Ano 7 | nº 1494| 25 de maio de 2021
ABRAFRIGO NA MÍDIA
Sob pressão por boas práticas ambientais, pecuária bate recorde
Alta manteve o Brasil como o segundo maior rebanho bovino do mundo e o principal exportador de carne e derivados. Com exportação recorde e faturamento alto, a pecuária cresce sob a pressão também crescente da busca por sustentabilidade
O Brasil nunca exportou tanta carne bovina como em 2020, impulsionada pelo consumo chinês, com 2,01 milhões de toneladas, ou 8% mais que em 2019. O faturamento atingiu US$ 8,49 bilhões, alta de 11% segundo a Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos). Após dois anos de queda, o rebanho bovino voltou a crescer em 2019, mostra última pesquisa do IBGE. São 214,7 milhões de cabeças, no país de 213 milhões de habitantes. A ligeira alta de 0,4% em relação ao ano anterior manteve o Brasil como o segundo maior rebanho bovino do mundo e o principal exportador de carne e derivados. Nesse cenário, os mercados têm cobrado mais ações de sustentabilidade no setor. “Embora alvo de muitas críticas, algumas até com fundamento, a pecuária, precisamos reconhecer, cresceu de forma sustentável. Estamos produzindo muito mais com muito menos área”, diz Paulo Mustefaga, Presidente da Abrafrigo. De 2008 a 2017, o rebanho bovino de corte passou de 166,7 milhões de cabeças para 183,7 milhões (10,1%). No período, a área de criação foi de 139 milhões de hectares para 141 milhões (1,43%). É o que mostrou um estudo da pegada de carbono e hídrica na cadeia da carne, parte do projeto do Instituto Escolhas intitulado ‘‘Do Pasto ao Prato: Subsídios e Pegada Ambiental da Carne Bovina”. “Há questões a serem corrigidas, principalmente em relação a pastagens. É preciso melhorar, e o país tem potencial para aumentar mais a produção por área”, diz Mustefaga. De acordo com ele, para que isso ocorra é preciso haver equilíbrio entre questões econômicas, ambientais e sociais. “O econômico é o gargalo. É comum a gente ouvir palavras soltas, ‘tem de dobrar a produtividade’. Do ponto de vista agronômico, é possível, mas, e do econômico, é viável?”, questiona, citando a necessidade de altos investimentos em pastagem e genética. Para Mustefaga, o produtor nacional deve buscar sustentabilidade independentemente de pressões externas. O setor produtivo está hoje mais interessado em garantir que o negócio não tenha impacto negativo, na visão do agrônomo Francisco Beduschi Neto, executivo da NWF (National Wildlife Federation) no Brasil. O frigorífico deve conhecer toda sua cadeia, não só fornecedores diretos. Saber quem vendeu o bezerro que chega ao confinamento e quem vendeu o milho para alimentá-lo, diz. “Está claro que há problemas na cadeia de produção no Brasil, não adianta varrer a sujeira para debaixo do tapete, chegar e dizer que o país tem 66% de florestas preservadas. O consumidor vai falar: ‘mas e queimada, desmatamento ilegal e tudo mais?’. ‘Ah, não é o agronegócio, é o grileiro’ —mas está vinculado à cadeia”, diz Beduschi Neto. E essa alta nas exportações, é sustentável a longo prazo? Mustefaga diz que sim, e projeta avanço de 5% em 2021.
FOLHA DE SÃO PAULO
NOTÍCIAS
Boi gordo: preços estáveis nas praças paulistas, mas altas em Mato Grosso do Sul e no Tocantins
Em São Paulo, as negociações amanheceram mais calmas na última segunda-feira (24/5) no mercado do boi gordo, com as indústrias analisando o cenário para iniciarem as negociações, em vista da alta registrada na última sexta-feira (21/5)
Segundo levantamento da Scot Consultoria, o boi gordo destinado ao mercado interno ficou cotado em R$307,00/@, enquanto a vaca e novilha gordas foram negociadas em R$284,00/@ e R$299,00/@, respectivamente, preços brutos e a prazo, estabilidade na comparação feita dia a dia. O macho de até quatro dentes destinado à exportação apresenta um ágio de até R$8,00/@ em relação ao boi comum. Já em Mato Grosso do Sul, na região de Campo Grande, o boi gordo subiu R$3,00/@ na comparação diária, enquanto a cotação da vaca e novilha gordas subiu R$1,00/@. No Sul e no Norte do Tocantins, a alta para o boi gordo foi de R$1,00/@ na comparação diária. No Sul, os preços da vaca e da novilha gordas caíram R$1,00/@, enquanto no Norte ficaram estáveis.
SCOT COBNSULTORIA
Boi: arroba sobe novamente em São Paulo, diz Safras & Mercado
Após o aumento da oferta durante a safra, o mercado físico de boi gordo aos poucos vai observando o volume ofertado se reduzir, de acordo com a consultoria Safras & Mercado. Em São Paulo, a cotação passou de R$ 308 para R$ 309 por arroba
Segundo o analista Fernando Iglesias, o início da entressafra deve enfrentar um cenário complicado para a compra de animais terminados, pois houve redução do primeiro giro de confinamento em virtude da alta dos custos. De acordo com os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), após algumas semanas mostrando desaceleração, as exportações de carne bovina in natura voltaram a acelerar. Até a terceira semana de maio, os embarques chegaram a 88,79 mil toneladas e a média diária avançou de 5,52 para 5,92 mil toneladas.
CANAL RURAL
Preço do boi gordo sobe com redução da oferta em algumas regiões
O início da entressafra tende a ser pautado por restrição na compra de boiadas, considerando a redução do primeiro giro de confinamento
O mercado físico de boi gordo registrou preços mais altos na maioria das regiões de produção e comercialização do país na segunda-feira, 24. Segundo o analista Fernando Henrique Iglesias, a semana começou com oferta inexpressiva de boiadas. O início da entressafra tende a ser pautado por um quadro complicado para a compra de boiadas, considerando a redução do primeiro giro de confinamento, consequência da elevação dos custos pecuários neste ano. “Ou seja, os preços do boi gordo tendem a apresentar movimento mais consistente de alta no decorrer de junho. Para o segundo giro de confinamento há maior estímulo, avaliando a curva de preços futuros nas últimas semanas, além da perspectiva de preços mais palatáveis do milho com a entrada da safrinha no mercado durante o segundo semestre, aliviando os custos com a nutrição animal”, assinala Iglesias. Em São Paulo, Capital, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 309 ante R$ 308 na sexta-feira. Em Goiânia (GO), a arroba teve preço de R$ 295, estável. Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 299, contra R$ 298. Em Cuiabá, a arroba ficou indicada em R$ 302 contra R$ 301. Em Uberaba, Minas Gerais, preços a R$ 302 – R$ 303,00 a arroba, ante R$ 301. No mercado atacadista, os preços da carne bovina ficaram estáveis. Com isso, o corte traseiro teve preço de R$ 20,35 o quilo. O corte dianteiro teve preço de R$ 17,00 o quilo, assim como a ponta de agulha
AGÊNCIA SAFRAS
Exportação de carne bovina brasileira em ritmo lento, enquanto China aumenta compras de carne dos EUA
Segundo a Secex, os volumes exportados de carne bovina in natura seguem abaixo do esperado com o embarque de 88,7 mil toneladas até a terceira semana de maio
A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) informou que a média diária embarcada ficou em 5,9 mil toneladas, com uma queda de 23,61%, frente a média diária do mês de maio do ano passado, com suas 7,7 mil toneladas. Para o analista de mercado da Safras & Mercados, Fernando Henrique Iglesias, um dos fatores que pode ter contribuído para queda das exportações brasileira foi o aumento das compras da China pelo o produto dos Estados Unidos. “Podemos dizer que a China buscou muita proteína nos Estados Unidos, e depois a posição dos estoques públicos chineses é mais confortável”, disse. Os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), mostram que as exportações de carne bovina dos Estados Unidos para a China chegaram a 46,9 mil toneladas no acumulado de janeiro a maio deste ano. Recentemente a China habilitou 32 novas plantas frigorificas dos EUA. “Os Chineses estavam percebendo a instabilidade dos embarques da Argentina e habilitaram mais 32 novos frigoríficos que começaram a exportar a partir do dia 01 de maio”, explicou. No acumulado de maio até aqui, os preços médios ficaram próximos de US$ 4.906,8 mil por tonelada, alta de 11,64% frente aos dados divulgados em maio de 2020 com valor médio de US$ 4.395,2 mil por tonelada. A média diária ficou em US$ 29 milhões registrando uma desvalorização de 14,17%, frente ao observado no mês de maio do ano passado, com US$ 34 milhões.
AGÊNCIA SAFRAS
Indústria de carnes comemora novo status sanitário do RS
Com a perspectiva de ampliar em US$ 1,2 bilhão por ano seu volume de negócios, o setor produtivo de carnes aguarda com grande expectativa a certificação do Rio Grande do Sul como zona livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) esta semana
Será o reconhecimento que abrirá as portas para 70% dos mercados internacionais a que o estado, até hoje, não tinha acesso, beneficiando as indústrias gaúchas de carne bovina, suína e de aves. Na indústria de carne suína, a projeção é de que haja um incremento na exportação na ordem dos R$ 600 milhões anuais. China (carne com osso), Japão, EUA e Coreia do Sul são os maiores importadores mundiais a exigirem status de livre de febre aftosa sem vacinação para exportar esse tipo de carne. Para o Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, a certificação do Rio Grande do Sul como zona livre de aftosa sem vacinação, aliada ao cenário sanitário internacional, impulsionará a indústria suinicultora do Estado. “A China, por exemplo, teve queda expressiva de produção por causa da peste suína africana, e a recuperação para níveis antes da peste está prevista apenas para 2025. Então, o acesso a esses mercados possibilitará um boom na suinocultura do Rio Grande do Sul”, projeta. Dentro deste cenário promissor para a indústria de carnes no Rio Grande do Sul, não é de se estranhar que a maior produtora de proteína no mundo, a brasileira JBS, tenha anunciado, em abril deste ano, um investimento de R$ 1,7 bilhão em sete fábricas no Estado até 2023. A companhia planeja expandir e promover melhorias em suas unidades em sete municípios gaúchos – Bom Retiro do Sul, Caxias do Sul, Nova Bassano, Passo Fundo, Seberi, Santa Cruz do Sul e Trindade do Sul. A ampliação da capacidade de sete unidades produtivas tem potencial de gerar 2,7 mil postos de trabalho diretos e cerca de 10 mil indiretos.
AGRICULTURA RS
ECONOMIA
Dólar fecha em queda puxado por exterior em dia de menor volume de negócios no Brasil
O dólar fechou em queda ante o real na segunda-feira, de forma geral replicando a trajetória da moeda no exterior, num dia de menor volume de negócios no mercado de câmbio brasileiro
O dólar à vista caiu 0,54% nesta segunda, a 5,3266 reais na venda, depois de variar entre 5,3761 reais (+0,39%) e 5,3099 reais (-0,85%). No mercado de dólar futuro da B3, menos de 200 mil contratos haviam sido negociados até as 17h24, 30% abaixo da média das últimas 30 sessões. A semana começa novamente com agentes financeiros à espera de dados de inflação nos Estados Unidos, que podem mexer com expectativas do mercado acerca da manutenção ou não dos estímulos oferecidos atualmente pelo banco central norte-americano. Essa maior liquidez tem tido importante papel de conter qualquer fortalecimento do dólar desde o ano passado. O dólar seguiu a fraqueza global da moeda nos últimos meses e reduziu os ganhos no ano para 2,60%, depois de chegar a acumular em março alta de mais de 10%. Na semana passada, porém, a cotação recuperou algum terreno. No Brasil, investidores também aguardam o IPCA-15 de maio, a ser divulgado nesta terça-feira, num contexto de debate sobre os rumos da política monetária doméstica. O BNP Paribas vê inflação de 6,0% em 2021, muito acima da meta de 3,75% para este ano. Com aumento maior dos preços, o banco francês espera que a taxa Selic seja elevada para 6,50% ao fim do ano, o que respalda a expectativa da instituição de que o dólar fechará o ano em 5,00 reais.
REUTERS
Com aval de NY, Ibovespa fecha em alta
A BRF ON fechou em baixa de 2,67% após subir quase 29% na semana passada, com a Marfrig confirmando no final da sexta-feira a compra de cerca de 24% do capital da dona das marcas Sadia e Perdigão. MARFRIG ON caiu 0,33%. Uma fonte ouvida pela Reuters afirmou que a Marfrig tentou adquirir o controle da rival Minerva antes de anunciar a operação com as ações da BRF. MINERVA ON subiu 1,76%
O Ibovespa fechou em alta na segunda-feira, aproximando-se da máxima histórica, favorecido por Wall Street e com as units do Banco Inter disparando quase 25%, após divulgar acordo com StoneCo e planos de listagem na Nasdaq. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,17%, a 124.031,62 pontos, aproximando na máxima histórica de fechamento de 125.076,63 pontos de 8 de janeiro. O recorde intradia é de 125.323,53 pontos. O volume financeiro da sessão somou 28,8 bilhões de reais. Em Nova York, o S&P 500 encerrou em alta de 0,99%, em sessão positiva para o setor de tecnologia, apoiado na queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano. “A expectativa de recuperação econômica junto ao avanço da vacinação nos EUA são contrapontos em relação à preocupação de uma terceira onda de Covid no Brasil e em outros países em desenvolvimento”, avaliou o líder de Operações de Renda Variável da Bluetrade, Patrick Johnston de Oliveira.
REUTERS
BC vai elevar projeção para alta do PIB em 2021, diz Campos Neto
O Banco Central vai elevar sua projeção de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, afirmou na segunda-feira o Presidente do BC, Roberto Campos Neto, ressaltando que o desempenho do primeiro trimestre surpreendeu e que as expectativas do mercado têm se encaminhado em direção a uma alta de 4%
A projeção mais recente do BC para o PIB em 2021 é de alta de 3,6%. O dado deve ser revisto no final de junho, na publicação do Relatório de Inflação do segundo trimestre. Em webinário promovido pela empresa de private equity EB Capital, Campos Neto destacou, ainda, surpresas “altistas” na inflação e afirmou que as expectativas para a inflação no Brasil subiram mais do que em outros países. “Tem elemento técnico, fiscal”, afirmou Campos Neto, ressaltando que “toda parte da incerteza do cenário político” também tem impacto.
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Ipea revisa a projeção da inflação de 4,6% para 5,3% em 2021
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou na segunda-feira (24/5), a revisão da previsão para a inflação brasileira em 2021: o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi revisto de 4,6% para 5,3%
Nos últimos meses, houve uma mudança nos fatores de pressão sobre a inflação no país. Em 2020, a aceleração dos preços estava ligada ao forte aumento dos alimentos, mas, em 2021, a elevação da inflação decorre especialmente do aumento dos preços monitorados (a expectativa de alta passou de 6,4% para 8,4%). Além dessa alta de dois pontos percentuais, o aumento nas previsões da inflação dos bens industriais e dos serviços livres exceto educação, que avançaram de 3,8% e 3,6% para 4,3% e 4,0%, respectivamente, também ajudam a explicar esse incremento na taxa de variação esperada para o IPCA em 2021. No caso dos alimentos no domicílio, Grupo de Conjuntura do Ipea manteve a previsão de inflação para este segmento de 5,0%. No acumulado em 12 meses, a inflação medida pelo IPCA segue em alta (tendo atingido 6,76% em abril deste ano). Os pesquisadores revisaram também a previsão do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), de 4,3% para 4,7% em 2021, sendo que, em 2020, o índice chegou a 5,5%. Apesar da alta de 6,8% para 8,0% nos preços monitorados, o índice que mede a inflação das famílias residentes nas áreas urbanas que ganham de um a cinco salários mínimos deve ter alívio inflacionário proveniente da pressão menor dos alimentos, com alta prevista de 5,2% ante 18,9% registrada em 2020. Porém, a revisão para cima dos reajustes para os bens industriais e os serviços livres exceto educação também contribuíram para a elevação da projeção do INPC este ano. “Os riscos para essa previsão de inflação em 2021 estão relacionados às oscilações da taxa de câmbio e dos preços internacionais das commodities, que podem surpreender positiva ou negativamente”, avaliou o Diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, José Ronaldo Souza Júnior.
IPEA
Projeção para inflação este ano no Focus encosta no teto da meta
A projeção do mercado para a inflação neste ano chegou praticamente ao teto da meta, com a perspectiva para o crescimento econômico também subindo na pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central na segunda-feira
O levantamento semanal apontou que a expectativa para a alta do IPCA em 2021 subiu de 5,15% para 5,24%, apenas 0,01 ponto percentual abaixo do teto da meta — 3,75%, com margem de 1,5 ponto para mais ou para menos. A perspectiva para 2022 também aumentou, em 0,03 ponto percentual, chegando a 3,67%. O centro da meta para o ano que vem é de 3,50%, também com margem de 1,5 ponto. Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento melhorou para este ano, passando a 3,52% de 3,45% na semana anterior. Mas para o ano que vem houve queda a 2,30%, de 2,38%. A pesquisa com uma centena de economistas mostrou ainda que houve manutenção da perspectiva para a taxa básica de juros, com a Selic sendo calculada a 5,50% em 2021 e 6,50% em 2022.
REUTERS
EMPRESAS
Para analistas, sinergias justificariam fusão entre Marfrig e BRF
Sobre os próximos passos da aproximação entre as empresas, não há unanimidade
A segunda-feira foi de especulações sobre os próximos passos da Marfrig após a empresa controlada por Marcos Molina comprar, por cerca de US$ 830 milhões (R$ 4,4 bilhões), 24,23% do capital da BRF. Bancos avaliaram a movimentação que, por ora, segundo a Marfrig, não deve gerar mudanças no conselho ou na gestão da BRF. Alguns analistas, porém, acreditam que mudanças virão e apostam em uma futura fusão entre as companhias — que chegou a ser negociada em 2019, mas não vingou. Para o BTG Pactual, por exemplo, a tacada da semana passada evolui para essa direção. “O raciocínio que vemos é que a Marfrig coloque um pé na BRF e comece a trabalhar por uma integração mais profunda que eventualmente resultaria em uma fusão”, escreveram os analistas do banco. Segundo relatório do Itaú BBA, são pontos positivos do negócio o fato de não ter comprometido a alavancagem de curto prazo da Marfrig, que subirá de 1,8 vezes para 2,3 vezes. Em caso de uma combinação, a alavancagem ficaria em 2,7 vezes, levando-se em conta o que foi pago pelas ações da BRF, considerados os números do primeiro trimestre, e incluindo o passivo de arrendamento no cálculo de dívida líquida. Ademais, a justificativa de criar um portfólio de proteínas mais sortido é positiva e destacada pelos distintos relatórios. Segundo o Itaú BBA, há uma vantagem clara para a diversificação no mercado de proteínas, visto que ter um mix regional e de produtos tende a mitigar riscos e volatilidades cíclicas. “Ter exposição a diferentes proteínas e geografias provou ser a melhor estratégia para reduzir a volatilidade das margens”, concordou o Credit Suisse. Afora benefícios de sinergias fiscais em caso de uma fusão, o Itaú BBA avalia que as marcas Sadia e Perdigão poderiam contribuir com a celeridade do lançamento de produtos plant-based da Marfrig com a PlantPlus Foods, joint venture com a americana ADM. A XP, que também considerou positiva a possibilidade de uma fusão por conta da diversificação de proteínas animais e geografias, destacou que há sinergias entre as operações, a maioria restrita à frente comercial. O desafio seria a “aderência cultural” entre as companhias.
VALOR ECONÔMICO
Marfrig buscou acordo com Minerva antes de adquirir fatia na BRF
Negociações foram interrompidas na semana passada por preocupações com possíveis problemas com Cade, afirma fonte
A produtora de carne bovina Marfrig Global Foods tentou adquirir o controle da rival Minerva antes de anunciar, na noite de sexta-feira, a aquisição de uma fatia na processadora de carnes suína e de frango BRF, disse à Reuters uma pessoa com conhecimento do assunto nesta segunda-feira. A fonte, que pediu para não ser identificada, afirmou que as negociações foram interrompidas na semana passada, após a Marfrig assumir a participação na BRF, por preocupações com possíveis problemas com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Ainda assim, as negociações entre Marfrig e Minerva –ambas focadas na produção de carne bovina– jogam nova luz sobre a insistência do executivo Marcos Molina, fundador da Marfrig, de que o negócio com a BRF é apenas uma estratégia passiva de investimento que visa a diversificação em seu portfólio de proteínas. A Marfrig preferiu não comentar sobre as conversas com a Minerva. Já a Minerva não comentou imediatamente o assunto. As negociações entre Marfrig e Minerva foram inicialmente reportadas pelo site Brazil Journal na segunda-feira. As ações da Minerva subiam 2% nesta sessão da B3. A Marfrig revelou na sexta-feira ter adquirido uma participação de 24% na BRF, mas disse que a manterá como um investimento passivo pelo menos por este ano. Em uma entrevista publicada nesta segunda-feira pelo jornal Valor Econômico, Molina –controlador da Marfrig– disse que poderá buscar um assento no conselho da BRF na assembleia de acionistas do ano que vem, mas que no momento não fará pressão por representação. Molina também disse que sua intenção não é fundir as companhias, e que a aquisição da fatia de cerca de 800 milhões de dólares na BRF será paga com a geração de caixa da Marfrig. A Marfrig confirmou à Reuters as declarações de Molina ao jornal. As ações ordinárias da Marfrig recuavam 3% no pregão desta segunda na B3. Embora atualmente a Marfrig esteja exclusivamente dedicada à produção de carne bovina, a companhia já foi proprietária de fábricas de carnes suína e de frango, comercializando produtos sob a marca Seara até 2013, quando vendeu a empresa à rival JBS para reduzir seu endividamento.
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FRANGOS & SUÍNOS
Embarques de carne de frango melhoram na 3ª semana de maio
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia divulgadas na segunda-feira (24), os resultados das exportações de carnes de aves in natura na terceira semana de maio recuperaram o ritmo
Para o analista da SAFRAS & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o efeito da suspensão por parte da Arábia Saudita de 11 frigoríficos brasileiros de carne de frango não foi sentido, e deve começar a ser notado a partir da próxima semana. A receita obtida com as exportações de carne de frango no início de maio, US$ 433,8 milhões, representa 86,93% o total obtido em maio de 2020, com US$ 499 milhões. No volume embarcado, 283.023 toneladas é 76,1% do total exportado em maio do ano passado, com 372.373 toneladas. Em toneladas por média diária, com 18.868 ton. alta de 1,34% no comparativo com o mesmo mês do ano passado. O preço pago por tonelada, de US$ 1,532, foi 14,38% superior ao praticado em maio do ano passado. Em relação ao valor registrado na semana anterior, houve alta de 2,3%.
AGÊNCIA SAFRAS
Exportação de carne suína num bom ritmo na terceira semana de maio
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia, divulgadas na segunda-feira, as exportações de carne suína in natura na terceira semana de maio recuperaram o ritmo.
Para o analista da SAFRAS & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o esfriamento do ritmo na semana passada foi um movimento normal após semanas de bons volumes embarcados. “Lembrando que a China continua bem comprada de carne suína. Eles estão com preços baixos no mercado local, com suinocultores vendendo os animais com medo de serem atingidos pela PSA. Entretanto, a China é um país muito pró-ativo no que diz respeito a segurança alimentar, e não deve deixar faltar a proteína preferida da população”, disse. A receita obtida com as exportações de carne suína neste mês foi de US$ 190,6 milhões, representando 88,5% do montante obtido em todo maio de 2020, com US$ 215,1 milhões. No volume embarcado, as com 72.558 toneladas é 80% do total exportado em maio do ano passado, com o montante de 90.721 toneladas. Em toneladas por média diária, com 4.837 ton., houve avanço de 6,64% no comparativo com o mesmo mês de 2020. O preço pago por tonelada, US$ 2,627 é 10,78% superior ao praticado em abril passado. O resultado, frente ao valor atingido na semana anterior teve queda de 0,06%.
AGÊNCIA SAFRAS
Indústria de carnes do Brasil alerta para alta de preço e pede apoio do governo
As indústrias de carne suína e de frango divulgaram na segunda-feira manifesto indicando que novas elevações de preços desses produtos devem atingir os consumidores brasileiros, devido ao repasse de custos com matérias-primas como soja e milho. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) destacou ainda a importância de novas desonerações tributárias e a implementação de medidas técnicas que viabilizem importações de insumos com menores custos
A ABPA afirmou em nota que o milho e a soja, insumos básicos que compõem 70% dos custos de produção, subiram respectivamente mais de 100% e 60% em relação ao mesmo período do ano passado, o que aperta margens e traz problemas financeiros para as empresas. No caso do milho, há um agravante, com a quebra de safra pela seca no Brasil impulsionando as cotações. “O consequente e inevitável repasse ao consumidor já está nas gôndolas, mas em patamares que ainda não alcançam os níveis de custos”, disse a ABPA, citando altas entre 40% e 45% nos custos de produção de aves e suínos em 12 meses. Em abril, o setor teve atendido pelo governo seu pleito para que a Tarifa Externa Comum fosse zerada para a importação de milho, soja e subprodutos, como farelo de soja, de fora do Mercosul. Mas isso não tem sido suficiente para viabilizar compras externas a menores custos, o que levou o segmento a formalizar novos pedidos. A ABPA comentou que “há desoneração de tarifa para esta importação, mas não há viabilização técnica”, em referência a produtos transgênicos aprovados em outros países que não têm aval no Brasil, o que limita os negócios. Neste caso, o setor pede viabilização emergencial das importações de milho e de soja para uso estritamente em ração animal. A associação ainda quer a suspensão do imposto Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) sobre a importação de insumos de países não-integrantes do Mercosul. Também encaminhou solicitação para a suspensão temporária de cobrança de PIS e Cofins para importações provenientes de países extra-Mercosul, para empresas que não conseguem realizar “drawback”. O segmento quer ainda suspensão temporária de cobrança de PIS e Cofins sobre os fretes realizados no mercado interno.
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