CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 2627 DE 09 DE JANEIRO DE 2026

clipping

Ano 11 | nº 2627 | 09 de janeiro de 2026

 

NOTÍCIAS

Mercado do boi gordo: preços estáveis nas praças paulistas

Nesta semana, as ofertas estiveram mais abundantes, o que permitiu que alguns frigoríficos avançassem com as escalas e, com um bom escoamento de carne, os preços ficaram estáveis.

Nesta semana, as ofertas estiveram mais abundantes, o que permitiu que alguns frigoríficos avançassem com as escalas e, com um bom escoamento de carne, os preços ficaram estáveis. A maioria das negociações aconteceu dentro das referências. Entretanto, alguns negócios esporádicos ocorreram perto dos R$325,00/@, e algumas indústrias, com escalas mais confortáveis, ofertaram R$315,00/@, mas sem qualquer oferta por parte dos pecuaristas nesses preços. Outra notícia que impactou o mercado foi a reunião de uma entidade do setor para a organização interna de cotas para exportação de carne para a China. Algumas indústrias, por conta disso, decidiram sair das compras e aguardam o desenrolar do mercado antes de retomá-las. As escalas de abate estavam, em média, para sete dias. No Sudeste de Rondônia, a oferta de boiadas diminuiu levemente nos últimos dias, mas não a ponto de impactar os preços. Com um bom escoamento da carne, as cotações permaneceram estáveis, com oferta e demanda quase que equilibradas. As escalas de abate estavam, em média, para sete dias. No Noroeste do Paraná, as ofertas neste começo de mês estavam menores, e o escoamento de carne girou muito bem nos últimos dias, o que fez com que o preço do boi gordo subisse R$2,00/@. Para as demais categorias, a cotação permaneceu estável. As escalas de abate atendem, em média, a oito dias.

SCOT CONSULTORIA

Frigoríficos de menor porte mostram apetite nas compras, o que valoriza os preços em determinadas regiões

O mercado físico do boi gordo apresenta manutenção do padrão de negócios em grande parte do país, com frigoríficos de menor porte ainda atuando de maneira mais contundente na compra de gado em função das escalas de abate mais apertadas.

Segundo o consultor de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, especulações em torno da China voltaram a rondar o mercado, considerando o volume de 350 mil toneladas que está em trânsito e foram negociadas de maneira prévia, ainda em 2025. Além disso, o especialista detalha que alguns frigoríficos já sinalizam para redução da capacidade de abate. Preços médios da arroba do boi: São Paulo: R$ 320,80 — ontem: R$ 320,77. Goiás: R$ 314,25 — R$ 314,46. Minas Gerais: R$ 315,18 — R$ 315,29. Mato Grosso do Sul: R$ 312,64 — R$ 312,84. Mato Grosso: R$ 299,05 — R$ 301,53. O mercado atacadista ainda se depara com manutenção dos preços no decorrer da semana. Iglesias destaca que, após o período de festividades, o que se aguarda é a retração dos cortes de maior valor agregado (traseiro bovino), diante de um perfil de consumo que prioriza produtos mais acessíveis, a exemplo dos cortes do dianteiro bovino, carne de frango, ovos e embutidos em geral. Quarto dianteiro: segue a R$ 17,85 por quilo; Quarto traseiro: se mantém a R$ 25,40 por quilo; Ponta de agulha: permanece a R$ 17,50 por quilo.

SAFRAS NEWS

Compras árabes de carne bovina do Brasil crescem mais que 176%

Argélia, Egito e Emirados aumentaram expressivamente as importações em 2025

Pelo menos três países árabes – a Argélia, o Egito e os Emirados Árabes Unidos – registraram aumentos expressivos nas importações de carne bovina do Brasil no ano passado em relação aos volumes de 2024, segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A Argélia importou um volume 292,6% maior, enquanto as compras do Egito subiram 222,5% e as dos Emirados Árabes Unidos avançaram 176,1%.

O Brasil conseguiu no ano passado o seu maior volume de exportação de carne bovina, embarcando 3,50 milhões de toneladas, que significaram alta de 20,9% em relação a 2024. A receita gerada foi de US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais.  Os dados incluem carne in natura, industrializadas, miúdos e outros. No total, a carne bovina brasileira foi fornecida a mais de 170 países em 2025. A China foi o principal destino, respondendo por 48% do volume total exportado pelo Brasil, com 1,68 milhão de toneladas, que geraram US$ 8,90 bilhões. Em seguida, os outros maiores mercados, por ordem decrescente, foram Estados Unidos, Chile, União Europeia, Rússia e México.

AGÊNCIA DE NOTÍCIAS BRASIL-ÁRABE

Boi/Cepea: Brasil amplia venda à China em 2025; com salvaguarda, 2026 deve ser desafiador

As exportações brasileiras de carne bovina renovaram o recorde em 2025. O mercado chinês foi novamente o maior destino da carne, cenário que, ressalta-se, coloca uma “pressão” sobre a cadeia nacional neste ano que se inicia.

Segundo pesquisadores do Cepea, além de a produção brasileira operar em patamar recorde, a imposição da China de medidas de proteção comercial por meio de tarifas e de cotas sobre produtos importados, como a carne – as “salvaguardas” –, gera uma necessidade de o setor pecuário nacional ampliar as alternativas de escoamento do produto, seja no mercado externo, seja no interno. Dado da Secex mostram que, especificamente à China, foram exportadas 1,648 milhão de toneladas em 2025, um recorde, 24,6% acima do volume escoado ao mercado chinês em 2024 e representando 48% do total enviado pelo Brasil ao exterior. Com as salvaguardas, o Brasil terá uma cota de 1,106 mil toneladas a serem enviadas à China em 2026, com uma taxa de 55% sobre o que ultrapassar esse volume. Tomando-se como base o ano de 2025, esse volume seria alcançado entre os meses de agosto e setembro. A média de volume embarcado à China nos últimos quatro meses de 2025 foi de 175 mil toneladas. Pesquisadores do Cepea apontam que, caso esse ritmo seja mantido, as exportações atingiriam a cota já entre junho e julho de 2026. Quanto ao preço, em 2025, a média geral da carne exportada ficou 15,42% acima da de 2024, a US$ 5,15 por quilo, ainda conforme dados da Secex. A China, por sua vez, pagou, em média, US$ 5,29/kg pela carne brasileira, 17,24% a mais que em 2024, sendo 2025 o segundo melhor ano, atrás apenas de 2022, quando a média esteve em US$ 6,41/kg. Caso os embarques brasileiros à China em 2026 atinjam a cota, haverá um valor adicional de 55% sobre o valor da carne embarcada, o que levaria o produto à média de US$ 8,2/kg (tendo-se como base a média de 2025), patamar nunca pago pelos chineses e nem mesmo por países europeus.

CEPEA 

Nova diretriz dos EUA favorece embarques de carne do Brasil

Governo americano anunciou política de estímulo ao consumo de proteínas animais, em detrimento de ultraprocessados. Famílias americanas devem priorizar alimentos integrais e ricos em nutrientes, como as proteínas, disse secretário de Saúde dos EUA

O governo dos Estados Unidos anunciou na quarta-feira (7/1) um conjunto de novas diretrizes alimentares para os cidadãos americanos, válidas até 2030, que incentivam o consumo de “comida de verdade”. A ideia, segundo o governo, é aumentar a demanda por proteínas e alimentos naturais, em detrimento dos ultraprocessados, o que pode beneficiar as vendas de carne bovina brasileira aos EUA. O Brasil é o principal fornecedor de carne bovina ao mercado americano, que passa por forte restrição na oferta de gado. Esse quadro, somado ao anúncio das novas diretrizes alimentares, pode abrir mais espaço para gigantes como a JBS e a MBRF, dona da americana National Beef. “As famílias americanas devem priorizar alimentos integrais e ricos em nutrientes — proteínas, laticínios, vegetais, frutas, gorduras saudáveis e grãos integrais — e reduzir drasticamente o consumo de alimentos ultraprocessados”, disse o secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr, em comunicado sobre as novas diretrizes. “Nosso governo declara guerra ao açúcar adicionado”, enfatizou. A orientação é de que o consumo de proteínas animais ocorra em todas as refeições. Conforme apurou o Valor, a avaliação inicial dos frigoríficos brasileiros é de que a medida vai, de fato, estimular o consumo de carne nos EUA. Isso deve impulsionar as exportações brasileiras, que já foram recorde em 2025. Lygia Pimentel, diretora da consultoria Agrifatto, observou que ainda não é possível precisar o impacto efetivo das diretrizes para os exportadores brasileiros, mas, segundo ela, “certamente é um marketing positivo para reforçar o consumo” de carne. “Os EUA estão na menor relação entre produção [de gado] e consumo no mercado interno desde 2005, então eles precisam continuar originando [carne] fora. E o Brasil entra como um importante parceiro”, explicou a especialista. Para o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, as novas diretrizes ajudaram a impulsionar as ações da JBS NV na bolsa de Nova York. Os papéis do frigorífico encerraram o pregão de quinta-feira em alta de 1,25%. “A tendência é que os americanos priorizem proteínas”, disse Cruz. Ele acredita que outro fator que tem ajudado a elevar a demanda — e, consequentemente, as vendas das empresas do segmento de proteínas animais — é a popularização das dietas e remédios para emagrecimento. De acordo com o Departamento de Saúde dos Estados Unidos, o país enfrenta uma crise, o que justifica os esforços para incentivar a alimentação natural. Quase 90% dos gastos com saúde são destinados ao tratamento de doenças crônicas, muitas delas relacionadas à alimentação e ao estilo de vida. Mais de 70% dos adultos americanos estão acima do peso ou obesos, e quase um em cada três adolescentes tem pré-diabetes. Além de representarem um potencial benefício aos exportadores brasileiros, as novas diretrizes também agradaram ao agronegócio americano. “Finalmente estamos realinhando nosso sistema alimentar para apoiar os agricultores, pecuaristas e empresas americanas que cultivam e produzem alimentos de verdade”, afirmou a secretária do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês), Brooke Rollins. Zippy Duvall, presidente da federação agropecuária American Farm Bureau, ressaltou que as medidas ratificam a importância dos produtores rurais.

VALOR ECONÔMICO

Setor de carne bovina pode cortar produção após cota da China

Redução de 35% do volume destinado ao país seria forma de as empresas se adequarem à quantia de 1,1 milhão de toneladas. Cotas da China à carne do Brasil podem desvalorizar a arroba do boi e influenciar os preços ao consumidor doméstico

A salvaguarda imposta pela China para suas importações de carne bovina pode levar os frigoríficos exportadores do Brasil a cortarem em 35% sua produção destinada a atender o país asiático em 2026. Essa foi a forma inicial encontrada pelas empresas para se adequarem à cota de 1,1 milhão de toneladas criada pelos chineses para os embarques da carne brasileira neste ano. Mas a medida pode desvalorizar a arroba do boi e influenciar os preços ao consumidor doméstico. A distribuição da cota chinesa deverá ser feita de forma proporcional ao que foi comercializado em 2025 pelas 64 plantas brasileiras habilitadas e que venderam regularmente no ano passado, mas a medida enfrenta resistências de algumas empresas. Fontes afirmam que poderá haver uma limitação mensal, para embarques de até 80 mil toneladas por mês à China ao longo de 2026. Em outra frente, o governo tentará evitar que cerca de 350 mil toneladas negociadas com a China até 30 de dezembro do ano passado consumam parte da cota de 1,1 milhão de toneladas, o que pode aliviar a situação dos frigoríficos. Em reunião realizada nesta semana em São Paulo, os exportadores acertaram o corte linear na produção de carne para os chineses em 35% em relação ao previsto em um cenário de normalidade, algo em torno de 500 mil toneladas, apurou a reportagem com participantes do encontro. No ano passado, o Brasil exportou 1,67 milhão de toneladas ao país asiático. O volume a ser “cortado” corresponde à exportação do último trimestre (522,7 mil toneladas) à China. As plantas habilitadas abatem o “boi China”, com idade inferior a 30 meses, seguem padrões exigidos pelo país asiático e produzem peças e cortes específicos para o gosto dos chineses. A redução nas linhas de abate, se concretizada, pode representar 4% da produção total do país em 2026, quando alcançou 12,3 milhões de toneladas. Um dono de frigorífico que esteve na reunião disse que a medida poderá gerar “queda brusca” no preço da carne para o mercado interno e para o pecuarista. “Dentro do que ficou discutido, vamos entender o que se produziu individualmente em 2025 para baixar 35%, de forma linear”, afirmou ao Valor sob reserva. Uma pessoa a par do assunto disse que há preocupação no setor. A avaliação é que o impacto nas operações será grande. “São 500 mil toneladas. Por mais que o Brasil exporte mais para o México, para o Oriente Médio e para os Estados Unidos, que é com o que as empresas estão contando, não vai dar isso tudo. Vai ter impacto na produção no Brasil”, avaliou. A decisão da China começou a valer em 1 de janeiro. Há cobrança de tarifa de 12% para os volumes dentro da cota e sobretaxa de 55% para o excedente. Ou seja, cargas enviadas acima de 1,1 milhão de toneladas em 2026 terão taxa total de 67%. Com o comércio limitado, as indústrias podem deixar de faturar mais de US$ 3 bilhões neste ano, de acordo com estimativas das associações do setor. A China já sinalizou que a cota valerá para a carne internalizada após 1 de janeiro de 2026, independentemente da data de negociação e de envio ter sido concluído antes da decisão. O Brasil tenta reverter essa medida. No mercado, as apostas são de que a China não vai decidir isso agora para manter uma carta na manga para o desenrolar do ano. Assim, caso haja necessidade de maior importação de carne do que o previsto, pode haver “cartada política” ou “gesto de gentileza” em relação ao que já havia sido embarcado. Sem a exclusão das 350 mil toneladas da cota, restariam 750 mil toneladas para exportação sem sobretaxa. No setor, há discussão sobre escalonar os embarques, com limite de 80 mil toneladas por mês, informaram duas fontes. Outro participante da reunião entre os frigoríficos afirmou que o cenário é de “muita dúvida” e que caberá ao governo brasileiro consultar as autoridades chinesas para obter esclarecimentos. Uma das tentativas, já mencionada pelo ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, será utilizar volumes de cotas de outros países que não forem totalmente utilizadas, como a dos Estados Unidos, que não têm exportado à China ultimamente.

VALOR ECONÔMICO 

Custo de confinamento registrou queda em todas as regiões em 2025

Margem das operações teve aumento no Centro-Oeste e no Sudeste, segundo Ponta Agro. Confinamento foi favorecido por alta na oferta de grãos e outras matérias-primas para ração

Os custos de confinamento de gado encerraram 2025 em níveis historicamente baixos após sucessivas quedas ao longo do ano. Segundo o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), os desembolsos do pecuarista com a alimentação dos animais ficaram 12,01% menores do que em 2024 na região Centro-Oeste e 3,84% menores no Sudeste. “Entre os principais fatores que sustentaram esse movimento estão a supersafra de grãos, especialmente milho e soja, e a maior disponibilidade de coprodutos como DDG, polpa cítrica, bagaço de cana e caroço de algodão, com preços mais competitivos”, afirmou a Ponta Agro, empresa de inteligência de mercado em seu boletim mensal de custos de produção. Apenas em dezembro, o custo médio de alimentação ficou em R$ 12,69 por cabeça ao dia no Centro-Oeste, alta de 1,28% frente a novembro. No Sudeste, o índice caiu para R$ 11,74 por cabeça ao dia, queda mensal de 4,40%, o menor valor do ano. “Mesmo com oscilações pontuais, os custos alimentares ficaram estruturalmente abaixo dos níveis de 2024, garantindo margens expressivas para os confinadores”, explicou a empresa. No Centro-Oeste, a dieta de terminação encerrou dezembro em R$ 1.092,25 por tonelada de matéria seca, com leve alta de 0,29% em relação ao trimestre anterior, enquanto no Sudeste o custo da dieta de terminação fechou dezembro em R$ 1.143,86 por tonelada de matéria seca, redução de 0,13%. “Dezembro de 2025 apresentou as melhores margens do ano para o confinamento bovino, reforçando um cenário altamente favorável para a atividade. Apesar do preço da arroba não ter superado a casa dos R$ 330,00 como era esperado pelo mercado”, destacou o boletim. Considerando os valores apontados pelo indicador, a Ponta Agro estimou que a margem de confinamento no Centro-Oeste tenha ficado em R$ 186,23 por arroba, com lucro de R$ 1.040,62 por cabeça. Para o Sudeste, a margem estimada ficou em R$ 186,36 a arroba, e o lucro eR$ 1.127,06 por cabeça. Na comparação com 2024, os resultados representam alta de 83% e 38,1% para cada região, respectivamente.

GLOBO RURAL

ECONOMIA

Dólar oscila em margens estreitas e termina sessão perto da estabilidade

Após oscilar em margens bastante estreitas, o dólar fechou a quinta-feira praticamente estável ante o real, com investidores posicionados para a divulgação na sexta-feira de novos dados econômicos no Brasil e nos EUA.

O dólar à vista encerrou o dia em leve alta de 0,04%, aos R$5,3892. Às 17h02, o contrato de dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — cedia 0,01% na B3, aos

R$5,4205. A moeda norte-americana à vista oscilou durante o dia entre a cotação mínima de R$5,3753 (-0,22%) às 10h03 e a máxima de R$5,3974 (+0,19%). Da mínima para a máxima, a variação foi de apenas +0,41%, em um sinal claro de que os investidores pouco movimentaram suas posições. “O ambiente ainda é de cautela, visto que o mercado aguarda a divulgação de dados cruciais amanhã: o relatório de emprego americano (payroll) e o IPCA no Brasil”, afirmou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito. “Sem a presença de catalisadores relevantes no curto prazo, a moeda manteve-se em relativa estabilidade e sem uma tendência definida.” O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciará o IPCA — o índice oficial de inflação — de dezembro e do acumulado de 2025 às 9h de sexta-feira, enquanto o Departamento do Trabalho dos EUA publicará o relatório de empregos payroll de dezembro às 10h30. Na manhã desta quinta-feira, o Departamento do Trabalho dos EUA informou que os pedidos iniciais de auxílio-desemprego aumentaram em 8.000 na semana encerrada em 3 de janeiro, para 208.000, em dado com ajuste sazonal. Economistas consultados pela Reuters previam 210.000 pedidos para a última semana. Já o IBGE informou no início do dia que a produção industrial brasileira ficou estável em novembro ante outubro e cedeu 1,2% ante novembro de 2024. Economistas ouvidos pela Reuters esperavam alta de 0,2% na comparação mensal e queda de 0,1% em base anual.

REUTERS

Ibovespa fecha em alta na espera por dados; Petrobras sobe

O Ibovespa fechou em alta moderada na quinta-feira, enquanto agentes aguardam dados de emprego dos Estados Unidos e de inflação no Brasil.

Os ganhos em ações de peso, como a Petrobras, deram suporte ao índice. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,49%, a 162.761,25 pontos, de acordo com dados preliminares. O volume financeiro no pregão da quinta-feira somava R$21,08 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Exportação do agronegócio do Brasil avança 3% em 2025 e tem recorde, diz ministério

O agronegócio brasileiro registrou exportações recordes de US$169,2 bilhões em 2025, alta de 3% em relação a 2024, em ano em que o Brasil teve volumes históricos nos embarques de soja, carnes e receitas elevadas de café, segundo nota publicada na quinta-feira pelo Ministério da Agricultura.

Em dezembro de 2025, as exportações somaram US$14 bilhões, recorde para o mês e crescimento de 19,8% em comparação com as exportações do mesmo mês de 2024, adicionou o ministério. O comunicado destacou o efeito da safra recorde de grãos 2024/2025, que atingiu 352,2 milhões de toneladas, representando um incremento de 17% em relação ao ciclo anterior. “Na pecuária, a produção atingiu níveis recordes para as carnes bovina, suína e de frango, permitindo a existência de excedentes exportáveis sem comprometer a oferta de produtos agropecuários para o mercado interno”, completou. Entre os três principais compradores de produtos agropecuários brasileiros, a China liderou o ranking com US$55,3 bilhões, 32,7% das exportações e crescimento de 11% em relação a 2024. As exportações para a União Europeia somaram US$25,2 bilhões, aumento de 8,6% em relação ao ano anterior. O bloco europeu foi seguido pelos Estados Unidos, com US$11,4 bilhões, queda de 5,6% em relação a 2024 em meio ao tarifaço de Donald Trump. Entre os principais produtos da pauta exportadora, a soja em grãos manteve-se como o principal item, gerando US$43,5 bilhões em receitas cambiais (+1,4%). A carne bovina teve receitas de US$17,9 bilhões (+39,9%) e incremento de 20,4% em volume. Durante o ano de 2025, foram abertos 11 mercados para a carne bovina brasileira, ressaltou o ministério. O café apresentou crescimento de 30,3% em valor, totalizando US$16 bilhões, impulsionado por preços internacionais que atingiram níveis históricos.

REUTERS

Produção da indústria brasileira fica estagnada em novembro

A produção industrial no Brasil ficou estagnada em novembro e frustrou a expectativa de um avanço, reforçando percepção de que o setor apresentou pouco fôlego em 2025 em meio à política monetária restritiva e ao tarifaço dos Estados Unidos.

A expectativa de economistas para o resultado de novembro, divulgado na quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), era de um avanço de 0,2%, segundo pesquisa da Reuters, depois de alta de 0,1% em outubro. Contra o mesmo mês do ano anterior, houve queda de 1,2%, ante expectativa de recuo de apenas 0,1%. Assim, a produção industrial, que teve resultados próximos ou iguais a zero em quase todos os meses de 2025, ainda está 14,8% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011. “A indústria mantém uma estabilidade observada nos últimos meses e no ano de 2025, mas houve desempenho predominantemente negativo em novembro”, destacou o gerente da pesquisa no IBGE, André Macedo. A indústria brasileira vem apresentando um quadro de estagnação afetada principalmente pela taxa de juros elevada, embora o mercado de trabalho aquecido ajude a impulsionar a economia. A taxa básica de juros Selic encerrou 2025 em 15% depois de o Banco Central tê-la mantido nesse patamar na última reunião do ano, em dezembro, sem sinalizar quando poderá iniciar um ciclo de cortes, reforçando que a manutenção desse nível por período bastante prolongado é a estratégia adequada para levar a inflação à meta. “O resultado de novembro reafirma a tendência de desaceleração do setor industrial, que sofre de um problema duplo, a elevada taxa de juros e o tarifaço americano, que mesmo com diversos recuos, ainda mantém a sobretaxa de 50% em boa parte da produção industrial exportada aos EUA”, disse André Valério, economista sênior do Inter. De acordo com o levantamento do IBGE sobre a indústria, em novembro 15 dos 25 ramos pesquisados mostraram recuo contra o mês anterior. A principal influência negativa foi dada por indústrias extrativas, com retração de 2,6% na produção. “A queda observada neste mês foi influenciada pela menor produção de óleos brutos de petróleo, gás natural e minérios de ferro”, afirmou Macedo. Também apresentaram retração relevante os setores de veículos automotores, reboques e carrocerias (-1,6%), de produtos químicos (-1,2%), de produtos alimentícios (-0,5%) e de bebidas (-2,1%). Entre as categorias econômicas, bens de consumo duráveis tiveram queda de 2,5% em novembro, enquanto a produção de bens intermediários caiu 0,6%. Por outro lado, houve aumento de 0,7% entre bens de capital e de 0,6% nos bens de consumo semi e não duráveis.

REUTERS

Primeira queda anual do IGP-DI desde 2023 foi puxada por commodities, diz FGV

Índice acumulou queda de 1,2% de janeiro a dezembro de 2025

O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) acumulou queda de 1,2% de janeiro a dezembro de 2025, a primeira desde 2023, informou na quinta-feira (8) o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas. Naquele ano, o indicador havia recuado 3,3%. O resultado é explicado pela queda das commodities minerais, metálicas e energéticas no mercado internacional, que afetaram o preço de produção no Brasil, segundo Matheus Dias, economista do FGV IBRE. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que inclui as commodities, recuou 3,61% em 2025, também o primeiro resultado anual negativo desde 2023. O pesquisador aponta que as matérias-primas contribuíram de maneira generalizada para a queda anual do indicador geral, com as agrícolas também influindo na desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que fechou o ano com alta de 4%. “O Índice de Preços ao Consumidor começou o ano em patamares bem mais elevados e foi caminhando para a desaceleração. Caso a gente não tivesse essa queda das commodities agropecuárias, teríamos um IPC mais elevado”, observou. Segundo Dias, os preços finais ao consumidor refletiram as quedas para o produtor acumuladas ao longo de 2025, principalmente, em itens como soja, farelo de soja e milho. Por outro lado, segmentos de serviços e habitação permaneceram pressionados, impedindo que a queda anual do IGP-DI fosse maior. As principais influências positivas em 2025 foram a tarifa de eletricidade residencial (16,26%), plano de seguro e saúde (6,16%) e refeições em bares e restaurantes (7,76%). Na comparação mensal, o IGP-DI subiu 0,10% em dezembro, depois de registrar alta de 0,01% em novembro. De acordo com a FGV, a principal influência para o resultado mensal foi o avanço do minério de ferro (4,1%), que tem peso relevante no Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA). O IPA subiu 0,03% em dezembro, invertendo o comportamento em relação a novembro, quando caiu 0,11%. O IPC aumentou 0,28%, repetindo a taxa de variação do mês anterior. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) também teve alta, de 0,21%, mas abaixo da taxa de 0,27% registrada em novembro. Dias também aponta aumentos relevantes no farelo de soja (4,28%) e no milho (1,09%) no último mês do ano. Ele diz que a alta dos alimentos deve ser observada até fevereiro, mas dentro de um patamar esperado para a época do ano. “É natural que a gente se observe um aumento de preços dos alimentos a partir de dezembro pela questão da sazonalidade, especialmente no verão. Mas tem sido uma alta comportada”, ressalta. Sobre a trajetória do índice em 2026, o pesquisador avalia que o principal desafio será o setor de serviços, que apresentou resiliência no ano passado diante do contexto de pleno emprego e aumento da renda. “Esse cenário positivo de emprego e renda tende a se manter em 2026, então esse é o grande desafio para este ano. A questão do controle da inflação de serviços é a convergência para a meta”, diz.

VALOR ECONÔMICO 

FRANGOS & SUÍNOS

Suínos/Cepea: Preços estão estáveis neste começo de ano; exportação fecha 2025 com novo recorde

As cotações do suíno vivo registram estabilidade neste começo de ano. Na praça SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), o animal vivo posto na indústria foi negociado a R$ 8,87/kg na terça-feira, 6, com ligeira queda de 0,3% em relação ao encerramento de 2025.

No front externo, o Brasil encerrou 2025 com novos recordes no volume e na receita com as exportações de carne suína. Em dezembro, inclusive, a quantidade escoada foi a maior para o mês e a quarta maior de toda a série histórica da Secex, iniciada em 1997, evidenciando, segundo apontam pesquisadores do Cepea, uma aceleração da demanda internacional pela carne brasileira no período. De janeiro a dezembro de 2025, foram embarcadas 1,5 milhão de toneladas de carne, o maior volume escoado pelo Brasil em um ano, com crescimento de 11,6% frente ao de 2024 – dados da Secex. Em dezembro, foram exportadas 136,1 mil toneladas, quantidade 29,4% acima da registrada em novembro/25 e 26,2% maior que a de dezembro/25. Com a intensificação nas vendas, a receita do setor também atingiu recorde em 2025. No total do ano, foram obtidos cerca de R$ 3,6 bilhões, 19% a mais que no ano anterior e o maior valor da série histórica da Secex. Em dezembro, o valor obtido com as vendas externas foi de R$ 322 milhões, fortes altas de 30% na comparação mensal e de 25% na anual.

CEPEA

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