
Ano 4 | nº 717 | 26 de março de 2018
NOTÍCIAS
Preços caem no atacado, mas oferta de carne bovina pode ter aumentado
Queda de preços da carne bovina sem osso no atacado
A cotação atual é 3,4% menor que há de um mês e está 0,9% abaixo da registrada em março de 2017, na mesma semana. Tudo isso em valores nominais. Já são doze semanas de levantamento e apenas duas delas com alta de preços. Nas demais, desvalorização. Este cenário, de forma isolada, deixa a impressão de que ainda levará um tempo para que a melhora nos indicadores econômicos seja traduzida em melhora de consumo, ou então, que há um distanciamento entre a situação real e a projetada nos índices macroeconômicos. Mas, na tentativa de fechar o diagnóstico da situação, o acompanhamento dos abates traz novamente a esperança ou, no mínimo, enfraquece o pessimismo, sobre o comportamento das vendas este ano. Os números parciais do Serviço de Inspeção Federal (SIF), embora quem os acompanha saiba que deverão passar por incontáveis ajustes até a consolidação, trazem abates, até fevereiro, crescendo na casa de 40% frente ao primeiro bimestre de 2017. Sem se prender a este número, que certamente será retificado e, provavelmente para baixo, é importante notar a tendência que nos mostra. Mais bovinos sendo abatidos, mais carne sendo produzida. Diante deste quadro, é difícil afirmar, mesmo com as quedas consecutivas de preços da carne, que o consumo não melhorou. Ganha força a hipótese de que podemos estar vendendo mais carne que no último ano, mas com uma condição de oferta significativamente maior, o que impediria que o mercado ganhasse firmeza. Afinal, quando a renda da população melhora, condição natural para uma economia em crescimento, normalmente o consumo de carne bovina também melhora. Atenção ao mercado.
SCOT CONSULTORIA
Novacki acerta vinda ao Brasil de missão técnica da Arábia Saudita
Veterinários árabes chegam na primeira semana de maio para habilitar a exportação
Em Riyadh, capital da Arábia Saudita, a comitiva oficial do Brasil, liderada por Eumar Novacki, Secretário-Executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) foi recebida pelo Vice-Ministro Ahmed bin Saleh Al Ayadah do Ministério da Agricultura, Meio Ambiente e Águas do Governo Saudita. Na reunião, o Vice-Ministro disse que o País tem todo o interesse em estreitar relação com o Brasil, parceiro comercial há mais de 40 anos. Na primeira semana de maio, o Governo Saudita enviará missão técnica para habilitação do Brasil na exportação de bovinos vivos. Uma das pautas tratadas no encontro foi o abate Halal no Brasil, requisito religioso para acessar o mercado de vários países árabes. A Arábia Saudita cada vez mais restringe o acesso, mas o Governo Brasileiro apresentou um trabalho técnico-científico realizado pela Embrapa, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), explicando que o procedimento usado no Brasil segue rigorosamente os preceitos estabelecidos no abate Halal. O Mapa solicitou adiamento por mais 60 dias para que passe a valer os critérios mais rígidos exigidos pelo Governo Árabe e convidou uma delegação para que conheça como o abate halal é realizado no Brasil. Ficaram estabelecidas as assinaturas de um protocolo de intenções – com o objetivo de estreitar ainda mais a relação entre os países – e de um termo de cooperação técnica para troca de experiências. Integram a comitiva brasileira o Secretário Substituto da Secretaria de Relações Internacionais do Mapa, Alexandre Pontes, o Vice-Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Rui Vargas, além empresários do setor e de representantes de certificadoras Halal. A Arábia Saudita é o principal destino das exportações agropecuárias do Brasil no Oriente Médio. Em 2017, as exportações brasileiras somaram mais de US$ 2,6 bilhões de dólares. O frango é o principal produto, com 591 mil toneladas exportadas, que renderam mais de US$ 1 bilhão de dólares.
MAPA
Demanda não evolui e pressiona o mercado do boi gordo
Se “acelerar” um pouquinho nas compras a escala de abate evolui sem dificuldade. Já a venda de carne não tem sido suficiente para absorver a oferta disponível. O resultado disso é pressão sobre o mercado do boi gordo
A facilidade em manter o animal na fazenda e endurecer nas negociações, conferida pela oferta abundante de capim, não tem sido suficiente para equilibrar o mercado e impedir que reajustes negativos aconteçam. O que se viu no levantamento da última sexta-feira (23/3), diferente dos dias anteriores, foi um mercado mais acomodado em algumas regiões, com compradores mais alinhados nas ofertas de compra. A especulação diminuiu. Em São Paulo, por exemplo, praticamente todos os compradores que estavam ativos no mercado ofertaram entre R$145,00 e R$146,00/@, à vista, para descontar o Funrural. O boi casado terminou a semana com preços estáveis enquanto o mercado atacadista de carne bovina sem osso acumulou outra semana de queda de preços.
SCOT CONSULTORIA
Confinamento não é boa opção neste primeiro semestre de 2018
Segundo a Assocon, o valor pago no mercado futuro pelos bovinos não é suficiente para suprir a alta nos preços do milho e do farelo de soja
O confinamento deve dar prejuízo para o pecuarista brasileiro no primeiro semestre de 2018, afirma a Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon). Segundo a entidade, a razão é o aumento no preço do milho e do farelo de soja, que prejudicaram o poder de compra do pecuarista. A propriedade de José Ovídio Sebastian, em Boituva, interior de São Paulo, tem capacidade para engordar seis mil bois por temporada. Mas. até agora, o pecuarista ainda não sabe quantos animais irá confinar em 2018. Entre as razões está a alta nos preços de insumos como o milho, indispensável na dieta do rebanho. “Tivemos uma elevação das matérias primas, a partir de fevereiro, que realmente trouxe um impacto bastante significativo no custo da ração do gado do confinamento. Hoje, essa elevação está em torno de 18%, elevando também o custo total da manutenção do gado no confinamento em torno de 15%”, conta Sebastian. De acordo com levantamento feito pela Scot Consultoria, entre janeiro e março de 2018, o milho subiu 30% em São Paulo. Já o farelo de soja apresentou alta de 23%. Em contrapartida, o preço da arroba do boi gordo se manteve praticamente estável durante o período. “A causa principal é que o consumo interno está fraco, o desemprego permanece bastante elevado e os consumidores têm dificuldades de poder aquisitivo e acabam eventualmente optando pelo consumo de outras proteínas. Como a carne de frango, que é um pouco mais barata”, acrescenta o diretor técnico da consultoria Informa Economics, José Vicente Ferraz. Outro ponto que também preocupa o setor é o mercado de reposição, que se mantém firme no primeiro trimestre do ano. Em março o boi magro registrou alta de 4,5%, em São Paulo, quando comparado com o mesmo período do ano passado. “Teoricamente era para o preço do boi magro cair também, mas existe uma restrição de oferta. A cria se tornou escassa e animais de confinamento precisam ter qualidade e padronização, senão gera uma série de problemas. A oferta é pequena e isso impede uma queda de preço dos animais”, conta Ferraz. No início deste ano, a Associação Nacional de Pecuária Intensiva (Assocon) projetou um crescimento de 12% no volume de animais confinados, em comparação ao ano passado. Em um total de 3,8 milhões de cabeças. Mas, segundo o presidente da entidade, Alberto Pessina, o momento não favorece a atividade e as estimativas devem ser revistas. “Do jeito que está o mercado futuro a conta não fecha. O contrato para maio pagando R$143,50, com milho valendo R$40,00, é totalmente inviável entregar boi com confinamento no primeiro giro. Eu diria que se o cenário continuar ruim, pode ter uma redução de uns 10% nesta previsão inicial de confinamento”, afirma Pessina.
CANAL RURAL
Entenda por que os pecuaristas de Goiás criaram um seguro contra zoonoses
A contribuição é espontânea e os criadores já acumularam R$ 180 milhões em 20 anos. Além da febre aftosa, são monitoradas também a gripe aviária e a peste suína
Após um fundo privado que criar uma espécie de seguro contra um eventual retorno da febre aftosa e outras zoonoses, Goiás se tornou uma referência. Conheça e entenda como funciona o Fundo de Desenvolvimento da Pecuária do estado (Fundepec). Para manter o rebanho saudável após a retirada da vacina contra febre aftosa, pecuaristas de Goiás criaram, há mais de vinte anos, o Fundo de Desenvolvimento da Pecuária do estado (Fundepec). Vale destacar que essa é uma contribuição exclusivamente privada e espontânea para o controle de um eventual surto da doença. No abate bovino, o produtor paga hoje algo em torno de R$ 5,25 no macho e de R$ 3,50 para uma fêmea. Mesma pauta é feita para aves e suínos. Isso os laticínios e frigoríficos retém e nos repassa como fiel depositário”, afirma o Presidente do Fundepec, Alfredo Luís Correa. Até agora foram arrecadados R$ 180 milhões, com a ajuda de criadores de aves e suínos, que também aderiram à iniciativa por correrem riscos de contaminação semelhantes. O setor acredita que pode agir mais rápido do que a iniciativa pública, fazendo com que menos animais sejam infectados. “Isso permite uma velocidade muito grande nas ações. Por exemplo: se aparecem animais doentes, determina-se onde eles estão, qual área deve ser isolada e cria-se barreiras sanitárias. É necessário ter o apoio da polícia militar, as pessoas nas barreiras têm que se alimentar, usar equipamento de proteção individual e isso, se o estado tiver que comprar, demorará muito”, diz o Diretor do Fundepec, Uacir Bernardes. Além da febre aftosa, outras zoonoses são monitoradas, como a gripe aviária e a peste suína. Todas transmissíveis dos animais para seres humanos e impedem as exportações. Como Goiás não apresenta surtos de zoonoses há mais de 20 anos, parte dos recursos é destinada a iniciativas de melhoramento da produção. Outra parte é mantida guardada e outro percentual é destinado a fortalecer o Departamento de Defesa Agropecuária Estadual. “Ao darem esse auxílio por meio do Fundepec, os pecuaristas criam condições para que o governo se torne mais eficiente. Essa ação conjunta e compartilhada, tende a favorecer muito para atingirmos o nosso objetivo, que é o desenvolvimento do estado”, afirma o Secretário de Agricultura do estado, Antônio Flávio Camilo de Lima.
CANAL RURAL
EMPRESAS
Ferramenta ajudará pecuarista na gestão de risco
BeefStats faz simulações de diferentes cenários para estimar os possíveis resultados produtivos e financeiros da fazenda
Calcular os custos de cada etapa do sistema produtivo é uma das tarefas mais árduas dos pecuaristas. No caso dos produtores que trabalham com engorda, é essencial ter na ponta do lápis quanto ele irá gastar desde a compra do bezerro até o preço da venda do boi gordo, incluindo também a rentabilidade do frigorífico. Para fazer a simulação das diferentes variáveis de engorda, uma empresa de tecnologia desenvolveu o BeefStats, uma plataforma para smartphones que será integrada a um portal e que auxiliará o produtor na gestão de risco da atividade calculando uma série de indicadores produtivos e financeiros. “A ferramenta possibilitará que o produtor tenha o controle de sua propriedade na mão e fuja de operações que não dão retorno”, destacou Rodrigo Albuquerque, analista de mercado da NF2R e um dos sócios da Rancho Soluções em Tecnologia, empresa responsável pelo desenvolvimento do BeefStats. Para utilizar a ferramenta, é necessário que o pecuarista insira os números de todo o seu sistema produtivo nos últimos anos. Feito isso, o sistema irá informar se ele está gastando e produzindo mais ou menos do que nos anos anteriores em cada etapa do processo produtivo, estimando também os prováveis resultados finais. “O sistema gera esses dados automaticamente para que ele saiba como está o seu desempenho atual em relação ao de safras anteriores. Também permite que ele saiba quais são os gargalos da sua fazenda e que otimize cada etapa do processo”, explicou Albuquerque. Além do cálculo de indicadores, a ferramenta terá outras funcionalidades. Uma delas é o Roboi, que acompanhará diariamente a cotação da arroba no mercado futuro e notificará o produtor no momento em que existir alguma oferta no preço desejado. “Será uma dor de cabeça a menos para o pecuarista, que muitas vezes perde grandes oportunidades por estar ocupado com outra coisa”, concluiu Albuquerque. O BeefStats estará disponível em duas versões: pasto e confinamento. A expectativa é que a plataforma chegue ao mercado entre abril e maio.
Portal DBO
No menor patamar em quase sete anos, BRF já perdeu R$ 10 bi em 2018
As ações da BRF aprofundaram as perdas no pregão de sexta-feira. Em meio à tempestade perfeita que assombra a empresa de alimentos, os papéis atingiram o menor patamar em quase sete anos. Com isso, a dona das marcas Sadia e Perdigão já perdeu mais de R$ 10 bilhões em valor de mercado. Na B3, as ações caíram a R$ 23,87, desvalorização de 2,65%. Foi a quarta maior retração entre os papéis que compõem o Ibovespa. O índice recuou 0,46%. Com a queda na sexta-feira, os papéis da BRF atingiram o pior nível desde 11 de julho de 2011, de acordo com o Valor Data. Naquele pregão, as ações fecharam o dia a R$ 23,41. A combinação de crises que atinge a BRF já fez a empresa perder R$ 10,3 bilhões em valor de mercado ao longo do ano. A companhia encerrou o pregão de ontem avaliada em R$ 19,4 bilhões. No último pregão do ano passado, a BRF valia R$ 29,7 bilhões. Em razão dos resultados fracos — a BRF teve prejuízo de R$ 1,1 bilhões em 2017, o maior de sua história — , a empresa enfrenta uma crise societária de grandes proporções. No dia 26 de abril, os acionistas da BRF discutirão em assembleia o pedido dos fundos de pensão Petros e Previ para substituir o conselho de administração presidido por Abilio Diniz desde abril de 2013. No momento, o empresário e os fundos de pensão conversam para chegar a um acordo, mas os pedidos de Abilio enfrentam resistência. Nesse cenário, a BRF pode chegar ao dia da assembleia, que ocorrerá em Itajaí (SC), sem acordo e com voto múltiplo para a eleição dos dez membros do conselho de administração da companhia. As fundações querem evitar as incertezas embutidas no voto múltiplo. Além das dificuldades financeiras e dos conflitos entre os principais sócios, as ações da BRF também são pressionadas pelos desdobramentos da Operação Trapaça, fase da Carne Fraca que foi deflagrada em 5 de março. A operação da Polícia Federal apura fraudes da BRF em testes para detectar a presença da bactéria salmonela na carne de frango. Por causa das revelações da Operação Trapaça, a empresa brasileira não pode exportar para a União Europeia, um mercado responsável por algo entre 6% e 7% das vendas anuais — mais de R$ 2 bilhões. A proibição das exportações para os europeus foi imposta pelo próprio Ministério da Agricultura do Brasil. Não se sabe até quando o auto embargo valerá. Não bastassem esses problemas, a companhia também lida com a forte alta dos grãos no mercado brasileiro. Em 2018, o preço do milho subiu 21,4% e o da soja, 5,9%, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Os grãos representam cerca de 30% dos custos de produção da BRF, que é a maior produtora de aves e suínos do país.
VALOR ECONÔMICO
Retirada de embargo de plantas da BRF ainda não tem data para ocorrer
A reunião entre os representantes do Ministério da Agricultura e da União Europeia (UE) para tratar da suspensão das vendas da BRF foi “boa”, disseram duas fontes ao Valor
No entanto, ainda não está claro se as conversas terão consequências práticas, liberando as vendas à UE dos sete abatedouros da BRF que o próprio ministério proibiu temporariamente há uma semana. A avaliação das fontes consultadas pela reportagem é que o encontro que ocorreu ontem foi positivo para melhorar a comunicação e a relação entre as partes, que está estremecida desde a Operação Carne Fraca — deflagrada em março do ano passado. “Isso já se pode dizer. Houve uma melhora na relação. A Europa gostou das explicações porque foram tecnicamente consistentes”, afirmou uma fonte da iniciativa privada. Em linhas gerais, o Ministério da Agricultura tem batido na tecla de que os problemas revelados pela Operação Trapaça — investigação deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 5 de março — são “antigos”, tendo se encerrado em 2016. A argumentação da Pasta é que a BRF, que entrou na mira da PF e da União Europeia por fraudes nos testes laboratoriais da bactéria salmonela em lotes de carne de frango, fez a lição de casa no ano passado. Procurado pelo Valor, o Diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) do Ministério da Agricultura, José Luís Vargas, evitou dar detalhes sobre o encontro com os europeus. Principal autoridade brasileira que participou da reunião em Bruxelas, Vargas quer primeiro repassar as informações do encontro ao Ministro da Agricultura, Blairo Maggi. Vargas e sua equipe levaram aos europeus uma proposta de novos procedimentos de fiscalização do Ministério da Agricultura na tentativa de “acalmar os ânimos” e conquistar a confiança dos europeus para retirar rapidamente a suspensão das exportações de plantas da BRF para o bloco, disse uma fonte a par das negociações. A estratégia é adotar controles adicionais de salmonela em amostras de carne de frango e perus da empresa e, à medida que os testes derem negativo para a bactéria, o ministério vai pleitear a retirada da suspensão para as plantas aprovadas e retomar com as certificações sanitárias para exportação ao bloco europeu, disse uma fonte. Esse roteiro já foi feito em 2017, quando a Pasta da Agricultura chegou a suspender as exportações de plantas da BRF após identificar que a companhia não vinha cumprindo com os padrões aceitáveis de salmonela em carne de frango em algumas de suas unidades. Na BRF, a expectativa é grande. A União Europeia representa de 6% a 7% das vendas anuais da companhia — algo superior a R$ 2 bilhões—, de acordo com a agência de classificação de risco Moody’s.
VALOR ECONÔMICO
Maiores informações:
ABRAFRIGO
imprensaabrafrigo@abrafrigo.com.br
Powered by Editora Ecocidade LTDA
041 3088 8124
https://www.facebook.com/abrafrigo/
