
Ano 3 | nº 604 | 22 de setembro de 2017
NOTÍCIAS
Exportações de carne bovina em bom ritmo em setembro
Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, até a terceira semana de setembro o Brasil exportou 58,2 mil toneladas de carne bovina in natura
A média diária exportada foi de 5,8 mil toneladas. Caso o ritmo das exportações continue o volume total exportado deve ser 31,4% maior que em igual período do ano passado.
SCOT CONSULTORIA
Boi/Cepea: Com insegurança no setor, valores seguem em queda
Insegurança gerada pelas últimas notícias do setor afastou muitos operadores do mercado
O Indicador ESALQ/BM&FBovespa do boi gordo recuou 1,6% entre 13 e 20 de setembro, fechando a R$ 141,60 nessa quarta-feira, 20. Isso porque a insegurança gerada pelas últimas notícias do setor afastou muitos operadores do mercado. Quanto ao primeiro giro de confinamento, segundo colaboradores do Cepea, foi positivo para os produtores que arriscaram e abateram seus animais nas últimas semanas, visto que o período foi de altas expressivas da arroba, decorrentes da escassez de boi gordo no mercado.
Viés de baixa no mercado do boi gordo
O viés do mercado do boi gordo é de baixa. Aos poucos, as indústrias têm conseguido recuperar parte da margem que foi perdida desde o começo de julho
A oferta, sozinha, não tem força para imprimir tal conjuntura baixista. O que existe é a combinação entre compras ligeiramente melhores, consumo patinando e incerteza quanto ao preço da arroba no curto prazo. Os contratos de outubro/17 e novembro/17 na Bolsa B3, por exemplo, que chegaram a R$143,00/@, atualmente estão entre R$138,00/@ e R$137,00/@. Essa sinalização de um cenário menos atrativo em termos de preços pode fazer o pecuarista, que eventualmente, adiava a entrega da boiada terminada, negociar com o frigorífico. Existe uma quantidade significativa, que chama a atenção, de indústrias fora das compras, bem no meio da semana, comportamento pouco comum. Não há necessidade de intensificar as aquisições, por enquanto. No mercado atacadista de carne bovina com osso os preços estão estáveis. Já os cortes sem osso caíram 0,3% esta semana.
SCOT CONSULTORIA
Saúde animal no Cone Sul em discussão na Bolívia
Estratégias para o setor e balanço da situação deverão ser o resultado do encontro
Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, sedia desde terça-feira (19) a XXII reunião Ordinária da Comissão de Saúde Animal, do Comitê Veterinário Permanente do Cone Sul (CVP). Participam Brasil, Bolívia, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, com a finalidade de traçar estratégias comuns de sanidade animal e de fazer um balanço da situação sanitária dos países reunidos. Paralelamente desde esta quinta-feira (21), se realiza a IV Reunião Extraordinária do CVP para analisar o Plano Estratégico de Febre Aftosa da Bolívia e o Projeto CVP-BID de Febre Aftosa, de apoio para a capacitação dos serviços veterinários dos países do Cone Sul, além da situação sanitária da Venezuela e da Colômbia. Nesse último, ocorreram focos de Febre Aftosa, recentemente. Participam das reuniões representantes dos governos, da inciativa privada e de órgãos estatutários de medicina veterinária. Pelo governo brasileiro, participa o Diretor do Departamento de Saúde Animal do ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Guilherme Marques, além do coordenador de Sanidade Animal, Heitor Medeiros.
MAPA
Varejistas ajustam estoque e elevam preço da carne bovina
Alta de preços da carne bovina no varejo
Em São Paulo o aumento foi de 1,2% nesta semana, de 0,3% no Paraná e de 0,4% no Rio de Janeiro. Minas Gerais foi o único estado em que os preços caíram. O comportamento diferente do atacado indica que os varejistas têm regulado as compras, ajustando os estoques ao cenário atual de vendas. Isso fez as margens dos açougues e supermercados melhorarem depois de atingir o menor patamar do ano na última semana. A diferença entre o preço de compra de venda da carne bovina ao consumidor está em 65,5%.
SCOT CONSULTORIA
GOVERNO TERCEIRIZA FISCALIZACÃO AGROPECUÁRIA
Proposta prevê ‘terceirização’ de defesa. Apesar da reação negativa dos fiscais à medida, o Ministério da Agricultura decidiu propor a contratação de médicos veterinários e agrônomos privados para parte de sua estrutura de fiscalização agropecuária
Considerada uma “terceirização” pelos fiscais, a ideia é que sempre haja um auditor fiscal do ministério para chefiar a equipe, que poderá ser formada por profissionais privados e paga por frigoríficos ou outras indústrias de alimentos ou produtos agropecuários. O novo modelo, que pretende transformar a atual Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério (SDA) numa secretaria especial, com autonomia orçamentária, financeira e administrativa, nos moldes da Receita Federal, deverá constar de um projeto de lei ou medida provisória que a Pasta quer finalizar até meados de novembro próximo. A proposta prevê que as empresas submetidas à fiscalização do Ministério da Agricultura possam contratar esses profissionais privados, que por sua vez seriam gerenciados por uma agência ligada à Secretaria de Defesa Agropecuária da pasta, chamada por enquanto de Operador de Defesa Agropecuária e inspirada no Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A ideia será apresentada nesta sexta-feira ao Sindicato dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) e à bancada ruralista do Congresso. O Secretário de Defesa Agropecuária do Ministério, Luís Eduardo Rangel, nega que a atividade-fim de fiscalização será “terceirizada” e diz que continuará a ser carreira de Estado, sujeita a concurso público. Enquanto técnicos de laboratório ou agentes de inspeção, que cuidam de tarefas auxiliares da inspeção, poderão, sim, vir da iniciativa privada. “Auditoria, fiscalização e certificação sanitárias e fitossanitárias, que são função do Estado, vão continuar dentro da DAS. Não vamos ser radicais ao ponto de comprometer a viabilidade da defesa agropecuária”, afirma Rangel. “Não existe nenhuma possibilidade de um sistema de defesa agropecuária sem a presença do Estado. Esse modelo misto que estamos propondo só tem a colaboração do setor privado”, acrescenta o Secretário. A medida visa principalmente a amenizar o gargalo da falta de fiscais para atuarem nos frigoríficos do país e responde diretamente à pressão cada vez mais frequente dos importadores da carne brasileira como União Europeia, China e Estados Unidos, ampliada após problemas detectados na esteira da Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal em 17 de março com foco em casos de corrupção envolvendo fiscais agropecuários e funcionários de frigoríficos. Mas também será destinada à área de inspeção de produtos animais como um todo – lácteos, ovos, mel e pescado -, mas também a vegetal, que envolve a produção de grãos, por exemplo. Outra novidade do futuro projeto de lei é a criação de um fundo de defesa agropecuária, que seria alimentado pela cobrança de taxas por serviços da área, como fiscalização de frigoríficos, emissão de certificados sanitários, exames feitos por laboratórios da rede pública do Ministério (Lanagro), entre outros. “A gente está criando uma estrutura mais forte e independente para a Secretaria, então ela não vai ter apropriação política, vai ter regra de governança para o diretor escolhido, vai ter blindagem política”, completa Rangel. A proposta faz parte da estratégia de reformulação da área de defesa agropecuária conduzida pelo Ministério e é fruto de uma ampla consultoria do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) e da empresa Neopública, que acaba de ser concluída. É assinada pelo consultor Luiz Arnaldo Pereira da Cunha Junior, que participou do programa de choque de gestão no mandato do ex-governador de Minas Gerais, o hoje senador Aécio Neves (PSDB). Essa nova roupagem da SDA, porém, já gera polêmica antes mesmo de virar proposta de lei e já despertou a ira dos fiscais agropecuários, que temem pela extinção de sua carreira e perda de funções hoje protegidas pela legislação brasileira. Já há mobilização da categoria nas redes sociais e grupos de mensagem por celular repudiando a ideia preliminar do ministério e prometendo intensa reação.
VALOR ECONÔMICO
Frigoríficos saem das compras em movimento atípico para o dia da semana e deixam mercado do boi com baixo volume de negócios
Alex Santos Lopes, analista de mercado da Scot Consultoria, destaca que a semana do mercado do boi gordo começou com um viés de baixa “bastante claro” no mercado. Praças que possuíam estabilidade viram as cotações começando a ceder. As compras melhoraram um pouco e, ao mesmo tempo, a demanda não evolui
De outro lado, a perspectiva do pecuarista não é tão interessante como ocorria há duas semanas, com a queda dos preços futuros, o que leva a um maior número de entrega de animais. A queda não consegue ser maior porque não há uma maior concentração de oferta, como explica o analista. Hoje, quinta-feira (21), chama a atenção a quantidade de frigoríficos que estão fora das compras, como salienta Lopes. Um cenário mais claro e alinhado com a real situação do mercado é aguardado para que haja novas comercializações. Algumas unidades da JBS ao redor do país ainda não retomaram os abates. Para Lopes, uma grande indústria saindo dos negócios deixa mais boi gordo na mão dos compradores, o que pode gerar também uma disputa por parte de outros frigoríficos sobre aqueles animais que não foram vendidos. Ele acredita que, entre outubro e novembro, deva haver uma recessão de oferta, com um segundo giro sem grandes volumes e uma ajuda da demanda, embora esta não deva ser muito expressiva. Este cenário pode trazer um mercado um pouco mais firme.
Notícias Agrícolas
Brasil bate recorde e soma 215,2 milhões de cabeças de bois
Nos pastos de Mato Grosso está a porcentagem maior de gado, 13,6% do total do rebanho nacional
A população de gado bovino em fazendas brasileiras cresceu e atingiu o recorde de 215,2 milhões de cabeças em 2015, com um aumento de 1,3% sobre 2014. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O crescimento de 2015 foi o maior desde 2011 e representa uma aceleração após a queda causada pela seca de 2012 e a variação próxima de zero registrada em 2013 e 2014. Em uma análise regional, o número de animais cresceu mais no Norte (2,9%) e teve queda no Nordeste, com -0,9%. O Centro-Oeste teve variação de 2,1% e continua a ser a região que concentra a maior criação, com 33,8% da participação nacional. O IBGE aponta que a região conta com “grandes propriedades destinadas à criação de bovinos e produtores especializados, possuindo clima, relevo e solo favoráveis à atividade, como também grandes plantas frigoríficas que têm impulsionado o abate em larga escala”. Mato Grosso é o estado com a maior criação de gado, com 13,6% do total nacional. Ainda da região Centro-Oeste, entre os cinco primeiros colocados, Goiás aparece em terceiro e Mato Grosso do Sul em quarto, com 10,2% e 9,9% do total. Nos últimos anos, o Sul e o Sudeste do País têm registrado estagnação da bovinocultura de corte, enquanto a produção de bovinos tem se deslocado para o Norte. A atração é explicada em parte pelo IBGE por conta dos baixos preços das terras, disponibilidade hídrica, clima favorável, incentivos governamentais e abertura de grandes plantas frigoríficas.
Globo Rural
EMPRESAS
Joesley e Wesley Batista são indiciados pela PF
Os irmãos Joesley e Wesley Batista, sócios da empresa controladora da JBS, foram indiciados pela Polícia Federal na quinta-feira (21) pelos crimes de manipulação de mercado e uso indevido de informações privilegiadas em operações no mercado financeiro (insider trading), segundo a PF
O indiciamento deve ser encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), que avaliará se fará denúncia contra os irmãos na Justiça. Os executivos teriam se aproveitado de informações privilegiadas relacionadas aos acordos de delação premiada que estavam sendo negociados com procuradores para obter ganhos nas transações no mercado entre abril e 17 de maio. Joesley Batista é acusado de manipulação de mercado e uso indevido de informação privilegiada em operações de venda de ações da JBS pela FB Participações, empresa controlada pela família Batista. As ações foram adquiridas pela própria JBS, fazendo com que os acionistas da empresa “absorvessem parte do prejuízo decorrente da baixa das ações que, de outra maneira, somente a FB Participações, uma empresa de capital fechado, teria sofrido sozinha”, segundo a PF. Já Wesley Batista foi indiciado por manipulação de mercado e uso indevido de informação privilegiada nas operações com venda e compra de ações da JBS, e também por insider trading em operações de compra de contratos futuros e a termo de dólares. Segundo as investigações, houve intensa compra de contratos de derivativos de dólares entre 28 de abril e 17 de maio por parte da JBS, em desacordo com a movimentação usual da empresa, gerando ganhos decorrentes da alta da moeda norte-americana após o dia 17, quando foram reveladas notícias sobre o esquema de corrupção envolvendo os controladores da JBS e políticos brasileiros. O valor das operações, somente com os dólares, foi de quase US$ 3 bilhões, e teria resultado em lucro de US$ 100 milhões aos irmãos Batista, segundo informações divulgadas pelo MPF na semana passada. Joesley e Wesley já estão presos preventivamente há cerca de uma semana como resultado dessas investigações sobre insider trading. Na quinta-feira, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu manter a prisão preventiva dos executivos, negando pedido de habeas corpus para soltura dos irmãos. O advogado de defesa dos Batista, Pierpaolo Bottini, disse que o STJ não apreciou o mérito do habeas corpus por entender que a questão precisa ser debatida antes no Tribunal Regional Federal em São Paulo. A defesa dos irmãos pretende recorrer da decisão no Supremo Tribunal Federal (STF) até esta sexta-feira (22). “É injusta e lamentável a prisão preventiva de alguém que sempre esteve à disposição da Justiça, prestou depoimentos e apresentou todos os documentos requeridos”, disse Bottini por meio de nota.
CARNETEC
Cade pede condenação de José Batista Júnior
O irmão de Joesley Batista foi alvo de uma gravação em que teria combinado a formação de cartel no mercado de frigoríficos
A superintendência geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) recomendou a condenação de José Batista Júnior e Frigorífico Independência, que possui unidades em Confresa, Pontes e Lacerda e Juína. O empreendimento está em processo administrativo que investiga a formação de cartel no mercado nacional de compra de gado bovino para abate por frigoríficos, com acordo de preços e divisão regional de mercados. O processo será remetido ao tribunal do Cade para julgamento. De acordo com publicação do site IstoÉ, além disso, a superintendência do Cade recomendou a remessa de nota técnica sobre o processo e do despacho publicado no Diário Oficial da União de hoje sobre essa decisão à Procuradoria da República em Mato Grosso e à Superintendência Regional da Polícia Federal em Mato Grosso para que seja examinada a possibilidade de reabertura de inquérito policial que investigou o caso. O irmão de Joesley Batista, foi alvo de uma gravação em que teria combinado a formação de cartel no mercado de frigoríficos. Na reunião, além de Júnior estaria também Joesley Batista. A investigação contra Batista Júnior, conhecido como Júnior Friboi, é um desdobramento do chamado “Cartel dos Frigoríficos”, em que, ainda em 2007, várias empresas foram condenadas ou assinaram acordo com o Cade para encerrar a investigação, uma delas a própria Friboi.
Olhar Direto
INTERNACIONAL
Pecuária argentina em crescimento: apostam nos mercados de qualidade
Após um período de desânimo produtivo e uma redução de 12 milhões de cabeças de gado bovino, a entrada de Mauricio Macri como presidente do país provocou um forte compromisso e grande entusiasmo para voltar a entrar nos mais exigentes mercados internacionais de carne bovina
Dardo Chiesa, Presidente das Confederações Rurais Argentinas (CRA) e membro da Federação das Associações Rurais do Mercosul (FARM), disse que o rebanho de gado em seu país está crescendo a uma taxa de 800.000 a 1.000.000 de cabeça por ano. Ele disse que é uma taxa de crescimento que não havia sido alcançada desde 2005. Ele afirmou que os sinais são favoráveis: “estamos ganhando mercados” e todos os anos “melhoramos os coeficientes de prenhez”. E acrescentou que, em 2018, o país terá um estoque de carne bovina disponível de 420 mil toneladas para ultrapassar os mercados internacionais. Além desses sintomas, Chiesa disse que um desafio importante é “aumentar o peso ao abate”, já que o consumidor argentino, que demanda 90% da produção total, “tem o mau hábito de consumir animais leves e a média está em 320 quilos. Hoje, temos que subir para 460 quilos, é o que a exportação exige “, disse ele. Ele observou que o ritmo de abates também está aumentando. Chiesa comentou que o abate mensal médio nos últimos anos foi de 800 mil cabeças por mês e, no momento, “acumulamos o terceiro mês consecutivo com um abate de mais de um milhão de animais”. De qualquer forma, ele explicou que “o desafio não é aumentar o trabalho, mas o peso das casas na mesma tarefa”.
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