
Ano 11 | nº 2716 | 21 de maio de 2026
NOTÍCIAS
Mercado arroba do boi gordo recua em São Paulo
China reabilita frigoríficos brasileiros
De acordo com análise da quarta-feira (20) do informativo “Tem Boi na Linha”, publicado pela Scot Consultoria, o mercado do boi gordo iniciou o dia com queda nas cotações em São Paulo. A arroba do boi gordo, do “boi China” e da novilha recuou R$ 3,00/@, enquanto o preço da vaca permaneceu estável em relação ao dia anterior. Segundo a consultoria, o movimento foi influenciado pela oferta considerada confortável e pela demanda lenta por carne bovina no mercado interno. O cenário levou frigoríficos a testarem preços abaixo das referências praticadas nos últimos dias. As escalas de abate permaneceram, em média, em dez dias, indicando relativa tranquilidade nas programações das indústrias frigoríficas. Dados da pesquisa trimestral de abate de bovinos apontaram crescimento no volume de animais abatidos no primeiro trimestre de 2026. Conforme levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o país registrou abate de 10,29 milhões de cabeças sob algum tipo de inspeção sanitária, alta de 3,3% na comparação com o mesmo período de 2025. Apesar do avanço anual, o número representa queda de 6,8% frente ao quarto trimestre do ano passado. A produção de carcaças somou 2,63 milhões de toneladas, crescimento de 5,1% em relação ao primeiro trimestre de 2025, mas retração de 10,2% na comparação trimestral.
Os números fazem parte dos primeiros resultados das Pesquisas Trimestrais da Pecuária, divulgados pelo IBGE em 19 de maio. No mercado externo, a China retirou a suspensão de três frigoríficos brasileiros habilitados para exportação de carne bovina. As unidades estavam impedidas de embarcar produtos desde março de 2025. Voltaram à lista de habilitados o Frisa Frigorífico Rio Doce, a Bon-Mart Frigorífico e a JBS. A retomada foi registrada na plataforma de Registro de Empresas de Importação de Alimentos da China, vinculada à Administração-Geral de Alfândegas chinesa. Com a reabilitação das plantas frigoríficas, o Brasil passou a contar com 66 unidades aptas a exportar carne bovina ao mercado chinês. Segundo a análise da Scot Consultoria, a medida recompõe parte da capacidade exportadora brasileira e pode ampliar o atendimento à demanda da China. Em Roraima, o mercado apresentou comportamento oposto ao de São Paulo. Na comparação diária, a cotação subiu R$ 2,00/@ para todas as categorias bovinas.
SCOT CONSULTORIA
Boi gordo ganha sustentação com possibilidade de revisão da cota chinesa. Brasil já preencheu 55% da cota
Autoridades brasileiras negociam flexibilização das medidas de salvaguarda para absorver volumes de outros exportadores. A GACC informou, na reunião de terça-feira (18/5), que o Brasil já preencheu 55% da cota e a Austrália, mais de 80%. Por outro lado, Estados Unidos e Uruguai estão com baixa comercialização.
O mercado físico do boi gordo mantém o padrão das negociações nesta semana. A oferta segue aumentando, com expectativa de maior disponibilidade de gado nos próximos dias e, consequentemente, avanço das escalas de abate. O analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias ressalta que as atenções se voltam para a Ásia, em particular para a China. “A Sial, maior feira de alimentos do mundo, está acontecendo no decorrer desta semana. Autoridades brasileiras passaram a negociar uma possível flexibilização das medidas de salvaguarda, em um modelo em que o Brasil possa absorver volumes [de carne bovina] de outros exportadores que não conseguirem preencher suas cotas, a exemplo do que acontece com Estados Unidos, Argentina, Uruguai e Nova Zelândia”, comenta. Segundo ele, em caso de uma resposta positiva por parte das autoridades chinesas, haverá maior suporte aos preços. Preços médios da arroba do boi: São Paulo: R$ 345,17 — ontem: R$ 344,58. Goiás: R$ 323,57 — ontem: R$ 327,68. Minas Gerais: R$ 325,88 — ontem: R$ 325,59. Mato Grosso do Sul: R$ 347,27 — ontem: R$ 346,48. Mato Grosso: R$ 352,23 — ontem: R$ 351,55. O mercado atacadista se depara com acomodação em seus preços. De acordo com Iglesias, a expectativa é de continuidade do movimento de queda no decorrer da segunda quinzena do mês, período pautado por menor apelo ao consumo. “Além disso, a carne bovina se depara com menor competitividade na comparação com as proteínas concorrentes, em especial em relação à carne de frango”, disse Iglesias. Quarto traseiro: R$ 27,50 por quilo; Quarto dianteiro: R$ 21,50 por quilo; Ponta de agulha: R$ 20,00.
SAFRAS NEWS
Brasil e Austrália pressionam China para permitir maior embarque de carne bovina, diz agência
Produtores brasileiros já atingiram cota anual e podem enfrentar tarifa de 55% no próximo mês. Brasil pode deixar de ganhar US$ 3 bilhões se China não aprovar mudança na regra
O Brasil e a Austrália maiores exportadores de carne bovina do mundo, estão pedindo a Pequim que permita o envio de mais carne à China, disseram pessoas familiarizadas com o assunto à agência de notícias Reuters, à medida que ambos os países se aproximam de esgotar suas cotas de exportação de carne bovina para 2026 e terão que suspender os embarques. A China é o maior importador de carne bovina do mundo, absorvendo produtos no valor de quase US$ 3 bilhões (R$ 15,12 bilhões) do Brasil e cerca de US$ 1 bilhão (R$ 5,04 bilhões) da Austrália no primeiro trimestre deste ano, mostram dados comerciais do país. Mas seu sistema de cotas, introduzido em dezembro do ano passado para proteger o setor doméstico chinês, imporá uma tarifa de 55% sobre os embarques de ambos os países já no próximo mês se o ritmo atual de embarques continuar bloqueando efetivamente o comércio. O ministro da Agricultura do Brasil, André de Paula, e o ministro do Comércio da Austrália, Don Farrell, estão na China esta semana e vêm usando seu tempo com as autoridades chinesas para defender o aumento das cotas, de acordo com sete fontes informadas sobre as discussões. O Brasil e a Austrália querem que a China realoque as cotas de exportação não utilizadas de outras nações para eles, disseram algumas das pessoas ouvidas pela reportagem. Até o final de março, a Argentina havia utilizado 27,5%, o Uruguai, 15%, e a Nova Zelândia, 14%, de suas cotas de exportação, segundo dados do governo chinês. As autoridades australianas também discutiram com a China a isenção de ossos e carne resfriada da cota, o que permitiria um aumento nos embarques totais, disseram duas pessoas familiarizadas com as discussões. O Ministério do Comércio e o Departamento de Alfândega da China não responderam imediatamente aos pedidos de comentários. A embaixada do Brasil em Pequim não respondeu a um pedido de comentário. Um porta-voz do Ministério do Comércio da Austrália, respondendo a um pedido de comentário, apontou para uma declaração de 18 de maio por Farrell dizendo que se encontraria com o ministro do Comércio da China, Wang Wentao. “A Austrália sempre foi uma defensora do comércio livre e justo”, disse a declaração. O Brasil e a Austrália já pressionaram por mudanças em reuniões anteriores com autoridades chinesas, de acordo com as pessoas familiarizadas com o tema. “Eles continuarão tentando desta vez, mas a China provavelmente rejeitará novamente”, disse Isabel Nepstad, presidente-executivo da BellaTerra Consulting em Xangai, que ajuda empresas, incluindo produtores brasileiros de carne bovina, a fazer negócios na China, sobre o esforço de lobby do Brasil. Muitos negócios chineses de carne bovina não têm sido lucrativos nos últimos anos. A carne bovina brasileira muitas vezes compete diretamente com os produtos locais, enquanto a Austrália tende a enviar mais cortes premium que são menos produzidos na China. O Brasil pode deixar de ganhar até US$ 3 bilhões em receita de exportação este ano se sua cota não for alterada, disse a associação brasileira de carne bovina Abrafrigo este mês. A Austrália pode estar em melhor situação, redirecionando os fluxos para o Japão, a Coreia do Sul e os Estados Unidos, segundo analistas. Após a visita do presidente dos EUA, Donald Trump, à China na semana passada, Pequim reabriu seu mercado para os produtores norte-americanos, o que pode tornar menos provável a expansão das cotas para outros países, avaliou Matt Dalgleish, da consultoria australiana Episode 3.
FOLHA DE SP/REUTERS
China reabilita 3 frigoríficos brasileiros para exportação de carne bovina
Frigoríficos que voltam a acessar mercado chinês de carne estão em São Paulo, Minas Gerais e Goiás
A China anunciou a retirada da suspensão de importação para os produtos de três frigoríficos brasileiros, que voltam a ficar aptos a exportar carne bovina ao país asiático. Segundo nota do Ministério da Agricultura do governo Lula, a China anunciou a retirada da suspensão de importação para os produtos de três frigoríficos brasileiros, que voltam a ficar aptos a exportar carne bovina ao país asiático. Frigoríficos que voltam a acessar mercado chinês são de São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Os produtores novamente autorizados são: Frisa Frigorífico Rio Doce, de Nanuque (MG); Bon-Mart Frigorífico, de Presidente Prudente (SP); e JBS S/A, de Mozarlândia (GO). Anúncio foi feito durante reunião do ministro da Agricultura, André de Paula, com a ministra da Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC), Sun Meijun, e sua equipe em Pequim. O encontro foi realizado ontem, segundo a pasta. As autoridades sanitárias chinesas também anunciaram o início, no próximo mês, da certificação eletrônica para produtos cárneos. Lista consta na plataforma de Registro de Empresas de Importação de Alimentos da China (Cifer, na sigla em inglês). Essa plataforma é da GACC (Administração Geral de Alfândegas da China), consultada pelo Estadão/Broadcast, com data de retomada das importações de 19 de maio. Atualmente, 66 frigoríficos brasileiros são aptos a exportar carne bovina para a China. Essa é a informação da GACC, responsável pelas liberações. Frigoríficos reabilitados estavam suspensos desde março de 2025. Na oportunidade, a suspensão fora determinada após a realização de auditorias remotas que identificaram “não conformidades em relação aos requisitos chineses para o registro de estabelecimentos estrangeiros”.
ESTADÃO CONTEÚDO
Brasil pediu à China habilitação de 33 novos frigoríficos, diz secretário
O Ministério da Agricultura do Brasil pediu ao governo chinês a habilitação de 33 novos frigoríficos para exportação à China, disse na quarta-feira o secretário de Comércio e Relações Internacionais da pasta, Luis Rua, à Reuters.
Segundo ele, foram requisitadas autorizações para embarques à China para 20 plantas de carne bovina, 11 de aves e duas de suínos, durante reunião esta semana entre o governo brasileiro e o chinês em Pequim. Durante a agenda, também foi anunciado o início da certificação eletrônica para a exportação de produtos cárneos, o e-cert, do Brasil para a China a partir de junho. “São aproximadamente 100 mil certificados por ano que passarão a ser emitidos de forma eletrônica. É um ganho importante para a facilitação do comércio, redução de custos e para dar mais agilidade ao processo”, informou Rua. A certificação valerá para os produtos e derivados de todas as proteínas animais.
REUTERS
Brasil pede à UE transição para antimicrobianos
Autoridades brasileiras querem que europeus só apliquem exigência sobre os medicamentos para todo o ciclo de vida do gado em 2029. Governo propõe à UE que controle do medicamento no gado comece apenas nos nove meses anteriores ao abate
O Brasil pediu para a União Europeia adotar um período de transição para o seu regulamento sobre uso de antimicrobianos especificamente para a cadeia de carne bovina brasileira, apurou a reportagem. A sugestão é que os frigoríficos exportadores possam comprovar, de imediato, que os bovinos não receberam esse tipo de medicamento apenas nos nove meses anteriores ao abate, o que é possível controlar nos animais confinados, por exemplo. O cumprimento da exigência ao longo de toda a vida do animal ficaria para 2029, prazo que o Brasil teria para se adequar e criar um controle de toda a cadeia, com participação também dos pecuaristas. Ainda não houve resposta dos europeus. A avaliação no governo, no entanto, é que o pedido tem pouca chance de ser acatado. Na semana passada, a UE retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtores de origem animal a seu mercado alegando que o país não cumpriu normas relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção. O Brasil já enviou as sugestões de protocolos das cadeias de proteínas (mel, aves, ovos e carne bovina) e aguarda uma resposta da UE. Uma equipe da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura estará na Europa na próxima semana e deverá tentar se reunir com a DG Santé, diretoria responsável pelos temas de sanidade animal, em Bruxelas. A avaliação de técnicos do Ministério da Agricultura é que será necessário fazer uma contenção de danos. A situação para aves, ovos e mel é encarada como passível de solução. O problema é a carne bovina. Como as aves têm um ciclo curto de vida, de cerca de 45 dias, e o modelo de integração de indústrias e avicultores predomina no país, o controle do uso de antimicrobianos é mais viável. O mercado de ovos foi aberto recentemente e não tem fluxo tão intenso de negócios. Mas a questão é que o ciclo de vida das galinhas poedeiras é maior, e o cenário é um pouco mais complexo. A preocupação é com o gado bovino. O modelo pecuário brasileiro é complexo. O animal chega a percorrer três diferentes propriedades ao longo da vida até ir para o abate. Alguns frigoríficos conseguem comprovar a rastreabilidade maior do que nos últimos nove meses, mas o volume de animais é pequeno e restrito. Por isso, o Brasil quer um prazo de transição para aplicação da norma nesse setor. Técnicos do governo brasileiro admitem que houve falha nas tratativas e que não houve surpresa com a decisão europeia. Mesmo assim, apontam que a medida foi desproporcional e desnecessária. A lei europeia sobre antimicrobianos na cadeia animal é de 2018 e foi regulamentada em 2023, com a definição do prazo de 3 de setembro de 2026 para cumprimento das exigências. A última comunicação da Europa ao Brasil sobre o tema foi em janeiro de 2025. Em outubro, o Ministério da Agricultura encaminhou as informações sobre aves, ovos e mel. O protocolo da carne bovina foi apresentado no último dia 28 de abril. Outra preocupação do Brasil é que o órgão europeu que delibera sobre o tema só se reúne a cada seis meses. A reunião mais recente foi em 12 de maio, quando o Brasil foi retirado da lista. A próxima está prevista para outubro, depois da entrada em vigor da proibição de novas exportações, em setembro. O governo fará gestão para que seja realizada uma reunião extraordinária da entidade.
VALOR ECONÔMICO
ECONOMIA
Esperança com acordo entre EUA e Irã faz dólar voltar à marca de R$ 5
Movimento é semelhante ao observado em outros mercados emergentes, apesar do tombo sofrido pelos preços do petróleo e da continuidade da incerteza eleitoral doméstica
O câmbio doméstico embarcou no tom positivo do exterior na quarta-feira, diante da expectativa renovada em torno das negociações para um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, o que ajudou a queimar prêmios de risco de ativos financeiros ao redor do globo. O dólar, assim, voltou a cair frente ao real e ensaiou ficar abaixo da marca simbólica de R$ 5, em um movimento semelhante ao observado em outros mercados emergentes, apesar do tombo sofrido pelos preços do petróleo e da continuidade da incerteza eleitoral doméstica. No fim dos negócios no mercado à vista, o dólar era cotado a R$ 5,0034, em queda de 0,74%, próximo da mínima de R$ 4,9994, que foi alcançada na etapa vespertina da sessão. Também no fim da tarde, o dólar recuava 0,66% ante o peso mexicano; cedia 1,80% frente ao peso colombiano; recuava 1,48% contra o rand sul-africano; e tinha queda de 0,87% em relação ao peso chileno. Já o índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra uma cesta de outras seis moedas principais, operava em queda de 0,23%, aos 99,102 pontos. O desempenho do real, assim, se alinhou ao de outras moedas emergentes, na esteira do tombo dos preços do petróleo. A expectativa em torno das negociações entre EUA e Irã mediadas pelo Paquistão para um fim definitivo do conflito no Oriente Médio e consequente reabertura do Estreito de Ormuz foi o principal fator a guiar os preços dos ativos na sessão, o que possibilitou um alívio dos juros dos Treasuries e, consequentemente, do dólar. Vale notar, porém, que algumas divisas mais ligadas à commodity, como a coroa norueguesa, mostra primeiro trimestre com efeito da guerra e de medidas do governo, diz FGV. O dólar canadense e o próprio real não estiveram entre os melhores desempenhos do dia, já que foram beneficiadas recentemente pelo “trade” dos termos de troca. Além do cenário externo, o mercado manteve no radar as discussões políticas, que, ao longo da última semana, também chacoalharam o real e levaram o mercado a exigir prêmios de risco maiores no câmbio doméstico. Ainda na esteira da revelação do elo entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o pré-candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o site de apostas Polymarket continuou a mostrar um esvaziamento na possibilidade de vitória de Flávio, que, agora, sustenta 24,1% de chance contra 46% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “A recuperação do Lula e o enfraquecimento do Flávio continuam um pouco mais a cada dia”, observa um gestor de moedas em condição de anonimato, que também mostra algum desconforto com os programas de estímulos que têm sido anunciados pelo governo de forma contínua. Ainda que as discussões eleitorais tenham vindo à tona, a moeda americana respeitou o nível da média móvel de 50 dias (R$ 5,0833), que foi colocado pelo estrategista Kenneth Broux, do Société Générale, como um ponto de alerta. Caso a moeda furasse esse patamar, poderia “desencadear nervosismo em torno de um ajuste técnico mais amplo”. O alívio nos juros globais, nesse sentido, também ajudou a conter a piora do câmbio doméstico, já que, de acordo com Broux, “o ‘carry’ foi pressionado pela disparada dos juros globais, testando a convicção otimista em relação ao real”.
VALOR ECONÔMICO
Ibovespa sobe 1,8% com expectativa de acordo EUA-Irã e alta forte de bancos
O alívio nos juros visto lá fora foi refletido no mercado de renda fixa local, o que favoreceu o maior apetite por risco na bolsa, especialmente por ações cíclicas, que respondem pelas maiores valorizações
Diante da expectativa de que os Estados Unidos e o Irã estejam perto de fechar um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio, o Ibovespa registrou um dia de forte recuperação, terminando como destaque entre os ativos domésticos nesta quarta-feira. O alívio nos juros visto lá fora foi refletido no mercado de renda fixa local, o que favoreceu o maior apetite por risco na bolsa, especialmente por ações cíclicas, que respondem pelas maiores valorizações. No melhor momento do dia, o Ibovespa chegou a tocar os 178.199 pontos e avançar 2,25%, mas devolveu um pouco da alta perto do fim do pregão. O recuo de mais de 3% das ações da Petrobras ajudou a reduzir os ganhos do índice em um dia em que blue chips de bancos atuaram na ponta contrária e registraram alta firme. No fim, a principal referência acionária local terminou com valorização de 1,77%, aos 177.356 pontos, distante da mínima de 174.279 pontos. Desde o início da manhã, o Ibovespa adotou um movimento mais positivo, mas a grande “pernada” veio após a imprensa local noticiar que o chefe do Exército paquistanês teria viajado a Teerã para anunciar a versão final do acordo, que deverá ser seguida por uma nova rodada de conversas, segundo fontes próximas. Durante a tarde, o presidente americano, Donald Trump, também reforçou o maior otimismo ao dizer que está disposto a esperar alguns dias para obter a “resposta certa” do Irã. Com o movimento, os preços de petróleo despencaram quase 6%, o que forçou as ações da Petrobras para baixo. No término da sessão, as PN da petroleira encerraram com queda de 3,23%, enquanto as ON recuaram 3,85%. Já bancos subiram em bloco: Bradesco PN (+2,70%), Santander Units (+2,62%), Banco do Brasil (+2,32%), Itaú PN (+2,29%), e BTG Pactual Units (+2,13%). A Vale, por sua vez, teve alta de 1,21%. O volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 22,1 bilhões e de R$ 28,1 bilhões na B3. Em Wall Street, os principais índices também passaram por forte recuperação: o Nasdaq subiu 1,54%, o Dow Jones ganhou 1,31%, e o S&P 500 avançou 1,08%.
VALOR ECONÔMICO
GOVERNO
Ministério sabia que Brasil não atendia a exigências da UE para exportar carnes
Avaliação interna do Ministério da Agricultura feita um mês antes de bloqueio reconhecia falhas em controle de antibióticos
O Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) já sabia, pelo menos 40 dias antes da decisão da União Europeia de barrar produtos brasileiros de origem animal, que o Brasil não tinha estrutura suficiente para atender às exigências sanitárias impostas pelo bloco europeu sobre uso de antibióticos. A Folha teve acesso a um parecer emitido pelo Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Mapa, que analisou o tema a partir de informações prestadas pela ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) em março. A avaliação técnica foi concluída em 1º de abril, mais de 40 dias antes de a União Europeia decidir, em 12 de maio, pela retirada do Brasil da lista de países que cumprem suas regras contra o uso excessivo de antibióticos na pecuária. A UE proibiu a compra da carne brasileira a partir de setembro. No documento destinado ao próprio Mapa, os técnicos são taxativos ao afirmarem que os controles brasileiros eram “insuficientes” para atender à legislação da Europa, porque o sistema nacional depende de autodeclaração dos produtores e das próprias empresas do setor. Ou seja, não possuem uma fiscalização oficial e independente em granjas e propriedades rurais. “Os controles atualmente descritos para atendimento ao Regulamento Delegado (UE) 2023/905 não são suficientes para atendimento do pleito europeu, na medida em que se apoiam predominantemente em autocontroles e em registros gerados pela própria cadeia produtiva, com forte componente de autodeclaração do operador”, afirma o parecer. Segundo a análise, “as autodeclarações sobre o uso de substâncias farmacêuticas a campo não vinham sendo verificadas pelo Serviço Oficial (fiscalização sanitária formada por agente agropecuários e serviços veterinários federais), sendo indispensável controle oficial verificável, por amostragem baseada no risco, sobre o uso de medicamentos nos animais a campo”. O documento tinha justamente o objetivo de avaliar as novas regras europeias sobre antimicrobianos, ou seja, antibióticos usados em animais destinados à produção de alimentos, como bovinos, aves, suínos e ovos. Na semana passada, ao reagir à decisão da UE, o Mapa informou que recebeu “com surpresa” a notícia do bloqueio e que “o governo do Brasil tomará prontamente todas as medidas necessárias para reverter essa decisão”. A avaliação interna do Mapa chega a sugerir exemplos de controles realizados por outros países, como Portugal e Estados Unidos, como forma de aprimorar as fiscalizações internas. “O bloco europeu entende que sistemas baseados em autodeclaração do uso de medicamentos a campo pelo produtor, sem o respaldo de auditorias oficiais sistemáticas a campo, não são suficientes. Portanto, fica clara a necessidade de verificação, pelo Serviço Oficial, por meio de amostragem baseada no risco, do uso de medicamentos nos animais a campo, seja por finalidades terapêuticas ou como promotores de crescimento”, conclui o parecer. O governo brasileiro sabia da exigência da União Europeia desde 7 de outubro de 2024, quando a decisão foi tomada pelo bloco estabelecendo como data-limite 3 de setembro de 2026. No mês passado, o Mapa publicou duas portarias para atender às exigências da UE, uma sobre medicamentos antimicrobianos reservados à medicina humana, em 14 de abril; e outra sobre a proibição de antimicrobianos como promotores de crescimento animal, em 27 de abril de 2026. Nos dois casos, o governo vedou o uso, mas abriu uma janela de 180 dias para que empresas continuem usando eventuais estoques até outubro deste ano, extrapolando a data-limite de setembro imposta pela UE. O uso terapêutico dos antibióticos em animais continua permitido, mas para tratar problemas como infecções, além de aplicação veterinária sob prescrição e controle sanitário.
O temor é que a adoção contínua desses medicamentos em animais contribua para criar bactérias mais resistentes, reduzindo a eficácia de antibióticos, também, para tratamento humano. Na consulta que enviou ao Mapa, a ABPA chegou a abordar a proposta de digitalização de um “Boletim Sanitário”, com informações detalhadas sobre as medidas tomadas regularmente na produção nacional. A conclusão técnica, porém, foi a de que esse tipo de recurso mudaria apenas a forma de apresentação, transmissão e consolidação de informações, sem modificar, na prática, a natureza e a profundidade dos controles. “Embora a digitalização possa aperfeiçoar a gestão de dados, a rastreabilidade documental e o acesso centralizado às informações, ela não substitui a necessidade de verificação oficial a campo e, isoladamente, não supre a insuficiência apontada pela União Europeia”, afirma o documento. A eventual digitalização do boletim pode ser considerada medida acessória de apoio à gestão e à auditabilidade, afirmou o parecer, mas não substitui a implementação de controles oficiais materiais a campo. “Permanece necessária a definição e implementação de uma sistemática de controles oficiais a campo voltada à verificação do uso de medicamentos antimicrobianos proibidos pelo bloco europeu”, aponta o relatório, “para que o Brasil possa atender de forma satisfatória tanto os requisitos atuais de certificação quanto aqueles com efeitos para produtos exportados à União Europeia a partir de setembro de 2026”.
FOLHA DE SP
MEIO AMBIENTE
Frigoríficos do Cerrado falham no controle do desmatamento, aponta estudo inédito
A grande maioria (96%) dos frigoríficos localizados no Cerrado brasileiro tem grau “muito baixo” de compromisso com o desmatamento, segundo análise do Radar Verde, indicador independente que avalia a transparência e o controle socioambiental na cadeia da carne bovina. O relatório foi obtido pelo Valor.
Essa foi a primeira vez que o levantamento teve uma edição específica para esse bioma. O trabalho analisou 225 empresas frigoríficas, das quais 216 apresentaram grau muito baixo de compromisso contra o desmatamento. Outras nove empresas ficaram classificadas com o grau baixo. Nenhum frigorífico alcançou as demais classificações (intermediária, alta ou muito alta). O Radar Verde surgiu, em um primeiro momento, com foco no controle socioambiental de frigoríficos localizados na Amazônia Legal. Segundo o engenheiro ambiental e pesquisador Amintas Brandão Jr., o levantamento feito com as empresas do Cerrado deixou claras as diferenças entre os dois biomas. “O Cerrado tem menos áreas protegidas do que a Amazônia, que são grandes freios (ao desmatamento). Estudos têm demonstrado que terras indígenas e unidades de conservação são grandes mecanismos de redução do avanço do desmatamento. E o Cerrado está muito mais exposto, tanto pela legislação, que é menos exigente, quanto por uma situação fundiária”, resume. No Cerrado, o Código Florestal permite desmatar de 65% a 80% da propriedade, enquanto na Amazônia a preservação pode chegar a 80%. O Cerrado também conta com menor pressão internacional, enquanto os olhares costumam estão voltados às “florestas tropicais”. Diferentemente da Amazônia, o Cerrado não possui Termos de Ajustamento de Conduta (TACs da Carne) firmados com o Ministério Público Federal, mecanismo que desde 2009 pressionou frigoríficos amazônicos a adotar sistemas de monitoramento de fornecedores e controle do desmatamento. “No Cerrado, estamos 15 anos defasados. Ainda estamos falando de assinar os acordos com as empresas. E isso aconteceu na Amazônia lá em 2009. Temos um longo caminho pela frente”, observa Brandão Jr.O estudo também aponta fragilidades no monitoramento de fornecedores indiretos – fazendas por onde o gado passa antes de chegar ao frigorífico -, considerado hoje o principal gargalo da rastreabilidade da cadeia bovina. As empresas mais bem avaliadas no ranking foram, nesta ordem, Marfrig (MBRF), Masterboi, Minerva e JBS. A MBRF informou em nota que “possui muito compromisso socioambiental, com atuação pioneira no desenvolvimento de mecanismos de monitoramento da cadeia. Como resultado, monitora 100% dos fornecedores diretos e indiretos de bovinos e grãos no Cerrado e demais biomas brasileiros. Também investe em plataformas de rastreabilidade, em protocolos setoriais, no engajamento de fornecedores e na construção coletiva de mecanismos escaláveis para enfrentar desafios sistêmicos ao longo de múltiplas cadeias globais de valor”. A Minerva Foods informou que monitora atualmente 100% dos fornecedores diretos em toda a sua operação na América do Sul. No Brasil, a empresa diz ter consolidado o monitoramento de 100% dos fornecedores indiretos até o nível 1 para a Amazônia Legal e o Maranhão. A companhia ressalta ainda que implementou diferentes iniciativas como os protocolos de rastreabilidade de indiretos e tecnologias como a ferramenta Prospec, voltadas à rastreabilidade e ao monitoramento socioambiental da cadeia.
VALOR ECONÔMICO
FRANGOS & SUÍNOS
Brasil acerta detalhes para iniciar exportação de miúdos de suínos à China
A eventual abertura vai contemplar, neste momento, apenas os frigoríficos de Santa Catarina. Atualmente, o Brasil já vende para a China miúdos externos, como orelha, rabo e focinho; demanda chinesa por esses produtos é alta
Brasil e China chegaram a um acordo sobre os termos técnicos do protocolo sanitário que permitirá a abertura do mercado chinês para os miúdos internos de suínos brasileiros. O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, avaliou que a iminente abertura desse mercado será significativa para a suinocultura brasileira. Isso porque a China importou, em 2025, cerca de 1,4 milhão de toneladas de carne suína. Dessas, 800 mil foram de miúdos internos, ramo em que os frigoríficos brasileiros ainda não competem. Atualmente, o Brasil já vende para a China miúdos externos, como orelha, rabo e focinho. A demanda chinesa por esse tipo de produto é alta e a oferta é ainda limitada. “Em se formalizando essa abertura, com a assinatura do protocolo pelas partes, será a maior abertura dos últimos dez anos para a suinocultura brasileira. É um mercado que tem potencial muito grande de vender”, afirmou à reportagem. A eventual abertura vai contemplar, neste momento, apenas os frigoríficos de Santa Catarina, primeiro Estado brasileiro reconhecido como zona livre de febre aftosa sem vacinação. As plantas catarinenses são as únicas, até hoje, a comercializar carne suína e miúdos externos com os chineses. Na agenda com a GACC, o Ministério da Agricultura reforçou o pedido para o reconhecimento do status sanitário de todo território nacional. A China ainda avalia o tema. O ministro André de Paula agradeceu à contraparte chinesa pelos avanços nas negociações. “Trata-se de um resultado positivo do diálogo técnico e da cooperação construídos entre nossas instituições ao longo dos últimos anos. Esse avanço representa uma importante conquista sanitária e comercial para ambos os países e reflete o elevado nível de confiança e cooperação entre Brasil e China”, afirmou o ministro. Em nota, o Ministério da Agricultura informou que, após a formalização do protocolo, vai orientar as empresas brasileiras para a realização dos preparativos técnicos necessários para iniciar as exportações, enquanto a GACC vai dar continuidade aos procedimentos internos na China para viabilizar o comércio.
VALOR ECONÔMICO
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