dos preços, em especial dos cortes do traseiro bovino, muito demandados nessa época do ano, considerando o impacto da entrada do 13º terceiro salário, criação dos postos temporários de emprego e confraternizações inerentes ao período. Quarto traseiro: ainda é precificado a R$ 26 por quilo; Quarto dianteiro: segue cotado a R$ 18,50 por quilo; Ponta de agulha: se mantém a R$ 18,50 por quilo.
SAFRAS NEWS
Dezembro inicia com valorização do boi gordo e estabilidade para as categorias das fêmeas na região Sul do Tocantins
A primeira semana de dezembro chegou trazendo um cenário de estabilidade às fêmeas e alta para o boi gordo.
As escalas de abate seguem curtas e a oferta continua enxuta no estado. A menor disponibilidade de bovinos neste fim de ano, sustentou altas para o boi gordo nas duas últimas semanas de novembro e para a primeira semana de dezembro. Para as fêmeas, o mercado encontrou um ponto de equilíbrio, mantendo os preços estáveis no início de dezembro. Na comparação semanal para a região Sul do estado, houve valorização da cotação do boi gordo e estabilidade para as categorias das fêmeas. Para o boi gordo houve valorização de 0,7%, ou R$2,00/@, negociado em R$299,50/@. Nas categorias das fêmeas, a vaca foi cotada em R$282,50/@ e a novilha em R$287,50/@. Todos os preços são a prazo e descontados o Senar e o Funrural. O diferencial de base do boi gordo está R$17,50 por arroba, 5,8% menor na região Sul do Tocantins em relação a São Paulo. Nas praças paulistas, a arroba é negociada em R$317,00, considerando o preço a prazo e livre de impostos. No curto prazo, a tendência é de estabilidade nos preços. Para o restante do mês, a expectativa é de estabilidade, com eventual espaço para valorização, caso a oferta continue limitada.
SCOT CONSULTORIA
Confinamento ainda promete margens atrativas para 2026
Valores dos animais de reposição ficarão mais caros ao longo do ano. Elevação contínua nos preços do boi gordo ajudaram nas margens dos pecuaristas confinadores
Após um 2025 marcado por custos baixos para terminação intensiva de bovinos e preços firmes da arroba, que garantiram margens positivas para os pecuaristas que confinam gado, o ano que vem promete margens ainda atrativas, apesar da virada no ciclo da pecuária. Em novembro, por exemplo, as despesas com alimentação do gado em confinamento no Centro-Oeste ficaram em R$ 12,53 por cabeça ao dia, queda de 16,74% no comparativo anual, conforme dados do Índice de Custo Alimentar Ponta (Icap), calculados pela empresa de análises Ponta Agro. No Sudeste, a redução foi menos expressiva, mas ainda houve baixa de 1,21% no período. O Icap da região foi de R$ 12,28 por cabeça ao dia. Segundo a Ponta, a queda nas despesas com nutrição é resultado de um conjunto de fatores estruturais. A supersafra de grãos — especialmente milho e soja — ampliou a oferta interna e reduziu a pressão sobre preços ao longo de todo o ano, derrubando o custo destes insumos que são bases energéticas e proteicas das dietas do gado. A menor volatilidade cambial e a recomposição dos estoques nacionais de grãos também contribuíram para estabilizar preços das commodities em patamares mais baixos. “Além disso, a indústria de coprodutos operou com maior regularidade e competitividade, favorecendo insumos como DDG, polpa cítrica, bagaço de cana e caroço de algodão”, disse o CEO da Ponta, Paulo Dias. Ao mesmo tempo, a elevação contínua nos preços do boi gordo formou a combinação perfeita para as margens dos pecuaristas confinadores. Para o ano que vem, o CEO da Ponta ressalta que existem fatores em aberto que podem reduzir a lucratividade do setor, como a investigação de salvaguarda da China que está em curso e avalia o impacto das importações de carne bovina para a indústria do país asiático. “A gente não sabe o que vem (da investigação). Se tivermos má notícia disso, automaticamente pode tomar uma parte da nossa lucratividade”, alertou. Os chineses são destino de mais de 40% da carne bovina exportada pelos brasileiros. Entretanto, com base no cenário atual, sem nenhuma mudança ou tarifa da China causada pela salvaguarda, a perspectiva é promissora para as margens do setor pecuário como um todo, inclusive para os confinadores. Dias acredita que os valores dos animais de reposição — bezerro e boi magro — ficarão cada vez mais caros ao longo de 2026, em função da virada de ciclo. Porém, “minha expectativa é que a arroba do boi também cresça mais e acompanhe esse avanço da reposição”, disse. Dados do indicador do bezerro Cepea/Esalq mostram que a cotação do animal atingiu R$ 3.070,36 por unidade nesta sexta-feira (5/12), aumento de 1,29% na variação mensal e 13,75% na comparação anual. O diretor da Scot Consultoria, Alcides Torres, destacou que muitos pecuaristas já esperavam por este avanço nos valores do animal de reposição e se prepararam para o momento, o que pode limitar o impacto para os custos da cadeia. Sobre os insumos, Torres comentou que não há perspectiva de saltos muito significativos no valor do milho, por exemplo, porque a formação de preço é internacional, e países como Argentina e Estados Unidos vivem momentos de recordes na produção do cereal. “Então, em 2026 a gente deve ter uma margem suficiente para estimular o confinamento se não vier nenhum fato novo, como mudanças na China”, estimou o especialista. A diretora da consultoria Agrifatto, Lygia Pimentel, calcula que as margens dos confinamentos podem ficar estáveis no primeiro semestre, com potencial para melhora de 4% a 7% no segundo semestre, “conforme os preços do boi gordo confirmem ou não valorização sazonal adicionada de correção cíclica (do gado)”.
VALOR ECONÔMICO
Exportações de carne bovina in natura atingem média diária recorde
As exportações de carne bovina in natura de novembro tiveram a maior média diária da história, informou a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic). Ao longo do mês, 16.762 toneladas por dia foram enviadas ao exterior.
No entanto, por conta do menor número de dias úteis, o total embarcado em novembro não superou outubro, somando com 318,5 mil toneladas, uma queda de 0,65% em relação às 320,6 mil toneladas registradas no mês anterior. Mesmo assim, foi o segundo maior volume mensal da série histórica. Em relação a outubro de 2024, houve crescimento de 39,6%. O preço por tonelada foi de US$ 5.508,8, gerando uma receita de US$ 1,754 bilhão para as exportações de novembro. O montante foi 57,9% maior do que no mesmo mês de 2024, mas ficou 1,18% menor do que outubro. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destaca que o resultado impressiona ainda mais considerando que os envios à China e EUA recuaram no mês. Os dois destinos que tiveram forte incremento foram Rússia e Indonésia. Ambos compraram o maior volume de carne bovina brasileira da série histórica, com 20 mil e 14 mil toneladas, respectivamente. Faltando um mês para o final do ano, o resultado expressivo de novembro elevou as exportações no acumulado de 2025 para 14,9 milhões de toneladas, superando em 10% o total embarcado em 2024 (11,66 milhões de toneladas).
GLOBO RURAL
Menor oferta de bovinos em 2026 para abate deve encarecer a carne
Economistas e pecuaristas preveem alta do boi gordo com retenção de fêmeas; “Será mais um ano positivo para a carne, beneficiado por fatores domésticos”, afirma Andréa Angelo
Após resultados históricos em 2025, mesmo com o tarifaço americano entre agosto e meados de novembro, a indústria exportadora de carne bovina acredita que 2026 será um ano de estabilidade nos negócios, com exportações próximas do recorde de 3,2 milhões de toneladas que deverá ser confirmado neste ano, e nos preços aos consumidores brasileiros. Contudo o cenário mais complexo, com a volta dos Estados Unidos às compras, dúvidas sobre o fluxo comercial com a China e possível mudança na oferta de animais para abate, já alimenta discussões entre analistas sobre o comportamento dos preços da carne ao consumidor em 2026. O possível encarecimento do churrasco brasileiro retornará ao cardápio em um ano eleitoral. O consumo de carne bovina tradicionalmente aumenta com a maior liberação de dinheiro na economia em períodos assim, mas deve haver aperto na oferta no segundo semestre. O endividamento das famílias também pode nublar esse panorama. Andréa Angelo, estrategista de inflação da Warren Investimentos, disse que a projeção para 2026 é de cotação da arroba entre R$ 320 no primeiro semestre até R$ 360 no segundo semestre. Se confirmado esse patamar de valor médio de R$ 340 por arroba, a alta no preço da carne bovina pode ser de 10%. “Será mais um ano positivo para a carne bovina, beneficiado também por fatores domésticos, como ano eleitoral, possível impacto do imposto de renda sobre a renda disponível, Copa do Mundo e melhora esperada no consumo interno”, avaliou. Fábio Romão, economista da 4intelligence, acredita em uma consolidação de alta de 1,7% na carne bovina consumida nos lares dos brasileiros em 2025, sobre uma base já elevada de 2024, quando os preços subiram 20,8%. Em 2026, ele projeta nova aceleração, para 6,9%, influenciada pelas características do ciclo pecuário e a dinâmica de exportações. O ciclo pecuário é um movimento independente de políticas e estímulos de consumo, formado antes e com consequências de longo prazo, lembrou Lygia Pimentel, executiva da consultoria Agrifatto. A pressão na cotação do boi entre 2022 e 2024 levou os pecuaristas brasileiros a mandarem mais fêmeas para o abate no período, até mesmo as matrizes, usadas para dar cria. Esse movimento está no pico em 2025. Até junho, 49,8% dos animais abatidos eram fêmeas. O número maior de abate fez aumentar a oferta de carne e o Brasil ficou ainda mais competitivo no mercado internacional. O produto ficou 22% mais barato que a média ponderada de preços dos principais concorrentes nas exportações, como Estados Unidos, Austrália e Argentina, disse Pimentel. Em outros anos, a diferença dos preços brasileiros era de 15%. Agora, o ciclo começa a se inverter, com maior retenção de fêmeas no pasto. Mas o processo é longo até elas gerarem novas crias e isso se reverter em mais oferta para os frigoríficos novamente, completou a especialista. “Em 2026, devemos começar a reduzir a participação dessas fêmeas no abate por falta de estoque. Apenas isso já faz reduzir a oferta do produto no mercado”, afirmou. “Há um ambiente de inflação oculta e endividamento que não favorece pagar mais para levar carne para casa. O cenário é de menor oferta e disponibilidade, com o Brasil competitivo no mercado internacional”, avaliou. A expectativa da Agrifatto é que o Brasil vai encerrar este ano com 42,07 milhões de cabeças abatidas e produção de 10,8 milhões de toneladas de carne. A projeção é de recuo de 4,7% nos abates e de 5% no volume produzido em 2026. “O pico deve ficar para 2027. Precisamos ver quando será a reversão do movimento. Estamos saindo de período de produção formal de carne bovina que nunca tinha sido vista antes”, afirmou Lygia Pimentel. Do lado dos pecuaristas, há mais otimismo. O presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Oswaldo Pereira Júnior, vê possibilidade de alta nos abates em 2026, para cerca de 7,2 milhões de cabeças no Estado, maior produtor do país. Em 2025, serão cerca de 7 milhões de animais abatidos. Segundo ele, não faltará carne em 2026, principalmente para o mercado interno, que consome cerca de 70% da proteína. Com o “pé fincado” na fase de alta do ciclo pecuário agora, o dirigente acredita em aumento mais firme da cotação da arroba, saindo dos atuais R$ 310 para mais perto dos R$ 400, apenas no segundo semestre de 2026, acompanhado de incremento do preço da carne no varejo de 10% a 15%. “Isso não está relacionado à oferta, mas sim à demanda, que aumenta, principalmente em ano eleitoral, quando há um giro maior de dinheiro livre no mercado”, apontou. As exportações de carne bovina in natura chegaram a 3,1 milhões de toneladas no acumulado até novembro e devem encerrar 2025 com 3,2 milhões de toneladas e faturamento acima de US$ 16 bilhões. Em 2024, foram embarcadas 2,8 milhões de toneladas, com receita de US$ 12 bilhões.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar tem forte alta e atinge R$5,4346 após Flávio Bolsonaro ser apontado pelo pai como candidato
O dólar disparou no Brasil e voltou a fechar acima dos R$5,40 na sexta-feira, com o mercado reagindo negativamente à notícia de que o ex-presidente Jair Bolsonaro escolheu o filho Flávio como candidato à Presidência em 2026, para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A visão do mercado é de que o nome de Flávio, senador pelo PL, inviabiliza a candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) — o favorito dos investidores para a disputa com Lula. O dólar à vista fechou aos R$5,4346, com forte alta de 2,34% — o maior avanço percentual desde 10 de outubro deste ano, quando a moeda disparou 2,39% em meio ao mau humor do mercado com a política fiscal do governo. No ano, porém, a divisa acumula perdas de 12,05%. Às 17h21, o contrato de dólar futuro para janeiro — atualmente o mais líquido no Brasil — subia 2,40% na B3, aos R$5,4690. O dólar chegou a oscilar abaixo dos R$5,30 no início do dia no Brasil, acompanhando o recuo da moeda norte-americana no exterior, mas a indicação de Flávio para a corrida presidencial caiu como uma bomba no mercado. Preso por tentativa de golpe de Estado e inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bolsonaro escolheu o senador Flávio Bolsonaro (PL) como candidato à Presidência em 2026, informou o Metrópoles no início da tarde. Posteriormente, a Reuters confirmou a informação com o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e o próprio Flávio disse no X que havia sido escolhido. Em reação, o dólar disparou ante o real, escalando rapidamente para acima dos R$5,40. “O mercado fez a leitura de que a candidatura de Flávio desarticula qualquer possível aliança mais ampla da direita. E com isso as chances de Lula para 2026 sobem substancialmente”, comentou Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital, acrescentando que houve um “movimento agudo especulativo”. O forte avanço do dólar ante o real esteve na contramão do recuo da moeda norte-americana no exterior, onde investidores seguiam apostando em novo corte de juros pelo Federal Reserve na próxima semana. Às 17h21, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,07%, a 99,009.
REUTERS
Ibovespa desaba com pré-candidatura de Flávio Bolsonaro revertendo começo de mês positivo
O Ibovespa desabou mais de 4% na sexta-feira, na maior queda em um dia desde fevereiro de 2021, pressionado por anúncio de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi escolhido pelo pai para ser candidato a presidente da República em 2026.
A forte correção ocorreu após o índice renovar recorde mais cedo no dia, quando ultrapassou os 165 mil pontos pela primeira vez. A piora na bolsa paulista teve como gatilho o noticiário sobre decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro de escolher seu filho mais velho para ser o candidato do bolsonarismo à Presidência no ano que vem, confirmada pelo próprio senador em publicação no X. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 4,25%, a 157.462,94 pontos, de acordo com dados preliminares, após avançar a 165.035,97 na máxima do dia, renovando topo histórico. No pior momento, recuou a 157.006,61 pontos.
Com tal desempenho, a primeira semana de dezembro acabou com queda acumulada de 1,01%, ante acréscimo de mais de 3% até a véspera. No ano, o Ibovespa ainda sobe 30,91%.
O volume financeiro no pregão desta sexta-feira somava R$40,95 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Preços mundiais dos alimentos caem pelo terceiro mês em novembro, diz FAO
Os preços mundiais das commodities alimentares caíram pelo terceiro mês consecutivo em novembro, com todos os principais alimentos básicos, exceto os cereais, apresentando declínio, informou a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) na sexta-feira.
O Índice de Preços de Alimentos da FAO, que acompanha uma cesta de commodities alimentares comercializadas globalmente, atingiu uma média de 125,1 pontos em novembro, abaixo dos 126,6 pontos revisados em outubro e o menor valor desde janeiro. A média de novembro também ficou 2,1% abaixo do nível do ano anterior e 21,9% abaixo do pico em março de 2022, após a invasão em grande escala da Rússia na Ucrânia, disse a FAO. A referência de preço do açúcar caiu 5,9% em relação a outubro, atingindo o menor patamar desde dezembro de 2020, pressionado por amplas expectativas de oferta global, enquanto o índice de preços dos laticínios caiu 3,1% em um quinto declínio mensal consecutivo, refletindo o aumento da produção de leite e da oferta de exportação. Os preços dos óleos vegetais recuaram 2,6%, atingindo uma mínima de cinco meses, já que as baixas nas cotações da maioria dos produtos, incluindo o óleo de palma, superaram a alta do óleo de soja. Os preços das carnes retraíram 0,8%, com a carne suína e de aves liderando a queda, enquanto as cotações da carne bovina se estabilizaram após a remoção das tarifas dos EUA sobre as importações de carne bovina, disse a FAO. Em contrapartida, o preço de referência dos cereais da FAO aumentou 1,8% em relação ao mês anterior. Os preços do trigo subiram devido à demanda potencial da China e às tensões geopolíticas na região do Mar Negro, enquanto os preços do milho foram sustentados pela demanda por exportações brasileiras e por relatos de interrupções climáticas nos trabalhos de campo na América do Sul. Em um relatório separado sobre oferta e demanda de cereais, a FAO elevou a previsão de produção global de cereais para 2025 para um recorde de 3,003 bilhões de toneladas, em comparação com 2,990 bilhões de toneladas projetadas no mês passado, principalmente devido ao aumento das estimativas de produção de trigo. A previsão de estoques mundiais de cereais no final da temporada 2025/26 também foi revisada para cima, para um recorde de 925,5 milhões de toneladas, refletindo as expectativas de expansão dos estoques de trigo na China e na Índia, bem como estoques mais altos de grãos nos países exportadores, disse a FAO.
FAO
INTERNACIONAL
Como a China pode influenciar o preço da carne bovina no Brasil em 2026
Parceiro comercial deve divulgar decisão sobre a aplicação ou não de salvaguardas no fim de janeiro. Embarques em 2025 somaram mais de 1,5 milhão de toneladas e US$ 8 bilhões em receita
O ponto de interrogação no mercado pecuário para 2026 é a China, destino da metade dos embarques brasileiros neste ano, que poderá divulgar a decisão sobre a aplicação ou não de salvaguardas na importação da proteína no fim de janeiro. O cenário de preços internos da carne bovina pode ser impactado com potenciais implicações desse processo e eventual diminuição da demanda pelo produto brasileiro. Em 2024, o Brasil embarcou 1,3 milhão de toneladas aos chineses, principal mercado dos frigoríficos nacionais. Em 2025, o volume será recorde novamente. Até novembro, foram mais de 1,5 milhão de toneladas e US$ 8 bilhões em receita. A investigação ainda gera preocupação no setor, segundo alguns empresários ouvidos reservadamente pela reportagem. O viés de recuo nas compras chinesas, porém, seria para o patamar de 2024 e não um corte mais acentuado, analisam os executivos. A avaliação setorial é de que haverá um freio em novas habilitações de plantas, medida considerada crucial para a virada de chave na rentabilidade de um frigorífico no país. Uma fonte do setor argumentou que poderá haver novas autorizações em 2026, mas apenas para substituir eventuais unidades que poderão ser deslistadas. Ou seja, o número de empresas autorizadas a vender para os chineses continuaria igual, mas haveria troca de uma por outra. A Warren Investimentos aponta quatro possíveis frentes de endurecimento regulatório com a investigação: controles alfandegários mais rigorosos, criação de cotas para produtos importados, suspensão adicional de plantas e crédito mais restrito para importação. O governo chinês argumenta que a carne importada afeta a indústria doméstica, o que exige medidas de proteção. “Essas potenciais mudanças reforçam a necessidade de monitoramento contínuo, tanto pelos impactos no fluxo comercial quanto pelos efeitos indiretos sobre preços e expectativas”, afirmou a consultoria em relatório elaborado há poucos dias. Andréa Angelo, economista da Warren, disse que se a China tivesse anunciado salvaguardas no fim de novembro, como estava previsto, poderia haver uma correção de preços no mercado físico, com queda na arroba do boi em dezembro. Com uma base mais baixa nesse fim de ano, a alta da carne no varejo em 2026 poderia ser ainda mais intensa, de 13%. Lygia Pimentel, diretora-presidente da consultoria Agrifatto, acredita que o possível estabelecimento de cotas e a imposição de tarifas em torno de 10% não tiram a competitividade das exportações brasileiras para a China e que o fluxo comercial deverá ser mantido sem grandes alterações.
VALOR ECONÔMICO
FRANGOS & SUÍNOS
Embarques de carne suína chegam a 106,5 mil tons no mês
Já as exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 106,5 mil toneladas em novembro, volume 12,5% menor em relação ao mesmo período do ano passado, com 121,1 mil toneladas.
A receita do período chegou a US$ 248,2 milhões, saldo 14,9% menor em relação ao ano anterior, com US$ 291,7 milhões. No ano, os embarques de carne suína acumulam alta de 10,4%, com 1,372 milhão de toneladas nos onze primeiros meses de 2025, contra 1,243 milhão de toneladas no mesmo período do ano anterior. A receita registrada entre janeiro e novembro chegou a US$ 3,294 bilhões, número 18,7% maior em relação ao ano anterior, com US$ 2,774 bilhões. Filipinas foi o principal destino das exportações, com 350,1 mil toneladas (+49,1%), seguido por China, com 149 mil toneladas (-32,6%), Chile, com 109,1 mil toneladas (+5,8%), Japão, com 101,2 mil toneladas (+18,9%) e Hong Kong, com 99,1 mil toneladas (+1,8%). Santa Catarina, principal estado exportador, embarcou 688,4 mil toneladas entre janeiro e novembro (+50,73% em relação ao ano anterior). Foi seguido pelo Rio Grande do Sul, com 317,3 mil toneladas (+17%), Paraná, com 214,9 mil toneladas (+25,7%), Mato Grosso, com 34,5 mil toneladas (+0,71%) e Minas Gerais, com 33,7 mil toneladas (+29,6%).
ABPA
Frango/Cepea: Preço da carne interrompe 3 meses de alta e cai em novembro
Maior disponibilidade de frango vivo para abate acabou elevando a oferta de carne
Os preços da carne de frango caíram em novembro, interrompendo três meses seguidos de alta, apontam levantamentos do Cepea. De acordo com agentes consultados pelo Centro de Pesquisas, a maior disponibilidade de frango vivo para abate ao longo do mês acabou elevando a oferta de carne no mercado atacadista. Além disso, o movimento sazonal de enfraquecimento da demanda na segunda quinzena do mês causou queda nos valores no período – o que pressionou a média mensal. No atacado da Grande São Paulo o frango inteiro congelado teve média de R$ 7,77/kg em novembro, baixa de 2,1% frente à de outubro. Para as próximas semanas, as expectativas de colaboradores do Cepea são divergentes. Uma parte do setor está otimista e à espera de reações nos preços, fundamentados no possível aquecimento na venda de aves neste período de final de ano. Outros agentes, porém, estão atentos à oferta de animal vivo acima da procura, que tenderia a manter o mercado da carne pressionado.
CEPEA
Exportações de carne de frango totalizam 434,9 mil tons em novembro
As exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 434,9 mil toneladas em novembro, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
O volume foi 6,5% menor em relação ao mesmo período do ano anterior, com 465,1 mil toneladas. No mês, a receita dos embarques chegou a US$ 810,7 milhões, saldo 9,3% menor em relação ao décimo primeiro mês do ano passado, com US$ 893,4 milhões. No ano (janeiro a novembro), as exportações de carne de frango alcançaram 4,813 milhões de toneladas, volume 0,7% menor em relação aos onze primeiros meses de 2024, com 4,845 milhões de toneladas. Em receita, o total do ano até novembro chegou a US$ 8,842 bilhões, número 2,5% menor em relação ao ano passado, com US$ 9,071 bilhões. Emirados Árabes Unidos é o principal destino das exportações do setor em 2025, com 433,8 mil toneladas embarcadas entre janeiro e novembro (+2,1% em relação ao ano anterior). Em seguida estão Japão, com 367,4 mil toneladas (-10,8%), Arábia Saudita, com 362,6 mil toneladas (+6,3%), África do Sul, com 288,6 mil toneladas (-4,6%) e México, com 238,2 mil toneladas (+16,2%). Principal estado exportador brasileiro, o Paraná embarcou 1,915 milhão de toneladas em 2025 (3,94% menor em relação ao mesmo período do ano anterior), seguido por Santa Catarina, com 1,086 milhão de toneladas (+1,76%), Rio Grande do Sul, com 615 mil toneladas (-3,25%), São Paulo, com 297 mil toneladas (+9,57%) e Goiás, com 246 mil toneladas (+10,69%).
ABPA
imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br
POWERED BY NORBERTO STAVISKI EDITORA LTDA
Whatsapp 041 996978868
