
Ano 11 | nº 2807 | 29 de setembro de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo estável em São Paulo
Oferta contida e poucos negócios marcaram o início da semana. A semana começou com poucos negócios e, na comparação feita dia a dia, a cotação não mudou.
Segundo o levantamento da Scot Consultoria, em São Paulo, o boi gordo destinado ao consumo doméstico está cotado em R$ 355/@, enquanto o “boi-China” é comercializado por R$ 360/@ (valores brutos, no prazo). A oferta de boiadas estava contida e os frigoríficos estavam comprando apenas o necessário para recompor as escalas de abate. A ponta vendedora estava fria, na expectativa de melhora do mercado com a virada do mês. Apesar disso, os negócios estavam sendo fechados dentro das referências. Em Alagoas, o mercado estava firme e em alta. Na comparação feita dia a dia, houve alta de R$3,00/@ para o boi gordo. Para a vaca e a novilha, houve estabilidade. No mercado atacadista de carne com osso, na última semana, as vendas no varejo foram fracas, o que ocasionou menores pedidos para reposição de estoque. No entanto, do lado da oferta, ela esteve enxuta e, com isso, as cotações das carcaças subiram. A cotação da carcaça casada do boi capão subiu 1,7%, ou R$0,40/kg, apregoada em R$24,25/kg, e a do boi inteiro subiu 1,5%, ou R$0,35/kg, cotada em R$23,80/kg. Entre as fêmeas, a cotação da carcaça casada da vaca subiu 1,3%, ou R$0,30/kg, comercializada em R$23,25/kg, e a da novilha, 1,7%, ou R$0,40/kg, negociada em R$23,80/kg. Era esperado que as vendas retomassem o ritmo com a virada do mês e que os preços continuassem firmes. No mercado de proteínas alternativas, a cotação do frango médio* caiu 3,0%, ou R$0,23/kg, cotada em R$7,37/kg. A cotação do suíno especial** subiu 7,1%, ou R$0,60/kg, apregoada em R$9,00/kg.
SCOT CONSULTORIA
Semana do boi gordo mostra que arroba ainda tem espaço para novas altas
Frigoríficos de pequeno e médio porte seguem com dificuldades para avançar na compra de boiadas
O mercado brasileiro de boi gordo registrou negociações acima da referência média ao longo da semana, em um ambiente marcado pelo encurtamento das escalas de abate nas principais regiões do país. Segundo o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, a tendência de curto prazo ainda aponta para novos reajustes, especialmente nas operações envolvendo frigoríficos de pequeno e médio porte, que enfrentam maior dificuldade para avançar na compra de boiadas. O analista informa que as indústrias de maior porte permanecem em uma posição relativamente mais confortável, beneficiadas pela oferta de animais provenientes de contratos de parceria e pela utilização de confinamentos próprios para atender às necessidades mais imediatas. “Apesar da valorização recente da arroba, os contratos futuros continuam negociados com prêmio relevante sobre o mercado físico, mantendo oportunidades atrativas para operações de hedge e proteção de margens”, avalia. Preços médios da arroba Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 24 de setembro: São Paulo (Capital): R$ 355, estável frente aos preços praticados no final da semana passada Goiás (Goiânia): R$ 345, aumento de 1,47% frente aos R$ 340 registrados no final da última semana Minas Gerais (Uberaba): R$ 340, avanço de 1,49% ante os R$ 335 praticados no final da semana passada Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 350, aumento de 1,45% frente aos R$ 345 registrados no encerramento da última semana Mato Grosso (Cuiabá): R$ 330, estável ante a última semana Rondônia (Vilhena): R$ 340, alta de 1,49% em relação aos R$ 335 registrados no final da semana passada Mercado atacadista O mercado atacadista de carne bovina registrou preços de estáveis a mais altos durante a semana, mesmo em um ambiente oferecendo pouco espaço para novos reajustes no curto prazo. Segundo Iglesias, a maior competitividade das proteínas concorrentes, especialmente da carne de frango, continua limitando o potencial de valorização dos cortes bovinos. Quarto do traseiro bovino: R$ 27,50 por quilo, estável frente ao valor praticado no final da semana passada Corte do quarto do dianteiro do boi: R$ 20,50 por quilo, avanço de 5,13% ante os R$ 19,50 praticados no fechamento da última semana. As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 819,206 milhões em setembro (13 dias úteis), com média diária de US$ 63,015 milhões, conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A quantidade total exportada pelo país chegou a 130,313 mil toneladas, com média diária de 10,024 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.286,40. Em relação a setembro de 2025, houve baixa de 21,6% no valor médio diário da exportação, queda de 29,9% na quantidade média diária exportada e avanço de 11,9% no preço médio.
AGÊNCIA SAFRAS
Exportação de carne bovina recua 31,5% na média diária de setembro; receita recua menos
Em 18 dias úteis, Brasil embarcou 176,3 mil toneladas e faturou US$ 1,11 bilhão; ritmo diário de vendas caiu 31,5%
O Brasil exportou 176,3 mil toneladas de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada nos primeiros 18 dias úteis de setembro de 2026, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A média de 9,79 mil toneladas por dia útil ficou 31,5% abaixo da registrada em setembro do ano passado. Os embarques renderam US$ 1,11 bilhão no período. A receita média diária foi de US$ 61,66 milhões, recuo de 23,3% em relação aos US$ 80,34 milhões por dia útil de setembro de 2025. Embora o Brasil esteja vendendo menos carne em quantidade, a queda no faturamento foi menor porque o produto alcançou um preço médio mais alto. De acordo com o MDIC, a tonelada exportada em setembro de 2026 saiu, em média, por US$ 6.296,87, contra US$ 5.617,87 em setembro de 2025. A valorização de 12,1% ajudou a amortecer o impacto da redução dos embarques sobre a receita. A comparação entre setembro de 2026 e setembro de 2025 deve ser feita pelas médias diárias, como apresenta o MDIC. O mês atual ainda está em andamento, com 18 dias úteis contabilizados no levantamento, enquanto setembro do ano passado reúne 22 dias úteis.
SECEX/MDIC
Número de animais confinados em setembro fica 23,3% abaixo de 2025
Levantamento do Cepea em parceria com a Tortuga, da dsm-firmenich, aponta recuo pelo segundo mês seguido
O número de animais confinados em setembro de 2026 ficou 23,3% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025, segundo o Informativo Cepea divulgado na última sexta-feira (25). Em agosto, a diferença em relação ao ano anterior havia sido de 14,5%. O afastamento entre as duas curvas, portanto, aumentou na passagem de um mês para o outro. O levantamento, elaborado pelo Cepea/Esalq-USP em parceria com a Tortuga, da dsm-firmenich, mostra também que a quantidade de animais confinados perdeu força depois de julho. Em setembro, a série de 2026 aparece abaixo das observadas no mesmo período de 2024 e 2025. Na comparação com 2025, a quantidade de animais confinados continuou crescendo após julho e atingiu seus maiores níveis em setembro e outubro. Em 2026, a curva recuou depois de julho. Essa diferença de trajetória ajuda a explicar a queda expressiva na comparação anual, mas não permite, sozinha, projetar o preço da arroba para os próximos meses.
CEPEA
ECONOMIA
Dólar sobe ao maior valor em seis meses influenciado por exterior e eleição
Dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,83%, a R$5,2264. No ano, no entanto, a divisa norte-americana ainda apresenta queda de 4,78%.
O dólar fechou a segunda-feira em alta ante o real e atingiu o maior valor em seis meses, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes e com investidores também reagindo a duas novas pesquisas eleitorais no Brasil. O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,83%, a R$5,2264, o maior valor de fechamento desde 30 de março, quando fechou em R$5,2461. No ano, no entanto, a divisa norte-americana ainda apresenta queda de 4,78%. Às 17h03, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,67% na B3, aos R$5,2285. A segunda-feira foi marcada pela alta do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries no exterior, em meio ao impasse nas negociações de paz entre EUA e Irã, após o presidente norte-americano, Donald Trump, ter rejeitado no fim de semana um acordo. Nos mercados de moedas, isso se traduziu no avanço do dólar ante divisas de emergentes como o peso colombiano, o peso mexicano, o peso chileno, o rand sul-africano e o real. No Brasil, o movimento encontrou suporte ainda em duas novas pesquisas sobre a eleição presidencial de domingo. Levantamento BTG/Nexus mostrou aumento da vantagem numérica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) na simulação de segundo turno. Lula tem 46% das intenções de voto no segundo turno, contra 44% de Flávio, de acordo com a pesquisa. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois ainda estão em empate técnico. No levantamento anterior, porém, Lula tinha os mesmos 46% e Flávio somava 45%. Já a pesquisa Quaest mostrou Lula e Flávio empatados no segundo turno com 42% das intenções de voto. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Uma semana antes, Flávio tinha 42% e Lula somava 41%. Para Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital, o avanço do dólar ante o real nesta segunda-feira ocorreu principalmente em função do exterior. “A semana começou com viés de alta para o dólar globalmente, pressionando o real aqui”, comentou. “Na sequência, veio o cenário eleitoral para contribuir com essa compra de dólares.” Mais cedo, o Banco Central informou que o Brasil teve déficit em transações correntes de US$5,055 bilhões em agosto, um pouco acima do saldo negativo de US$4,9 bilhões projetados por economistas em pesquisa da Reuters. Na outra ponta, o investimento direto no país (IDP) atingiu US$7,396 bilhões, contra US$6,9 bilhões projetados. No boletim Focus divulgado pela manhã, a mediana das projeções dos economistas para o dólar no fim deste ano seguiu em R$5,20. Já a projeção para a inflação em 2026 passou de 4,92% para 4,99% e em 2027 foi de 4,30% para 4,31%. As expectativas para a taxa básica Selic estão em 13,50% e 12,00% para este e o próximo ano, respectivamente. A taxa básica está atualmente em 13,75%. O dólar à vista encerrou a sessão de sexta-feira com baixa de 0,19%, aos R$5,1834.
REUTERS
Ibovespa tem declínio modesto com exterior desfavorável e eleição indefinida
O Ibovespa fechou quase estável nesta segunda-feira, após uma sessão sem um sinal único, em meio a um ambiente externo ainda negativo e novas pesquisas eleitorais, mas contrapeso positivo de Petrobras, com novo avanço do petróleo no exterior.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,21%, a 183.089,66 pontos, de acordo com dados preliminares, após alcançar 181.931,36 na mínima e 184.094,65 na máxima. O volume financeiro no pregão somava R$22,4 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Dívida federal cresce 0,04% em agosto com participação recorde de títulos atrelados à Selic
A dívida pública federal do Brasil teve variação positiva de 0,04% em agosto sobre julho, para R$9,293 trilhões, e a participação de títulos com taxas flutuantes atingiu nível recorde no mês, diante do aumento da demanda pelos papeis em meio às incertezas econômicas, mostraram dados do Tesouro Nacional na segunda-feira.
No mês passado, a dívida pública mobiliária federal interna (DPMFi) somou R$8,944 trilhões, com variação negativa de 0,05%, enquanto a dívida pública federal externa (DPFe) atingiu R$348,26 bilhões, com alta de 2,41%. Conforme o Tesouro, do total da dívida, 52,74% correspondiam a papeis atrelados à taxa Selic no final de agosto. O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Helano Borges Dias, afirmou a jornalistas que a participação foi recorde na série histórica. “Mas no começo da década de 2000, quando chegamos a observar participações semelhantes, tínhamos uma composição muito grande de título cambial (na dívida). Então, a composição dos outros 50% da dívida é muito melhor hoje”, ponderou Dias. Em agosto, outros 20,31% da dívida correspondia a títulos prefixados, 23,22% a títulos vinculados a índices de preços e 3,74% a papeis cambiais. No mês passado, o Tesouro elevou sua projeção para a participação da dívida flutuante ao final do ano para a faixa de 49%-53%, de 46%-50% estimados anteriormente, e disse que a alta refletia “a combinação de um ambiente de maior volatilidade e de taxas de juros elevadas, contribuindo para uma maior preferência dos investidores por instrumentos de menor duração e menor sensibilidade às oscilações das taxas de juros”. Dias afirmou ainda que a expectativa é de que o governo volte a fazer superávits primários no futuro, criando as condições estruturais para a redução da participação dos títulos flutuantes. Além disso, “nas oportunidades que tivermos, vamos voltar a fazer emissões mais volumosas de índices de preços e prefixados”, afirmou Dias. “O objetivo é voltar a aumentar a participação de NTN-Bs e prefixados na dívida”, acrescentou, em referência às Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-Bs), papeis indexados à inflação. Em agosto, a variação positiva de 0,04% da dívida pública deveu-se, conforme o Tesouro, à apropriação positiva de juros, no valor de R$88,39 bilhões, neutralizada, em parte, pelo resgate líquido, no valor de R$84,43 bilhões. O órgão informou ainda que a reserva de liquidez da dívida pública — uma espécie de “colchão” para o pagamento dos compromissos — caiu 11,89% em termos nominais em agosto sobre julho, para R$1,208 trilhão. Na comparação com agosto de 2025, a reserva de liquidez aumentou 6,49%.
REUTERS
Projeção para inflação este ano sobe a 4,99% no Focus
Analistas consultados pelo Banco Central voltaram a elevar sua projeção para a inflação este ano, praticamente no teto da meta, ao mesmo tempo em que deixaram inalterado o cenário para a política monetária.
O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou que a expectativa para a alta do IPCA em 2026 subiu a 4,99%, de 4,92% na semana anterior. O IBGE informou na semana passada que o IPCA-15 subiu mais do que o esperado em setembro, 0,70%, sob pressão da energia elétrica e com os preços de alimentos voltando a avançar. Em 12 meses, o índice teve alta de 4,47%. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Para 2027, a projeção para o IPCA avançou 0,01 ponto percentual, a 4,31%, e para 2028 permaneceu em 3,80%. A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda que a taxa básica de juros Selic, atualmente em 13,75%, deve encerrar este ano a 13,50% e o próximo a 12,00%, sem alterações. Os especialistas veem um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de novembro do BC. Para o Produto Interno Bruto (PIB), as estimativas de crescimento em 2026 e 2027 caíram a 1,86% e 1,41% respectivamente, de 1,88% e 1,43% no levantamento anterior.
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Confiança da indústria no Brasil cai em setembro pelo terceiro mês seguido, diz FGV
A confiança da indústria no Brasil apresentou recuo em setembro pelo terceiro mês seguido, com piora disseminada entre os segmentos, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) na segunda-feira.
O Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu 2,4 pontos na comparação com o mês anterior, atingindo 91,3 pontos, de acordo com os dados da FGV. O Índice de Situação Atual (ISA), que mede o sentimento dos empresários sobre o momento presente do setor industrial, recuou 1,3 ponto, para 93,6 pontos, menor patamar desde dezembro de 2025, segundo a FGV. “Em relação à situação atual, o resultado mantém os sinais de arrefecimento da demanda e de acúmulo de estoques observados nos últimos três meses, aumentando a possibilidade de ajustes na produção”, disse Stéfano Pacini, economista do FGV IBRE. O Índice de Expectativas (IE), indicador da percepção sobre os próximos meses, teve queda de 3,4 pontos, a 89,2 pontos, nível mais fraco desde novembro de 2025. “Para os próximos meses, as avaliações dos empresários sobre produção prevista reforçam a sinalização de continuidade do processo de desaceleração da atividade econômica ao longo do segundo semestre”, completou Pacini. Segundo o economista da FGV IBRE, as condições monetárias ainda restritivas, com a Selic em 13,75%, e o ambiente de maior incerteza, que tende a crescer com as eleições, seguem limitando uma recuperação mais consistente da confiança industrial.
REUTERS
Balança comercial brasileira tem superávit de US$ 2,4 bina 4ª semana de setembro
Valor resulta de US$ 8,81 bilhões em exportações e US$ 6,41 bilhões em importações, no período
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 2,4 bilhões na quarta semana de setembro, informou a Secretaria do Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/Mdic), na segunda-feira (28). O valor resulta de US$ 8,81 bilhões em exportações e US$ 6,41 bilhões em importações, no período. Em setembro, o saldo positivo da balança totaliza US$ 6,45 bilhões e, no ano, US$ 61,77 bilhões. A média diária de exportações em setembro, até a quarta semana, subiu 22,2% para US$ 1,69 bilhão. O desempenho foi puxado pelas vendas da indústria extrativa (+52,2%), seguidas pela indústria de transformação (+13,8%) e agropecuária (+12,8%). Já a média diária de importações no mês, até a quarta semana, avançou 7,4% para US$ 1,33 bilhão. A alta foi liderada pelos desembarques da indústria extrativa (+16,5%), seguidos da agropecuária (+15,7%) e indústria de transformação (+6,8%).
VALOR ECONÔMICO
EMPRESAS
Marfrig lança oferta na CVM para recomprar US$ 467 milhões em dívida
Oferta é destinada a investidores que possuem notas sênior da empresa no mercado internacional. Os investidores poderão aderir à oferta até 2 de outubro, às 17h
A Marfrig Global Foods lançou uma oferta para recomprar até US$ 467,5 milhões em títulos de dívida com vencimento em 2029 emitidos pela NBM US Holdings, sua subsidiária. A companhia informou a operação à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e a oferta é destinada a investidores que possuem notas sênior da empresa no mercado internacional. A Marfrig retende adquirir todos os títulos que ainda estiverem em circulação, com pagamento em dinheiro. Para cada US$ 1 mil de valor principal dos papéis aceitos na operação, a companhia pagará US$ 1.002,50, além dos juros acumulados e ainda não pagos até a data de liquidação. Os investidores poderão aderir à oferta até 2 de outubro, às 17h, no horário de Nova York. O mesmo prazo vale para quem quiser retirar a adesão. A liquidação dos títulos aceitos está prevista para 6 de outubro. Os investidores que entregarem os títulos dentro do prazo e tiverem os papéis aceitos receberão o valor da recompra acrescido dos juros acumulados desde a última data de pagamento até a véspera da liquidação. A operação depende, entre outros fatores, da conclusão, em condições consideradas satisfatórias pela Marfrig, de uma ou mais emissões de novas notas sênior por subsidiárias do grupo no mercado internacional. Os novos títulos terão garantia da Marfrig, da NBM, da BRF e de outras empresas do grupo e serão ofertados em uma operação isenta de registro nos Estados Unidos. A companhia informou ainda que não estabeleceu uma quantidade mínima de títulos que os investidores precisam oferecer para participar da recompra. Apesar disso, a realização da nova captação não está assegurada, assim como não há garantia de que ela seguirá os termos atualmente previstos.
VALOR ECONÔMICO
Um ano após sua criação, MBRF acelera as sinergias e a expansão internacional
Companhia prevê atingir ganhos decorrentes da fusão antes do esperado, amplia sua atuação no Oriente Médio e já seleciona bancos para IPO da Sadia Halal. Miguel Gularte: ‘Nos três anos e pouco anteriores à fusão, as duas empresas já tinham trabalhado conjuntamente em vários aspectos’
Há cerca de um ano, duas das maiores companhias de alimentos do Brasil, BRF e Marfrig, concluíam a fusão que criou a gigante MBRF, na época com receita próxima de R$ 152 bilhões. Nos 12 meses seguintes, o comércio global de carnes sofreu alguns solavancos: a China impôs uma cota para a carne bovina ao Brasil 35% menor do que o país exportava, os Estados Unidos seguiram impondo e retirando tarifas sobre o produto e um conflito com forte impacto comercial atingiu o Oriente Médio. Apesar disso, a MBRF deve alcançar R$ 1 bilhão em sinergias, previsto até então para 2028, antes do prazo, e expande suas operações na China e no Oriente Médio. Só no primeiro semestre, a empresa contabilizou R$ 285 milhões em sinergias decorrentes da fusão, de R$ 608 milhões previstos para 2026. Dado o ritmo acelerado dos trabalhos, a expectativa é superar o total inicialmente previsto, disse ao Valor o diretor presidente da companhia, Miguel Gularte. “Estamos adiantados e [o valor de R$ 1 bilhão] deve ser superado, inclusive. Nos três anos e pouco anteriores à fusão, as duas empresas já tinham trabalhado conjuntamente em vários aspectos, o que fez com que o nosso planejamento pós-fusão tivesse um ramp up [aceleração] muito mais ágil do que num ambiente normal de fusão”, afirmou Gularte, em referência ao fato de a Marfrig já controlar a BRF antes da fusão. No segundo trimestre deste ano, a MBRF finalizou a unificação das suas equipes de vendas de Marfrig e BRF no mercado brasileiro, disse o vice-presidente de Finanças, Relações com Investidores, Gestão e Tecnologia, José Ignácio Scoseria Rey. O movimento é considerado estratégico, ao viabilizar a oferta de produtos Marfrig a clientes da BRF e vice-versa. Um exemplo é o Estado de São Paulo, onde a BRF sempre teve presença forte em produtos de frango e suíno e agora busca expandir também em bovinos. No exterior, a Marfrig também tinha uma rede comercial estabelecida na Europa e nos Estados Unidos, focada em carne bovina. Apesar de as exportações brasileiras de frango à União Europeia estarem suspensas por causa de controles sobre antimicrobianos no Brasil, o setor considera a retomada dos negócios neste ano. Para os EUA, a MBRF começou a exportar carne suína no ano passado, segundo Gularte. “O grande potencial é conseguir chegar, com carne bovina, aos 432 mil clientes [354 mil no Brasil] da BRF, ter uma cobertura muito maior que a que tínhamos com a força de vendas da carne bovina”, afirmou Scoseria. No Oriente Médio, onde a companhia começou a atuar na década de 1970, ainda como Sadia (uma das marcas da BRF), os reveses da guerra foram sentidos, mas não alteraram planos. Se a insegurança em rotas logísticas tradicionais e a alta do petróleo obrigaram a MBRF a buscar vias alternativas mais caras, o acordo de fornecimento com o fundo saudita Salic contribuiu para as vendas e resultados. Ter estoques na região, também. Gularte lembrou que a partir de 2024, com casos de Doença de Newcastle e gripe aviária no Brasil afetando exportações, a empresa decidiu manter estoques nos destinos, o que garantiu o suprimento neste ano. Além disso, desde o fim de 2024 a MBRF vinha observando aumento do consumo e dos preços de carnes na região. A perspectiva é de que até 2027 mais 23 milhões de pessoas se somem à população do Oriente Médio, acrescentou. “Fomos testados nas nossas escolhas. Houve redução do turismo, [cujo consumo] foi substituído pelo consumo local e pelo espaço deixado por empresas que decidiram não estar presentes na região”, afirmou o executivo. A guerra não mudou o cronograma da planejada abertura de capital da Sadia Halal, criada pela MBRF com a HPDC, subsidiária do fundo soberano saudita PIF, em outubro de 2025. A companhia selecionou bancos que atuarão na operação e tem conversado com o órgão regulador saudita sobre temas técnicos. O plano é fazer o IPO em meados de 2027. Com as ações da Sadia Halal listadas na bolsa de Riad, a expectativa é elevar a base de investidores. Hoje, a empresa é avaliada em 6 vezes seu valor da empresa sobre o lucro (EV/Ebitda), mas poderia se aproximar de 10 e 11 vezes, segundo Scoseria. Neste ano, a MBRF está acrescentando na região capacidade produtiva de cerca de 55 mil toneladas — 15 mil em Kezad, nos Emirados Árabes, e 40 mil toneladas na nova fábrica de Jeddah, na Arábia Saudita. Na China, a empresa se posiciona para acompanhar os planos do país de reduzir sua dependência externa de alimentos. A fábrica da província de Henan, comprada no fim de 2024, está com 80% da capacidade utilizada e deve chegar a 100% ainda neste ano, disse Gularte. A planta deve ser ampliada gradualmente. Dentro de casa, a MBRF busca reduzir sua dívida, de R$ 45 bilhões ao fim do segundo trimestre deste ano. De acordo com Scoseria, a companhia deu início a conversas com investidores para potencial emissão internacional de títulos visando captação de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão. Com o recurso, pretende recomprar títulos com vencimento em 2029, como anunciou ontem sobre papéis emitidos pela subsidiária NBM US Holdings, bem como o pagamento dívidas de curto prazo.
GLOBO RURAL
SUÍNOS & FRANGOS
Ministério confirma abertura da China para miúdos suínos do Brasil, mercado de US$ 100 mi
O Ministério da Agricultura confirmou em nota a abertura do mercado chinês para miúdos suínos do Brasil. O protocolo sanitário bilateral foi assinado no sábado, 26, em reunião entre o ministro da Agricultura, André de Paula, e o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, informou a pasta.
“A medida amplia o conjunto de produtos brasileiros autorizados a ingressar no mercado chinês e cria novas possibilidades comerciais para os estabelecimentos habilitados, permitindo a diversificação da pauta exportada”, disse o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China. Até então, o Brasil era autorizado a exportar apenas alguns tipos de miúdos, como pés, orelhas, rabo, língua, focinho e máscara suína para a China. A ampliação do acesso deve-se ao reconhecimento do País como livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). Entre os produtos que agora poderão ser exportados estão: músculo suíno congelado, desossado ou com osso, incluindo gordura; miúdos e coprodutos comestíveis congelados, como banha suína não refinada, composta apenas por gordura corporal, sem incluir gordura proveniente das vísceras; línguas suínas; máscara suína; focinho suíno; orelhas suínas; cauda suína; pés suínos inteiros; pele suína; cartilagem suína, sem incluir cartilagem derivada da garganta, glote ou vísceras; estômagos suínos; fígado suíno; coração suíno; rins suínos; diafragma suíno; e ossos suínos. De acordo com o ministério, as negociações envolveram a definição de requisitos sanitários e de certificação, além das condições a serem cumpridas pelos estabelecimentos brasileiros interessados em exportar esses produtos. “(Essa abertura) significa um capítulo importante na suinocultura brasileira, acesso ao mercado de mais de US$ 2,5 bilhões por ano, valorização da nossa produção e mais renda e emprego no campo e na indústria”, afirmou De Paula na nota. Para a China, avalia o ministro, a abertura representa mais uma fonte de fornecimento com a garantia do sistema sanitário brasileiro. O ministério informou ainda que mais de 100 mil toneladas anuais de miúdos suínos brasileiros poderão ser comercializadas ao mercado chinês a partir da abertura, com receita superior a US$ 100 milhões por ano ao setor, de acordo com estimativas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A abertura foi formalizada após o encerramento da auditoria chinesa a frigoríficos brasileiros, iniciada em 20 de setembro. Durante esse período, explicou o ministério, inspetores chineses visitaram estabelecimentos de produção, fazendas, abatedouros, laboratórios oficiais em seis Estados do País, voltados para carnes bovina, suína e de aves. “Essa assinatura abre novas oportunidades para as exportações brasileiras ao mercado chinês. É mais um resultado concreto dos nossos esforços conjuntos e uma demonstração clara do dinamismo e vitalidade das cooperações agropecuárias entre os dois países”, destacou o embaixador chinês na nota. Ele também afirmou que, desde 2008, a China é, há 18 anos consecutivos, o maior mercado de exportação dos produtos agrícolas e pecuários brasileiros. A China é um dos maiores mercados consumidores e importadores de produtos de origem suína do mundo, com importações de miúdos que somam aproximadamente US$ 2,5 bilhões por ano. “Além dos aspectos comerciais, relacionados a volumes e receitas, a abertura também aproxima a produção brasileira dos hábitos alimentares chineses. O consumo de miúdos faz parte da culinária da China e está presente no cotidiano da população, tanto em restaurantes quanto nos lares”, avaliou o ministério na nota. As tratativas bilaterais para exportação de miúdos suínos se intensificaram há cerca de um ano, após missão presidencial ao país asiático. O interesse brasileiro se deve ao potencial do mercado chinês, considerado remunerador e grande consumidor de subprodutos suínos, além de se tratar de itens com baixo valor agregado no mercado doméstico.
ESTADÃO CONTEÚDO
UE conclui que Brasil é capaz de fornecer garantias sanitárias para exportação de carne de aves e mel
Conclusão está em relatório de auditoria realizada pelas autoridades sanitárias da União Europeia. Europeus também consideraram satisfatórios o arcabouço legal, os procedimentos e a capacitação dos fiscais brasileiros
Após auditoria realizada pelas autoridades sanitárias da União Europeia, um relatório da Direção-Geral de Saúde e Segurança dos Alimentos (DG Santé) da Comissão Europeia concluiu que “os controles oficiais brasileiros são capazes de fornecer as garantias exigidas pela legislação europeia”, para as cadeias produtivas de aves e mel. A informação foi divulgada na noite da segunda-feira (28/9), pelo Ministério da Agricultura do Brasil. Os europeus também consideraram satisfatórios o arcabouço legal, os procedimentos e a capacitação dos fiscais brasileiros. Com isso, o Ministério da Agricultura solicitou a inclusão do relatório na pauta da reunião técnica do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (Scopaff) da Comissão Europeia, que vai acontecer nos dias 20 e 21 de outubro de 2026. O comitê será responsável pela decisão final sobre a inclusão no Brasil na lista de fornecedores destes produtos à UE. O Brasil foi retirado, neste ano, da lista de fornecedores de produtos de origem animal para a União Europeia, por falta de garantias de que não utiliza medicamentos antimicrobianos como promotores de crescimento, durante o processo produtivo. A missão europeia realizou visitas a estabelecimentos produtivos brasileiros de carne de aves e produtos avícolas, mel, produtos apícolas e órgãos oficiais, entre 24 de agosto e 4 de setembro, verificando a proibição do uso de antimicrobianos como promotores de crescimento/aumento de rendimento. Em nota, o Ministério da Agricultura brasileiro disse que “a avaliação positiva apresentada pela DG Santé representa mais um passo no processo de reinclusão do Brasil na lista de fornecedores do bloco europeu”. Segundo a pasta, desde a decisão anunciada pela UE, no dia em 12 de maio, o governo tem mantido diálogo político e técnico com as autoridades europeias. “O país implementou as medidas necessárias ao atendimento dos requisitos aplicáveis e apresentou a documentação e as informações pertinentes às cadeias de produtos de origem animais destinados à exportação”, afirmou a pasta. Na avaliação do ministério, em termos práticos, o resultado da auditoria não aponta impedimento técnico à reinclusão do Brasil na lista de países exportadores de carne de aves e mel para a UE. “O Mapa aguarda, agora, o cumprimento, por parte da União Europeia, das etapas administrativas necessárias para a conclusão do processo”, completou o ministério.
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