
Ano 11 | nº 2832 | 05 novembro de 2026
NOTÍCIAS
A cotação da novilha gorda subiu em São Paulo
Com oferta restrita, a cotação da novilha subiu R$7,00/@, enquanto o boi gordo e a vaca permaneceram estáveis. Após a cotação do boi gordo ter subido no dia anterior (3/11), o mercado iniciou o dia com cotações estáveis para essa categoria e para a vaca gorda.
Pelos números da Scot, em São Paulo, o boi gordo sem padrão-exportação vale R$ 387/@, enquanto o “boi-China” está cotado em R$ 390/@ (valores brutos, no prazo). A oferta de boiadas estava controlada e a demanda firme, sustentando os preços nos patamares vigentes. Ainda assim, a indústria mantinha uma postura cautelosa nas compras, com escalas de abate atendendo, em média, a uma semana. Do lado vendedor, as cotações haviam estimulado negócios, proporcionando uma melhora pontual na oferta. A cotação da novilha subiu R$7,00/@ na comparação feita dia a dia. A oferta mais enxuta em relação às outras categorias explica esse aumento. Além disso, na comparação feita semana a semana, a cotação da carcaça da novilha casada subiu e estava negociada nas mesmas referências da carcaça do boi casado inteiro, o que deu margem para a indústria pagar mais pela categoria. Já havia relatos de negócios fechados em referências próximas às dos machos. O “boi China” ficou estável. Ágio de R$3,00/@. Para o boi gordo, negócios acima das referências foram relatados, mas sem volume suficiente para se tornarem referência de mercado. Negócios abaixo das referências também ocorriam, mas em função do cumprimento de contratos e parcerias. As escalas atendiam, em média, a uma semana. Após as altas registradas no dia anterior (3/11) nas regiões de Marabá e Redenção, o mercado abriu com preços estáveis, porém firmes, sustentados pela oferta enxuta e pela demanda consistente. Na região de Paragominas, o mercado abriu com alta de R$5,00/@ para o boi gordo, R$5,00/@ para a vaca gorda e R$2,00/@ para a novilha, com altas também sustentadas pela oferta enxuta e pela demanda firme. O “boi China” ficou estável nas três praças, com ágio de R$3,00/@ em Marabá e Redenção e sem ágio em Paragominas. Todos os preços são brutos e com prazo. As escalas atendiam, em média, a uma semana.
SCOT CONSULTORIA
Preços do boi gordo: movimento de alta perde intensidade
No entanto, escalas de abate permanecem entre cinco e seis dias úteis, preservando o potencial para novos reajustes no curto prazo
O mercado físico do boi gordo permanece com preços firmes. No entanto, o movimento de alta perdeu parte da intensidade, com indicação de melhora no volume de negócios. De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a maior fluidez das negociações favorece o atendimento das necessidades imediatas dos frigoríficos, sem afastar a restrição de oferta de animais terminados. “As escalas de abate permanecem, em geral, entre cinco e seis dias úteis, preservando o potencial para novos reajustes no curto prazo, embora com menor urgência nas compras.” Conforme Iglesias, os agentes seguem atentos ao comportamento da China no mercado internacional e ao ritmo de retomada das aquisições. “A gestão da cota chinesa permanece como possível limitador de movimentos mais agressivos, ao distribuir os volumes e reduzir a concentração dos embarques”, contextualiza. O analista pontua que no mercado doméstico, a entrada dos salários, o 13º salário e as festividades do último bimestre oferecem suporte sazonal ao consumo. “A menor competitividade da carne bovina diante do frango e dos cortes suínos, contudo, continua limitando o espaço para repasses mais intensos.” Preços médios da arroba do boi: São Paulo: R$ 392,78 — ontem: R$ 391,75. Goiás: R$ 377,14 — ontem: R$ 376,25. Minas Gerais: R$ 385,18 — ontem: R$ 385,29. Mato Grosso do Sul: R$ 382,84 — ontem: R$ 382,61. Mato Grosso: R$ 368,18 — ontem: R$ 367,64. O mercado atacadista de carne bovina apresentou preços sustentados na quarta-feira.
Quarto dianteiro: R$ 22,50 por quilo. Quarto traseiro: R$ 29,50 por quilo. Ponta de agulha: R$ 21,00 por quilo. Segundo Iglesias, a expectativa de entrada dos salários na economia durante a primeira quinzena de novembro tende a favorecer a reposição entre atacado e varejo, oferecendo suporte às negociações no curto prazo. “Ainda assim, a maior competitividade da carne de frango e dos cortes suínos continua limitando o espaço para reajustes mais intensos.”
SAFRAS NEWS
Boi gordo bate recordes de alta com oferta limitada e dólar forte
Preço da carne também já sobe, o que pode se refletir nos índices de inflação no Brasil. Oferta restrita, dólar forte e demanda aquecida explicam a alta dos preços do boi.
Fazer um churrasco está mais caro do que há um ano. E não há, no horizonte, sinais de que isso mudará tão cedo. Em (03/11), o indicador do boi gordo do Cepea, centro de estudos ligado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), bateu novo recorde, e alcançou R$ 390 por arroba. Na terça passada (27/10), o indicador já tinha superado o recorde real (deflacionado) mantido por quase seis anos, desde 11 de novembro de 2020, de R$ 385,26, segundo o Cepea. Oferta restrita, dólar forte e demanda aquecida explicam a alta dos preços do boi — e da carne —, um movimento com potencial impacto inflacionário no Brasil, sem previsão de término. A menor disponibilidade de animais para abate, resultado do ciclo de baixa da pecuária, é um dos principais motivos para a alta. Após anos enviando vacas para abate, o que reduziu a oferta de bezerros, pecuaristas estão mantendo as fêmeas para reprodução, estimulados pelos preços pagos. Com isso, caiu o número de animais abatidos e a produção de carne, o que eleva a demanda pelo boi e o preço do animal. Segundo boletim da Agrifatto, os abates em frigoríficos com registro no Ministério da Agricultura de janeiro a setembro somaram 21 milhões de cabeças, 7,5% abaixo do mesmo período de 2025. A recente escalada do dólar no Brasil, após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições, foi outro impulso para os preços, segundo a CEO da consultoria Agrifatto, Lygia Pimentel. “A indústria, ao exportar, recebe mais em real, e a nossa carne fica mais barata para o importador”, disse Pimentel ao Valor. A receita adicional para o frigorífico exportador pode se transformar em repasse maior ao pecuarista, acrescentou o analista da Scot Consultoria, Pedro Gonçalves, em boletim. “Esse é um dos fatores que ajuda a explicar, um pouco, o fechamento [recente] da B3 nos R$ 400,00 por arroba”, disse. À oferta limitada e ao câmbio, se soma o retorno da demanda chinesa. Após o preenchimento, no meio do ano, da cota de 1,1 milhão de toneladas estabelecida pela China para o Brasil, sem tarifas adicionais, frigoríficos voltaram a comprar bovinos para produzir carne para os chineses, segundo Pimentel. O objetivo é embarcar o produto a partir da segunda quinzena de novembro para atender a cota de carne bovina de 2027, já que a viagem do Brasil até os portos chineses leva cerca de 40 dias. Nesse cenário, os cortes de carne bovina já sobem no mercado doméstico, destino de mais de 60% da produção nacional. Na última semana, a média dos preços dos cortes vendidos no varejo aumentou em diversas praças, de 0,3% em Goiás a 1,2% no Rio de Janeiro, segundo levantamento da Scot Consultoria. O preço médio do acém no varejo paulista, em outubro, ficou 20,7% acima de um ano antes; já da picanha caiu até 7,9%. Analistas avaliam, no entanto, que consumidores estão com dificuldades para absorver as altas. “O atacado e o varejo têm reagido, mas não na mesma proporção do movimento [de alta] do boi, então as margens da indústria e do varejo estão apertando. O consumidor já não tem tantas condições para absorver novos reajustes, os preços estão proibitivos”, disse o analista da Safras & Mercados, Fernando Iglesias. O fundador e CEO da Scot Consultoria, Alcides Torres, disse não ter observado ainda retração do consumo no varejo. “Tanto é que o preço da carne está firme. A proibição das bets é bem-vinda, vai sobrar mais dinheiro para o consumo de alimentos”, afirmou. Para os analistas, há espaços para novas altas do boi e potenciais reflexos nos preços da carne. No curto prazo, há um sazonal incremento do consumo de consumo no Brasil, com o pagamento do 13 salário e a criação de empregos temporários. “Novos pontos de máxima devem ser alcançados”, disse Iglesias. “[O preço] vai dar uma barrigada em janeiro, como sempre acontece, em função das férias, mas depois volta a subir de novo”, afirmou Torres. A demanda por carne bovina dos Estados Unidos, que enfrenta há anos uma forte escassez de gado para abate, é outro fator que deve manter os preços firmes no Brasil. No fim de agosto, o presidente americano, Donald Trump, anunciou uma cota de até 300 mil toneladas de carne bovina para produção de carne moída, isenta de tarifas, pelo período de três meses. À medida que beneficia o Brasil e outros países fornecedores visa reduzir os preços domésticos nos EUA. “As cotas adicionais vão ajudar [a diminuir a pressão de alta nos EUA], mas a necessidade de importação dos Estados Unidos é muito grande, vão continuar comprando grandes quantidades”, afirmou Iglesias. Ao longo de 2027, o cenário de alta tampouco muda, tendo em vista a contínua redução do número de fêmeas enviadas para os frigoríficos e dos abates totais, na avaliação dos analistas. “A expectativa do mercado é de cotação da arroba firme ao longo do ano que vem”, disse Torres, da Scot.
VALOR ECONÔMICO
Boi brasileiro vale US$ 71,10/@ no exterior, o menor preço entre os países exportadores
Os EUA têm o boi gordo mais caro atualmente – com valor médio de US$ 116,40/@ –, segundos dados levantados pela Agrifatto
Na 5ª semana de outubro/25, o preço do boi gordo brasileiro atingiu US$ 71,10/@ no mercado internacional, o menor preço entre 10 países que se destacam no mercado global da carne bovina, informa relatório da Agrifatto divulgado nesta quarta-feira (4/11). No acumulado de 2026, a arroba nacional está cotada em US$ 68,64/@, em média, valor 15% abaixo da média ponderada global, de US$ 80,89/@, compara a consultoria. No período acumulado de 12 meses, o Paraguai assumiu a liderança de alta da arroba, com acréscimo de 30,9%, para US$ 84,50/@, seguido por Colômbia (+26,3%), Uruguai (+20,8%) e Austrália (+19,7%). Os EUA, de acordo com os dados levantados pela Agrifatto, têm o boi gordo mais caro atualmente – com valor médio de US$ 116,40/@.
PORTAL DBO
ECONOMIA
BC mantém Selic em 13,75% ao ano e interrompe sequência de cinco cortes
O Comitê afirmou que o cenário econômico demanda “serenidade e cautela” na condução da política monetária
O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, na quarta-feira (4), manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano. A diretoria colegiada interrompeu uma sequência de cinco cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual na Selic, flexibilização monetária que se iniciou em março deste ano, quando a taxa era de 15% ao ano. O Comitê afirmou que o cenário econômico demanda “serenidade e cautela” na condução da política monetária e que acompanhará a evolução desse quadro “para manter a restrição adequada de forma a assegurar a convergência da inflação à meta”. “O contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução”, disse no comunicado referente à reunião. O Comitê ainda afirmou que seguirá acompanhando a evolução do cenário, para manter a restrição adequada “de forma a assegurar a convergência da inflação à meta.” O colegiado disse ainda que segue acompanhando como o desenvolvimento da política fiscal doméstica afeta a política monetária e os ativos financeiros. Segundo o Comitê, os indicadores correntes de atividade mantêm-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. O comitê disse ainda que monitora com atenção a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo da desinflação. O Copom manteve inalterado o balanço de riscos para a inflação em relação ao encontro anterior, de setembro. Os riscos permanecem mais elevados que o usual, tanto de alta quanto de baixa, com assimetria altista. Porém, fez alterações textuais para enfatizar que o cenário internacional tem “condições financeiras mais restritivas”. O colegiado seguiu elencando quatro itens que podem provocar pressões na inflação e três que têm impacto de frear a alta de preços. O primeiro risco citado pelo Copom é uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado. Segundo o comunicado, há preocupação com os impactos potenciais de segunda ordem dos choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e os custos de energia. O segundo item de preocupação é uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do “produto positivo”. No comunicado anterior, de setembro, a diretoria colegiada havia escrito “produto mais positivo” neste risco. Outro risco é uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada. Por último, a diretoria colegiada também avalia como riscos para a inflação mais alta os estímulos à demanda agregada, em especial ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial. Dentro deste item, a consequência é o enfraquecimento de parte dos canais usuais de transmissão da política monetária. Por outro lado, o comitê listou três riscos de baixa da inflação. O primeiro é uma desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada. No comunicado anterior, de setembro, a diretoria colegiada ainda tratava como “eventual desaceleração”. O segundo é uma desaceleração mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, “e de condições financeiras mais restritivas, em um cenário de maior incerteza”, incluído no último comunicado. Por último, o comunicado cita uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários. O Copom informou que o ambiente externo se tornou mais adverso em função do prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio. De acordo com a diretoria colegiada, a guerra tem impactos altistas sobre o preço do petróleo e derivados. No comunicado em que informou a manutenção da taxa básica de juros para 13,75% ao ano, o comitê afirmou que a política monetária mais restritiva nas economias avançadas também contribuiu para o ambiente externo mais adverso. O Copom realiza a próxima reunião nos dias 8 e 9 de novembro.
VALOR ECONÔMICO
Dólar à vista fecha em queda contra o real após vitória democrata nos EUA
O dólar encerrou a quarta-feira em queda no Brasil, na esteira do enfraquecimento do dólar no exterior após a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, com investidores domésticos também aguardando o anúncio da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
O dólar à vista encerrou o dia com queda de 0,64%, a R$5,4511. Às 17h30, o dólar futuro para dezembro caía 0,64% na B3, aos R$5,4830. A vitória esmagadora dos democratas, que assumiram o controle tanto do Senado quanto da Câmara dos Deputados dos EUA, foi bem recebida pelos mercados globais, na medida em que eliminou um foco de incerteza para os investidores. Agentes também enxergaram o resultado como um indicativo de maior previsibilidade nas ações do governo americano, já que o presidente Donald Trump não terá facilidade para passar medidas, reduzindo o risco de iniciativas que imponham mudanças bruscas. Isso levou a uma queda nos rendimentos dos Treasuries, movimento que se espalhou na renda fixa global, e um enfraquecimento do dólar. Às 17h30, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,20%, a 101,520. O rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento– caía 6 pontos-base, a 4,888%. O movimento favoreceu o real, que registrou ganhos, assim como seus pares emergentes como o peso chileno e o peso mexicano. Contudo, os ganhos do real foram limitados, com a moeda chegando a apagar a queda no início da tarde, com o cenário doméstico ganhando destaque. “De um lado, o alívio externo e o ajuste de posições após três altas seguidas sustentaram a moeda brasileira, mas, de outro, a falta de sinais sobre o ajuste das contas públicas e a indefinição sobre o comando da equipe econômica seguem pesando sobre o câmbio, assim como o forte recuo do petróleo, que tira parte do suporte a moedas de países exportadores de commodities”, disse Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad.
REUTERS
Ibovespa avança em dia de trégua com aval externo; Petrobras desaba
O Ibovespa fechou em alta na quarta-feira e interrompeu uma sequência de quedas desde a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em trégua apoiada pelo cenário externo, mas Petrobras recuou forte com o tombo do petróleo no exterior.
A temporada de balanços também ocupou as atenções no pregão, que terminou com investidores também na expectativa do desfecho da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,21%, a 167.525,80 pontos, de acordo com dados preliminares, após seis quedas seguidas, período em que acumulou um declínio de mais de 19%. Na máxima do dia, o índice chegou a 167.986,37 pontos. Na mínima, marcou 165.541,38 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$40,56 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Brasil abre 121.305 vagas formais de trabalho em setembro
O Brasil abriu 121.305 vagas formais de trabalho em setembro, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados na quarta-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
O resultado do mês passado foi fruto de 2.214.437 admissões e 2.093.132 desligamentos e ficou abaixo da expectativa de economistas apontada em pesquisa da Reuters de criação líquida de 170.852 vagas. O saldo de setembro foi o menor para a série do Novo Caged, que começa em 2020. Quando considerados os dados dos anos anteriores, que seguiam metodologia diferente, é o mais baixo desde 2017, quando houve abertura líquida de 49.283 vagas. Em setembro do ano passado houve abertura de 214.609 postos. No acumulado deste ano até setembro, foram abertas 1.248.914 vagas, o resultado mais baixo para o período desde 2020, marcado pela pandemia da Covid-19, quando houve fechamento de 775.557 postos. O dado do mercado de trabalho fará parte da análise do Banco Central, que decidirá mais tarde nesta quarta-feira o nível da taxa básica de juros no país. A autarquia tem afirmado que observa uma moderação da atividade econômica, parte do processo para arrefecimento da inflação, mas com um mercado de trabalho ainda aquecido, o que em geral tende a pressionar preços. Quatro dos cinco grupamentos de atividades econômicas registraram saldos positivos de vagas em setembro. O setor de serviços liderou a abertura de vagas, com 81.241 postos, seguido por indústria (19.285), comércio (15.697) e construção (9.468 postos). A agropecuária, por sua vez, registrou fechamento de 4.381 vagas formais. No total, o estoque de empregos com carteira assinada no Brasil somou 48.359.577 em setembro.
REUTERS
Brasil tem fluxo cambial positivo de US$18,151 bilhões em outubro, maior do ano
O Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$18,151 bilhões em outubro, período marcado pelos dois turnos das eleições presidenciais no país, no que foi a maior entrada mensal de recursos no ano, mostraram dados divulgados na quarta-feira pelo Banco Central.
Pelo canal financeiro, houve entrada líquida de US$8,812 bilhões em outubro. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de outubro foi positivo em US$9,339 bilhões. Os dados mais recentes do BC são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Na semana passada, de 26 a 30 de outubro, entraram no país US$9,498 bilhões líquidos. O período corresponde à semana imediatamente posterior ao segundo turno das eleições no Brasil, quando a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o candidato Flávio Bolsonaro (PL) surpreendeu os mercados domésticos, derrubando os ativos brasileiros.
REUTERS
INTERNACIONAL
Preço de exportação da carne bovina do Uruguai supera em 40% o valor da proteína brasileira
Carne in natura embarcada pelo Uruguai alcança cotação recorde de US$ 8.810/t em out/26, ante preço médio de US$ 6.284/t obtido pelo Brasil
Em outubro/26, o valor médio de exportação da carne bovina do Uruguai atingiu patamar recorde, atingindo US$ 8.810 por tonelada, destaca relatório da Agrifatto enviado aos seus assinantes. O desempenho do mês passado representou um avanço de quase 7% em comparação ao preço médio de setembro/26 e um aumento de 24,7% em relação ao valor computado em outubro de 2025, observa a consultoria. Segundo dados informados pela Agrifatto, a categoria de carne congelada do Uruguai atingiu preço médio de US$ 7.453/ tonelada, enquanto a carne refrigerada obteve valor médio de US$ 17.261/tonelada. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), nesta parcial de outubro/26 (acumulado de quatro semanas), o preço médio de exportação da carne bovina in natura brasileira ficou em 6.284/tonelada, ou seja, 40% abaixo do valor da carne uruguaia (US$ 8,810).
PORTAL DBO
Cruzamentos entre raças leiteiras e de corte já representam 26% dos bovinos que entram em confinamentos nos EUA
Os bovinos provenientes do cruzamento de vacas leiteiras com touros de raças de corte estão ganhando espaço na produção de carne bovina dos Estados Unidos. Em 2025, esses animais representaram aproximadamente 26% dos bovinos que ingressaram nos confinamentos americanos, praticamente o dobro da participação estimada em 2016, quando respondiam por 13%.
Os números foram apresentados pelo economista Charlie Martinez, diretor do King Ranch Institute for Ranch Management, durante um seminário da Universidade do Tennessee.
Segundo o levantamento, realizado por Martinez em parceria com o pesquisador Parker Wyatt, o número estimado de animais provenientes desses cruzamentos, conhecidos como beef-on-dairy, passou de 2,8 milhões de cabeças em 2016 para 5,4 milhões em 2025. O crescimento reflete a maior utilização de genética de corte em rebanhos leiteiros, impulsionada pela valorização dos bezerros, pela demanda dos confinamentos e pelos investimentos em sistemas especializados de recria e terminação. O cruzamento de vacas leiteiras com touros de corte não é uma prática recente nos Estados Unidos. Entretanto, sua participação na cadeia de carne bovina aumentou significativamente na última década. Segundo Martinez, durante o período de valorização do gado entre 2013 e 2015, o aumento dos preços dos bezerros estimulou produtores de leite a utilizar mais sêmen de raças de corte. O interesse diminuiu quando as cotações recuaram, mas voltou a ganhar força a partir de 2022, diante da menor oferta de bovinos e da valorização dos animais destinados à recria e terminação. O economista explica que, anteriormente, os bezerros de origem leiteira eram utilizados principalmente para complementar a oferta de animais quando o mercado de carne bovina enfrentava restrições. Agora, o segmento está se tornando uma atividade comercial mais estruturada, com empresas especializadas e investimentos direcionados a diferentes etapas da produção. “Deixou de ser apenas um mercado de substituição, de nicho, para se tornar um mercado mais desenvolvido, com elementos de sustentabilidade no longo prazo”, afirmou Martinez. O crescimento dos cruzamentos também está atraindo investimentos privados para a produção de carne bovina a partir de rebanhos leiteiros. Segundo Martinez, algumas empresas passaram a atuar em diferentes etapas da cadeia, desde a seleção de touros e comercialização de sêmen até a compra dos bezerros, recria, terminação e processamento dos animais. Esse modelo permite maior integração entre propriedades leiteiras, empresas especializadas na criação de bezerros e confinamentos. O economista destaca que os investidores estão dispostos a assumir os custos iniciais e manter a propriedade dos animais por períodos que podem chegar a 18 ou 20 meses até a comercialização. A expansão também contribuiu para o desenvolvimento de estruturas especializadas na criação e recria desses bezerros após sua saída das fazendas leiteiras. A valorização comercial dos animais é outro indicador da expansão desse mercado. Segundo Martinez, os bezerros provenientes de cruzamentos entre raças leiteiras e de corte eram comercializados por aproximadamente US$ 50 a US$ 75 por cabeça em 2021 e 2022, antes de algumas categorias alcançarem valores de US$ 600 a US$ 700. O levantamento também identificou uma mudança no comportamento dos preços: desde 2024, as fêmeas cruzadas passaram a alcançar valores superiores aos dos machos em alguns mercados de leilões analisados. Segundo o economista, as razões para essa diferença ainda não estão completamente esclarecidas. Uma das possibilidades é que os compradores estejam considerando os custos e os riscos associados à castração e ao desenvolvimento dos machos, mas essa hipótese ainda precisa ser investigada. Apesar da expansão, os pesquisadores identificaram dificuldades para acompanhar com precisão a participação dos animais cruzados no mercado americano. Atualmente, os sistemas de informação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) distinguem bovinos de raças leiteiras puras dos animais de corte, mas não apresentam uma categoria específica para os cruzamentos entre raças leiteiras e de corte. Na prática, os animais beef-on-dairy são contabilizados juntamente com os bovinos tradicionais de corte. Essa ausência de identificação dificulta o acompanhamento dos volumes comercializados, pesos, preços e características das carcaças ao longo da cadeia produtiva. Para estimar o tamanho do segmento, Martinez e Wyatt utilizaram dados de inventário bovino, movimentação de animais nos confinamentos e comercialização de bovinos terminados, publicados pelo USDA.
DROVERS
SUÍNOS & FRANGOS
Suíno valoriza quase 25% em outubro no Paraná, mas recuperação das margens ainda é incerta
Preços reagem após custos superarem remuneração em setembro; alimentação continua sendo principal despesa e cotações perderam força no fim do mês
Os preços do suíno vivo apresentaram recuperação expressiva no Paraná durante outubro, depois de um período marcado pela queda na remuneração dos produtores e pelo aumento dos custos de produção. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), o indicador médio estadual passou de R$ 4,66 por quilo em setembro para R$ 5,82 em outubro, valorização de 24,89% entre os dois meses. A reação representa uma mudança importante em relação ao cenário identificado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, no levantamento referente a setembro. Naquele mês, o custo de referência da produção chegou a R$ 6,13 por quilo, enquanto o preço médio recebido pelo produtor na série utilizada pelo órgão ficou em R$ 5,17. A diferença de R$ 0,96 por quilo indicava uma remuneração 15,66% inferior ao custo calculado. Os levantamentos do Deral e do Cepea utilizam referências distintas de preços, de modo que seus valores não devem ser comparados diretamente para calcular a rentabilidade. Ainda assim, a evolução mensal do indicador do Cepea confirma uma valorização relevante do suíno vivo em outubro, em contraste com a deterioração econômica observada anteriormente. O encarecimento da alimentação foi um dos principais fatores de pressão sobre a atividade. Segundo o Deral, a nutrição animal representou 71,45% do custo total de produção em setembro, com desembolso estimado em R$ 4,38 por quilo de suíno vivo. Esse valor superou em 10,61% o registrado no mesmo mês de 2025. Na comparação com agosto, o custo total de produção avançou 2,85%, passando de R$ 5,96 para R$ 6,13 por quilo. Em relação a setembro do ano anterior, o aumento foi de 6,24%. O comportamento dos custos, combinado com a queda dos preços recebidos naquele período, contribuiu para estreitar as margens de referência da atividade. A melhora do mercado também foi identificada pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), que destacou, em análise divulgada em 22 de outubro, a recuperação das cotações do animal vivo e da carne suína depois das quedas registradas ao longo do ano. Segundo a entidade, a valorização do suíno, acompanhada pela redução dos preços do milho e pela estabilização do farelo de soja, favoreceu a relação de troca com os principais ingredientes utilizados na alimentação dos animais. A avaliação considera indicadores de mercado e uma composição de insumos calculada a partir de referências de preços de São Paulo. O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, avaliou naquele momento que as condições de mercado já permitiam a recuperação de margens positivas em determinados sistemas de produção. O resultado, entretanto, não pode ser generalizado para todas as propriedades ou regiões produtoras. No Paraná, os dados do Cepea mostram que a valorização perdeu força nos últimos dias de outubro. O indicador estadual alcançou R$ 6,02 por quilo em 23 de outubro, mas recuou para R$ 5,80 no dia 30, queda de 3,65% no intervalo. Apesar da acomodação no encerramento do mês, a média de outubro permaneceu significativamente acima da registrada em setembro. A recuperação da remuneração oferece uma perspectiva mais favorável para a atividade, mas ainda não é possível confirmar seu efeito sobre a rentabilidade sem os custos consolidados de outubro.
NOTÍCIAS AGRÍCOLAS
Frango amplia distância para a carne bovina e relação de preços atinge maior nível desde setembro
Em 29 de outubro, um quilo de carcaça bovina equivalia a 3,17 quilos de frango resfriado no atacado paulista; alta da carne bovina e recuo da ave aumentam a atenção sobre a disputa pelo consumidor.
A diferença entre os preços da carne bovina e do frango voltou a crescer no atacado paulista, segundo o Cepea. Em 19 de outubro, antes de o mercado absorver as informações sobre os focos da doença de Newcastle em Santa Catarina, a relação estava em 3,05 quilos de frango por quilo de carcaça bovina. A carcaça casada bovina, referência para o atacado da Grande São Paulo, chegou a R$ 26,19 por quilo em 29 de outubro, recorde nominal apontado no levantamento. Em 19 de outubro, estava em R$ 25,95, uma alta de 0,9%. No mesmo intervalo, o frango resfriado passou de R$ 8,51 para R$ 8,26 por quilo, queda de 2,9%. Com isso, a relação entre os preços aumentou 4%. O indicador compara preços de produtos no atacado. Na comparação com 29 de outubro de 2025, o quilo da carcaça bovina subiu 19%, enquanto o frango avançou 2,2%. Há um ano, a relação era de 2,72 quilos de frango para cada quilo de carcaça bovina; agora, chegou a 3,17 quilos. A relação também está acima da média de 2,68 quilos desde 2016. Na parcial de outubro, até o dia 29, a média foi de 3,06 quilos, ante 3,04 quilos em setembro. Segundo o estudo, outubro caminhava para ser o 12º mês consecutivo com a relação acima da média histórica. Em 30 de outubro, o indicador Cepea estava em R$ 389,90 por arroba, com alta de 7% no acumulado do mês. A comparação acontece em um momento de atenção para o setor avícola com um quarto foco da doença de Newcastle em Santa Catarina. Em 30 de outubro, o México passou a restringir as compras de frango apenas de Santa Catarina, assim como China, Chile e Arábia Saudita. A preocupação é que restrições comerciais reduzam o ritmo das exportações e direcionem mais produto ao mercado interno e o frango poderá enfrentar pressão adicional nos preços.
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