
Ano 11 | nº 2798 | 16 de setembro de 2026
NOTÍCIAS
A cotação do boi gordo em São Paulo esteve estável
Mercado equilibrado, com oferta controlada e negociações em ritmo lento. O mercado abriu com poucos negócios.
Segundo levantamento da Scot Consultoria, o boi gordo destinado ao mercado interno paulista segue cotado em R$ 345/@, enquanto o “boi-China” está apregoado em R$ 350/@ (valores brutos, no prazo). A expectativa de um arrefecimento do consumo e as escalas equilibradas, em torno de oito dias, davam suporte a uma postura mais cautelosa por parte dos compradores, que priorizavam o equilíbrio dos estoques. A oferta de boiadas, por sua vez, atendia à demanda, mas sem excedentes. Os pecuaristas controlavam a oferta e buscavam uma remuneração maior. Caso os compradores encontrassem dificuldades para realizar aquisições nas referências vigentes, ajustes positivos nas ofertas de compra estavam no radar para manter as programações de abate. No Espírito Santo, o mercado esteve equilibrado. A oferta atendia à demanda, mas sem excedentes, o que mantinha as cotações firmes. Na comparação feita dia a dia, estabilidade para todas as categorias. As escalas de abate atendiam, em média, a cinco dias. Na exportação de carne bovina in natura, até a segunda semana de setembro, o volume exportado foi de 79,7 mil toneladas, com uma média diária de 9,9 mil toneladas, queda de 30,3% frente ao embarcado por dia em setembro de 2025, o melhor setembro de toda a série histórica. Na comparação com agosto desse ano, alta de 6,9% no volume diário. Em relação à primeira semana do mês, o volume embarcado por dia diminuiu. A cotação média da tonelada ficou em US$6,2 mil, semelhante à de agosto, mas 10,5% maior na comparação com o mesmo período de 2025. Se mantido o ritmo dos embarques, setembro deverá superar as 200,0 mil toneladas, ultrapassando agosto e interrompendo a consecutividade de diminuição das exportações.
SCOT CONSULTORIA
Arroba do boi tem leve alta, mas exportações de carne têm queda de 29% no início de setembro
Quantidade total embarcada pelo país chegou a 40,582 mil toneladas, com média diária de 10,145 mil toneladas nos primeiros dias do mês
O mercado físico do boi gordo registrou um cenário de leve alta nos preços ao longo da semana, com a arroba indicada em R$ 350 na última sexta-feira (11). Segundo o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, o posicionamento mais confortável das escalas de abate por parte dos frigoríficos, especialmente os de maior porte, contribuiu para esse movimento. De acordo com ele, o movimento do mercado futuro ainda chama a atenção, com importante descolamento dos preços entre o mercado físico e os contratos setembro, outubro, novembro e dezembro operando em patamares firmes. “O motivo da alta expressiva ao longo da semana ainda são especulações ligadas à China, com um possível retorno precoce fazendo uso de rotas marítimas mais extensas. Do ponto de vista da logística, parece pouco provável que essa movimentação aconteça considerando o adicional de custos envolvidos”, avalia. As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 249,076 milhões em setembro (4 dias úteis), com média diária de US$ 62,269 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A quantidade total exportada pelo país chegou a 40,582 mil toneladas, com média diária de 10,145 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.137,60. Em relação a setembro de 2025, houve baixa de 22,5% no valor médio diário da exportação, queda de 29,1% na quantidade média diária exportada e avanço de 9,3% no preço médio. Conforme Iglesias, o mercado atacadista registrou uma semana de alta nas cotações para os cortes do traseiro bovino. A entrada dos salários na economia e a aceleração da reposição entre o atacado e o varejo contribuiu para sustentar os preços. Ainda assim, a carne bovina segue enfrentando forte concorrência da carne de frango e dos ovos, produtos que apresentam maior competitividade no atual ambiente de consumo. O mês de setembro tende a permanecer desafiador para as vendas, considerando a escassez de datas comemorativas e eventos capazes de impulsionar a demanda. Quarto do traseiro bovino: foi precificado a R$ 26,50 por quilo, alta de 1,92% ante os R$ 26,00 registrados no final da semana passada Quarto do dianteiro do boi: foi cotado a R$ 19,00 por quilo, queda de 5,00% ante os R$ 20,00 praticados no fechamento da última semana.
SAFRAS NEWS
Produção de carne bovina do Brasil deve cair 3,6% em 2027, prevê Conab
A produção de carne bovina do Brasil, maior produtor e exportador global, deverá cair 3,6% em 2027 em relação a 2026, para 11,4 milhões de toneladas, com a possibilidade de menores abates de vacas para a recomposição do rebanho, estimou na terça-feira a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
“Para 2027, a expectativa é de redução mais perceptível da disponibilidade de animais, à medida que a retenção de fêmeas avançar”, disse a Conab, referindo-se a um movimento do ciclo pecuário. Seria o segundo ano seguido de redução na produção, após o país produzir 11,9 milhões de toneladas em 2025 e 11,84 milhões de toneladas em 2026, segundo números da estatal. Em 2025/26, o Brasil apareceu na liderança global da produção de carne bovina, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), com cerca de 20% do volume global, seguido pelos norte-americanos, que lidam com uma redução do rebanho. “Os resultados de 2026 indicam que a reversão do ciclo pecuário está ocorrendo de forma mais gradual do que se projetava inicialmente”, avaliou a Conab. “O abate permaneceu acima do observado no ano anterior durante o primeiro semestre, sustentado pela disponibilidade de fêmeas, pelo aumento do peso médio das carcaças e pela maior utilização do confinamento”, acrescentou a estatal, frisando que a “esperada retração da produção ainda não se manifestou de forma intensa”. A valorização de bezerros e animais de reposição indica redução da oferta nessas categorias, o que tende a estimular a retenção de matrizes, apontou o relatório. Em relatório sobre perspectivas agropecuárias, a Conab estimou ainda um aumento de 2,2% nas exportações de carne bovina em 2027, para 4,8 milhões de toneladas. Esse crescimento seria seguido de um aumento em 2026, que deve fechar com embarques de 4,7 milhões de toneladas, ante 4,5 milhões em 2025, conforme números da estatal. “As exportações registraram bom desempenho no primeiro semestre de 2026, tanto em volume quanto em receita. A demanda chinesa, os preços internacionais elevados e a abertura de mercados sustentaram os embarques”, indicou o relatório, ponderando que no segundo semestre os embarques devem desacelerar diante do preenchimento de uma cota da China com tarifas mais baixas. De outro lado, o consumo no Brasil permanece “moderado e concentrado nos cortes de menor valor”, disse a Conab. “A carne bovina perdeu competitividade em relação ao frango e à carne suína, principalmente entre os consumidores de menor renda”, afirmou a estatal, explicando que esse movimento limita o repasse integral da valorização da arroba ao varejo. A Conab projeta a continuidade de crescimento da produção de carne de frango do Brasil, que deverá bater novo recorde em 2027, para 16,7 milhões de toneladas, ante 16,3 milhões em 2026 e 15,8 milhões em 2025. As exportações do país, também o maior exportador global de carne de frango, devem ter alta de 0,8% no ano que vem.
REUTERS
Abate de bovinos atinge recorde para um segundo trimestre, aponta IBGE
Processamento chegou a 10,72 milhões de cabeças entre abril e junho; exportações cresceram em volume, preço médio e receita na comparação anual
O abate de bovinos no Brasil alcançou 10,72 milhões de cabeças no segundo trimestre de 2026, estabelecendo um novo recorde para o período, segundo dados preliminares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa crescimento de 1,3% em relação ao segundo trimestre de 2025 e avanço de 4% na comparação com os três primeiros meses deste ano. Os números confirmam a manutenção de uma oferta elevada de animais para a indústria frigorífica, mesmo após os fortes volumes registrados ao longo do último ano. O aumento dos abates também foi acompanhado pela expansão da produção. Entre abril e junho, o peso total das carcaças bovinas chegou a 2,76 milhões de toneladas, alta de 3% na comparação anual e de 4,4% frente ao primeiro trimestre de 2026. O crescimento do peso das carcaças acima da elevação registrada no número de animais abatidos indica uma melhora no peso médio dos bovinos processados. Esse movimento pode estar relacionado, entre outros fatores, à maior participação de animais terminados em sistemas mais intensivos e ao desempenho produtivo dos lotes encaminhados aos frigoríficos. A demanda externa teve papel importante no escoamento da produção brasileira durante o segundo trimestre. As exportações de carne bovina in natura somaram 793,3 mil toneladas, volume 13,2% superior ao registrado no mesmo período de 2025. A receita avançou de maneira ainda mais expressiva, alcançando US$ 5,10 bilhões, crescimento anual de 39,4%. O faturamento foi impulsionado não apenas pelo aumento dos embarques, mas também pela valorização do produto brasileiro no mercado internacional. O preço médio da carne bovina exportada ficou em US$ 6.433,70 por tonelada, alta de 23,1% em relação ao segundo trimestre do ano passado. Apesar de permanecer elevada, a quantidade de fêmeas abatidas recuou 1,9% na comparação com o segundo trimestre de 2025. Em relação aos três primeiros meses de 2026, no entanto, houve aumento de 2%. Mato Grosso permaneceu como o principal estado brasileiro no abate de bovinos, respondendo por 16,9% do total nacional no segundo trimestre. Na sequência aparecem São Paulo, com 12,2%, Goiás, com 10%, e Minas Gerais, com 9,3%. Juntos, os quatro estados concentraram 48,4% dos bovinos abatidos no país durante o período.
IBGE
Brasil exporta 79,7 mil toneladas de carne bovina até a segunda semana de setembro
Média diária dos embarques recua 30,3% na comparação anual, mas volume acumulado em 2026 já se aproxima de 2 milhões de toneladas
As exportações brasileiras de carne bovina somaram 79,71 mil toneladas nos primeiros oito dias úteis de setembro de 2026, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Os números foram divulgados na segunda-feira (14). O volume foi construído a partir de embarques relativamente equilibrados nas duas primeiras semanas do mês. Na primeira semana, o Brasil exportou 40,58 mil toneladas. Na segunda, foram mais 39,13 mil toneladas, uma redução de aproximadamente 3,6% entre os dois períodos. Apesar da regularidade dos embarques ao longo do mês, o ritmo diário está abaixo do observado em setembro do ano passado. A média registrada até agora é de 9,96 mil toneladas por dia, contra 14,30 mil toneladas diárias em setembro de 2025, o que representa uma retração de 30,33%. No mesmo mês do ano passado, as exportações alcançaram 314,62 mil toneladas, considerando 22 dias úteis. Mesmo com o desempenho mais fraco neste início de setembro, o volume exportado pelo Brasil desde janeiro permanece elevado. No acumulado de 2026, os embarques de carne bovina chegaram a 1,998 milhão de toneladas, ficando muito próximos da marca de 2 milhões de toneladas.
SECEX/MDIC
ECONOMIA
Dólar fecha quase estável no Brasil com cenário político no radar
O dólar oscilou em margens estreitas no Brasil e fechou a terça-feira próximo da estabilidade, com investidores monitorando com atenção o noticiário político, enquanto no exterior a moeda norte-americana também teve variações modestas ante outras divisas pares do real.
O dólar à vista encerrou a sessão com variação positiva de 0,10%, a R$5,1543. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,10%. Às 17h05, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,15% na B3, aos R$5,1715. Nova pesquisa CNT/MDA, divulgada no início da sessão, destoou de outros levantamentos eleitorais mais recentes ao mostrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto. Na simulação de segundo turno, Lula tem 47,3% das intenções de voto e Flávio soma 40%. Como a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, o petista lidera fora da margem de erro. Na segunda-feira, pesquisas da Quaest e do instituto Nexus mostraram empate técnico entre os dois. Com possíveis implicações para a disputa presidencial, os ministros do STF estiveram reunidos na terça-feira para discutir possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes no caso Master. Em manifestação entregue mais cedo ao presidente da corte, Edson Fachin, Moraes negou irregularidades e disse ser vítima de investigação ilegal, com motivação político-eleitoral e de vingança, por ter sido o relator do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. No mercado, uma avaliação recorrente é a de que notícias negativas para Moraes — como sua suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master — podem contribuir para a campanha de Flávio ao Planalto. Na terça-feira, porém, nova pesquisa CNT/MDA destoou de outros levantamentos ao mostrar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente de Flávio. Na simulação de segundo turno, Lula tem 47,3% e Flávio soma 40%. Como a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, o petista lidera fora da margem de erro. Na segunda-feira, pesquisas da Quaest e do instituto Nexus mostraram empate técnico entre os dois. “O mercado está aguardando a resolução do que vai acontecer no STF. O mercado está de lado, ninguém quer apostar em nada”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. O exterior também limitava a volatilidade. Isso porque o dólar apresentava oscilações modestas ante divisas pares do real como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano.
REUTERS
Petrobras assegura alta do Ibovespa em pregão com STF no foco antes de Fed e Copom
O Ibovespa fechou em alta na terça-feira, sustentado principalmente pelas ações da Petrobras, com o preço do barril do petróleo avançando quase 3% no mercado internacional. Investidores também voltaram as atenções para audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre petição referente a mensagens trocadas pelo ministro da corte Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,54%, a 186.502,64 pontos, após duas quedas seguidas. Na máxima do dia, chegou a 187.650,53 pontos. Na mínima, cedeu a 185.055,57. O volume financeiro no pregão somou R$22 bilhões, em sessão também de expectativa para decisões de juros na quarta-feira nos Estados Unidos e no Brasil. O barril de petróleo Brent fechou em alta de 2,9%, a US$108,75, após notícias de que carregamentos no porto de Yanbu, na Arábia Saudita, no Mar Vermelho, haviam sido suspensos e que a Líbia interrompeu operações em três campos. Em Nova York, o S&P 500 recuou 0,45%, em sessão também marcada pelo avanço nos rendimentos dos Treasuries, com receios envolvendo IA ainda minando a confiança dos investidores, em véspera de decisão de política monetária nos Estados Unidos. A agenda de “super quarta-feira” também inclui decisão de juros no Brasil, com economistas estimando um corte na taxa Selic para 13,75% ao ano e atentos a eventuais sinais sobre os próximos passos do Copom. Na terça-feira, porém, o STF concentrou as atenções, em uma sessão marcada por trocas de acusações e discussões entre os ministros da corte. A petição em análise no plenário da corte na terça-feira diz respeito a um relatório divulgado pelo ministro André Mendonça, que aponta mensagens entre Moraes e Vorcaro, ex-banqueiro preso acusado de fraudes financeiras e outros crimes. A bolsa fechou com os ministros votando para unificar os casos envolvendo os ministros Moraes e Mendonça e designar novo relator. A petição sobre Mendonça, que estava prevista para ser analisada no dia 23, diz respeito à alegação de Moraes de que o colega teria cometido abuso de poder e crime de responsabilidade no caso Master. De acordo com o Willian Queiroz, sócio e advisor da Blue3 Investimentos, a alta da Petrobras com o aumento dos preços do petróleo no exterior foi o principal “driver” do Ibovespa, mas o destaque na pauta do dia foi a sessão extraordinária no STF. Ele afirmou que se trata de um assunto que pode fazer preço no cenário eleitoral. O dia também contou com pesquisa CNT/MDA divulgada na terça-feira mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno entre ambos. De acordo com o levantamento, no segundo turno, Lula lidera com 47,3%, ante 48% na pesquisa anterior, ao passo que Flávio soma 40%, ante 39%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais. Outros levantamentos vinham mostrando empate técnico. Dados da B3 sobre a participação de estrangeiros na bolsa paulista mostraram a primeira sessão com saldo negativo no mês, no último dia 11. Ainda assim, setembro acumula uma entrada líquida de R$7,3 bilhões. Até o dia 10, eram R$7,4 bilhões. Pesquisa do Bank of America com gestores na América Latina mostrou recuperação no sentimento de investidores em setembro, com 73% dos participantes enxergando o Ibovespa acima de 180 mil no fim do ano, de 34% no levantamento de agosto. Além disso, 46% acreditam que o índice poderá atingir 200 mil pontos ou mais, um cenário que não foi apontado por nenhum participante na pesquisa anterior.
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Superávit comercial do Brasil deve superar US$90 bi em 2026, diz Márcio Rosa
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, disse na terça-feira, em evento no Palácio do Planalto, que o superávit da balança comercial do Brasil deve superar US$90 bilhões este ano. A projeção mais recente do ministério, divulgada em julho, é de um saldo positivo de US$90 bilhões em 2026. O Mdic revê suas estimativas trimestralmente.
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Economistas veem déficit primário menor e dívida mais alta em 2026 e 2027, mostra Prisma
Economistas consultados pelo Ministério da Fazenda melhoraram significativamente suas projeções para o déficit primário do governo central em 2026 e 2027, embora prevejam uma dívida pública mais alta nos dois anos, mostrou o relatório Prisma divulgado na terça-feira.
A mediana das expectativas para o déficit primário em 2026 passou para R$52,271 bilhões no relatório de setembro, de R$59,145 bilhões em agosto. Para 2027, a previsão é de déficit de R$45,350 bilhões, rombo menor que a estimativa anterior de R$55,000 bilhões. O governo tem como meta alcançar um superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto em 2026 (R$34,3 bilhões) e de 0,50% em 2027 (R$73,2 bilhões), mas há despesas que não são consideradas para efeitos da meta, que conta ainda com uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB. O Prisma estimou que a dívida bruta do governo ficará em 83,20% do PIB em 2026, contra previsão de 83,00% apontada em agosto. Para 2027, a expectativa é que o indicador salte para 87,00% do PIB, acima dos 86,77% estimados no mês anterior. A equipe econômica do governo tem argumentado que o endividamento segue elevado apesar de uma melhora em resultados primários ao longo dos anos por conta do nível alto da taxa básica Selic, que eleva o gasto com juros da dívida pública. A Selic está atualmente em 14,00% ao ano após quatro cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, mas o Banco Central não indicou o que fará com os juros básicos na próxima reunião, que ocorre na terça-feira e na quarta-feira. Do lado da arrecadação, a expectativa mediana da receita líquida do governo central para este ano apontada no Prisma subiu para R$2,581 trilhões, de R$2,574 trilhões no levantamento anterior. Para 2027, a projeção é de R$2,750 trilhões, contra R$2,732 trilhões no levantamento anterior. Na frente dos gastos, houve leve alta na previsão para as despesas do governo central neste ano, a R$2,625 trilhões, de R$2,624 trilhões anteriormente. No caso de 2027, a projeção das despesas é de R$2,792 trilhões, acima dos R$2,787 trilhões apontados um mês antes.
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Conab estima produção de 361,7 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26
Soja, algodão, sorgo e milho batem recordes de produção e arroz, feijão e trigo recuam em relação ao ciclo anterior
A produção brasileira de grãos na safra 2025/26 deve alcançar 361,7 milhões de toneladas. O volume representa uma alta de 2,6% em relação à temporada anterior e de 0,3% frente ao levantamento de agosto. A estimativa incorpora o avanço da colheita do milho segunda safra, que registra produtividades acima do previsto. As informações são do 12º Levantamento do Boletim da Safra de Grãos, publicado na terça-feira (15). Entre os dados apurados pela Companhia, a área de plantio no país cresceu 1,7% em comparação com o ciclo 2024/25, alcançando 83,5 milhões de hectares. Os maiores incrementos ocorreram na cultura da soja, que incorporou 1,3 milhão de hectares (2,7%), no milho, com aumento de 762,5 mil hectares (3,5%), e no sorgo, com alta de 32,9% (537 mil hectares). Em agosto, os volumes de chuva superaram 90 mm na Região Sul, no sul de São Paulo e no litoral do Nordeste. Em contrapartida, diversas áreas do Centro-Oeste, do Norte e do interior nordestino registraram acumulados inferiores a 40 mm. O tempo seco favoreceu a colheita no Centro-Oeste e no Sudeste, ao passo que o excesso de chuva no Sul afetou pontualmente as lavouras de trigo. As temperaturas máximas passaram de 36 °C em cinco estados, e houve episódios de geadas, principalmente no Rio Grande do Sul. Para os próximos meses, a previsão climática indica cenários distintos para a agricultura brasileira. Em grande parte do Norte e do Nordeste, as chuvas devem ficar abaixo da média. Já a Região Sul tem previsão de chuvas acima da média, com risco de excesso hídrico em áreas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Esse quadro decorre da persistência do fenômeno El Niño entre setembro e novembro. As estimativas para a safra 2025/26 revelam variações entre as principais culturas. Soja, milho e algodão apresentam projeção de crescimento, enquanto arroz, feijão e trigo recuam frente ao ciclo anterior. A soja deve atingir 180,4 milhões de toneladas, e o trigo apresenta o maior recuo, de 27,1%. Soja – A safra de soja está projetada em 180,4 milhões de toneladas, a maior produção já registrada na série de acompanhamento da Conab. O montante representa uma alta de 5,2% sobre o ciclo anterior, com expansão de 2,7% na área plantada e ganho de 2,5% na produtividade. As exportações devem atingir patamar recorde com embarques previstos em 116,2 milhões de toneladas. Feijão – A produção de feijão é estimada em 2,95 milhões de toneladas, o que confirma um recuo de 3,6% em relação ao período anterior. A retração decorre principalmente da redução de 5,7% na área cultivada, embora o rendimento médio tenha crescido 2,2%, alcançando 1.161 kg/ha. Para o abastecimento doméstico, a demanda projetada é de 2,7 milhões de toneladas, mantendo o patamar da safra passada. Algodão – Para o algodão, a previsão indica 4,14 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26, nível mais elevado da série histórica. Mesmo com a retração de 3,2% na área cultivada (estimada em 2,02 milhões de hectares), a produtividade das lavouras avança 4,9% e atinge o pico de 2.053 kg/ha de pluma. A produção supera em 1,5% o resultado de 2024/25 e fica 1,4% acima da estimativa de agosto. Arroz – A safra de arroz deve somar 11,08 milhões de toneladas em 2025/26, o que significa uma queda de 13,2% em relação ao ciclo anterior. A retração reflete principalmente a redução de 14% na área plantada – calculada em 1,52 milhão de hectares –, apesar do ganho de 1% na produtividade média, que chega a 7.303 kg/ha. Segundo o levantamento da Conab, a opção por menor área decorre de preços menos remuneradores ao produtor e da migração para culturas como soja e milho. Milho – O volume total de milho está calculado em 144 milhões de toneladas, crescimento de 2% sobre a temporada anterior. A primeira safra registra produtividade recorde de 7.191 kg/ha (alta de 8,8%), enquanto a segunda safra prevê 112,1 milhões de toneladas, ficando apenas 1% abaixo do recorde anterior. Já a terceira safra deve recuar 20,1%, fechando em 2,39 milhões de toneladas. Trigo – A produção de trigo deve alcançar 5,74 milhões de toneladas em 2025/26, queda de 27,1% em relação ao ciclo passado. O recuo reflete a redução de 21,2% na área cultivada e da menor produtividade média (2.978 kg/ha, queda de 7,5%). Com a retração na oferta nacional, as importações do cereal são estimadas em 7,06 milhões de toneladas.
CONAB
EMPRESAS
JBS acerta joint venture de couro com a Viva
Negociações duraram quase um ano e envolveram a exclusão de alguns ativos. JBS vai fornecer couro à joint venture com a Viva e comprar aparas para a indústria de gelatina e colágeno
A JBS anunciou, nesta terça-feira (15/9), que assinou com a Viva Holding a criação da joint venture JBS VIVA, que atuará na cadeia de produção de couros, de acordo com fato relevante divulgado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Acertado quase um ano após o início das negociações, o acordo excluiu alguns ativos das empresas no segmento. A transação abrigará na nova empresa ativos de couro da JBS no Brasil e no exterior e ativos da Viva relacionados à produção de couros e à fabricação e comercialização de insumos químicos utilizados no processamento de couros. Ficaram de fora da nova empresa as atividades e os ativos de colágeno e gelatinados e dois sócios; os ativos, estoques e atividades de couros relacionados à operação da planta da JBS em Cactus, no Texas; os ativos da divisão de couros da JBS na Alemanha, Uruguai e México; e os ativos da Viva não utilizados atualmente na sua operação de couros. A JBS subscreverá 50% das ações da nova empresa por meio da contribuição de ações de sua subsidiária JBS Couros. Do lado da Viva, seus acionistas, a Vanz Holding e a Viposa Participações, atuarão como intervenientes anuentes e garantidoras. O fato relevante não menciona aporte de valores financeiros na nova empresa. O acordo também prevê que a JBS forneça couro cru à JBS Viva, e compre as aparas e as raspas geradas no processamento dessas peças, para destinar à indústria de gelatina, colágeno e produtos correlatos. A assinatura ocorre quase dez meses após firmado o primeiro memorando de entendimento vinculante entre as duas empresas, pelo qual elas se comprometiam a criar o negócio. Conforme antecipado na época, o conselho de administração da joint venture terá composição paritária com até seis membros, sendo três indicados pela JBS e três pela Viva. O acordo assinado hoje também estabeleceu que a JBS deverá indicar o presidente do colegiado, mas ele não terá “voto de qualidade” (de desempate), e o diretor financeiro, enquanto a Viva indicará o diretor executivo e o diretor de operações. A conclusão do negócio está sujeita ao cumprimento de condições precedentes.
VALOR ECONÔMICO
SUÍNOS
Conab aponta aumento na produção de carne suína em 2026 e 2027
Oferta deve ser suficiente para garantir o abastecimento interno e dar suporte ao aumento das exportações. Produção de carne suína deve aumentar no Brasil
A expansão do plantel de matrizes e ganhos de produtividade devem resultar em uma produção de carne suína 4,8% maior em 2026 na comparação com o ano passado, de 5,93 milhões de toneladas. Os dados foram divulgados na terça-feira (15/9 pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Com a maior produção, a exportação do produto deve crescer 6,49%, para 1,58 milhão de toneladas, conforme a estatal. Já para a disponibilidade interna do produto, a expectativa é de incremento de 4,28%, para 4,36 milhões de toneladas. “A demanda doméstica e as exportações não cresceram na mesma intensidade [que a oferta]. Dessa forma, a disponibilidade interna tornou-se superior à inicialmente projetada”, comentou a Conab em documento sobre perspectivas para a agropecuária em 2026/27. A estatal lembrou que os preços do suíno vivo acumularam sucessivas quedas e alcançaram, em termos reais, um dos menores patamares das últimas décadas em algumas regiões. ‘Mesmo com custos de alimentação relativamente favoráveis, a redução das receitas comprimiu as margens, principalmente dos produtores independentes.” Para 2027, espera-se uma ampliação da produção em 3,7%, para 6,15 milhões de toneladas. As exportações também devem aumentar, ainda que em ritmo menor, 4,2%, somando 1,65 milhão de toneladas. Assim como em 2026, o aumento nas vendas internacionais não deve afetar a disponibilidade interna de carne suína no ano que vem. A previsão é de que seja ampliada em 3,6% no próximo ano, para 4,52 milhões de toneladas. “Para 2027, o reequilíbrio da cadeia deverá exigir moderação no crescimento dos alojamentos e continuidade da expansão dos mercados externos”, disse a Conab, destacando as vendas para as Filipinas, que superaram a China entre os principais compradores, além Japão, Coreia do Sul e Singapura. Segundo a estatal, como as decisões relacionadas às matrizes demoram a repercutir sobre o abate, a disponibilidade elevada poderá persistir durante parte do próximo ano. Uma retomada das compras asiáticas e eventual encarecimento da carne bovina contribuiriam para reduzir o excedente e para a recuperação dos preços. No mercado interno, a ampliação do consumo neste ano, na avaliação da Conab, dependerá da recuperação da renda, da maior presença dos cortes no varejo e de estratégias capazes de reduzir a concentração sazonal das vendas.
GLOBO RURAL
Conab estima aumento na produção de frango em 2026 e 2027
Recuperação das exportações está entre os principais impulsos desse crescimento. Exportações devem dar impulso à produção de frango no Brasil
A retomada das exportações de carne de frango neste ano deve sustentar uma alta de 3,1% na produção do alimento, para 16,3 milhões de toneladas, segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgada nesta terça-feira (15/9). “A recuperação nas exportações (…) influencia na alta estimada. Se em 2025 as vendas ao mercado externo foram impactadas pelo registro de gripe aviária no Rio Grande do Sul, neste ano os principais importadores retomaram as compras elevando o ritmo dos embarques”, disse a Conab em comunicado. A estatal prevê aumento de 11,53% das vendas externas de frango em 2026, para 5,76 milhões de toneladas. A Conab também comentou que os preços no mercado interno estavam pressionados no início do segundo semestre, em virtude da demanda enfraquecida, mas passaram a reagir com o recebimento dos salários, a retomada das atividades escolares e o ajuste dos estoques. A estatal observou, além disso, que a ampla disponibilidade de milho e farelo de soja contribuiu para manter os custos de alimentação relativamente controlados. Mas alerta que a recente valorização dos grãos e o risco climático para 2026/27 exigem atenção. “Uma eventual quebra de safra em milho ou soja elevaria os custos de produção, podendo limitar a expansão dos alojamentos, ainda que a utilização de coprodutos do etanol de milho ofereça alternativa crescente para as formulações de ração”, afirmou a Conab em documento de perspectivas para 2026/27. Para 2027, a expectativa é de continuidade do crescimento da produção, mas em ritmo moderado, de 2,4%, ajustado à evolução das exportações. Enquanto a estimativa para produção é de 16,7 milhões de toneladas, para as exportações a expectativa é de um crescimento de 0,8%, para cerca de 5,8 milhões de toneladas. A disponibilidade interna, para abastecer o mercado doméstico, deve aumentar 3,2%, saindo de 10,57 milhões de toneladas neste ano para 10,9 milhões de toneladas em 2027. A estatal enxerga para o ano que vem uma demanda doméstica ainda favorecida pela substituição da carne bovina, mais cara. Os principais riscos seguem sendo aqueles relacionados aos custos de alimentação, ao câmbio e à sanidade avícola. “A diversificação dos mercados e a regionalização sanitária serão fundamentais para reduzir a volatilidade do comércio”, afirmou a Conab no documento.
GLOBO RURAL
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