
Ano 3 | nº 571 | 04 de agosto de 2017
NOTÍCIAS
Queda na oferta de boiadas dá sustentação ao mercado do boi gordo
A redução na oferta de boiadas tem se tornado cada vez mais evidente. As valorizações observadas em boa parte das regiões pesquisadas pela Scot Consultoria confirmam esse cenário
Em São Paulo, por exemplo, a arroba do boi gordo teve nova alta na última quinta-feira (3/8) e ficou cotada em R$129,00, a prazo, livre de Funrural. Com o início do mês a expectativa é de que, com a população mais capitalizada devido o recebimento dos salários, o escoamento melhore, o que poderá colaborar com a retomada dos preços no mercado do boi gordo. Do lado das indústrias, as margens de comercialização continuam em patamares historicamente elevados, o que permite aos frigoríficos ofertarem preços maiores pela arroba dos animais terminados, em caso de necessidade. O mercado atacadista de carne com osso fechou em alta. O boi casado de animais castrados ficou cotado em R$8,75/kg (3/8), alta de 6,4% nos últimos sete dias.
SCOT CONSULTORIA
RS busca carne bovina no Centro-Oeste devido ao preço
Situação deixa produtores gaúchos preocupados
A compra de carne bovina do Centro-Oeste pelos frigoríficos do Rio Grande do Sul tem causado preocupação entre os produtores gaúchos. O tema tem sido discutido pelo governo do Estado, por meio das secretarias da Fazenda e da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi). Os números ainda estão sendo calculados pela Receita Estadual, a partir da movimentação da nota fiscal eletrônica. Tanto o governo do Estado quanto os frigoríficos admitem que o volume aumentou. Segundo a Seapi, em junho e julho entrou no Rio Grande do Sul o equivalente a 120 mil carcaças. Em meses tidos como “normais”, o volume era de 15 mil. Já o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado (Sicadergs) afirma que, desde o início do ano, entraram no Estado 135 mil carcaças de carne com osso. A avaliação do setor é de que a crise na pecuária de corte, provocada pela operação Carne Fraca, pela delação da JBS e pela suspensão das exportações para os Estados Unidos, ocasionou um acúmulo de carne no Centro-Oeste, que acabou sendo vendida aos frigoríficos gaúchos a um preço menor. “A situação está se agravando porque a carne está entrando e baixando o preço”, afirma o secretário da Agricultura, Ernani Polo. “Muitas vezes não se tem liquidez, então estamos vendo quais as ações possíveis de serem feitas”, complementa. Uma mudança na tributação chegou a ser cogitada, mas, segundo Polo, o mecanismo fica inviabilizado porque as taxas cobradas devem ser iguais para o mercado interno. A maior parte da carne vem do Mato Grosso do Sul, mas também há cargas provenientes do Mato Grosso, Goiás, Maranhão e Acre. Em alguns desses estados, a JBS era responsável por praticamente metade dos abates. Segundo o diretor-executivo do Sicadergs, Zilmar Moussalle, a carne daquela região tornou-se mais barata porque os produtores ficaram com receio de vender para a JBS com prazo de 30 dias, com medo de algum efeito da delação feita pelo empresário Joesley Batista. “Eles ficaram sem liquidez e aí baixou muito o preço lá em cima, consequentemente a compra do Rio Grande do Sul foi maior que a do ano passado”, afirma. Conforme o executivo, em anos anteriores, a carne do centro do país encontrava resistência entre os varejistas. “Só que melhorou muito a produção e a carne de lá agora está se equiparando com a nossa. Não que seja a mesma coisa, mas está de muito boa qualidade”, afirma. A tendência é de que estas compras diminuam nas próximas semanas, quando o produtor começa a tirar os bois das pastagens para plantar soja. Caso os preços se igualem com os do Centro-Oeste, Moussalle afirma que “a indústria tem todo o interesse em abater os animais daqui”. Conforme produtores, o preço da arroba no Rio Grande do Sul está em torno de R$ 145, enquanto que no Centro-Oeste oscila entre R$ 120 a R$ 130. “Essa carne não gera emprego aqui e o produtor daqui não vende o boi dele. É um efeito em cadeia”, reclama o presidente do Sindicato Rural de Alegrete, Pedro Piffero. Na avaliação dele, o preço pago ao pecuarista só não caiu mais porque o consumo no Rio Grande do Sul não registrou a mesma queda de outros estados.
Funrural pode mudar no Congresso
FPA já trabalha para que essa entrada seja de, no máximo, 1%
“Foram quatro meses de negociações e só agora se chegou ao entendimento de que seria factível a apresentação da medida provisória. Além disso, a matéria receberá emendas com modificações que achamos justas”. A garantia é do senador Cidinho Santos (PR-MT), integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). A medida provisória (MP) editada pelo governo Temer esta semana institui o Programa de Regularização Tributária Rural e oferece parcelamento de dívidas de agricultores com o Fundo de Assistência ao Produtor Rural (Funrural). De acordo com o texto atual, o pagamento poderá ser feito em até 14 anos e meio, com uma entrada de 4% do valor total devido (em quatro parcelas até o final de 2017). No entanto, o parlamentar revela que a FPA já trabalha para que essa entrada seja de, no máximo, 1% do valor devido. Outra emenda que a bancada pretende apresentar é a ampliação do teto da dívida de R$ 15 milhões – o limite é considerado muito baixo e não atende à maioria dos adquirentes.
AGROLINK
Alta das exportações de carne deve ajudar a dar firmeza à @
Adolfo Fontes, analista sênior do Rabobank, explica os fatores para o crescimento dos embarques da proteína e quais podem ser os efeitos no mercado do boi
O salto nas exportações brasileiras de carne bovina in natura em julho pode ajudar a dar firmeza aos preços da arroba no país. “Com esse aumento dos embarques, você deixa a oferta mais enxuta no mercado doméstico, tira esse adicional enquanto a demanda interna não se recupera”, explica Adolfo Fontes, analista sênior do Rabobank, no Fórum da Pecuária Lucrativa. Em julho, os embarques somaram 106,4 mil toneladas, alta de 6,2% em relação ao mês anterior e de 29,5% na comparação com julho de 2016. De acordo com Fontes, é o maior resultado para um mês desde março do ano passado. Os números podem ser explicados por dois fatores principais: uma reabilitação da relação com os compradores externos após crises relacionadas à carne e a boa competitividade da proteína brasileira, conta Fontes. “Nós estávamos com uma demanda reprimida no mercado internacional por causa de fatores que impactaram negativamente as exportações brasileiras até junho. Mas ela tende a voltar agora que as informações estão mais claras para os compradores”.
PORTAL DBO
Mercado de reposição ganhando movimentação em Mato Grosso
Nas últimas semanas as negociações no mercado de animais para reposição começaram a ganhar mais ritmo em Mato Grosso
Embora comedido, o viés altista do mercado do boi gordo e as altas de preços no mercado futuro aumentaram a atratividade do confinamento e, consequentemente a comercialização de categorias mais eradas, como o boi magro (12@) e o garrote (9@), foi intensificada. Mesmo com o aumento da procura, nos últimos trinta dias os preços de todas as categorias permaneceram praticamente inalterados. Entretanto, estendendo o âmbito desta análise, em doze meses o preço de todas categorias de machos de reposição caiu em média, 14,8%. Este contexto fez com que a relação de troca ficasse mais favorável para o pecuarista, dado que neste mesmo intervalo a arroba caiu menos (12,2%). Desta maneira, o poder de compra do pecuarista melhorou, em média, 3,1% na troca com todas as categorias. Ênfase para as categorias mais novas como o bezerro de 7,5@ e o bezerro de desmana, que neste exemplo, em agosto de 2016 comprava-se 1,91 com a venda de um boi gordo de 16,5@ e atualmente compra-se 2,02, melhora de 5,7% na relação de troca.
SCOT CONSULTORIA
FAO: preço dos alimentos sobe 2,3% em julho
O indicador de preços da FAO para uma cesta de alimentos atingiu o maior patamar desde janeiro de 2015
Os preços dos alimentos no mundo subiram 2,3% em julho ante junho, no terceiro mês consecutivo de avanço, impulsionados pelas cotações mais altas de cereais, açúcar e lácteos, informou a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). O indicador de preços da FAO para uma cesta de cereais, oleaginosas, produtos lácteos, carne e açúcar, atingiu média de 179,1 pontos em julho, o maior patamar desde janeiro de 2015. Os alimentos no mercado internacional foram 10,2 por cento mais caros no mês passado ante igual período de 2016, com as cotações sustentadas por apertos na oferta e movimentos cambiais. Já os preços de óleos vegetais caíram 1,15, para o menor nível desde agosto de 2016, pressionados pelo óleo de palma, commodity que enfrenta uma combinação de perspectivas positivas para a produção e fraca demanda global de importação.
Notícias Agrícolas
EMPRESAS
JBS confirma venda da Vigor para Grupo Lala por R$ 1,1 bi
A JBS S.A. confirmou na noite de quinta-feira (3) que vendeu a totalidade de sua participação acionária de 19,43% na Vigor Alimentos para o mexicano Grupo Lala por R$ 1,112 bilhão
“Estima-se que a JBS receberá o valor de aproximadamente R$ 780 milhões (equity value) no fechamento da operação, sujeito a ajustes previstos no contrato”, informou a processadora de carnes em comunicado. Segundo a JBS, parte dos recursos obtidos na transação será usada para amortizar sua dívida. A processadora de carnes já havia informado nesta semana que estava em “negociações avançadas” para a venda de sua participação na Vigor ao Grupo Lala. A confirmação da transação dependia apenas de aprovações dos Conselhos de Administração de ambas as companhias em reuniões que estavam agendadas para a quinta-feira (3). A venda da fatia na Vigor é parte do plano de desinvestimento de R$ 6 bilhões que a JBS anunciou em junho, como forma de levantar recursos para reduzir a alavancagem e fortalecer a estrutura financeira da companhia. O plano ainda prevê a venda da processadora de carne de frango Moy Park e da Five Rivers Cattle Feeding. A empresa controladora da JBS, a J&F, também anunciou separadamente na quinta-feira que fez a venda de sua participação total na Vigor para o Grupo Lala por R$ 5,725 bilhões.
CARNETEC
JBS contrata ex-diretor do USDA para comandar área de segurança alimentar
Com a imagem arranhada após a Operação Carne Fraca e sobretudo em razão da delação premiada dos irmãos Batista, a JBS anunciou ontem a criação do cargo de diretor global de Segurança Alimentar e de Garantia da Qualidade
Para a função, a companhia contratou o executivo americano Alfred Almanza, que foi Secretário de Segurança Alimentar do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) entre 2014 e 2016. Segundo a JBS, Almanza iniciou sua carreira como inspetor de segurança alimentar no Texas. O executivo passou quase 40 anos no USDA. Em fato relevante divulgado ontem, a JBS destacou que Almanza é globalmente reconhecido no desenvolvimento dos padrões sanitários que regulam o acesso aos mercados internacionais de carnes. Almanza é a segunda autoridade americana que a JBS atrai para seus quadros. No início do ano, o ex-presidente da Câmara dos Representantes, John Boehner, foi indicado para o conselho de administração da JBS Foods Internacional, subsidiária que abriria o capital nos EUA antes das delações virem a público. Na JBS, o diretor global de segurança alimentar se reportará ao Vice-Presidente de operações da empresa, Gilberto Tomazoni. Almanza dará experiente em Greeley, no Estado americano do Colorado. É lá que fica a sede da JBS nos EUA. No Brasil, Almanza deverá ter os maiores desafios. Conforme o Valor informou, o sistema de inspeção sanitária brasileiro está em reconstrução para responder às críticas dos importadores após a Carne Fraca. A própria delação dos executivos da JBS, que revelaram o pagamento de ‘mensalinhos’ a título de hora extra para os auditores fiscais agropecuários, também expôs as fragilidades da defesa agropecuária no Brasil.
VALOR ECONÔMICO
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