CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2736 DE 19 DE JUNHO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2736 | 19 de junho de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo: cotações estáveis em São Paulo

Em São Paulo, as cotações permaneceram estáveis, com frigoríficos fora das compras após se abastecerem para a semana e oferta de boiadas ajustada à demanda.

Pelos dados da Scot Consultoria, o boi gordo com destino ao mercado interno paulista segue em R$ 348/@, a vaca gorda em R$ 322/@, a novilha terminada em R$ 335/@ e boi padrão-exportação em R$ 353/@ (preços brutos, com prazo). A cotação não mudou. Havia frigoríficos fora das compras, pois tinham se abastecido para a semana e aguardavam os resultados das vendas de carne bovina para se reposicionar. A oferta de boiadas não aumentou e atendia à demanda, embora sem folga. Sem aumento na disponibilidade de bovinos e com o ritmo de compras menor, o mercado ficou estável. As escalas de abate estavam, em média, para sete dias. No primeiro trimestre de 2026, o abate de bovinos sob algum tipo de serviço de inspeção sanitária foi de 10,29 milhões de cabeças. Alta de 3,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025, mas queda de 6,9% frente ao quarto trimestre de 2025. A produção de carcaças foi de 2,63 milhões de toneladas, aumento de 5,1% na comparação feita ano a ano e queda de 10,3% em relação ao último trimestre de 2025. Os dados fazem parte dos primeiros resultados das Pesquisas Trimestrais da Pecuária, divulgados em 19 de maio e atualizados em 16 de junho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além dos ajustes nas estimativas anteriormente divulgadas, a atualização trouxe os números de abate por categoria. No trimestre, o abate de bois foi de 4,72 milhões de cabeças, alta de 1,9% em relação ao primeiro trimestre de 2025, mas queda de 19,6% frente ao quarto trimestre de 2025. O abate de vacas somou 3,44 milhões de cabeças, com alta de 3,5% na comparação com o primeiro trimestre de 2025 e de 10,1% frente ao quarto trimestre de 2025. O abate de novilhos foi de 430 mil cabeças, aumento de 6,4% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e queda de 23,1% frente ao quarto trimestre de 2025. Já o abate de novilhas somou 1,69 milhão de cabeças, alta de 6,0% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e de 13,4% frente ao quarto trimestre de 2025. Em Roraima, a cotação não mudou na comparação feita dia a dia. As escalas de abate atendiam, em média, a 12 dias.

SCOT CONSULTORIA 

Boi/Cepea: Abates são recordes para o primeiro trimestre

Dados oficiais de abate divulgados pelo IBGE apontam um novo recorde no abate de bovinos no Brasil, refletindo a expansão da produção pecuária e a maior oferta de animais para comercialização.

De acordo com o Instituto, 10,289 milhões de animais (machos e fêmeas) foram abatidos no País de janeiro a março de 2026, um recorde considerando-se o primeiro trimestre de cada ano da série do IBGE. Além disso, esse volume é 3,27% superior ao registrado no mesmo período de 2025 e 9,1% maior que o observado no primeiro trimestre de 2024. Segundo pesquisadores do Cepea, os números refletem a expansão da produção pecuária brasileira nos últimos anos e a elevada competitividade da cadeia produtiva da carne bovina. Esse cenário, inclusive, evidencia que o setor pecuário nacional continua fortalecendo o papel estratégico tanto no abastecimento do mercado interno quanto no atendimento à crescente demanda internacional.

CEPEA

União Europeia endurece exigências e pressiona Brasil a comprovar controle sanitário na produção animal

Em webinar, lideranças do agronegócio e especialistas em comércio internacional afirmam que o novo cenário regulatório europeu exige do Brasil maior rastreabilidade, governança e capacidade de comprovar, por meio de dados auditáveis, o uso de antimicrobianos na cadeia produtiva.

O debate aconteceu em 9 de junho e foi mediado por Jogi Oshiai, consultor estratégico em agronegócios e sócio do eLO Consultoria e diretor de Relações Institucionais da FratiniVergano European Lawyers (Bélgica). Na abertura, ele destacou que o tema ultrapassa a esfera técnica e alcança questões relacionadas à confiança regulatória, à governança sanitária e à competitividade internacional. Jogi ainda afirmou que o tema não se restringe a uma disputa pontual com a União Europeia, mas representa um desafio mais amplo para o Brasil: demonstrar, de forma contínua e verificável, que sua cadeia produtiva atende às exigências sanitárias de mercados cada vez mais rigorosos. Na primeira intervenção, Estevão Carvalho, médico-veterinário pela UFMG e gerente-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), explicou que a nova lógica europeia está centrada na comprovação da não utilização de determinados antimicrobianos ao longo da cadeia produtiva, e não apenas na análise de resíduos no produto. Segundo ele, o Brasil já exporta frango para mais de 150 países, mas a União Europeia passou a exigir garantias mais amplas, com fiscalização in loco e mecanismos que comprovem a ausência de uso desses insumos. Na sequência, Maria Eduarda Machado Blaiklock, que atuou como Adida Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) na Tailândia, afirmou que o Brasil já dispõe de uma base legal para restringir ou proibir o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento, mas ainda precisa transformar essa estrutura em evidências concretas. Ela destacou que o ponto central está na geração de dados verificáveis e auditáveis, acompanhados por controles oficiais implementados ao longo de toda a cadeia. Ao comentar a situação dos países do Mercosul, afirmou que Uruguai, Argentina e Paraguai se anteciparam em relação ao Brasil, com normas mais consolidadas e mecanismos de controle já adaptados às exigências europeias. Ela também destacou que o Uruguai historicamente alinha sua regulação à da União Europeia, enquanto a Argentina vem ampliando sua norma desde 2024. No caso do Paraguai, a adequação foi feita com foco na cadeia bovina, atualmente a única habilitada a exportar para o mercado europeu. A avaliação histórica foi feita por Pedro de Camargo Neto, doutor em Engenharia de Produção pela Poli-USP e ex-secretário do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que classificou o momento como um reflexo da transição do comércio internacional, em que não basta mais produzir em escala, é preciso comprovar institucionalmente como se produz. Para ele, o Brasil demorou a perceber que o mundo passou a exigir processos auditáveis e rastreáveis, e não apenas a qualidade final do produto. Na mesma linha, Fernando Sampaio, engenheiro agrônomo pela ESALQ/USP, secretário-executivo da Rede de Inteligência em Agricultura e Clima e fellow do Instituto Arapyaú, destacou que a Europa continua sendo um mercado estratégico para o Brasil não apenas pelo volume, mas pelo valor simbólico e reputacional. Para ele, se o país consegue atender às exigências europeias, transmite ao mercado internacional a imagem de que possui capacidade de comprovação e conformidade com padrões elevados. Fernando defendeu que o Brasil precisa mudar sua postura institucional e agir em duas frentes simultaneamente: contestar exigências quando houver espaço técnico e, ao mesmo tempo, se preparar para cumpri-las. Segundo ele, a rastreabilidade deve ser entendida como uma infraestrutura pública digital de informação, capaz de coletar evidências e sustentar processos de fiscalização, certificação e credibilidade comercial. Ele também chamou atenção para a dificuldade de governança no setor, afirmando que ainda falta um fórum capaz de reunir todos os atores da cadeia governo, indústria, certificadoras, entidades de classe e fornecedores para tomar decisões estruturantes. Na avaliação de Fernando, sem essa articulação, o país continuará reagindo tardiamente a cada nova exigência internacional. Já Alcides Torres, engenheiro agrônomo formado pela ESALQ/USP, fundador e CEO da Scot Consultoria, avaliou que os efeitos econômicos tendem a ser mais sentidos na pecuária de corte, sobretudo entre frigoríficos e produtores com forte dependência do mercado europeu. Ele observou que a perda desse destino afeta produtos de maior valor agregado e pode comprometer empresas que têm a Europa como mercado principal. Alcides afirmou que o problema central não está apenas nos antimicrobianos em si, mas na dificuldade de comprovar o cumprimento das exigências internacionais. Também alertou para o impacto em cadeias mais fragmentadas e complexas, como a bovinocultura, que exigem sistemas de controle mais amplos e articulados. Jogi concluiu que o problema vai além de uma suspensão temporária ou de uma disputa comercial isolada. Na sua avaliação, o país precisa transformar reputação em evidência, controle oficial, rastreabilidade, certificação e governança regulatória, se quiser preservar e ampliar sua posição no comércio global de alimentos.

SCOT CONSULTORIA

ECONOMIA

Dólar sobe a R$5,1745 com Fed vendo alta de juros e Copom sugerindo nova baixa

O dólar emplacou na quinta-feira a quarta sessão consecutiva de ganhos ante o real, com as decisões sobre juros da véspera, nos Estados Unidos e no Brasil, justificando o aumento das cotações.

Enquanto o Federal Reserve passou indicações de que sua taxa de referência vai subir ainda em 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central preparou terreno para mais cortes de juros. O dólar à vista fechou o dia com alta de 1,25%, aos R$5,1745. No ano, a divisa passou a acumular queda de 5,73% ante o real. Às 17h06, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 1,17% na B3, aos R$5,1820. As decisões de política monetária do Fed e do BC na véspera, cada uma a sua maneira, atuaram para o avanço do dólar ante o real. No caso do Fed, a instituição manteve na tarde de quarta-feira sua taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, mas passou indicações de que um aumento pode ocorrer até o fim do ano. Com isso, os investidores globais elevaram as apostas de pelo menos um aumento de juros pelo Fed, possivelmente já em agosto. Em reação, o dólar exibiu ganhos ante a maior parte das demais divisas na quinta-feira, incluindo divisas de países emergentes como o real, o peso chileno, a lira turca e o peso mexicano. O real esteve durante todo o dia entre as moedas que mais perdiam valor, com o mercado também reagindo negativamente ao anúncio da véspera do Copom. O colegiado cortou a taxa básica Selic em 25 pontos-base, para 14,25% ao ano, e adotou na visão de alguns analistas uma postura “dovish” (mais suave no combate à inflação), ao estender o horizonte relevante para que a inflação possa convergir à meta de 3%. Na prática, o BC “adiou” o atingimento da meta de 3% do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028, reforçando a percepção de que pode haver novo corte da Selic em agosto. “O grande destaque ficou por conta justamente da rolagem do horizonte relevante em um trimestre à frente, sinalizando que o comitê… opta por buscar uma justificativa que sustente um corte de juros, mostrando uma postura mais propensa a riscos inflacionários”, avaliou a equipe da Genial Investimentos em análise publicada após a decisão. Assim, a perspectiva de juros mais altos nos EUA, somada à possibilidade de novo corte no Brasil, torna o diferencial de juros brasileiro menos atrativo ao investimento estrangeiro, o que em tese pode prejudicar o fluxo de dólares para o país. Em reação, o dólar à vista se reaproximou dos R$5,20 durante a sessão desta quinta-feira. Às 13h19, a divisa atingiu a cotação máxima de R$5,1909 (+1,58%). “Recentemente, a moeda americana vinha acumulando quedas impulsionadas pelo diferencial de juros favorável ao Brasil. Agora, com a perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos, ocorre uma pequena realocação de recursos”, comentou Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain. “Parte do capital deixa a bolsa brasileira e até mesmo a renda fixa local para buscar oportunidades no mercado americano”, acrescentou.

REUTERS

Ibovespa fecha com variação modesta após BC deixar em aberto próximas decisões sobre a Selic

O Ibovespa fechou com uma variação modesta na quinta-feira, um dia após o Banco Central cortar a taxa Selic para 14,25% e deixar em aberto os próximos movimentos de política monetária. 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,07%, a 168.328,44 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 169.542,37 pontos na máxima e 167.910,63 pontos na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somava R$22,84 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

INTERNACIONAL

Austrália atinge cota de exportação de carne bovina para a China

No Brasil, expectativa é que o governo chinês anuncie em breve a marca de 80% do volume autorizado aos abatedouros brasileiros, de 1,1 milhão de toneladas. Avanço do preenchimento da cota chinesa de carne bovina também mexe com as operações dos frigoríficos e da cadeia pecuária no Brasil

A Austrália atingiu a sua cota de exportação de carne bovina para a China de 2026 nessa quinta-feira (18/6). Em comunicado emitido há pouco, já manhã de sexta-feira (19/6) no país asiático, o governo chinês informou que as novas remessas da proteína australiana serão taxadas com uma tarifa adicional de 55%, prevista na salvaguarda comercial, a partir de meia noite de 20 de junho. A cota de carne bovina da Austrália é de 205 mil toneladas em 2026. As exportações australianas para a China haviam atingido 80% em 16 de maio e 90%, em 2 de junho. A taxação total sobre as novas cargas será de 67%. “A carne bovina importada da Austrália sob as medidas de salvaguarda atingiu 100% da quantidade estipulada pelo Ministério do Comércio no Anúncio nº 87 de 2025 em 18 de junho de 2026. De acordo com o Anúncio nº 87 de 2025, a partir de três dias após a quantidade de importações de carne bovina australiana atingir 100% (a partir da meia-noite de 20 de junho), será imposta uma tarifa de 55% sobre a carne bovina importada da Austrália, além da tarifa aplicável já existente”. No Brasil, o avanço do preenchimento da cota também mexe com as operações dos frigoríficos e da cadeia pecuária. A expectativa é que a China anuncie em breve a marca de 80% do volume autorizado aos abatedouros brasileiros, de 1,1 milhão de toneladas. As empresas têm programado produzir os cortes específicos para o mercado chinês até o fim dessa semana. Depois, serão mantidas apenas as operações de embarques, até o fim de junho. O diretor-executivo de Originação da JBS, Eduardo Pedroso, disse que a salvaguarda chinesa vai gerar um impacto de restrição de volume de exportação ao país e que isso pode gerar acomodação do preço da arroba do boi no mercado interno nos próximos meses. “Se nós vamos passar alguns meses, devido às altas tarifas, praticamente impossibilitados de exportar para lá, certamente tem um impacto de volume, e esse volume deve ter alguma consequência de acomodação de preço. Ainda é prematuro para dizer qual será, mas é uma situação que, honestamente, a cadeia já esperava por isso”, afirmou a jornalistas nos bastidores do Fórum Internacional da Agropecuária (Fiap). Segundo ele, apesar das mudanças e adaptações nas estratégias comerciais das plantas habilitadas para a China (a JBS tem 18 unidades com o aval), há oportunidades de busca de outros mercados para redirecionar cargas. O cenário de déficit global de oferta da proteína favorece o Brasil, disse. “Existe uma grande oportunidade na mesa, de o Brasil seguir buscando a abertura de novos canais de escoamento, novos canais de venda, porque o déficit global é estrutural e é bem maior do que o volume reduzido pela China durante o período da salvaguarda”, opinou. Ele ressaltou que as negociações para alcançar novos mercados dependem de acordos sanitárias e não são medidas instantâneas, mas demonstrou otimismo com o futuro próximo para a cadeia pecuária brasileira. Segundo ele, o pecuarista não pode “esmorecer” diante da “pequena turbulência” vivida atualmente com as restrições de volume para exportações para a China. “O horizonte é muito próspero, o cenário da pecuária brasileira para os próximos anos é fantástico. Podemos afirmar que estamos na atividade certa, no país certo, na proteína certa. A mensagem ao produtor é para não esmorecer nesse momento, nesse ato que dá uma pequena turbulência, mas logo em seguida a gente acredita que tudo se reestabeleça como deve ser”, completou. Pedroso disse que a forma de contabilização da cota pela China, pela data de entrada da carne lá, e o período de 30 a 60 dias do transporte marítimo dos contêineres com a proteína, geram incertezas no mercado local. “Estamos fazendo conta por estimativa, ninguém tem certeza exatamente de qual será a data cravada de que o volume será completado”, disse o diretor da JBS. Segundo ele, essa incerteza deixa exportadores e importadores mais cauteloso, porque ninguém quer assumir o ônus das sobretaxas de 55%, se aplicada. “Fica o impasse e aí, naturalmente, a coisa vai desacelerando, dado que a progressão da entrada da China, mais do que está em trânsito e o que está produzido, por estimativa, a gente já calcula que realmente estejamos terminando a cota do ano vigente”, concluiu.

VALOR ECONÔMICO

SUÍNOS & FRANGOS

Suínos/Cepea: Suíno vivo registra primeira valorização desde o Dia das Mães

As cotações do suíno vivo avançaram em algumas praças acompanhadas pelo Cepea nos últimos dias, influenciadas pela maior demanda.

Segundo o Centro de Pesquisas, é a primeira vez desde o Dia das Mães, em 10 de maio, que os preços sobem. Essa alta, no entanto, não foi acompanhada pela carne. De acordo com pesquisadores do Cepea, a procura pelo suíno vivo esteve firme, especialmente na região Sul do País. A indústria esteve mais ativa na demanda por lotes extras de animais, movimento que permitiu aos produtores realizar ajustes positivos nas cotações.

CEPEA

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