
Ano 11 | nº 2804 | 24 de setembro de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo: alta para todas as categorias em São Paulo
Oferta restrita e firmeza dos vendedores sustentam altas, mesmo com compras cautelosas da indústria.
Na quarta-feira (23/98), a Scot Consultoria detectou novas valorizações no mercado do boi gordo em São Paulo, com avanço diário de R$ 5/@ para os machos terminados (com ou sem padrão-China) e para a vaca gorda, além de aumento de R$ 2/@ para a novilha gorda. Indústrias que buscam manter as escalas confortáveis acabam pagando os preços pedidos pelos pecuaristas. Com isso, agora o boi gordo destinado ao mercado doméstico de São Paulo vale R$ 355/@, enquanto o “boi-China” está cotado em R$ 360/@ (valores brutos, no prazo). Entre as fêmeas terminadas, na mesma praça, a vaca e a novilha são negociadas por R$ 335/@ e R$ 347/@, respectivamente. A oferta restrita de boiadas e a firmeza dos vendedores sustentavam o mercado, mesmo em um momento sazonal de menor escoamento de carne. Indústrias que buscavam manter as escalas confortáveis acabaram pagando os preços pedidos. Na comparação feita dia a dia, alta de R$5,00/@ para o boi gordo, para o “boi China” e para a vaca. Para a novilha, alta de R$2,00/@. Valia lembrar, porém, que os compradores estavam atuando com cautela, buscando as melhores oportunidades de negócio e fazendo o controle dos estoques. As escalas de abate atendiam, em média, a oito dias. Em Goiás, após as altas registradas no dia anterior na região de Goiânia, tanto para os machos quanto para as fêmeas, o mercado iniciou com cotações estáveis para todas as categorias. Já na região Sul, após as altas do dia anterior para os machos, a quarta-feira foi o dia das fêmeas. Alta de R$3,00/@ para a vaca e de R$5,00/@ para a novilha. Para o boi gordo, estabilidade. As escalas de abate atendiam, em média, a uma semana. Na Bahia, a oferta enxuta de gado sustentava preços firmes na região Oeste do estado e trouxe alta para todas as categorias na região Sul. Na região Sul, a cotação do boi gordo e da novilha subiu R$3,00/@. Para a vaca, alta de R$2,00/@. Na região Oeste, estabilidade para todas as categorias.
SCOT CONSULTORIA
Arroba do boi gordo em elevação
Preços ganham suporte por conta das escalas de abate apertadas entre os frigoríficos de pequeno e médio porte. O mercado físico do boi gordo mantém trajetória de alta, com negociações acima das referências médias em diversos estados brasileiros.
O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias ressalta que as escalas de abate apresentam menor conforto entre os frigoríficos de pequeno e médio porte, que enfrentam maior dificuldade para avançar na aquisição de boiadas. “Por outro lado, as indústrias de maior porte permanecem em uma posição mais confortável, beneficiadas pela oferta de animais provenientes de contratos de parceria e pela utilização de confinamentos próprios para atender às necessidades mais imediatas.” Segundo ele, o descompasso entre o mercado físico e os contratos futuros também continua chamando a atenção. “Esse ambiente oferece boas oportunidades para operações de hedge, permitindo ao pecuarista proteger preços e margens em um ano marcado por elevada volatilidade e mudanças relevantes nos fundamentos do mercado”, disse. Preços médios da arroba do boi: São Paulo: R$ 356,33 — ontem: R$ 355,33. Goiás: R$ 345,36 — ontem: R$ 344,64. Minas Gerais: R$ 341,76 — ontem: R$ 340,88. Mato Grosso do Sul: R$ 349,05 — ontem: R$ 348,84. Mato Grosso: R$ 333,30 — ontem: R$ 332,76. O mercado atacadista de carne bovina operou com preços acomodados nesta terça-feira, em um ambiente que oferece pouco espaço para novos reajustes no curto prazo. “A semana não apresenta fatores relevantes de estímulo ao consumo, enquanto a maior competitividade das proteínas concorrentes, especialmente da carne de frango, continua limitando o potencial de valorização dos cortes bovinos”, disse Iglesias. Quarto dianteiro: R$ 20,50 por quilo. Quarto traseiro: R$ 27,50 por quilo. Ponta de agulha: R$ 19,00 por quilo.
SAFRAS NEWS
Boi gordo: Indicador CEPEA já acumula alta de quase 3% em setembro
Mesmo com baixa liquidez e parte dos frigoríficos fora das compras, preços seguem firmes e registram altas pontuais em algumas praças.
O mercado do boi gordo iniciou a semana com baixa liquidez e predomínio de estabilidade nas regiões acompanhadas pelo CEPEA. Parte dos frigoríficos ainda não havia retornado às compras na segunda-feira (21/9), à espera de uma definição mais clara do mercado, enquanto outras indústrias estavam abastecidas com animais próprios ou contratados e permaneceram fora das negociações no mercado spot. Entre os compradores ativos, prevaleceram os preços praticados na sexta-feira (18/9) em regiões como Colíder, Pará, Três Lagoas, Rondônia e Norte de Goiás. Ainda assim, a oferta mais restrita abriu espaço para reajustes pontuais. Em Cassilândia e no Noroeste do Paraná, houve negócios com alta de R$ 5/@ para o boi gordo. As escalas de abate apresentaram diferenças importantes entre as regiões monitoradas pelo CEPEA, variando de quatro a 12 dias. Essa disponibilidade desigual de animais e a situação das escalas continuam influenciando o ritmo das compras dos frigoríficos. Em São Paulo, as negociações também avançaram em ritmo lento, mas os preços permaneceram nos patamares observados no fim da semana passada. Os negócios com boi gordo ocorreram entre R$ 350 e R$ 355/@, com lotes pontuais chegando a R$ 360/@. O Indicador do Boi Gordo CEPEA/ESALQ fechou a segunda-feira (21/9) em R$ 354,65/@ à vista, acumulando valorização de 2,98% em setembro. No mercado atacadista de carne bovina, a liquidez também foi menor na segunda-feira (21/9), mas os preços permaneceram sustentados. Na Grande São Paulo, a carcaça casada de boi registrou média de R$ 24,34/kg à vista, equivalente a uma arroba de R$ 365,10. Nas exportações, os embarques de carne bovina in natura seguiram em ritmo moderado. Nos primeiros 13 dias úteis de setembro, o Brasil exportou 130,313 mil toneladas, com média diária de aproximadamente 10 mil toneladas, volume 30% inferior ao registrado em setembro do ano passado.
CEPEA
ECONOMIA
Dólar tem alta forte reagindo ao exterior
O dólar fechou a quarta-feira com alta firme no Brasil, reagindo ao avanço da moeda norte-americana no exterior e a uma nova pesquisa eleitoral no Brasil mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recuperando vantagem numérica sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno.
O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 1,27%, a R$5,1689, o maior valor de fechamento desde 31 de agosto, quando marcou R$5,1814. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 5,83%. Às 17h04, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 1,20% na B3, aos R$5,1715. A nova pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou Lula com 47,7% das intenções de voto no segundo turno na disputa pelo Planalto, contra 47,4% de Flávio. Como a margem de erro é de 1 ponto percentual, os dois estão em empate técnico. No entanto, o resultado coloca Lula novamente na liderança numérica, já que no levantamento anterior o petista tinha 46,8% e Flávio somava 47,2%. Nas últimas semanas, a percepção de fortalecimento da candidatura de Flávio vinha favorecendo o chamado “trade eleitoral”, que se traduz no avanço do Ibovespa e na queda do dólar e das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros). Isso porque Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. O cenário externo foi outro fator altista para as cotações nesta quarta-feira, com a moeda norte-americana ganhando força ante quase todas as demais divisas. Por trás do movimento está a perspectiva de nova alta de juros pelo Federal Reserve no curto prazo, em meio aos impactos inflacionários da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. Em outro sinal de pressão inflacionária, a S&P Global informou pela manhã que seu Índice de Gerentes de Compras (PMI) dos EUA, que acompanha os setores de manufatura e serviços, subiu para 58,4 em setembro. Esse foi o nível mais alto desde julho de 2021, após o resultado de 56,0 em agosto. Uma leitura acima de 50 indica expansão no setor privado. Em reação, o dólar acelerou os ganhos ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Também pela manhã, o diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, disse que não espera grandes solavancos no câmbio diante das mudanças de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com exterior desfavorável, sem tirar eleição do radar
Após duas altas seguidas, o Ibovespa fechou em queda na quarta-feira, contaminado pelo cenário externo desfavorável a ativos de risco, em meio ao avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,79%, a 185.940,96 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 185.676,38 na mínima e 188.772,33 na máxima do dia. O volume financeiro somava R$26,18 bilhões antes dos ajustes finais, com investidores também analisando nova pesquisa eleitoral no Brasil.
REUTERS
Brasil tem fluxo cambial negativo de US$7,078 bilhões em setembro até dia 18, diz BC
No acumulado do ano até 18 de setembro, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$8,714 bilhões.
O Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$7,078 bilhões em setembro até o dia 18, conforme dados divulgados na quarta-feira pelo Banco Central. Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$6,839 bilhões em setembro até o dia 18. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de setembro até o dia 18 foi negativo em US$240 milhões. Os dados mais recentes do BC são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Na semana passada, de 14 a 18 de setembro, saíram líquidos do país US$1,091 bilhão.
REUTERS
IPC-S sobe 0,52% na terceira quadrissemana de setembro
O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da terceira quadrissemana de setembro subiu 0,52%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Em 12 meses, acumula alta de 3,80%.
No mesmo intervalo de agosto, o indicador havia recuado 0,39%; na primeira quadrissemana de setembro, teve alta de 0,51% e, na segunda, aumentou 0,49%. Nesta apuração, a maior contribuição veio do grupo Alimentação, cuja taxa passou de 0,21% na segunda medição para 0,58% na terceira. Educação, Leitura e Recreação reduziram a queda (-1,34% para -1,12%) e Vestuário avançou mais (0,06% para 0,30%). Despesas Diversas abrandaram o ritmo de alta (1,83% para 1,02%), assim como Habitação (1,94% para 1,86%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,26% para 0,19%) e Comunicação (0,27% para 0,21%). O grupo Transportes repetiu a taxa de variação registrada na última apuração, de baixa de 0,09%.
VALOR ECONÔMICO
Intenção de consumo cai 0,3% em setembro e atinge menor patamar em seis meses, diz CNC
Na comparação com setembro do ano passado, no entanto, a pesquisa ponta alta de 2,9%
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), calculada pela Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), caiu 0,3% em setembro, ante agosto, para 104,5 pontos, informou na quarta-feira (23) a organização. Com o recuo, o indicador registrou o menor patamar desde março deste ano (104,4 pontos). Incertezas sobre o futuro do mercado de trabalho levaram ao menor ímpeto de consumo no mês delineado na pesquisa, informou a CNC, em comunicado. Na comparação com setembro do ano passado, no entanto, o ICF subiu 2,9%, em setembro deste ano, completou ainda a confederação. Mas, dos sete tópicos usados para cálculo do ICF, quatro apresentaram recuo em setembro ante agosto. É o caso de renda atual (-0,1%), nível de consumo atual (-0,7%), perspectiva profissional (-0,7%), e momento para duráveis (-0,5%). Os que apresentaram aumento, na mesma comparação, foram emprego atual (0,1%) e acesso ao crédito (0,1%). Já a perspectiva de consumo teve estabilidade no mesmo período comparativo. Na comparação com setembro do ano passado, no entanto, apenas um tópico teve queda: perspectiva profissional (-8,6%). Os outros tópicos tiveram aumento: emprego atual (2%), renda atual (1,3%), nível de consumo atual (2,6%), perspectiva de consumo (4,3%), acesso ao crédito (8,7%), e momento para duráveis (17,2%). Os pesquisadores da CNC, no entanto, chamaram atenção para os recuos observados no tópico perspectiva profissional tanto ante mês anterior quanto em igual mês no ano passado. “Embora o recuo da inflação tenha favorecido a intenção de compra de bens duráveis no comparativo anual, os dados de setembro mostram que a preocupação com o futuro do mercado de trabalho fala mais alto no curto prazo, mantendo as famílias cautelosas para o consumo imediato”, disse o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros. “A renda do trabalhador já está comprometida com o crédito e precisa ser protegida junto com o emprego”, completou. Tadros defendeu busca de soluções para manutenção de bons índices de emprego, presentes desde 2025, para os próximos meses. As dúvidas sobre o emprego também influenciaram o resultado de nível de consumo, na pesquisa, detalhou ainda a CNC. Com o recuo de 0,7% em setembro, ante agosto, esse tópico caiu para 91,5 pontos, menor patamar desde janeiro (90,7 pontos). O recuo na intenção de consumo, mapeado pelo indicador, atingiu tanto a faixa de renda alta quanto a baixa, em setembro ante agosto, informou ainda a confederação. Nos consumidores com ganhos mensais até dez salários-mínimos, o ICF caiu 0,2% no período. Nas pessoas com renda acima de dez salários-mínimos, a intenção de consumo recuou 0,8% no mesmo período comparativo. E, no caso do tópico perspectiva de consumo, houve alta de 0,1% e queda de 0,1%, respectivamente, nas duas faixas de renda pesquisadas no ICF, em setembro ante agosto.
VALOR ECONÔMICO
Agropecuária deve crescer 2,8% em 2026, prevê Ministério da Fazenda
Previsão para a economia caiu de 2,3% para 2%, enquanto estimativa para o setor subiu um ponto percentual. Para 2027, El Niño pode pressionar preços de grãos e carnes.
O Ministério da Fazenda reduziu a previsão de crescimento da economia brasileira em 2026, mas elevou a estimativa para a agropecuária. Segundo o novo Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE), divulgado na terça-feira (22), o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 2% neste ano, contra 2,3% projetados anteriormente. Para o setor agropecuário, a estimativa subiu de 1,8% para 2,8%. A revisão coloca a agropecuária na contramão de indústria e serviços, cujas projeções foram reduzidas. A previsão para a indústria caiu de 2,1% para 1,7%, enquanto a dos serviços passou de 2,4% para 1,8%. A explicação para a piora nas estimativas dos setores mais ligados à atividade doméstica está principalmente nos juros. A Fazenda avalia que a política monetária continuará restringindo crédito, consumo e investimentos por mais tempo. A nova projeção indica que a agropecuária terá desempenho superior ao estimado anteriormente e a indústria e os serviços em 2026. O setor passa a ser um dos principais pontos de sustentação do crescimento projetado para a economia brasileira. A revisão ocorre em um cenário de desaceleração da atividade econômica. Segundo a SPE, a transmissão dos juros elevados para a economia ocorre com defasagem e afeta especialmente os segmentos mais dependentes de crédito e da demanda interna. No caso das famílias, o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas atingiu, no segundo trimestre, o maior nível da série histórica. Para a Fazenda, o quadro limita a transformação do aumento da massa de rendimentos em consumo. A revisão do cenário econômico veio acompanhada de uma redução na previsão de inflação para este ano. A estimativa para o IPCA caiu de 5,1% para 4,9%. A mudança considera os resultados do índice até julho, com preços de alimentos consumidos nos domicílios parcialmente abaixo do esperado pela equipe econômica. A melhora das expectativas de inflação também contribuiu para a revisão. Apesar da queda, a projeção permanece acima do teto da meta, de 4,5%. O cenário para o próximo ano é menos favorável. A Fazenda reduziu de 2,5% para 2,3% a previsão de crescimento do PIB em 2027 e elevou de 3,6% para 3,8% a estimativa para o IPCA. Entre os fatores considerados está o possível impacto de um El Niño mais intenso sobre a produção agrícola. A avaliação da SPE é que o fenômeno pode atingir inicialmente a oferta de grãos e, posteriormente, pressionar os preços de outros alimentos, incluindo carnes. “A projeção para 2027 foi revisada para cima em razão dos efeitos de primeira ordem do El Niño sobre a produção de grãos e de segunda ordem sobre os preços das carnes”, informou a secretaria. A preocupação climática coloca a produção de grãos no centro das projeções para os preços dos alimentos no próximo ano. Eventuais alterações na oferta também podem repercutir sobre os custos de outras cadeias agropecuárias. A Fazenda também revisou a trajetória esperada para a política monetária e passou a considerar uma flexibilização dos juros “marginalmente mais gradual do que o previsto” anteriormente. A expectativa é que a redução da Selic, quando ocorrer, tenha efeitos progressivos sobre crédito, consumo e investimentos. Segundo a SPE, setores como indústria de transformação, construção e serviços mais cíclicos tendem a responder à queda do custo de capital. O cenário, porém, permanece sujeito a riscos externos e domésticos, como oscilações nos preços do petróleo, condições de crédito, comportamento da demanda interna, exportações e desempenho da indústria extrativa. As novas estimativas fazem parte dos parâmetros utilizados pelo governo para atualizar o planejamento fiscal. O Boletim Macrofiscal serve de referência para projeções de receitas e despesas públicas. Os números também serão considerados no Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, que será divulgado pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento na quinta-feira (24).
AGÊNCIA BRASIL
INTERNACIONAL
Acordo Mercosul–Singapura abre novas oportunidades para a carne bovina sul-americana
A entrada em vigor do acordo de livre comércio entre Mercosul e Singapura abre uma nova frente para a carne bovina produzida no bloco. Apesar de ter uma população de apenas cerca de 6 milhões de habitantes, o país asiático se destaca pelo elevado poder de compra e pela forte dependência de produtos importados.
Em 2025, Singapura importou US$ 503,736 bilhões em bens, ocupando a posição de 16º maior importador mundial. A dimensão desse comércio contrasta com a ainda pequena presença dos países sul-americanos em diferentes segmentos do mercado — e ajuda a explicar por que o acordo pode representar uma oportunidade para o agronegócio do Mercosul. Para a pecuária, a carne bovina aparece entre os produtos com espaço para avançar. A Argentina, por exemplo, já possui presença no mercado singapuriano com carne bovina desossada fresca ou refrigerada. Em 2025, as exportações argentinas desse produto para Singapura alcançaram US$ 4,66 milhões, crescimento de 17% em relação ao ano anterior. O país também comprou aproximadamente US$ 830 mil em miúdos bovinos congelados da Argentina. Embora os números ainda sejam relativamente pequenos, existe espaço para expansão. Segundo o levantamento citado pela La Nación, baseado no mapa de oportunidades do International Trade Centre (ITC), a carne bovina congelada está entre os produtos argentinos com maior margem para ampliar as vendas ao país asiático. A diferença entre o potencial identificado e o comércio realizado atualmente seria próxima de US$ 8 milhões. Mais do que simplesmente aumentar o volume embarcado, uma das possibilidades apontadas é ampliar a variedade de cortes destinados a Singapura. A reportagem destaca que os frigoríficos argentinos já contam com contatos comerciais, conhecimento do mercado e uma oferta pecuária capaz de atender segmentos de maior valor. Nesse cenário, a estratégia passa pela busca de nichos em que qualidade e preço permitam compensar os custos de uma logística de longa distância. É uma característica importante quando se olha para Singapura: trata-se de um mercado pequeno em número de habitantes, mas com elevado poder aquisitivo e forte participação de produtos importados. O acordo estabelece condições de acesso preferencial para produtos originários do Mercosul, com redução de tarifas. Isso, porém, não significa que as exportações aumentarão automaticamente. Questões como habilitações sanitárias, logística, regularidade de fornecimento e relacionamento com importadores e distribuidores continuarão sendo determinantes para transformar o acesso comercial em vendas efetivas. Essa distinção é especialmente relevante para a carne bovina, produto que depende não apenas de condições tarifárias competitivas, mas também do cumprimento das exigências sanitárias do mercado comprador. Outro aspecto estratégico destacado pela reportagem é a posição de Singapura como hub logístico, financeiro e comercial do Sudeste Asiático. Empresas internacionais utilizam o país como base para operações em outros mercados da região. Por isso, uma venda para Singapura não necessariamente precisa ser encarada apenas como uma operação destinada aos seus cerca de 6 milhões de habitantes. O país também pode funcionar como porta de entrada para a construção de relações com distribuidores, parceiros e canais comerciais que atuam em outros mercados asiáticos. O acordo cria condições mais favoráveis para um mercado que já compra carne bovina sul-americana, mas no qual ainda há espaço para crescimento. No caso apresentado pela reportagem, a Argentina parte de uma presença comercial já estabelecida e encontra oportunidades principalmente na carne congelada e em produtos destinados a segmentos de maior valor. Para o restante do Mercosul, incluindo o Brasil, a entrada em vigor do acordo aumenta a relevância de acompanhar a abertura e as condições de acesso ao mercado singapuriano. Mais do que o tamanho de sua população, o que torna Singapura interessante para a cadeia da carne é a combinação de alto poder de compra, dependência de importações e posição estratégica dentro do comércio do Sudeste Asiático.
LA NACÍON
EUA avaliam reduzir importação de carne bovina autorizada por Trump
A decisão vem à medida que cresce o pânico no Partido Republicano às vésperas das eleições de meio de mandato para o legislativo americano. Objetivo das importações sem tarifas é diminuir os altos preços da carne bovina ao consumidor americano
Um pequeno grupo de autoridades da Casa Branca está avaliando a possibilidade de rever a decisão do presidente Donald Trump de aumentar as importações de carne bovina estrangeira. A decisão vem à medida que cresce o pânico no Partido Republicano às vésperas das eleições de meio de mandato para o legislativo americano, noticiou na quarta-feira (23/9) o portal americano Político. No final de agosto, Trump assinou uma ordem que permitia a entrada de até 300 mil toneladas do produto destinado à fabricação de carne moída sem aplicação de tarifas sobre volumes que excedam as cotas dos países fornecedores, visando reduzir o preço da carne no país. O Brasil, segundo o próprio presidente americano, foi um dos principais beneficiados. A proposta de diminuir o volume das importações está sendo discutida, segundo a reportagem, no Conselho de Política Interna do governo, liderado por Vince Haley, redator de discursos de Trump, e por alguns outros funcionários da Casa Branca, segundo duas pessoas com conhecimento direto das conversas ouvidas pelo Político. Outras autoridades ligadas ao governo não têm certeza se as negociações surtirão efeitos. As duas fontes citadas pela publicação afirmaram que o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) discorda da redução das importações, uma vez que o objetivo é diminuir os altos preços da carne bovina ao consumidor no curto prazo e porque o próprio USTR ajudou a implementar a medida.
GLOBO RURAL
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