CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2682 DE 31 DE MARÇO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2682 | 31 de março de 2026

 

NOTÍCIAS

Subiu a cotação do boi gordo nas praças paulistas

A menor oferta sustenta o mercado, impulsionando as cotações. Com o fim do mês, as vendas no mercado interno estão menores, mas a oferta enxuta está sustentando o mercado. Dessa forma, a cotação do boi gordo subiu R$3,00/@, enquanto a das demais categorias permaneceu estável. A escala de abate estava, em média, para seis dias.

No Acre, a cotação não mudou para nenhuma das categorias. No mercado atacadista da carne com osso, com o fim do mês, as vendas no varejo perderam força ao longo da semana e, como consequência, os pedidos diminuíram. Ainda assim, a menor disponibilidade de carne ajudou a sustentar as cotações. Com isso, a cotação de todas as carcaças casadas subiu. A carcaça casada do boi capão subiu 1,5%, ou R$0,35/kg, e a do boi inteiro avançou 1,6%, ou R$0,35/kg. Entre as fêmeas, a cotação da carcaça casada da vaca subiu 1,9%, ou R$0,40/kg, e a da novilha subiu 1,6%, ou R$0,35/kg. A expectativa é de melhora nas vendas no varejo, o que deve repercutir também no atacado. Esse movimento deve vir com o pagamento dos salários, além do pagamento de benefícios e do Domingo de Páscoa, em 5 de abril. No mercado de proteínas alternativas, a cotação do frango médio subiu 6,5%, ou R$0,40/kg. A cotação do suíno especial caiu 4,8%, ou R$0,50/kg.

Scot Consultoria

Oferta limitada e exportações firmes sustentam o boi gordo no Brasil

Escalas reduzidas e demanda da China mantêm arroba firme no Brasil, mas esgotamento de cota pode pressionar mercado no 3º trimestre

O mercado físico do boi gordo registrou preços estáveis a mais altos ao longo da semana no Brasil, sustentado principalmente pela oferta interna limitada de animais terminados e pelo forte ritmo de exportações de carne bovina. Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Fernando Iglesias, o cenário atual é marcado por uma “anêmica oferta de animais terminados”, o que mantém escalas de abate encurtadas nos frigoríficos e sustenta os preços da arroba em diversas regiões do país. Outro fator decisivo para a firmeza das cotações é a demanda externa, com destaque para a China. De acordo com Iglesias, a dificuldade do governo brasileiro em renegociar o sistema de cotas fez com que importadores chineses e exportadores brasileiros acelerassem embarques, buscando aproveitar ao máximo o volume disponível na virada do ano. O analista alerta, no entanto, que a continuidade desse ritmo pode antecipar o esgotamento da cota destinada ao Brasil entre maio e julho. Caso isso se confirme, o terceiro trimestre pode registrar redução no fluxo de exportações, abrindo espaço para pressão baixista sobre os preços da arroba justamente em um período de maior oferta de animais confinados. No mercado físico, os valores do boi gordo a prazo em 26 de março ficaram assim: São Paulo (Capital): R$ 355,00/@, estável. Goiás (Goiânia): R$ 340,00/@, inalterado. Minas Gerais (Uberaba): R$ 340,00/@, sem mudanças. Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 345,00/@, alta de 1,47%. Mato Grosso (Cuiabá): R$ 350,00/@, avanço de 2,94%. Rondônia (Vilhena): R$ 315,00/@, alta de 1,61%. No atacado, apesar de leves sinais de reação nos preços ao longo da semana, o escoamento entre atacado e varejo segue mais lento no curto prazo, refletindo um consumo ainda contido. A carne de frango, por outro lado, continua com demanda aquecida, reforçando a migração do consumo para proteínas mais acessíveis, como ovos e embutidos. O quarto do dianteiro foi cotado a R$ 21,00/kg, alta de 2,44%, enquanto o traseiro bovino atingiu R$ 27,30/kg, avanço de 1,11% na comparação semanal. Nas exportações, o Brasil faturou US$ 966,208 milhões em março até o momento (15 dias úteis), com média diária de US$ 64,413 milhões. O volume embarcado chegou a 167,061 mil toneladas, com preço médio de US$ 5.783,50 por tonelada. Na comparação com março de 2025, houve alta de 16% no valor médio diário exportado, queda de 1,7% no volume e aumento de 18% no preço médio, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.

Safras News

ECONOMIA

Dólar à vista encerra sessão em leve alta com cenário global no radar

Operadores entenderam que a menor percepção global de risco, apesar das incertezas, e os ajustes de fim de mês podem ter evitado uma piora mais forte do câmbio nesta sessão

O dólar à vista operou boa parte da sessão perto da estabilidade, encerrando o dia em leve alta, com o temor sobre embates geopolíticos no Oriente Médio ainda presente. Operadores entenderam que, apesar da incerteza externa e dos preços do petróleo mais elevados, não houve uma piora brusca na percepção de risco. Isso, ao lado de ajustes de fim de mês, pode ter protegido o câmbio de uma depreciação mais intensa. Encerradas as negociações de hoje, o dólar à vista fechou negociado em alta de 0,12%, cotado a R$ 5,2477, depois de ter tocado a mínima de R$ 5,2240 e encostado na máxima de R$ 5,2668. Já o euro comercial recuou 0,39%, a R$ 6,0130. Perto das 17h10, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, avançava 0,31%, aos 100,506 pontos. A moeda americana também avançava ante divisas emergentes, em alta de 0,10% ante o rand sul-africano e 0,29% contra o florim húngaro. Ao longo da segunda-feira, o dólar à vista oscilou entre leves altas e leves quedas, em um ambiente de incerteza global. Gestores e brokers ouvidos pela reportagem disseram que, mesmo com o ambiente dos conflitos indefinidos, a não indicação de uma escalada nas tensões pode ter evitado uma piora dos mercados. “Mas também estamos no fim de mês, então começa aquela disputa pela cotação entre comprados e vendidos em dólar”, diz um profissional de uma corretora. Houve menção ao fato de que a taxa do dólar casado, que vinha pressionada nos últimos dias, começou a aliviar, já na indicação da virada de mês. No fechamento, com o dólar casado negociado a 1,80 ponto, a taxa estava rodando 8,50%, abaixo dos 13% que alcançou na sexta-feira. O banco americano J.P.Morgan, em relatório sobre moedas feito por estrategistas, diz que a alta dos preços do petróleo é um fator positivo para as contas fiscais e para a conta corrente do Brasil, a menos que haja uma forte deterioração do crescimento global. “O alto carry e a posição do Brasil como exportador de petróleo mantiveram o real resiliente durante o aumento da aversão ao risco, mantendo o prêmio de risco eleitoral bastante baixo no momento”, diz o banco.

Valor Econômico

Ibovespa fecha em alta com WEG em destaque

O Ibovespa fechou em alta na segunda-feira, após duas quedas seguidas, com as ações da WEG entre os principais suportes, endossadas por “upgrade” do Morgan Stanley, assim como papéis de petrolíferas, em mais um dia de avanço do petróleo no exterior.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,56%, a 182.569,92 pontos, de acordo com dados preliminares, chegando a 184.414,18 pontos na máxima e marcando 181.559,49 pontos na mínima. O volume financeiro no pregão somava R$22,9 bilhões antes dos ajustes finais.

Reuters

Mercado eleva projeções de altas do IPCA de 2026 para 4,31% e de 2027 para 3,84%, aponta Focus

Mediana das projeções dos economistas e analistas para o crescimento do PIB neste ano foi ajustada de 1,84% para 1,85%

 A mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação oficial brasileira em 2026 subiu de 4,17% para 4,31%, segundo o relatório Focus, do Banco Central (BC), divulgado na segunda-feira (30) com estimativas coletadas até a sexta-feira (27). Para 2027, a mediana das expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou de 3,80% para 3,84% e, para 2028, subiu de 3,52% para 3,57%. O IPCA 12 meses suavizado subiu de 4,07% para 4,10%. Para a taxa básica de juros (Selic), a mediana das estimativas se manteve em 12,50% em 2026, seguiu em 10,50% em 2027 pela 59ª semana e, para 2028, se manteve em 10% pela 10ª semana seguida. A mediana das projeções dos economistas do mercado para o crescimento da economia brasileira em 2026 subiu de 1,84% para 1,85%. Para 2027, a mediana das expectativas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) continuou em 1,80% pela 13ª semana, e, para 2028, seguiu em 2% pela 107ª semana seguida. A mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim de 2026 se manteve em R$ 5,40, segundo o relatório Focus. Para 2027, a mediana das expectativas para a moeda americana seguiu em R$ 5,45, e, para 2028, permaneceu em R$ 5,50 pela sétima semana seguida.

Valor Econômico

Déficit primário do governo central recua 8,4% em fevereiro, para R$30 bilhões

O governo central registrou um déficit primário de R$30,046 bilhões em fevereiro, informou o Tesouro Nacional na segunda-feira, resultado ligeiramente melhor que o esperado pelo mercado, com queda real de 8,4% em relação ao rombo do mesmo mês de 2025.

Esse foi o menor déficit primário para um mês de fevereiro desde 2022, quando o rombo foi de R$24,510 bilhões, conforme a série histórica do Tesouro. O desempenho do mês passado é resultado de receitas líquidas — que excluem transferências para governos regionais — de R$157,681 bilhões, um aumento real de 5,6% frente ao mesmo período de 2025, e despesas totais de R$187,727 bilhões, alta de 3,1%. Economistas consultados pela Reuters esperavam que o dado, que compreende as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social, seria deficitário em R$31,312 bilhões no mês. O crescimento real (descontada a inflação) da receita em fevereiro foi impulsionado, principalmente, pelo aumento de 4,1% nas receitas administradas pela Receita Federal (+R$5,5 bilhões) — com impacto de um aumento de 35,6% na arrecadação do IOF e de 8,1% na da Cofins — e pela alta de 5,6% na arrecadação líquida para o Regime Geral de Previdência Social (+R$3,1 bilhões). No caso das despesas, o avanço real no mês passado deveu-se principalmente aos aumentos das despesas discricionárias (+R$5,4 bilhões), dos gastos com pessoal e encargos sociais (+R$2,2 bilhões) e dos benefícios previdenciários (+R$1,7 bilhão). No acumulado dos dois primeiros meses de 2026, o governo central registrou um superávit primário de R$56,854 bilhões, graças ao resultado positivo de janeiro. O saldo representa uma alta real de 1,4% em relação ao verificado no mesmo período do ano passado. Os déficits primários pressionam a dívida bruta brasileira, atualmente em 78,7% do Produto Interno Bruto (PIB), e que também sofre o impacto dos juros altos. Durante entrevista para apresentação dos dados do governo central, o secretário do Tesouro, Daniel Leal, foi questionado sobre a possibilidade de o ciclo de cortes da taxa básica Selic, hoje em 14,75% ao ano, não ser tão grande quanto se esperava — o que afetaria negativamente a trajetória da dívida. Segundo ele, porém, em todos os cenários traçados pelo Tesouro a dívida “continua sustentável”. No boletim Focus divulgado na segunda-feira pelo Banco Central, a mediana das projeções dos economistas para a Selic no fim deste ano está em 12,50% — acima dos 12,00% de um mês atrás, antes da guerra.

Reuters

IGP-M sobe 0,52% em março com sinais de impacto da guerra contra o Irã no petróleo, diz FGV

O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) passou a subir 0,52% em março depois de ter recuado 0,73% no mês anterior, com sinais de impacto da alta do petróleo devido ao conflito no Oriente Médio, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) na segunda-feira.

O dado veio em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters e o índice passou a acumular em 12 meses deflação de 1,83%. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do índice geral e apura a variação dos preços no atacado, avançou 0,61% em março, depois de ter recuado 1,18% no mês anterior. “O IPA mantém-se sob forte influência da agropecuária, com destaque para as contribuições de bovinos, ovos, leite, feijão e milho, que ajudaram a impulsionar a aceleração do índice”, disse Matheus Dias, economista do FGV IBRE. “O subgrupo Produtos Derivados do Petróleo no IPA-M apresentou inflexão relevante na margem, ao passar de -4,63% em fevereiro para 1,16% em março … Esse movimento está associado à elevação da percepção de risco sobre a oferta global de petróleo, diante da intensificação do conflito envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã, o que tem pressionado as cotações”, completou. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem peso de 30% no índice geral, avançou 0,30% em março, repetindo a taxa do mês anterior. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) passou a subir no período 0,36%, de uma alta de 0,34% em fevereiro.

Reuters 

EMPRESAS

JBS capta US$ 2 bilhões com bonds

Emissão foi dividida em duas tranches com vencimentos de 11 e 31 anos e taxas ficaram abaixo das inicialmente indicadas

A JBS reabriu a temporada de emissões de dívida em dólar com uma captação de US$ 2 bilhões. Em uma oferta marcada pela forte demanda — que chegou aos US$ 9 bilhões ao longo dia, segundo fontes — a produtora de proteína animal emitiu duas tranches. Na primeira, com vencimento em 11 anos, a empresa levantou R$ 1,25 bilhão com taxa de 1,3% acima do T-note (título do Tesouro americano) de mesmo vencimento (cupom de 5,625%). Na segunda, de 31 anos, foram captados US$ 750 milhões com taxa de 1,55% acima do T-note (cupom de 6,400%). As taxas eram indicadas inicialmente em 1,6% e 1,85% acima dos Treasuries, respectivamente. A companhia vai usar parte do dinheiro na recompra de outros bonds. A ideia é recomprar até US$ 1 bilhão no montante principal agregado das Notas Sênior de 6,750% com vencimento em 2034 e das Notas Sênior de 5,950% com vencimento em 2035. Os recursos restantes serão destinados a fins corporativos gerais, conforme informado pela empresa. A liquidação da operação está prevista para 13 de abril, sujeita às condições usuais de fechamento. A emissão mais recente da JBS ocorreu em junho de 2025, quando a produtora de proteína captou US$ 3,5 bilhões na maior oferta de sua história. O “book” atingiu US$ 16,7 bilhões, volume quase cinco vezes maior que a oferta, e os papéis foram divididos em três tranches. A mais curta, de dez anos, teve taxa de 1,25% acima do T-note (título do Tesouro americano) de mesmo vencimento e “yield” (rendimento) de 5,572%. A segunda tranche, de 30 anos, fechou com taxa equivalente à dos Treasuries mais 1,4% e “yield” de 6,265%. A terceira tranche, de 40 anos, foi outro marco da operação, já que pela primeira vez uma companhia do país emitiu títulos com esse prazo. A taxa ficou em 1,55% acima dos Treasuries e o “yield”, em 6,415%.

Valor Econômico 

GOVERNO

Inadimplência renova recorde e chega a 7,4% no crédito rural

Número de operações com mais de 90 dias de atraso é o maior já registrado pelo Banco Central. Índice recorde de inadimplência entre produtores rurais pessoas físicas é puxado pelos atrasos em operações de crédito com taxas de mercado, que chegaram a 13,8% em fevereiro

A inadimplência no crédito rural voltou a crescer e chegou ao novo recorde de 7,4% entre as pessoas físicas em fevereiro, de acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas nesta segunda-feira (30/3) pelo Banco Central. Há um ano, no mesmo mês de 2025, o índice estava em 2,9%, o que mostra a aceleração do número de operações com mais de 90 dias de atraso no sistema financeiro atualmente. Houve aceleração em relação a janeiro de 2026, quando a inadimplência estava em 7,1% entre as pessoas físicas. Antes desse salto iniciado ainda em 2024, o nível mais alto para a categoria havia sido registrado em outubro de 2017, de 3,3%. O índice recorde de inadimplência entre produtores rurais pessoas físicas é puxado pelos atrasos em operações de crédito com taxas de mercado, que chegaram a 13,8% em fevereiro, patamar inédito na série histórica iniciada em 2011. No mesmo mês do ano passado estava em 4,7%. Nos financiamentos com juros controlados, a inadimplência subiu para 2,8% contra 1,4% em fevereiro de 2025. Mesmo assim, não é recorde. Em 2017 e 2018, esse índice chegou a 3%. No caso das pessoas jurídicas, a inadimplência também subiu e chegou a 0,7% no geral. Nas operações com taxas de mercado o índice chegou a 0,8% em fevereiro, enquanto nos financiamentos controlados o patamar caiu de 0,4% para 0,3%. Segundo o Banco Central, o saldo de recursos direcionados aplicados em operações de crédito rural para pessoas físicas somou R$ 572,9 bilhões em fevereiro de 2026, com R$ 332,1 bilhões a taxas controladas e R$ 240,8 bilhões a juros de mercado. Para pessoas jurídicas foram outros R$ 114,6 bilhões. Já as concessões de recursos no período desaceleraram. Foram apenas R$ 9,7 bilhões em operações de crédito rural para pessoas físicas em fevereiro de 2026. Em janeiro haviam sido desembolsados R$ 10 bilhões e em dezembro de 2025, R$ 18,3 bilhões. Na comparação com fevereiro de 2025, a redução é ainda maior. Naquele mês foram liberados R$ 11,6 bilhões a taxas livres e reguladas. No somatório do Plano Safra 25/26, de julho do ano passado até fevereiro de 2026, o Banco Central considera a concessão de R$ 152,2 bilhões de crédito rural para pessoas físicas, mais de dois terços a taxas controladas. A taxa média de juros no período ficou em 11,7% ao ano, com quedas mensais. Ao considerar apenas fevereiro de 2026, os juros estavam em 10,2% ao ano, apontou o BC. Nas operações a taxas de mercado, a queda foi mais acentuada. Começou o ano-safra, em julho de 2025, a 16,8% ao ano e chegou a 12,4% em fevereiro. Nos financiamentos com juros regulados, os índices saíram de 10% para 8,6% ao ano ao considerar todas as linhas e públicos. A concessão de financiamentos para pessoas jurídicas foi de R$ 4,2 bilhões em fevereiro. No acumulado de oito meses do Plano safra 25/26, os valores concedidos a empresas do agronegócio somaram R$ 49,5 bilhões, segundo o BC. A taxa média de juros no período é de 13,1%.

Globo Rural

CARNES 

Conflito no Oriente Médio: exportadores brasileiros redirecionam remessas de carne bovina e de frango

A guerra, ressalta o texto da Reuters, aumentou os riscos para dois dos maiores negócios de exportação de carne do Brasil

O conflito armado envolvendo EUA-Israel-Irã e, consequentemente, o quase fechamento do Estreito de Ormuz, obrigaram os exportadores brasileiros de carne bovina e de frango a redirecionar os embarques e absorver custos mais altos para manter o fluxo de suprimentos, relata reportagem da agência Reuters. A guerra, ressalta o texto da Reuters, aumentou os riscos para dois dos maiores negócios de exportação de carne do Brasil, especialmente o de aves, que é fortemente exposto ao Oriente Médio. No entanto, reforça a reportagem, os exportadores brasileiros disseram que estavam encontrando rotas marítimas e terrestres alternativas para atender aos compradores da região, enquanto a forte demanda em outros lugares estava ajudando a amortecer o impacto no comércio de carne bovina. A Abrafrigo, associação do setor de carne bovina, afirmou que o Brasil, maior exportador mundial da commodity, tem redirecionado os embarques para mercados como os EUA, a União Europeia, o Chile e a Rússia, enquanto a oferta global mais restrita de gado também está sustentando a demanda. Nos dois primeiros meses de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina fresca e processada, incluindo miúdos e outros subprodutos, aumentaram 39% em valor, para US$ 2,865 bilhões, enquanto os volumes cresceram 22%, para 557.240 toneladas, informou a Abrafrigo. Ao mesmo tempo, destaca a Reuters, o setor de carne bovina está se adaptando às medidas de salvaguarda da China sobre as importações, que limitam o acesso do Brasil a uma cota de 1,1 milhão de toneladas sujeita a uma tarifa menor; volumes acima desse limite estão sujeitos a uma alíquota mais alta de 55%. O presidente da ABPA (Associação Brasileira de Exportadores de Frango), Ricardo Santin, disse à Reuters que as exportações de março estavam a caminho de superar as 476.000 toneladas enviadas no mesmo mês do ano passado. Os exportadores brasileiros de frango, segundo relata a Reuters, disseram que os embarques continuavam fluindo para os principais mercados do Oriente Médio, apesar da crise logística. Para manter a carga em movimento, os exportadores de frango redirecionaram os embarques pelo Mar Vermelho e Canal de Suez e usaram portos alternativos e transporte terrestre para alcançar compradores no Iraque, Catar, Emirados Árabes Unidos e outros países da região, disse Santin à Reuters. “Essas são alternativas que levam mais tempo e são mais caras”, afirmou ele, acrescentando que os custos mais altos de combustível, armazenamento, transporte e risco de guerra estavam sendo compartilhados em parte com os importadores que buscam manter seus estoques. O Oriente Médio representou cerca de 30% das exportações brasileiras de frango em 2025, segundo o Datagro, tornando a avicultura um dos setores agropecuários brasileiros mais expostos ao conflito. Mesmo assim, Santin afirmou à Reuters que não havia sinais de acúmulo de excesso de oferta no mercado interno.

Portal DBO

Santa Catarina lança Coopera Agro SC e libera até R$ 1 bilhão em crédito para produtores

Programa oferece juros fixos, carência de dois anos e prazo de até oito anos para impulsionar investimentos em suínos e aves integrados a cooperativas e agroindústrias. 

Mais crédito, menos custo e mais tempo para investir. É com essa lógica que o Governo de Santa Catarina lançou o Programa Coopera Agro SC, que vai fomentar até R$ 1 bilhão em financiamentos destinados para produtores rurais de suínos e aves integrados às cooperativas e agroindústrias. Esse é um dos maiores programas estaduais do país de financiamento para o agronegócio, no setor de proteína animal. O lançamento foi realizado pelo governador Jorginho Mello no sábado, 28, na abertura da 19ª ExpoCampos 2026, em Campos Novos. O Coopera Agro SC tem potencial de gerar até R$ 26 bilhões em impacto econômico, criar cerca de 40 mil empregos diretos e indiretos e beneficiar mais de 120 mil produtores rurais em Santa Catarina. Os financiamentos terão taxa de juros fixa de 9% ao ano, dois anos de carência e oito anos para quitação. Instituído pela Lei nº 19.666 e sancionado pelo governador Jorginho Mello em dezembro de 2025, o programa é coordenado pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) e operacionalizado pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), a construção teve participação efetiva da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF) e Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan). O objetivo é ampliar a competitividade do campo, destravar investimentos e promover desenvolvimento sustentável em todas as regiões catarinenses. Os financiamentos serão destinados prioritariamente a projetos de infraestrutura de produção, gestão hídrica e melhoria da eficiência produtiva; modernização tecnológica e automação; sustentabilidade ambiental e redução de emissões e produção de insumos estratégicos para o agronegócio catarinense. A operacionalização financeira será conduzida em parceria entre o Governo do Estado e BRDE, por meio da aquisição de Letras Financeiras com prazo de 10 anos. Os recursos serão viabilizados por meio de subprogramas de crédito operados pelo BRDE, com aporte de até R$ 200 milhões do Estado e até R$ 800 milhões do setor privado, inclusive com a possibilidade de utilização de créditos acumulados de ICMS.

O programa é constituído por um Comitê Gestor do Programa Coopera Agro SC, com representantes da Sape, da Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan), da Secretaria de Estado da Fazenda (SEF) e do BRDE, responsável por acompanhar a execução do programa, monitorar resultados e propor aperfeiçoamentos.

Secom GOVSC

FRANGOS & SUÍNOS

Ritmo de negócio acirrado e cautela nas compras da indústria estabiliza cotações da carne suína

A semana passada registrou preços estáveis no quilo vivo e nos principais cortes de carne suína do atacado. Segundo o analista de Safras & Mercado, Allan Maia, o cenário para as cotações seguiu difícil, em meio a um ritmo de negócios acirrado.

O analista explica que a indústria esteve cautelosa nas compras, avaliando que a tendência para a reposição entre atacado e varejo é desafiador até o fechamento do mês. “Foi considerado o processo de descapitalização da população e as cotações fragilizadas da concorrente, a carne de frango, como pontos negativos para a busca pelos cortes suínos na ponta final”, disse. “O ambiente para formação de preços no mercado só não é pior por conta do ótimo fluxo da exportação brasileira de carne suína”, resume. Levantamento de Safras & Mercado apontou que a média de preços do quilo do suíno vivo no país caiu de R$ 6,60 para R$ 6,59 na semana. A média de preços pagos pelos cortes de carcaça no atacado ficou em R$ 10,15 e a média do pernil foi de R$ 12,04. A análise de preços de Safras & Mercado apontou que a arroba suína em São Paulo caiu de R$ 133,00 para R$ 132,00. Na integração do Rio Grande do Sul, o quilo vivo continuou em R$ 6,35 e no interior do estado em R$ 6,90. Em Santa Catarina, o preço do quilo na integração seguiu em R$ 6,35 e no interior catarinense em R$ 6,65. No Paraná, o preço do quilo vivo teve estabilidade de R$ 6,85 no mercado livre e, na integração, de R$ 6,40. No Mato Grosso do Sul, a cotação em Campo Grande permaneceu em R$ 6,50 e, na integração, seguiu em R$ 6,30. Em Goiânia, os preços continuaram em R$ 6,50. No interior de Minas Gerais, os preços tiveram estabilidade de R$ 6,60 e, no mercado independente, seguiu em R$ 6,80. Em Mato Grosso, o preço do quilo vivo em Rondonópolis permaneceu em R$ 6,50 e, na integração do estado, em R$ 6,20. As exportações de carne suína “in natura” do Brasil renderam US$ 224,939 milhões em março (15 dias úteis), com média diária de US$ 14,996 milhões. A quantidade total exportada pelo país no período chegou a 89,282 mil toneladas, com média diária de 5,952 mil toneladas. O preço médio ficou em US$ 2.519,4. Em relação a março de 2025, houve avanço de 10,5% no valor médio diário, alta de 10,2% na quantidade média diária e evolução de 0,3% no preço médio. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Agência Safras

Sanidade na avicultura: doença de Newcastle avança na Alemanha e acende alerta no setor europeu

A Doença de Newcastle voltou a preocupar a avicultura europeia após registrar rápida disseminação na Alemanha. Desde a confirmação do primeiro caso em 20 de fevereiro — o primeiro em três décadas no país — o número de ocorrências subiu para 40 até 24 de março, conforme dados do Instituto Friedrich-Loeffler (FLI).

O impacto sanitário já é expressivo, atingindo tanto grandes granjas comerciais de frango, perus e aves de postura quanto pequenas propriedades. Estimativas indicam que mais de 2 milhões de aves morreram ou foram abatidas como parte das medidas de contenção da doença, refletindo o elevado risco econômico e produtivo para o setor. Os focos da doença estão concentrados principalmente nas regiões da Alemanha que fazem fronteira com Polônia e República Tcheca, áreas onde a enfermidade já havia sido registrada anteriormente. Segundo o FLI, a pressão de infecção aumentou significativamente nos primeiros meses do ano, exigindo a adoção de medidas sanitárias rigorosas para evitar a disseminação descontrolada do vírus. Especialistas destacam a necessidade de ações abrangentes e coordenadas, incluindo monitoramento intensivo, restrições de movimentação e reforço das práticas de biosseguridade nas propriedades avícolas. As análises laboratoriais indicam que os vírus identificados pertencem ao genótipo VII.1.1, já presente na Europa Oriental desde 2023. Esse perfil viral tem apresentado características que dificultam a detecção precoce, especialmente em aves jovens. Em perus mais velhos, previamente imunizados, foi observada proteção contra manifestações graves da doença. No entanto, em aves jovens, ainda sem imunidade consolidada, o quadro clínico pode evoluir de forma lenta e com sintomas iniciais inespecíficos. Após cerca de dez dias, surgem sinais mais evidentes, como problemas respiratórios, diarreia com fezes esverdeadas e, em alguns casos, comprometimento neurológico. Esse atraso na manifestação clínica aumenta o risco de disseminação silenciosa do vírus dentro das granjas, dificultando o controle imediato dos surtos. A vacinação permanece como a principal estratégia de controle da doença de Newcastle. Na Alemanha, a imunização é obrigatória para aves criadas em confinamento, incluindo frango e perus. As vacinas atualmente utilizadas, baseadas em genótipos distintos, seguem eficazes também contra o genótipo identificado nos surtos recentes.

Poultry World

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