
Ano 11 | nº 2625 | 07 de janeiro de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do boi gordo: mercado firme em São Paulo
Apesar da menor necessidade de compra imediata por parte dos frigoríficos, em parte devido às programações fechadas no fim do ano passado, o mercado esteve firme.
Com isso, na praça paulista, referência para as demais regiões pecuárias, o boi gordo sem padrão-exportação segue cotado em R$ 317/@, o “boi-China” em R$ 322/@, a vaca gorda em R$ 302/@ e a novilha em R$ 312/@, de acordo com apuração da Scot Consultoria. Apesar da menor necessidade de compra imediata por parte dos frigoríficos, em parte devido às programações fechadas no fim do ano passado, o mercado esteve firme. O bom escoamento de carne bovina no mercado interno e nas exportações sustentou as cotações. As escalas de abate atendiam, em média, a seis dias. No Pará, o mercado começou lento, com poucas negociações. A oferta mais ajustada e as escalas de abate curtas ditaram o mercado no dia. Na região de Redenção, os preços não mudaram na comparação diária. Em Paragominas, a cotação subiu R$2,00/@ para todas as categorias. Em Marabá, na comparação diária, a cotação do boi gordo subiu R$2,00/@ e a da vaca R$1,00/@. A arroba do boi China subiu R$1,00 em Paragominas, sem ágio. Em Redenção e Marabá, os preços ficaram estáveis. O ágio permaneceu em R$3,00/@ em Marabá e em R$10,00/@ em Redenção. Todos os preços foram brutos e com prazo. Em Goiás, o mercado ficou estável. A oferta seguiu contida e a demanda não mostrou força para elevar os preços.
SCOT CONSULTORIA
Preço do boi gordo inicia janeiro em alta
Frigoríficos retomam as negociações com cotações mais altas pelo encurtamento das escalas de abate, diz analista
O mercado físico brasileiro do boi gordo iniciou a primeira semana útil de janeiro de 2026 com preços maiores. Segundo o consultor de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, os frigoríficos retomam as negociações com cotações mais altas por conta do encurtamento das escalas de abate. “Esse movimento foi bastante perceptível em São Paulo. Vale destacar que a oferta de animais terminados a pasto é pouco representativa neste momento, o que pode dificultar na composição das escalas de abate”, avalia. Para o especialista, o impacto das salvaguardas anunciadas pela China no último dia 31 de dezembro tende a ser diluído ao longo do ano, com o terceiro trimestre marcando o ponto em que a cota brasileira será totalmente preenchida. Média da arroba do boi: São Paulo: R$ 321. Goiás: R$ 312,86. Minas Gerais: R$ 314,41. Mato Grosso do Sul: R$ 312,50. Mato Grosso: R$ 300,70. O mercado atacadista abre a semana apresentando acomodação em seus preços. De acordo com Iglesias, o padrão de consumo traçado para o primeiro trimestre sinaliza para o consumo amplo de proteínas mais acessíveis, a exemplo da carne de frango, dos ovos e embutidos. Esse movimento é compreensível diante de despesas tradicionais presentes neste período, como IPTU, IPVA, compra de material escolar, entre outros.” Quarto dianteiro: ainda está precificado a R$ 17,85 por quilo; Quarto traseiro: segue a R$ 25,40 por quilo; Ponta de agulha: permanece no patamar de R$ 17,50 por quilo.
SAFRAS NEWS
Produção de carne bovina no Brasil deve cair 2% em 2026 após cotas chinesas, diz Itaú BBA
Redução devido às salvaguardas da China é estimada em 200 mil toneladas. Em 2025, a China respondeu por cerca de 1,7 milhão de toneladas das exportações de carne bovina do Brasil
A imposição de salvaguardas pela China às importações de carne bovina deve resultar em retração da produção brasileira em 2026, segundo relatório do Itaú BBA. De acordo com o banco, a produção nacional deve recuar cerca de 2% no próximo ano, o equivalente a uma redução aproximada de 200 mil toneladas. No relatório, o Itaú BBA avalia que a medida chinesa, que estabelece cotas de importação com tarifas elevadas para volumes excedentes, aumenta a necessidade de diversificação dos destinos das exportações brasileiras. Em 2025, a China respondeu por cerca de 1,7 milhão de toneladas das exportações do Brasil, concentrando parcela relevante da demanda externa. A instituição financeira destaca que a queda projetada na produção tende a reduzir parte do excedente que precisaria ser redirecionado para outros mercados caso os embarques à China não se repitam em 2026 nos níveis observados em 2025. Segundo o banco, esse ajuste de oferta pode atenuar os impactos da salvaguarda sobre o mercado. “O Brasil poderia, por exemplo, abastecer o mercado doméstico da Argentina, permitindo que uma parcela maior da produção argentina seja direcionada às exportações para a China”, aponta o Itaú-BBA. No caso argentino, a cota estabelecida de 511 mil toneladas ficou acima das 436 mil toneladas exportadas o acumulado até novembro de 2025. O mesmo ocorre com o Uruguai, que teve cota de 324 mil toneladas tendo exportado 188 mil toneladas no mesmo período. O Itaú BBA também aponta espaço para aumento das exportações brasileiras de carne bovina aos Estados Unidos. Segundo o relatório, o crescimento do déficit norte-americano de carne bovina em 2026 abre oportunidade para ampliação dos embarques brasileiros, especialmente enquanto houver disponibilidade dentro das cotas de importação daquele país. Para o banco, a combinação entre retração da produção no Brasil e maior demanda dos Estados Unidos tende a moderar os efeitos negativos da limitação das vendas à China. “Mantida a decisão chinesa de alocação das cotas entre os países produtores, e caso o Brasil não possa aproveitar partes não preenchidas por outros países, será fundamental acompanhar a capacidade do Brasil de redistribuir suas exportações em um momento em que a oferta ainda se mantém relativamente elevada dentro do ciclo pecuário”, completa o banco.
VALOR ECONÔMICO
Brasil não sabe se a carne bovina em trânsito está sujeita a cotas da China
O governo brasileiro ainda não sabe se a carne bovina em trânsito para a China será considerada parte das novas cotas de importação que foram anunciadas por Pequim na semana passada, disse uma autoridade nesta terça-feira.
Herlon Brandão, chefe do departamento de estatísticas do Ministério do Comércio do Brasil, afirmou que os volumes de carne bovina brasileira em trânsito, com base nas informações disponíveis, representariam uma quantidade “pequena” em relação aos cerca de 1,5 milhão de toneladas métricas de carne bovina que o país sul-americano exportou para a China no ano passado. A China respondeu por cerca de metade dos volumes totais exportados pelo Brasil em 2025, que somaram um recorde de mais de 3 milhões de toneladas. O país asiático impôs uma tarifa adicional de 55% sobre as importações de carne bovina que excedem os níveis de cota dos principais fornecedores, incluindo Brasil, Austrália e EUA, como parte de uma medida para proteger seu setor doméstico de carne bovina. O setor de carne bovina do Brasil está preocupado com a incerteza em torno das regras. “As autoridades chinesas deixaram claro que o volume será calculado com base nas entradas efetivas no país a partir de 1º de janeiro de 2026, independentemente de contratos previamente assinados, cargas em trânsito ou produtos já embarcados”, disse o Sindifrigo-Mato Grosso, em um comunicado na terça-feira. O grupo acrescentou que, se essa “interpretação for confirmada sem nenhuma revisão”, o Brasil terá que deduzir aproximadamente 350.000 toneladas de sua cota designada para 2026, que é o volume estimado de cargas mantidas nos portos chineses aguardando liberação alfandegária, em navios em trânsito ou estocadas nos portos brasileiros. O Ministério da Agricultura do Brasil não fez nenhum comentário imediato sobre as preocupações expressas pelo setor de carne bovina do país. Cerca de 53% das exportações de carne bovina do Brasil foram para a China em 2025, gerando uma receita de US$ 8,8 bilhões, de acordo com novos dados comerciais. A China estabeleceu a nova cota de importação de carne bovina brasileira em 1,106 milhão de toneladas para 2026. Ela aumentará gradualmente para 1,128 milhão de toneladas em 2027 e 1,151 milhão de toneladas em 2028, de acordo com o anúncio de Pequim.
REUTERS
Como foi o consumo de carne bovina em 2025?
O setor, apesar de apresentar ritmo aquém do esperado em 2025, ganhou tração no final do ano e tem boa perspectiva para 2026. O Brasil assume, pela primeira vez na história, a posição de maior produtor de carne bovina.
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados (USDA, em inglês), a produção brasileira está estimada em 12,4 milhões de toneladas de equivalente carcaça¹ (tec.), aumento de 4,6% em relação a 2024. Os Estados Unidos, que liderou o ranking até então, passou ao segundo lugar, com produção estimada em 11,8 milhões de tec, queda de 4,0% no mesmo comparativo. Do lado das exportações, 2025 foi de recordes. Apesar do tarifaço imposto pelo governo norte-americano à carne bovina em agosto, que trouxe incertezas ao mercado, o volume exportado em 2025 já era o maior da história em novembro – os embarques somaram 3,8 milhões de tec de carne bovina in natura. Em outubro, o maior volume exportado em um único mês – 435,3 mil tec. A exportação, em 2025, teve papel importante. Mas, a produção brasileira ainda tem, como maior consumidor, o mercado interno – responsável por absorver quase 60,0% da produção. Mas, como foi o 2025 para o consumidor brasileiro? O consumo no mercado interno é influenciado por diversos fatores, como feriados, períodos festivos e, principalmente, pelo poder aquisitivo do consumidor. De acordo com o IBGE, a renda média mensal do brasileiro, até agosto de 2025, foi de R$3,6 mil, sendo que cerca de 2,8% desse valor foi destinado ao consumo de carne bovina. Além disso, a taxa de desocupação atingiu o menor patamar desde 2012, com 5,4% em agosto e 6,0% na média anual. Cenário favorável para a demanda, principalmente para alimentos. Os dados de gastos com o consumo de carne no Brasil mostram uma tendência de concentração nos primeiros e últimos meses do ano. Em 2025, até agosto, esse comportamento tem se repetido. Em São Paulo, considerando que a renda média da população em 2025 foi de R$4,3 mil por mês até setembro e que o gasto mensal com carne bovina representou, em média, 2,4% desse valor, ou R$102,54, e considerando o preço médio da carne bovina no varejo, de R$56,14/kg, o volume médio de carne bovina adquirida foi de 1,83kg. Por tratar-se de uma média não ponderada, pode-se considerar que a quantidade de carne comprada, em alguns momentos, foi superior. O preço médio da carne bovina no varejo apresentou alta em todos os meses de 2025, em comparação com os mesmos períodos de 2024. No entanto, ao analisar os preços máximos e mínimos praticados em cada ano, 2024 teve maior volatilidade – a variação entre o preço máximo e mínimo foi de 19,5%, ou R$8,98/kg. Em 2025, a oscilação foi de 2,7%, ou R$1,48/kg, ou seja, preços mais lateralizados. O cenário no fim de 2025 está sendo mais interessante para a indústria, do que em 2024 – apesar disso, no ano, a margem média da indústria foi relativamente menor em 2025. O motivo para as margens mais interessantes neste fim de ano? O aumento expressivo no preço da arroba e a dificuldade de repasse ao longo da cadeia. Considerando o Equivalente Scot Desossa, a margem média de comercialização em dezembro (até 19/12) está em 16,2%. Em maio, a maior margem para o ano – 22,5%. Cenário que foi resultado da queda no preço da arroba no período e do bom preço da carne bovina no setor atacadista sem osso e coprodutos. A menor margem ocorreu em abril – em 13,1% –, momento em que a cotação da arroba atingiu R$318,40, segunda maior média do ano. Para 2026, a expectativa é que o abate de bovinos no Brasil diminua (USDA). Com isso, os preços da arroba tendem a se manter firmes e, poderão, a depender do tamanho da redução de oferta, subir. No cenário exportador, o Brasil deve seguir sólido e a estimativa é de que 2026 seja o segundo melhor ano da história para o setor – 200,0 mil toneladas abaixo que em 2025 (USDA). A questão principal passará pelo mercado doméstico: a indústria frigorífica conseguirá repassar uma eventual alta da arroba para o consumidor brasileiro? As margens em 2025 se estreitaram e, para 2026, assim deve seguir – a não ser que o preço da carne suba e, as perspectivas, nesse sentido, são positivas. Considerando os indicadores macroeconômicos apresentados (renda per capita e taxa de desocupação) como cenário de entrada, outros pontos podem se somar a eles, como a isenção do imposto de renda para salários de até R$5 mil, o ano eleitoral e a realização da Copa do Mundo, que tendem a fortalecer o consumo e sustentar os preços da carne bovina.
SCOT CONSULTORIA
Brasil exporta 3,1 milhões de t de carne bovina in natura em 2025 e fatura US$ 16,6 bi
Só a China comprou 1,64 milhão de toneladas da proteína brasileira (incluindo também industrializados e miúdos) no ano passado, um aumento de 24,64% sobre 2024, destaca a Agrifatto
As exportações brasileiras de carne bovina in natura atingiram números recordes em 2025, tanto em volume quanto em faturamento, conforme os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Em quantidade, os embarques somaram 3,1 milhões de toneladas nos 12 meses do ano passado, com avanço de 21,4% sobre o resultado obtido em 2024. Em receita, as vendas externas da proteína totalizaram US$ 16,6 bilhões, com aumento anual de 42,5%. O preço médio da carne embarcada subiu 17,2% em 2025, para R$ 5.400/tonelada, em dados arredondados. Em relatório divulgado aos seus assinantes, a Agrifatto divulgou na terça-feira (6/1) os dados de exportações totais de carne bovina em 2025, incluindo as vendas de carne industrializada e tipos de miúdos, além dos produtos in natura. No total, informa a consultoria, o Brasil embarcou 3,63 milhões de toneladas de carne bovina, com crescimento de 20,29% sobre 2024, com preço médio anual de US$ 5.330/tonelada, um acréscimo anual de 16,46%. No consolidado de 2025, o Brasil enviou 1,64 milhão de toneladas ao mercado da China, um aumento de 24,64% frente ao ano anterior. Com isso, a participação chinesa sobre o total exportado ficou em 45,4% em 2025, uma elevação de 1,58 ponto percentual sobre 2024. Por sua vez, as exportações para os EUA totalizaram 271,79 mil toneladas no ano passado, o que fez o país ocupar o segundo lugar no ranking dos principais compradores de 2025, com participação de 7,5%. O México, relata a Agrifatto, chamou atenção pelo crescimento acelerado ao longo do ano. O país importou 118 mil toneladas de carne bovina brasileira em 2025, consolidando-se como o quinto principal destino, com participação de 3,3% e um salto anual de 156,15% em relação ao resultado de 2024.
PORTAL DBO
ECONOMIA
Dólar tem quarta baixa consecutiva no Brasil com receio menor sobre Venezuela
O dólar emplacou na terça-feira a quarta sessão consecutiva de queda ante o real, encerrando abaixo dos R$5,40, em um dia no geral positivo para os ativos brasileiros e de menor preocupação com a situação da Venezuela.
A moeda norte-americana à vista fechou o dia em baixa de 0,43%, aos R$5,3819, acumulando um recuo de 3,50% nas últimas quatro sessões. Às 17h03, o contrato de dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais líquido no Brasil — cedia 0,60% na B3, aos R$5,4155. Na segunda-feira, o dólar chegou a ser impulsionado ante o real pelo ataque dos Estados Unidos à Venezuela, em meio a preocupações quanto aos desdobramentos econômicos da operação que prendeu o líder venezuelano Nicolás Maduro. Mas na mesma sessão a divisa já virou para o negativo ante o real, com os temores sobre o ataque diminuindo. Na terça-feira, após chegar a exibir leves altas no início do dia, o dólar se firmou em baixa no fim da manhã, replicando o movimento da véspera. “Depois do ataque dos EUA (à Venezuela), eu imaginava uma aversão a risco entre as moedas da América do Sul, com investidores saindo de divisas como o real”, pontuou durante a tarde Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos, acrescentando que aparentemente o mercado absorveu a ação norte-americana. No exterior, o dólar sustentava durante a tarde ganhos ante as divisas fortes, mas tinha sinais mistos em relação a moedas de emergentes, como o peso chileno e o peso mexicano. Às 17h07 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,18%, a 98,565. Para o restante da semana, a expectativa gira em torno da divulgação de dados de inflação no Brasil, na sexta-feira, e de números do mercado de trabalho norte-americano, na quarta e na quinta-feira. Durante a tarde da terça-feira, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou que o Brasil encerrou 2025 com saldo positivo de US$68,293 bilhões na balança comercial, terceiro melhor resultado anual já registrado, com recorde de exportações e crescimento mais forte de importações. A projeção do MDIC para a balança comercial em 2026 é de superávit de US$70 bilhões a US$90 bilhões.
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Ibovespa fecha em alta com maior apetite ao risco; Vale e bancos avançam
O Ibovespa fechou em alta firme na terça-feira, impulsionado pelo ambiente global mais favorável a ativos de risco, tendo também como suporte ganhos de ações de peso do índice, como Vale e papéis do setor financeiro, que tiveram mais uma sessão positiva.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,11%, a 163.665,56 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 161.869,76 na mínima e 164.135,03 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão da terça-feira somava R$22 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Brasil tem superávit comercial de US$68,3 bi em 2025 e governo vê saldo de até US$90 bi em 2026
O Brasil encerrou 2025 com saldo positivo de US$68,293 bilhões na balança comercial, terceiro melhor resultado anual já registrado, com recorde de exportações e crescimento mais forte das importações, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados na terça-feira.
Também na terça, o MDIC apresentou sua projeção para o saldo comercial em 2026, prevendo um resultado positivo de US$70 bilhões a US$90 bilhões. Pela estimativa do MDIC, este ano deve ser encerrado com exportações entre US$340 bilhões e US$380 bilhões, enquanto as importações ficariam entre US$270 bilhões e US$290 bilhões. O superávit de US$68,3 bilhões da balança comercial brasileira em 2025 ficou acima das previsões do governo. O MDIC previa um saldo positivo de US$60,9 bilhões para o ano, em estimativa informada em outubro. O resultado comercial do ano passado reflete um valor de US$348,7 bilhões em exportações — patamar mais alto da série histórica — e de US$280,4 bilhões em importações, nível também recorde. As exportações em 2025 ficaram 3,5% acima do resultado do ano anterior, consequência de aumento do volume vendido, mais do que compensando um recuo nos preços médios dos produtos. Já as importações subiram com mais força, alta de 6,7% em relação ao verificado em 2024. Em meio ao tarifaço implementado pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, houve recuo nos embarques para o país norte-americano, uma queda de 6,6% no ano, segundo o MDIC. A participação do país norte-americano no total das exportações brasileiras caiu de 12,0% em 2024 para 10,8% em 2025. Por outro lado, as vendas para China cresceram 6% no período, levando o país asiático a responder por uma fatia de 28,7% das exportações brasileiras no ano passado, ante 28,0% em 2024. A China é o maior comprador de produtos do país. Os Estados Unidos impuseram em agosto do ano passado uma tarifa de 50% sobre uma série de produtos brasileiros, provocando alarme em setores produtivos e levando o governo a anunciar medidas emergenciais de crédito e alívio tributário. Enquanto produtores buscavam mercados alternativos para direcionamento dos produtos, negociações levaram os Estados Unidos a ampliarem exceções à tarifa ao longo do ano, aumentando a lista de itens poupados da cobrança. Em novembro o governo estimou que 22% das exportações para os EUA seguiam sujeitas à taxa de 50%. No recorte por setores, as vendas do Brasil ao exterior cresceram com mais força na agropecuária (+7,1%), seguida da indústria de transformação (+3,8%). Por outro lado, as exportações da indústria extrativa caíram 0,7%. O saldo anual foi incrementado pelo resultado de dezembro, um superávit de US$9,633 bilhões, com US$31,037 bilhões em exportações e US$21,405 bilhões em importações.
REUTERS
EMPRESAS
Frigoríficos buscam saídas para cota da China para carne
Opção discutida no setor é a distribuição das cotas entre os exportadores, medida que pode encontrar dificuldade para um consenso entre algumas empresas. Distribuição dos volumes seria uma tentativa de evitar uma corrida para compra de gado por frigoríficos exportadores, com o intuito de atender a cota
Os frigoríficos brasileiros avaliam as alternativas para lidar com a nova cota para exportação de carne bovina à China, de 1,1 milhão de toneladas, e a tarifa de 55% para os embarques que excederem esse volume. Uma opção discutida no setor é a distribuição da cota entre os exportadores, medida que pode enfrentar resistência de algumas empresas. A distribuição dos volumes seria uma tentativa de evitar uma corrida para compra de gado por frigoríficos exportadores, com o intuito de atender a cota. Se isso ocorrer, num momento em que a oferta de gado de pasto é maior, os preços da arroba podem recuar, já que a tendência é que os pecuaristas vendam, disse o diretor da Scot Consultoria, Alcides Torres. “Se as empresas não conseguirem um consenso, o preço cai porque vai todo mundo correr para entregar carne dentro da cota”, afirmou. “A ideia é distribuir essa cota entre os frigoríficos exportadores, tendo como base o desempenho de exportação em 2025 ou nos últimos anos”, acrescentou. Uma fonte da indústria observou, no entanto, que isso não seria uma tarefa simples, visto que algumas companhias tiveram discordâncias recentes em outros temas. Um exemplo é a relação entre MBRF — resultado da fusão entre Marfrig e BRF — e a Minerva, companhias que passaram por conflitos em 2025, quando a Minerva se mostrou contrária à união. “A Minerva estaria crescendo nos embarques para a China, dada a aquisição de plantas da Marfrig, mas não tem histórico disso ainda, então colocar critérios como esse e chegar em consenso (para distribuir a cota) me parece algo desafiador com esses players”, disse a fonte ao Valor. Questionadas, MBRF e Minerva não comentaram. As empresas do setor também defendem, junto ao governo federal, que as cargas brasileiras que estão nos portos chineses ou em trânsito, rumo à China, não sejam incluídas na cota que entrou oficialmente em vigor no dia 1 de janeiro. Esses volumes representam cerca de 350 mil toneladas. Paulo Bellicanta, presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo MT), afirmou, em artigo, que se esses volumes forem considerados dentro da cota, restariam pouco mais de 750 mil toneladas disponíveis para produção destinada ao mercado chinês durante todo o ano de 2026. “Dividido pelos 12 meses, esse volume se traduz em aproximadamente 62,5 mil toneladas mensais, um patamar totalmente desconectado da realidade atual do setor”, estimou. Para efeito de comparação, o Brasil vinha exportando, nos últimos meses, volumes superiores a 160 mil toneladas mensais à China. “O único caminho possível é o diálogo institucional com as autoridades chinesas, em busca de um entendimento equilibrado, construído de governo para governo”, sugeriu Bellicanta.
GLOBO RURAL
FRANGOS & SUÍNOS
Exportações de carne de frango fecham ano com alta de 0,6%
Embarques de dezembro crescem 13,9% e alcançam 510,8 mil toneladas
De acordo com levantamentos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações brasileiras de carne de frango totalizaram, no ano, 5,324 milhões de toneladas ao longo dos 12 meses de 2025, volume que supera em 0,6% o total exportado em 2024, com 5,294 milhões de toneladas — estabelecendo novo recorde para as exportações anuais do setor. O resultado foi consolidado pelos embarques realizados durante o mês de dezembro. Ao todo, foram embarcadas 510,8 mil toneladas de carne de frango no período, volume 13,9% superior ao registrado no décimo segundo mês de 2024, com 448,7 mil toneladas. Com isso, a receita total das exportações de 2025 alcançou US$ 9,790 bilhões, saldo 1,4% menor em relação ao registrado em 2024, com US$ 9,928 bilhões. Apenas no mês de dezembro, foram registrados US$ 947,9 milhões, número 10,6% maior em relação ao mesmo período do ano anterior, com US$ 856,9 milhões. Principal destino das exportações de carne de frango em 2025, os Emirados Árabes Unidos importaram 479,9 mil toneladas (+5,5% em relação a 2024), seguidos pelo Japão, com 402,9 mil toneladas (-0,9%), Arábia Saudita, com 397,2 mil toneladas (+7,1%), África do Sul, com 336 mil toneladas (+3,3%), e Filipinas, com 264,2 mil toneladas (+12,5%). Houve o restabelecimento total dos embarques após os impactos da Influenza Aviária já sinaliza positivamente nos números das exportações. É o caso dos embarques para a União Europeia, que registraram alta de 52% nos volumes exportados em dezembro, e da China, que, em um curto período, já importou 21,2 mil toneladas. São indicadores que projetam a manutenção do cenário positivo para o ano de 2026.
ABPA
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