
Ano 11 | nº 2604 | 27 de novembro de 2025
NOTÍCIAS
Cotação do boi tem movimentos distintos nos estados
São Paulo tem 14 dias de estabilidade no boi gordo
De acordo com a análise divulgada na quarta-feira (26) pelo informativo “Tem Boi na Linha”, da Scot Consultoria, “a cotação do boi gordo está estável em São Paulo”. Segundo o boletim, todas as categorias abriram o dia sem variações, após 14 dias consecutivos de estabilidade nos preços para machos e novilhas e oito dias para vacas. As escalas de abate estavam, em média, previstas para seis dias. Em Alagoas, o informativo registrou que “todas as categorias tiveram alta de R$ 2,00 por arroba”, movimento que, segundo a consultoria, marcou o comportamento do mercado no estado. Para Roraima, a Scot Consultoria informou que “a cotação não mudou na comparação dia a dia”, indicando manutenção dos preços no mercado regional. No Rio de Janeiro, o levantamento apontou que “a oferta de bovinos estava enxuta”, o que, segundo a consultoria, sustentou as cotações no estado. No Maranhão, a análise registrou que “a cotação da vaca e da novilha subiu R$ 2,00 por arroba”, enquanto o preço do boi gordo permaneceu estável, sem alteração em relação ao dia anterior.
SCOT CONSULTORIA
Boi gordo: queda nas cotações
O mercado físico do boi gordo se deparou com tentativas de compra em patamares mais baixos nas principais regiões produtoras do país, incluindo São Paulo, onde os frigoríficos começam a indicar para escalas de abate mais confortáveis.
De acordo com o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, o destaque vai para o fato de, logo no início do dia, as autoridades chinesas terem anunciado que a investigação em torno do impacto das importações de carne bovina sobre a produção local foi prorrogada para o dia 26 de janeiro de 2026. “Foi o segundo adiamento dessa investigação que foi iniciada no final de 2024. Essa é uma variável determinante para o mercado do boi gordo, considerando o peso da China na importação de carne bovina brasileira”, disse. Preços médios da arroba do boi: São Paulo: R$ 321,25 — ontem: R$ 324,33. Goiás: R$ 315,18 — R$ 315,36. Minas Gerais: R$ 312,65 — R$ 313,53. Mato Grosso do Sul: R$ 317,39 — R$ 318,30. Mato Grosso: R$ 300,05 — R$ 300,57. O mercado atacadista se depara com preços firmes. Segundo Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere por alguma alta dos preços durante a semana, em linha com a boa demanda prevista para o período. “Com a demanda interna chegando ao seu auge durante o último bimestre, o que se espera é maior propensão a reajustes dos preços do traseiro bovino, cortes mais apreciados nesse período do ano”, assinalou. Quarto traseiro: segue a R$ 25,75 por quilo. Quarto dianteiro: se mantém a R$ 19,25 por quilo. Ponta de agulha: continua em R$ 18,75 por quilo.
SAFRAS NEWS
Brasileiro vai pagar mais caro pelo churrasco em 2026
Especialistas explicam fatores que devem pressionar o preço das carnes no próximo ano.
O churrasco deve ficar mais caro para os brasileiros em 2026. Isso porque o preço da carne bovina deve subir nos próximos meses, pressionando outras proteínas também comuns à mesa, como a carne de frango e os ovos. Segundo Felippe Serigati, pesquisador do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV Agro), o motivo é o ciclo pecuário. O movimento natural de alta e baixa nos preços do gado ao longo dos anos deve ditar o ritmo do mercado em um cenário onde a oferta de animais tende a diminuir, enquanto a demanda e os custos de produção seguem elevadas. A combinação desses fatores resulta em novo reajuste. Em outubro, as carnes registraram elevação de 0,21% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial. No acumulado de 12 meses, a alta foi de 12,24%, puxada, principalmente, pelo peito (17,04%) e a capa de filé (16,69%). A picanha, corte tradicional e preferido nos churrascos, teve aumento de 7,68% no mesmo período.
| Veja as maiores altas do último ano: Cortes | Variação acumulada em 12 meses |
| Filé mignon | 8,97% |
| Cupim | 12,20% |
| Alcatra | 14,67% |
| Músculo | 14,32% |
| Acém | 14,27% |
| Peito | 17,04% |
| Capa de filé | 16,69% |
| Costela | 11,63% |
| Picanha | 7,68% |
Fonte: IBGE
Quando o bezerro está valorizado para venda, é comum que o pecuarista decida manter uma parcela maior de vacas no rebanho para ampliar a produção. E, a longo prazo, a quantidade de carne no mercado cai, pressionando a demanda. “O animal, ao invés de virar bife, fica retido para poder produzir bezerros. Aí, temos uma produção menor de carne e, naturalmente, o preço tende a subir”. A expectativa era de que este processo, conhecido como a reversão do ciclo pecuário, ocorresse em 2025, impulsionado pela recuperação do preço do bezerro desde 2024, mas não aconteceu. “Continuamos enxergando um processo intenso de fêmeas sendo encaminhadas para o abate, ou seja, o descarte destes animais. Isso, em algum momento, deve mudar, provavelmente no ano que vem, porque o preço do bezerro já subiu. Com a retenção de fêmeas os preços serão pressionados”, explica Serigati. Ao notarem a valorização do bezerro para a venda, os pecuaristas tendem a manter uma parcela maior de vacas no rebanho com o objetivo de ampliar a produção. E, a longo prazo, a quantidade de carne no mercado cai, elevando o preço. Uma das consequências da alta da carne bovina será a pressão sobre outras proteínas consumidas em grande quantidade. Fernando Iglesias, coordenador de Mercados da consultoria Safras & Mercado, também vê o ciclo pecuário como principal fator para a alta prevista no preço da carne bovina em 2026. No entanto, não será o único. Segundo ele, o comportamento das exportações deve ter peso decisivo no reajuste. “Nos anos de 2024 e 2025, o abate de fêmeas foi muito expressivo no Brasil, e isso é um sinal forte. Quando se descartam muitas fêmeas, a oferta é menor de animais jovens nas categorias de reposição de bezerro, boi magro e assim por diante lá na frente. O pecuarista, agora, opta pela retenção para gerar novos animais. Mas isso não acontece de uma maneira imediata. O que poderemos ver é um abate menor no próximo ano. Além disso, a venda de carne bovina para o exterior segue muito contundente e com a expectativa de números ótimos no próximo ano”. “Imagino que vamos ter preços altos no próximo ano para a carne bovina. A expectativa do mercado é essa. O consumidor brasileiro vai pagar mais por essa carne, sim. Se a China mantiver o ritmo de compra que teve esse ano, vamos bater recorde de embarques, caso contrário, teremos problemas. Mas mantendo um forte ritmo de embarque, o preço da carne fica mais alto”, completa Iglesias.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar cai a R$5,3336 com exterior favorável a moedas de países emergentes
O dólar emplacou o terceiro dia consecutivo de queda ante o real na quarta-feira, em uma sessão no geral positiva para os ativos brasileiros e de baixa para a moeda norte-americana ante a maior parte das divisas no exterior.
A expectativa de corte de juros pelo Federal Reserve em dezembro seguiu favorecendo moedas de países emergentes, como o real. O dólar à vista fechou em baixa de 0,79%, aos R$5,3336 na venda. No ano, a divisa acumula perdas de 13,68%. Às 17h02, o contrato de dólar futuro para dezembro — atualmente o mais negociado no Brasil — cedia 0,91% na B3, aos R$5,3360. O dólar demonstrou maior acomodação no início da quarta-feira, mantendo-se próximo da estabilidade após a divulgação do IPCA-15 de novembro. O indicador, considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,20% em novembro, ante 0,18% em outubro. Economistas ouvidos em pesquisa da Reuters projetavam taxa de 0,18% em novembro. Durante a tarde, porém, o dólar passou a registrar perdas mais intensas ante o real, em paralelo à forte alta do Ibovespa, para acima dos 158 mil pontos, e em sintonia com o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior. A continuidade das apostas de que o Federal Reserve cortará juros em dezembro serviu como pano de fundo para o movimento. O mercado de títulos norte-americano precificava no fim da tarde cerca de 85% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da taxa de juros, contra perto de 15% de chance de manutenção na faixa de 3,75% a 4,00%, conforme a Ferramenta CME FedWatch. Na semana passada, a probabilidade de corte era inferior a 50%. Assim, após registrar no Brasil a maior cotação da sessão, de R$5,3917 (+0,29%), às 9h41, o dólar à vista cedeu à mínima de R$5,3321 (-0,82%) às 16h57, pouco antes do fechamento. No exterior, o dólar seguia em baixa ante a maior parte das divisas no fim da tarde. Às 17h19, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,28%, a 99,572.
REUTERS
Ibovespa renova recorde com retomada de apostas de corte de juros nos EUA
O Ibovespa avançou na quarta-feira e fechou acima dos 158 mil pontos pela primeira vez na história, em meio a crescentes expectativas de mais um corte de juros nos Estados Unidos em 2025, o que tende a favorecer o fluxo de capital externo para as ações brasileiras.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,7%, a 158.554,94 pontos, nova máxima de fechamento. No melhor momento, chegou a 158.713,52 pontos, recorde intradia, superando o topo de 11 de novembro. Na mínima, marcou 155.914,29 pontos. O volume financeiro somou R$26,05 bilhões. Dados sugerindo que a economia dos EUA está fraca o suficiente para o Federal Reserve reduzir os juros no país, mas não a caminho de uma recessão, combinados com declarações recentes de autoridades do banco central norte-americano, reavivaram as apostas para novo alívio monetário em dezembro. De acordo com a ferramenta FedWatch, da CME, os futuros de juros nos EUA agora precificam uma chance de 85,2% de redução de 0,25 ponto percentual no próximo mês, quase o dobro da probabilidade embutida nas apostas na semana passada. O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed anunciará sua decisão de política monetária no próximo dia 10 de dezembro. Em Wall Street, o S&P 500 fechou em alta de 0,69%, também apoiado nas perspectivas envolvendo os próximos passos dos Fed, além de mais um dia positivo no setor de tecnologia, com Dell entre os destaques após previsões acima das expectativas de analistas. A nova máxima do Ibovespa tem como pano de fundo um posicionamento mais positivo de estrangeiros na bolsa paulista. Após um começo de mês com saída líquida de estrangeiros da bolsa paulista, os últimos pregões têm registrado entradas que ajudaram a virar o saldo no mês, que agora está positivo em cerca de R$4,2 bilhões no mercado secundário de ações até o dia 21. No ano, o superávit alcança quase R$29,5 bilhões. Em meio a expectativas de que o Banco Central comece a reduzir a Selic no começo do próximo ano, nem o IPCA-15 de novembro um pouco acima das previsões, com alta de 0,20%, minou o viés comprador na bolsa paulista, uma vez que o avanço em 12 meses arrefeceu a 4,50%, de 4,94% em outubro. O noticiário local ainda mostrou que o governo central registrou superávit de R$36,527 bilhões em outubro, resultado que, na visão da equipe da Warren Rena, corrobora o cenário de cumprimento da meta fiscal no ano, ao menos em seu limite inferior, após as deduções legais.
REUTERS
IPCA-15 sobe um pouco mais que o esperado em novembro, mas atinge teto da meta em 12 meses
O IPCA-15 subiu um pouco mais do que o esperado em novembro, de acordo com dados divulgados pelo IBGE na quarta-feira, mas ainda assim desacelerou no acumulado em 12 meses, marcando o teto da meta perseguida pelo Banco Central.
Em novembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu 0,20%, após alta de 0,18% em outubro e expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,18%. Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a taxa acumulada em 12 meses até novembro foi a 4,50%, de 4,94% em outubro, resultado que atinge exatamente o teto do objetivo para a inflação–3,0% medido pelo IPCA, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. O resultado em 12 meses ficou praticamente em linha com a projeção de 4,49% na pesquisa. No entanto, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou na véspera que a instituição não pode perseguir o limite superior da meta de inflação, mas sim o centro do alvo. Segundo ele, o BC, que vem mantendo a taxa básica de juros em 15%, ainda está insatisfeito com o nível da inflação. A autoridade monetária volta a se reunir para deliberar sobre a política monetária em 9 e 10 de dezembro, com expectativa de nova manutenção da Selic. Segundo o IBGE, a maior variação e o maior impacto positivo no resultado do IPCA-15 de novembro vieram do grupo Despesas pessoais, com alta de 0,85%. Isso foi influenciado, principalmente, pelos aumentos de preços em hospedagem (4,18%) e pacote turístico (3,90%). Também exerceu forte pressão a alta de 0,29% de Saúde e cuidados pessoais com o avanço de 0,50% dos planos de saúde. Os custos de Transportes tiveram alta de 0,22%, com as passagens aéreas aumentando 11,87% e compensando a queda de 0,46% dos combustíveis. O grupo Alimentação e bebidas, que exerce o maior peso no índice, voltou a apresentar avanço dos preços, de 0,09%, após cinco meses de queda, com aceleração da alta de alimentação fora do domicílio a 0,68%. Segundo a mais recente pesquisa Focus realizada pelo BC, a expectativa de especialistas é de que a inflação termine este ano a 4,45%, indo a 4,18% em 2026.
REUTERS
Governo central registra superávit primário de R$36,5 bi em outubro, informa Tesouro
O Tesouro Nacional informou na quarta-feira que o governo central registrou superávit de R$36,527 bilhões em outubro, montante inferior ao superávit de R$41,046 bilhões obtido no mesmo mês do ano passado.
O desempenho das contas foi decorrente de receitas líquidas — que excluem transferências para governos regionais — de R$228,991 bilhões, com alta real de 4,5% sobre o mesmo período do ano anterior, e despesas totais de R$192,464 bilhões, com alta de 9,2%, já descontada a inflação.
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Estoque de crédito no Brasil sobe 0,9% em outubro, diz BC
O estoque total de crédito no Brasil subiu 0,9% em outubro sobre o mês anterior, divulgou o Banco Central.
No mês, a inadimplência no segmento de recursos livres ficou em 5,3% e o spread bancário no mesmo segmento foi de 32,6 pontos percentuais.
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Confiança da indústria do Brasil cai em novembro com piora da avaliação da situação atual, diz FGV
A confiança da indústria no Brasil apresentou queda em novembro diante da piora da avaliação da situação atual, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) na quarta-feira. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu 0,7 ponto na comparação com o mês anterior e atingiu 89,1 pontos, de acordo com os dados da FGV.
“Em novembro a confiança da indústria caiu pela oitava vez no ano, ampliando o sentimento de pessimismo no setor”, explicou o economista do FGV IBRE Stéfano Pacini, em nota. “O resultado da sondagem retrata a complexidade do ambiente macroeconômico para o setor industrial que sofre com a política monetária contracionista. Apesar do bom momento do mercado de trabalho, a indústria segue pessimista com a demanda e o alto nível de estoques, indicando estar distante de um reaquecimento da atividade”, completou. O Índice de Situação Atual (ISA), que mede o sentimento dos empresários sobre o momento presente do setor industrial, caiu 4,6 pontos, para 89,6 pontos, segundo a FGV. Segundo Pacini, as empresas reportaram nível elevado de estoques e avaliações piores sobre a demanda. O Índice de Expectativas (IE), indicador da percepção sobre os próximos meses, teve alta de 3,4 pontos, para 88,8 pontos, após cinco meses de quedas. Buscando levar a inflação à meta de 3%, o Banco Central tem mantido a Selic em 15% ao ano, maior patamar em 20 anos, sem dar indicações em suas comunicações oficiais sobre quando poderá cortar os juros. A autoridade monetária volta a se reunir em 9 e 10 de dezembro, com expectativa de nova manutenção da taxa básica de juros.
REUTERS
Agroindústria ‘zerou’ as perdas do trimestre no mês de setembro
Produção de alimentos cresceu na comparação anual diante das vendas mais aquecidas no mercado interno e busca por alternativas para exportação. Segmento de produtos alimentícios e bebidas teve um crescimento no conjunto de 5,8 em setembro
A agroindústria brasileira registrou crescimento de produção de 2,3% em setembro, interrompendo uma sequência de três meses consecutivos com decréscimo. O resultado, puxado pela produção de alimentos, praticamente anulou as perdas dos dois meses anteriores, e fez com que o resultado do terceiro trimestre fosse de queda de 0,1%. Os dados são do Índice de Produção Agroindustrial PIM Agro, elaborado pelo Centro de Estudos do Agronegócio (FGV Agro). O centro ressaltou que o setor contou com um mercado interno aquecido, além de ter buscado alternativas ao tarifaço implementado pelo presidente americano Donald Trump em agosto. O segmento de produtos alimentícios e bebidas teve um crescimento no conjunto de 5,8% — a maior expansão em cinco anos —, mas a alta foi reflexo apenas da indústria de alimentos, cuja produção subiu 7,1%. Houve ganhos na produção de alimentos de origem animal (7,9%), com maior aquecimento das indústrias de carnes bovina, suína e de frango, de pescados e de laticínios. Entre os alimentos de origem vegetal, a produção cresceu 5,9%, com aumento generalizado em óleos e gorduras, trigo, arroz, açúcar, café e conservas e sucos. Já a produção da indústria de bebidas teve queda de 1,5% em setembro, puxada pela baixa de 6,7% na produção de bebidas alcoólicas, a sexta queda consecutiva do setor. O FGV Agro ressaltou que o resultado do mês ainda não refletiu os casos de contaminação de bebidas com metanol, que apareceram no fim do mês. Já a agroindústria de produtos não-alimentícios teve uma queda agregada de 1,5% no mês, puxada exclusivamente pela menor fabricação de etanol a partir da cana-de-açúcar, já que as usinas até então estavam priorizando a produção de açúcar. A produção do setor de biocombustíveis recuou 24,4%, o pior desempenho para um mês de setembro desde 2009. Nas demais agroindústrias não alimentícias, os resultados foram positivos. A produção de fumo cresceu 35%, o que coloca o setor em um patamar de produção 33,5% maior que o de antes das enchentes do Rio Grande do Sul em maio do ano passado. O FGV Agro destacou ainda a alta de 7,7% na produção de insumos, com avanços em tratores e máquinas, intermediários para fertilizantes e, principalmente, de defensivos e desinfetantes domissanitários. Já o setor de produtos têxteis teve expansão de 5,8%, e o de produtos florestais, de 2,4%.
VALOR ECONÔMICO
GOVERNO
Novas aberturas de mercado já renderam US$ 3 bilhões em exportações do agro
Mercados abertos desde 2023 representam um potencial de negócios de mais de R$ 33,3 bilhões. Produtos agrícolas brasileiros ganharam 491 mercados desde 2023
As aberturas de 491 novos mercados para produtos do setor agropecuário já incrementaram cerca de US$ 3 bilhões à balança comercial brasileira de 2023 até agora e poderão render US$ 3,8 bilhões em negócios anualmente no curto prazo. Os dados fazem parte de um levantamento da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) apresentado durante evento anual de adidos agrícolas, em Brasília, na quarta-feira (26/11). O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, afirmou que o número será potencializado nos próximos anos à medida que a promoção comercial avançar e os negócios fluírem nos novos mercados. Ele ressaltou que as aberturas garantiram bons resultados para a balança comercial do agro em 2025 “mesmo com o tarifaço e todas as dificuldades”. No acumulado de janeiro a outubro deste ano, as exportações do agronegócio somaram US$ 141,97 bilhões, crescimento de 1,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O gerente de Agronegócio da ApexBrasil, Laudemir Müller, afirmou que os mercados abertos desde 2023 representam um potencial de negócios de mais de R$ 33,3 bilhões. “Essas aberturas colocam o Brasil em mercados de US$ 33 bilhões onde não estávamos. Isso dá a dimensão e impacto desse tipo de trabalho”, afirmou no evento. Ao analisar 400 novos mercados abertos desde 2023, sem considerar os últimos 91 concretizados nos últimos meses, a avaliação da ApexBrasil é de que as aberturas já renderam US$ 2,3 bilhões em negócios realizados. Com os 491, o faturamento chega a US$ 3 bilhões no período. No curto prazo, se os exportadores brasileiros dos produtos que conseguiram novos mercados alcançarem o mesmo ritmo de vendas que já têm em destinos consolidados, a estimativa da ApexBrasil é que os negócios gerem incremento de US$ 3,8 bilhões por ano nas exportações. “Alcançando o mesmo market-share que o Brasil possui no mundo nos mercados abertos desde 2023, teremos um crescimento de US$ 3,8 bilhões anuais”, destacou Müller. O principal ganho no período foi com exportações para a América do Norte, principalmente para o México. Com as aberturas do mercado mexicano para as carnes suína e bovina do Brasil, os embarques para lá desde 2023 passaram de US$ 1,1 bilhão, de acordo com o levantamento da ApexBrasil. Apenas em 2025, são US$ 723 milhões até outubro. Em 2022, esses negócios estavam zerados. Outros exemplos citados pelo gerente são as exportações de algodão em pluma para o Egito, mercado aberto em 2023 e que já rendeu faturamento acumulado de US$ 177,4 milhões. Só em 2025, foram US$ 113 milhões. “Em três anos, já superamos no Egito a participação de venda de algodão da média mundial, que é 30%. Imaginávamos que chegaríamos a US$ 80 milhões e já passamos de US$ 113 milhões”, disse Müller. Para a China, a exportação de gergelim, mercado aberto em novembro de 2024, já faturou US$ 158,7 milhões. O incremento nas vendas com os mercados abertos gerou faturamento extra para todas as regiões do país entre janeiro de 2023 e outubro de 2025, disse Müller. Na região Norte, os 400 mercados abertos geraram exportações US$ 264 milhões; no Centro-Oeste, foram US$ 1,2 bilhão. No Sul e no Sudeste, as novas oportunidades resultaram em US$ 457 milhões e US$ 278 milhões em negócios, respectivamente. Empresas do Nordeste venderam US$ 62 milhões no período para os novos mercados abertos.
GLOBO RURAL
MEIO AMBIENTE
Parlamento Europeu adia lei antidesmatamento por mais um ano
Objetivo é permitir que as grandes empresas façam as adaptações necessárias para cumprir a regulação. O texto foi aprovado por 402 votos a favor, 250 votos contrários e oito abstenções
O Parlamento Europeu aprovou nesta quarta-feira (26/11) medidas para simplificar a implementação do Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR). Como parte das decisões, o parlamento confirmou o adiamento, por um ano, do início da aplicação das regras. O texto foi aprovado por 402 votos a favor, 250 votos contrários e oito abstenções. O texto segue agora para negociação com os Estados-Membros. A versão final precisa ser aprovada pelo Parlamento e pelo Conselho Europeu e publicada no Jornal Oficial da UE até o fim de 2025, para que o adiamento de um ano entre em vigor. O objetivo do adiamento é permitir que as grandes empresas façam as adaptações necessárias para cumprir a regulação, que passa a valer a partir de 30 de dezembro de 2026. As micro e pequenas empresas terão até 30 de junho de 2027 para se adaptarem. O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, destacou a importância da extensão do prazo para o setor exportador brasileiro. “Terão mais um ano de prazo para se adequar”, afirmou. Entre as medidas de simplificação estão a simplificação do dever de diligência (due diligence). A obrigação de declaração de due diligence fica agora com as empresas que enviam o produto para o mercado da União Europeia e não mais com as operadoras e empresas que comercializarem os produtos posteriormente. Os operadores passam a ter que apresentar uma declaração simplificada apenas uma vez, em vez de uma declaração a cada remessa, desde que os dados permaneçam válidos. As atualizações são opcionais e exigidas apenas em caso de mudanças significativas. Os micros e pequenos operadores primários podem usar um endereço postal, em vez de coordenadas geográficas precisas das áreas de produção. Os operadores também poderão informar quantidades anuais estimadas de produção uma única vez em suas declarações. O Parlamento Europeu também solicitou uma revisão de simplificação até 30 de abril de 2026, para avaliar possíveis ajustes e reduzir burocracias. O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, afirmou que a aprovação do adiamento da implementação da EUDR pelo Parlamento Europeu é uma “volta à racionalidade”. Segundo ele, a proposta de simplificação das regras é o principal ponto a ser observado na nova prorrogação. Rua disse que o Brasil conseguiu evoluir na demonstração da sua sustentabilidade, com a COP30 e com a redução dos níveis de desmatamento. “O Brasil tem mostrado suas políticas sustentáveis. Os níveis de desmatamento têm caído, e eu acho que é uma medida que vem em boa hora”, concluiu.
GLOBO RURAL
CARNES
Conab prevê novo recorde na produção de carne de frango em 2026, estimada em 15,86 milhões de toneladas
No caso da carne bovina, em 2025 a produção é estimada em 11,38 milhões de toneladas, volume levemente superior ao obtido em 2024. As exportações seguem aquecidas e a expectativa é que até o final de 2025 sejam embarcadas 4,21 milhões de toneladas, o maior volume já registrado.
O bom resultado da avicultura de corte, junto com a suinocultura, influencia positivamente a produção das três principais proteínas mais consumidas pelos brasileiros, estimada em 32,6 milhões de toneladas. A produção de carne de frango em 2026 pode chegar a cerca de 15,86 milhões de toneladas. Se confirmado, o volume representa um novo recorde na série histórica da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), superando a estimativa de produção deste ano, que é de 15,5 milhões de toneladas. O bom resultado da avicultura de corte, junto com a suinocultura, influencia positivamente a produção de carnes no país. Devem ser produzidas no país 32,6 milhões de toneladas de carnes, quando somadas as três principais proteínas mais consumidas pelos brasileiros (aves, suína e bovina). O volume previsto para o próximo ano representa uma ligeira alta de 0,4% em relação à quantidade prevista para este ano, de 32,48 milhões de toneladas, e se configura como um novo recorde. É o que revela o quadro de suprimento do produto atualizado nesta quarta-feira (26) pela estatal. Neste ano, o bom resultado da produção de carne de frango permite um aumento na disponibilidade interna do produto no mercado doméstico, mesmo com o ligeiro aumento nas exportações, estimadas em 5,2 milhões de toneladas, frente ao volume embarcado em 2024 de 5,15 milhões de toneladas. Vale lembrar que as vendas ao mercado internacional foram afetadas pelo registro de um caso de Influenza Aviária em maio, no Rio Grande do Sul. Ainda assim, os embarques seguiram aquecidos, com outros mercados absorvendo parte significativa da produção, amenizando o impacto nas exportações. Neste mês, a China, o maior importador de carne de frango, declarou a retomada das compras do produto brasileiro. Para 2026, a expectativa é de continuidade da trajetória positiva das exportações, com o volume total embarcado estimado em 5,25 milhões de toneladas. Mais uma vez, o aumento nas vendas internacionais não deve impactar o mercado doméstico, já que a disponibilidade interna também deve crescer no próximo ano em 3,1%, saindo de 10,3 milhões de toneladas em 2025 para 10,62 milhões de toneladas em 2026, possibilitando que a disponibilidade per capita seja estimada em 51,3 quilos por habitante, garantindo o abastecimento. Panorama semelhante é esperado para a carne suína. Em 2025, a produção deve chegar a 5,63 milhões de toneladas. As exportações seguem crescendo, mesmo com a desaceleração da demanda chinesa em razão da recuperação do seu plantel após ser afetada pela Peste Suína Africana (PSA), e devem atingir 1,48 milhão de toneladas até o final deste ano. Ainda assim, a disponibilidade interna deve sair de 4 milhões de toneladas em 2024 para 4,16 milhões de toneladas em 2025. Esse cenário positivo tende a se repetir no próximo ano. Em 2026, a Conab espera uma alta na produção de 4,5% em comparação com este ano, podendo chegar a 5,88 milhões de toneladas. Esse aumento no volume produzido possibilita uma nova elevação nos embarques, projetados em 1,6 milhão de toneladas, sem afetar o abastecimento interno, uma vez que é previsto um incremento na disponibilidade interna no próximo ano na ordem de 3,2%, estimada em cerca de 4,3 milhões de toneladas. No caso da carne bovina, em 2025 a produção é estimada em 11,38 milhões de toneladas, volume levemente superior ao obtido em 2024. As exportações seguem aquecidas e a expectativa é que até o final de 2025 sejam embarcadas 4,21 milhões de toneladas, o maior volume já registrado. O bom ritmo das exportações acontece mesmo com as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos ao produto brasileiro, retiradas em meados de novembro deste ano, e é estimulado pela demanda chinesa, que absorveu 53,7% das exportações brasileiras. Já em 2026, deverá ser marcada a reversão do ciclo pecuário, o que reflete em uma menor produção de carnes, estimada em 10,89 milhões de toneladas, diante de uma maior retenção de fêmeas. A demanda internacional pelo produto brasileiro deve seguir aquecida e o volume exportado tende a se manter próximo da estabilidade, em torno de 4,25 milhões de toneladas. Por sua vez, há expectativa de redução na quantidade do produto disponível no mercado interno, estimada em 6,67 milhões de toneladas.
CONAB
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