CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2812 DE 06 DE OUTUBRO DE 2026

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Ano 11 | nº 2812 | 06 de outubro de 2026

 

NOTÍCIAS

Boi gordo: cotações subiram para todas as categorias

Mercado de carne bovina ganha força

O mercado do boi gordo começou a semana com preços firmes e em alta em São Paulo, segundo dados divulgados pela análise do informativo “Tem Boi na Linha” da segunda-feira (5). A valorização é atribuída à menor oferta de bovinos e à melhora no escoamento da carne bovina no mercado doméstico. Apesar da tendência de poucos negócios no início da semana, a cotação do boi gordo subiu R$ 5,00 por arroba (@) em São Paulo. A vaca avançou R$ 3,00/@, enquanto novilha e “boi China” tiveram alta de R$ 2,00/@. As escalas de abate estavam atendendo, em média, a uma semana. Segundo dados divulgados pela análise do informativo “Tem Boi na Linha”, o movimento de alta também alcançou outras categorias de bovinos no mercado paulista. A combinação entre menor oferta de animais e melhora no escoamento da carne no mercado interno sustentou as cotações na abertura da semana. No Rio de Janeiro, o boi gordo subiu R$ 2,00/@ e a vaca teve valorização de R$ 3,00/@. Já a cotação da novilha permaneceu estável. As vendas no varejo apresentaram melhora na última semana em relação às semanas anteriores. No atacado de carne bovina com osso, o movimento acompanhou esse avanço. Segundo dados divulgados pela análise do informativo “Tem Boi na Linha”, a melhora nas vendas, somada à alta da arroba do boi gordo, sustentou os preços das carcaças. Com isso, todas as carcaças casadas tiveram valorização. A cotação da carcaça casada do boi capão, do boi inteiro e da novilha subiu 2,1%, ou R$ 0,50 por quilo. A carcaça casada da vaca avançou 2,2%, também equivalente a R$ 0,50/kg. A carcaça casada do boi capão atingiu a maior cotação desde a penúltima semana de abril de 2026. As demais carcaças casadas chegaram ao maior patamar registrado na série histórica. A expectativa é de que o recebimento dos salários contribua para uma melhora nas vendas tanto no varejo quanto no atacado. Segundo dados divulgados pela análise do informativo “Tem Boi na Linha”, esse movimento pode ajudar a sustentar os preços da carne bovina nos próximos dias. No mercado de proteínas alternativas, o frango médio também apresentou valorização. A cotação subiu 1,8%, equivalente a R$ 0,13/kg. Já a cotação do suíno especial subiu 3,3%, ou R$ 0,30/kg.

SCOT CONSULTORIA

Boi gordo: Frigoríficos seguem ativos nas compras e favoráveis a reajustes de preços

O mercado físico do boi gordo abriu a semana mantendo trajetória de alta, sustentado pela oferta restrita de animais e pelo posicionamento desconfortável das escalas de abate, que permanecem concentradas entre cinco e sete dias úteis.

Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a necessidade de recomposição das programações mantém os frigoríficos ativos nas compras e favorece novos reajustes. “As indústrias de maior porte também passaram a elevar suas indicações, embora ainda exista uma importante dispersão entre os valores praticados pelas diferentes unidades. Nesse ambiente, a perspectiva permanece favorável à valorização da arroba no curto prazo”, ressalta. Preços médios da arroba do boi São Paulo: R$ 366,42 Goiás: R$ 353,57 Minas Gerais: R$ 360,29 Mato Grosso do Sul: R$ 358,30 Mato Grosso: R$ 341,62. O mercado atacadista de carne bovina iniciou a semana com preços inalterados. Segundo Iglesias, a entrada dos salários na economia pode favorecer a reposição entre o atacado e o varejo nos próximos dias. “No entanto, o potencial de valorização permanece limitado pela maior competitividade das proteínas concorrentes. A carne de frango, os cortes suínos e os ovos continuam oferecendo alternativas mais acessíveis ao consumidor”, assinalou. Quarto dianteiro: R$ 22,00 por quilo. Quarto traseiro: R$ 28,00 por quilo. Ponta de agulha: R$ 20,50 por quilo.

SAFRAS NEWS

ECONOMIA

Dólar tem maior queda diária em 8 anos após resultado do 1º turno das eleições

No mercado futuro, chamou atenção dos agentes financeiros o giro elevado do dia, com a negociação total dos contratos futuros mais líquidos (com vencimento em novembro) chegando quase no dobro da mediana dos últimos três anos, de US$ 38 bilhões negociados

O dólar à vista exibiu intensa desvalorização frente ao real na segunda-feira, na maior queda diária da moeda americana no Brasil desde junho de 2018. O movimento se deu no primeiro dia de negociação do mercado depois do primeiro turno da eleição presidencial. Ainda que sem nenhum projeto fiscal apresentado pelo eventual governo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) – favorito a vencer a disputa no segundo turno – os agentes seguiram otimistas com as chances de mudança na condução da política fiscal, em especial pelo fato de o PL ter se fortalecido no Congresso. Isso, em tese, facilitaria a aprovação de medidas e reformas em um eventual governo bolsonarista. No mercado futuro, chamou atenção dos agentes financeiros o giro elevado do dia, com a negociação total dos contratos mais líquidos (com vencimento em novembro) chegando quase no dobro da mediana dos últimos três anos, de US$ 38 bilhões negociados. Até as 17h25, haviam sido negociados US$ 73 bilhões, mas o mercado futuro segue aberto até 18h30. No fim do pregão do mercado à vista, o dólar registrou queda de 4,12%, cotado a R$ 5,0010. Essa foi a maior queda diária desde 8 de junho de 2018, quando o Banco Central anunciou uma injeção de liquidez no mercado. Diante disso, hoje o dólar voltou a testar níveis próximos das mínimas do ano, tendo encostado em R$ 4,9530 na parte da manhã. Com essa dinâmica de hoje, o real tornou-se, de longe, a moeda mais valorizada do dia entre as 33 mais líquidas. Para se ter como referência, o segundo melhor desempenho veio do peso chileno, com a moeda americana caindo 0,65% ante a divisa do Chile. Perto das 17h25, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, apreciava 0,22%, aos 102,157 pontos.

VALOR ECONÔMICO

Ibovespa encerra acima dos 206 mil pontos pela 1ª vez na história

Volume financeiro negociado pela principal referência acionária local também surpreendeu e chegou a R$ 79,3 bilhões — no maior valor desde o começo da série acompanhada pelo VALOR DATA, que teve início em outubro de 2000

O favoritismo de Flávio Bolsonaro (PL) para vencer o segundo turno da eleição presidencial provocou uma reação expressiva nos ativos domésticos na segunda-feira. Na máxima do pregão, o índice chegou a tocar os 209.606 pontos, renovando o recorde intradiário, com agentes financeiros vendo a probabilidade de uma vitória do candidato bolsonarista. Durante a tarde, o índice perdeu um pouco de força, mas ainda assim conseguiu fechar acima dos 206 mil pontos pela 1ª vez na história. No fim, o Ibovespa avançou 7,70%, aos 206.912 pontos, distante dos 192.138 pontos vistos na mínima intradiária. Já o giro financeiro na bateu R$ 102,7 bilhões. Entre as blue chips, bancos foram destaque de alta, especialmente as units do BTG Pactual, que subiram 22,52%. O dia também foi positivo para papéis de estatais: as PN da Petrobras ganharam 8,19%, ao passo que as ON do Banco do Brasil exibiram alta de 11,00%. Apenas sete ações terminaram em queda no pregão. Dentre elas a Vale, que perdeu 0,97%, em um dia negativo para papéis de exportadoras diante da forte queda do dólar frente ao real. O movimento de hoje reflete a performance de Flávio no primeiro turno, que alcançou 47,03% dos votos contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma vantagem de 2.224.965 votos. A força da direita no Congresso também chamou atenção, uma vez que o PL elegeu 19 senadores e terá 28 representantes, a maior bancada da Casa. A composição tende a favorecer a aprovação de reformas fiscais, o que impulsiona o otimismo dos investidores. A disparada da bolsa após o primeiro turno pode ser explicada por uma combinação de fatores, na avaliação do chefe da mesa de ações e derivativos do BTG Pactual, Jerson Zanlorenzi. Além da surpresa com a vantagem de Flávio Bolsonaro e da vitória da direita em alguns Estados, a baixa exposição dos investidores à renda variável contribuiu para a forte alta do índice, acompanhada de um volume financeiro recorde. “São praticamente cinco anos de mercado bastante deprimido, de baixíssimo posicionamento de clientes e resgate da indústria de fundos. O técnico estava muito leve”, destaca Zanlorenzi. “Nos últimos anos, nós procurávamos os clientes, mas hoje os clientes nos procuraram, voltando a mostrar interesse, em um momento em que encontram empresas muito baratas e de muita qualidade”, diz o profissional do BTG, que relatou surpresa com o número de contatos recebidos na segunda-feira, principalmente de investidores pessoas físicas.

VALOR ECONÔMICO

Mercado volta a ver inflação este ano acima de 5% no Focus

A expectativa para a inflação neste ano voltou a ficar acima de 5% na pesquisa Focus que o Banco Central divulgou nesta segunda-feira, na terceira semana seguida de aumento.

Os analistas consultados passaram a ver alta de 5,01% do IPCA em 2026, de 4,99% na pesquisa anterior. Para 2027 a conta caiu a 4,30%, de 4,31%, enquanto para 2028 seguiu em 3,80%. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou ainda que a expectativa de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,01 ponto percentual tanto para este ano quanto para o próximo, respectivamente a 1,85% e 1,40%. A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda que não houve alterações nas projeções para a taxa básica de juros, vista em 13,50% ao final de 2026 e em 12,00% em 2027. Com a Selic atualmente em 13,75%, a expectativa é de um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de novembro do BC. A pesquisa foi fechada na sexta-feira, portanto antes do primeiro turno da eleição presidencial no domingo, que determinou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputarão o segundo turno. O senador terminou o primeiro turno na liderança.

REUTERS

Setor de serviços do Brasil volta a contrair em setembro com demanda menor, aponta PMI

O setor de serviços no Brasil voltou a registrar contração em setembro, no ritmo mais forte em quase um ano, conforme a retração da demanda provocou novas quedas na atividade, no emprego e em novos pedidos, de acordo com o Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgado na segunda-feira.

Ainda assim, as empresas se tornaram mais otimistas em relação às perspectivas de crescimento, devido à expectativa de condições econômicas melhores após a eleição presidencial deste mês. O PMI de serviços do Brasil, compilado pela S&P Global, caiu a 49,2 em setembro, de 50,5 em agosto, marcando o ritmo mais forte de retração desde outubro de 2025. A marca de 50 separa crescimento de contração. Os participantes da pesquisa mencionaram desafios políticos e econômicos, bem como a falta de investimentos e o impacto de greves. “Se for necessário um segundo turno da eleição, como muitos esperam, pode levar mais tempo para que a confiança seja restaurada e os investimentos sejam retomados. As próprias empresas, porém, mostraram-se mais otimistas em relação às perspectivas de crescimento de médio prazo da demanda e da produção”, disse Pollyanna De Lima, diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence. Segundo o levantamento, restrições orçamentárias entre os clientes, condições competitivas, fraqueza da demanda e cancelamentos de projetos levaram as vendas a território de contração em setembro. O ritmo de queda, no entanto, foi apenas leve, assim como na produção. Mas a redução dos novos pedidos foi a quarta em sete meses e levou os fornecedores de serviços a reduzir o número de funcionários no mês em ritmo moderado, mas o mais rápido em três meses. Com isso, o número de empregados recuou em três dos últimos quatro meses. Em relação à inflação, preços mais altos de produtos químicos, materiais elétricos, alimentos, combustíveis, metais, embalagens, papel e madeira foram apontados como fatores de mais um aumento dos custos operacionais, mas ainda assim a taxa de inflação de custos desacelerou para o menor nível em seis meses em setembro. Os preços cobrados pelos serviços subiram no ritmo mais fraco em oito meses, com os participantes da pesquisa que disseram ter aumentado suas tarifas citando repasse parcial do aumento dos custos aos clientes. “Os aspectos positivos do PMI vieram dos indicadores de preços, que mostraram que a redução das pressões de custos limitou a inflação dos preços cobrados. Isso aumenta as esperanças de que a medida de inflação usada como meta da política monetária (IPCA) fique abaixo de sua estimativa preliminar e, consequentemente, permaneça abaixo do teto de 4,5% estabelecido pelo banco central”, disse De Lima. Com retração tanto na atividade de serviços quanto na de indústria, o PMI Composto do Brasil caiu a 47,4 em setembro, de 49,1 em agosto, na maior queda da produção do setor privado em um ano.

REUTERS

EMPRESAS

JBS aponta novo salto da pecuária brasileira com bois mais jovens e pesados

Genética, nutrição e recuperação de pastagens podem ampliar a produção dentro das fazendas; para o pecuarista, o desafio é transformar eficiência em margem

A próxima etapa de crescimento da pecuária brasileira pode ser construída dentro das próprias fazendas, com animais mais jovens, maior produção por hectare e melhor aproveitamento dos recursos disponíveis. Essa é a perspectiva apresentada por Eduardo Pedroso, diretor executivo de Originação e Confinamentos da Friboi, da JBS, ao analisar as transformações da cadeia da carne bovina e as oportunidades para o setor. O movimento coloca o produtor no centro de uma mudança que vai além do peso final do boi. Envolve reduzir o tempo necessário para entregar animais ao frigorífico, melhorar a qualidade das carcaças e organizar a produção conforme as exigências dos compradores. Para a fazenda, porém, o resultado depende de uma condição decisiva: o ganho de produtividade precisa compensar o investimento e melhorar a rentabilidade. Na avaliação de Pedroso, a pecuária ainda tem espaço para aumentar sua eficiência por meio da intensificação dos sistemas produtivos e da combinação entre genética, alimentação e gestão. “O maior salto está por vir. Vamos ter mais incremento no campo”, afirmou o executivo. Entre os exemplos apresentados estão propriedades que conseguem entregar animais de 25 a 26 arrobas entre 18 e 20 meses. Esses resultados representam sistemas de elevado desempenho e não devem ser confundidos com a média da pecuária nacional. A relevância está na combinação entre peso e precocidade. Um animal que alcança o padrão de abate em menos tempo pode reduzir sua permanência na propriedade e liberar recursos para o próximo lote. Esse benefício, entretanto, precisa ser confrontado com os custos da alimentação, da reposição e da infraestrutura necessária. A seleção de animais com potencial de crescimento é parte dessa transformação, mas seu efeito depende das condições oferecidas ao rebanho. Em manifestação anterior sobre o avanço da pecuária, Pedroso resumiu essa relação: “Não tem boi jovem sem nutrição de alto nível”. A declaração reforça que precocidade exige continuidade do desempenho ao longo da cria, recria e terminação. Na prática, isso significa evitar que ganhos obtidos em uma etapa sejam comprometidos na seguinte. Uma recria marcada por restrição alimentar, por exemplo, pode prolongar o ciclo e dificultar a entrega de animais no padrão pretendido. A tecnologia precisa funcionar como um conjunto, com planejamento alimentar, manejo sanitário, genética adequada e acompanhamento dos resultados. A recuperação das áreas de pasto também ocupa posição central nessa agenda. A Embrapa destaca o desenvolvimento de soluções para manter a capacidade produtiva das pastagens, elevar a competitividade e reduzir a pressão pela abertura de novas áreas. Essa abordagem aparece igualmente na estratégia divulgada pela JBS. Em novembro de 2025, Fábio Dias, líder de Pecuária Sustentável da companhia, apontou a regeneração de pastagens e os sistemas integrados como caminhos para fortalecer a eficiência e a continuidade da atividade. Para o produtor, a implicação é direta: aumentar a lotação exige conhecer a capacidade de suporte da área e sua variação ao longo do ano. Mais animais por hectare precisam vir acompanhados de alimento suficiente e desempenho individual, para que o aumento da produção não seja comprometido pela perda de condição do pasto. Pedroso também associa a transformação da cadeia à demanda internacional, especialmente à participação da China nas compras de carne brasileira. “Vivemos uma grande mudança setorial com a demanda chinesa”, afirmou. O crescimento das oportunidades comerciais amplia a importância de características como idade de abate, qualidade da carcaça, sanidade e rastreabilidade. Ao mesmo tempo, os compradores possuem exigências diferentes, o que demanda maior alinhamento entre a produção no campo e o destino da carne. Nesse contexto, produzir mais é apenas uma parte da estratégia. Entregar com regularidade o produto que cada mercado procura também influencia a competitividade da cadeia. A perspectiva de animais mais pesados e ciclos mais curtos abre oportunidades, mas não elimina a necessidade de avaliar cada sistema produtivo. Para transformar desempenho em resultado econômico, o pecuarista precisa acompanhar indicadores como: Custo da arroba produzida, considerando alimentação, manejo e demais despesas; Produção por hectare, para avaliar o aproveitamento da área; Tempo de permanência dos animais, que influencia o giro do capital; Rendimento e acabamento de carcaça, conforme o padrão comercial; Margem por lote e por hectare, para verificar o retorno efetivo. A análise é especialmente relevante quando a intensificação exige maior desembolso antes da venda. O peso adicional precisa remunerar os recursos empregados, considerando também o prazo e as condições de comercialização. O potencial apontado pela indústria depende, portanto, de decisões concretas dentro da porteira. Para o produtor, o avanço mais consistente será aquele que combinar mais carne por área, regularidade de entrega e margem suficiente para sustentar o negócio.

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