CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2737 DE 22 DE JUNHO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2737 | 22 de junho de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi opera em ritmo lento no país

Boi gordo fecha semana estável em São Paulo

Segundo levantamento da Scot Consultoria, que monitora diariamente os negócios em mais de 30 regiões do País, no mercado paulista, o boi gordo “comum” segue cotado em R$ 348/@, a vaca gorda em R$ 322/@, a novilha terminada em R$ 335/@ e “boi-China” em R$ 353/@ (valores brutos, no prazo). O mercado do boi gordo encerrou a sexta-feira (19) sem alterações nas cotações em São Paulo. De acordo com a análise do informativo “Tem Boi na Linha”, divulgada pela Scot Consultoria, os negócios seguiram em ritmo lento, comportamento considerado típico para o último dia útil da semana, com frigoríficos realizando compras apenas para atender às programações de abate. Segundo a Scot Consultoria, as exportações de carne bovina continuaram ocorrendo normalmente, sem registros de problemas relacionados ao abastecimento ou ao escoamento da produção. No mercado interno, porém, os compradores mantiveram uma postura mais cautelosa diante da expectativa de consumo mais fraco na segunda metade do mês. Do lado dos pecuaristas, a oferta permaneceu ajustada. Conforme a análise da consultoria, os vendedores adotaram uma postura firme nas negociações e comercializaram os lotes de forma gradual, movimento que contribuiu para sustentar as referências do boi gordo. Ainda assim, parte dos produtores demonstrou maior disposição para negociar, aceitando valores abaixo das referências vigentes com o objetivo de garantir margens e evitar possíveis desvalorizações no curto e médio prazo. A Scot Consultoria informou que as escalas de abate em São Paulo atendiam, em média, oito dias. No Pará, o cenário foi diferente. A consultoria apontou que a melhora na oferta de animais e a redução da demanda, típica da entrada da segunda quinzena do mês, pressionaram as cotações em parte das regiões produtoras. Ao longo da terceira semana de junho, os preços do boi gordo e da vaca já haviam apresentado recuos, tendência que se manteve na sexta-feira. Na região de Marabá, a cotação do boi gordo caiu R$ 3,00 por arroba, enquanto os preços da vaca e da novilha permaneceram estáveis. Em Redenção, o boi gordo registrou queda de R$ 2,00 por arroba, sem alterações para vacas e novilhas. A Scot Consultoria também destacou que o chamado “boi China” teve recuo de R$ 3,00 por arroba nas praças paraenses acompanhadas pelo levantamento. Já na região de Paragominas, as cotações permaneceram inalteradas, refletindo um mercado mais equilibrado entre oferta e demanda.

SCOT CONSULTORIA

Na região Norte de Mato Grosso, as cotações recuaram para todas as categorias

Cenário se desenhou como resultado da cautela dos compradores diante de uma demanda mais ajustada.

Mesmo com uma menor oferta, na comparação semana a semana, a cotação da arroba de todas as categorias recuou na região Norte mato-grossense, reflexo da cautela dos compradores diante do menor escoamento de carne no período. A cotação da arroba do boi gordo e da novilha caiu 1,5% cada, ou R$5,00 cada, negociadas em R$334,50 e R$319,50, respectivamente. Para a vaca, o recuo na cotação foi de 1,0%, ou R$3,00/@, comercializada em R$310,00/@. O diferencial de base do boi gordo está em R$8,00/@, ou 2,4% menor que o registrado em São Paulo, onde a arroba está cotada em R$342,50. Todos os preços são a prazo, descontados o Senar e o Funrural. No curto prazo, o viés é de estabilidade. Destaque BC: Na região Norte de Mato Grosso, mesmo com a menor oferta de bovinos, a cotação de todas as categorias caiu na comparação semanal, diante de uma demanda mais ajustada.

SCOT CONSULTORIA

Preço do boi gordo encerra a semana com tendência de baixa

Ritmo de negócios foi lento na sexta-feira, com poucas compras realizadas pelas indústrias.

Pecuaristas seguem retendo animais, enquanto frigoríficos compram com cautela diante das incertezas externas

O mercado do boi gordo encerrou a semana operando com negócios em ritmo lento, movimento comum para uma sexta-feira, destacou a Scot Consultoria. Frigoríficos compravam apenas o necessário para atender suas programações de abate, sem pressa por novas aquisições. Na sexta-feira (19/6), das 33 praças monitoradas pela Scot, 21 não tiveram alterações nos preços do boi gordo na comparação diária. Outras 12 regiões registraram quedas nas cotações. Nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referências para o mercado, o preço do boi gordo seguiu em R$ 348 a arroba para o pagamento a prazo. As cotações do “boi China”, da vaca e da novilha também não tiveram mudanças. A consultoria Agrifatto aponta que, durante a semana, apesar da oferta ajustada e das escalas curtas, a pressão baixista sobre o boi gordo avançou, com queda da arroba na maioria das regiões. Pecuaristas seguem retendo animais, enquanto frigoríficos compram com cautela diante das incertezas externas. Para evitar maior retenção, as indústrias promovem recuos graduais nos preços. Segundo a Scot, as exportações continuavam ocorrendo normalmente, sem problemas de abastecimento e escoamento. Já para o mercado interno, os compradores atuavam com cautela devido à expectativa de consumo mais fraco na segunda metade do mês. Contudo, havia aqueles com mais apetite nas negociações, que buscavam garantir suas margens e já aceitavam preços abaixo das referências vigente, motivados principalmente pelo receio de quedas mais acentuadas no curto e médio prazo. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destacou que, para os abates planejados para setembro, as projeções indicam a necessidade de ganho de carcaça diário (GCD) mais elevado para cobrir os custos da operação de confinamento. Sistemas com maior nível tecnológico continuam apresentando maior proteção frente às oscilações do mercado. Segundo o Cepea, as estimativas apontam um GCD de equilíbrio em torno de 1,20 kg/dia para sistemas mais tecnificados, enquanto operações com menor nível tecnológico demandam aproximadamente 1,05 kg/dia. A diferença reflete uso de tecnologia, estratégias de manejo, eficiência produtiva e capacidade de diluição de custos.

GLOBO RURAL

Preocupação com o El Niño trava mercado do boi gordo e amplia cautela no setor

Pecuaristas estão apreensivos com os possíveis efeitos do fenômeno climático sobre as pastagens e a disponibilidade de água

As preocupações com os efeitos do El Niño sobre a disponibilidade de pastagens e de água seguem influenciando o mercado do boi gordo no Brasil. Somadas às incertezas do mercado externo, elas mantêm compradores e vendedores cautelosos, resultando em negociações sem uma tendência definida, segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Na quinta-feira (18), o ritmo de comercialização permaneceu lento, embora algumas regiões tenham registrado melhora pontual na liquidez. De acordo com o Cepea, parte dos agentes ainda permaneceu fora das negociações, mantendo o mercado em busca de um ponto de equilíbrio. No Pará, os frigoríficos deixaram de pagar bonificação por animais jovens e passaram a adotar um preço único para o boi gordo. Com isso, a arroba recuou R$ 5, com negócios entre R$ 330 e R$ 335. As escalas de abate permaneceram entre cinco e oito dias. As fêmeas também perderam o prêmio por categoria e foram negociadas entre R$ 310 e R$ 315. Já no Rio Grande do Sul, a oferta restrita de animais terminados sustentou as cotações. As negociações ocorreram entre R$ 23,33 e R$ 24,77 por quilo de carcaça, enquanto as escalas de abate seguiram entre cinco e oito dias. Em Três Lagoas (MS), a melhora na oferta de animais pressionou os preços. Segundo compradores consultados pelo Cepea, houve queda de até R$ 10 na arroba do boi gordo, com negociações entre R$ 335 e R$ 340. Apesar disso, as escalas de abate permaneceram entre cinco e oito dias. No mercado de reposição, o preço do bezerro permaneceu estável. O Indicador do Bezerro de Mato Grosso do Sul registrou média à vista de R$ 3.402,42. Na avaliação do Cepea, o mercado do boi gordo deve seguir operando com cautela no curto prazo, refletindo a combinação de incertezas externas, preocupações climáticas e ajustes regionais na oferta de animais.

CEPEA

Brasil se aproxima do limite de exportação de carne à China e pode redirecionar fluxos

Limite chinês para carne bovina já pressiona cadeia no Brasil e leva frigoríficos a buscar novos destinos; consultoria Datagro indica que cota de exportação ao país deve ser atingida em junho. Restrição da China à carne bovina pressiona setor no Brasil e leva frigoríficos a buscar novos destinos

O Brasil está próximo de atingir sua cota anual de embarques para seu maior comprador, a China, o que poderá redesenhar os fluxos comerciais em um momento em que os consumidores globais enfrentam preços mais altos da carne. A China procurou proteger seus fazendeiros e produtores domésticos no início de 2026 ao impor cotas de importação de carne bovina. Isso fez com que os frigoríficos brasileiros apressassem o envio de mercadorias para os portos do país asiático, e o limite agora deve ser atingido antes da metade do ano, de acordo com analistas e dados do setor. Com uma tarifa de 55% sobre quaisquer volumes adicionais, a iminência do cumprimento da cota provavelmente fará com que o comércio do Brasil com a China seja interrompido. O cenário representa um desafio para o setor de carnes do Brasil, com expectativas de uma desaceleração nos abates. “Isso é algo com que a cadeia de suprimentos nunca teve que lidar antes e está causando estresse no mercado”, disse João Otávio Figueiredo, analista da consultoria Datagro. No entanto, pode ser uma boa notícia para os consumidores fora da China, já que os frigoríficos estão em busca de outros mercados. Isso poderia aumentar a oferta e, potencialmente, diminuir os preços que subiram a níveis recordes em meio à forte demanda e à oferta limitada. Os embarques do Brasil para os EUA serão fundamentais. A demanda tem sido forte devido à escassez maciça de gado e aos preços elevados da carne bovina na América do Norte. Como pode levar cerca de 60 dias entre o abate de animais no Brasil e a chegada de uma carga de carne bovina na China, o grupo brasileiro de exportadores de carne bovina, a Abiec, sinalizou que, a partir de meados de maio, as fábricas locais poderão deixar de processar a carne bovina destinada aos mercados chineses. Outras previsões mais conservadoras, como a da Datagro, indicam que isso acontecerá em junho. A China importou mais de 510.000 toneladas de carne bovina do Brasil nos primeiros três meses do ano, de acordo com dados da alfândega. Isso equivale a 46% da cota. Até o final de abril, essa porcentagem teria chegado a 65%, de acordo com pessoas familiarizadas com o ritmo dos embarques do Brasil. As pessoas não quiseram ser identificadas porque os dados oficiais da alfândega chinesa para abril ainda não estão disponíveis. Isso já está pressionando os preços do gado vivo no Brasil, com os futuros negociados em São Paulo reduzindo os ganhos após uma alta no início do ano. Os pecuaristas ainda estão retendo novilhas em um movimento cíclico que tende a limitar a oferta de gado, mas a perspectiva de uma interrupção nas exportações de carne bovina para a China está aliviando parte da pressão.

BLOOMBERG LÍNEA

Indonésia se torna segundo maior destino dos miúdos bovinos brasileiros

Menos de um ano após a abertura do mercado, a Indonésia já se consolidou como o segundo principal destino dos miúdos bovinos brasileiros, atrás apenas de Hong Kong. Entre janeiro e maio de 2026, o Brasil exportou mais de 12 mil toneladas do produto para o país asiático, em operações que somaram US$ 19,5 milhões.

A dimensão do mercado indonésio ajuda a explicar esse desempenho. Com mais de 284 milhões de habitantes, o país importou, somente em 2025, mais de 70 mil toneladas de miúdos bovinos de diferentes origens, movimentando mais de US$ 150 milhões. A presença brasileira nesse segmento também é expressiva. Entre janeiro e maio de 2026, o país exportou mais de 106 mil toneladas de miúdos bovinos para 117 destinos, com receita de US$ 256 milhões. Em 2025, os embarques superaram 267 mil toneladas e geraram US$ 605 milhões em receitas. A abertura do mercado indonésio para os miúdos bovinos brasileiros ocorreu em agosto de 2025. No mês seguinte, 17 frigoríficos de carne bovina foram incluídos na lista de exportadores habilitados, elevando o total para 38 estabelecimentos autorizados. Em janeiro deste ano, outras 14 unidades foram habilitadas, ampliando para 52 o número de estabelecimentos aptos a exportar carne bovina ao país. A ampliação das habilitações acompanha o fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e Indonésia. Atualmente, o país asiático ocupa a 11ª posição entre os principais destinos do agronegócio brasileiro. Nos cinco primeiros meses deste ano, as importações de produtos agropecuários brasileiros superaram US$ 1 bilhão, com destaque para o complexo soja, fibras e produtos têxteis, além de fumo e seus produtos. Com menor demanda no mercado interno, mas amplamente consumidos em diversos países, os miúdos bovinos encontram no comércio internacional uma importante alternativa para ampliar o aproveitamento econômico do animal, reduzir desperdícios e gerar receita adicional para a cadeia produtiva da carne bovina.

MAPA

ECONOMIA

Dólar à vista fecha em baixa de 0,20%, a R$5,1643 na venda

Após subir nas quatro sessões anteriores, o dólar fechou a sexta-feira em leve baixa ante o real, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante boa parte das demais divisas no exterior, com investidores atentos às articulações de paz no Oriente Médio.

O dólar à vista fechou o dia com baixa de 0,20%, aos R$5,1643. Na semana, a divisa acumulou alta de 2,04% e, no ano, queda de 5,92%. Às 17h06, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,06% na B3, aos R$5,1780, mas com apenas cerca de 130 mil contratos negociados até esse horário. Em função do feriado de Juneteenth, não houve negociações nas bolsas dos Estados Unidos na sexta-feira, o que reduziu a liquidez nos mercados globais de moedas, incluindo o brasileiro.

REUTERS

Ibovespa oscila bastante e termina estável com movimento de blue chip, em dia de vencimento de opções

Na semana, principal índice da bolsa cedeu 1,64%

Uma forte volatilidade marcou a sexta-feira na bolsa local. Diante do vencimento de opções sobre ações e da menor liquidez nos mercados locais devido ao feriado de “Juneteenth” nos Estados Unidos, o Ibovespa teve dificuldade de adotar uma tendência única e variou entre perdas e ganhos ao longo da sessão até encerrar estável (+0,03%), aos 168.334 pontos. Na semana, o índice cedeu 1,64%. Durante a tarde, o Ibovespa chegou a tocar os 168.787 pontos, mas devolveu parte do avanço perto do fechamento. A nova rodada de deterioração dos juros futuros, que ampliaram a alta após o comunicado considerado mais “dovish” (inclinado ao afrouxamento monetário) do Comitê de Política Monetária (Copom) da última quarta-feira, ajudou a afastar o índice do melhor momento do dia, juntamente com o desempenho misto de blue chips. Após oscilar bastante durante o pregão, ações de bancos terminaram a sessão em direções opostas: as units do Santander responderam pelas maiores altas, de 0,60%; já as PN do Itaú Unibanco lideraram as perdas, com queda de 0,80%. Blue chips de commodities também fecharam mistas. As ações da Vale subiram 1,01%; as PN da Petrobras recuaram 0,13%, enquanto as ON subiram 0,49%, o que pode indicar compra do papel por parte de investidores estrangeiros. As cotações do petróleo chegaram a cair após a notícia de que Israel e Hezbollah concordaram com um cessar-fogo a partir das 16h de sexta, mas voltaram a subir em meio às dúvidas sobre as próximas. Em meio a um cenário de incertezas sobre os desdobramentos no Oriente Médio e de manutenção das pressões inflacionárias, um dos setores preferidos de analistas para se posicionar neste momento é o de seguradoras brasileiras. Na sexta-feira, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa chegou a R$ 20,2 bilhões e a R$ 27,4 bilhões na B3. Embora o feriado nos Estados Unidos tenha mantido os mercados por lá fechados e ajudado a reduzir a liquidez dos ativos domésticos, o vencimento de opções sobre ações na bolsa local fez com o giro não fosse tão pequeno.

VALOR ECONÔMICO 

GOVERNO

Brasil completa 20 anos sem focos de febre aftosa

País recebeu status de livre da doença sem vacinação no ano passado, reforçando importância da prevenção e do controle de fronteiras. A febre aftosa é uma doença viral altamente contagiosa que afeta bovinos, suínos, ovinos e outros animais de casco fendido

Reconhecido como livre de febre aftosa sem vacinação no ano passado, o Brasil comemora em 2026 o marco de duas décadas sem registro de focos da doença. O país não apresenta casos desde 2006, quando foram identificados focos no Paraná e em Mato Grosso do Sul. “A febre aftosa continua sendo uma preocupação em diversos países. Mesmo nações que já haviam controlado a doença voltaram a registrar surtos nos últimos anos. Isso demonstra que a vigilância não pode ser relaxada”, observa o auditor fiscal federal agropecuário João Cavallero. É o caso do Uruguai, país que faz fronteira com a região Sul do Brasil. Lá, a febre aftosa chegou a ser erradicada, com a obtenção do certificado de livre sem vacinação assim como o Brasil obteve, mas voltou a ocorrer levando à retomada da imunização – mantida até hoje. Mais recentemente, em abril deste ano, a China anunciou a detecção de dois focos de febre aftosa em duas províncias do país envolvendo mais de seis mil bovinos dos quais 219 apresentaram sintomas da doença. Na Europa, a Eslováquia identificou em março do ano passado o primeiro foco depois de 50 anos livre da doença em uma fazenda com 1,4 mil animais. Na Ásia, a Coreia do Sul também identificou casos de febre aftosa no último ano. “O status sanitário brasileiro não é permanente nem acontece por acaso. Ele depende de um sistema estruturado, baseado em vigilância ativa e análise de risco para impedir a entrada de enfermidades que possam comprometer a pecuária nacional”, explica Cavallero. A febre aftosa é uma doença viral altamente contagiosa que afeta bovinos, suínos, ovinos e outros animais de casco fendido. Com rápida disseminação, a sua identificação gera impactos econômicos importantes devido aos custos de contenção e ao impedimento das exportações.

GLOBO RURAL 

MEIO AMBIENTE

Economia verde ultrapassa US$ 10 trilhões com crescimento acelerado da receita

Aumento ocorre momento de receita ligada a produtos e serviços ambientais, que atingiu US$ 5,5 trilhões em 2025. Índice da S&P voltado para transição energética global subiu mais de 80% desde o final de 2024

A economia verde —as linhas de negócios de empresas globais listadas em Bolsa que geram receita com soluções climáticas— agora ostenta um valor de mercado recorde de US$ 10 trilhões. O aumento ocorre em um contexto de receita ligada a produtos e serviços ambientais, que atingiu US$ 5,5 trilhões no ano passado, expandindo-se no ritmo mais acelerado desde 2022, segundo relatório divulgado na semana passada pela LSEG (Bolsa de Valores de Londres). Os investidores recompensaram esse crescimento: empresas que obtêm mais de 20% de sua receita com atividades verdes têm apresentado desempenho superior ao do mercado de ações em geral, afirmou a LSEG. O índice S&P Global Clean Energy Transition subiu mais de 80% desde o final de 2024, mais que o dobro do retorno do S&P 500. Apesar das crescentes tensões geopolíticas e do recuo das prioridades climáticas em algumas das principais economias, lideradas pelos Estados Unidos, as indústrias verdes têm demonstrado uma resiliência notável. Isso se deve, em parte, ao fato de a transição energética estar entrando em uma nova fase, impulsionada tanto pela segurança e competitividade econômica quanto pela descarbonização, segundo a LSEG. Para os investidores que perderam o interesse em ações verdes, o crescimento recente do setor deve criar “uma urgência em reavaliar” e repensar sua exposição, disse Jaakko Kooroshy, chefe global de pesquisa de investimentos sustentáveis da LSEG, em entrevista. A LSEG define a economia verde como a proporção da receita das empresas gerada por soluções ambientais, que vão desde energias renováveis e água potável até eficiência energética e reciclagem. A empresa avaliou a exposição da receita a atividades comerciais verdes de mais de 21 mil empresas em todo o mundo. O crescimento da receita foi generalizado no último ano, com 99 das 133 categorias de produtos e serviços verdes registrando ganhos. Veículos elétricos e as chamadas baterias avançadas foram “um destaque particularmente positivo”, adicionando US$ 62 bilhões à receita, afirmou a LSEG. A LSEG também analisou fusões e aquisições, que, segundo a organização, estão “se tornando um mecanismo cada vez mais crucial para acelerar a transição para uma economia de baixo carbono”. Fusões e aquisições relacionadas a energias verdes totalizaram US$ 4,1 trilhões na última década, representando quase 13% do valor total das transações globais, de acordo com a LSEG. As negociações continuaram neste ano, lideradas pelo acordo da NextEra Energy para pagar cerca de US$ 67 bilhões em ações pela Dominion Energy. A transação proposta criaria “um dos maiores gigantes da energia verde na América do Norte”, disse Kooroshy. “Não é uma empresa focada exclusivamente em energia verde, mas é uma enorme empresa de energia verde que está se formando.” A LSEG afirmou que, juntas, a NextEra e a Dominion gerariam mais de US$ 15,9 bilhões em receitas relacionadas a energia verde, provenientes de fontes eólicas, solares, nucleares e de armazenamento em baterias. Isso representaria cerca de 36% da receita total da empresa combinada. Mesmo com uma política que “mudou o foco para a produção doméstica de petróleo e gás”, os EUA continuam sendo a maior economia verde em capitalização de mercado, representando 57% do total global, afirmou a LSEG.

FOLHA DE SP

INTERNACIONAL

Austrália atinge cota de exportação de carne à China e passa a enfrentar tarifa de 55%

A medida de salvaguarda pode redirecionar fluxos globais de carne bovina e aumenta a atenção sobre o Brasil, que também se aproxima do limite de exportação para o mercado chinês. País atingiu o teto de 205 mil toneladas definido pela China antes da metade do ano

As exportações de carne bovina australiana para a China enfrentarão uma tarifa adicional de 55% a partir do fim da semana, após atingirem o limite da cota anual estabelecida por Pequim, o que poderá afetar os fluxos comerciais e levar os produtores a buscar novos mercados para a carne vermelha. Em dezembro, o governo chinês impôs uma cota de 205.000 toneladas para as importações de carne bovina da Austrália, como parte de uma série de restrições comerciais impostas aos principais países produtores de carne vermelha, incluindo o Brasil e a Argentina, em uma iniciativa que busca proteger os agricultores locais. Os embarques atingiram esse nível na quinta-feira — antes mesmo de se completar a metade do ano — e a tarifa adicional, somada aos impostos já existentes, passará a vigorar a partir de 20 de junho, informou o Ministério do Comércio da China na sexta-feira em um comunicado. As exportações de carne bovina australiana para a China vêm aumentando constantemente nos últimos anos, ultrapassando 300.000 toneladas em 2025 e atingindo o maior nível em seis anos. Esse crescimento foi impulsionado tanto pelo aumento do consumo na China quanto pela forte produção na Austrália, que atingiu um recorde em 2025. A China é o maior importador mundial de carne bovina. A capital australiana Canberra vem pressionando o governo chinês para que aumente a cota, mas há poucos sinais de que Pequim vá remover o limite. Os produtores de carne bovina e analistas comerciais da Austrália estão cautelosamente otimistas quanto à possibilidade de encontrar novos mercados para as exportações, já que o rebanho dos EUA está atualmente em seu nível mais baixo em décadas e a demanda por carne vermelha é forte em toda a Ásia. O Brasil também poderia atingir sua cota de exportação para a China antes mesmo de chegar à metade do ano, informou a Bloomberg no mês passado.

BLOOMBERG LÍNEA

SUÍNOS & FRANGOS

Custos de suínos e frangos a cair em maio nos principais estados produtores

Levantamento da Embrapa aponta recuo nos índices de produção e nova redução no custo da ração 

Os custos de produção de suínos e frangos de corte registraram nova queda em maio nos principais estados produtores, segundo levantamento mensal da Embrapa Suínos e Aves divulgado pela Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS), na sexta-feira (19). Em Santa Catarina, o custo de produção do suíno vivo passou de R$ 6,25 em abril para R$ 6,23 em maio, redução de 0,37%, com o ICPSuíno em 356,33 pontos. No acumulado do ano (jan–mai), o índice apresenta queda de 3,87% e, em 12 meses, recuo de 1,51%. A ração, responsável por 72,45% do custo total em maio, caiu 0,36% no mês e acumula redução de 2,83% no ano. No Paraná, o custo de produção do frango de corte foi de R$ 4,68 por quilo em maio, queda de 0,38%, com o ICPFrango atingindo 362,13 pontos. No acumulado do ano (jan–mai), o índice registra alta de 0,53%, enquanto, em 12 meses, a variação é negativa em 2,05%. Os custos com ração, que representaram 63,03% do total em maio, recuaram 1,15% no mês e acumulam queda de 6,63% em 12 meses. Santa Catarina e Paraná são estados de referência nos cálculos dos Índices de Custo de Produção (ICPs) da CIAS, devido à sua relevância como maiores produtores nacionais de suínos e frangos de corte, respectivamente. A CIAS também disponibiliza estimativas para Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul, oferecendo subsídios à gestão técnica e econômica dos sistemas produtivos.

EMBRAPA

Preços do frango avançam mesmo com consumo mais lento na segunda quinzena

Demanda reage no mercado interno enquanto produção atinge maior volume da série histórica para o primeiro trimestre.

De acordo com dados do Cepea, divulgados na sexta-feira (19), os preços da carne de frango seguem em alta desde o início de junho e mantêm o movimento positivo mesmo na segunda quinzena do mês, período em que tradicionalmente o consumo perde força. Levantamentos indicam que a valorização ocorre em todas as regiões acompanhadas e reflete uma retomada gradual da demanda, combinada a uma oferta interna mais ajustada. No campo da produção, o desempenho também chama atenção. Dados do IBGE mostram que o primeiro trimestre de 2026 registrou o maior volume já observado para o período, dentro da série histórica iniciada em 1997. Entre janeiro e março, a avicultura de corte brasileira produziu 3,734 milhões de toneladas de carne de frango. O resultado representa crescimento de 2,2% em relação ao último trimestre de 2025 e avanço de 6,9% na comparação com o mesmo intervalo do ano passado, quando foram produzidas 3,492 milhões de toneladas.

CEPEA

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