
Ano 11 | nº 2800 | 18 de setembro de 2026
ABRAFRIGO NA MÍDIA
EXPORTAÇÕES DE CARNE BOVINA RECUAM EM AGOSTO, MAS ACESSO A NOVA QUOTA DOS ESTADOS UNIDOS DEVE CONTRIBUIR PARA AMENIZAR EFEITOS CHINA E UE
As vendas para o país norte americano, que cresceram forte até agosto, devem ganhar novo impulso com o acesso à nova quota que passou a vigorar a partir de setembro, reduzindo os efeitos resultantes das restrições tarifárias da China e das barreiras impostas pelo mercado europeu à carne brasileira.
As exportações brasileiras de carnes e subprodutos do abate de bovinos (incluindo carne in natura, industrializada, miúdos comestíveis e outros subprodutos) apresentaram queda de 16,11% em agosto de 2026, frente ao mesmo mês do ano anterior, para US$ 1,399 bilhão. Os volumes embarcados recuaram 25,56%, para 267,34 mil toneladas. O resultado do mês de agosto refletiu principalmente o esgotamento da quota de exportações da carne bovina brasileira para o mercado chinês, de 1,106 milhão de toneladas, sendo que as vendas acima desse volume são sobretaxadas em 55%. As informações foram compiladas pela Associação Brasileira de Frigoríficos (ABRAFRIGO), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do MDIC. No acumulado de janeiro a agosto de 2026, as exportações do setor alcançaram US$ 12,957 bilhões, com um crescimento de 19,55% em comparação ao mesmo período de 2025. Em volume, a queda no período foi de 1,14%, para 2,387 milhões de toneladas. A China se manteve como principal compradora externa da carne bovina brasileira nos primeiros oito meses do ano. No total, o país asiático foi responsável por aquisições de US$ 5,438 bilhões, com um aumento de 9,43%. Em volume, as vendas para a China apresentaram queda de 7,9%, para 873 mil toneladas. Considerando apenas o mês de agosto, as vendas de carne bovina in natura para o mercado chinês recuaram 89,62% em receitas, para US$ 92 Milhões, e 89,82% em volume, para 16 mil toneladas, frente a agosto de 2025. Com o esgotamento da quota de exportações do Brasil para a China, a expectativa é de que as vendas para o país asiático sejam retomadas a partir de novembro, para contabilização na quota do próximo ano. Os Estados Unidos, que se consolidaram como o segundo maior importador da carne bovina brasileira, ganham impulso extra com a nova quota, de até 300 mil toneladas, livre do imposto alfandegário de 26,4%, destinada a “outros” países (que não dispõem de quota específica no mercado norte-americano). A medida tem validade a partir do mês de setembro e será subdividida em quotas mensais de até 100 mil toneladas que deverão ser preenchidas mensalmente, com validade até novembro de 2026. O Brasil deve ser o maior beneficiário dessa concessão tarifária, o que contribuirá para atenuar os efeitos do esgotamento da quota de exportações para a China nos meses de setembro a novembro de 2026. Segundo informações do serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP), compiladas pela adidância do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) nos Estados Unidos, até o dia 14 de setembro de 2026 houve o preenchimento de 22,16% da quota de 100 mil toneladas alocada para o mês de setembro de 2026. É importante destacar que, conforme as normas divulgadas, o volume não preenchido em um mês não será automaticamente realocado para o mês seguinte. A quota destina-se às exportações de aparas de carne bovina magra (beef trimmings) descritas nos códigos de classificação (Sistema HS) 0201.30.5091, 0201.30.5097, 0202.30.5091 e 0202.30.5097. De janeiro a agosto de 2026, as vendas totais de carne bovina para os Estados Unidos alcançaram US$ 2 bilhões, com crescimento de 24,75% em relação ao mesmo período de 2025. Considerando apenas as vendas de carne bovina in natura, as vendas para o país norte-americano cresceram 62,16%, alcançando US$ 1,458 bilhão nos primeiros oito meses do ano. Em volume embarcado, houve aumento de 37,24%, para 241 mil toneladas. Apenas no mês de agosto 2026, antes, portanto, da entrada em vigor da nova quota, as vendas de carne bovina in natura para os Estados Unidos alcançaram US$ 182,2 milhões (+385%), com o embarque de 31,33 mil toneladas (+390%). Vale lembrar, ainda, que em agosto de 2025 havia entrado em vigor a tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros, incluindo a carne bovina, o que deve favorecer ainda mais o desempenho das vendas para os Estados Unidos nos próximos 3 meses. A União Europeia foi o terceiro maior destino das exportações brasileiras de carne bovina nos primeiros oito meses do ano. As vendas totais para o bloco europeu alcançaram US$ 791,3 milhões, com crescimento de 44,4% sobre o resultado do mesmo período de 2025. As vendas de carne bovina in natura cresceram 38,54% no período comparativo, alcançando US$ 659 milhões, com o volume embarcado aumentando 26,36%, para 72,95 mil toneladas. Com a barreira imposta pela União Europeia à carne bovina brasileira, relacionada a dificuldades para o reconhecimento do protocolo para a produção livre de antimicrobianos, apresentado por entidades da cadeia produtiva e homologado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), estima-se que o Brasil deixará de embarcar cerca de 70 mil toneladas de produtos cárneos bovinos para a União Europeia, com impacto em torno de US$ 700 milhões para o setor no período de setembro a dezembro de 2026. Pelas informações disponíveis, o governo brasileiro ainda negocia com as autoridades europeias a possibilidade de reversão da barreira à carne brasileira. Nos outros mercados considerados estratégicos, o Chile manteve forte ritmo de expansão, com 106,8 mil toneladas embarcadas, alta de 32,4%, e receita de US$ 650 milhões, crescimento de 47,6%. A Rússia também ampliou significativamente as compras, para cerca de 96 mil toneladas, avanço de 29,4%, enquanto a receita cresceu 46,4%, para aproximadamente US$ 454 milhões. O México, por outro lado, foi o único dos cinco mercados a registrar retração: as compras caíram 18,8%, para 65,8 mil toneladas, e a receita recuou 9,4%, para US$ 399 milhões. Hong Kong apresentou recuperação, com 71 mil toneladas importadas, aumento de 9,9%, e faturamento de US$ 301 milhões, alta de 34,7%. Já a Arábia Saudita registrou um dos desempenhos mais expressivos, com crescimento de 24,9% em volume, para 49,7 mil toneladas, e de 56,8% em receita, que alcançou US$ 297,5 milhões. No total, o Brasil passou de 164 para 171 países compradores na comparação entre janeiro-agosto de 2025 e 2026. Destes, 126 aumentaram suas aquisições enquanto 55 reduziram.
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NOTÍCIAS
Novas altas no mercado do boi gordo em São Paulo
Oferta controlada sustenta altas, mesmo com a demanda de carne menos aquecida.
Mesmo com o arrefecimento da demanda por carne na segunda quinzena do mês, a oferta enxuta de gado sustentava o mercado. Os pecuaristas mantinham o ritmo de venda ajustado às necessidades de caixa, limitando a disponibilidade de bovinos terminados. Para as fêmeas, a oferta era ainda menor que a dos machos, o que contribuía para a alta nas cotações e para a redução do ágio entre as categorias. Do lado comprador, a postura era de cautela nas negociações, com foco no controle dos estoques. Ainda assim, os frigoríficos que queriam manter escalas confortáveis pagavam o que era pedido. Nesse cenário, na comparação feita dia a dia, a cotação do boi gordo e do “boi China” registrou o segundo dia consecutivo de alta – respectivamente, R$2,00/@ e R$3,00/@. A cotação da vaca subiu R$5,00/@, enquanto a da novilha, após alta de R$5,00/@ do dia anterior (16/9), abriu o dia estável. As escalas de abate atendiam, em média, a seis dias. Valia destacar que negócios pontuais acima das referências para o boi gordo e para a novilha aconteceram. Os negócios, porém, foram poucos e não caracterizavam referência de mercado. Na Bahia, na comparação feita dia a dia, alta na cotação da novilha na região Sul. Para as demais categorias e para a outra praça baiana, estabilidade. Na região Sul, a cotação da novilha subiu R$2,00/@. Na região Oeste do Maranhão, em função de uma menor oferta, a cotação da novilha subiu R$3,00/@. Para as demais categorias, a cotação não mudou. As escalas estavam, em média, para oito dias.
SCOT CONSULTORIA
Boi gordo: escalas apertadas de frigoríficos menores elevam arroba
O mercado atacadista, por sua vez, opera com preços acomodados após as altas recentes. O mercado físico do boi gordo se deparou com negócios acima da referência média ao longo do dia.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, os frigoríficos de maior porte ainda operam com escalas de abate mais confortáveis, considerando a incidência de animais de parceria e até mesmo a utilização de confinamentos próprios. “Por sua vez, os frigoríficos de menor porte ainda são obrigados a negociar de maneira mais contundente, diante de um quadro mais complicado na composição de suas escalas de abate”, disse. De acordo com ele, já houve relatos de negócios pontuais a R$ 360 a arroba no interior de São Paulo, mas foram pouco representativos. “A média no estado ainda se concentra entre R$ 350 e R$ 355 por arroba. É válido mencionar que o descompasso entre mercado físico e futuro se acentuou durante o pregão de hoje; o spread entre o vencimento setembro e o outubro excede R$ 20”, pontuou Iglesias. Preços do boi gordo: São Paulo: R$ 352,67 — ontem: R$ 351. Goiás: R$ 343,57 — ontem: R$ 342,86. Minas Gerais: R$ 337,35 — ontem: R$ 337,12. Mato Grosso do Sul: R$ 348,30 — ontem: R$ 347,84. Mato Grosso: R$ 331,42 — ontem: R$ 331,08. O mercado atacadista opera com preços acomodados nos níveis alcançados após as altas recentes. De acordo com Iglesias, a entrada dos salários na economia estimulou a reposição entre atacado e varejo durante a primeira metade do mês. “Entretanto, para a segunda quinzena, a expectativa é de menor intensidade do consumo. A elevada competitividade dos cortes suínos e da carne de frango também limita o espaço para novos avanços da carne bovina, especialmente em um ambiente de menor poder aquisitivo das famílias”, apontou Iglesias. Quarto traseiro: permanece a R$ 27,50 por quilo. Quarto dianteiro: segue a R$ 19,50 por quilo. Ponta de agulha: continua a R$ 18,50 por quilo.
SAFRAS NEWS
Boi/Cepea: Abate de bovinos atinge recorde no segundo trimestre
O volume de bovinos abatidos no Brasil foi recorde no segundo trimestre de 2026. De acordo com dados do IBGE, 10,72 milhões de cabeças foram abatidas de abril a junho deste ano, o maior resultado para um segundo trimestre desde o início da série histórica do Instituto, em 1997.
Segundo análise do Cepea, o aumento do número de animais abatidos também foi acompanhado por uma expansão da produção de carne. No primeiro trimestre de 2026, o peso das carcaças bovinas somou 2,63 milhões de toneladas, enquanto, no segundo trimestre, chegou a 2,75 milhões de toneladas, alta de 4,4%. De acordo com o Centro de Pesquisas, o resultado reforça o cenário de maior oferta de carne bovina pela indústria frigorífica e acompanha o elevado ritmo de abate observado no País. Pesquisadores do Cepea ressaltam, ainda, que esse movimento pode estar associado não apenas ao maior número de animais encaminhados aos frigoríficos, mas também à composição do rebanho abatido, ao peso das carcaças e aos ganhos de produtividade nos sistemas de produção, resultado de investimentos em genética, nutrição, manejo e qualidade das pastagens.
CEPEA
China deve retomar compras de carne bovina para a cota de 2027, diz Datagro
Analista vê intensificação dos negócios entre o fim de setembro e o início de outubro, com embarques voltados à entrada da nova cota chinesa em janeiro
A China deve voltar a intensificar as compras de carne bovina brasileira entre o fim de setembro e o início de outubro, para que as cargas cheguem ao país a partir de janeiro de 2027. A avaliação foi feita nesta quarta-feira (16) pelo analista de pecuária da Datagro, Guilherme Jank, durante o 6º Fórum Pecuária Brasil, em São Paulo. Segundo ele, a retomada é esperada após a desaceleração provocada pelo limite de importação estabelecido por Pequim para 2026. Jank afirmou que a cota chinesa foi cumprida em praticamente sete meses e que, por isso, a dinâmica de compras mudou ao longo do ano. A cota brasileira em 2026 é de 1,106 milhão de toneladas, com tarifa normal de importação de 12%. Sobre o volume que exceder esse limite, incide tarifa adicional de 55%. Em 2027, a cota sobe para 1,128 milhão de toneladas. No mercado brasileiro, a leitura é de que o limite de 2026 já foi atingido ao considerar cargas embarcadas e ainda em trânsito. Pela regra chinesa, a contabilização ocorre na entrada do produto no país. O recuo das compras ficou mais evidente em agosto, quando a China importou 18,9 mil toneladas de carne bovina brasileira, queda de 88,2% ante igual mês de 2025. A desaceleração também apareceu nas cotações do boi gordo. De acordo com a Datagro, a arroba chegou à faixa de R$ 325 com a redução da demanda chinesa, mas recuperou cerca de R$ 25 em menos de duas semanas e voltou para perto de R$ 350. Na terça-feira (15), o Indicador do Boi Datagro em São Paulo fechou a R$ 352,37 por arroba. Na B3, os contratos futuros permaneceram acima do mercado físico. Outubro encerrou a R$ 375,85 por arroba; novembro, a R$ 383,20; dezembro, a R$ 383,35; e janeiro de 2027, a R$ 386,15. O Indicador do Boi Datagro é usado pela B3 como referência para a liquidação dos contratos futuros da commodity. Segundo Jank, a China não será o único fator na formação dos preços do boi. A demanda dos Estados Unidos, o consumo brasileiro e o câmbio também devem influenciar o comportamento do mercado. A expectativa de retomada das compras chinesas também aparece entre exportadores e compradores que já negociam cargas com chegada prevista para janeiro, dentro da cota de importação de 2027.
ESTADÃO CONTEÚDO
ECONOMIA
Dólar fecha em leve baixa apesar de reação negativa ao reajuste do Bolsa Família
O dólar fechou a quinta-feira em leve baixa no Brasil, após ter subido mais cedo com o mercado reagindo negativamente ao anúncio de reajuste do Bolsa Família, com impacto fiscal para este ano e o próximo estimado pelo governo em um total de R$27,8 bilhões.
O dólar à vista encerrou a sessão com variação negativa de 0,25%, a R$5,1392. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,37%. Às 17h03, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,29% na B3, aos R$5,1515. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou pela manhã um reajuste de aproximadamente 15% nos benefícios do Bolsa Família, que já valerá para os pagamentos feitos em outubro, levando o piso do programa a R$691 por família, de R$600 antes. Segundo a equipe econômica, o aumento assegura reposição da inflação no valor do benefício, que ainda não tinha sido reajustado no governo Lula. O custo estimado da medida é de R$5,8 bilhões em 2026 e de R$22 bilhões em 2027. A reação negativa do mercado foi imediata, com o dólar ganhando força e atingindo a máxima de R$5,1785 (+0,52%) às 10h41. Operador ouvido pela Reuters chamou a atenção justamente para o aumento das despesas, em um cenário que já é de dificuldades para o equilíbrio das contas públicas. O anúncio do governo é mais um fator com potencial para impactar a disputa pela Presidência, em um momento em que Lula tem se enfraquecido nas pesquisas em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No início do dia, a nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou Flávio com 47,2% das intenções de voto no segundo turno, contra 46,8% de Lula. Como a margem de erro é de 1 ponto percentual, os dois seguem tecnicamente empatados, mas Flávio ampliou ligeiramente sua vantagem numérica. No levantamento anterior, o senador tinha 46,4% e Lula somava 46,2%. Passado o primeiro impacto do anúncio do reajuste do Bolsa Família, o dólar perdeu força e se reaproximou da estabilidade. No exterior, a tarde também foi de baixa do dólar ante divisas pares do real como o rand sul-africano e o peso mexicano. Às 17h06, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — caía 0,04%, a 100,220.
REUTERS
Ibovespa avança com Vale em pregão com fiscal e eleição no radar
O Ibovespa fechou em alta na quinta-feira, assegurada principalmente pelo avanço de 2% da blue chip Vale, após reação negativa no pregão ao anúncio de reajuste do Bolsa Família e seus potenciais efeitos nas contas públicas e no cenário eleitoral.
Nova pesquisa eleitoral também ocupou as atenções, reforçando o cenário de disputa acirrada pelo Palácio do Planalto, assim como a decisão de política monetária do Banco Central, que reduziu a Selic a 13,75% na véspera e deixou em aberto os próximos movimentos. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com acréscimo de 0,24%, a 185.992,03 pontos, após chegar a 186.740,72 pontos na máxima do dia (+0,72%). O volume financeiro no pregão somou R$26,81 bilhões, em sessão ainda marcada por desempenho robusto de Wall Street e queda dos preços do petróleo no mercado internacional. A menos de 20 dias das eleições, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca novo mandato, anunciou aumento de 15% nos benefícios do Bolsa Família a partir de outubro, estimando um custo fiscal de R$5,8 bilhões em 2026 e de R$22 bilhões em 2027. De acordo com profissionais do mercado financeiro, embora a iniciativa tenha efeitos positivos sobre renda e inclusão social, o momento de sua divulgação e a ampliação dos gastos voltaram a alimentar questionamentos sobre a trajetória fiscal do país e a sustentabilidade da dívida pública nos próximos anos. Estrategistas do BTG Pactual mantiveram a classificação neutra para as ações brasileiras em seu portfólio para a América Latina, ressaltando que a corrida eleitoral está totalmente indefinida. “Acreditamos que a eleição está acirrada demais para permitir previsões confiáveis e, por isso, continuamos favorecendo empresas de alta qualidade e elevada liquidez, que, em nossa avaliação, tendem a apresentar bom desempenho sob qualquer um dos cenários, seja uma vitória do atual governo ou da oposição”, afirmaram em relatório a clientes. “Temos evitado recomendações de ações cuja tese de investimento dependa excessivamente de uma melhora fiscal. Podemos mudar essa abordagem se houver razões para isso, mas acreditamos que a classificação atual para o país, Neutra, com foco em qualidade e liquidez, continua sendo a melhor forma de navegar o cenário que está por vir.” De acordo com Villela, o corte de 0,25 ponto já vinha sendo desenhado há algumas semanas e era praticamente consenso, “então sobrou pouco para o mercado reprecificar”. Ele destacou que a magnitude do corte não muda a conta de ninguém nem deixa a bolsa mais atrativa, uma vez que o investidor continua muito bem remunerado na renda fixa a 13,75%. De acordo com a B3, a bolsa voltou a registrar entrada líquida de estrangeiros no último dia 15, após duas sessões com saída, passando a acumular em setembro saldo positivo de R$7,25 bilhões até a última terça-feira. Até o dia 14, eram R$7 bilhões.
REUTERS
‘Prévia do PIB’ do Banco Central tem retração de 0,2% em julho
Números mostram que agropecuária puxou queda da atividade em julho. Na parcial do ano e em doze meses até julho, indicador avançou 1,5%. Agropecuária teve retração e puxou a atividade econômica para baixo em julho
O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), divulgado pelo Banco Central do Brasil (BC) na quarta-feira (16), mostrou recuo de 0,2% em julho, na comparação com o mês anterior. O cálculo é feito após ajuste sazonal — ou seja, uma forma de comparar períodos diferentes. O resultado representa melhora em relação a junho, quando houve contração de 0,9% no indicador. Esse foi o segundo mês de queda do indicador, segundo o Banco Central: Agropecuária: recuou de 1,2%; indústria: queda de 0,4%; serviços: estabilidade. Ainda segundo o Banco Central, o IBC-Br apresentou crescimento de 1,1% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Na parcial do ano, o indicador avançou 1,5% e, em 12 meses até julho, teve aumento também de 1,5%. Nesses casos, o índice foi calculado sem ajuste sazonal. O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia. O resultado oficial, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tem uma metodologia diferente. Em um ano eleitoral, o governo tem adotado ações para estimular a economia e reduzir o endividamento da população, o que impulsiona a demanda por produtos e serviços. Na ata da última reunião do Copom, divulgada em agosto, o BC informou que o chamado “hiato do produto” segue positivo. Isso quer dizer que a economia continua operando acima do seu potencial de crescimento sem pressionar a inflação. O mercado financeiro acredita em desaceleração da economia no ano de 2026 fechado.
G1/O GLOBO
Valor bruto da produção agropecuária atingiu R$ 1,4 trilhão em agosto
Indicador considera o desempenho das lavouras e da pecuária. Entre os produtos agrícolas, a soja permanece na liderança, com valor estimado em R$ 340,6 bilhões, correspondente a 24,3% do VBP
O Ministério da Agricultura informou que a estimativa do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) para agosto ficou em R$ 1,403 trilhão. O indicador representa o valor da produção agropecuária dentro das propriedades rurais e considera o desempenho das lavouras e da pecuária. Do total estimado, as lavouras respondem por R$ 894,1 bilhões, o equivalente a 63,7% do VBP. A pecuária, por sua vez, representa R$ 509,1 bilhões, ou 36,3% do valor total.
Entre os produtos agrícolas, a soja permanece na liderança, com valor estimado em R$ 340,6 bilhões, correspondente a 24,3% do VBP. Na sequência, aparecem o milho, com R$ 158 bilhões (11,3%), a cana-de-açúcar, com R$ 106,3 bilhões (7,6%), e o café, com R$ 102,9 bilhões (7,3%). Na pecuária, a carne bovina apresenta o maior valor estimado, de R$ 249,2 bilhões, equivalente a 17,8% do VBP. A carne de frango aparece em seguida, com R$ 107,4 bilhões (7,7%). No recorte regional, o Centro-Oeste lidera o VBP, impulsionado pelo resultado de Mato Grosso, estimado em R$ 218,2 bilhões, o equivalente a 15,6% do total. Na sequência está o Sudeste, com destaque para Minas Gerais, que apresenta estimativa de R$ 166,8 bilhões (11,9%).
GLOBO RURAL
EMPRESAS
Sem vendas de carne bovina à China, frigoríficos têm custos mais elevados
Sem vender carne bovina para a China atualmente, uma vez que a cota de importação estabelecida pelo país asiático já foi preenchida, os frigoríficos brasileiros passaram a ter custos mais elevados, afirmou Luciano Pascon, CEO da Frigol, durante evento da Datagro em São Paulo dia 16. A razão é que tiveram que ajustar seu processo industrial de carne bovina para atender outros destinos.
“Mesmo tendo outros destinos para fazer [venda de carne bovina], isso encarece o processo industrial. Uma coisa é ter dez clientes na China e produzir no mesmo padrão, outro é ter dez a 15 clientes de outros países e produzir coisas diferentes”, disse o executivo. “Isso aumenta o custo, e o repasse de preços é muito menor. A China é de longe o carro-chefe das nossas margens”, acrescentou. O país asiático implantou desde o início do ano uma política de cotas de importação de carne com tarifa reduzida. O Brasil preencheu ainda em julho sua cota de 1,106 milhão de toneladas para todo o ano de 2026. Pascon disse que, a partir do momento em que os importadores chineses voltarem a comprar carne do Brasil para ser contabilizada na cota de 2027, o ideal seria fechar vendas de forma gradual, para “não encharcar o mercado chinês”. A expectativa é que a China volte a fazer compras em outubro, para que o produto chegue aos portos chineses em janeiro. “Se fizermos isso, haverá uma pressão sobre os preços. Pode até ter uma reação no [preço do] boi, mas seis meses depois a cota se esgota”, afirmou. “O melhor cenário seria distribuir os volumes [de venda] ao longo do ano. Assim conseguiríamos dar segurança ao produtor de que não haveria período de baixa e conseguiríamos preços relativamente elevados com a China”, acrescentou. O CEO da Plena Alimentos, Paulo Emilio, disse no evento que está preocupado com a demanda doméstica em virtude do endividamento da população. Segundo ele, 60% dos funcionários da empresa contrataram crédito consignado. “É uma preocupação grande para o ano que vem, pode trazer uma surpresa negativa”, disse.
GLOBO RURAL
SUÍNOS
Suínos/Cepea: Maior demanda impulsiona preços da carcaça e do vivo
As cotações da carcaça suína e do animal vivo avançaram de forma expressiva no atacado da Grande São Paulo nos últimos dias.
De acordo com pesquisadores do Cepea, agentes da indústria relatam maior demanda por produtos suinícolas na ponta final do mercado, o que aumentou o ritmo de negócios frente ao observado na semana anterior. Consequentemente, a procura por novos lotes de suíno vivo também se aqueceu, cenário que impulsionou os preços do animal.
CEPEA
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