
Ano 8 | nº 1882 | 16 de dezembro de 2022
NOTÍCIAS
Cotação da arroba do boi gordo estável em São Paulo
As escalas alongadas, fechadas até o início do próximo ano, trouxeram estabilidade nesta semana nas praças pecuárias paulistas
Dessa maneira, o macho terminado segue valendo R$ 282/@ no mercado paulista, enquanto a vaca e a novilha gordas são negociadas, respectivamente, por R$ 262/@ e R$ 272/@ (preços brutos e a prazo). Bovinos destinados à exportação, o chamado “boi-China”, estão cotados em R$ 290/@ em São Paulo (no prazo, preço bruto), “porém negociações abaixo da referência começam a dar as caras”, diz a Scot. Segundo a engenheira agrônoma Jéssica Olivier, analista da Scot Consultoria, de Bebedouro, SP, a presença chinesa na compra de carne bovina in natura brasileira continua diminuindo. “Até a segunda semana do mês, exportamos (para todos os países clientes, incluindo a China) 6,8 mil toneladas por dia, 8,3% menos que a média diária de novembro (7,4 mil toneladas) e 27,6% menor que a de outubro (9,4 mil toneladas)”, detalha a analista. No entanto, continua ela, o resultado de dezembro/22 pode ser positivo caso o ritmo de embarque atual se mantenha, “totalizando entre 148 e 150 mil toneladas no mês, resultado que seria recorde para dezembro em comparação com seus pares em anos anteriores”. Em Goiás – Sul, com uma quinta-feira (15/12) de pouca movimentação, a cotação para a arroba do boi, vaca e novilha gordos permaneceu estável. No Rio Grande do Sul, Pelotas, com a oferta ajustada à demanda, a cotação para o quilo de boi, vaca e novilha gordos permaneceu estável na comparação com dia anterior (14/12).
SCOT CONSULTORIA
Mercado físico de boi gordo voltou a apresentar altas pontuais nos preços, notadamente no Mato Grosso
De acordo com o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, as escalas de abate seguem encurtadas no Mato Grosso, mantendo o viés de alta para os preços da arroba no curto prazo
“Em São Paulo, o padrão de negócios vem se repetindo ao longo da semana, com os frigoríficos atuantes no estado operando com escalas de abate mais confortáveis, enquanto algumas unidades permanecem ausentes da compra de gado neste momento”, disse Iglesias. Em São Paulo (SP), a referência para a arroba do boi ficou em R$ 287. Já em Dourados (MS), a cotação é de R$266. Em Cuiabá (MT), a arroba de boi gordo finalizou o dia cotada a R$ 260. Em Uberaba (MG), as cotações ficaram em R$ 293. Já em Goiânia (GO), a arroba teve cotação de R$ 285. O mercado atacadista voltou a trabalhar com preços mais baixos para a carne bovina. O ambiente de negócios volta a sugerir por queda das cotações no curto prazo, em especial nos cortes do dianteiro. O movimento é mais intenso nos cortes menos nobres em função da concorrência direta com a carne de frango, que apresenta dificuldades no decorrer do último bimestre. O quarto dianteiro foi precificado a R$ 14,90 por quilo, queda de R$0,30. Já a ponta de agulha caiu, ficando com preço de R$ 15,40. O quarto traseiro do boi ficou cotado em R$ 20,90 por quilo.
AGÊNCIA SAFRAS
Boi/Cepea: Setor pecuário nacional investe, e abate cresce em 2022
Os investimentos realizados pelo setor pecuário nacional em tecnologias (sobretudo em nutrição, genética, pastagem e sanidade) ao longo dos últimos anos vêm sendo evidenciados atualmente por dados oficiais, que mostram crescimento no número de abate de animais e ganho de produtividade
No acumulado de janeiro a setembro, segundo informações do IBGE, foram abatidos no Brasil 22,191 milhões de animais, 7,83% a mais que no mesmo período de 2021. Pesquisadores do Cepea indicam que esses números ajudam a entender a dinâmica dos preços da arroba ao longo deste ano – vale lembrar que, no acumulado da parcial de 2022, o valor médio mensal do Indicador do boi gordo CEPEA/B3 (mercado paulista) já recuou 9,4%, em termos reais (IGP-DI), passando para R$ 290,76 em dezembro (média até o dia 13).
Cepea
ECONOMIA
Dólar à vista fecha em leve alta de 0,11% a R$5,3150 na venda
O dólar teve leve alta frente ao real na quinta-feira, após sessão de grande amplitude e volatilidade em meio a aparentes entraves na tramitação da PEC da Transição e da Lei das Estatais, enquanto investidores continuavam repercutindo sinais mistos do comunicado de política monetária do Federal Reserve.
A moeda norte-americana à vista fechou em alta de 0,11%, a 5,3150 reais na venda. Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora, notou forte volatilidade do dólar, o que atribuiu às incertezas sobre a tramitação da PEC da Transição na Câmara dos Deputados.
“A PEC parece que está a cada dia mais emperrada; o governo futuro governo está tendo que se desmembrar e está tendo alguma dificuldade nessa articulação”, disse. A PEC da Transição busca permitir o pagamento do Bolsa Família no valor de 600 reais, entre outros pontos, por meio da ampliação do teto de gastos em 145 bilhões de reais. No exterior, o dólar avançava frente à grande maioria das divisas emergentes ou ligadas às commodities, bem como contra pares de países desenvolvidos, em pregão também marcado por instabilidade, conforme investidores tentavam digerir sinais mistos do banco central dos Estados Unidos. O chair do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou na véspera que dados de inflação de outubro e novembro mostraram uma redução bem-vinda no ritmo dos aumentos de preços, mas que serão necessárias mais evidências para dar confiança de que a inflação está em uma trajetória descendente sustentada. Seus comentários vieram depois que o Fed elevou sua taxa de juros em 0,50 ponto percentual, desacelerando o ritmo de aperto após subir os custos dos empréstimos em 0,75 ponto em cada uma de suas três reuniões anteriores. “O discurso do presidente da instituição, Jerome Powell, deu sinais divergentes”, disse a Genial Investimentos em nota a clientes. “De um lado, validou a ‘dureza’ do comunicado ao repetir que ainda falta muito a fazer na política monetária… e que o banco central terá de manter juros em nível restritivo por um período prolongado. Ao mesmo tempo, indicou que as condições do mercado de trabalho começam a abrandar, que a autoridade monetária está chegando perto de uma taxa de juros suficientemente restritiva e que espera quedas significativas na inflação e no núcleo em 2023.”
REUTERS
Ibovespa fecha quase estável com NY negativo e mercado de olho em Brasília
O Ibovespa fechou quase estável na quinta-feira, em outra sessão volátil, em dia de forte queda das bolsas de Nova York, com a cena local marcada por dificuldades na tramitação das alterações na Lei das Estatais e da PEC da Transição no Congresso, além de declarações de autoridades do Banco Central
B3 e Gerdau foram as maiores influências negativas, enquanto Petrobras e Banco do Brasil puxaram na ponta oposta. De acordo com dados preliminares, o Ibovespa fechou com variação negativa de 0,08%, a 103.659,87 pontos. Na mínima, o índice caiu 0,71%, a 103.014,26 pontos, e na máxima subiu 1,67%, a 105.482,72 pontos. O volume financeiro somava 26,2 bilhões de reais.
REUTERS
Para 2023, BC eleva estimativa de inflação de 4,6% para 5%
No próximo ano, probabilidade de estouro da meta de inflação é de 57%
A estimativa do Banco Central (BC) para a inflação, em 2023, subiu de 4,6% para 5%. A previsão para 2022 passou de 5,8% para 6%. As projeções estão no Relatório de Inflação, divulgado ontem (15), em Brasília, pelo BC. Para 2024, a revisão foi de 2,8% para 3% e, para 2025, permanece em 2,8%. A probabilidade de a inflação ultrapassar o limite de tolerância da meta está próxima de 100%, neste ano, e 57%, em 2023. A meta de inflação, fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), para 2022, é 3,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Dessa forma, a inflação, pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), poderia ficar entre 2% e 5% neste ano. Para 2023, o CMN estabeleceu meta de 3,25% para o IPCA, também com 1,5 ponto percentual de tolerância. Dessa forma, o índice poderá fechar o próximo ano entre 1,75% e 4,75%. No relatório, o BC diz que o Comitê de Política Monetária (Copom) “se manterá vigilante, avaliando se a estratégia de manutenção da taxa básica de juros por período suficientemente prolongado será capaz de assegurar a convergência da inflação”. A Selic é o principal instrumento do Banco Central para manter sob controle a inflação oficial. “O Comitê reforça que irá perseverar até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”, ressaltou. Mas o comitê reforçou que poderá voltar a aumentar a Selic caso a inflação não caia como esperado. No último dia 7, o Copom manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano. Essa foi a terceira vez seguida em que o BC não mexe na taxa, que permanece nesse nível desde agosto.
AGÊNCIA BRASIL
BC piora estimativa de déficit em transações correntes em 2022 de US$47 bi para US$60 bi
O Banco Central piorou na quinta-feira sua estimativa para o déficit em transações correntes a 60 bilhões de dólares neste ano, ante rombo de 47 bilhões de dólares projetado em setembro, enxergando para 2023 déficit de 49 bilhões de dólares, contra 36 bilhões de dólares da estimativa anterior
Em seu Relatório Trimestral de Inflação, o BC passou a ver Investimentos Diretos no País (IDP) de 80 bilhões de dólares em 2022, sobre 70 bilhões de dólares antes. Na visão da autoridade monetária, o patamar deve ficar em 75 bilhões de dólares em 2023, mesmo nível projetado em setembro. Nas contas do BC, a balança comercial terá superávit de 41 bilhões de dólares neste ano (contra estimativa anterior de 42 bilhões de dólares), ao passo que no ano que vem as trocas comerciais ficarão positivas em 46 bilhões de dólares (ante projeção anterior de 54 bilhões de dólares).
REUTERS
BC melhora projeção para crescimento do PIB em 2022 a 2,9%, contra 2,7% antes
O Banco Central melhorou sua projeção de crescimento econômico em 2022 a 2,9%, de 2,7% antes, conforme Relatório Trimestral de Inflação divulgado na quinta-feira
No documento, o BC deixou inalterada a perspectiva de expansão de 1,0% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2023 que havia sido estimada em setembro. O Ministério da Economia, por sua vez, prevê expansão de 2,7% para o PIB este ano e de 2,1% para o próximo, enquanto o mercado, segundo o boletim Focus mais recente, estima que a economia crescerá 3,05% em 2022 e 0,75% no ano que vem. Em relação à política monetária, o BC reiterou mensagem da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) de que se manterá vigilante, avaliando se a estratégia de manutenção da taxa básica de juros por período suficientemente prolongado será capaz de assegurar a convergência da inflação. Atualmente a taxa básica de juros está em 13,75% ao ano.
REUTERS
Mapa: exportação do agronegócio supera US$ 10 bi pela 1ª vez para meses de novembro
A receita cambial atingiu US$ 12,65 bilhões, valor foi 51,2% superior quando comparado aos US$ 8,36 bilhões exportados em novembro de 2021
As exportações do agronegócio superaram, pela primeira vez para os meses de novembro, a cifra de US$ 10 bilhões. A receita cambial atingiu US$ 12,65 bilhões, valor foi 51,2% superior quando comparado aos US$ 8,36 bilhões exportados em novembro de 2021. O recorde das exportações foi resultado do aumento do volume das exportações (+29,3%) mas, também, influenciado pelos preços médios de exportação elevados (+16,9%), informa o Ministério da Agricultura, em comunicado. Conforme a Pasta, o aumento no volume exportado de milho (+3,7 milhões de toneladas) e de açúcar (+1,3 milhão de toneladas) explicam, em grande parte, o desempenho favorável no volume das exportações brasileiras do agronegócio. As importações de produtos agropecuários foram de US$ 1,48 bilhão em novembro de 2022, um crescimento de 2,2% em relação ao valor adquirido em novembro do ano passado. Desta forma, o saldo da balança registrou superávit de US$ 11,6 bilhões. Este saldo do agronegócio não considera os insumos utilizados na produção agropecuária, como fertilizantes, defensivos, peças e equipamentos. A participação do agronegócio nas exportações totais ficou em 44,9%. Com esse incremento, o Brasil já vendeu 145,3 milhões de toneladas ao exterior neste ano. Em divisas, nos 11 meses do ano, as exportações brasileiras do agronegócio somaram US$ 148,26 bilhões, valor recorde para o período na série histórica desde 1997. Os cinco principais setores exportadores do agronegócio, em novembro, foram o complexo soja (participação de 21,7%); carnes (15,2%); cereais, farinhas e preparações (14,7%); complexo sucroalcooleiro (14,5%); e produtos florestais (10,6%). Estes setores responderam por 76,7% do valor total exportado pelo Brasil em produtos do agronegócio em novembro. O complexo soja exportou US$ 2,74 bilhões, o que significou um crescimento de 31,9% na comparação com novembro do ano passado. As vendas externas de soja chegaram a US$ 1,62 bilhão. O valor exportado de farelo de soja foi US$ 817,44 milhões (+56,9%) e o óleo de soja atingiu US$ 310 milhões (+30,7%). As exportações de carnes bateram recorde para os meses de novembro, chegando a US$ 1,92 bilhão (+47,2%). A carne bovina foi a carne com maior valor exportado, US$ 870 milhões (+76%). As vendas externas de carne de frango atingiram US$ 762,13 milhões (+29%). Houve exportações recordes, também, de carne suína, com US$ 228,12 milhões. Os cereais, farinhas e preparações registraram vendas externas de US$ 1,86 bilhão (+243,8%). As exportações de milho responderam por quase todo o valor exportado pelo setor, superando, pela primeira vez, a cifra de US$ 1 bilhão para os meses de novembro, com registros de US$ 1,73 bilhão em novembro de 2022 (+255,8%). O volume exportado também foi recorde para os meses de novembro, atingindo 6,06 milhões de toneladas (+154%). O complexo sucroalcooleiro exportou US$ 1,83 bilhão, com crescimento de 83,5% na comparação com os US$ 999,29 milhões exportados em novembro/2021. O açúcar foi o principal produto exportado pelo setor, com US$ 1,66 bilhão (+78,7%), com expansão do volume em 53,1% e de 16,8% no preço médio de exportação. Ou seja, o incremento das exportações de açúcar é explicado, em sua maior parte, pelo incremento do volume exportado.
Estadão Conteúdo
EMPRESAS
Auditoria do MPF aponta irregularidades em 17% das compras de gado pela JBS no Pará
Cerca de 17% do gado adquirido pela JBS no Estado do Pará, na região Amazônica, pode ter vindo de propriedades envolvidas em “irregularidades” como o desmatamento ilegal, de acordo com uma auditoria do Ministério Público Federal (MPF) divulgada na quinta-feira
A auditoria, que avaliou as compras de gado entre julho de 2019 e junho de 2020, identificou que o maior frigorífico do mundo teria comprado 93.734 cabeças de fornecedores com alguma irregularidade. Ao todo, a auditoria constatou 136.172 compras irregulares de gado pela JBS e outros frigoríficos não listados que atuam na região. Procurada, a JBS afirmou em nota que os resultados do 4º ciclo da auditoria do MPF no Pará se referem a compras realizadas há mais de dois anos e que são consequência, principalmente, de imprecisões na adoção de critérios ocorridos na época e que já foram ajustadas pela JBS em outubro de 2021.
REUTERS
MPF-PA aumenta pressão sobre frigoríficos
Em 2023, órgão levará à Justiça empresas que assinaram Termo de Ajustamento de Conduta, mas não fazem auditoria, e outras que não firmaram TAC
A partir de janeiro de 2023, o Ministério Público Federal do Pará (MPF-PA) vai aumentar a pressão sobre os frigoríficos que não monitoram suas aquisições de gado no âmbito dos Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne, pelo qual não devem comprar animais de fazenda envolvida em desmatamento ilegal após 2009, invasão de terras indígenas ou trabalho escravo. As empresas que firmaram TACs mas que não contrataram auditorias nos últimos anos serão acionadas na Justiça e estarão sujeitas a penalidades, como multas. Já as que nunca firmaram TACs, mas que têm movimentação relevante e nunca fizeram auditoria, também serão alvo de ações, o que poderá resultar em multas, indenizações e outras responsabilizações. O MPF também vai procurar os frigoríficos que apresentaram resultados “ruins” no último ciclo de auditoria, o quarto desde o início dos TACs. “Entendemos que são passíveis de resgate e podemos trazer para alguma negociação”, disse o procurador Ricardo Negrini. Se a situação chegar a um impasse, o órgão pode acionar a Justiça. O MPF não nomeou as empresas que serão alvo dessa abordagem, mas informou as que tiveram, no último ciclo, resultados piores que a “nota de corte” na taxa de inconformidade, de 7%. Das 16 empresas auditadas, os piores índices foram de JBS, Frigorífico Altamira, Matadouro Planalto e Frigorífico Aliança. A auditoria da JBS apontou 16,7% de inconformidade. A empresa questiona a metodologia de cálculo — o MPF passou a incluir o Prodes 2008 na base de dados, que, em tese, mostra o desmatamento ocorrido até junho de 2009, antes do início dos TACs. A JBS afirmou que, nas compras que fez entre julho de 2019 a junho de 2020, usava o Prodes 2009, “em linha com o protocolo de monitoramento da época”. A divergência já aparecera no ciclo anterior. Desde então, a JBS “passou a usar o Prodes 2008 como referência para suas compras” na Amazônia. A decisão de aumentar a pressão sobre os frigoríficos vem em um contexto de explosão do desmatamento — o Prodes 2022 apontou um desmate de 4,1 mil quilômetros quadrados no Pará. Já as últimas auditorias que o MPF recebeu, referentes às compras de gado entre 2019 e 2020, apresentaram uma melhora no índice de conformidade à legislação: no período, 6% das compras estavam fora das regras do TAC, ante 9,95% no ciclo anterior. Das 16 empresas auditadas, nove tiveram 100% de conformidade, incluindo a Minerva, que repetiu o resultado da auditoria anterior. Além disso, a maioria vem apresentando melhora, ressaltou o MPF-PA. O problema é que as auditorias não estão cobrindo parte significativa do gado comprado. No último ciclo, 33% das compras de gado não foram analisadas, o que não melhorou com o tempo. Onze frigoríficos “relevantes” e signatários do TAC não apresentaram auditoria, e outros 13 não têm compromisso. Segunda maior empresa do setor, atrás da JBS, a Marfrig nunca firmou TAC e monitora sua cadeia em acordo com o Greenpeace. A pedido do MPF-PA, a companhia contratou a BDO para auditar as compras de julho de 2019 a junho de 2020, mas essa deverá ser a única avaliação, já que a companhia deixou de operar no Estado em março de 2020. Para as signatárias de TACs que não estão monitorando as compras, o MPF começou a realizar auditoria própria. Com apoio da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), as compras de 2020 foram analisadas, e dados preliminares indicam que 33,5% do gado comprado tem algum grau de inconformidade. Houve no período analisado 380 mil animais abatidos no Pará em empresas sem TAC ou que não o cumprem. Segundo Negrini, “há uma concentração de empresas na região de Santarém que não participam das auditorias, e uma que parou de participar, porque a concorrência se torna desleal”. Segundo Francisco Victer, coordenador da Aliança Paraense pela Carne, isso alimenta um mercado clandestino e amplia o canal de comercialização do animal ilegal, que é barrado por uma indústria com auditoria, mas recebido por outra de portas abertas. O MPF também vai começar a pressionar o varejo que atua no Estado. Neste ano, o órgão enviou ofícios a 20 supermercados, mas só nove responderam. Em 2023, o órgão dará recomendações para que o varejo não compre de frigoríficos que não fazem auditoria ou que têm resultado “ruim”. “Pode ser responsabilizado como um supermercado que está contribuindo com desmatamento”, afirmou Negrini. O sistema financeiro também está no radar. Outro passo importante será a cobrança do monitoramento dos pecuaristas que não vendem diretamente aos frigoríficos, os indiretos. A obrigação não será imediata, mas o MPF-PA apresentará em 2023 um cronograma de obrigações. Segundo o procurador Negrini, já há tecnologia para qualquer empresa realizar esse rastreio, como o Visipec e a plataforma Selo Verde, onde é possível consultar propriedades que, por algum motivo, estão impedidas de comercializar suas produções.
VALOR ECONÔMICO
PA: frigoríficos atingem 100% de conformidade em auditoria do TAC da Pecuária
As auditagens são previstas em acordos que vêm sendo assinados desde 2009 no Pará entre MPF, setores produtivo e empresarial e órgãos de fiscalização
O Ministério Público Federal (MPF) no Pará, com o apoio da organização não-governamental Amigos da Terra – Amazônia Brasileira e a associação Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), divulgou na quinta-feira (15/12) os resultados de auditorias sobre a sustentabilidade da cadeia produtiva da pecuária no Estado. A Minerva Foods, em nota à imprensa, informou que alcançou novamente 100% de conformidade com o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) da pecuária no Pará, conforme a auditoria supervisionada pelo MPF. “O resultado positivo da principal auditoria sobre o combate ao desmatamento ilegal na Amazônia é fruto dos esforços contínuos que temos empenhado para garantir uma atuação cada vez mais sustentável, não apenas no nosso negócio, mas engajando toda a cadeia”, destaca Tamara Lopes, Gerente Executiva de Sustentabilidade da Minerva Foods. Também em comunicado à imprensa, a Frigol informa que atingiu 100% de conformidade com os critérios determinados pelo TAC em unidades paraenses da empresa. “A sustentabilidade está no centro de nossa estratégia de negócios. Por isso, consideramos esse resultado como um importante avanço não apenas para nós, mas também para o setor e a sociedade, que precisam estar cada vez mais alinhados aos temas que envolvem a sustentabilidade. Temos plena consciência de nosso papel como parte essencial nas transformações globais, o que nos leva a atuar em prol de práticas que minimizem os impactos socioambientais da pecuária”, comenta Carlos Corrêa, Diretor Administrativo e de Sustentabilidade da Frigol. Segundo o MPF, as auditagens são previstas em acordos que vêm sendo assinados desde 2009 no Pará entre Ministério Público Federal, setores produtivo e empresarial e órgãos de fiscalização. “As checagens verificam se há controle da origem da matéria-prima, para que a legislação socioambiental seja respeitada. O cumprimento da legislação evita que sejam comercializados animais com origem, por exemplo, em áreas com desmatamento ilegal, grilagem, trabalho escravo, invasões a unidades de conservação e a terras indígenas e quilombolas, ou sem regularização ambiental ou fundiária”, destaca o órgão.
Ascom MPF-PA, Frigol e Minerva Foods
MEIO AMBIENTE
Marfrig tem melhor posição no CDP entre empresas de alimentos de origem animal
A Marfrig é a empresa com melhor avaliação na gestão de recursos naturais (nos quesitos “mudanças climáticas”, “florestas” – para commodities de pecuária – e “segurança hídrica”) entre as indústrias de alimentos de origem animal presentes na lista de 2022 da organização internacional sem fins lucrativos Disclosure Insight Action (CDP), informou a companhia na quinta-feira (15)
Os resultados foram anunciados na terça-feira (13). O CDP incentiva empresas e governos a reduzirem suas emissões de gases causadores do efeito estufa, salvaguardar os recursos hídricos e proteger as florestas. Neste ano, mais de 18,7 mil empresas de todo o mundo foram avaliadas pelo CDP, um recorde. A Marfrig recebeu a nota “A-” considerando os três itens avaliados pelo índice. O CDP utiliza uma metodologia própria, com classificações de “A” a “D-”, com base nas melhores práticas ambientais. Para obter a pontuação máxima, as organizações devem mostrar liderança ambiental, divulgando ações sobre mudanças climáticas, desmatamento e segurança hídrica. É necessário estabelecer metas com base científica, criar um plano de transição climática, desenvolver estratégias de avaliação de riscos relacionados à água ou relatar o impacto do desmatamento para todas as operações relevantes, cadeias de suprimentos e mercadorias. Com a colocação deste ano, a Marfrig está entre as empresas globais que são referência no gerenciamento de recursos naturais. “Este é mais um reconhecimento que recebemos de uma organização conhecida e respeitada globalmente, referência na preservação ambiental, graças às nossas iniciativas para proteger os recursos naturais”, disse o diretor de Sustentabilidade e Comunicação Corporativa da Marfrig, Paulo Pianez, em nota. “Esse é um trabalho que exige persistência, eficiência e comprometimento genuíno com a causa da sustentabilidade ambiental.” Desde 2010, a Marfrig responde voluntariamente o questionário do CDP sobre as suas práticas de gestão ambiental. A plataforma do CDP é base de consulta e ferramenta de tomada de decisão para 680 investidores globais, com mais de US$ 130 trilhões em ativos sob gestão. Na semana passada, a Marfrig já havia anunciado outra conquista: pelo terceiro ano consecutivo, foi considerada a empresa de proteína bovina com melhor colocação no ranking Coller FAIRR Protein Producer Index 2022.
CARNETEC
FRANGOS & SUÍNOS
ABPA: Exportações de carne de frango devem chegar às 4,850 milhões de toneladas em 2022, batendo recorde
Já o consumo per capita de carne suína este ano aumentou, saindo de 16,7 quilos por habitante/ano em 2021 e chegando perto dos 18 quilos per capita/ano em 2022
Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) em relação às perspectivas para o fechamento do ano de 2022 para o mercado de carne de frango e de carne suína, divulgada na quinta-feira (15), deve haver recuo nas exportações de carne suína e, em relação à carne de frango, queda na disponibilidade interna da proteína e do consumo per capita. Entretanto, a carne de frango deve atingir recorde de exportação. A produção de carne suína, de acordo com a ABPA, deve encerrar o ano de 2022 com volume entre 4,950 a 5,000 milhões de toneladas, o que representa um incremento em relação ao resultado de 2021 de até 6,5%. Na exportação, o volume deve fechar o ano em até 1,120 milhões de toneladas, o que pode representar queda de cerca de 1,5%. A disponibilidade interna da proteína aumentou este ano em comparação a 2021, chegando perto das 3,830 a 3,900 milhões de toneladas, aumento de até 9,5%. “No caso das exportações, viemos crescendo ao longo do segundo semestre, e a queda deve ser pequena. Há surpresas de outros mercados sendo abertos, como Canadá, por exemplo, e ampliação nas compras por parte de outros países”, informou o presidente da entidade, Ricardo Santin. “Tivemos uma queda nas exportações de carne suína para a China, que se recupera da Peste Suína Africana, mas que se estabilizou e que deve se recuperar no ano que vem, com relaxamento de algumas medidas de restrições impostas por casos de Covid-19 no país”, completou. Ponto positivo para o aumento do consumo per capita da carne suína no país, saindo de 16,7 quilos por habitante/ano em 2021 e chegando perto dos 18 quilos per capita/ano em 2022, incremento de até 8%. “Essa carne foi uma substituição durante a pandemia em parte no lugar da carne bovina, e foi se tornando um hábito de consumo dos brasileiros”, disse. A carne de frango em 2022 deve fechar com ampliação de até 1,5% no comparativo com o ano passado, com volume entre 14,450 a 14,500 milhões de toneladas. As exportações são projetadas para aumentarem em 5%, com embarques entre 4,800 a 4,850 milhões de toneladas. “Há uma demanda global crescente, e o Brasil deve ser chamado a atender a estas lacunas. Nas exportações de 2022 houve aumento de 5% em volume e de 29,3% em receita no comparativo com 2021. É um crescimento vigoroso, que era em parte já projetado, mas tem muito da influenza aviária e principalmente da guerra entre Rússia e Ucrânia, o que diminuiu o fornecimento de cereais para muitos países, que diminuíram a produção”, relata Santin. Em relação ao mercado interno, projeta-se queda na disponibilidade interna, na ordem de 0,2% em relação a 2021, chegando em até 9,700 milhões de toneladas. Nesta linha, o consumo também deve ser reduzido em 0,8%, passando de 45,5 quilos per capita/ano em 2021 para até 45,1 quilos por habitante/ano em 2022. Para 2023, a perspectiva para a produção da proteína suinícola é de que haja um incremento de até 4%, podendo atingir 5,100 a 5,150 milhões de toneladas. Nas exportações, pode haver ampliação de até 12% no comparativo com o resultado de 2022, com volume embarcado de 1,200 a 1,250 milhões de toneladas. A disponibilidade interna da proteína também deve aumentar em 2023, cerca de 3%, com 3,850 a 3,950 milhões de toneladas, assim como o consumo per capita, chegando perto dos 18,5 quilos per capita/ano, num avanço de 3% em comparação a 2022. Na carne de frango, a projeção é de avanço na produção de até 2%, podendo atingir 14,600 a 14,750 milhões de toneladas. Nas exportações, pode haver aumento de até 5% no comparativo com o resultado de 2022, com volume de 5,000 a 5,200 milhões de toneladas. A disponibilidade interna da proteína também deve aumentar em 2023, cerca de 0,5%, com até 9,750 milhões de toneladas, assim como o consumo per capita, chegando perto dos até 45,5 quilos per capita/ano, avanço de 0,8% em comparação a 2022.
ABPA
Suínos: Poucas alterações nas cotações DO PR, SC E SP
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a arroba do suíno CIF ficou estável em R$ 137,00/R$ 143,00, enquanto a carcaça especial aumentou 0,93%/1,82%, atingindo R$ 10,80/R$ 11,20 o quilo
Na cotação do animal vivo, conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quarta-feira (14), houve leve alta de 0,15% no Rio Grande do Sul, chegando a R$ 6,75/kg, e de 0,13% em Minas Gerais, alcançando R$ 7,56/kg. Ficaram estáveis os preços no Paraná (R$ 6,76/kg), Santa Catarina (R$ 6,79/kg) e em São Paulo (R$ 7,51/kg). A semana que antecede as festividades de final de ano foi positiva para o mercado de suínos, com um puxão para cima nos preços na maioria das praças que comercializam os animais no mercado independente. Inclusive, algumas lideranças destacam a aproximação do preço do quilo do animal com os custos de produção, apesar de ainda não haver margem de lucro.
Cepea/Esalq
Suinocultura independente: altas para a maioria das praças
No Paraná, considerando a média semanal (entre os dias 08/12/2022 a 14/12/2022), o indicador do preço do quilo vivo do Laboratório de Pesquisas Econômicas em Suinocultura (Lapesui) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) teve queda de 1,25%, fechando a semana em R$ 6,52/kg vivo. “Espera-se que na próxima semana o preço do suíno vivo apresente alta, podendo ser cotado a R$ 6,70/kg vivo”, informou o Lapesui
Em São Paulo, o preço passou de R$ 8,00/kg vivo para R$ 8,26/kg segundo dados da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), com acordo entre suinocultores e frigoríficos. “A expectativa dos suinocultores é de novos realinhamentos de preço para os próximos dias. Sendo assim, nós vamos realizar a próxima Bolsa de Suínos na segunda-feira, dia 19. Hoje, com o preço de R$ 155,00 a arroba, vamos trabalhar para confirmar esse preço, com relação de troca com o milho de uma arroba comprando 1,8 saca de milho. Estamos chegando próximos do custo de produção, e agora é acompanhar o mercado até o dia 24 de dezembro para ver como o setor vai se comportar”, disse Valdomiro Ferreira, presidente da APCS. No mercado mineiro, o valor subiu na quinta-feira, passando de R$ 7,60/kg vivo para R$ 8,00/kg vivo segundo a Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg), com acordo entre suinocultores e frigoríficos. Segundo informações da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), o valor do animal teve alta, saindo de R$ 6,83/kg para R$ 7,16/kg vivo nesta semana.
AGROLINK
Suínos/Cepea: Demanda se aquece, e preço sobe
Com a proximidade das festas de fim de ano, a demanda por carne suinícola vem se aquecendo
Diante disso, os preços do suíno vivo e da carcaça voltaram a reagir em todas praças acompanhadas pelo Cepea. Entre os cortes mais procurados está o lombo, que registrou a valorização mais expressiva. Agentes consultados pelo Cepea se mostram otimistas e esperam que as vendas continuem aquecidas nos próximos dias. Na direção contrária do mercado doméstico, as exportações brasileiras de carne suína vêm se enfraquecendo nesta primeira quinzena de dezembro. Segundo os dados da Secex, nos sete primeiros dias úteis do mês, 27 mil toneladas de carne suína foram escoadas, com média diária de embarques em 3,9 mil toneladas, 9,2% abaixo do registrado no mês passado.
Cepea
Frango: Cotações estáveis no PR e SC
Em São Paulo, de acordo com a Scot Consultoria, a ave na granja ficou estável em R$ 5,10/kg, enquanto o frango no atacado cedeu 1,14%, cotado em R$ 6,92/kg
Na cotação do animal vivo, São Paulo ficou sem referência de preço. No Paraná não houve alteração de preço, com a ave viva cotada em R$ 5,20/kg, assim como Santa Catarina, com valor de R$ 4,21/kg. Conforme informações do Cepea/Esalq, referentes à quarta-feira (14), a ave congelada teve recuo de 0,76%, valendo R$ 7,84/kg, enquanto o frango resfriado baixou 1,12%, fechando em R$ 7,92/kg.
Cepea/Esalq
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