
Ano 6 | nº 1322| 17 de setembro de 2020
ABRAFRIGO NA MÍDIA
Abrafrigo alerta para possíveis restrições comerciais por desmatamento
A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) enviou ofício a ministros brasileiros na segunda-feira (14) pedindo intensificação dos esforços diplomáticos para evitar que ações contra o desmatamento no Brasil por países parceiros comerciais possam prejudicar o setor
A entidade solicitou que o governo brasileiro trabalhe para “demonstrar os equívocos que envolvem as propostas legislativas com restrições ambientais que estão em curso no Reino Unido, União Europeia e Estados Unidos visando desconstruí-las e salvaguardando os mais elevados interesses comerciais do Brasil”, segundo comunicado divulgado à imprensa na terça-feira (15). O ofício foi enviado aos ministros da Agricultura, Economia, Relações Exteriores e Meio-Ambiente. A entidade pede que o governo intensifique esforços nas negociações comerciais e diplomáticas inclusive junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). A Abrafrigo afirma que as iniciativas em alguns países contra o desmatamento no Brasil “vêm causando grande apreensão em diversos setores agroexportadores brasileiros, e em especial no segmento de carne bovina, uma vez que, se aprovada referida legislação, as empresas compradoras do produto brasileiro passarão a exigir controles e certificações mais rigorosos, elevando inevitavelmente os custos de conformidade podendo, inclusive, inviabilizar a produção de diversas indústrias e produtores agropecuários”. A Abrafrigo menciona consulta pública aberta no Reino Unido para colher subsídios para elaboração de uma nova legislação que visa a fiscalizar grandes empresas importadoras de produtos agropecuários quanto aos riscos relacionados ao desmatamento florestal. “Preocupante é o fato de que esse modelo de legislação, proposto pelo Reino Unido, possa ser adotado também por outros importantes parceiros comerciais do Brasil, o que poderá resultar em um efeito dominó que poderá levar a perdas incalculáveis ao agronegócio e ao comércio exterior brasileiro”, disse a entidade. “É necessário ressaltar que o Brasil é possuidor de uma das legislações ambientais mais restritivas e rigorosas do mundo, o que coloca a produção agropecuária brasileira em patamar superior em termos de requisitos ambientais em comparação com nossos principais competidores internacionais.”
CARNETEC/AGROLINK/PECUARIA.COM.BR
NOTÍCIAS
Boi gordo: mercado em trajetória de alta
Pelo segundo dia consecutivo, a cotação da arroba do boi gordo subiu na praça paulista
Na última quarta-feira (16/9), em São Paulo, a cotação, tanto para o mercado interno quanto para a China, ficou em R$252,00/@, preço bruto e a prazo, R$251,50/@, sem o Senar, e em R$248,00/@, livre de impostos (Senar e Funrural). Alta de 0,8% ou R$2,00/@ na comparação feita dia a dia. Com boiadas ofertadas, em sua maior parte, oriundas de confinamento, houve estreitamento do ágio do boi “China” versus boi mercado interno. As cotações das fêmeas acompanharam a alta do boi gordo. Segundo levantamento da Scot Consultoria, a cotação da arroba da vaca gorda abriu com uma variação positiva de 1,2% ou R$3,00 maior e está em R$237,00, preço bruto e a prazo. Para a novilha, a arroba está cotada em R$242,00, nas mesmas condições, reajuste positivo de 0,8% ou R$2,00.
SCOT CONSULTORIA
Arroba do boi é negociada a R$ 252 em São Paulo
Segundo Safras & Mercado, a oferta de animais deve seguir restrita até o fim ano, devido aos impactos da estiagem no Centro-Sul
Os preços do boi gordo voltaram a subir em algumas regiões produtoras na quarta-feira, 16. “A oferta de animais terminados não evolui. Com isso, é gerada uma latente dificuldade para os frigoríficos alongarem suas escalas de abate”, diz o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias. Segundo ele, a oferta não tende a melhorar no restante do ano, uma vez que a estiagem prolongada é uma realidade no Centro-Sul do país, tardando o desenvolvimento dos animais de pasto, que devem estar aptos ao abate apenas no primeiro trimestre de 2021. Em relação à demanda, o destaque de 2020 seguem em relação as exportações, com a China ainda absorvendo um montante relevante de carne bovina brasileira. Em São Paulo, Capital, os preços do mercado à vista ficaram em R$ 252 a arroba, estáveis na comparação com a terça-feira, 15. Em Uberaba (MG), os preços ficaram em R$ 250 a arroba, contra R$ 249 na terça. Em Dourados (MS), a cotação chegou em R$ 247 a arroba, ante R$ 246. Em Goiânia (GO), o valor indicado foi de R$ 242, inalterado. Já em Cuiabá, o preço ficou estável, em R$ 230 a arroba. No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem subindo gradualmente. Conforme Iglesias, a tendência de curto prazo remete a menor espaço para reajustes, avaliando a reposição mais lenta entre atacado e varejo no decorrer da segunda quinzena do mês, período que conta com menor apelo ao consumo. Com isso, a ponta de agulha subiu de R$ 14,10 o quilo para R$ 14,15 o quilo. O corte dianteiro permaneceu em R$ 14,20 o quilo, e o corte traseiro passou de R$ 17,70 o quilo para R$ 17,75 o quilo.
AGÊNCIA SAFRAS
Governo sinaliza que vai contratar auditores fiscais aprovados em concurso de 2017
Contratação de 139 novos profissionais deverá acontecer em outubro
O governo federal sinalizou que vai atender a demanda do Ministério da Agricultura para a contratação, em outubro, de 139 auditores fiscais federais agropecuários aprovados no último concurso, realizado em 2017. Depois de vencer um entrave jurídico que impedia a convocação dos concursados, a equipe de Tereza Cristina aguarda apenas o aval do ministro da Economia, Paulo Guedes, para encaminhar a nomeação dos novos servidores ao Palácio do Planalto. Nos bastidores, a expectativa é que a contratação seja autorizada até a próxima semana e que a nomeação dos fiscais ocorra já no mês que vem. A previsão foi feita pelo Secretário-Executivo do Ministério da Agricultura, Marcos Montes a lideranças do setor. A contratação do excedente do último concurso é tratada como prioridade por Tereza Cristina, ainda mais com as dificuldades enfrentadas nos frigoríficos e demais estabelecimentos de produção inspecionados pelos servidores por conta da pandemia e o aumento das exportações. A categoria cogitou entrar em greve e aumentou a pressão no governo pelo reforço na equipe. No fim de agosto, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), antes contrária à convocação dos concursados com base na lei que impede a realização de concursos e abertura de novas vagas em função da crise da covid-19, emitiu um parecer com nova interpretação, autorizando a nomeação. Ontem a Secretaria de Orçamento Federal (SOF) emitiu uma nota técnica no sistema eletrônico – que permanece sob sigilo. Quem leu, no entanto, afirma que o documento “prevê recurso financeiro para nomeação dos servidores em outubro”, sem revelar valores. “Agora, o Ministro Paulo Guedes assina a exposição de motivos, manda o processo para a Casa Civil e o Presidente assina e publica”, disse uma fonte.
VALOR ECONÔMICO
ECONOMIA
dólar cai a mínima desde julho em dia de Fed
O dólar fechou em queda ante o real na quarta-feira e renovou mínima desde o fim de julho, com as operações domésticas replicando dia positivo para moedas emergentes em geral, enquanto investidores analisaram decisão de política monetária nos Estados Unidos
O dólar à vista caiu 0,91%, a 5,2406 reais na venda. É o menor nível desde 31 de julho (5,2185 reais). A moeda operou em queda durante todo o dia, oscilando entre 5,276 reais (-0,24%) e 5,211 reais (-1,47%). A mínima intradiária foi atingida após o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) anunciar manutenção dos juros entre zero e 0,25% e dizer que vai tolerar inflação moderadamente acima da meta de 2% para permitir maior crescimento do mercado de trabalho. Mas o dólar deixou os patamares mais baixos conforme o chair do Fed, Jerome Powell, falava em coletiva de imprensa –no que foi considerado uma de suas piores comunicações. Powell voltou a destacar a necessidade de mais estímulo fiscal para que se tenha plena recuperação da economia, num momento em que o Congresso dos EUA segue com negociações paradas sobre novo pacote de auxílio. Segundo alguns analistas, a desvalorização do dólar nesta sessão também pode ter tido a ver com desmonte de posições compradas na moeda dos EUA que funcionavam como proteção a aplicações em bolsa. A queda simultânea no dólar e no Ibovespa estaria relacionada justamente à expectativa de sinalização de fim do processo de afrouxamento monetário. Juro baixo beneficia o mercado acionário e torna o hedge via dólar mais barato, estimulando o “trade” compra de bolsa/compra de dólar. A depreciação do real em 2020 –de 23,43% ante o dólar, a mais intensa entre as principais divisas–, acontece num contexto de incertezas sobre crescimento econômico sustentável e retomada crível da agenda de reformas.
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Queda do Ibovespa em sessão com Fed e Copom; quadro fiscal mantém cautela
A MINERVA ON recuou 3,61%, em meio a uma correção no setor de proteínas após alta recente endossada pela queda do dólar na sessão. JBS ON perdeu 3,15% e MARFRIG ON caiu 2,4%
O Ibovespa fechou em queda na quarta-feira, com Vale pressionando, mesmo após o Federal Reserve prometer manter os juros perto de zero até que a inflação nos EUA esteja a caminho de superar moderadamente a meta de 2% por algum tempo. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou em baixa de 0,62%, a 99.675,68 pontos, em dia de variações relativamente pequenas, alcançando 100.663,36 pontos na máxima e 99.663,02 pontos na mínima. O volume financeiro no pregão somou 22,95 bilhões de reais, abaixo da média diária de 2020 de 29,3 bilhões de reais, apesar do vencimento de contratos de opções sobre Ibovespa na sessão. Além de manter a taxa entre zero e 0,25%, o comunicado também mostrou que o Fed começou a se afastar de viés que contemplava estabilização dos mercados financeiros para estimular a economia. Em Wall Street, o S&P 500 perdeu fôlego à tarde e fechou em baixa de 0,46%. Na visão de profissionais do mercado ouvidos pela Reuters, eventos domésticos continuam pesando no Ibovespa e devem seguir no radar nos próximos meses, em particular as desavenças entre o Presidente Jair Bolsonaro e a sua equipe econômica. “O mercado quer de fato saber para onde vai a economia, se o governo será responsável em termos fiscais”, afirmou o gestor da Rio Verde Investimentos Eduardo Cavalheiro, acrescentando que tal incerteza tem deixado a bolsa brasileira ‘de lado’.
REUTERS
Banco Central mantém Selic em 2% e reconhece inflação maior
O Banco Central manteve na quarta-feira a Selic em sua mínima histórica de 2% ao ano após nove cortes consecutivos, conforme esperado pelo mercado, e, num comunicado sem grandes novidades quanto à política monetária, reconheceu que a inflação deve acelerar no curto prazo
“Contribuem para esse movimento a alta temporária nos preços dos alimentos e a normalização parcial do preço de alguns serviços em um contexto de recuperação dos índices de mobilidade e do nível de atividade”, disse o BC. Ao falar sobre seu balanço de riscos para a inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) introduziu uma nova mensagem ao ponderar, quanto à possibilidade de derrocada da economia produzir inflação abaixo do esperado, que a ociosidade está notadamente concentrada no setor de serviços. De qualquer forma, o BC não mudou a avaliação de que há uma assimetria em seu balanço para o lado altista por duas razões já citadas em comunicado anterior. De um lado, o BC destaca eventual elevação dos prêmios de risco pela frustração com reformas ou por políticas fiscais que deteriorem de forma prolongada as contas públicas. De outro, a autarquia menciona chance de os programas do governo de estímulo ao crédito e de apoio direto à renda durante a crise do coronavírus impulsionarem a atividade para além do esperado. No comunicado, o BC também repetiu a existência de um pequeno espaço, se algum, para cortar os juros à frente. E reiterou a orientação futura, já divulgada anteriormente, de que não pretende elevar a taxa básica “a menos que as expectativas de inflação, assim como as projeções de inflação de seu cenário básico, estejam suficientemente próximas da meta” em seu horizonte relevante, que atualmente inclui 2021 e, em grau menor, 2022. O BC frisou que o chamado “forward guidance” é condicional à manutenção do atual regime fiscal – o qual prevê obediência à regra do teto de gastos– e à ancoragem das expectativas de inflação de longo prazo. O BC atualizará suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) no fim deste mês, em seu relatório trimestral de inflação. Até aqui, a expectativa era contração de 6,4% este ano, mas com viés de melhora. Nesta semana, o Ministério da Economia reafirmou sua estimativa de queda de 4,7% do PIB, ao passo que agentes de mercado preveem um tombo de 5,11% para a atividade. O Copom, entretanto, ponderou que “há bastante incerteza sobre a evolução desse cenário, frente a uma possível redução dos estímulos governamentais e à própria evolução da pandemia da Covid-19”.
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Fluxo cambial no Brasil fica positivo em US$89 mi na semana passada, mas no ano está negativo em US$ 15,7 bilhões
O fluxo cambial líquido no Brasil ficou positivo em 89 milhões de dólares na semana passada, mostraram dados do Banco Central na quarta-feira, o que ajudou a reduzir ligeiramente o saldo negativo em setembro para 568 milhões de dólares
Entre os dias 8 e 11 de setembro, o câmbio contratado para operações comerciais registrou superávit de 641 milhões de dólares. Do lado financeiro, contudo, houve déficit de 553 milhões de dólares. Em 2020, o fluxo cambial está negativo em 15,784 bilhões de dólares, contra déficit de 8,914 bilhões de dólares no mesmo período do ano passado.
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‘Tempestade perfeita’ impulsiona IGP-10 à maior taxa em 18 anos, alerta FGV
Um cenário de dólar alto, aliado à retomada de demanda internacional por produtos brasileiros, levou à disparada nos preços de commodities no atacado
Uma “tempestade perfeita” levou o Índice Geral de Preços -10 (IGP-10) a registrar alta de 4,34% em setembro, ante 2,53% em agosto – a mais forte elevação desde dezembro de 2002 (4,87%). A observação partiu de André Braz, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV). Um cenário de dólar alto, devido à forte desvalorização do real causada por incertezas que rondam o cenário externo e a economia brasileira – principalmente na parte fiscal – aliado à retomada de demanda internacional por produtos brasileiros, levou à disparada nos preços de commodities no atacado, afirmou ele. “Foi realmente uma tempestade perfeita”, admitiu ele. Os fatores conduziram à alta de 5,99% no Índice de Preços ao Produtor Amplo -10 (IPA-10) em setembro, quase o dobro de agosto (3,38%) e a mais forte taxa desde novembro de 2002 (6,40%). O varejo, no entanto, segue sem acelerações, devido ao enfraquecimento da demanda interna causado por crise econômica originada de covid-19. Isso porque, com emprego desfavorável e menor renda, não há ambiente para promover repasses, mesmo com alta de custos originada por atacado, notou Braz. Mas embora isso seja boa notícia para a inflação ao consumidor desse ano, pode ser preocupação para 2021, alertou o técnico. Isso porque, com provável recuperação da economia no próximo ano, haverá movimento de repasses represados, observou o especialista – o que pode contribuir para pressionar inflação nos IGPs no ano que vem.
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EMPRESAS
JBS inclui bem estar animal e direitos humanos em código de conduta
A nova versão do material passou a valer neste mês
O ainda jovem código de conduta da JBS, que foi um dos resultados do programa de compliance implementado pela empresa após a crise dos irmãos Batista e Michel Temer em 2017, acaba de ser atualizado. A partir deste mês, passou a valer uma nova versão. Além de reduzir o uso de expressões jurídicas para facilitar a leitura, entraram dois novos temas: bem estar animal e direitos humanos. O material se destina a 240 mil profissionais em todas as operações da empresa pelo mundo.
FOLHA DE SP
Minerva quer US$ 100 mi da venda da Athena em dividendo extraordinário
A Minerva Foods pretende usar metade dos US$ 200 milhões da operação de venda de 25% da Athena Foods, unidade latino-americana da companhia brasileira, para a distribuição de dividendo extraordinário
Com essa possível venda e o ingresso recente de R$ 400 milhões na companhia por meio do aumento da participação da Saudi Agricultural and Livestock Investment Company (Salic), gestora ligada ao reino da Arábia Saudita, a perspectiva é de que a alavancagem da empresa caia para 1,8. Com a distribuição de dividendos, essa relação ficaria próxima a duas vezes. A alavancagem corresponde à relação dívida líquida/Ebitda (geração de caixa) e, normalmente, as companhias buscam um ponto ótimo para evitar comprometer o retorno aos acionistas (quando muito baixa) ou elevar as despesas financeiras (quanto muito alta). Por enquanto, a proposta depende da conclusão do acordo da venda da participação para um grupo de investidores com experiência na área de alimentos e commodities na América Latina. Uma carta de intenções foi assinada e o negócio será analisado nas próximas três semanas. A distribuição de dividendos extraordinários também tem de passar pelo crivo do Conselho de Administração da companhia de carnes. A Minerva tinha intenção de levar a Athena Foods para a Bolsa em 2019, mas acabou deixando o plano para trás, por conta da piora dos mercados à época. Agora, uma das condições do acordo de venda da participação é a listagem de suas ações na Bolsa norte-americana Nasdaq. A Athena foi avaliada em US$ 1,5 bilhão. Procurada, a Minerva não comentou.
ESTADÃO
MEIO AMBIENTE
Países europeus fazem apelo para que Brasil tome medidas contra desmatamento da Amazônia
Um grupo de oito países europeus fizeram um apelo para que o Brasil tome “ações reais” para combater o crescente desmatamento da floresta amazônica, que ameaça o desejo europeu de ter fontes sustentáveis de alimentos e outros produtos
O Vice-Presidente do Brasil, Hamilton Mourão, que lidera os esforços do governo brasileiro para a conservação da Amazônia, respondeu na quarta-feira que o apelo faz parte de uma estratégia protecionista europeia. Políticos e investidores europeus têm pressionado o Brasil a intensificar a proteção ambiental à medida que o desmatamento aumenta e os dois lados tentam finalizar um acordo de livre comércio fechado no ano passado. O grupo de países, denominado Parceria das Declarações de Amsterdã, atualmente liderado pela Alemanha, enviou uma carta aberta ao Vice-Presidente Hamilton Mourão no final da terça-feira manifestando preocupações de que o Brasil esteja recuando de seu anteriormente sólido histórico de proteção ambiental. “Nossos esforços coletivos para gerar um maior investimento financeiro na produção agrícola sustentável e melhorar o acesso de produtos obtidos de forma sustentável aos mercados também poderia apoiar o crescimento econômico do Brasil. Contudo, enquanto os esforços europeus buscam cadeias de suprimento não vinculadas ao desflorestamento, a atual tendência crescente de desflorestamento no Brasil está tornando cada vez mais difícil para empresas e investidores atender a seus critérios ambientais, sociais e de governança”, afirma a carta de duas páginas. “Os países que se reúnem através da Parceria das Declarações de Amsterdã contam com um compromisso político firme e renovado por parte do governo brasileiro para reduzir o desflorestamento e esperam que isso se reflita em ações reais imediatas.” Mourão, um general do Exército na reserva que também preside o Conselho da Amazônia, disse que o Ministério das Relações Exteriores conversará com o embaixador alemão e organizará um encontro mais amplo com representantes dos países se necessário. “Isso não tem nada a ver com investidores… vocês têm que entender que faz parte da estratégica comercial dos países europeus”, disse Mourão a jornalistas. “Isso é uma barreira. Existem barreiras tarifárias e barreiras não tarifárias. Então isso daí a gente tem que fazer a negociação não só comercial como diplomática e ambiental também”, acrescentou. A Parceria das Declarações de Amsterdã, que pretende garantir à Europa o fornecimento de commodities livres de desmatamento, inclui Alemanha, França, Dinamarca, Itália, Holanda, Noruega e Reino Unido. A Bélgica, que não faz parte da parceria, também assinou a carta. O documento elogia ações passadas do Brasil para proteger o meio ambiente, mas nota que “o desflorestamento aumentou em taxas alarmantes, recentemente documentadas pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)”. Os países disseram que estão prontos a intensificar o diálogo com o Brasil neste tema. O desmatamento na Amazônia brasileira saltou 34,5% nos 12 meses até julho, ano-calendário oficial que o Inpe usa para medir o desmatamento anual da floresta, segundo dados preliminares. Ambientalistas culpam as políticas do Presidente Jair Bolsonaro, que defende a exploração econômica da região, por incentivar madeireiros ilegais e grileiros a destruírem a floresta. Bolsonaro diz que a exploração econômica é necessária para tirar a região da pobreza.
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