
Ano 11 | nº 2680 | 27 de março de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo: alta na cotação da novilha em São Paulo
Mercado firme após altas, com novilha em valorização e escalas curtas.
Após as altas da cotação do boi gordo e do “boi China” na terça e na quarta-feira, o mercado abriu o dia com preços firmes para os machos e pagou R$2,00/@ a mais para a novilha. A cotação da vaca não havia mudado. As escalas de abate atendiam, em média, a seis dias. Em Alagoas, na comparação feita dia a dia, houve alta de R$5,00/@ na cotação da novilha. Para o boi gordo e para a vaca, estabilidade. Em Minas Gerais, com escalas curtas, uma ponta vendedora firme e oferta enxuta, o mercado havia aberto o dia com altas em três das quatro praças pecuárias mineiras. No Triângulo Mineiro, a cotação do boi gordo subiu R$2,00/@. A cotação da vaca e a da novilha não havia mudado. Na região de Belo Horizonte, a cotação do boi gordo subiu R$3,00/@. Para a vaca e para a novilha, estabilidade. Na região Norte, a cotação subiu para todas as categorias. Para o boi gordo, a alta foi de R$2,00/@. Para a vaca, a alta foi de R$5,00/@ e para a novilha, alta de R$3,00/@. Na região Sul, a cotação não havia mudado. Para o “boi China”, alta de R$5,00/@. As escalas de abate não superavam uma semana.
SCOT CONSULTORIA
Alta do boi gordo ganha força com oferta restrita e demanda externa aquecida
Preços sobem no mercado físico e na B3 diante de escalas curtas e corrida por exportações para a China. O mercado físico do boi gordo voltou a registrar elevação nos preços ao longo da semana, sustentado principalmente pela oferta restrita de animais terminados. Com menos disponibilidade, as escalas de abate seguem encurtadas, o que mantém o poder de barganha nas mãos dos pecuaristas.
Outro fator determinante para o movimento de alta está no ritmo acelerado das exportações de carne bovina, com forte atuação de compradores da China. Importadores chineses e exportadores brasileiros têm intensificado os embarques para garantir maior participação dentro da cota estabelecida pelo país asiático no início do ano. No atual ritmo, a expectativa é de que essa cota destinada ao Brasil seja totalmente utilizada entre maio e julho. Caso isso se confirme, as exportações no terceiro trimestre podem perder força, impactando o fluxo de embarques. Na B3, o pregão da última quarta-feira também refletiu esse cenário, com alta relevante nos principais contratos futuros. O movimento acompanha a valorização no mercado físico, onde já há registros de negociações próximas a R$ 360 por arroba à vista. A forte demanda internacional, especialmente chinesa, segue como principal motor dessa valorização. Diante da possibilidade de esgotamento da cota, cresce entre os agentes a estratégia de travamento de preços, como forma de garantir margens em meio à volatilidade do mercado.
SAFRAS NEWS
Boi/Cepea: Preços da carne bovina seguem firmes em março
Com as exportações em patamares elevados e com a menor disponibilidade interna, os preços da carne bovina negociada no atacado da Grande São Paulo seguem firmes ao longo de março, diferentemente do observado para as proteínas concorrentes, como suínos e frango, que registram desvalorizações ao longo do mês.
A firmeza nos preços da carcaça casada bovina é observada mesmo durante este período de Quaresma, quando o consumo de carne bovina tende a recuar, e diante da maior competitividade das proteínas substitutas. Segundo o Cepea, no caso dos suínos, o aumento da produção acima do consumo tem pressionado os valores e mantido as margens dos produtores apertadas, especialmente diante dos custos elevados. Já o mercado de frango segue em trajetória de queda, refletindo a combinação de oferta abundante e demanda interna enfraquecida. Na parcial deste mês (de 27 de fevereiro a 24 de março), dados do Cepea apontam que a carcaça casada bovina registra estabilidade nos preços, enquanto a carcaça suína apresenta desvalorização de 1,54% e o frango resfriado, de expressivos 6,35%.
CEPEA
Grupo vai propor melhorias para sustentabilidade da carne bovina brasileira
Propostas buscarão aumentar transparência na cadeia em termos de sustentabilidade e rastreabilidade. Objetivo é melhorar a rastreabilidade e práticas sustentáveis da cadeia de fornecimento da carne bovina
O Ministério da Agricultura criou, na quinta-feira (26/3), um grupo de trabalho com a finalidade de criar propostas para aumentar a transparência na cadeia de fornecimento de carne bovina em termos de sustentabilidade e rastreabilidade. A intenção é formular propostas voltadas à promoção da transparência, da integração de informações públicas e privadas, do uso de bases oficiais de dados e de ferramentas de rastreabilidade e práticas agropecuárias sustentáveis aplicáveis à cadeia de fornecimento de carne bovina. O grupo de trabalho será formado por entidades como a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), além de representantes do ministério e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O grupo deverá prospectar e avaliar critérios, parâmetros e prazos de políticas e iniciativas de rastreabilidade e práticas sustentáveis agropecuárias da cadeia de fornecimento da carne bovina. Caberá ao colegiado propor critérios para harmonizar as políticas e iniciativas do Ministério da Agricultura voltadas à rastreabilidade bovina e à produção agropecuária sustentável e as demais iniciativas e parâmetros de natureza técnica incidentes sobre a cadeia de fornecimento de carne bovina. O grupo deverá promover a interlocução técnica entre o governo, o setor financeiro e o setor produtivo e propor soluções financeiras para o setor, “com ganhos de eficiência e sustentabilidade, alinhadas às políticas e iniciativas do Ministério da Agricultura”, diz a portaria publicada no Diário Oficial da União. O GT Carne Bovina Sustentável- Cadeia de Fornecimento terá o prazo de 90 dias, prorrogáveis por mais 30, para apresentar as propostas ao ministério.
VALOR ECONÔMICO
Exportação de bovinos vivos em fevereiro
No primeiro bimestre de 2026, foram exportadas 220,3 mil cabeças de bovinos. A exportação brasileira de gado foi recorde em 2025, cujo embarque foi de 1,05 milhão de bovinos. Até então, o melhor desempenho havia sido em 2024.
No primeiro bimestre de 2026, foram embarcadas 220,3 mil cabeças, 44,9% a mais do que no mesmo período do ano passado. Esse volume foi sustentado principalmente pelos embarques de janeiro. Em janeiro, a exportação foi de 169,5 mil cabeças, o maior volume registrado em um único mês. Em fevereiro, foram embarcadas 50,7 mil cabeças, uma queda de 27,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O faturamento também acompanhou o crescimento, ano a ano. Em fevereiro, o Pará liderou a exportação, respondendo por 49,2% dos embarques, o equivalente a 27,1 mil cabeças. Na sequência vêm, o Rio Grande do Sul, com 17,6 mil cabeças, Mato Grosso, com 1,1 mil, e Roraima, com 50 cabeças exportadas. Ainda, 4,7 mil cabeças têm origem não declarada pela Secex. No período, os compradores foram: Egito, com 41,7% das compras, Turquia (34,4%), Iraque (12,1%), Marrocos (5,5%), Líbano (4,2%),
Para 2026, a exportação deve permanecer firme. Porém, há pontos de atenção: o custo do frete e as rotas podem ser alongadas devido ao conflito no Oriente Médio, considerando que os principais países compradores compõem a região.
SCOT CONSULTORIA
Governo deve se abster de arbitrar cota de carne bovina para a China
Sem apoio do Executivo, frigoríficos agora querem crédito no Plano Brasil Soberano para mitigar perda de receita
Apesar do pedido do setor exportador, o tema não entrou na pauta da reunião da quinta (26) do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) e não há garantias de que será analisado nos próximos encontros. Sem a regulação, os frigoríficos querem crédito no Plano Brasil Soberano para mitigar a perda de receita projetada. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) informou ao governo que é contra a regulação estatal dos embarques, apurou o Valor. Em carta enviada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a entidade alertou que o controle oficial poderia prejudicar os preços recebidos pelos pecuaristas e criar “reservas de mercado” aos grandes frigoríficos, com pressões regionais sobre a cotação da arroba do boi. O governo levou o argumento em consideração para travar o andamento da proposta, apurou o Valor. Houve ainda a queixa de um frigorífico de pequeno porte, que sinalizou a possibilidade de recorrer ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) caso o Executivo avançasse com a medida. Procurado, o MDIC não respondeu. A CNA disse ao governo que a regulação deixaria os pecuaristas “à mercê” da indústria. A entidade relatou preocupação com a possível falta de transparência nas informações sobre o cumprimento da cota. Pecuaristas temiam que frigoríficos pudessem alegar já ter preenchido seu volume e tentar negociar cotação menor pelo boi China, sem a devida comprovação de que aquela carne seria ou não embarcada para o país asiático. Os pecuaristas também acreditam que a China não vai interromper as compras depois que atingir a cota. Há um movimento de antecipação das importações, para garantir preço mais barato, sem tarifa extra de 55%, mas a expectativa é que a demanda deve seguir aquecida no país. Procurada, a CNA não respondeu. A posição da indústria é oposta à dos pecuaristas. Estudos econômicos e jurídicos foram entregues ao Executivo para basear a criação de um sistema oficial de divisão dos volumes entre os frigoríficos e de monitoramento governamental dos embarques. Segundo os exportadores, a distribuição dos volumes e a regularidade de fornecimento podem sustentar as cotações do produto no exterior e dar estabilidade ao mercado nacional. Sem isso, poderá haver desorganização, com queda e desvalorização das vendas externas, e consequente desequilíbrio de caixa nos frigoríficos. A avaliação dos frigoríficos exportadores agora é que a posição do governo vai gerar danos à cadeia pecuária brasileira a médio prazo. O setor está preocupado com o passo seguinte ao esgotamento da cota, o que poderá ocorrer ainda no primeiro semestre. Dados de importação da China consideraram a entrada de mais de 372 mil toneladas de carne brasileira em janeiro e fevereiro, 33,6% da cota de 1,1 milhão de toneladas em 2026. Em Brasília, a avaliação é a de que o tema pode voltar à mesa do governo mais para frente, caso haja reflexos nos preços internos. Uma fonte que acompanha o assunto disse que eventual pressão pode levar o Executivo a avaliar o controle da cota para 2027 e 2028. Sem a implementação de um sistema de controle das cotas, a análise de momento é que os frigoríficos de pequeno porte serão prejudicados e que as grandes multinacionais poderão ocupar o restante da cota rapidamente. Com a negativa do governo e a inviabilidade de um acordo setorial na distribuição da cota, que pode ser encarado como cartel, a estratégia dos frigoríficos será buscar outras medidas para mitigar eventuais prejuízos com a redução do mercado chinês e, possivelmente, do faturamento das vendas por conta de pressão nos preços. Um dos pedidos é a extensão de linhas de financiamento do Plano Brasil Soberano, incrementado hoje com R$ 15 bilhões para empresas afetadas pela guerra no Irã, aos frigoríficos possivelmente impactados na exportação para a China.
VALOR ECONÔMICO
ECONOMIA
Dólar supera R$5,25 impulsionado por preocupações com a guerra
As preocupações com os efeitos econômicos da guerra no Oriente Médio voltaram a impulsionar o dólar ao redor do mundo na quinta-feira, com a moeda terminando a sessão no Brasil acima dos R$5,25, mesmo após o Banco Central ter injetado US$1 bilhão no mercado.
O dólar à vista fechou com alta de 0,70%, aos R$5,2574. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 4,22%. Às 17h06, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro – subia 0,57% na B3, aos R$5,2625. Os rendimentos dos Treasuries e o petróleo voltaram a subir nesta quinta-feira no exterior, em função da continuidade dos conflitos no Oriente Médio. Enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que os negociadores iranianos estavam “implorando” por um acordo, o Irã disse que o plano norte-americano de cessar-fogo está sob análise, mas que não há negociações. Mais tarde, Trump afirmou que o Irã havia permitido que dez petroleiros passassem pelo Estreito de Ormuz. Neste cenário, a moeda norte-americana sustentava ganhos ante divisas de países emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano, o peso mexicano e o real. No início da tarde, o Banco Central do Brasil realizou dois leilões extraordinários de linha (venda de dólares com compromisso de recompra), com venda total de US$1 bilhão. Entre profissionais ouvidos pela Reuters, a percepção é de que o BC atuou no mercado à vista para melhorar a liquidez, em meio à demanda pela moeda para remessas ao exterior. “Está faltando dólar no mercado à vista. E na falta de liquidez, o BC faz o leilão”, comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. Durante entrevista coletiva em Brasília, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que as intervenções da instituição no mercado de câmbio estão seguindo a “orientação de sempre”.
Desde que a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã começou, no fim de fevereiro, o BC tem promovido algumas operações para minimizar os efeitos do conflito no mercado de câmbio. O BC fez em diferentes datas o “casadão” (venda de dólares à vista simultaneamente à negociação de contratos de swap reverso) e leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra).
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com dúvidas sobre desfecho no Oriente Médio
O sinal negativo prevaleceu na bolsa paulista na quinta-feira, com a aversão a risco global desencadeada por incertezas envolvendo um desfecho para o conflito no Oriente Médio voltando a derrubar o Ibovespa após três altas seguidas.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,48%, a 182.681,98 pontos, de acordo com dados preliminares, chegando a 182.570,44 pontos na mínima e marcando 185.423,77 pontos na máxima do dia. O volume financeiro somava R$23,85 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Prévia da inflação de março fica em 0,44%, pressionada por alimentos
Em 12 meses, IPCA-15 acumula 3,9%, dentro da meta do governo
A prévia da inflação oficial do mês de março ficou em 0,44%, pressionada para cima pelo preço dos alimentos. O resultado mostra perda de força em relação ao 0,84% apurado em fevereiro.
A prévia fica abaixo também do índice medido em março de 225 (0,64%). Em 12 meses, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) acumula alta de 3,9%, dentro da meta do governo, que tolera até 4,5% ao ano. Os dados foram divulgados na quinta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os nove grupos de preços pesquisados pelo IBGE apresentaram alta na passagem de fevereiro para março. O destaque de alta foram os alimentos e bebidas, com elevação média dos preços de 0,88%, o que representou impacto de 0,19 ponto percentual (p.p.) no IPCA-15. Alimentação e bebidas: 0,88% (impacto de 0,19 p.p.). Habitação: 0,24% (0,04 p.p.). Artigos de residência: 0,37% (0,01 p.p.). Vestuário: 0,47% (0,02 p.p.). Transportes: 0,21% (0,04 p.p.). Saúde e cuidados pessoais: 0,36% (0,05 p.p.). Despesas pessoais: 0,82% (0,09 p.p.). Educação: 0,05% (0,00 p.p.). Comunicação: 0,03% (0,00 p.p.). Dentro do grupo alimentação e bebidas, o conjunto de preços da chamada alimentação no domicílio ficou 1,10% mais caro. Em fevereiro havia sido 0,09 p.p. Contribuíram para esse resultado as altas do açaí (29,95%), feijão-carioca (19,69%), ovo de galinha (7,54%), leite longa vida (4,46%) e carnes (1,45%). O IBGE destaca que, em termos de peso na inflação mensal, as carnes representaram impacto de 0,04 p.p.; já o leite, 0,03 p.p. Com os aumentos de dois dígitos, o feijão e o açaí contribuíram, cada um, com 0,02 p.p. do índice em março. A alimentação fora do domicílio subiu 0,35% em março, superando a expansão observada em fevereiro (0,46%). De todos os 377 subitens (produtos e serviços) pesquisados pelo IBGE, o que exerceu maior pressão de alta individual no IPCA-15 foram as passagens aéreas, que subiram 5,94% no mês (impacto de 0,05 p.p.). Na prévia de março, os combustíveis apresentaram deflação de 0,03%, ou seja, na média, houve redução de preço. O IBGE apontou os seguintes comportamentos: gás veicular (-2,27%), etanol (-0,61%) e gasolina (-0,08%). Já o óleo diesel teve variação positiva de 3,77%. O IPCA-15 coleta preços em 11 localidades do país (as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.); e o IPCA, 16 localidades (inclui Vitória, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju). O IPCA cheio de março será divulgado em 10 de abril.
AGÊNCIA BRASIL
Galípolo cita “gordura” para BC analisar efeitos da guerra e diz que mercado entendeu “calibragem” da Selic
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quinta-feira que o conservadorismo da política monetária em 2025 deu à autarquia “gordura” para poder analisar os efeitos da guerra no Oriente Médio, acrescentando que o mercado entendeu corretamente a questão da “calibragem” da Selic, esclarecendo que o termo usado em suas últimas comunicações sobre a política monetária se refere a corte dos juros.
Durante coletiva de imprensa sobre o Relatório de Política Monetária, Galípolo avaliou que o momento atual é de “tempo para entender” os efeitos econômicos da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. Segundo ele, vem ganhando força a interpretação de que o choque gerado pela guerra afeta não apenas a logística, mas também a capacidade produtiva de petróleo. Galípolo disse ainda que a inflação pode ser impulsionada pelo conflito. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC cortou a taxa básica Selic em 25 pontos-base, para 14,75% ao ano, mas destacou o aumento da incerteza com a guerra. O BC afirmou que estava dando início a ciclo de “calibração” da política monetária, termo que já constava no comunicado anterior do Copom, de janeiro, quando sinalizou um corte para março. De acordo com Galípolo, o mercado entendeu corretamente que a calibragem citada pelo BC diz respeito ao processo de corte de juros.
REUTERS
BC vê alta de 1,6% no PIB em 2026 e inflação mais pressionada, mas cita incerteza com guerra no Irã
O Banco Central projetou na quinta-feira que o crescimento econômico do país em 2026 será de 1,6%, mesmo patamar estimado em dezembro, apontando incerteza mais elevada no cálculo diante da guerra no Irã.
Em seu Relatório de Política Monetária, a autarquia previu que a inflação passará a subir a partir do primeiro trimestre deste ano sob pressão da alta do preço do petróleo. Depois, segundo o BC, o índice de preços passaria a cair, ainda se mantendo acima do centro da meta contínua de 3%. A projeção mais distante disponível aponta para uma inflação de 3,1% no terceiro trimestre de 2028. “Entre os fatores que contribuem para a alta das projeções, destacam-se a elevação do preço do petróleo e a revisão do hiato”, disse o BC, citando como fatores de baixa a valorização do real e queda marginal nas expectativas de mercado para os preços. No documento, o BC apontou um hiato do produto ligeiramente mais positivo do que o estimado em dezembro, o que indica uma atividade mais aquecida em relação à sua capacidade e pode gerar pressões inflacionárias. A autarquia afirmou que o crescimento da atividade econômica continua em trajetória de moderação, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra resiliência. “A projeção de crescimento do PIB para 2026 permanece em 1,6%, mas está sujeita a maior incerteza diante dos potenciais efeitos dos conflitos no Oriente Médio”, disse no documento. O Ministério da Fazenda previu em novembro uma expansão de 2,3% para o PIB de 2026. Já o mercado, segundo a pesquisa Focus mais recente, estima que a economia crescerá 1,84% neste ano.
REUTERS
BC eleva estimativa de expansão do crédito em 2026 para 9,0%, ante 8,6%
O Banco Central prevê um crescimento do crédito no país de 9,0% este ano, ante estimativa de 8,6% feita em dezembro, conforme dados do seu Relatório de Política Monetária divulgado na quinta-feira.
Agora, a expectativa é que o crédito às famílias suba 9,5% em 2026, contra expectativa anterior de 9,0%. Para as empresas, a alta foi calculada em 8,2%, contra 7,9% previstos em dezembro.
Para o estoque de crédito livre, em que as taxas são pactuadas livremente entre bancos e tomadores, o BC projeta agora uma expansão de 8,1% em 2026 (+7,8% antes). Para o crédito direcionado, que atende a parâmetros estabelecidos pelo governo, a perspectiva é de alta de 10,2% (+9,7% antes).
REUTERS
GOVERNO
Mapa conclui negociação com a Turquia para garantir rota alternativa às exportações agropecuárias brasileiras
Certificado sanitário permite trânsito e armazenamento temporário de cargas brasileiras no território turco diante das restrições no Estreito de Ormuz
O Brasil garantiu a continuidade de uma rota alternativa via Turquia para o envio de exportações agropecuárias, diante das restrições no Estreito de Ormuz. A solução foi negociada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Com isso, a estrutura portuária turca segue como opção importante para cargas brasileiras com destino ao Oriente Médio e à Ásia Central, permitindo que as mercadorias sigam viagem sem a necessidade de passar pelo Golfo Pérsico. Essa rota já era utilizada por exportadores brasileiros. No entanto, a Turquia passou a exigir novas regras sanitárias para produtos sujeitos ao controle veterinário oficial, como os de origem animal. Para evitar prejuízos ao fluxo das exportações, foi negociado o Certificado Veterinário Sanitário para Produtos Sujeitos a Controles Veterinários em Trânsito Direto pela República da Turquia ou para Armazenamento Temporário com Destino à Expedição para outro País/Navio. Na prática, o documento permite que mercadorias brasileiras, especialmente produtos de origem animal, atravessem o território turco ou fiquem armazenadas temporariamente no país antes de seguirem para o destino. A medida confere mais segurança e previsibilidade aos exportadores brasileiros em um momento de instabilidade nas rotas internacionais e reforça a atuação do Mapa para manter o comércio agropecuário brasileiro em funcionamento.
MAPA
Dívida Pública Federal alcança R$ 8,841 trilhões em fevereiro, alta de 2,31% em relação a janeiro
Considerando os números do Plano Anual de Financiamento (PAF), a DPF encerrou o mês passado fora dos limites, que variam entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões no ano
A Dívida Pública Federal (DPF) terminou fevereiro em R$ 8,841 trilhões, conforme divulgado na quinta-feira pelo Tesouro Nacional no Relatório Mensal da Dívida. O número representa alta de 2,31%, sempre em relação ao mês anterior. Considerando os números do Plano Anual de Financiamento (PAF), a DPF encerrou o mês passado fora dos limites, que variam entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões no ano. Esses são limites referenciais, previstos para serem alcançados até o fim do ano. Já a Dívida Pública Mobiliária Federal Interna (DPMFi) alcançou R$ 8,511 trilhões em fevereiro, alta de 2,17%. Por sua vez, a Dívida Federal Externa somou R$ 329,65 bilhões, alta de 6,13%. As emissões da DPF em fevereiro corresponderam a R$ 166,80 bilhões, enquanto os resgates somaram R$ 41,05 bilhões, o que resultou em emissão líquida de R$ 125,75 bilhões. Desse total líquido, R$ 102,81 bilhões referem-se a emissão líquida da Dívida Pública Mobiliária Federal Interna (DPMFi) e R$ 22,94 bilhões à emissão líquida da Dívida Pública Federal Externa. O percentual vincendo em 12 meses da DPF ficou em 16,65% em fevereiro, contra 16,85% no mês anterior. Por fim, o prazo médio da DPF ficou em 4 anos, contra 4,03 anos registrados em janeiro. Considerando a metodologia “Average Term to Maturity”, que permite melhor comparação do Brasil com outros países, a vida média da DPF passou de 5,91 anos para 5,88 anos em fevereiro. A participação dos papéis pós-fixados na DPF variou de 49,42% em janeiro para 49,10% em fevereiro deste ano. Pelos limites do PAF, essa participação deve variar entre 46% e 50% em 2026. Já os títulos prefixados representaram 21,33% da DPF em fevereiro (contra 20,65% em janeiro). Os papéis ligados a índices de preços representaram 25,85% do total (26,35%). Já aqueles ligados a câmbio ficaram em 3,71% (3,58%). Pelos parâmetros do PAF, a participação dos papéis prefixados deve ficar entre 21% e 25% da DPF em 2026. Já os atrelados a índice de preços devem variar de 23% a 27% e os papéis ligados ao câmbio devem ficar entre 3% e 7%. A participação de investidores não residentes na dívida mobiliária federal interna (DPMFi) variou de 10,69% em janeiro para 10,75% em fevereiro deste ano. Em valores absolutos, a fatia saiu de R$ 890,27 bilhões para R$ 914,65 bilhões. Os fundos de investimento ficaram com participação de 21,58% em fevereiro (contra 21,36% em janeiro). As instituições de previdência fecharam em 22,59% (22,66%). As instituições financeiras encerraram o mês respondendo por 31,76% (31,92%). O governo respondeu por 2,77% (2,76%). Já as seguradoras ficaram com 3,57% (3,63%). O custo médio acumulado em 12 meses do estoque da DPF fechou fevereiro em 11,90%, contra 12,07% ao ano registrado no mês imediatamente anterior. Já o custo médio da DPMFi ficou em 12,67%, depois de marcar 12,76% ao ano em janeiro. No caso das emissões, o custo médio em oferta pública da DPMFi acumulado em 12 meses foi de 13,76% ao ano em fevereiro, mesmo percentual registrado em janeiro. Neste caso, as Letras do Tesouro Nacional (LTN) tiveram custo médio de 13,73% (13,89%), enquanto o custo para colocação de Notas do Tesouro Nacional Série F (NTN-F) fechou o mês em 13,78% (13,94%). As NTN-B tiveram custo de 11,09% (10,99%) e as LFTs saíram a 14,97% (14,93%).
VALOR ECONÔMICO
EMPRESAS
JBS deve investir US$ 1,4 bilhão em 2026 em expansão
Empresa concluiu renovações em três plantas da Pilgrim’s que devem ajudar a elevar margens
JBS também deve aportar US$ 1 bilhão para manutenções de plantas
O diretor financeiro global da JBS, Guilherme Cavalcanti, disse a analistas nesta quinta-feira (26/3) que a companhia prevê um Capex (investimento) da ordem de US$ 2,4 bilhões para 2026, dos quais US$ 1,4 bilhão, aproximadamente, a ser destinado para expansão da capacidade produtiva de unidades da companhia e US$ 1 bilhão para manutenções.
Em teleconferência sobre os resultados do quarto trimestre de 2025 e de todo o ano passado, Cavalcanti disse que os recursos para expansão serão aplicados em diversas unidades, incluindo plantas da Pilgrim’s Pride, instalações para salsicha de carne suína em Iowa e de carne bovina em Cactus, no Texas, nos Estados Unidos, uma nova planta no Paraguai e o projeto de Omã, no Oriente Médio — que abrange uma planta integrada de aves e uma indústria de processamento de carnes bovina e cordeiro. Na teleconferência com analistas, o diretor executivo global da JBS, Gilberto Tomazoni, acrescentou que investimentos na Seara a serem concluídos neste ano devem elevar a capacidade produtiva da marca em 10% a 13%. O reforço no crescimento orgânico, segundo Cavalcanti, também ocorre em virtude de a companhia não estar “muito focada, neste momento”, em fusões e aquisições, ainda que sempre monitore oportunidades. “Não há nada que esperemos anunciar no curto prazo em termos de M&A (fusões e aquisições, em inglês)”, afirmou Cavalcanti. Investimentos em renovação e adaptação de três plantas da Pilgrim’s Pride pela JBS, concluídas recentemente, permitirão à companhia elevar margens de lucro, disse o diretor executivo global da JBS, Gilberto Tomazoni, durante a teleconferência. Em duas das três plantas, a companhia adaptou estruturas para produzir matéria-prima para o negócio de refeições prontas, segundo o executivo. “Antes, vendíamos o material para o mercado porque não tínhamos condição de entregar cortes adequados para a cadeia de refeições preparadas. Agora conseguimos e com isso podemos aumentar a margem”, afirmou Tomazoni. O executivo acrescentou que a demanda por carne de frango nos Estados Unidos e no mundo está “muito alta”. Se por um lado o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) prevê crescimento de 2% no fornecimento de frangos em 2026, a demanda firme e a verticalização da produção levam a companhia a esperar “um ano muito bom para a PPC”, disse Tomazoni. O diretor financeiro global da JBS, Guilherme Cavalcanti, também disse que os múltiplos da companhia vêm melhorando, mas que as ações da empresa ainda estão sendo negociadas com desconto em relação a concorrentes do setor. Apesar disso, a companhia espera progressivamente ser incluída em índices de ações americanos utilizados como referência para fundos passivos. Entre eles os índices da “família” Russell, na qual a companhia vê possibilidade de ser incluída em junho deste ano, segundo Cavalcanti. Já na “família” dos índices da S&P, a JBS acredita que poderá ingressar no início de 2027, possivelmente no S&P 400, conforme o executivo. “Isso não está no nosso controle, mas é o que está no nosso radar”, afirmou Cavalcanti durante teleconferência sobre os resultados do quarto trimestre de 2025 e do consolidado do ano. Ele comentou ainda que o volume diário de ações da companhia negociado atualmente é três vezes maior do que antes da listagem da empresa no mercado americano e que 70% do free float (ações disponíveis para negociação em bolsa) da empresa hoje está com investidores americanos. O executivo informou, além disso, que uma nova recompra de ações da JBS dependerá da geração de caixa nos próximos meses.
VALOR ECONÔMICO
INTERNACIONAL
Austrália já exportou 50% de sua cota anual de carne bovina para a China
Tarifa adicional de 55% pode ser imposta às exportações australianas para o mercado chinês
Até o fim de fevereiro, a Austrália havia exportado 71,9 mil toneladas de carne bovina para a China
O volume de carne bovina da Austrália importado pela China já atingiu 50% da cota anual estabelecida pelos chineses para o país sem incidência de tarifa adicional de 55%, segundo comunicado do Ministério do Comércio chinês citado pela plataforma “China International Trade Single Window”, gerida pela Administração-Geral de Alfândegas (GACC, na sigla em inglês) do país. O volume considera as importações até quarta-feira (25/03). No comunicado, o governo chinês lembra que a partir do terceiro dia após a cota ter sido totalmente preenchida, a tarifa adicional de 55% será imposta às exportações de carne bovina da Austrália para a China. Até o fim de fevereiro, a Austrália havia exportado 71,9 mil toneladas de carne bovina para a China, ou cerca de 35% do volume autorizado para este ano, de 205 mil toneladas, segundo dados do Ministério do Comércio e da GACC divulgados na semana passada. O Brasil exportou 372,08 mil toneladas de carne bovina à China no primeiro bimestre, de acordo com os dados da GACC. O volume equivalia a 33,64% da cota de 1,106 milhão de toneladas imposta aos frigoríficos brasileiros em 2026. Mais cedo, a Reuters havia dito que o governo chinês aplicaria tributação extra de 55% a Austrália a partir desta sexta-feira. A informação não procede, segundo a publicação da plataforma gerida pela GACC.
GLOBO RURAL
FRANGOS & SUÍNOS
Produção de carne suína cresce 5,5% e mercado pode reagir após a Quaresma
Alta histórica em 2025 reforça força da suinocultura brasileira, enquanto aumento da oferta pressiona preços no início de 2026.
O setor suinícola brasileiro atingiu um marco histórico em 2025, consolidando sua expansão e resiliência mesmo diante de oscilações de mercado. De acordo com dados do Cepea, com base no IBGE, a produção nacional de carne suína alcançou 5,65 milhões de toneladas, representando um crescimento de 5,5% em relação a 2024 — o maior volume já registrado no país. Esse desempenho reflete investimentos contínuos em tecnologia, sanidade e produtividade ao longo dos últimos anos, posicionando o Brasil como um dos principais players globais da suinocultura. Oferta elevada e demanda interna enfraquecida pressionam preços. Apesar do avanço produtivo, o início de 2026 tem sido marcado por um cenário de pressão sobre os preços no mercado interno. Segundo o Cepea, a disponibilidade interna de carne suína vem crescendo desde janeiro, atingindo volumes significativos. O setor suinícola brasileiro atingiu um marco histórico em 2025, consolidando sua expansão e resiliência mesmo diante de oscilações de mercado. De acordo com dados do Cepea, com base no IBGE, a produção nacional de carne suína alcançou 5,65 milhões de toneladas, representando um crescimento de 5,5% em relação a 2024 — o maior volume já registrado no país. Esse desempenho reflete investimentos contínuos em tecnologia, sanidade e produtividade ao longo dos últimos anos, posicionando o Brasil como um dos principais players globais da suinocultura. Oferta elevada e demanda interna enfraquecida pressionam preços. Apesar do avanço produtivo, o início de 2026 tem sido marcado por um cenário de pressão sobre os preços no mercado interno. Segundo o Cepea, a disponibilidade interna de carne suína vem crescendo desde janeiro, atingindo volumes significativos.
CEPEA
Suínos/Cepea: Produção de carne suína atinge recorde
O setor suinícola nacional atingiu um marco importante em 2025, evidenciando resultados de investimentos e a sua resiliência.
Segundo o IBGE, a produção de carne suína alcançou 5,65 milhões de toneladas no ano passado, alta de 5,5% em relação a 2024 e um recorde. Para 2026, estimativas do Cepea indicam que a disponibilidade interna de carne suína vem aumentando desde janeiro e atingindo volumes significativos, mesmo diante de um cenário com demanda externa pela carne brasileira bastante aquecida. Esse fator, alavancado ainda por uma enfraquecida demanda interna, ajuda a entender os atuais baixos valores de comercialização dos produtos suinícolas. Para abril, o Cepea estima diminuição no ritmo de abates, o que pode limitar a disponibilidade interna, caso as exportações se mantenham firmes. Além disso, o fim da Quaresma, período que costuma reduzir o consumo, tende a elevar a demanda, podendo resultar em uma reação nos preços internos do animal e dos cortes.
CEPEA
Frangos: MBRF investe R$ 1 bilhão no Paraná de olho no exterior
Recurso será destinado à ampliação de unidades, o que permitirá à empresa impulsionar vendas à União Europeia e China. Jose Ignacio Scoseria: relevância do Paraná em aves explica investimentos
A MBRF vai investir R$ 1 bilhão no Paraná, Estado líder em produção e exportação de carne de frango, para expandir sua capacidade produtiva e ampliar a base de avicultores integrados que fornecem frango à companhia. Os aportes serão estratégicos para a empresa impulsionar as vendas à União Europeia, mercado que estava fechado desde 2018 para alguns estabelecimentos exportadores de frango do Brasil — em decorrência da Operação Carne Fraca — e foi reaberto no fim de 2025. O aumento das vendas à China também está no foco da MBRF. Os investimentos ainda permitirão à companhia ampliar a oferta de produtos de maior valor agregado — e as margens de lucro — no mercado interno. O Paraná lidera com folga o ranking dos maiores produtores e exportadores de carne de frango do Brasil. Em 2025, foi responsável por 42% do volume embarcado ao exterior, seguido por Santa Catarina, com quase 23%. Na produção, o Paraná teve 39% dos abates, seguido de Santa Catarina, o segundo maior, com 14%. “Dada a relevância do Paraná para a produção de frango, é natural que um valor relevante do nosso pipeline de investimentos seja destinado para crescer e aumentar eficiência no Estado”, disse ao Valor o vice-presidente de finanças da MBRF, José Ignacio Scoseria. “Estamos priorizando projetos que ou têm valor agregado relevante ou trazem acesso a mercados, enquanto os integrados permitirão atender o futuro crescimento da companhia”, acrescentou. O aporte conta com o estímulo do governo paranaense que, por meio do Programa Paraná Competitivo, de incentivo a investimentos no Estado, vai acelerar a liberação de créditos de ICMS. Do montante a ser investido pela empresa, R$ 300 milhões irão para o Fundo de Investimento Agrícola do Paraná (FIDC Paraná), que terá um total de R$ 375 milhões, incluindo R$ 75 milhões do governo estadual. O dinheiro será destinado à construção de novas granjas e melhorias tecnológicas em aviários existentes, que trarão aumento de produção e produtividade, segundo o executivo. Os outros R$ 700 milhões serão destinados às sete unidades industriais da companhia no Paraná, em especial ampliações de capacidade produtiva de quatro plantas. Uma delas é a de produção de perus no município de Francisco Beltrão, única da companhia no Estado autorizada a exportar ao mercado europeu. A planta ganhará um segundo turno e passará por adequações para poder exportar peito de peru aos europeus. “Estamos basicamente dobrando a produção nessa unidade”, disse Scoseria. A fábrica de Toledo terá sua produção de empanados ampliada em 40%, tendo em vista vendas tanto para o mercado interno como o externo. No local, a empresa também aplicará recursos para fortalecer a exportação de pés de frango para a China. Outra planta com produção voltada majoritariamente ao consumidor internacional, de gelatina e colágeno da Gelprime, em Ibiporã — da qual a MBRF tem 50% — terá sua capacidade duplicada. A MBRF também vai expandir em 12% a produção de processados, mais especificamente pizzas e lasanhas, na unidade de Ponta Grossa, visando reforçar a oferta ao mercado brasileiro. As ampliações nas plantas de Ponta Grossa e Francisco Beltrão, devem ser concluídas no segundo semestre, segundo o diretor financeiro da MBRF. Já os investimentos na planta de Ibiporã devem se estender até 2027, bem como a ampliação e modernização dos aviários, por meio do FIDC. Conforme a companhia, parte do R$ 1 bilhão virá do Capex (investimento) de 2026 e outra parcela, de 2027. Ao se comprometer com os investimentos, a MBRF obteve do governo do Paraná liberação de R$ 300 milhões em créditos de ICMS e o compromisso de receber mais R$ 700 milhões. Tais recursos devem ficar disponíveis em cerca de três anos, prazo mais curto do que o esperado sem o incentivo governamental, de acordo com Scoseria. Para o executivo, “programas que trazem mais competitividade e atratividade para empresas investirem em um Estado são muito importantes para incentivar o crescimento da produção no país”.
VALOR ECONÔMICO
JBS diz que equilíbrio entre oferta e demanda de frango no Brasil não está claro
Executivo afirmou que há relatos de granjeiros elevando produção no país. Empresa realizou teleconferência sobre os resultados do quarto trimestre e do ano de 2025
O diretor executivo global da JBS, Gilberto Tomazoni, disse na quinta-feira (26/3) que não está “muito claro” ainda se há equilíbrio entre oferta e demanda por frango do Brasil. Durante teleconferência sobre os resultados do quarto trimestre e do ano de 2025, Tomazoni comentou que se por um lado há uma demanda internacional crescente e novos casos de gripe aviária em outros países podem elevar mais a demanda por carne brasileira, por outro há relatos de granjeiros elevando produção de frango no país. O executivo ponderou que, se a produção superar a capacidade do mercado de absorver a oferta, a companhia tem ferramentas para administrar a oferta. Entre elas, aumentar a exportação de ovos, reduzir a idade do plantel ou peso das aves, disse ele. “Até aqui, há bastante equilíbrio e esperamos ver aumento da demanda internacional”, afirmou Tomazoni na teleconferência. Executivos da JBS também falaram sobre a proposta apresentada ao sindicato dos colaboradores da planta de Greeley, no Colorado, Estados Unidos – que estão em greve -, considerada pela empresa uma das mais “inovadoras” do setor. De acordo com o executivo, o documento inclui plano de remuneração variável e plano de aposentaria. “Esperamos que isso seja resolvido o quanto antes”. A JBS trabalha com a perspectiva de aumento dos preços do milho neste ano, segundo Tomazoni. O grão é um dos principais componentes do custo de produção de carne suína e de frango. Tomazoni citou alguns fatores de sustentação dos preços do cereal, como alta do petróleo e das margens do etanol e riscos de perdas nas lavouras de milho segunda safra do Brasil, em virtude de fatores climáticos. Já para as rações feitas com soja, o cenário é de estabilidade dos preços, conforme o executivo. “Mas precisamos monitorar o mercado nos Estados Unidos e políticas de biocombustíveis”, disse Tomazoni. Nos Estados Unidos, o desafio da oferta restrita de gado para abate, que eleva os custos da companhia no país, deve persistir ao longo do ano. Segundo o diretor executivo da JBS nos Estados Unidos, Wesley Batista Filho, a retenção de novilhas no país – sinal de que pecuaristas buscam recompor o rebanho – vem ocorrendo, mas em ritmo mais lento do que o esperado. Conforme o executivo, foram processadas no ano passado cerca de 2,5 milhões de cabeças de gado, bem abaixo dos 3,9 milhões de cabeças de 2022. “É o tipo de informação que nos deixa mais otimistas, mas em níveis abaixo do que gostaríamos”, afirmou Batista Filho. Sobre o ciclo pecuário no Brasil, Tomazoni disse esperar que o país passe pelo ciclo de oferta menor de gado de forma diferente da observada em períodos anteriores. Ele mencionou que pecuaristas brasileiros com modelos de produção mais avançados têm conseguido abater animais com dois anos de vida, metade do tempo de abate médio do Brasil. Há também avanços genéticos e em nutrição animal – neste caso, impulsionada pela crescente produção de etanol de milho, que gera como coproduto os DDGs (grãos de destilaria) usados em ração animal. “O Brasil será capaz de postergar o ciclo [de menor oferta) do gado em relação a outros ciclos”, disse Tomazoni.
GLOBO RURAL
Ministério prorroga estado de emergência para gripe aviária
Brasil mantém o status desde maio de 2023, quando os primeiros focos em aves silvestres foram registrados. Desde 2023, foram realizadas mais de 5,3 mil investigações de gripe aviária e coletadas quase 1,4 mil amostras para testes
O Ministério da Agricultura prorrogou por mais 180 dias o estado de emergência zoossanitária em todo o país em função do risco de detecção do vírus da influenza aviária. O Brasil mantém o status desde maio de 2023, quando os primeiros focos em aves silvestres foram registrados em território nacional. Com isso, o estado de emergência ficará vigente, ao menos, até outubro deste ano. Com a prorrogação, o ministério pode manter a adoção de medidas de erradicação do foco de forma rápida, a mobilização de verbas da União e a articulação com outras Pastas, organizações governamentais – nas três instâncias: federal, estadual e municipal – e não governamentais. Em fevereiro deste ano, o governo federal sancionou a lei que abre crédito de R$ 83,5 milhões para o Ministério da Agricultura aplicar em ações sanitárias. Parte do recurso é destinado ao enfrentamento da gripe aviária no país. Atualmente, cinco casos suspeitos de infecção pelo vírus da influenza aviária H5N1 de alta patogenicidade estão em investigação, mas nenhum em ave de criação comercial, única modalidade que pode gerar embargos e restrições comerciais se for detectado. Os casos em investigação são em aves silvestres ou de criação doméstica em Mato Grosso, Minas Gerais e Ceará, de acordo com o painel de acompanhamento do Ministério da Agricultura. Desde 2023, foram realizadas mais de 5,3 mil investigações e coletadas quase 1,4 mil amostras para testes. Apenas um caso de gripe aviária foi identificado em granja comercial, em maio de 2025, em uma unidade de Montenegro (RS). Também foram confirmados 14 casos de gripe aviária em aves de criação doméstica e 173 focos em animais silvestres.
GLOBO RURAL
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