CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1560 DE 26 DE AGOSTO DE 2021

clipping

Ano 7 | nº 1560 | 26 de agosto de 2021

 

NOTÍCIAS

Boi: arroba tem mais um dia de quedas, diz Safras & Mercado

De acordo com a consultoria Safras & Mercado, a arroba do boi gordo teve mais um dia de quedas, desta vez de maneira mais espalhada entre várias regiões brasileiras

Em São Paulo, capital, o preço saiu de R$ 314 para R$ 313 por arroba, a prazo, e em Dourados (MS), passou de R$ 316 para indicação em R$ 313. Por fim, em Cuiabá (MT), a arroba foi de R$ 307/308 para R$ 304/305. Na B3, os contratos futuros do boi gordo tiveram comportamento misto, com alguns vencimentos subindo e outros caindo novamente. O pregão foi marcado por variações pequenas nas cotações. O ajuste do vencimento para agosto passou de R$ 311,45 para R$ 311,55, do outubro foi de R$ 311,25 para R$ 310,75 e do novembro foi de R$ 317,90 para R$ 318,00 por arroba.

AGÊNCIA SAFRAS

Pressão no mercado do boi gordo

A maior parte dos frigoríficos mantiveram os preços na última quarta-feira (25/8)

Em São Paulo, após a queda de R$2,00/@ do boi gordo e R$1,00/@ da novilha gorda no dia 24/8, a maior parte dos frigoríficos mantiveram os preços na última quarta-feira (25/8) na comparação feita dia a dia, com compradores fora do mercado. Embora estável, a pressão de baixa perdura. Segundo levantamento da Scot Consultoria, o boi, vaca e novilha gordos foram negociados em R$313,00/@, R$292,00/@ e R$307,00/@, respectivamente, preços brutos e a prazo. No Oeste da Bahia, com negócios travados e escoamento lento de carne, a cotação caiu R$1,00/@ em todas as categorias no dia 25/8 no comparativo dia a dia. Dessa forma, o boi gordo ficou cotado em R$299,00/@, a vaca gorda em R$287,00/@ e a novilha gorda em R$291,00/@, preços brutos e a prazo.

SCOT CONSULTORIA 

Preços do boi caem com conforto nas escalas de abate

“Os frigoríficos de maior porte ainda dispõem de contratos a termo e da utilização de confinamentos próprios, mantendo uma posição ainda mais confortável”, reforça analista da Safras & Mercado

O mercado físico de boi gordo registrou preços mais baixos na quarta-feira. Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere pela continuidade do movimento de pressão no curto prazo, em linha com a posição de conforto das escalas de abate durante a semana, que atendem entre cinco e sete dias úteis em média. “Os frigoríficos de maior porte ainda dispõem de contratos a termo e da utilização de confinamentos próprios, mantendo uma posição ainda mais confortável”, disse Iglesias. A dinâmica de mercado sugere por um mês de setembro de manutenção do bom ritmo de negociações. Já para o último trimestre, haverá espaço para retomada do movimento de alta, considerando o aquecimento da demanda doméstica, somado ao bom desempenho das exportações. “Do ponto de vista da oferta a dinâmica pouco mudou. A oferta seguirá restrita daqui até o final do ano”, assinalou o analista. Em São Paulo, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 313 na modalidade à prazo, ante R$ 314 na terça-feira. Em Goiânia (GO), a arroba teve preço de R$ 304, estável. Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 313, ante R$ 316. Em Cuiabá, a arroba ficou indicada em R$ 304 a R$ 305, contra R$ 307 a R$ 308. Em Uberaba (MG), preços a R$ 313 a arroba, contra R$ 313. No mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem acomodados. Segundo Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere por pouco espaço para reajustes até o período de virada de mês. “Para a primeira quinzena de setembro haverá maior espaço para reajustes, em linha com a entrada dos salários na economia, motivando a reposição entre atacado e varejo. A carne de frango ainda conta com a predileção do consumidor médio, essa dinâmica será rotineira no restante do ano”, disse Iglesias. O quarto dianteiro foi precificado a R$ 16,90 por quilo. O quarto traseiro teve preço de R$ 21,25 por quilo, estável. Já a ponta de agulha foi precificada a R$ 16,90 por quilo.

AGÊNCIA SAFRAS

Governo e ruralistas debatem novo plano de parcelamento do Funrural

Ministério da Economia e Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional propõem renegociação dentro do Programa de Retomada Fiscal criado em fevereiro; dívidas somam R$ 10 bi 

O governo federal e a bancada ruralista discutem uma nova “solução” para as dívidas do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural, pendência que se arrasta desde 2017. Com isso, a proposta desconsidera a extinção da dívida, como pedem representantes do agronegócio. A remissão dos débitos, que hoje somam cerca de R$ 10 bilhões, chegou a ser uma promessa de campanha do agora Presidente Jair Bolsonaro. Na oferta, o governo prevê um desconto de 70% do valor total da dívida e prazo de até 145 meses para produtores rurais pessoas físicas, microempresas, empresas de pequeno porte e cooperativas. Para as demais pessoas jurídicas, o desconto previsto é de 50% do valor total da dívida e prazo de até 84 meses. Ainda está em debate uma proposta da FPA de igualar a primeira condição para todos os tipos de personalidade jurídica. Para aderir ao acordo, o produtor deverá pagar uma entrada de 4% da dívida, que pode ser parcelada em 12 vezes. A quitação do restante ocorreria em 72 a 133 meses, a depender do enquadramento do devedor. Caso a proposta seja aceita, o prazo para adesão é até 30 de setembro, mas há conversas para extensão até abril ou maio de 2022. Isso daria tempo aos produtores rurais de fecharem acordo já tendo em mãos parte dos recursos da comercialização da safra de verão. O impasse sobre o Funrural, uma contribuição social rural de caráter previdenciário, paga pelo produtor, surgiu em março de 2017, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu pela constitucionalidade da cobrança. Em julgamento desde 2011, o pagamento era considerado uma bitributação para setor, que conseguiu, por anos, evitar a cobrança do imposto (inclusive com aval do próprio STF). “A Justiça reconhecia isso como bitributação. Do dia para a noite, criou-se um passivo bilionário, injusto e indevido, na minha visão. Levamos todo esse tempo negociando e parece que a novela está prestes a acabar”, disse, em nota, o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), que participa das discussões entre FPA e Ministério da Economia. Em junho, segundo os dados mais recentes da Fazenda Nacional, a dívida ativa do Funrural estava em R$ 9,98 bilhões, com cerca de 6,5 mil devedores.

VALOR ECONÔMICO

Sindicato vê riscos à segurança alimentar no PL do Autocontrole

Parecer sobre PL altera o modelo de defesa agropecuária e introduz participação da iniciativa privada nas auditorias e fiscalizações

O parecer ao projeto de lei nº 1.293/21 (PL do Autocontrole), apresentado à Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados neste mês (18/8), altera o modelo de defesa agropecuária e introduz, de forma excessiva, a participação da iniciativa privada nos processos de auditoria e fiscalização em defesa agropecuária, segundo afirma o Anffa Sindical (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários). O Anffa avalia que, na proposta inicial do Poder Executivo e na introdução do parecer do deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), há três premissas antagônicas. A primeira, a necessidade de agilidade e liberdade à produção, ancorada na Lei de Liberdade Econômica. A segunda, a necessidade de preservar a idoneidade dos insumos agropecuários e a qualidade higiênico-sanitária dos produtos de origem animal e vegetal. A terceira, a suposta incapacidade do poder público de atender às demandas em defesa agropecuária, diante do crescimento do agronegócio nas últimas quatro décadas. Os auditores agropecuários ainda questionam a amplitude do registro automático de produtos e de sua isenção. Segundo o projeto de lei, é suficiente um regulamento que padronize a fabricação de um produto para que o fabricante apresente um relatório e obtenha o registro automático. Para o sindicato, com esse dispositivo, seria o mesmo que um fabricante apresentar à Anvisa o relatório de fabricação de uma vacina contra a covid-19 e já obter o registro automático do produto. A comparação vale tanto para as vacinas contra febre aftosa e brucelose quanto para doenças como cinomose e parvovirose, para cães. Para os auditores agropecuários, o projeto não delimita a participação da iniciativa privada em atividades de defesa agropecuária, por meio do credenciamento, certificação por entidades de terceira parte e execução de atividades de rotina de fiscalização, por especialistas contratados pelo setor produtivo regulado e fiscalizado. Os produtos de origem animal sempre pautaram as discussões sobre o autocontrole, notadamente a presença de auditores agropecuários em caráter permanente em estabelecimentos de abate. A falta de definição do PL 1.293 e de outros regulamentos, como o decreto 10.419, deixam em aberto a permanência ou não do auditor durante o abate. Assim, tudo indica que o caminho será a coexistência de dois níveis de frigoríficos — aqueles com auditores permanentes, por exigência de mercados externos, e aqueles voltados para o mercado interno, sem auditores permanentes. Nesse caso, a sociedade estaria pagando para fiscalizar produtos destinados apenas a alguns mercados externos que exigem a presença permanente.

PORTAL EXAME

ECONOMIA

Dólar fecha em queda de 0,95%, a R$5,2115

O dólar voltou a cair nesta quarta-feira e fechou na mínima em pouco mais de duas semanas, conforme captou o bom humor externo e viu novos ajustes após a forte pressão recente no mercado de câmbio

O dólar à vista caiu 0,95%, a 5,2115 reais na venda, menor patamar desde o último dia 10 (5,1957 reais).  Com a baixa desta quarta, o dólar perdeu o suporte da média móvel linear de 100 dias (agora em 5,2547 reais), depois de na véspera deixar para trás a média de 200 dias (então em 5,3317 reais), potencialmente acionando ordens automáticas de venda da moeda, movimento que retroalimentaria o declínio da cotação. Lá fora, o índice do dólar chegou ao fim da tarde perto das mínimas da sessão, que contou com novas pontuações máximas recordes para índices acionários dos EUA e mais uma alta do petróleo.

REUTERS 

Ibovespa fecha em alta com aval externo

O Ibovespa fechou em alta nesta quarta-feira favorecido pelo cenário externo, com novas máximas em Wall St, embora persista o desconforto com a situação político-fiscal no país

Índice de referência da bolsa brasileiro, o Ibovespa subiu 0,5%, a 120.817,71 pontos. O volume financeiro no pregão somou 24,8 bilhões de reais. Em Nova York, o S&P 500 avançou 0,2%, para uma nova máxima histórica, assim como o Nasdaq, que subiu 0,15%, sem notícias para minar o sentimento positivo no mercado. A atenção no exterior está voltada ao simpósio do Federal Reserve, em Jackson Hole, principalmente a fala do chair do Fed, Jerome Powell, na sexta-feira, que pode trazer sinais sobre os próximos passos da política monetária norte-americana. No Brasil, o país vive um momento difícil. O estresse político-institucional e as discussões sobre um aumento do Bolsa Família e a questão precatórios, tendo no horizonte a eleição presidencial em 2022, têm minado as perspectivas fiscais e prejudicado o mercado doméstico. Apesar do bom momento no exterior, com índices renovando máximas, a bolsa brasileira está sofrendo em função de fatores domésticos, basicamente o político contaminando a questão fiscal. A pauta macro do dia teve forte crescimento na arrecadação federal no mês passado, mas aceleração da prévia da inflação oficial em agosto e aumento da dívida pública federal em julho.

REUTERS

Dívida pública federal sobe 1,24% em julho; Tesouro reconhece pressão em juros longos

A dívida pública federal cresceu 1,24% em julho sobre o mês anterior, para 5,396 trilhões de reais, divulgou o Tesouro Nacional na quarta-feira, em meio à pressão na parte longa da curva de juros que se acentuou neste mês diante dos temores do mercado com a gestão das contas públicas

Em julho, a dívida pública interna teve alta de 1,02% sobre junho, a 5,155 trilhões de reais. Em comentário sobre o resultado, o Tesouro afirmou que as emissões ficaram abaixo da média dos últimos 12 meses, mas mantendo o caixa em posição confortável para as despesas futuras. A reserva de liquidez da dívida pública é agora de 1,160 trilhão de reais, ligeiramente abaixo da marca de 1,167 trilhão de junho, sendo que os vencimentos esperados para os próximos 12 meses são de 1,198 trilhão de reais na dívida pública mobiliária federal interna. No total, foram 142,4 bilhões de reais emitidos em julho, com resgates de 118,1 bilhões de reais. Como resultado, ocorreu a primeira emissão líquida para julho desde 2009, no valor de 24,4 bilhões de reais, destacou o Tesouro. Enquanto isso, o estoque da dívida pública externa avançou 6,26%, a 240,87 bilhões de reais. Em relação à composição, houve aumento da representatividade dos títulos com taxa flutuante (35,67% sobre 35,07% em junho) e atrelados a índice de preços (27,59% ante 27,13%). Por sua vez, os papéis prefixados viram sua participação cair a 32,05% da dívida, de 33,33% em junho. De acordo com o Tesouro, o custo médio das emissões da dívida interna subiu a 6,09% ao ano em julho, sobre 5,77% em junho. O custo médio do estoque acumulado em 12 meses também cresceu, passando a 7,64%, ante 7,18% no mês anterior. O Tesouro afirmou que, na cena doméstica, os juros em julho reagiram aos dados de inflação e a ajustes na expectativa de mercado quanto às decisões de política monetária. Num reflexo dos temores com o descontrole das contas públicas, a parte longa da curva subiu 60 pontos-base. Em agosto, prosseguiu o Tesouro, a curva de juros subiu até 105 pontos-base nos prazos mais longos, também por causa das preocupações fiscais.

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IPCA-15 dispara 0,89% e tem maior alta para agosto em quase duas décadas

A pressão de energia elétrica levou a prévia da inflação oficial do Brasil a disparar para o nível mais alto para um mês de agosto em quase duas décadas, em momento de forte preocupação com a alta dos preços e de intensificação do aperto monetário

Com a alta de 0,89% em agosto, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou com força sobre a taxa de 0,72% de julho, batendo o nível mais elevado para um mês de agosto desde 2002 (+1,00%). Os dados divulgados na quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram ainda que em 12 meses o IPCA-15 passou a subir 9,30%, contra 8,59% no mês anterior. O resultado assim marca a taxa mais elevada nessa base de comparação desde maio de 2016, quando foi de 9,62%, e dispara bem acima do teto da meta para este ano — de 3,75%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. A energia elétrica foi o principal responsável pelo resultado do índice de agosto, com alta de 5,0%, em meio à crise hídrica e à bandeira vermelha patamar 2, além do reajuste de 52% no valor adicional da bandeira a partir de 1º de julho. Com isso, o grupo Habitação registrou a maior variação em agosto, de 1,97%, embora a alta tenha desacelerado sobre a taxa de 2,14% de julho. A segunda maior contribuição para o dado de agosto veio dos Transportes, cujos custos aumentaram 1,11% com a aceleração dos preços dos combustíveis a 2,02%, de 0,38% em julho. Somente a gasolina avançou 2,05%, acumulando em 12 meses uma alta de 39,52%. Alimentação e bebidas também ficaram mais caras, com a inflação desse grupo chegando a 1,02% em agosto de alta de 0,49% no mês anterior, com disparada dos preços de tomate (16,06%), frango em pedaços (4,48%), frutas (2,07%) e leite longa vida (2,07%). A única queda registrada foi em Saúde e cuidados pessoais, de 0,29%, devido principalmente à deflação nos preços dos itens de higiene pessoal (-0,67%), produtos farmacêuticos (-0,48%) e plano de saúde (-0,11%). Com o país sob intensa pressão inflacionária, o Banco Central intensificou o aperto monetário e elevou a Selic a 5,25%, prevendo novo aumento de 1 ponto percentual em setembro.

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Brasil tem déficit em transações correntes de U$1,584 bi em julho, pior que esperado

O Brasil registrou déficit em transações correntes de 1,584 bilhão de dólares em julho, interrompendo três meses de resultados superavitários, num dado influenciado pelo aumento das remessas de lucros e dividendos para fora, divulgou o Banco Central na quarta-feira

Com isso, o déficit em transações correntes em 12 meses passou a 1,30% do PIB, frente a 1,26% no acumulado até junho. O resultado de julho veio pior que a expectativa de analistas em pesquisa Reuters, de um déficit de 650 milhões de dólares, ficando também mais alto que o déficit de 646 milhões de dólares obtido em julho do ano passado. Já os investimentos diretos no país somaram 6,103 bilhões de dólares no mês, acima da projeção de analistas de 4,45 bilhões de dólares. Para agosto, o BC previu superávit em transações correntes de 1,1 bilhão de dólares e IDP de 5,8 bilhões de dólares. No acumulado de janeiro a julho, o déficit das transações correntes é de 8,320 bilhões de dólares, abaixo dos 13,907 bilhões de dólares de igual etapa de 2020. Para o consolidado do ano, a expectativa do BC é de um resultado superavitário em 3 bilhões de dólares. Em julho, o rombo na conta de renda primária subiu 26,3% sobre igual período de 2020, a 6,769 bilhões de dólares. A alta foi influenciada principalmente pelo avanço das despesas líquidas de lucros e dividendos, que são associadas aos investimentos direto e em carteira e que somaram 3,125 bilhões de dólares, frente a 1,702 bilhão de dólares um ano antes. Enquanto isso, o superávit da balança comercial caiu ligeiramente a 6,271 bilhões de dólares, contra 6,537 bilhões de dólares em julho do ano passado. Já o déficit na conta de serviços caiu 34,0%, a 1,338 bilhão de dólares. Dentro dessa linha, as despesas líquidas com viagens internacionais subiram a 229 milhões de dólares, contra apenas 127 milhões de dólares em julho de 2020. Por outro lado, as despesas líquidas de aluguel de equipamentos sofreram queda de 48,4% na mesma base de comparação, a 609 milhões de dólares, afetadas, segundo o BC, pela nacionalização de equipamentos no âmbito do Repetro.

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Confiança do consumidor no Brasil cai em agosto pela primeira vez em 5 meses, diz FGV

A confiança do consumidor no Brasil recuou em agosto pela primeira vez desde março deste ano, com desemprego, inflação e temores sobre a disseminação da variante Delta do coronavírus elevando as dúvidas entre várias faixas de renda, mostraram dados da Fundação Getulio Vargas na quarta-feira

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da FGV recuou 0,4 ponto em agosto, para 81,8 pontos, patamar considerado baixo em termos históricos. Essa foi a primeira queda desde março, quando o indicador teve leitura de 68,2. Em agosto, o Índice de Situação Atual (ISA) recuou 1,1 ponto, a 69,8 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE) teve variação positiva de 0,1 ponto, a 90,9. “Há maior dificuldade entre os consumidores de menor poder aquisitivo, que enfrentam uma combinação de desemprego e inflação elevados e o e crescimento do endividamento nos últimos meses”, explicou em nota Viviane Seda Bittencourt, Coordenadora das sondagens. Paralelamente, a confiança dos consumidores de maior poder aquisitivo também recuou em agosto, “possivelmente em função do aumento da incerteza em relação à pandemia com o avanço da variante Delta no país, ao adicionar dúvidas quanto ao ritmo possível de crescimento econômico nos próximos meses”, afirmou Bittencourt. Segundo a FGV, a análise por faixas de renda mostrou piora generalizada da confiança, exceto para os consumidores com renda entre 2.100,01 e 4.800,00 reais, cujo indicador foi a uma máxima desde dezembro de 2020.

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Arrecadação federal cresce 35,47% em julho e é recorde para o mês

A arrecadação da Receita Federal cresceu 35,47% em julho em termos reais sobre o mesmo mês do ano passado, somando 171,27 bilhões de reais, valor recorde para o mês, informou a Receita Federal na quarta-feira

No acumulado do ano, a arrecadação teve alta real de 26,11%, a 1,053 trilhão de reais, também o maior valor para o período da série do Fisco, que tem início em 1995. A Receita destacou o crescimento real de 55,31% da arrecadação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da CSLL no mês, para 41,1 bilhões de reais. Já a arrecadação da Cofins e do PIS/Pasep subiu 33,2%, em desempenho que o governo atribuiu ao aumento das vendas de serviços e bens em junho e ao menor volume de compensações tributárias em julho. O resultado do mês também foi beneficiado por um aumento real de 16,6% da receita previdenciária sobre julho de 2020, ano em que os prazos de pagamento foram prorrogados por causa da pandemia da Covid-19.

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EMPRESAS 

Marfrig reinclui mais de 1,1 mil fazendas em sua lista de fornecedores

Com ajuda, propriedades se ajustaram aos padrões socioambientais da companhia

A Marfrig, uma das maiores empresas de proteínas animais do mundo, informou que já reincluiu, a partir de ações previstas no “Plano Marfrig Verde+”, 1.139 fazendas em sua lista de fornecedores em conformidade com seus compromissos socioambientais. O número representa 17% do universo de fornecedores da companhia, e a fazendas reincluídas abateram quase 194 mil animais este ano, ou cerca de 15% total movimentado pela Marfrig. “A reinclusão foi possível a partir de suportes técnicos e assessoria jurídica oferecidos gratuitamente pelo Marfrig+, que incentiva a adoção de boas práticas pecuárias e auxilia parceiros com pendências ambientais, trabalhistas e também de documentação”, informou a empresa. Em nota, a Marfrig lembra que estabeleceu como meta garantir que 100% de sua cadeia de suprimento seja sustentável e livre de desmatamento.

VALOR ECONÔMICO

MEIO AMBIENTE 

Investimento em sustentabilidade já tem impacto direto na rentabilidade da produção de carne

Monitoramento do rebanho, menor manejo do solo e bem-estar do animal são medidas levada em conta pelos compradores, segundo participantes da Conferência Brasil Verde 2021, realizada pelo Estadão

A agenda da sustentabilidade e de combate ao desmatamento na cadeia de produção da carne bovina, que envolve informações sobre a rastreabilidade do animal, melhor manejo do solo, bem-estar do animal, por exemplo, não se trata de mera retórica. Ela tem impactos diretos na rentabilidade do negócio. “A sustentabilidade hoje vai além da questão de compliance, de conformidade. A sustentabilidade para o Minerva Foods é negócio”, afirmou Taciano Custódio, Diretor de Sustentabilidade do frigorífico. Custódio destacou que se trata de uma oportunidade de abertura de novos mercados, de posicionamento comercial com compradores que pagam mais pelo produto e que encaram a sustentabilidade como atributo. A partir do momento que o produtor começa a investir em sustentabilidade da sua ocupação territorial, observando o número de animais por hectare, melhor manejo do solo, considerando o bem-estar animal, sistemas integrados, isso se reflete na melhora da sustentabilidade dessa ocupação do território e significa rentabilidade, observou Custódio. E o produtor se posiciona melhor no mercado, argumentou. “O grande desafio é se conectar não só com a ética do compliance, mas com o efeito da rentabilidade.” O executivo frisou que a demanda mundial por carne é crescente. A China, um grande comprador de proteína animal e um dos principais mercados para a companhia e demais países dedicados à pecuária, recentemente reforçou preocupações com o meio ambiente. A potência asiática deverá concentrar 66% da classe média global até 2030, segundo o Banco Mundial, lembrou Custódio. Isso significa uma forte demanda potencial de carne bovina e de outros produtos por conta dessa classe com maior poder de consumo e ávida por alimentos. E os produtores preparados terão enormes oportunidades. Pedro Burnier, gerente do Programa de Cadeias Agropecuárias da ONG Amigos da Terra-Amazônia Brasileira, disse que nos últimos dois anos os investidores começaram a pressionar as empresas para o monitoramento da cadeia completa. Segundo ele, os fornecedores diretos da cadeia da carne estão sendo bem monitorados. Dados mostram que esses fornecedores diretos, que engordam o boi, respondem por 32% do desmatamento. A maior parte da dizimação das matas ocorre com fornecedores indiretos da cadeia da carne, fazendas de cria e recria de bezerros. Nos últimos anos, surgiram ferramentas para obter soluções para o monitoramento dos produtores indiretos, observou. Custódio ponderou, no entanto, que o Brasil lidera a pauta com informações sobre os pecuaristas. Ele disse desconhecer um país que tenha uma lista tão extensa de áreas ambientais embargadas. Mas frisou que aumentar a disponibilidade de acesso a esses dados é fundamental. Atualmente, 76% das empresas do setor passam por inspeção federal, e o restante está na esfera municipal e estadual de fiscalização da cadeia da carne. “É preciso aumentar a inspeção sanitária para ampliar a sanidade e a sustentabilidade.”

O ESTADO DE SÃO PAULO

INTERNACIONAL

Preços das carnes bovina e suína se ‘descolam’ na China

Demanda pela proteína bovina aumentou no mercado chinês na pandemia, o que tem dado sustentação às cotações

O preço da carne bovina subiu 6,6% no mercado chinês entre julho de 2020 e julho deste ano, desempenho que mostra que as cotações do produto e as da carne suína se “descolaram” no país. Nesse mesmo intervalo, a carne suína desvalorizou-se 54% no atacado. Segundo Chenjun Pan, analista sênior de proteína animal do Rabobank na China, os preços da carne bovina ficaram mais “independentes” na pandemia da covid-19. O consumo do produto nos lares aumentou, o que ampliou suas vendas no varejo, afirma a analista no relatório “A New Era in China’s Beef Market”. Até o início da crise sanitária, de 65% a 75% do consumo de carne bovina no mercado chinês ocorria em estabelecimentos comerciais ou hotéis, mas essa proporção vem diminuindo, diz a analista. Uma evidência, argumenta, é o fato de que os volumes comercializados no atacado não voltaram aos níveis pré-pandemia, mesmo com a China já tendo superado o pior momento da pandemia. “Com o rápido avanço do e-commerce – devido, em parte, às restrições adotadas para conter a disseminação da doença -, os consumidores começaram a tentar cozinhar em casa. Isso resultou em um declínio nas vendas no atacado em 2020”, afirma ela. “Estimamos que, entre os modernos canais de varejo, o e-commerce já é mais importante que as vendas de carne bovina em supermercados”. Wagner Yanaguizawa, analista de proteína animal do Rabobank Brasil, diz que o aumento da demanda por carne bovina nos últimos anos é um reflexo, também, da ascensão das classes A e B na China – o país respondeu por 25% do comércio global da proteína no ano passado. Esse fenômeno elevou o consumo de cortes e produtos premium. “Hoje, a carne bovina representa 8,5% do consumo de proteínas animais no país, e a expectativa é que a fatia chegue a 9,7% até 2025, o que representa um incremento de 800 mil toneladas”, diz. Segundo Yanaguizawa, restrições ligadas à sustentabilidade impedem que China amplie sua produção em ritmo que seja suficiente para atender essa demanda adicional. Para ele, o cenário é bastante positivo para Brasil, Argentina e Uruguai, países que produzem, juntos, 74% de toda a carne bovina que a China compra. Yanaguizawa acredita que, além de manterem o mercado que já têm, os produtores brasileiros podem avançar em segmentos premium. Para isso, o país precisa trabalhar para reduzir o tempo médio de abate de bovinos, que está acima do desejado pelos chineses. Outro suporte aos preços da carne bovina na China, segundo o analista, é a menor “triangulação por Hong Kong”. As vendas ao mercado chinês ocorrem tanto de maneira direta quanto indireta, passando antes pelo território autônomo e, depois, ingressando na China por via terrestre. “Com a peste suína africana e a covid-19, a China aumentou o rigor na fiscalização. Isso desestimulou a triangulação e fortaleceu a demanda pelos canais oficiais”, diz.

VALOR ECONÔMICO 

Setor pecuário da Argentina vive drama com restrições às exportações de carne bovina

Os bloqueios impostos pelo governo argentino, sobretudo ao mercado da China, favorecem os exportadores vizinhos, como o Brasil e o Uruguai, relata o Rabobank

Em relatório divulgado na terça-feira (24 de agosto), o Rabobank faz uma análise do mercado de carne bovina nos principais países produtores e exportadores da commodity, com destaque para o drama vivenciado pelo setor pecuário da Argentina, cujo governo suspendeu, a partir de maio (inicialmente, por um período de 30 dias), os embarques da proteína vermelha – uma iniciativa que visa controlar o quadro inflacionário naquele país. Segundo o banco, em 22 de junho de 2021, o governo argentino implementou um novo sistema para restringir as exportações de carne bovina e, com isso, elevar a oferta doméstica de carne bovina. Essa medida veio depois de 30 dias de suspensão dos embarques de carne bovina, a partir de 19 de maio de 2021. As novas cotas agora limitam as exportações de carne argentina a 50% do volume médio mensal exportado de julho a dezembro de 2020. Como a Argentina foi a quinto maior exportador mundial de carne bovina em 2020 e o segundo maior fornecedor da commodity para a China, o novo corte nos volumes de embarque tem potencial para impactar significativamente o comércio global de carne bovina, favorecendo concorrentes como o Brasil, prevê o Rabobank. O primeiro prazo para revisão da nova determinação é no final de agosto, com possibilidade de uma prorrogação até dezembro deste ano. “O Rabobank entende que o novo sistema de exportação não será encerrado em agosto, embora seja possível que, eventualmente, alguns aspectos dessa medida sejam revisados, sobretudo em relação às importações aos mercados da China e de Israel, os principais clientes da carne bovina argentina”. No ano passado, a Argentina vendeu ao exterior 897.000 toneladas de carne bovina, um aumento de 6% sobre o volume recorde de 2019, que havia superado em 54% os resultados de exportação de 2018. No primeiro semestre de 2021, as exportações argentinas de carne vermelha totalizaram 419.000 toneladas, um avanço de 4% sobre igual período em 2020. Como a primeira a suspensão temporária das exportações ocorreu em maio, o impacto da medida comprometeu os embarques realizados a partir de junho, que recuaram 31% sobre mesmo mês do ano passado. Enquanto as vendas externas da Argentina mostravam forte crescimento antes da intervenção governamental, o consumo interno de carne bovina no país mantinha a tendência de queda observada desde 2018. Em comparação com a média mensal de 2020, o consumo de carne bovina na Argentina no primeiro semestre de 2021 recuou 13% – o menor nível desde o início da série histórica, em 1958.

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