Ano 3 | nº 480| 24 de Março de 2017
JBS suspende abates por três dias em 33 unidades
As operações serão retomadas na próxima semana, mas com redução de 35% nas respectivas capacidades produtivas
Maior empresa privada não financeira do Brasil, a JBS anunciou a suspensão, por três dias, da produção de carne bovina em 33 de suas 36 unidades dedicadas a essa atividade no país. As operações serão retomadas na próxima semana, mas com redução de 35% nas respectivas capacidades produtivas, que será mantida até que se tenha definição sobre os embargos impostos por países importadores da carne brasileira. A JBS ressaltou que “está empenhada na manutenção dos empregos de seus 125 mil colaboradores no Brasil” o que não significa que todos eles trabalhem com carne bovina. No total, a empresa tem mais de 120 unidades produtoras no país, também dedicadas à produção de carne de aves, produtos processados e industrializados, biodiesel e itens de higiene, entre outros. Além das questões sanitárias e barreiras que já enfrentam em decorrência da Operação Carne Fraca, JBS e BRF podem vir a responder processo administrativo no Brasil com base na Lei Anticorrupção. No caso da BRF, que tem ADRs na bolsa de Nova York, também há risco de processo nos EUA, segundo advogados.
VALOR ECONÔMICO
Novas restrições ao Brasil; Maggi fala em ‘pancada’
Ontem, mais cinco países entraram na lista dos que impuseram alguma restrição às carnes brasileiras
Ao mesmo tempo em que cresce o número de países impondo algum tipo de restrição às carnes brasileiras em decorrência da Operação Carne Fraca, as exportações diárias do produto pelo país despencam. Na última terça-feira, as vendas externas brasileiras de carnes somaram apenas US$ 74 mil, conforme acompanhamento feito pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic). Esse valor significa que as exportações de carnes praticamente zeraram naquele dia, uma vez que a média diária no mês de março de 2016 havia sido de US$ 63 milhões. Ontem, mais cinco países entraram na lista dos que impuseram alguma restrição às carnes brasileiras. O Ministério da Agricultura informou que a África do Sul suspendeu temporariamente as importações dos 21 estabelecimentos investigados na Operação Carne Fraca. Já a Arábia Saudita, maior cliente do frango brasileiro, comunicou que vai suspender as compras dos quatro estabelecimentos frigoríficos suspeitos de irregularidades apontadas na operação. A Pasta informou ainda que os Emirados Árabes paralisaram o desembaraço de carnes brasileiras até a validação de testes por amostragem. Com base em informações repassadas pela JBS, o ministério disse que o Panamá comunicou a suspensão temporária da importação de carne bovina processada. As Bahamas, por meio da embaixada brasileira em Nassau, também avisou que suspendeu temporariamente as importações de carnes brasileiras. O ministério recebeu ainda pedidos de informações do Canadá, mas informou que não houve nenhum comunicado sobre possível restrição às importações de carne pelo país da América do Norte. Os novos países a restringir as carnes brasileiras ontem se juntaram a China, Hong Kong, Egito, Chile, Argélia, Jamaica, Trinidad e Tobago, que já haviam suspendido temporariamente as compras do Brasil. Há ainda Japão e União Europeia, que embargaram apenas as importações de produtos das 21 unidades frigoríficas investigadas na operação. Com o agravamento das restrições e a forte queda nas exportações diárias de carnes, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse ontem que, a partir de agora, o Brasil tem de “lutar” para manter sua participação no mercado mundial de alimentos e não mais buscar ampliar sua fatia. Em audiência conjunta das comissões de Assuntos Econômicos e de Agricultura no Senado ontem, o Ministro disse, em referência aos embargos, que “o que estamos sofrendo hoje é uma pancada, um soco no estômago. Temos que viajar pelo mundo, andar novamente, efetivamente mostrar que houve desvios de algumas pessoas e não do sistema”, afirmou Maggi, que estima que o país pode perder US$ 1,5 bilhão em exportação de carnes em 2017. Temos que lutar para manter a participação de 7% do Brasil no comércio mundial de alimentos e não mais aumentar para 10% como era nosso plano até 2020″, completou. Na audiência, Maggi reiterou que a atenção do governo está voltada à China e a Hong Kong, os dois maiores importadores de carnes. “Ainda não temos posição clara de quando eles vão retirar a suspensão”. Ele reforçou que vai continuar intensificando o contato com representantes dos países importadores deve telefonar hoje para o ministro da Agricultura da Rússia, também um importador relevante. “Mas será inevitável uma viagem internacional em breve para vários países”, declarou o ministro.
VALOR ECONÔMICO
Tentativas de compra abaixo da referência no mercado do boi gordo são comuns em todo o Brasil
Ainda são muitos os frigoríficos fora das compras aguardando uma melhor colocação do mercado e o que mais se vê são especulações.
Em todo o Brasil são observadas ofertas de compra até R$5,00 a menos por arroba, entretanto nesse patamar os negócios não acontecem. Em São Paulo, o cenário é semelhante ao restante do país. Algumas empresas permanecem fora das compras e outras ofertam até R$138,00 na arroba do macho terminado, mas sem negócios efetivados. De maneira geral existe pressão de baixa, mas atenção às decisões nesse momento. No mercado atacadista de carne com osso os preços ficaram estáveis. O boi casado de animais castrados ficou cotado em R$9,64/kg. Mesmo diante da operação as vendas não foram afetadas, o que permitiu manter o preço do produto.
SCOT CONSULTORIA
Com Carne Fraca, governo antecipa modificações na defesa sanitária
A considerar as novas normas da Previdência que estão sendo propostas pelo governo, a legislação de inspeção federal das carnes do Brasil já pode pedir a aposentadoria
Na próxima quarta-feira (29), exatamente no aniversário de 65 anos do decreto 30.691, de 29 de março de 1952, assinado pelo presidente Getúlio Vargas, o governo deverá alterar o Riispoa (Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal). O decreto define as regras da inspeção industrial e sanitária de alimentos no país. O governo vai anunciar uma série de medidas que visam a aprimorar o sistema de inspeção. Entre elas estão as que buscam desburocratizar o setor, com a eliminação de carimbos a outros procedimentos. Além disso, a fiscalização deve apertar o cerco na questão de desvios da função de fiscais sanitários.
FOLHA DE SP
Deputados protocolam requerimento para criar CPI da Carne
Para que seja instalada, a CPI da Carne terá que aguardar o despacho do presidente da Casa, Rodrigo Maia
Deputados da oposição protocolaram na noite de quarta-feira (22) na Mesa da Câmara dos Deputados requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar irregularidades na fiscalização fitossanitária, a chamada CPI da Carne. O objetivo é apurar crimes apontados na Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, deflagrada na última sexta-feira (17). O pedido foi protocolado pelos deputados Ivan Valente (PSOL-SP), Júlio Delgado (PSB-MG) e Carlos Zaratini (PT-SP). Os parlamentares conseguiram mais do que as 171 assinaturas necessárias para a criação da comissão. De acordo com o requerimento, entre as irregularidades que deverão ser apuradas pela CPI estão a “reembalagem de produtos vencidos, excesso de água, venda de carne imprópria para o consumo humano e uso de produtos cancerígenos em doses altas para ocultar as características que impediriam o consumo”. O colegiado também vai analisar a extensão dos impactos econômicos da operação e o possível envolvimento de agentes públicos no esquema. De acordo com o líder do PT, Carlos Zaratini, a CPI vai ajudar a apurar os fatos de forma complementar ao trabalho que tem sido desenvolvido pela PF. Atualmente, estão em funcionamento na Câmara duas CPI’s e o regimento da Casa determina que poderão funcionar simultaneamente até cinco comissões com esta finalidade. Para que seja instalada, a CPI da Carne terá que aguardar o despacho do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ) a respeito de outros requerimentos de abertura de CPI’s que estão na fila. No entanto, a comissão poderá ser instalada se for aprovado pelo plenário um projeto de resolução para a sua criação.
AGENCIA BRASIL
Ministro da Agricultura diz que PF investiga conduta de fiscais e não qualidade da carne
O Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, voltou a garantir nesta quinta-feira a qualidade da carne brasileira, afirmando que houve exageros na comunicação feita pela Polícia Federal sobre as investigações da operação Carne Fraca
“A questão sanitária não está em jogo”, afirmou o Ministro em teleconferência com jornalistas estrangeiros, classificando como um “absurdo” algumas das informações na apresentação das investigações da Carne Fraca na última sexta-feira. Ele citou, por exemplo, o relato pela PF de que alguns produtos autorizados pelo Brasil poderiam até causar câncer. “A forma da comunicação criou todo esse problema que estamos vivendo hoje”. Em operação lançada na última sexta-feira, a PF mobilizou agentes para desarticular uma organização criminosa envolvendo fiscais agropecuários e dezenas de empresas, com as investigações apontando fraudes na fiscalização sanitária. Desde então, importantes mercados consumidores de carne brasileira decidiram suspender a importação de produtos, incluindo China e Hong Kong. Questionado sobre a Rússia não ter anunciado nenhum embargo, o ministro afirmou que tal comportamento é o que o Brasil espera de outros países também, destacando que esses importadores realizam suas próprias inspeções sobre a qualidade dos produtos. Maggi disse que há cerca de cinco mil contêineres com carne em navios em direção a mercados no exterior. Segundo eles, aqueles que tiverem produtos de alguma das 21 plantas sob investigação na operação da PF serão devolvidos ao Brasil. Mas ressaltou que a “imensa maioria” não era dessas unidades. O governo espera normalizar o quanto antes as exportações de carnes do Brasil, a fim de reduzir os efeitos sobre a cadeia de produção do setor, que é bastante longa, ressaltou. Maggi disse ter certeza absoluta de que os produtos brasileiros na cadeia de consumo não foram contaminados e reiterou diversas vezes na teleconferência que se trata de uma investigação sobre a conduta de pessoas, de 33 servidores em um universo de mais de 2 mil fiscais sanitários. Segundo ele, o governo irá tomar todas as medidas necessárias contra aqueles que infringiram as regras, independentemente de quem for. O ministro afirmou que a fiscalização, o controle e a garantia dos produtos são áreas em que o país segue progredindo e que, em 29 de março, vai lançar um novo regulamento de inspeção animal. “Nosso regulamento é de 65 anos atrás. Estamos atualizando, trazendo para esse momento coisas mais modernas”. Ele também disse que novas regras e inovações serão adicionadas nos próximos anos. Em relação às investigações, Maggi disse que o ministério deve produzir relatórios toda segunda-feira sobre as plantas investigadas para divulgar se foi encontrada alguma irregularidade. “Não teremos outra chance de nos explicar se não o fizermos de forma absolutamente transparente nessa investigação”.
REUTERS
Cepea: Pecuária vive momento delicado e negociações travam
Nos últimos dias, a pecuária brasileira, setor responsável por 7% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional e que, “dentro da porteira”, emprega mais de 3 milhões de pessoas, vem atravessando momento bastante delicado
Embora a operação Carne Fraca, da Polícia Federal, tenha como principal foco a investigação de indústrias de embutidos, o mercado bovino foi fortemente afetado, desde o frigorífico até o produtor. De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), na sexta-feira, 17, dia em que a Operação foi divulgada, o ritmo de negócios esteve significativamente lento. Assustados e preocupados com as possíveis repercussões, muitos representantes de frigoríficos consultados pelo Cepea suspenderam as compras ou pressionaram com força os valores na aquisição de novos lotes. Vendedores, por sua vez, só aceitaram negociar com pagamentos à vista, quando, em situações normais, muitos comercializam seus animais com prazos. No entanto, nestes negócios à vista, frigoríficos pagaram valores inferiores, com deságios. Muitos colaboradores indicam que negócios foram postergados para a primeira semana de abril. No início desta semana, diante da confirmação de embargos nas importações por parte de importantes compradores da carne bovina nacional, o mercado ficou travado, sem negócios. Com 23 anos de pesquisa diária e ininterrupta, a equipe de coleta de preços de Pecuária do Cepea nunca vivenciou um mercado como o dessa terça-feira, 21. Em muitas praças, não houve relatos de negócios nem de preços “abertos” para comercialização de novos lotes. O setor ficou em compasso de espera. Alguns poucos negócios e o abate foram resultados de contratos já fechados anteriormente.
Fonte: Cepea
USDA se pronuncia sobre Carne Fraca
Indicado por Trump para comandar o Departamento de Agricultura dos EUA tem posição equilibrada sobre o assunto
Suspender a importação de toda a carne produzida no Brasil em resposta à Operação Carne Fraca pode ser um exagero, disse nesta quinta-feira, 23, Sonny Perdue, nomeado pelo Presidente americano, Donald Trump, para comandar o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). A agência já intensificou a fiscalização da carne brasileira após o escândalo, mas Perdue observou que, “se começarmos com embargos, haverá retaliação aos nossos produtos lá e também ao redor do mundo”. Perdue fez o comentário durante audiência de confirmação na Comissão de Agricultura do Senado dos EUA. Na quarta-feira, a senadora democrata Debbie Stabenow, de Michigan, pediu que o serviço de segurança alimentar do USDA revele se já identificou carne adulterada do Brasil e preste esclarecimentos sobre o protocolo para importação do produto brasileiro. Os primeiros embarques de carne bovina in natura do Brasil para os EUA ocorreram em outubro do ano passado. “Estou preocupada com a segurança de produtos alimentares que estão entrando no país vindos do Brasil, e possivelmente colocando cidadãos americanos em risco”, disse a senadora.
ESTADÃO CONTEÚDO
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