CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 484 DE 30 DE MARÇO DE 2017

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Ano 3 | nº 48430 de Março de 2017

NOTÍCIAS

Novo regulamento da inspeção de produtos de origem animal prevê penas mais severas

Decreto que revisa normas foi assinado nesta quarta-feira (29) por Michel Temer e Blairo Maggi. Novo regulamento do RIISPOA deve ser publicado nesta quinta-feira (30)

O Presidente Michel Temer e o Ministro Blairo Maggi (Agricultura, Pecuária e Abastecimento) assinaram na quarta-feira (29), no Palácio do Planalto, o novo Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA). Entre as mudanças introduzidas na legislação está a elevação de penalidades. Por meio de medida provisória, a multa máxima a ser aplicada, no caso de irregularidades, passa de R$ 15 mil para R$ 500 mil, anunciou Maggi. Outra medida mais dura é a perda do selo SIF (Serviço de Inspeção Federal) por empresa que cometer três irregularidades gravíssimas em um ano. As novas normas são voltadas para garantir segurança e inocuidade alimentar, além de combater fraude econômica. O regulamento engloba todos os tipos de carnes (bovina, suína e de aves), leite, pescado, ovos e mel. “O antigo decreto do RIISPOA, que hoje completa 65 anos, proporcionou que as regras sanitárias brasileiras fossem reconhecidas por mais de 150 países. Mas é justo e oportuno fazermos atualizações. O Brasil está diferente”, observou o Secretário-Executivo do Mapa, Eumar Novacki. Agora, estão contempladas, lembrou Novacki temas ligados ao respeito ao meio ambiente, à sustentabilidade e ao bem-estar animal. A mudança, segundo ele, “não foi açodada e corrida”, tendo começado em 2007. “A revisão exigiu trabalho meticuloso, o envolvimento de 150 servidores e 33 colaboradores, entre cientistas da Embrapa e de universidades federais”. Além disso, passou por consulta pública e recebeu mais de 3.600 propostas de mudanças, todas analisadas. A revisão do RIISPOA contempla a implantação de novas tecnologias, padronização de procedimentos técnicos e administrativos, maior harmonização com a legislação internacional, interação com outros órgãos públicos de fiscalização, ordenação didática das normas para facilitar a consulta e orientação e atualização de terminologias ortográfica e técnica. Foi compatibilizado com legislações, como o Código de Defesa do Consumidor e com o decreto que institui o Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (SUASA). O Secretário-Executivo chamou a atenção para outra inovação, que incluiu especificidades e exigências próprias das pequenas agroindústrias. Blairo Maggi acrescentou que doenças que afetavam os animais, como zoonoses, no antigo RIISPOA, não estão mais presentes. Esse tipo de preocupação foi substituído por cuidados com patógenos, como a salmonela, que é um problema atual. O novo regulamento estabelece a obrigatoriedade da renovação da rotulagem dos produtos de origem animal a cada 10 anos e determina sete tipos de carimbos do Serviço de Inspeção Federal (SIF). O regulamento que era usado até esta quarta-feira é de 29 de março de 1952 e tem 952 artigos. Com as mudanças, o RIISPOA passa a ter 542 artigos. A atualização do RIISPOA faz parte das ações do Plano Agro+, lançado no ano passado por Blairo Maggi para simplificar e modernizar o agronegócio. O novo regulamento também deixa bem clara a responsabilidade das empresas e do Estado na fiscalização sanitária dos produtos de origem animal.  A seguir as principais medidas do decreto:  

  Medidas
A inspeção deverá se baseada em conceitos mais modernos, como também será possível a utilização de ferramentas de controle de qualidade de produtos mais atualizadas, por exemplo: Análise de Risco e Pontos Críticos de Controle – APPCC (a mesma ferramenta utilizada pela NASA para controlar a inocuidade dos alimentos dos astronautas em missões espaciais).
Estabelece quando e em que tipo de estabelecimento será instalada – em caráter permanente – a inspeção de produtos de origem animal. Privilegiando os estabelecimentos que abatem as diferentes espécies de animais.

Essa modernização da norma visa qualificar os estabelecimentos por grau de risco, priorizando as ações mais intensas de inspeção de acordo com as características do estabelecimento.

Inspeção industrial e sanitária de carnes e derivados, traz novos conceitos de inspeção ante mortem e post mortem.

Simplifica, racionaliza e moderniza o processo de avaliação das rotulagens dos produtos de origem animal, possibilitando a informatização no envio de informações sobre rotulagem de produtos, agilizando as respostas do Ministério da Agricultura. Todas essas novidades levam em conta o Código de Defesa do Consumidor e demais normas incidentes sobre questões de rotulagem de produtos.

Outra novidade é que os registros de rótulos passam a ter validade de 10 anos, diferentemente do atual RIISPOA que não oferece prazo de validade.

Estabelece critérios de uso para os diferentes carimbos e marca do Serviço de Inspeção Federal – SIF – redefine os modelos dos carimbos e torna mais fácil para o consumidor o entendimento do significado das mesmas.

Atualmente existem 18 diferentes modelos de carimbos regulamentados o novo RIISPOA simplifica e moderniza isto reduzindo para apenas modelos para 7 modelos.

Redefine os procedimentos de análise laboratorial dos produtos e matérias primas de origem animal, detalhando os ritos processuais para análise pericial.

Atualiza a norma e agrega aos procedimentos de análise laboratorial os conceitos em vigor nas normas mais avançadas do planeta.

Moderniza o título do RIISPOA referente às responsabilidades sobre a infração, medidas cautelares, penalidades e processo administrativo.

Redefine as sanções passíveis de aplicação de penalidades e gradua as infrações em leve, moderada, grave e gravíssima, dando proporcionalidade nas aplicações das penalidades.

Introduz também o conceito de condições agravantes e atenuantes.

Inserida definição de estabelecimentos de produtos de origem animal de pequeno porte, possibilitando a legalização de pequenas agroindústrias, como também flexibilizando exigências relacionadas a características de equipamentos.

O atual texto do RIISPOA trata todas as indústrias de maneira idênticas o que inviabiliza a legalização das pequenas.

Inclui na rotina de fiscalização a realização de análises de biologia molecular, como o exame de DNA entre outras metodologias consagradas nos últimos anos.
Possibilita o aproveitamento de matérias-primas e resíduos de animais dos estabelecimentos industriais sob inspeção federal para elaboração de produtos não comestíveis.

A introdução dessa possibilidade tem forte viés ambiental, visto que no texto atual esses resíduos devem ser descartados no meio ambiente.

10º Traz nova feição para a Inspeção Federal de Produtos de Origem Animal modernizando uma norma do século XX em sintonia com conceitos e tecnologias do século XXI. Quando publicado, 65 anos atrás, o RIISPOA era um regulamento moderno. De lá para cá o pais deixou de ser importador e passou a ser um dos principais exportadores do planeta de produtos de origem animal. Além disso, ao longo desses anos surgiram várias novas tecnologias, a Constituição de 1988, a OMC, enfim, o mundo mudou radicalmente.

MAPA

Mercado do boi gordo especulado, com praças sem referência de preços

Mercado especulado, pressionado em algumas regiões, enquanto em outras já ocorrem aumentos nos preços de referência da arroba do boi gordo

Mesmo com a retomada gradual da exportação, a situação comum é de compradores de boiadas aguardando, analisando como os concorrentes se posicionarão quando voltarem às compras para então negociarem. Nas praças pecuárias onde as ofertas lançadas ao mercado estão exageradamente baixas, e negócios não foram efetivados de maneira expressiva, decidimos manter os preços vigentes, até que o fluxo de mercadorias se estabeleça de verdade. Há frigoríficos que abriram a última quarta-feira (29/3) ofertando até R$4,00/@ abaixo das ofertas do dia anterior. Uma vez que o mercado está sem referência, recomenda-se aos vendedores, cuidado.

SCOT CONSULTORIA

Em abril começam missões para resgatar imagem do país como exportador de carne

Irã havia suspendido importação, mas reabriu mercado no mesmo dia. A informação consta de tabela atualizada pelo governo. Boa parte da batalha foi vencida, disse Maggi, em referência à reversão de suspensões de importação

O Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, anunciou, em entrevista no Palácio do Planalto, na quarta-feira (29), que já no próximo mês serão iniciadas missões ao exterior para reverter a imagem da carne do Brasil entre os países importadores, criada a partir da deflagração da Operação Carne Fraca da Polícia Federal. A primeira visita deverá ser feita pelo Secretário-Executivo Eumar Novacki e, em maio, a viagem será liderada pelo próprio ministro. Num período de 20 dias, Maggi irá aos Emirados Árabes, Arábia Saudita e Ásia, onde visitará a China. “Temos bom comércio e é importante termos, com eles [chineses], essa transparência”, destacou o Ministro. A volta, observou, deverá ser pela Europa. “Passamos por muita preocupação. O Brasil ficou muito ameaçado, numa posição difícil, complicada”, desabafou. Mas Maggi considerou que “boa parte da batalha foi vencida”, revertendo suspensões de importação por parte de grandes parceiros comerciais, como China, Hong Kong, Chile e Egito. “A situação era de emergência”, disse o Ministro, reconhecendo empenho do Presidente Michel Temer e de outras áreas de governo, além da equipe do Mapa, para dar informações detalhadas e claras a consumidores de fora do país e brasileiros. Maggi esclareceu não ter nada contra a Operação da PF envolvendo frigoríficos. “A operação deve continuar”, afirmou. “O problema foi a forma de divulgação, que colocou em dúvida a qualidade do produto e nosso sistema de inspeção, que é forte, robusto”. Temer anunciou, no lançamento do novo Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA), a reabertura também do mercado do Irã, no dia de hoje. “Agora há pouco, o escritório veterinário do Irã comunicou reabertura. Esse é um mercado de 380 milhões de dólares”, disse o Presidente. O Irã havia suspendido importação, mas reabriu o mercado no mesmo dia. A informação consta de tabela atualizada pelo governo até esta quarta-feira. 

MAPA

UE passa a controlar 100% da carne importada do Brasil

A União Europeia (UE) está reforçando o controle sobre 100% dos carregamentos de carne brasileira que chegam à Europa

Ou seja, as cargas provenientes dos 260 estabelecimentos autorizados a exportar para o mercado comum europeu, e não apenas dos 21 investigados pela Polícia Federal no âmbito da Operação Fraca, como antecipou ontem o Valor PRO. Um porta­-voz da Comissão Europeia informou que um consenso foi alcançado entre os países­-membros da UE sobre como esses controles serão reforçados e o que deve estar mais no foco durante reunião, hoje, do Comitê Permanente de Vegetais, Animais e gêneros alimentícios e alimentos para animais (Comitê PAFF). Sobretudo, foi confirmado o monitoramento físico de 100% dos carregamentos de importação para a UE ­ 20% no caso de checagem microbiológica. Os procedimentos sobre os passos a serem dados em casos de resultados desfavoráveis também foram esclarecidos. Pela legislação europeia, todo carregamento de carne importada do Brasil, assim, será sistematicamente submetida a controle veterinário nos postos de fronteira. Segundo o porta­-voz, em circunstâncias normais qualquer resultado desfavorável no controle deflagra um mecanismo imediato e automático que submete toda a carga do mesmo produto a um monitoramento ainda mais duro. Nesse caso, a UE também alerta todos os países­-membros e o país de origem. O fato de o Comitê ter decidido por apenas uma orientação técnica é positivo, quando se considera a enorme pressão de alguns países para terem a carne brasileira suspensa por algum tempo. Nesta quinta­-feira, em Brasília, técnicos do Ministério da Agricultura e da divisão de saúde da Comissão Europeia se reúnem para entrar em detalhes sobre medidas corretivas que o Brasil vem adotando em sistema sanitário. Na próxima segunda­-feira, haverá reunião do Conselho de Agricultura da UE, com os ministros dos 28 países-­membros do bloco, e a pressão sobre a carne brasileira será mantida.

VALOR ECONÔMICO

JBS dará férias coletivas em dez unidades de abates de bovinos

 A JBS informou que concederá férias coletivas de 20 dias, a partir de segunda-­feira, em dez de suas 36 unidades de abate de bovinos no Brasil

Uma das plantas está localizada em São Paulo, três em Mato Grosso do Sul, uma em Goiás, quatro em Mato Grosso e uma no Pará. Segundo a companhia — a maior do mundo na área de proteínas animais, com receita líquida de R$ 170 bilhões em 2016 —, se necessário as férias poderão se estender por mais dez dias além dos 20 inicialmente programados. Leia mais 1. Chuvas assustam em Mato Grosso, mas perdas nas lavouras são pontuais 2. ‘Evasão’ de gado bovino em Mato Grosso 3. Mato Grosso recebe selo de área livre de peste suína clássica “A medida é necessária em virtude dos embargos temporários impostos à carne brasileira pelos principais países importadores, assim como pela retração nas vendas de carne bovina no mercado interno nos últimos dez dias”, afirma a empresa em comunicado. A medida, contudo, foi anunciada depois que os principais países importadores de carne bovina brasileira anunciaram a retirada dos embargos impostos depois de deflagrada a Operação Carne Fraca da Polícia Federal, no dia 17. Entre esses importadores estão China, Hong Kong, Chile e Egito, que absorveram mais da metade das exportações brasileiras de carne bovina no ano passado. Por causa disso, a expectativa no mercado era que a JBS fosse retomar seu ritmo normal de abates nos próximos dias. A própria companhia deu ontem sinais nessa direção. Na semana passada, a empresa paralisou por três dias 33 de suas 36 plantas de abate no país. Na segunda-­feira todas as 36 estavam em operação, mas com suas respectivas capacidades reduzidas em 35%. Com as férias coletivas anunciadas, o mercado de bovinos, que já andava devagar, certamente vai demorar um pouco mais para voltar ao normal. “A companhia esclarece que é imprescindível ajustar os volumes de produção para normalizar os níveis de estoques de produtos destinados ao mercado interno, assim como reescalonar a programação de embarques de produtos para os clientes do mercado externo que ficaram represados durante esse período [desde a semana passada], de forma a não sobrecarregar os sistemas de recebimento e estocagem dos mesmos”, diz a JBS. A empresa conclui seu comunicado afirmando que “está empenhada na manutenção do emprego de seus 125 mil colaboradores em todo o Brasil. No total, a JBS tem mais de 120 unidades produtoras no país, também dedicadas a carnes de aves e suínos, produtos processados e industrializados — a marca Seara pertence à companhia —, biodiesel e itens de higiene, entre outros. Em todos os mercados nos quais atua (Brasil, EUA, Europa, Austrália, México, Argentina, Canadá, Chile, China, Paraguai e Uruguai e Vietnã), a JBS tem 237 mil funcionários.

VALOR ECONÔMICO

Irã retoma compras de carnes do Brasil, diz Temer

Irã se soma a outros importantes importadores que anunciaram suspensão de embargos à carne brasileira

O Irã, importante comprador da carne brasileira, informou ao Brasil que reabriu as importações do produto nacional, disse nesta quarta-feira o presidente Michel Temer, durante uma cerimônia para lançamento do novo regulamento de inspeção industrial e sanitária. Dessa forma, o Irã se soma a outros importantes importadores que anunciaram suspensão de embargos à carne brasileira, que haviam sido impostos como desdobramento da investigação da operação Carne Fraca, da Polícia Federal.

REUTERS

União Europeia pede controles independentes na indústria de carnes do Brasil

A União Europeia está entre os mercados que suspenderam importações das 21 plantas que estão sob investigação no Brasil

O Brasil precisa de controles independentes nas inspeções na indústria de carnes, disse uma autoridade de saúde da União Europeia nesta quarta-feira, ao encerrar uma visita ao país onde a Polícia Federal revelou um esquema envolvendo propinas para auditores agropecuários, desencadeando uma série de embargos no mercado externo. A polícia brasileira disse em documentos judiciais que houve pagamento de propinas para encobrir graves violações sanitárias em algumas companhias de carne, incluindo a venda de produtos podres e contendo salmonela. O inquérito, que recebeu o nome de Operação Carne Fraca, levou alguns dos maiores mercados de exportação do Brasil a suspenderem compras de suas carnes. A União Europeia está entre os mercados que suspenderam importações das 21 plantas que estão sob investigação no Brasil, maior exportador mundial de carne bovina e frango. O comissário da União Europeia para a saúde e segurança alimentar, Vytenis Andriukaitis, disse a repórteres em Brasília que as restrições e verificações reforçadas sobre as importações de carne brasileira não devem ser retiradas em breve. “A situação das importações de carne do Brasil ficará sob estas verificações reforçadas até que o Brasil responda nossos questionamentos e nossa equipe de auditores visite o Brasil”, disse Andriukaitis à Reuters. “A situação ficará muito mais clara nas próximas semanas ou meses. A principal mensagem ao Brasil é que a questão não está encerrada. É uma questão de saúde e qualidade”, disse ele. Embora tenha dito que não cabia à UE dizer qual sistema de inspeção um país deveria ter, Andriukaitis apelou ao governo brasileiro para que introduza regras mais transparentes para evitar conflitos de interesse público-privados. “O sistema oficial de controle deve ser independente e não sob a influência de políticos e outros atores. Precisamos garantir a independência do sistema oficial de controle brasileiro”, disse ele. Andriukaitis disse que a UE pode anunciar mais medidas relacionadas às importações do Brasil após uma reunião de seu Conselho de Agricultura na segunda e terça-feira, mas não entrou em detalhes.

REUTERS

Pecuarista poderá prorrogar financiamento

Operações de custeio e investimento com vencimento entre março e junho deste ano terão mais um ano. Banco lançou linha de crédito para retenção de bezerros, matrizes e bois

O Banco do Brasil (BB) anunciou nesta quarta-feira, 29, que oferecerá aos pecuaristas a possibilidade de prorrogar, por um ano, operações de custeio e investimento com vencimento entre março e junho deste ano. As agências do BB já estão preparadas para atender os pecuaristas a partir da quinta-feira, 30. Conforme comunicado do banco, a medida pode beneficiar 77 mil clientes que têm R$ 4,7 bilhões em operações passíveis de prorrogação. O Banco manterá as taxas das operações originais. O BB informa, ainda, que definiu novas linhas de crédito aos pecuaristas, com a disponibilidade de R$ 1 bilhão em financiamento. São dois tipos de empréstimo. Uma das linhas de crédito é direcionada à retenção de bezerros, matrizes e bois, permitindo aos produtores aguardarem a retomada de preços do mercado para comercialização. A outra iniciativa é uma alternativa de financiamento, com recursos próprios do banco, para a aquisição de bovinos para recria e engorda. As novas linhas têm prazo de até dois anos e utilizam recursos captados da LCA. As taxas variam entre 9,9% e 12,75% a.a. A carteira de crédito ao agronegócio do Banco do Brasil atingiu R$ 179,8 bilhões em dezembro de 2016. A contribuição da bovinocultura neste montante é de 20,9%.

ESTADÃO CONTEÚDO

Preço da carne vai subir em SP

Fim da isenção do ICMS, decretado por Geraldo Alckmin, entra em vigor no dia 1º de abril.

Decreto vai acabar com a isenção do imposto na venda de qualquer tipo de carne

O preço da carne deve subir em todo o Estado de São Paulo a partir de sábado, 1º, quando entra em vigor um decreto assinado pelo governador Geraldo Alckmin no fim do ano passado. Ele determinou a volta da cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) sobre o alimento, o que não acontecia desde setembro de 2009. O decreto vai acabar com a isenção do ICMS na venda de qualquer tipo de carne. O comércio varejista, como supermercados e açougues, terá que recolher 11% do imposto. Os frigoríficos também vão pagar a conta, mas de forma diferente: ganham desconto na hora de comprar os produtos e, depois, recolhem o ICMS na revenda. Eles serão tributados em um total de 4%. O consumidor, que já anda ressabiado com a qualidade da carne por conta das irregularidades encontradas em frigoríficos pela Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, deve ser um dos mais impactados com a mudança. “Esse aumento deve ser mais ou menos de uns 8% a 9%, imaginando que uma parte desse aumento de impostos vai ser absorvida pelo varejo, pelo supermercado, o açougue. Provavelmente, eles não vão conseguir repassar tudo, porque senão os preços sobem muito e aí as pessoas começam a demandar muito menos carne”, explica a professora de economia do Insper, Juliana Inhasz. O decreto foi recebido a contragosto pelas empresas do ramo, que questionam o aumento da carga tributária em um momento de queda de consumo no setor. Associações e sindicatos pedem que o governo estadual suspenda a cobrança ou ao menos faça mudanças no decreto, criando, por exemplo, uma alíquota única. A Secretaria Estadual da Fazenda afirmou que a crise econômica motivou a revisão de alguns benefícios concedidos, e que o ajuste no imposto sobre a carne mantém um patamar reduzido de tributação – um dos mais baixos do país, segundo a pasta.
G1

Frigoríficos utilizam Operação da PF para pressionar preços em Mato Grosso

Depois de paralisar por três dias, principal grupo anuncia férias coletivas em quatro unidades

Com o pretexto de instabilidade no mercado internacional da carne, a indústria frigorífica está paralisando atividades como forma de pressionar o preço do boi gordo. Levantamento solicitado pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) aponta que o preço da arroba caiu de 2% a 4% do dia 16 para o dia 28 de março, reduzindo de R$ 126,81 para R$ 123,11 em média no Estado, segundo levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). A Acrimat repudia o comportamento da indústria brasileira de carnes que, ao invés de se unir ao setor produtivo, aproveita a situação para especulação e manipulação do mercado. Na prática, alguns pecuaristas relatam redução de até 10% no valor da arroba nos últimos 12 dias, passando de R$ 126 para até R$ 113 em algumas regiões como no norte e noroeste do Estado. Segundo o Presidente da Acrimat, Marco Túlio Duarte Soares, houve um momento de incertezas no setor, mas com o trabalho ágio e responsável do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) foi possível comprovar que os problemas identificados são pontuais e que a carne brasileira é garantida por um sério controle de qualidade e de fiscalização sanitária. “Não podemos compactuar com a manipulação da indústria sobre o mercado”, declara Marco Túlio. “Em pouco tempo mostramos aos nossos clientes quais eram e onde estavam os problemas. A postura de punir os culpados e abrir as portas para os parceiros conhecerem nossa indústria também foram importantes para a retomada das exportações. Por isso, não vamos admitir que a indústria brasileira utilize como argumento problemas já solucionados para pressionar preços e prejudicar o setor produtivo”, afirma o Diretor Executivo da Acrimat, Luciano Vacari.

A Acrimat recomenda cautela e precaução na hora da venda para evitar depreciação ainda maior do preço da arroba. “Mato Grosso vivencia hoje as consequências de uma política de incentivo à concentração de empresas e controle de mercado. O fomento à formação de conglomerados, por meio de financiamento público, colocou o mercado da carne nas mãos de poucos empresários que, em um momento como este, manipulam toda a cadeia produtora”, afirma Luis Fernando Conte, Vice-Presidente da Acrimat. Na região Noroeste de Mato Grosso, a unidade do JBS em Juína atende à produção de 4 milhões de animais, mas irá parar por 20 dias, a partir de segunda-feira (03), conforme anunciado nesta quarta-feira (29). O anúncio feito pela empresa preocupa os produtores da região, que é refém da empresa. Também foram concedidas férias coletivas nas unidades do JBS em Diamantino, Alta Floresta e Pedra Preta. “Em Mato Grosso, JBS, Marfrig, Minerva e Frialto representam 70% do abate, o que compromete a competividade do setor, prejudicando os pecuaristas e, principalmente o mercado consumidor”, destaca Amarildo Merotti, Vice-Presidente da Acrimat. Marco Túlio Duarte destaca que Mato Grosso tem o maior rebanho comercial do país, é o segundo maior exportador do Brasil, não teve nenhuma planta envolvida nas investigações e tampouco unidade frigorífica embargada pelo MAPA. “A seriedade da produção mato-grossense está mais que comprovada. Por isso, não vamos admitir que os frigoríficos sem compromisso com o desenvolvimento da atividade articulem para derrubar preços, prejudicando ainda mais o pecuarista de nosso Estado”.

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