CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2662 DE 03 DE MARÇO DE 2026

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Ano 11 | nº 2662 | 03 de março de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo: semana abriu com preços em ascensão em São Paulo

Março inicia com mercado firme, diante de um cenário de vendas de carne acima do esperado e exportações aquecidas.

A novilha gorda registrou alta diária de R$ 2/@, atingindo R$ 337/@ no mercado paulista, enquanto as cotações do “boi-China” e da vaca gorda ficaram estáveis, em R$ 355/@ e R$ 325/@, respectivamente, acrescentou a Scot. Com vendas de carne acima do esperado para o período e exportação aquecida, março começou com o mercado firme, acumulando alta de R$2,00/@ para o boi gordo e para a novilha. O mercado está firme, com negócios pontuais sendo realizados acima da referência. A escala de abate estava, em média, para seis dias. Todos os preços são brutos e com prazo. Mercado atacadista da carne com osso. Os pedidos para reposição dos estoques diminuíram na última semana de fevereiro, com as vendas no varejo mais lentas – ainda assim, acima do esperado para o período. Com esse cenário, os preços no varejo estiveram firmes. A firmeza da cotação da arroba do boi gordo repercutiu na cotação das carcaças casadas, cujas cotações subiram. A cotação da carcaça casada do boi capão subiu 2,2%, ou R$0,50/kg, enquanto a do boi inteiro subiu 2,0%, ou R$0,45/kg. Para as fêmeas, a cotação da carcaça casada da vaca subiu 2,4%, ou R$0,50/kg, e a da novilha subiu 2,3%, ou R$0,50/kg. Para esta semana, é esperado um bom volume de vendas, o que pode manter a firmeza da cotação das carcaças. No mercado de proteínas alternativas, a cotação do frango médio caiu 3,3%, ou R$0,21/kg, e a do suíno especial caiu 1,0%, ou R$0,10/kg. Vencimento do contrato futuro do boi gordo (B3) em fevereiro/26. No último dia útil de fevereiro (27/2), na B3, aconteceu a liquidação do contrato futuro do boi gordo, cujo código é BGIG26. A cotação da arroba nesse vencimento, segundo o indicador da B3, ficou em R$350,57. O indicador do Cepea ficou em R$351,36/@. O indicador do boi gordo da Scot Consultoria ficou em R$351,35@.

SCOT CONSULTORIA

Boi gordo sobe mais de R$ 22/@ em fevereiro com forte alta

 Escassez de oferta, exportações recordes e poder de barganha do pecuarista impulsionam a arroba do boi gordo; decisão do governo sobre cota chinesa pode mudar o ritmo no próximo mês

O mercado do boi gordo encerrou fevereiro com uma das maiores valorizações nominais dos últimos anos, consolidando um movimento de alta que surpreendeu parte da indústria frigorífica e reforçou o protagonismo do pecuarista nas negociações. Em algumas praças, a arroba acumulou ganhos superiores a R$ 22/@ ao longo do mês, sustentada por oferta restrita, exportações aquecidas e escalas de abate curtas. A pergunta é: março manterá o fôlego ou veremos uma acomodação dos preços? Em São Paulo, principal referência do País, o boi gordo terminou fevereiro negociado entre R$ 350/@ e R$ 355/@, patamar que não era observado desde novembro de 2024. Segundo levantamento da Scot Consultoria, o mês acumulou alta de 7,4% para o boi gordo e 7,6% para o “boi-China”, além de ganhos relevantes também para vaca e novilha. Em outras praças importantes, o avanço foi expressivo: São Paulo: de R$ 332 para R$ 354 (+6,6%) Goiás: de R$ 316 para R$ 333 (+5,3%) Minas Gerais: de R$ 318 para R$ 338 (+6,3%) Mato Grosso: de R$ 310 para R$ 330 (+6,4%) Além disso, indicadores diários mostraram São Paulo chegando a R$ 356,17/@ no encerramento do mês com a maior variação nominal em relação a janeiro desde 1999, segundo análise da Scot. Oferta curta sustenta o mercado. As escalas de abate permaneceram apertadas, variando entre cinco e seis dias úteis na média nacional. Dados sob inspeção federal indicaram: queda de 11,3% nos abates em janeiro/26 na comparação anual na parcial de fevereiro (até 25/2), 1,6 milhão de cabeças abatidas, volume 31,7% inferior ao mesmo período de 2025 Outro fator importante foi a menor participação de fêmeas nas câmaras frias, estimulada pelos preços elevados do bezerro. No front externo, os embarques de carne bovina foram determinantes. Até a terceira semana de fevereiro, o Brasil já havia exportado 192,7 mil toneladas de carne bovina in natura, superando o recorde anterior. Dados da Secex mostram que, até 13 dias úteis do mês: US$ 1,081 bilhão em receita 192,708 mil toneladas exportadas. Preço médio de US$ 5.613,40 por tonelada na comparação anual: +77,3% no valor médio diário exportado +55,7% na quantidade média diária +13,9% no preço médio. Esse cenário de demanda internacional firme, aliado a um ambiente global de oferta mais apertada, deu sustentação à arroba ao longo de todo o mês. No atacado, os preços se mantiveram firmes, especialmente na carne com osso. No fechamento do mês: quarto dianteiro: R$ 21/kg (+R$ 1,00) quarto traseiro: R$ 27/kg (+R$ 0,50) Ponta de agulha: R$ 19,50/kg. O principal ponto de atenção é a gestão da cota de exportação para a China. Analistas indicam que o governo brasileiro pode anunciar, ainda na primeira quinzena de março, uma regulamentação para escalonar os embarques ao longo do ano. Se houver intervenção, o ritmo de exportações pode desacelerar e o apetite de compra chinês tende a diminuir e a arroba pode perder parte do ímpeto altista. Além disso, o varejo enfrenta dificuldade para repassar altas sucessivas, e a carne bovina continua perdendo competitividade frente ao frango. A disputa entre oferta curta e regulação das exportações será o fiel da balança nas próximas semanas.

COMPRE RURAL

ECONOMIA

Ibovespa fecha em alta blindado por Petrobras em pregão de escalada de tensão geopolítica

Março começou com aumento no risco geopolítico, após os Estados Unidos e Israel atacarem o Irã, mas o Ibovespa fechou em alta na segunda-feira, blindado pelas ações de petrolíferas, notadamente Petrobras, em meio à disparada do petróleo no exterior.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,28%, a 189.316,75 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 186.637,98 pontos na mínima e 190.110,43 pontos na máxima do dia. O volume financeiro somava R$28,95 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Dólar sobe para R$5,1651 na esteira de escalada do conflito no Oriente Médio

O dólar fechou a segunda-feira em alta ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante as demais divisas no exterior, em meio à busca por ativos seguros após EUA e Israel lançarem ataques contra o Irã no fim de semana.

Apesar da pressão, a divisa norte-americana terminou o dia longe do pico do pregão, com exportadores e parte dos investidores aproveitando as cotações mais elevadas para vender moeda. O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,60%, aos R$5,1651. Em 2026, o dólar à vista acumula agora queda de 5,90%. As ações de Estados Unidos e Israel contra o Irã provocaram a morte do aiatolá Ali Khamenei, mas também uma reação dos iranianos, que dispararam mísseis contra alvos em uma série de países árabes, como Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia. Na segunda-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que ordenou o ataque ao Irã para impedir o desenvolvimento nuclear de Teerã e um programa de mísseis balísticos. Trump também prometeu continuar a guerra pelo tempo que for necessário. Já o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, disse que levará tempo para o país atingir seus objetivos militares no Irã e que são esperadas mais baixas norte-americanas. A escalada do conflito no Oriente Médio impulsionou a alta dos preços do petróleo e a aversão a ativos de risco, como moedas e títulos de países emergentes. “O dólar subiu demais, então o exportador vende, o investidor desmonta posição comprada, em busca de resultados”, comentou durante a tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. Ainda assim, a divisa norte-americana terminou em alta ante o real, em sintonia com o avanço quase generalizado ante as demais moedas no exterior. Às 17h06, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,36%, a 98,421. “O sinal claro é de aversão ao risco, de aumentar a busca por ativos de maior proteção, por exemplo o ouro, mais líquidos, e o dólar ganha força, não só perante a moeda brasileira, mas perante todo o mundo”, pontuou no início do dia Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos. Com o mercado à vista já fechado no Brasil, surgiu a notícia de que o comandante da Guarda Revolucionária do Irã disse que o Estreito de Ormuz está fechado e que qualquer navio que tentar passar pelo local virará alvo. Cerca de 20% do petróleo mundial é transportado pelo estreito diariamente. Em reação, o dólar futuro ampliou um pouco seus ganhos no Brasil. Às 17h18, a moeda norte-americana para abril — o contrato mais líquido atualmente — subia 0,83% na B3, aos R$5,2135. No boletim Focus divulgado pela manhã pelo Banco Central, a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar à vista no fim de 2026 passou de R$5,45 para R$5,42. As projeções, no entanto, foram incorporadas ao sistema do Focus até a sexta-feira — antes do ataque de EUA e Israel ao Irã. Já a expectativa no Focus para a taxa básica Selic no fim do ano foi de 12,13% para 12% e no encerramento de 2027 seguiu em 10,50%. Atualmente a Selic está em 15% ao ano.

REUTERS

Indústria no Brasil marca 10º mês seguido de retração em fevereiro, mostra PMI

O setor industrial brasileiro registrou retração em fevereiro pelo 10º mês seguido, ainda que em um ritmo ligeiramente mais fraco, mas com a menor entrada de novos negócios em cinco meses, mostrou a pesquisa Índice de Gerentes de Compras na segunda-feira.

O PMI, compilado pela S&P Global, avançou a 47,3 em fevereiro, de 47,0 em janeiro, mas permanecendo abaixo da marca de 50 que separa crescimento de contração registrada desde maio de 2025, mostrando uma sólida deterioração do setor. O segmento de bens de capital teve o pior desempenho no mês, e os produtores de bens intermediários apontaram forte deterioração. No entanto, as condições operacionais se estabilizaram entre os fabricantes de bens de consumo. O levantamento mostra que as empresas reduziram a produção em fevereiro em meio à redução da demanda, com a queda na entrada de novos negócios no ritmo mais forte desde setembro. As empresas citaram condições desfavoráveis de demanda, desafios no setor automotivo, a concorrência e as taxas de juros elevadas como os principais fatores que pesaram sobre as vendas. As encomendas internacionais continuaram em trajetória de queda, recuando pelo 11º mês consecutivo. Os participantes da pesquisa relataram especialmente vendas menores para a Argentina, Europa e Estados Unidos. Ainda assim houve um aumento marginal no emprego em fevereiro, quando equipes reduzidas levaram alguns produtores a anunciar novas vagas, em meio à expectativa de aprovação de contratos pendentes e de que a Copa do Mundo este ano dará impulso à demanda. A Copa do Mundo, em junho e julho, foi um dos fatores que fez com que o otimismo no setor permanecesse positivo, sendo citados ainda publicidade, investimentos planejados e lançamentos de novos produtos. Mas ainda assim o nível de confiança recuou para o menor nível em dez meses, diante da preocupação com a concorrência e políticas públicas. Em relação às pressões inflacionárias, tanto os custos de insumo quanto os preços de produção avançaram. As empresas relataram o aumento mais rápido das despesas operacionais em sete meses, com tensões geopolíticas, especulação no mercado acionário e taxas de câmbio desfavoráveis pesando sobre os preços de componentes eletrônicos, alimentos, metais e plásticos. Os preços cobrados pelos produtos brasileiros também subiram no ritmo mais intenso desde julho de 2025, com repasse dos custos aos clientes.

REUTERS

Analistas passam a ver Selic a 12,0% ao final de 2026 no Focus

Analistas passaram a ver a taxa básica de juros Selic em 12,0% ao final deste ano, mostrou a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central na segunda-feira. A expectativa já havia sido reduzida no levantamento anterior, para 12,13% na mediana das projeções, depois de oito semanas em 12,25%.

Os especialistas também mantiveram a perspectiva de que a Selic será reduzida dos atuais 15% para 14,5% na reunião de 17 e 18 de março do BC, dando início a um ciclo de cortes. Para 2027 eles seguem vendo a taxa básica em 10,5%. O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos e foi fechado na sexta-feira, antes dos ataques dos Estados Unidos ao Irã e seus desdobramentos no fim de semana, apontou apenas pequenos ajustes em outras projeções. A alta do IPCA segue sendo estimada em 3,91% ao final deste ano, mas caiu 0,01 ponto percentual para 2027, a 3,79%. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Para o Produto Interno Bruto (PIB), não houve alterações nas estimativas de crescimento de 1,82% e 1,80%, respectivamente, em 2026 e 2027.

REUTERS

EMPRESAS 

Frigol emite quarto e maior CRA, de R$ 250 milhões

Moody’s atribuiu rating A (grau de investimento) na escala nacional para a operação. Valor do CRA da Frigol superou a projeção inicial para a captação, de R$ 200 milhões, lançada em janeiro

A processadora de carne bovina Frigol concluiu sua quarta e maior emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), totalizando R$ 250 milhões, valor que superou a projeção inicial para a captação, de R$ 200 milhões, lançada em janeiro. Durante a emissão, o “forte interesse” dos investidores levou ao exercício integral do lote adicional de 25%, o que permitiu a maior captação de recursos. A oferta foi estruturada em três séries, que atenderão diferentes perfis de investidores. A primeira tem vencimento em cinco anos, com juros de 100% da taxa DI + 2,50% ao ano. A segunda série, também com prazo de cinco anos, tem remuneração prefixada em 16,37% ao ano. Já a terceira possui prazo mais alongado, de sete anos, e será remunerada a IPCA + 11,40% ao ano. A oferta pública foi realizada sob o regime de garantia firme, destinada a investidores qualificados e profissionais, de acordo com o comunicado.

Essa é a segunda emissão da companhia com classificação de risco. A Moody’s atribuiu rating A (grau de investimento) na escala nacional para a operação. “Essa emissão representa um marco para a companhia. Pela primeira vez, alcançamos um público mais amplo de investidores pessoas físicas qualificadas. A forte receptividade demonstra o reconhecimento do mercado ao nosso trabalho consistente de governança, eficiência operacional e disciplina financeira”, afirmou na nota o CEO da FriGol, Luciano Pascon. Assim como nas emissões anteriores, os recursos serão destinados ao alongamento do perfil da dívida, à redução do custo financeiro e ao suporte das atividades operacionais, de acordo com o diretor Financeiro e de Sustentabilidade, Carlos Corrêa. A operação teve como coordenador líder o Bradesco BBI, o BTG Pactual como coordenador e a Opea como securitizadora.

GLOBO RURAL

INTERNACIONAL

Milho, carnes, ureia: como o conflito entre EUA e Irã impacta o agronegócio brasileiro

Alta do petróleo e do dólar são efeito indiretos esperados para as próximas semanas. Necessidade de novas rotas marítimas, alta do petróleo e do dólar devem elevar custos de frete para o setor

A escalada do conflito no Oriente Médio após os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã deve elevar os custos de produção e da logística de exportação do agronegócio brasileiro. Segundo analistas ouvidos pelo Valor, apesar de não haver previsão de quebra nos embarques de grãos e carnes para a região, a necessidade de novas rotas — com o fechamento do Estreito de Ormuz —, e a provável alta do petróleo e do dólar devem afetar os custos dos exportadores. O Oriente Médio é um importante destino das carnes de frango e bovina do Brasil, e tem unidades de empresas como MBRF e JBS. A região é ainda uma grande importadora de milho brasileiro. “O mundo hoje não é igual ao que era na sexta-feira”, diz o analista sênior da T&F Consultoria, Luiz Carlos Pacheco. Na avaliação dele e de outros especialistas, o conflito não deve se alongar. “A guerra entre Estados Unidos e Irã afeta o mundo todo porque todo mundo depende do petróleo. É um conflito muito grande para se estender além de 15 dias”, afirma. O diretor da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, tem opinião semelhante e acredita em impacto temporário no preço das commodities agrícolas e alta nos custos com fertilizantes e logística. “O impacto dessa guerra se dá de duas maneiras. Primeiro, na área de fertilizantes, porque o Irã é um grande fornecedor de ureia para o mercado global e para o Brasil. E existe um uma expectativa de valorização em dólar e isso impacta no custo”, avalia. Em 2025, o Irã exportou 184,7 mil toneladas de ureia ao Brasil, o equivalente a US$ 66,8 milhões e o principal produto vendido pelo país persa ao mercado nacional. Outro fator que pode elevar os custos na agropecuária é que o Irã é a principal fornecedor do gás natural para produção de fertilizantes de países que exportam nitrogenados ao Brasil, como Catar, Omã e Nigéria, diz a analista de mercado de fertilizantes da Safras&Mercado, Maísa Romanello. “Esses países recebem o gás natural vindo do Irã para produção de ureia e, caso haja interrupção do fluxo de gás natural, eles serão afetados com menor disponibilidade de matéria-prima”, afirma. O Irã é também o maior destino do milho brasileiro e importou 9 milhões de toneladas em 2025, 23% do total exportado pelo Brasil. Por ora, a expectativa é de que essa demanda não seja afetada, pois a maior parte dos embarques ocorre a partir de julho. “Provavelmente até o meio do ano, quando o Brasil volta a colher a safrinha e exportar milho, essa questão do Irã já vai estar resolvida”, prevê Brandalizze. Para as exportações de carnes ao Oriente Médio, a expectativa de analistas também é de manutenção do comércio mesmo com custos maiores. “A leitura inicial é de que a corrente de comércio não vai ser quebrada. Ela vai ficar mais complexa, mais difícil, mas, ainda assim, o produto brasileiro deve chegar aos seus destinos”, afirma o coordenador de Mercados da Safras&Mercado, Fernando Iglesias. Na região estão os Emirados Árabes Unidos, maior importador de carne de frango do Brasil, com 480 mil toneladas adquiridas em 2025. De carne bovina, foram 223,9 mil toneladas enviadas ao Oriente Médio, ou 6,5% do total exportado, segundo o Agrostat, sistema de estatísticas do Ministério da Agricultura.

GLOBO RURAL

CARNES

CNA define prioridades estratégicas para avicultura e suinocultura em 2026

Fortalecimento das Cadecs, criação de indicador de custos e avanço na erradicação da PSC estão entre as principais demandas

A Comissão Nacional de Aves e Suínos da CNA se reuniu, na sexta (27), para definir as prioridades estratégicas do setor para 2026. Entre os temas prioritários estão o fortalecimento das Comissões para Acompanhamento, Desenvolvimento e Conciliação da Integração (Cadecs), capacitação e consultoria jurídica para produtores integrados, criação de indicador mensal de custos de produção e avanços na erradicação da Peste Suína Clássica (PSC). O presidente Adroaldo Hoffmann destacou a importância dos temas como evolução natural nas relações de integração entre produtores e agroindústrias. Um dos temas destacados foi a necessidade de incentivar os produtores integrados a ter mais afinidade com as questões jurídicas visando melhorar a relação com as agroindústrias. “Nós temos que incentivar os produtores a consultar uma assessoria jurídica para saber até onde vão seus direitos e obrigações nos contratos e aditivos contratuais com a indústria,” frisou Hoffmann. A comissão também discutiu a criação de um indicador mensal com base nos custos do produtor integrado, demanda que veio direto do campo, explicou o assessor técnico, Rafael Ribeiro. Em relação à sanidade animal, a comissão discutiu as estratégias para a erradicação da Peste Suína Clássica (PSC) e a ampliação da Zona Livre. “A CNA vem trabalhando esse tempo há vários anos e a ideia esse ano é apoiar as iniciativas e ampliar as discussões, principalmente em relação a indenização dos produtores que tiverem perdas com o abate de animais com a doença”, afirmou. Ribeiro elencou outras pautas que serão trabalhadas ao longo do ano como a atualização da pesquisa sobre a relação entre produtores integrados e integradoras, a realização do 4º Encontro Nacional das Cadecs, que debaterá os 10 anos da Lei de Integração (13288/2016), e a atuação no Fórum Nacional de Integração (Foniagro). Na área de crédito rural, o foco será o levantamento das demandas dos produtores e a apresentação de propostas de ajustes nas linhas de financiamento, com atenção especial à suinocultura independente.

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO CNA 

FRANGOS & SUÍNOS

Setor de carnes avalia novas rotas para manter exportações ao Oriente Médio

Conflito na região também deve representar aumento de custos e maior demora na entrega de produtos brasileiros. Oriente Médio é destino de 25% das exportações do setor de proteína animal, informa a ABPA

Os exportadores brasileiros de proteína animal já avaliam nova rotas para continuar com as exportações para o Oriente Médio após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, os envios que antes passavam pelo canal de Ormuz e Suez deverão ser redirecionados para rota via Cabo da Boa Esperança, ao sul da África. “Já está sendo previsto um aumento de custos e o aumento na demora na entrega dos produtos”, declarou Santin. Segundo ele, também são analisadas rotas via Turquia e outros portos da região, como Salalah, em Omã. “Tem produtos que estavam indo para lá, e os armadores que já estavam perto do destino no Oriente Médio estão aguardando os desdobramentos desse conflito para que a gente possa ver como vão se refazer as rotas de logística marítima”. De acordo com a ABPA, o Brasil exporta cerca de 200 mil contêineres anualmente, sendo o Oriente Médio o destino de 25% das exportações do setor de proteína animal. Em relação aos preços, Santin descarta impactos causados pelo conflito e compara a situação atual ao episódio de gripe aviária enfrentado pelo Brasil no ano passado. “Passamos recentemente por um episódio bastante difícil, com fechamento de 28 mercados quando teve influenza aviária e não houve impacto imediato. O setor conseguiu ser resiliente e redirecionar suas vendas externas”, destacou Santin.

VALOR ECONÔMICO

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