
Ano 11 | nº 2574 | 15 de outubro de 2025
NOTÍCIAS
Boi gordo: estabilidade nas praças paulistas
Uma parte da ponta compradora encontrava-se fora do mercado, ainda aguardando os resultados das vendas de carne no fim de semana para definirem preços. A parte ativa estava com ofertas de compra que permaneciam dentro das referências.
Segundo levantamento da Scot Consultoria, em São Paulo, os preços de todas as categorias terminadas andaram de lado nesta terça-feira: o boi gordo sem padrão-exportação está cotado em R$ 307/@, o “boi-China” em R$ 310/@, a vaca gorda em R$ 282/@ e a novilha terminada em R$ 295/@ (valores brutos, no prazo). Uma parte da ponta compradora encontrava-se fora do mercado, ainda aguardando os resultados das vendas de carne no fim de semana para definirem preços. A parte ativa estava com ofertas de compra que permaneciam dentro das referências. Além disso, a quantidade de boiadas tem atendido à demanda das indústrias, embora haja sinais de diminuição de oferta de boiadas. Nesse sentido, a cotação de todas as categorias não mudou de ontem para hoje. As escalas de abate atendem, em média, a 9 dias. Em Santa Catarina, a oferta de boiadas era considerada satisfatória. Não houve alteração no preço de nenhuma categoria na comparação diária. As escalas de abate estavam, em média, para seis dias. Na região de Marabá, no Pará o mercado segue firme na região. Na semana passada, algumas indústrias tentaram ofertas de compras abaixo das referências, o que não se concretizou. A oferta estava pequena. Nesse sentido, o preço do boi gordo subiu R$2,00/@ e o do “boi China” subiu R$1,00/@. As escalas de abate atendiam, em média, a nove dias. Na exportação de carne bovina in natura, até a segunda semana de outubro, o volume exportado foi de 111,9 mil toneladas, com uma média diária de 14,0 mil toneladas, aumento de 13,9% frente ao embarcado por dia no mesmo período de 2024. A cotação média da tonelada ficou em US$5,6 mil, alta de 19,1% na comparação feita ano a ano.
Scot Consultoria
Frigoríficos menores têm escalas de abate reduzidas e demandam mais animais, enquanto os maiores estão confortáveis
O mercado físico do boi gordo voltou a se deparar com preços em predominante acomodação no início da semana.
Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere por alguma alta dos preços no curto prazo, considerando o atual posicionamento das escalas de abate dos frigoríficos de menor porte. “Os frigoríficos de maior porte ainda sinalizam para uma posição mais confortável de suas escalas de abate, ainda contando com boa incidência de animais de parceria. Já as exportações seguem muito contundentes, com crescimento importante do volume e principalmente da receita”, ressalta. Preços médios da arroba do boi: São Paulo: R$ 311,08 — na sexta passada: R$ 311,42. Goiás: R$ 298,21 — R$ 296,61. Minas Gerais: R$ 298,53 — R$ 297,94. Mato Grosso do Sul: R$ 322,16 — R$ 322,02. Mato Grosso: R$ 293,28 — R$ 293,68. O mercado atacadista se depara com preços firmes. Segundo Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere pela elevação dos preços no curto prazo, ainda com o efeito da entrada dos salários na economia. Quarto traseiro: segue a R$ 25,00 por quilo. Ponta de agulha: ainda é precificada a R$ 16,50 por quilo. Quarto dianteiro: se mantém cotado a R$ 18,00 por quilo.
Safras News
Com demanda externa aquecida, preço da arroba do boi gordo tem valorização anual de 35,66% no Mato Grosso
O estado do Mato Grosso registrou recorde no volume exportado de carne bovina em setembro/25
Os preços do boi registraram valorização anual de 35,66% no Mato Grosso em setembro de 2025, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA). A cotação do boi gordo a prazo atingiu R$ R$ 299,92/@, sendo que no mesmo período do ano anterior a média era de R$ 221,09/@. De acordo com o Instituto, o incremento nas cotações evidencia o fortalecimento da arroba bovina no estado do Mato Grosso. “Esse cenário foi impulsionado pelo ritmo das exportações brasileiras de carne. Já em 2024, os preços da arroba estavam avançando pela menor oferta de animais prontos para o abate”, disse o IMEA. O estado do Mato Grosso registrou recorde no volume exportado de carne bovina em setembro/25, na qual enviou 98,98 mil toneladas em equivalente de carcaça (TEC). De acordo com o levantamento do IMEA, esse foi o maior volume já exportado pelo estado, representando um incremento de 10,37% em relação a agosto/25. Já no comparativo anual, as exportações mato-grossenses apresentaram aumento de 48,07% em relação ao mesmo período de 2024. “Ademais, um ponto em destaque foi o Chile, que ultrapassou os EUA na participação das exportações totais, sendo responsável por 4,66% de toda exportação de carne bovina de MT em 2025”, informou o IMEA. Mesmo com a menor demanda dos EUA, a expectativa é de que Mato Grosso mantenha o ritmo nas exportações, já que o fim do ano apresenta maior demanda internacional, o que reforça a perspectiva de novos recordes no volume exportado em 2025. O Instituto ainda ressalta que a lateralização em setembro/25 ocorreu devido à maior participação de fêmeas nos abates, que foi de 44,03%, sendo 6,81 p.p maior que no ano anterior, uma vez que a demanda externa esteve maior no comparativo anual. Já para o longo prazo, a expectativa é de novos ganhos para os preços da arroba bovina, mas a disponibilidade de fêmeas vai ser determinante para a intensidade da recuperação. Por outro lado, as cotações para o boi gordo na última semana tiveram uma ligeira queda de 0,12% em função das escalas alongadas e da demanda externa aquecida. O animal no estado ficou precificado em R$ 292,92/@. Além disso, o preço do boi magro de 12@ acompanhou o ritmo de queda do boi e teve um recuo semanal de 0,70%, ficando precificado em média de R$ 341,71/@. Já o bezerro de 7@ também teve desvalorização de 1,88% na semana passada, em que a média ficou em R$ 13,00/kg, sendo um reflexo das quedas nas cotações do boi gordo no estado.
IMEA
ECONOMIA
Dólar perde força após fala de Powell
Após avançar para acima dos R$5,50 pela manhã, o dólar perdeu força ante o real e encerrou a terça-feira em leve alta, acompanhando a perda de força da moeda norte-americana no exterior após comentários do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, em evento nos Estados Unidos.
O dólar à vista fechou com leve alta de 0,19%, aos R$5,4709. No ano, a divisa acumula queda de 11,46%. Às 17h17, na B3 o dólar para novembro — atualmente o mais líquido no Brasil — subia 0,26%, aos R$5,4995. Pela manhã o dólar sustentou ganhos firmes ante o real, puxado pelo avanço das cotações também no exterior. Por trás do movimento estavam novamente os receios de um acirramento do embate comercial entre Estados Unidos e China, ainda que o presidente dos EUA, Donald Trump, tenha baixado o tom contra os chineses no fim de semana. Mas foram os comentários de Powell que pesaram de forma decisiva sobre a divisa norte-americana. Entre outros pontos abordados, Powell indicou que o fim do processo de redução do balanço patrimonial do Fed — ou seja, o aperto quantitativo (QT) — pode estar próximo. O QT vem sendo executado pelo Fed desde 2022 e, na prática, remove as quantidades excessivas de liquidez no mercado financeiro injetadas durante a pandemia de Covid-19. Ao sinalizar o fim do processo, o Fed indica que pretende parar de drenar a liquidez disponível, estabilizando o sistema — o que foi bem recebido pelos mercados globais. Em reação, os índices de ações em Nova York ganharam força e o dólar virou para o negativo ante várias divisas, incluindo o real. No exterior, às 17h12 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,24%, a 99,067. Em Brasília, com efeitos reduzidos sobre as cotações, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou durante audiência no Senado que a partir de quarta-feira o governo começará a trabalhar em alternativas para compensar o impacto orçamentário do arquivamento da medida provisória 1303 pela Câmara.
Reuters
Ibovespa encerra estável com movimento misto de blue chips em dia de maior aversão global a risco
Índice é pressionado por preocupações em torno de uma nova escalada das tensões entre Estados Unidos e China
O Ibovespa oscilou entre perdas e ganhos na terça-feira até encerrar praticamente estável, com queda de 0,07%, aos 141.683 pontos. Durante parte do dia, a alta de bancos e de ações ligadas a commodities fez o índice remar na contramão da maior aversão a risco global, causada pelo aumento das preocupações em torno de uma nova escalada das tensões entre Estados Unidos e China. Durante a tarde, porém, a virada negativa das ações da Petrobras e de alguns bancos pesou e o Ibovespa não foi capaz de se manter no campo positivo. Na mínima intradiária, o índice tocou os 141.334 pontos, distante da máxima de 142.589 pontos. Entre as blue chips de commodities, o desempenho foi misto: as PN da Petrobras encerraram em queda de 0,69%, enquanto as ON da Vale fecharam no zero a zero. Papéis de bancos também terminaram em direções opostas: as units do BTG Pactual lideraram as perdas, no valor de 1,92%, ao passo que as PN do avançaram 1,42%, após analistas do Goldman Sachs elevarem as ações preferenciais do banco de venda para neutra, aumentando o preço-alvo de R$ 15 para R$ 17. Segundo operadores, um dos fatores que podem ter ajudado a ampliar as perdas do Ibovespa foi a apuração do jornal Folha de S.Paulo de que o governo articula com Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e bancos privados a concessão de empréstimo para socorrer os Correios. No fim do dia, as ações do BB fecharam com queda de 0,86%, ampliando as perdas após a divulgação da notícia. Já no cenário externo, novas declarações do secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, reacenderam as preocupações sobre a relação entre Estados Unidos e China. Em entrevista ao Financial Times, Bessent afirmou que Pequim busca enfraquecer a economia global ao restringir a exportação de minerais críticos e impor sanções a empresas americanas. Como resposta, o governo chinês impôs sanções a uma construtora naval sul-coreana acusada de ajudar os EUA. Horas depois, o presidente americano, Donald Trump, voltou a criticar o gigante asiático, ao dizer que a decisão da China de não comprar soja dos EUA é um “ato economicamente hostil”. Os movimentos recentes de Trump e de sua equipe indicam mais uma postura estratégica de negociação por parte do governo dos EUA, em busca de um acordo favorável ao país, do que uma real intenção de cumprir as ameaças, avalia Rodrigo Santoro, superintendente de renda variável da Asset Management. A consequência de médio prazo é o enfraquecimento do dólar, aponta o executivo
Valor Econômico
Setor de serviços do Brasil avança pelo sétimo mês seguido, diz IBGE
O setor de serviços do Brasil seguiu em alta em agosto e renovou o patamar recorde da série histórica, mostrando resiliência em meio a uma desaceleração gradual da economia diante da taxa de juros elevada.
O volume de serviços teve expansão de 0,1% na comparação com julho, de acordo com dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na terça-feira (14). Com o sétimo resultado mensal seguido no azul, o setor acumulou no período avanço de 2,6% e marcou a maior sequência de resultados positivos desde 2022. Os dados mostraram ainda expansão de 2,5% no volume de serviços em relação a agosto do ano anterior. De acordo com o gerente da pesquisa, Rodrigo Lobo, não foi percebido ainda nenhum efeito ou impacto do tarifaço dos Estados Unidos, que entrou em vigor em agosto. “O resultado do mês indica uma acomodação no crescimento dos serviços, que tem sido o setor mais resiliente da economia. Mesmo com o avanço disseminado entre as atividades, vemos um movimento de recomposição de perdas recentes”, disse André Valério, economista sênior do Inter. O destaque do setor em agosto foram os serviços profissionais, administrativos e complementares, com alta de 0,4%. O resultado dessa atividade, segundo o IBGE, foi puxado por empresas que atuam na área de programas de fidelidade e cartões de desconto, atividades jurídicas e aluguel de máquinas e equipamentos.
Reuters
FMI revisa para cima projeção do PIB do Brasil em 2025, mas prevê desaceleração no ano que vem
Relatório do fundo aponta que sobretaxas dos EUA impactam previsão do fundo para o país no ano que vem. Dados indicam que tarifas de Donald Trump tiveram efeito menor do que o esperado até agora
O FMI (Fundo Monetário Internacional) revisou as projeções feitas em abril deste ano e agora prevê que o PIB do Brasil deverá ter um crescimento maior do que o esperado no início de 2025. Para 2026, no entanto, a perspectiva é a de que haja uma desaceleração devido ao efeito das tarifas aplicadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em abril, o fundo projetou que o Brasil cresceria 2% neste ano, um recuo de 0,2 ponto porcentual em relação ao esperado anteriormente. O novo relatório Perspectiva Econômica Mundial atualiza a expectativa de alta do PIB para 2,4% neste ano. Para 2026, a previsão é de crescimento de 1,9%, o que é uma revisão para baixo da expectativa de abril, de 2%. Em julho, relatório do fundo já apontava essa revisão nos índices. No geral, os países da América Latina tiveram uma alta na projeção dos seus dados. “A previsão para 2025 é revisada para cima em 0,4 ponto percentual em relação a abril, devido a taxas tarifárias mais baixas para a maioria dos países da região e dados recebidos mais fortes do que o esperado”, diz o relatório. “A revisão é impulsionada principalmente pelo México, que deve crescer 1,0% em 2025, 1,3 ponto percentual acima do previsto no WEO de abril de 2025. Para o Brasil, a projeção para 2025 é revisada para cima, mas a de 2026 é revisada para baixo, em parte devido à maior taxa tarifária sobre as exportações do país para os Estados Unidos”, informa o documento. As economias emergentes de um modo geral devem ter resultado mais positivo do que o projetado no início do ano “graças em parte à produção agrícola recorde no Brasil, à robusta expansão do setor de serviços na Índia e à demanda doméstica resiliente na Turquia”, segundo o fundo. Apenas a China não se encaixa nessa expectativa de melhora. O relatório pondera, no entanto, que as condições externas estão se tornando mais desafiadoras e, como exemplo, diz que no Brasil há sinais de que o impulso doméstico está desacelerando “em meio a políticas monetárias e fiscais restritivas”. No geral, o FMI projeta uma desaceleração da economia global de 3,3% em 2024 para 3,2% em 2025, segundo do FMI. Os dados da instituição apontam que o efeito das tarifas aplicadas foi menos catastrófico do que o aguardado em abril. Isso graças aos acordos comerciais que foram desenhados –o que levou a uma redução no índice das sobretaxas anunciadas inicialmente por Trump em abril. O fundo ressalta, porém, que o cenário de incertezas permanece elevado e que a taxa tarifária geral dos EUA cresceu a níveis não vistos em um século, variando numa faixa entre 10% a 20% para a maioria dos países. O FMI ainda projeta que a política fiscal da maioria dos países permanece frouxa. “Estabilizar a dívida em relação ao PIB no seu nível de 2024 requer uma consolidação significativa para a maioria dos países. Em outras palavras, dados os saldos primários projetados para 2025, os índices de endividamento tendem a aumentar e, em alguns casos —Brasil, China, França e Estados Unidos— significativamente”, afirma o fundo.
Folha de SP
Brasil deve ter safra recorde de quase 355 milhões de toneladas de grãos em 2025/26
Volume será alcançado devido ao avanço na área de plantio de 3,3%, afirma Conab que estima uma colheita de 177,6 milhões de toneladas de soja, novo recorde
A produção brasileira de grãos e fibras em 2025/26 deve alcançar novo recorde e chegar a 354,7 milhões de toneladas, volume 0,8% superior ao registrado em 2024/25, segundo o primeiro levantamento para o ciclo divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esse volume será permitido principalmente devido ao avanço na área de plantio de 3,3%, estimada em 84,4 milhões de hectares. Vale lembrar que o Brasil é capaz de fazer três safras em períodos distintos devido ao clima e a extensão territorial. No primeiro ciclo, de verão, a expectativa é que a semeadura alcance 55,9 milhões de hectares, sendo que a soja deve ocupar 49,1 milhões – crescimento de 3,6%. Com isso, a Conab estima uma colheita de 177,6 milhões de toneladas da oleaginosa, novo recorde e 6 milhões de toneladas superior ao de 2024/25. “As precipitações ocorridas em setembro nos Estados do Centro-Sul do país permitiram o início do plantio com 11,1% da área já semeada, índice ligeiramente superior ao ocorrido até o mesmo momento do ciclo passado. Nos maiores Estados produtores de soja, Mato Grosso e Paraná, nos primeiros dez dias de outubro, registravam 18,9% e 31%, respectivamente, da área semeada”, divulgou a Conab, no relatório. Assim como a soja, é esperada uma maior área plantada para o milho em 2025/26, podendo chegar a 22,7 milhões de hectares, com uma expectativa de produção de 138,6 milhões de toneladas somadas as três safras do grão. Apenas na primeira safra do cereal, a Companhia prevê um incremento na área semeada em torno de 6,1%, com estimativa de colher 25,6 milhões de toneladas, crescimento de 2,8% em relação à safra passada. No Rio Grande do Sul, onde a semeadura tem início a partir do fim de agosto, em 11 de outubro, já havia 83% da área semeada, 84% no Paraná e 72% em Santa Catarina. Já no Centro-Oeste e nos demais Estados, o plantio ainda não havia iniciado. Em relação à segunda e a terceira safra de milho, a Conab estima uma queda de produção de 2,5% e 13,1%, respectivamente. Mas a autarquia destaca que são culturas ainda distantes de serem semeadas e, portanto, as estimativas podem ser revistas.
Globo Rural
GOVERNO
Pecuária brasileira cresce com sustentabilidade e lidera exportações mundiais
As ações de fomento e crescimento da cadeia produtiva aliado com o trabalho da defesa agropecuária garantem ao Brasil o ranking de maior exportador de carnes do mundo
Na terça-feira (14) foi celebrado o Dia Nacional da Pecuária. O setor é fundamental para manter o agronegócio brasileiro em destaque no cenário nacional e internacional, graças à produtividade, qualidade e dedicação dos produtores. Parte desse crescimento também vem da adoção de práticas mais sustentáveis e de iniciativas para reduzir o impacto ambiental. “A pecuária brasileira é um pilar do agronegócio e se destaca mundialmente pela produtividade e qualidade. Nosso compromisso é fortalecer práticas sustentáveis, promover o bem-estar animal e reduzir o impacto ambiental, garantindo que o crescimento do setor seja sólido, responsável e reconhecido internacionalmente”, destacou o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) atua no fomento de programas sanitários efetivos e reconhecidos pela Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) para o bem-estar animal, esta que é uma parte essencial para o crescimento da pecuária brasileira. Além de promover ações que incentivem a utilização de sistemas integrados que possuem capacidade enorme de sequestro de carbono, promove saúde do solo e aumento de bem-estar animal. Como também o incentivo às exportações. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a produção de carne bovina alcançou recorde histórico em 2024, mais de 11 milhões de toneladas equivalente carcaça, impulsada pelo abate. Em 2025, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que no 2º trimestre, o abate de bovinos cresceu 3,9%, alcançando 10,46 milhões de cabeças bovinas. Já a produção de carne de frango superou o mesmo período de julho de 2024, mesmo diante do cenário enfrentado pelo Brasil da influenza aviária em maio deste ano. E conforme o IBGE, o abate cresceu 1,1% em relação ao ano anterior e a melhor série histórica para um 2º trimestre. E a produção de suínos tem crescido gradativamente no país. Segundo a Conab, a expectativa de produção de carne suína para 2026 é de 3,6%, impulsionada pelo crescimento da exportação e aumento no mercado interno. Para este crescimento aconteça de forma sustentável, o Mapa criou programas como o Plano de Adaptação e Baixa Emissão de Carbono na Agricultura (Plano ABC+) que lista várias tecnologias capazes de conciliar produção e equilíbrio ambiental. Para a pecuária as principais ações visam a recuperação de pastagens, utilização de biodigestores, terminação intensiva que prevê abate de animais com menos de 24 meses. A meta do Plano ABC+ é ter mais 5 milhões de animais abatidos com menos de 24 meses diminuindo assim a pegada de carbono da pecuária nacional por meio da eficiência dos sistemas produtivos. As ações de fomento e crescimento da cadeia produtiva aliado com o trabalho da defesa agropecuária garantem ao Brasil o ranking de maior exportador de carnes do mundo. Em 2024 foram exportados mais de US$ 26,1 bilhões. E até setembro deste ano, foram exportados US$ 22,5 bilhões. Conforme os dados da balança comercial produzido pelo Mapa, houve o crescimento de mais 55% na exportação de carne bovina in natura, com US$ 1,77 bilhão e a carne suína in natura alcançou marca histórica de US$ 346,1 milhões, aumento de 28,6%.
MAPA
Juros e endividamento altos afetam o crédito rural, e desembolsos caem 12%
Produtores rurais acessaram R$ 156 bilhões no primeiro trimestre do Plano Safra 2025/26; retração foi mais acentuada na agricultura de grande porte. Número total de contratos de empréstimo caiu 16%. Entre grandes produtores, a queda foi de 48%, e entre os médios, de 30%
Os desembolsos de crédito rural caíram 12% no primeiro trimestre do Plano Safra 2025/26 em comparação com igual intervalo do ciclo anterior. Ao todo, os produtores rurais acessaram R$ 156 bilhões em financiamentos tradicionais e por meio de Cédulas de Produto Rural (CPRs), segundo balanço preliminar do Ministério da Agricultura. Sem a contabilização dos títulos, o declínio do crédito rural “puro” seria ainda maior, de 27%, para cerca de R$ 100 bilhões. Juros altos, endividamento crescente da carteira de agronegócios das instituições financeiras e aumento das exigências de garantias reais para concessão de novos empréstimos têm feito com que menos produtores acessem crédito rural. O número total de contratos de empréstimo caiu 16%. Entre grandes produtores, a queda foi de 48%, e entre os médios, de 30%. Os resultados são um pouco melhores nos financiamentos que integram o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). As contratações no segmento diminuíram 8% em relação aos três primeiros meses do ciclo 2024/25, para 452,8 mil contratos, e o montante dos empréstimos recuou 9%, somando R$ 20,5 bilhões. Nos grupos de médios e grandes produtores, o declínio foi de 17% e 28%, respectivamente, para R$ 24 bilhões e R$ 55,5 bilhões, nessa ordem. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o número de contratos do Pronaf cresceu 24%, para 608,4 mil, e o valor das contratações entre julho e setembro aumentou 7%, chegando a R$ 24,1 bilhões. No entanto, esse valor considera operações ainda sem liberação efetiva de recurso ao produtor. “No Pronaf, o acesso ao crédito rural está crescendo. Ou seja, mais agricultores familiares estão tendo acesso, principalmente os grupos mais vulneráveis”, disse a Pasta, em resposta ao Valor. O acesso a renegociações de dívidas no Desenrola Rural melhorou o ambiente de contratação de novos financiamentos na agricultura familiar, argumentou o ministério. No geral, o recuo mais expressivo foi o dos empréstimos para investimentos. Em três meses, os produtores acessaram apenas R$ 17,1 bilhões, o que representou um declínio de 41% em comparação com o intervalo entre julho e setembro de 2024. As operações de custeio caíram 21%, para R$ 63,3 bilhões, e as de comercialização, 22%, a R$ 8,7 bilhões. Apenas os financiamentos para industrialização cresceram — o aumento foi de 24%, para R$ 10,9 bilhões. O desembolso de CPRs, títulos que os produtores emitem em favor das instituições financeiras, cresceu 14%, a R$ 55,8 bilhões. Mesmo assim, o número de contratos diminuiu 12%, a 30,6 mil. Rafael Baldi, diretor de Produtos Bancários da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), afirmou ontem, em audiência pública na Câmara dos Deputados, que os dados sobre o acesso ao crédito rural indicam que, nesta safra, as contratações deverão retornar ao patamar da temporada 2023/24, quando somaram — sem considerar as CPRs — R$ 400,7 bilhões. O volume total de recursos disponíveis para este ciclo é de R$ 594,4 bilhões, sendo R$ 108 bilhões de CPRs. O Ministério da Agricultura também divulgou os valores que foram contratados até setembro, mas que os bancos ainda não liberaram aos produtores: até setembro, havia R$ 30,8 bilhões aguardando liberação. Se as contratações se efetivarem, os desembolsos chegarão a R$ 131 bilhões, montante superior aos R$ 129 bilhões dos três meses iniciais da safra 2024/25, sem considerar as CPRs. Todas as linhas de investimentos do Plano Safra 2025/26 para médios e grandes produtores e que contam com subsídio do Tesouro Nacional encolheram no primeiro trimestre de 2025/26. No Moderfrota, principal programa de financiamento de máquinas agrícolas, as contratações diminuíram 68%. Dos mais de R$ 12,5 bilhões disponíveis, os financiamentos ficaram em R$ 1 bilhão. No caso de custeio e comercialização com recursos equalizáveis, as liberações até agora correspondem a um terço dos R$ 64,2 bilhões disponíveis, sem considerar o Pronaf. Só o Banco do Brasil liberou R$ 11,5 bilhões nos três meses iniciais da safra. Neste ciclo, o governo federal adotou um modelo diferente de desembolso dos recursos com equalização. Parte da programação precisará ser aplicada na segunda metade do ciclo, a partir de janeiro de 2026. Com isso, nem todo o recurso anunciado está efetivamente disponível. No caso do Pronaf, mais da metade dos financiamentos concedidos até agora (R$ 12,3 bilhões) é de fontes equalizadas, seguidos de recursos obrigatórios (R$ 6,3 bilhões) e fundos constitucionais (R$ 2 bilhões). Não houve aplicação de recursos livres para a agricultura familiar até agora, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Procurados, os ministérios da Agricultura e da Fazenda não comentaram.
Valor Econômico
FRANGOS & SUÍNOS
Custos de produção de suínos e de frangos de corte voltam a subir em setembro
Os custos de produção de suínos e de frangos de corte voltaram a subir em setembro conforme levantamento da Embrapa Suínos e Aves por meio da Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS), disponível em embrapa.br/suínos-e-aves/cias.
No Paraná, o custo de produção do quilo do frango de corte aumentou 0,88% em setembro frente a agosto, passando para R$ 4,63 e com o ICPFrango atingindo 355,49 pontos. No acumulado de 2025, a variação ainda é negativa, de -3,25%. Já no comparativo de 12 meses o índice registra alta de 0,45%. A ração, que representa 63,95% do custo total, subiu 0,83% no mês. O valor dos pintinhos de um dia também aumentou: 1,21%. Em Santa Catarina, o custo de produção do quilo do suíno vivo foi de R$ 6,28 em agosto, alta de 0,61% em relação ao mês anterior, com o ICPSuíno chegando aos 359,10 pontos. No acumulado de 2025, o índice também registra aumento (1,13%). Em 12 meses, a variação é de 6,27%. A ração, responsável por 70,58% do custo total de produção na modalidade de ciclo completo, subiu 0,36% no mês. Santa Catarina e Paraná são estados de referência nos cálculos dos Índices de Custo de Produção (ICPs) da CIAS, devido à sua relevância como maiores produtores nacionais de suínos e frangos de corte, respectivamente. A CIAS também disponibiliza estimativas de custos para os estados de GO, MG, MT e RS, fornecendo subsídios importantes para a gestão técnica e econômica dos sistemas produtivos de suínos e aves de corte.
Embrapa Suínos e Aves
Malásia: primeiros frigoríficos de carne suína são habilitados
Acordo sanitário avança e governo tentará habilitar mais 16 plantas durante viagem presidencial
A Malásia habilitou as duas primeiras plantas frigoríficas de carne suína para exportação. As unidades são da BRF e do Grupo Bugio, respectivamente, nas cidades de Uberlândia (MG) e Chapecó (SC). “Nós abrimos o mercado no ano passado. Agora é efetivação da abertura, porque eles vieram fazer uma auditoria aqui em junho. Os dados saíram nesta terça-feira [14] nos dando essa possibilidade de duas plantas começarem a exportação para lá”, adiantou à reportagem o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério de Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua. Em setembro de 2024, os governos dos dois países acertaram os moldes do certificado sanitário necessário para fazer a exportação. A permissão inclui cortes e miúdos de suínos. A decisão informada nesta terça é o primeiro avanço prático para as vendas poderem começar. No fim deste mês, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, fará uma visita ao Sudeste Asiático. Entre os compromissos, está a participação na Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), na Malásia, onde Lula estará como convidado. Segundo o secretário do Mapa, a comitiva brasileira também aproveitará a visita para avançar em pautas bilaterais relacionadas à agropecuária brasileira. Entre elas, está o pedido para ampliar essas plantas habilitadas de duas para 18. “Uma das questões é sobre receber uma nova auditoria para habilitar mais plantas de carne suína. Tem 16 que já estariam prontas para serem visitadas”, destacou Rua. Outro ponto é a flexibilização das restrições com relação a casos de gripe aviária. Conforme o secretário, a Malásia tem uma política de proibir as compras de carne de frango por um ano quando há um caso de influenza detectada em granja comercial no país exportador. O Brasil teve o primeiro e único caso registrado em maio. Desde então, as vendas para o país asiático estão suspensas.
O Estado de São Paulo/Agro
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