CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2787 DE 31 DE AGOSTO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2787 | 31 de agosto de 2026

 

 NOTÍCIAS 

Boi gordo para de cair, mas acumula baixa de até 1,7%

Frigoríficos elevam ofertas para garantir abastecimento. Pelos dados da Scot Consultoria, em relação ao fechamento da sexta-feira anterior (21/8), as cotações do boi gordo sem padrão-exportação e do “boi-China” recuaram 1,4% e 1,7% (ou R$ 5/@ e R$ 6/@), respectivamente, na sexta-feira (28/8), em São Paulo.

Considerando a mesma base semanal de comparação e a mesma região, a cotação da vaca gorda caiu 0,9%, ou R$ 3/@, e o preço da novilha teve queda de 1,5%, ou de R$ 5/@. Segundo levantamento da Scot, o boi gordo destinado ao mercado interno paulista vale R$ 342/@, o “boi-China” é vendido por R$ 344/@, a vaca está cotada em R$ 322/@ e a novilha é negociada por R$ 332/@ (valores brutos, no prazo). O mercado do boi gordo encerrou a semana com cotações estáveis, segundo dados divulgados pela Scot Consultoria no informativo “Tem Boi na Linha” da sexta-feira (28). Apesar da estabilidade no dia, os preços acumulam queda na comparação com a sexta-feira anterior, enquanto a oferta controlada e a postura firme dos vendedores limitaram novas baixas. Segundo dados divulgados pela Scot Consultoria, as cotações do boi gordo e do “boi China” recuaram 1,4% e 1,7%, respectivamente, na comparação com o fechamento da sexta-feira passada. Em valores absolutos, as quedas foram de R$ 5,00/@ para o boi gordo e de R$ 6,00/@ para o “boi China”. Entre as fêmeas, a baixa foi mais moderada, em um cenário de menor oferta dessa categoria. A cotação da vaca caiu 0,9%, equivalente a R$ 3,00/@, enquanto a novilha recuou 1,5%, ou R$ 5,00/@. Segundo dados divulgados pela Scot Consultoria, a oferta controlada de boiadas e a postura firme dos vendedores impediram o avanço da pressão de baixa observada desde o início da semana. Do lado da demanda, as compras ocorreram de maneira moderada, com os frigoríficos adotando uma postura seletiva. Mesmo assim, o mercado permaneceu equilibrado. A procura por boiadas aumentou entre a tarde de quinta-feira e a manhã desta sexta-feira, com os compradores buscando manter as escalas de abate confortáveis para o início da próxima semana e para setembro. Segundo dados divulgados pela Scot Consultoria, as indústrias que vinham indicando preços abaixo das referências elevaram as ofertas diante da dificuldade para fechar negócios e da necessidade de abastecimento. As escalas de abate atendiam, em média, a uma semana. Algumas indústrias, porém, já trabalhavam com programações para duas semanas. O movimento indica uma disputa mais equilibrada entre compradores e vendedores, com a oferta restrita de animais contribuindo para conter novas quedas nas referências. Em Goiás, o mercado também abriu a sexta-feira com preços estáveis para todas as categorias nas duas praças acompanhadas, segundo dados divulgados pela Scot Consultoria. A estabilidade ocorreu após as quedas registradas no dia anterior para as fêmeas na região Sul. Apesar disso, os compradores mantinham pressão de baixa para a efetivação de novos negócios.

SCOT CONSULTORIA

Cenário ainda é de conforto nas escalas de abate entre as indústrias de maior porte

O mercado físico do boi gordo encerrou a semana apresentando poucas novidades. O padrão de negócios vem se repetindo em grande parte do país, ainda considerando uma posição mais confortável das escalas de abate entre as indústrias, em especial as de maior porte.

Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, o potencial aumento das exportações para os Estados Unidos não trouxe efeitos imediatos para o mercado físico, com a euforia restrita ao mercado futuro. “O consumo interno tende a apresentar alguma melhora no decorrer da primeira quinzena de setembro, considerando a entrada dos salários na economia como motivador da reposição entre atacado e varejo”, disse. Média da arroba do boi: São Paulo: R$ 342,92. Goiás: R$ 333,04. Minas Gerais: R$ 333,35. Mato Grosso do Sul: R$ 337,02. Mato Grosso: R$ 326,35. O mercado atacadista encerra a semana sob pressão, diante de uma demanda fragilizada e sem sinais de recuperação imediata. “Ainda que a primeira quinzena de setembro seja importante para alguma recuperação dos preços da carne bovina, a elevada oferta de proteínas suína e de frango, além dos ovos, amplia a competitividade dessas proteínas e dificulta a sustentação dos preços da carne bovina”, apontou Iglesias. Quarto traseiro: R$ 26,00 por quilo. Quarto dianteiro: R$ 20,00 por quilo. Ponta de agulha: R$ 18,80 por quilo.

SAFRAS NEWS

Brasil ganha vantagem com ampliação das importações de carne nos EUA, diz ministério

A tarifa de importação aplicada atualmente é de 26,4%; para as 300 mil toneladas incluídas na nova cota, a taxa será de US$ 44 por tonelada. Nova cota será de 300 mil toneladas de aparas magras e recortes de carne bovina, utilizados na fabricação de carne moída

O Ministério da Agricultura informou, em nota divulgada na sexta-feira (28/8), que a vantagem econômica da decisão do governo dos Estados Unidos de ampliar temporariamente a importação de carne bovina “é significativa” e que o Brasil tem condições de “se beneficiar de grande parte dela”. A decisão dos EUA, anunciada na noite de quarta-feira (26/8) pelo presidente americano Donal Trump, criou uma cota de 300 mil toneladas, em aparas magras e recortes de carne bovina, com taxa reduzida. O produto é utilizado pela indústria americana na fabricação de carne moída. A tarifa de importação aplicada atualmente é de 26,4%. Para as 300 mil toneladas incluídas na nova cota, a taxa será de US$ 44 por tonelada, informou o ministério na nota. A Pasta disse que “seguirá acompanhando a implementação da medida e seus impactos sobre o comércio internacional de carne bovina, em articulação com o setor produtivo e exportador brasileiro, visando identificar oportunidades e apoiar a ampliação da presença da carne bovina brasileira em mercados estratégicos”. Segundo o Ministério da Agricultura, a medida contempla todos os países que não possuem cotas específicas perante os EUA, como é o caso do Brasil, Paraguai, Irlanda e outros. A decisão vale de 1º de setembro a 30 de novembro de 2026. O ministério salientou, na nota, que as autoridades dos EUA vão monitorar os preços de importação referentes a esse volume adicional anunciado. “Se as importações americanas, dentro da cota expandida, não estiverem sendo vendidas a um preço 25% abaixo do preço de mercado, os EUA poderão eliminar imediatamente qualquer parcela restante da cota ampliada”.

VALOR ECONÔMICO

Brasil vê pouco espaço para reverter o bloqueio da UE

Governo deve manter canais de diálogo, mas avalia possível aplicação de medidas de reciprocidade ao bloco

Negociadores próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que está mais difícil reverter o bloqueio da União Europeia às exportações de proteínas animais e derivados do Brasil, prevista para entrar em vigor na próxima quinta-feira (3/9). A postura do governo é de manter canais de diálogo, mas já está no radar em Brasília uma possível aplicação de medidas de reciprocidade contra o bloco europeu. A partir do dia 3, as vendas de agroindústrias brasileiras ficarão suspensas por falta de comprovação no controle de não uso de antimicrobianos proibidos pelos europeus nas cadeias produtivas locais. A medida ocorre após uma decisão tomada em maio. O impacto potencial da suspensão das exportações de carnes de aves, bovina, ovos, mel e pescados é de quase US$ 2 bilhões em um ano. Fontes a par das tratativas afirmaram que o governo federal tem discutido a imposição de alguma barreira sanitária a lácteos e azeites europeus como retaliação pelo bloqueio às proteínas animais e derivados do Brasil no bloco. O Palácio do Planalto não confirmou esse movimento. Até recentemente, a avaliação no Palácio do Planalto e no Itamaraty era de que uma articulação política e diplomática pudesse surtir efeito e reverter o bloqueio, ao menos de forma parcial, tempestivamente. No fim de julho, Lula enviou uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para solicitar o retorno do Brasil à lista de exportadores. A informação foi confirmada pela Representação da UE em Brasília. Ainda não houve resposta. A expectativa na capital federal é a de que von der Leyen deve responder a carta de Lula nesta semana, assim que receber informações de uma missão europeia no Brasil. Fontes a par das negociações disseram acreditar que a iniciativa não deve ter efeito prático capaz de manter a normalidade nos embarques brasileiros, mas pode dar sinalizações sobre o que a UE pretende fazer nos próximos meses. O governo brasileiro considerou como um sinal positivo a vinda de uma missão técnica europeia para auditar os processos produtivos e de inspeção das cadeias de aves e mel. A avaliação é que há espaço para entendimento com os europeus e boa vontade para retirar as sanções ao Brasil. O desfecho, porém, depende da avaliação criteriosa sobre os novos procedimentos adotados na produção e na fiscalização dessas cadeias desde 1º de julho para atender às exigências do bloco. Entre negociadores e técnicos brasileiros, a previsão é que as exportações de carne de aves e de mel possam ser retomadas neste ano, possivelmente em novembro, quando está marcada a próxima reunião do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações (Scopaff, na sigla em inglês) da Comissão Europeia. Os auditores permanecem até sexta-feira (4) no Brasil, quando terão reunião com o Ministério da Agricultura. Na semana passada, a autoridade portuária do Porto de Le Havre, na França, divulgou nota informando que a importação de produtos de origem animal do Brasil seria “proibida” a partir do dia 3, independentemente da data de certificação sanitária da remessa. A medida vai além do que estava previsto nas comunicações oficiais feitas entre UE e Brasil. O Ministério da Agricultura autorizou a certificação até 2 de setembro. A emissão de licenças de exportação será interrompida no dia seguinte. A indústria alertou o governo, e a adidância brasileira em Bruxelas acionou a autoridade sanitária europeia (DG-Santé) para esclarecer as regras. A preocupação era com cargas que estarão no mar a caminho da Europa e que podem ser barradas no porto. Os franceses voltaram atrás e informaram que a entrada de cargas certificadas no prazo previsto será permitida. Exportadores encararam a posição como um “sinal de agressividade” dos franceses. O episódio alimentou nos empresários brasileiros a defesa de medidas de reciprocidade.

VALOR ECONÔMICO

ECONOMIA

Dólar fecha perto dos R$5,20 após discurso duro de Warsh sobre inflação nos EUA

O dólar fechou a sexta-feira em alta no Brasil após o chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmar durante o simpósio de Jackson Hole que a instituição terá “trabalho a fazer” caso a inflação dos EUA siga acima da meta.

Após superar os R$5,23 durante a sessão, o dólar à vista encerrou o dia cotado a R$5,1961, com alta de 0,62%. Na semana, a divisa acumulou elevação de 1,06% e, no ano, queda de 5,34%. Às 17h11, o dólar futuro para setembro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,67% na B3, aos R$5,1995. Em seu discurso de estreia em Jackson Hole, Warsh afirmou no fim da manhã que o Fed “terá trabalho a fazer” se seus membros não estiverem confiantes de que a inflação subjacente dos EUA está voltando à meta de 2%. “Este é o meu critério: devemos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer. Esse é o nosso trabalho… nosso mandato… e nossa responsabilidade”, disse Warsh. Os comentários foram a senha para que os rendimentos dos Treasuries subissem, com os investidores globais elevando as apostas de que o Fed poderá elevar os juros em setembro. Nos mercados de moedas, isso se traduziu na alta do dólar ante boa parte das demais divisas, incluindo moedas pares do real como o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso chileno. Após marcar a menor cotação do dia de R$5,1581 (-0,12%) às 9h02, logo após a abertura da sessão, o dólar à vista atingiu o pico de R$5,2315 (+1,30%) às 13h18, já depois da fala de Warsh. O nível da taxa de juros nos EUA, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, impacta diretamente os fluxos de investimentos globais, incluindo para o Brasil, o que se reflete na taxa de câmbio. “A moeda americana se valoriza não só contra o real, mas praticamente em relação a todas as divisas do mundo. Isso porque se o Fed sobe juros e tem esse tom mais ‘hawkish’, a tendência é o fluxo de capital se concentrar na economia americana, valorizando o dólar”, resumiu Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital. A perspectiva de novos cortes da Selic, aliás, foi ampliada no início da tarde. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que seriam divulgados apenas às 14h30, vazaram bem antes disso e apontaram a criação de 58.568 vagas formais em julho. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam 112.000 novas vagas. Os números reforçaram no mercado a leitura de que o Banco Central cortará a Selic em setembro, podendo promover nova redução também em novembro.

No exterior, às 17h08, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,57%, a 99,668.

REUTERS

Ibovespa amplia série de altas com ajuda da Petrobras, apesar de Warsh

O Ibovespa fechou com um acréscimo modesto na sexta-feira, mas assegurou a oitava alta seguida, com Petrobras novamente entre os suportes. 

Após ultrapassar os 176 mil pontos nos primeiros negócios, o índice perdeu força com declarações do chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, de que o banco central dos Estados Unidos tem “trabalho a fazer” se a inflação na maior economia do mundo continuar acima de 2%. A principal referência do mercado acionário brasileiro acabou terminando o dia com elevação de 0,22%, a 175.526,53 pontos, de acordo com dados preliminares, tendo marcado 176.420,61 pontos na máxima e 173.893,63 pontos na mínima da sessão. O volume financeiro somava R$19,47 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Brasil abre menos vagas formais de trabalho do que o esperado em julho, com menor saldo mensal do ano

O Brasil abriu 58.568 vagas formais de trabalho em julho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados na sexta-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego, no pior resultado para o mês da série iniciada em 2020.

O resultado do mês passado foi fruto de 2.262.888 admissões e 2.204.320 desligamentos e ficou bem abaixo da expectativa de economistas apontada em pesquisa da Reuters de criação líquida de 112.000 vagas. O saldo de julho foi o mais baixo do ano até agora e o menor para o mês em toda a série histórica do Novo Caged, que contabiliza dados a partir de 2020. No mesmo mês em 2025, foram criadas 133.932 vagas de trabalho. No acumulado do ano até o mês passado, foi registrado saldo positivo de 972.203 postos, o pior para o período desde 2020, quando houve fechamento de 1.398.484 vagas em meio à pandemia da Covid-19. Para o economista do ASA Leonardo Costa, os resultados reforçam que o mercado de trabalho está em um processo gradual de arrefecimento, apesar de ainda resiliente. Segundo ele, a avaliação da instituição é de que a atividade econômica seguirá em desaceleração ao longo de 2026. “A desaceleração tem sido mais visível em setores tradicionalmente mais sensíveis ao ciclo econômico, como indústria, comércio e construção civil, enquanto o setor de serviços segue sustentando a geração de empregos”, afirmou. Quatro dos cinco grupamentos de atividades econômicas registraram saldos positivos de vagas no mês passado. O setor de serviços liderou a abertura, como de costume, com 24.098 postos, seguido por construção (12.691 postos), agropecuária (12.523 postos) e indústria (11.315). O comércio foi o único setor a registrar saldo negativo, com fechamento de 2.056 vagas. O ministro do Trabalho em exercício, Chico Mecena, atribuiu as sucessivas baixas dos números do comércio aos efeitos de juros altos, que, segundo ele, inibem o crédito a consumidores e o investimento de lojistas. Ele também destacou a migração da atividade do setor para os mercados virtuais. “Você tem um direcionamento cada vez mais (para) o crescimento das lojas online”, afirmou. “É um reposicionamento momentâneo que o varejo vai ter que passar e não acredito que isso seja uma crise mais estrutural.”

REUTERS

Inadimplência no Brasil sobe a 6,4% em julho e atinge maior nível da série histórica, mostra BC

A inadimplência no segmento de recursos livres subiu a 6,4% em julho no Brasil, contra 6,0% no mês anterior, e atingiu o maior nível da série histórica iniciada em março de 2011, informou o Banco Central na sexta-feira.

No mês, as concessões de empréstimos no Brasil recuaram 1,6% na comparação com o mês anterior, com o estoque total de crédito subindo 0,3% no período, a R$7,372 trilhões. As concessões de financiamentos com recursos livres, nos quais as condições dos empréstimos são livremente negociadas entre bancos e tomadores, recuaram 1,9% em relação ao mês anterior. Para as operações com recursos direcionados, que atendem a parâmetros estabelecidos pelo governo, houve alta de 1,0% no período. Já os juros cobrados pelas instituições financeiras no crédito livre ficaram em 47,7% ao ano, um recuo de 2,0 pontos percentuais em relação a junho. Nos recursos direcionados, houve queda de 0,1 ponto no mês, a 12,1% ao ano. O spread bancário, diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final cobrada do cliente, caiu para 33,8 pontos percentuais nos recursos livres, contra 35,7 pontos no mês anterior.

REUTERS

PIB do agronegócio é estimado em R$ 3,13 trilhões para 2026

Ramo agrícola tem previsão de queda de 13,7%. A pecuária deve crescer 2,8% 

O PIB do agronegócio brasileiro é estimado em R$ 3,13 trilhões para 2026, mas o desempenho poderá ser distinto entre os ramos agrícola e pecuário. O ramo agrícola tem previsão de queda anual de 13,7%, enquanto a pecuária deve crescer 2,8%, segundo dados do CEPEA em conjunto com a CNA. Essas são algumas das informações apresentadas na 30ª edição do Radar Macroeconômico, elaborado pelo Departamento Econômico da FAESP. Juntos, os dois ramos devem representar 22,8% do PIB brasileiro, com estimativa de retração de 7,8% no ano. O ramo agrícola poderá alcançar R$ 1,88 trilhão, com queda prevista em todos os segmentos analisados. A maior retração deve ocorrer no segmento primário, estimada em 21%. Entre os principais fatores está a queda dos preços dos produtos agrícolas, que reduz o valor gerado pela produção. Já a pecuária poderá atingir R$ 1,25 trilhão. Dentro do ramo, a agroindústria deve avançar 7,9% e os agrosserviços, 7,6%. Entre as atividades pecuárias, a bovinocultura de corte é a única com previsão de aumento do valor da produção, apoiada pelo desempenho das exportações e pela demanda interna. O mercado de trabalho continua resiliente no trimestre encerrado em junho. A taxa de desocupação ficou em 5,4%, enquanto a população ocupada chegou a 103,1 milhões de pessoas. Desse total, 7,9 milhões trabalhavam no setor agropecuário. O rendimento médio habitual de todos os trabalhos foi de R$ 3.738, alta de 2,8% em relação ao mesmo período de 2025. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,44% em julho, retornando ao intervalo de tolerância da meta. No mês, o índice registrou alta de 0,07%, com o grupo Alimentação e bebidas apresentando a maior contribuição negativa para o resultado, com recuo de 0,67%. A alimentação no domicílio caiu 1,14%, com destaque para tubérculos, raízes e legumes, cujos preços recuaram 16,15%. A taxa básica de juros teve corte em agosto. A meta da taxa Selic foi reduzida para 14% ao ano, em um corte de 0,25 ponto percentual. Mesmo assim, o ambiente continua marcado por incertezas e riscos de alta dos preços, o que faz com que o ciclo de calibração dependa da evolução de novas informações e das perspectivas econômicas. As contas públicas permanecem como ponto de atenção. Em junho, o setor público registrou déficit primário de R$ 55,3 bilhões. Com a incorporação dos juros nominais, que somaram R$ 110,7 bilhões, o déficit nominal chegou a R$ 166 bilhões, evidenciando o impacto do custo financeiro da dívida sobre o resultado fiscal. A dívida bruta do governo geral alcançou 81,9% do PIB, enquanto a dívida líquida do setor público chegou a 68,5% do PIB. Por outro lado, o resultado externo apresentou melhora. O déficit em transações correntes caiu para US$ 2,3 bilhões em junho, ante US$ 5,2 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. O resultado foi favorecido pelo saldo positivo da balança comercial, que alcançou US$ 8,8 bilhões e ajudou a compensar parcialmente o déficit na conta de serviços.

CEPEA/CNA 

Índice de Preços ao Produtor cai 0,83% em julho e acumula alta de 3,09% em 2026, diz IBGE

Indicador conhecido pela variação de preços da indústria ou de “porta de fábrica” recuou pelo terceiro mês seguido, após quedas de 0,30% em maio e de 0,81% em junho

O Índice de Preços ao Produtor (IPP), conhecido como o indicador de inflação da indústria ou de “porta de fábrica”, por considerar os preços sem impostos e fretes, caiu 0,83% em julho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este foi o terceiro mês seguido de deflação na indústria, após quedas de 0,30% em maio e de 0,81% em junho. Com o recuo de 0,83% em julho, o IPP acumula alta de 3,09% em 2026. No resultado em 12 meses até julho, o aumento de preços é menor, de 1,94%. Onze das 24 atividades acompanhadas pelo IPP registraram queda de preços em julho. O IPP é formado por dois índices: o da indústria de transformação e o da indústria extrativa. A taxa na indústria de transformação passou de queda de -0,26% em junho para -0,67% em julho. O IPP da indústria extrativa caiu 4,38% em julho, depois de recuo de 11,85% em junho.

VALOR ECONÔMICO 

MEIO AMBIENTE 

O boi sob vigilância: os desafios para a rastreabilidade no rebanho brasileiro

Saiba em que já avançamos – e os novos passos de evolução. Grandes compradores de carne bovina brasileira exigem que o país cumpra uma série de regras sanitárias e ambientais

Em 2025, o Brasil atraiu ainda mais holofotes para sua pecuária bovina. As exportações bateram recorde, com 3,5 milhões de toneladas, volume que transformou o país no maior produtor global do segmento, destronando os Estados Unidos, líder mundial nesse mercado desde sempre. Mas o protagonismo teve efeitos colaterais. A China suspendeu as compras de carne de plantas brasileiras em cujas cargas os chineses teriam identificado resíduos de medicamentos proibidos no país. Hoje, cinco unidades estão vetadas. Em julho, os Estados Unidos aplicaram mais uma tarifa sobre países que não teriam comprovado o enfrentamento ao trabalho forçado. Os americanos isentaram a carne brasileira, mas dedicaram, em relatório, um tópico ao produto, alegando que o Brasil tirou mercado da carne americana ao não combater devidamente tais práticas. Já a União Europeia deixará de receber cortes do Brasil a partir de setembro deste ano, sob a alegação de que faltam comprovações de que a cadeia não usa antimicrobianos proibidos no continente. O bloco também proibirá, a partir de 2027, a compra de produtos agrícolas oriundos de áreas desmatadas. Não se pode ignorar o argumento recorrente de que barreiras ambientais e sanitárias têm camuflado interesses comerciais, mas também é fato que o Brasil ainda não faz a rastreabilidade total e nacional da carne bovina. “Não adianta querer se manter como grande exportador dizendo ‘a gente é bom’. É preciso cada vez mais comprovar”, afirma o líder da força-tarefa de rastreabilidade da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, Fernando Sampaio. Boa parte do problema deve-se à complexidade do segmento, no qual atuam fornecedores indiretos de segundo e primeiro nível, diretos, frigoríficos e processadores. Costuma-se dizer que, onde há desmatamento, logo aparecem pasto e boi – e, cedo ou tarde, esse animal entra no processo. É o monitoramento dos indiretos o maior gargalo do rastreamento. Ainda há no Brasil a chamada “lavagem de gado”, transferência de animais criados em áreas irregulares para outras regulares. Como a indústria monitora sobretudo o fornecedor direto, é mais difícil comprovar passivos de elos anteriores. “Não dá para seguir como grande exportador apenas dizendo ‘a gente é bom'” — Fernando Sampaio, líder de rastreabilidade da Coalizão Brasil. Grandes exportadores avançam no controle dos indiretos, o que não vale para a maior parte dos cerca de 1.100 frigoríficos brasileiros, que vendem ao mercado local 70% da carne produzida no país. “Embora seja um assunto mais avançado na região amazônica, são poucos os que apresentam alguma política. Nenhuma com controle dos indiretos”, diz a pesquisadora Camila Trigueiro, do Radar Verde, indicador que avalia o controle socioambiental na cadeia. Dado o interesse público sobre o assunto, o Ministério Público Federal (MPF) criou, há mais de uma década, o programa Carne Legal e instituiu o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para frigoríficos que atuam na Amazônia Legal. Após um longo período com foco no controle dos diretos, a iniciativa prepara-se para avançar sobre os indiretos de primeiro nível – fazendas que vendem gado ao fornecedor direto do frigorífico. Ficarão de fora, por um bom tempo, os de segundo nível, como pecuaristas que fornecem bezerros a outras fazendas, que engordam e vendem os animais aos diretos. A nova etapa cruzará dados socioambientais e das Guias de Trânsito Animal (GTAs) para identificar quando um frigorífico comprar de fazendas abastecidas com gado vindo de áreas irregulares. Fazendas “contaminadas” serão identificadas ao frigorífico. “O monitoramento de indiretos é exigido pelo TAC, mas não era possível. Eu não tinha como exigir do frigorífico aquilo que era impossível de fazer”, sustenta o procurador Ricardo Negrini. “Agora, entendemos que já existem ferramentas.” A regra deveria ter entrado em vigor em julho, mas foi adiada para janeiro de 2027. Além do foco nos estados da Amazônia Legal, o trabalho também está em fase de expansão com vistas a cobrir também o Cerrado, informa Negrini. Outra barreira histórica à implementação da rastreabilidade no Brasil foi o caráter voluntário de iniciativas prévias. Um exemplo é o Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov). O sistema surgiu em 2002 e, primeiro, tinha como objetivo garantir à Europa que não havia no Brasil casos típicos de doença da vaca louca. Mais tarde, porém, ele serviu para comprovar a sanidade em relação à febre aftosa. Hoje, menos de 1.300 fazendas de bovinos – ou 0,05% dos 2,5 milhões que existem do país – adotam o Sisbov. “Voluntariamente, é muito difícil fazer acontecer”, pondera uma fonte do setor que há mais de dez anos tem acompanhado o processo. Em 2024, o governo federal lançou o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Pnib). A iniciativa prevê que todo o rebanho seja identificado até 31 de dezembro de 2032. A primeira etapa, de criação da plataforma online, deveria ter começado em julho de 2025, mas só teve início no primeiro semestre deste ano, após negociações entre governo e setor privado sobre quem a financiaria, segundo outra fonte próxima às conversas.

Leia mais em: https://globorural.globo.com/pecuaria/noticia/2026/08/o-boi-sob-vigilancia-os-desafios-para-a-rastreabilidade-no-rebanho-brasileiro.ghtml

INTERNACIONAL

Pecuaristas dos EUA se unem contra plano de Trump para importar 300 mil toneladas de carne

Quatro das principais organizações ligadas à pecuária dos Estados Unidos se uniram para pedir ao presidente Donald Trump que reverta imediatamente o plano de ampliar, durante 90 dias, as importações de carne bovina pelo país.

A carta conjunta foi assinada por representantes da Livestock Marketing Association (LMA), American Farm Bureau Federation (AFBF), National Cattlemen’s Beef Association (NCBA) e United States Cattlemen’s Association (USCA). As entidades afirmam que a política pode prejudicar o mercado doméstico de gado, desestimular os esforços para reconstruir o rebanho bovino e comprometer a segurança alimentar dos Estados Unidos no longo prazo. O plano do governo, anunciado em 21 de agosto de 2026, prevê a importação de até 300 mil toneladas métricas de aparas magras de carne bovina, o equivalente a aproximadamente 661 milhões de libras, durante um período de 90 dias. O objetivo é aumentar a oferta e reduzir os preços da carne bovina para os consumidores norte-americanos. Para viabilizar a medida, o governo pretende suspender a tarifa de 26,4% aplicada às importações que excedem as cotas existentes, permitindo a entrada de grandes volumes de carne sem essa tarifa. Segundo o texto, o produto deverá ser comercializado a preços 25% inferiores aos níveis atuais. Para as entidades que representam os pecuaristas, porém, o momento da decisão é especialmente preocupante. “O objetivo declarado de reduzir os preços da carne bovina e o compromisso de vendê-la a um preço abaixo da oferta doméstica enviam uma mensagem desanimadora aos agricultores e pecuaristas de todo o país”, afirmam as organizações na carta. Segundo elas, o anúncio já provocou forte queda no mercado de gado e ocorre justamente em um período crítico, no qual produtores estão comercializando animais e tomando decisões sobre a reconstrução de seus rebanhos. A reação das entidades ocorre em um momento de oferta limitada de bovinos nos Estados Unidos. De acordo com o texto, depois de anos de secas severas em vários estados, custos recordes de alimentação e forragens e problemas nas cadeias de suprimentos, o rebanho de vacas de corte dos Estados Unidos caiu para o menor nível em mais de 70 anos. As organizações argumentam que os preços atuais da carne bovina refletem esse conjunto de fatores e rejeitam a ideia de que sejam resultado de margens excessivas de frigoríficos ou produtores. Na avaliação das entidades, os pecuaristas estavam começando a encontrar condições de demanda que justificariam novos investimentos nas propriedades e a reconstrução da oferta doméstica. A preocupação é que a entrada de grandes volumes de carne sem tarifa reduza os incentivos para esses investimentos.

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