CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2685 DE 06 DE ABRIL DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2685 | 06 de abril de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi registra novas altas

Boi gordo tem alta em São Paulo e Goiás

A cotação do boi gordo registrou alta em parte das praças pecuárias do Brasil, impulsionada pela oferta limitada de animais prontos para o abate. As informações constam na análise divulgada na quinta-feira (2) no informativo “Tem Boi na Linha”, publicado pela Scot Consultoria. No estado de São Paulo, a arroba apresentou valorização para todas as categorias. Segundo a Scot Consultoria, “em meio a uma oferta de boiadas que continuava enxuta e escalas de abate que estavam curtas, as indústrias pagaram mais pela arroba durante à tarde de ontem e hoje de manhã”. De acordo com o levantamento, “a referência para os machos subiu R$5,00/@, enquanto para as fêmeas subiu R$2,00/@”. As escalas de abate no estado estavam, em média, para seis dias. Em Goiás, o cenário também foi marcado por oferta restrita de animais e programações de abate curtas. Conforme o relatório da Scot Consultoria, “havia pouca oferta de boiadas no estado e grande parte das indústrias estavam com escalas curtas”, o que levou frigoríficos que precisavam recompor as programações a pagar valores maiores pela arroba. Na região de Goiânia, o preço do boi gordo subiu R$3,00 por arroba, enquanto o valor pago pelas fêmeas avançou R$5,00 por arroba. As escalas de abate na região estavam, em média, para oito dias. Já na região sul do estado, o levantamento aponta alta de R$2,00 por arroba para o boi gordo e de R$5,00 por arroba para as fêmeas. As escalas de abate estavam, em média, para cinco dias. No mercado do chamado “boi China”, destinado à exportação, também houve valorização. Segundo a Scot Consultoria, no estado o preço desse tipo de animal “subiu R$3,00/@”. No Noroeste do Paraná, o mercado apresentou estabilidade nas cotações. De acordo com o informativo, “com uma oferta de boiadas que melhorou um pouco de ontem para hoje, os preços ficaram estáveis, embora ressalte-se que a oferta continua curta”. As escalas de abate na região estavam, em média, para sete dias.

SCOT CONSULTORIA 

Arroba do boi segue em alta em abril

Disponibilidade de gado para abate permanece restrita, mantendo as escalas encurtadas em grande parte do país

O mercado físico do boi gordo volta a se deparar com negociações acima da referência média. Em São Paulo e em Mato Grosso, as negociações quebraram a barreira dos R$ 360 por arroba a prazo de maneira mais consistente. De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, a disponibilidade de gado para abate permanece restrita, mantendo as escalas encurtadas em grande parte do país. “Sob o prisma da demanda, exportações seguem aceleradas, mais uma vez o avanço das vendas para a China é elemento importante a ser considerado, tanto importadores quanto exportadores aceleram as negociações para ocupar a maior parcela das cotas”, ressalta, em referência ao limite de compra de 1,1 milhão de toneladas da proteína brasileira estabelecido pelo gigante asiático. Preços médios da arroba do boi: São Paulo: R$ 361,83 — ontem: R$ 360,75. Goiás: R$ 341,96 — ontem: R$ 341,96. Minas Gerais: R$ 350,29 — ontem: R$ 347,35. Mato Grosso do Sul: R$ 351,93 — ontem: R$ 349,32. Mato Grosso: R$ 358,51 — ontem: R$ 356,82. O mercado atacadista segue com preços inalterados para a carne bovina. Segundo Iglesias, a firmeza dos preços está centrada na baixa disponibilidade de produto, que mantém preços em patamares muito elevados, mesmo em um momento de perda de competividade em comparação às proteínas concorrentes. “Mais uma vez a variável oferta se mostra mais impactante que a variável demanda”, assinalou o especialista. Quarto traseiro: ainda é precificado a R$ 27,50 por quilo; Quarto dianteiro: segue cotado a R$ 21,80 por quilo; Ponta de agulha: se mantém a R$ 20,00 por quilo.

SAFRAS NEWS

Alta para todas as categorias na região de Dourados-MS

Pouca oferta trouxe encurtamento das escalas de abate e alta nas cotações para o mercado do boi gordo.

O cenário de oferta reduzida encurtou as escalas de abate da região. O boi gordo vem registrando alta contínua desde o início do ano. Na comparação semanal, a arroba do boi gordo foi a que mais subiu, com alta de 2,5%, ou R$8,50, negociada em R$345,50. A cotação da vaca gorda registrou alta de 1,4%, ou R$4,50/@, apregoada em R$315,00/@. Já a da novilha valorizou 2,2% na semana, ou R$7,00/@, negociada em R$328,00/@. O diferencial de base do boi gordo está em R$9,00/@, ou 2,6% menor na região de Dourados em relação a São Paulo, onde a arroba está em R$354,50. Todos os preços são a prazo, descontados o Senar e o Funrural. No curto prazo, o viés é de estabilidade à alta, com as condições ainda favoráveis às pastagens, favorecendo o pecuarista a reter a boiada.

SCOT CONSULTORIA

Boi/Cepea: Mercado pecuário se manteve firme em março

Mesmo em meio às incertezas e aos impactos do atual conflito no Oriente Médio sobre o mercado brasileiro, o setor pecuário nacional se mostrou firme ao longo de março. 

Segundo pesquisadores do Cepea, os preços da arroba do boi gordo iniciaram o mês bastante firmes, mantendo os patamares praticados em fevereiro, tendo como suporte a baixa oferta de animais prontos para abate e a demanda externa aquecida. Em março, o Indicador do boi gordo CEPEA/ESALQ teve média de R$ 350,18, contra R$ 342,25 em fevereiro, com a arroba negociada a R$ 356,00 no último dia do mês, o maior valor nominal da série histórica do Cepea. Em termos reais, a média mensal é a maior desde fevereiro de 2022 – os valores foram deflacionados pelo IGP-DI de fevereiro/26. Pesquisadores do Cepea apontam que as chuvas ainda favoreceram as pastagens ao longo do mês, permitindo aos pecuaristas segurarem os animais no pasto por mais tempo. Dessa forma, a oferta de animais permaneceu reduzida em março. Com as escalas curtas, compradores acabaram cedendo e, ao longo do mês, aplicaram alguns reajustes no valor pago pela arroba.

CEPEA

ECONOMIA

Dólar fecha o dia estável com expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz

Após subir para perto dos R$5,20 na abertura da sessão, o dólar à vista fechou a quinta-feira estável, com as cotações reagindo à atuação de exportadores na ponta de venda de moeda e às movimentações para reabertura do Estreito de Ormuz.

O dólar à vista fechou com variação positiva de 0,02%, aos R$5,1599. Na semana encurtada pelo feriado da Sexta-feira Santa, a moeda norte-americana acumulou baixa de 1,51% e, no ano, recuo de 6,00%. Às 17h04, o dólar futuro para maio — o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,01% na B3, aos R$5,1885. No início da sessão os investidores reagiram ao discurso da noite de quarta-feira do presidente dos EUA, Donald Trump, que prometeu em rede nacional ataques agressivos ao Irã nas próximas duas ou três semanas, para colocar o país “de volta à Idade da Pedra, onde eles pertencem”. O discurso de Trump, que contrastou com falas anteriores de que a guerra seria encerrada em breve, deu força ao petróleo em Londres e em Nova York, impulsionando os rendimentos dos Treasuries e o dólar ante as demais divisas. Mas ao longo da manhã a moeda norte-americana perdeu força ante o real, se reaproximando da estabilidade. O movimento se intensificou após algumas notícias renovarem as esperanças em uma reabertura do Estreito de Ormuz — por onde circulam 20% do petróleo negociado entre os países. A agência de notícias oficial IRNA, do Irã, informou que o país está elaborando um protocolo com Omã para monitorar o tráfego no Estreito, enquanto o Reino Unido disse que cerca de 40 países estão discutindo uma ação conjunta para reabrir Ormuz. Durante a tarde, a moeda norte-americana se manteve próxima da estabilidade, com o mercado já mais vazio antes do feriado. No exterior, o dólar seguiu em alta ante boa parte das demais divisas, mas abaixo dos picos do dia.

REUTERS

Ibovespa fechou quase estável com suporte de petrolíferas

O Ibovespa fechou quase estável na quinta-feira, com o desempenho das ações de petrolíferas, notadamente Petrobras, amortecendo a pressão negativa desencadeada por preocupações com uma escalada no conflito no Oriente Médio.

Notícias sobre discussões envolvendo a abertura do Estreito de Ormuz, que transporta cerca de um quinto do consumo de petróleo do mundo, também ajudaram na melhora dos mercados, após o presidente dos Estados Unidos dizer que as operações militares contra o Irã serão intensificadas nas próximas semanas. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com acréscimo de 0,05%, 188.052,02 pontos, após ajustes, depois de marcar uma mínima de 185.213,54 pontos (-1,46%). No melhor momento da sessão, chegou a 189.250,57 pontos (+0,69%). Na semana, acumulou alta de 3,58%. O volume financeiro no pregão da quinta-feira somou R$24,64 bilhões, abaixo do volume médio diário do ano, de R$35,58 bilhões, com agentes financeiros também considerando o feriado na sexta-feira. A notícia de que o Irã está elaborando um protocolo com Omã para monitorar o tráfego no Estreito de Ormuz, no final da manhã da quinta-feira, trouxe algum alento, assim como a revelação pelo Reino Unido de que cerca de 40 países também estão discutindo uma ação conjunta para reabrir o Ormuz. O barril do petróleo Brent reduziu razoavelmente a alta, mas depois retomou o fôlego, fechando com avanço de 7,78%, a US$109,03. O S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, afastou-se das mínimas e fechou com acréscimo de 0,11%. Na visão do sócio fundador da Ciano Investimentos Lucas Sigu, a bolsa brasileira experimentou uma acomodação após desempenho mais forte nas últimas sessões, mas o fato de ter encerrado distante da mínima mostra que há uma “alta reprimida” no pregão brasileiro, que segue como destino de estrangeiros. Dados da B3 mostram que março fechou com um saldo positivo de capital externo de quase R$11,7 bilhões, ampliando a entrada líquida no ano para cerca de R$53,4 bilhões.

REUTERS

Produção industrial no Brasil sobe mais que o esperado em fevereiro

A indústria brasileira aumentou mais do que o esperado em fevereiro, no segundo mês seguido de alta, recuperando as perdas dos últimos meses de 2025 mesmo diante da política monetária ainda restritiva. 

A produção industrial avançou 0,9% em fevereiro na comparação com janeiro, e teve queda de 0,7% contra o mesmo período do ano anterior, mostraram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira. Os resultados foram melhores do que as expectativas em pesquisa da Reuters de ganho de 0,7% na comparação mensal e de queda de 1,0% na anual. Em janeiro, a produção teve alta de 2,1% em dado revisado ante o 1,8% informado originalmente pelo IBGE, acumulando nos dois primeiros meses do ano expansão de 3,0%. Em novembro e dezembro a produção havia recuado 0,1% e 2,0%, respectivamente. Apesar da recuperação, a produção industrial ainda está 14,1% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011, segundo o IBGE. “Enquanto janeiro foi caracterizado pela retomada da produção, após um dezembro marcado pela maior frequência de férias coletivas e paralisações técnicas, fevereiro se destaca pelo avanço da produção, possivelmente associado a um processo de recomposição de estoques em diferentes setores industriais”, disse André Macedo, gerente do IBGE. O setor vem enfrentando há tempos um cenário difícil, principalmente com o nível elevado da taxa básica de juros, que restringe o crédito, e analistas não preveem uma grande retomada. No mês passado, o BC reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75%, mas pregou cautela diante da guerra no Oriente Médio. Entre as atividades, as principais influências positivas em fevereiro vieram de veículos automotores, reboques e carrocerias (6,6%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,5%). Entre as grandes categorias econômicas, o destaque foi bens de capital, com alta de 2,3%. A produção de bens intermediários subiu 1,1%, enquanto a de bens de consumo duráveis avançou 0,9% e de bens de consumo semi e não duráveis teve alta de 0,7%.

REUTERS

INTERNACIONAL

China reporta 219 casos de febre aftosa em bovinos na região noroeste

O Ministério da Agricultura da China relatou surtos de febre aftosa em dois rebanhos de gado na província de Gansu, no noroeste do país, e na Região Autônoma Uigur de Xinjiang.

No sábado, o governo confirmou o diagnóstico de febre aftosa do sorotipo SAT1 em 219 bovinos de dois rebanhos que totalizam 6.229 cabeças de gado. Os governos locais em Xinjiang e Gansu implementaram medidas de abate e desinfecção após os surtos. Analistas do setor afirmam que esta é a primeira vez que o sorotipo SAT1 entra na China e que as vacinas nacionais atuais não oferecem proteção cruzada contra essa cepa.

REUTERS

Aftosa na China pode favorecer exportações brasileiras de carne bovina

Casos no país asiático podem ocasionar uma flexibilização nas salvaguardas aplicadas à importação da proteína

A detecção de dois surtos de febre aftosa na China pode favorecer uma eventual flexibilização nas salvaguardas aplicadas à importação de carne bovina por Pequim. A avaliação é de Lygia Pimentel, CEO da consultoria Agrifatto. Segundo ela, a tomada de decisão não deve ocorrer imediatamente e ainda vai depender do impacto da doença no rebanho chinês e a extensão dos focos do vírus. “Com certeza isso [a detecção dos focos] coloca no radar uma possível flexibilização das medidas de salvaguardas, mas acho que não vai acontecer já, só mais para frente, quando chegarmos mais perto de preencher a cota”, afirmou à reportagem. “É preciso avaliar até onde o surto vai. A febre é muito infecciosa, é difícil de controlar. Vamos ver o quanto isso vai se estender”, completou. Pimentel avaliou, no entanto, que o episódio é um “sinal verde” para as exportações de carne bovina do Brasil para lá. “Favorece nossos volumes”, concluiu. Os casos ainda não constam no sistema da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). O surto de febre aftosa na China mais recente relatado foi em outubro de 2025, com dez bovinos infectados e 120 animais abatidos e descartados. O caso foi considerado encerrado em dezembro. O Brasil tem uma cota de 1,1 milhão de toneladas em 2026. Entre janeiro e fevereiro, já entraram mais de 370 mil toneladas da proteína nos portos chineses, mais de 33% do total. A China aplicou uma cota geral, para os diversos fornecedores, de 2,6 milhões de toneladas neste ano. Mais de 23,3% foram preenchidos até fevereiro, com a importação de 627,8 mil toneladas, segundo o Ministério do Comércio chinês (Mofcom, na sigla em inglês). Há um alerta ainda sobre possíveis impactos na suinocultura local e no abastecimento de carne suína. O país é o maior produtor e maior consumidor mundial da proteína. A febre aftosa afeta animais do “casco partido”, como bovinos e suínos. Não há relatos de focos na suinocultura. A produção de suínos superou 59 milhões de toneladas de carne em 2025, com abate de mais de 719 milhões de animais.

VALOR ECONÔMICO 

Exportações de carne bovina da Austrália em março/26 registram o 2º maior volume da história

Impulsionadas pela forte demanda dos EUA e da China, embarques australianos atingiram 149.973 t, bem próximo do recorde anterior, de pouco mais de 150.000 t

Impulsionadas pela forte demanda contínua dos Estados Unidos e da China, as exportações da Austrália de carne bovina atingiram em março/26 o segundo maior nível mensal da história, informa o portal Beef Central. O volume total para todos os destinos de exportação no mês passado atingiu 149.973 toneladas, ficando ligeiramente abaixo do recorde anterior, de pouco mais de 150.000 toneladas, acrescenta a reportagem. Segundo o portal, em março/26, os embarques de carne bovina oriunda de animais alimentados com grãos registraram o maior volume mensal da história, atingindo 45.982 toneladas, um valor ligeiramente superior ao de dezembro do ano passado. No acumulado de janeiro a março deste ano, as exportações australianas somaram 365.199 toneladas, também um recorde histórico para o primeiro trimestre, superando em 17% o volume do mesmo período do ano passado (recorde anterior).

Dois países clientes importantes – os Estados Unidos e a China – impulsionaram o resultado quase recorde de março, embora tenha havido bons ganhos em alguns outros mercados, diz a Beef Central. “Mais uma vez, a demanda insaciável dos Estados Unidos, onde o rebanho bovino nacional continua em níveis próximos aos mínimos dos últimos 70 anos, impulsionou o resultado de março”, relatou o portal. Em março, os portos das costas leste e oeste dos EUA receberam 42.043 toneladas de carne bovina australiana refrigerada e congelada, um aumento de cerca de 10.000 toneladas, ou 30%, em relação ao mesmo mês do ano passado. Por sua vez, as exportações para a China ficaram bem abaixo dos volumes previstos por alguns analistas, que antecipam uma corrida frenética antes que a Austrália preencha sua cota de 205.000 toneladas para 2026 (conforme medidas de salvaguarda estabelecidas por Pequim desde o início deste ano). Porém, o volume de março/26 das exportações australianas para China, de 32.907 toneladas, ainda foi o terceiro maior da história, mas as previsões de mais de 40.000 toneladas ficaram bem longe da realidade, observa a Beef Central. Alguns analistas do setor, porém, sugerem que os embarques de abril/26 podem confirmar essa tendência.

BEEF CENTRAL

Exportações de carnes uruguaias registram crescimento duplo

As receitas em divisas para o Uruguai provenientes das exportações de todas as carnes mostraram um aumento significativo no acumulado de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, informou na semana o Instituto Nacional de Carnes (INAC).

No acumulado do ano até 21 de março, foram obtidos US$ 710,1 milhões, com alta de 7,1%. Isso tem como base a exportação de 140.828 toneladas (peso embarque), com queda de 9,47%. O preço médio atingiu US$ 5.042 por tonelada, com crescimento de 18,24%. Com foco na carne bovina (que representa a grande maioria do exportado pela agroindústria da carne), ela continua sendo o produto mais relevante do setor de agronegócios entre os principais geradores de bens exportáveis. Com dados da Uruguay XXI fechados até o final de fevereiro, as exportações de carne bovina cresceram 8% em relação ao mesmo período do ano passado. Principais mercados (todas as carnes): Estados Unidos + Canadá + México: 35% (US$ 251,2 milhões), com alta de 1,9%. China: 28% (US$ 195,7 milhões), com crescimento de 10,9% União Europeia: 18% (US$ 127,1 milhões), com aumento de 12,5%. Israel: 5% (US$ 37,1 milhões), com alta de 0,1%. Mercosul: 3% (US$ 23,4 milhões), com crescimento de 3,1%. Considerando exclusivamente as exportações de carne bovina (que representam 84% do total de divisas geradas por todas as carnes), as receitas aumentaram de 2025 para 2026 (sempre considerando até 21 de março) em 8,8%, totalizando US$ 593,2 milhões. Em volume (peso embarque), foram exportadas 79.029 toneladas, uma queda de 6,9%. Considerando a receita média das exportações, a carne bovina apresentou, entre janeiro e março de 2026, valor de US$ 7.506 por tonelada, com alta de 17% em relação ao mesmo período de 2025. Estados Unidos, Canadá e México respondem por 41% das receitas, com US$ 243,7 milhões (+7,6%) e demanda de 46.722 toneladas (peso carcaça) (+0,3%). China: 26%, com US$ 151,3 milhões (+18,1%) e 35.503 toneladas (-5,7%). União Europeia: 17%, com US$ 100,6 milhões (+1,7%) e 10.666 toneladas (-19,5%). Israel: 5%, com US$ 32,5 milhões (+7,6%) e 4.882 toneladas (-15,9%). Mercosul: 2%, com US$ 12,9 milhões (-15,7%) e 1.941 toneladas (-25,3%). O ano de 2025 terminou com receita recorde de US$ 3,25 bilhões em exportações de carnes (dos quais US$ 2,711 bilhões correspondem à carne bovina), com aumento de 26% em relação a 2024. Foram embarcadas 693.528 toneladas (peso embarque), com queda anual de 0,6%, e o valor médio foi de US$ 4.686 por tonelada, com crescimento de 25,1% em comparação com 2024.

EL OBSERVADOR

FRANGOS & SUÍNOS

Suínos/Cepea: Liquidez segue limitada por baixa demanda e incertezas sobre cenário externo

O período da Quaresma reduziu a demanda e manteve os preços do setor suinícola nacional enfraquecidos ao longo de março. Segundo o Cepea, o mercado nacional também foi impactado por especulações referentes ao atual cenário geopolítico.

As oscilações do dólar e a forte valorização do petróleo geraram incertezas e afastaram parte dos agentes da comercialização. Vale lembrar que o reduzido ritmo de negócios foi observado em todo o primeiro trimestre de 2026, mas acabou sendo reforçado em março. Para abril, as expectativas dos agentes consultados pelo Cepea seguem divididas. Parte deles mantém a cautela devido ao desempenho desfavorável do setor no primeiro trimestre, em termos de preços e de demanda interna. Já outros colaboradores estão com expectativa de uma possível reação, fundamentados no fim da Quaresma e no período de primeira quinzena do mês, quando geralmente parte da população tem maior poder de compra pelo recebimento de salários.

CEPEA

Quaresma mantém preços do suíno pressionados e mercado segue cauteloso em abril

Demanda enfraquecida, cenário geopolítico e incertezas econômicas impactam comercialização no primeiro trimestre de 2026

O mercado suinícola brasileiro atravessou um primeiro trimestre de 2026 marcado por baixa liquidez e pressão sobre os preços, cenário que se intensificou ao longo de março devido à menor demanda interna durante a Quaresma. De acordo com levantamento do Cepea, o consumo reduzido típico do período contribuiu para manter os valores do setor em patamares enfraquecidos. Além do fator sazonal, o desempenho do mercado também foi impactado por incertezas no cenário externo. Segundo o Cepea, especulações relacionadas ao contexto geopolítico global, aliadas às oscilações do dólar e à forte valorização do petróleo, geraram instabilidade e afastaram parte dos agentes das negociações. O enfraquecimento do mercado não se restringiu a março. Conforme o Cepea, o ritmo reduzido de negócios foi observado ao longo de todo o primeiro trimestre de 2026, refletindo um ambiente de cautela tanto por parte de produtores quanto da indústria. Esse cenário contribuiu para a manutenção de preços mais baixos, mesmo diante de uma oferta relevante e de exportações ainda firmes. Para abril, o mercado apresenta perspectivas distintas entre os agentes consultados pelo Cepea. Uma parcela mantém postura cautelosa, ainda influenciada pelos resultados negativos do trimestre, especialmente no que diz respeito à demanda interna e aos preços. Por outro lado, há agentes mais otimistas que apostam em uma possível recuperação do mercado. Essa expectativa está fundamentada principalmente em dois fatores: Caso esses elementos se confirmem, o setor pode registrar uma reação gradual nos preços do suíno vivo e da carne ao longo de abril. Os dados recentes das bolsas de suínos mostram diferenças importantes entre regiões produtoras. Em São Paulo, a Bolsa de Suínos da APCS definiu, em 25 de março, o preço do suíno vivo em R$ 7,20/kg, enquanto a carcaça variou entre R$ 10,00 e R$ 10,90/kg. Já em Mato Grosso, levantamento da Acrismat apontou cotação de aproximadamente R$ 6,30/kg para o suíno vivo no período entre 30 de março e 5 de abril. Em Minas Gerais, a referência recente indicou valores ao redor de R$ 6,80/kg, evidenciando a heterogeneidade do mercado nacional. O comportamento do mercado suinícola brasileiro nas próximas semanas deve continuar atrelado a fatores internos e externos.

SUINOCULTURA INDUSTRIAL 

Peste Suína Africana leva Filipinas a suspender importações de carne suína de Taiwan

O governo das Filipinas anunciou a suspensão temporária das importações de carne suína, suínos vivos e produtos derivados provenientes de Taiwan após a confirmação de um foco de Peste Suína Africana (PSA) na cidade de Taichung. A decisão foi tomada pelo Departamento de Agricultura como medida preventiva para conter possíveis riscos à produção nacional.

A notificação do surto foi realizada pelo Instituto de Pesquisa Veterinária de Taiwan à Organização Mundial de Saúde Animal, após a identificação de infecções em suínos criados em granjas. Diante da confirmação, as autoridades filipinas optaram por reforçar os protocolos sanitários e restringir a entrada de produtos potencialmente contaminados. A restrição abrange não apenas a carne suína in natura, tanto fresca quanto congelada, mas também produtos processados e insumos estratégicos, como sêmen suíno utilizado em programas de inseminação artificial. A medida amplia o controle sanitário e busca reduzir qualquer possibilidade de disseminação do vírus no território filipino. Além disso, todas as autorizações sanitárias e fitossanitárias de importação previamente concedidas para produtos de origem suína oriundos de Taiwan foram automaticamente canceladas. A decisão reforça o rigor das autoridades diante da gravidade da doença, que não possui vacina eficaz amplamente disponível e apresenta alta taxa de disseminação. Como parte das ações de contenção, agentes de quarentena veterinária foram orientados a intensificar a fiscalização nos principais portos do país. A diretriz inclui a interceptação e apreensão de cargas que não estejam em conformidade com a nova determinação, garantindo o cumprimento integral da proibição. O secretário da Agricultura, Francisco Tiu Laurel Jr., destacou que a medida é fundamental para preservar a cadeia produtiva da suinocultura filipina, considerada estratégica para a economia e para a segurança alimentar do país. O setor movimenta bilhões de pesos e emprega um contingente significativo de trabalhadores. A decisão evidencia a preocupação das autoridades com a biosseguridade e a necessidade de respostas rápidas diante de surtos internacionais de PSA.

DZRH / PHILIPPINE DEPARTMENT

Frango/Cepea: Movimento de queda é interrompido no final de março

O movimento de queda nos preços da carne de frango, que vinha sendo observado desde o começo de 2026, foi interrompido nos últimos dias de março.

Segundo pesquisadores do Cepea, a reação nos valores da carne esteve atrelada sobretudo ao encarecimento dos fretes. O conflito no Oriente Médio vem resultando em forte valorização do petróleo, o que, consequentemente, tem elevado os valores do diesel no Brasil. Com os fretes mais caros, agentes da indústria de frango de corte vêm repassando esses custos. Levantamento do Cepea mostra que praticamente todos os produtos acompanhados pelo Centro de Pesquisas apresentaram forte alta de preços entre 24 e 31 de março. Assim, o frango congelado negociado no atacado de São Paulo, que chegou a registrar forte desvalorização de 6,2% até o dia 19 de março, encerrou o mês com pequena queda de 0,3%. Já o cenário baixista observado ao longo do primeiro trimestre deste ano se deve especialmente ao descompasso entre a oferta e a demanda interna. Em termos comparativos, o frango inteiro congelado negociado no atacado da Grande São Paulo acumulou expressiva desvalorização de 9,4% entre janeiro e março.

CEPEA

Chile registra caso de gripe aviária; Brasil investiga 4 suspeitas

No fim de março, governo brasileiro prorrogou o estado de emergência zoossanitária para a doença no país. Na América do Sul, Argentina e Uruguai também registraram focos. Foco de gripe aviária no Chile ocorreu em uma criação doméstica

A Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) informou, na sexta-feira (3/4), a ocorrência de um caso de gripe aviária de alta patogenicidade no Chile. Exames laboratoriais confirmaram a infecção pela variedade H5N1 do vírus Influenza em um plantel de aves de criação doméstica. O relatório da Organização indica que, de 198 aves, 17 ficaram doentes e 15 morreram. As demais foram sacrificadas. O caso ocorreu na região de Magallanes. A confirmação veio no dia 22 de março e o comunicado para a entidade multilateral de saúda animal é do dia 27 do mês passado. A OMSA informou que as autoridades já estão adotando medidas de desinfecção e de vigilância na área de abrangência do foco da doença, como desinfecção do local, controle de movimentação de pessoas e animais, quarentena e zoneamento. O Chile não registrava casos da doença havia dois anos. O foco anterior foi de 3 de março de 2024. Não é o único caso recente de gripe aviária de alta patogenicidade na América do Sul. A Organização Mundial de Saúde Animal monitora também um foco identificado na Argentina no fim de março. O Uruguai também registrou um caso. No Brasil, o sistema de monitoramento do Ministério da Agricultura registrou 188 casos de gripe aviária desde a primeira detecção, em 15 de maio de 2023. Do total, 173 foram em aves silvestres, 14 em criações domésticas e um em um plantel comercial, o que motivou embargos ao país. O Ministério informa ainda que quatro investigações estão em andamento, ainda sem resultado conclusivo.

GLOBO RURAL

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