
Ano 6 | nº 1187| 04 de março de 2020
ABRAFRIGO NA MÍDIA
Com vendas mais fracas à China, exportação de carne do Brasil recua em fevereiro
As exportações de carne bovina do Brasil recuaram cerca de 3% em fevereiro na comparação com janeiro e caíram 6% ante o mesmo mês de 2019, em meio a uma desaceleração nas compras pela China, disse na terça-feira a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo)
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela entidade, os embarques do produto (in natura e processado) totalizaram 131.227 toneladas no mês passado, contra 135.451 toneladas movimentadas em janeiro. Mesmo com a retração em volume, os “bons preços obtidos pelo produto brasileiro no mercado internacional” fizeram com que a receita com as exportações avançasse 9% no ano a ano, atingindo a marca de 564,6 milhões de dólares, apontou a Abrafrigo. A associação destacou que a China continua como o principal destino da carne bovina brasileira, com fatia de mercado de 52,5%, mas reduziu o ritmo de aquisições. Considerando as compras da China continental e de Hong Kong, fevereiro registrou um recuo de 19,3% na comparação com janeiro, a 62.382 toneladas —uma queda percentual muito maior do que a verificada nas exportações totais brasileiras. O país asiático tem enfrentado uma grave epidemia de coronavírus, que afetou toda a conjuntura econômica local, incluindo a demanda por carne bovina, especialmente depois dos amplos estoques formados para o Ano Novo Lunar, que acabaram não sendo totalmente consumidos. Na segunda-feira, ao divulgar a balança comercial brasileira de fevereiro, o Subsecretário de inteligência e estatísticas de comércio exterior do Ministério da Economia, Herlon Brandão, havia dito que o setor de carnes é um dos que já sentem efeitos de coronavírus. Brandão afirmou em entrevista coletiva que exportadores de carne relataram um baixo movimento no começo do mês por não conseguirem desembarcar suas mercadorias por falta de contêiner e mão de obra nos portos chineses.
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NOTÍCIAS
Boi gordo: preço atinge R$ 203, com negócios pontuais e oferta restrita
De acordo com a Safras & Mercado, o fluxo de negócios foi fraco, com os frigoríficos esbarrando na situação da oferta de animais terminados, que ainda é restrita
O mercado físico do boi gordo teve preços estáveis nesta terça-feira, 3. De acordo com o analista de Safras & Mercado, Fernando Henrique Iglesias, o fluxo de negócios foi fraco, com os frigoríficos esbarrando na situação da oferta de animais terminados, prontos para o abate, que ainda é restrita. “Já a entrada da massa salarial na economia nos próximos dias deve acelerar a reposição entre atacado e varejo, talvez puxando os preços do boi gordo. No entanto, quaisquer altas serão limitadas pela incapacidade do consumidor final em absorver tantos reajustes da carne bovina em um momento em que a economia ainda cresce de maneira tímida”, assinalou. Em São Paulo, Capital, os preços do mercado à vista seguiram em R$ 203 a arroba. Em Uberaba, Minas Gerais, os preços permaneceram em R$ 196. Em Dourados, no Mato Grosso do Sul, os preços ficaram em R$ 194. Em Goiânia, Goiás, o preço indicado continuou em R$ 195 a arroba. Já em Cuiabá, no Mato Grosso, o preço seguiu em R$ 185 por arroba. No mercado atacadista, os preços da carne bovina também não se mexeram. “O ambiente de negócios ainda sugere por alguma alta dos preços no curto prazo com o crescimento sazonal do consumo no início de cada mês”, disse Iglesias. Assim, o corte traseiro seguiu em R$ 14,25 o quilo. A ponta de agulha permaneceu em R$ 11,40 por quilo. Já o corte dianteiro seguiu em R$ 12,00 por quilo.
AGENCIA SAFRAS
Pecuaristas do Mato Grosso enfrentam dificuldade em encontrar animais no mercado de reposição, aponta Imea
Período de chuvas compromete transporte de animais no estado e arroba do boi gordo registra aumento de 0,95%.
De acordo com o levantamento realizado pelo o Instituo Mato-Grossense de Economia Aplicada (IMEA), os pecuaristas em boa parte do estado estão relatando dificuldade em encontrar animais no mercado de reposição. Na semana passada, os preços estavam ao redor de R$ 1.625,10/cab do bezerro. Apesar da oferta de animais ainda ser restrita no estado, as programações de abates apresentaram uma leve queda de 0,35 dias se comparado com a semana passada que encerrou com uma média de 6,94 dias. “O equivalente físico (EF) também apresentou alta de 1,01% ante a semana passada, uma vez que o mercado segue com leve queda nas ofertas de animais e com a demanda satisfatória”, informou o IMEA. O transporte de animais acabou sendo comprometido no estado devido ao período chuvoso, diante disso os preços para o boi gordo e a vaca gordo tiveram um aumento no comparativo semanal. Na semana passada, os preços do boi gordo e da vaca gorda foram cotados a R$ 182,17/@ e R$ 171,57/@, respectivamente. Aumento de 0,95% para o macho e de 1,17% para a fêmea. Com o período chuvoso, a logística afetou a oferta de animais em parte do estado. Com isso, na semana passada, os preços do boi gordo e da vaca gorda foram cotados a R$ 182,17/@ e R$ 171,57/@, respectivamente. Aumento de 0,95% para o macho e de 1,17% para a fêmea no comparativo semanal. Por conta do feriado de carnaval, o instituto não registrou os valores das principais regiões do estado, mas os preços registraram altas na variação semanal na maioria das praças, com base no levantamento realizado em 27 a 28 de fevereiro. A região Noroeste foi a que registrou a maior valorização, com 71,62% na semana. A média das referências no estado do Mato Grosso registrou um incremento de 0,28% ao longo da semana, na qual a arroba terminou a última sexta-feira (28) cotada ao redor de R$ 182,29 à vista e livre e impostos. O instituto apontou em seu boletim semanal que houve uma maior operação das indústrias no mês de janeiro deste ano, na qual este cenário foi influenciado por três fatores. “O primeiro deles foi à redução da capacidade total, pois cinco frigoríficos ficaram fora de operação. O segundo motivo foi o aumento da utilização dos que permaneceram em operação e o terceiro motivo foi o aumento de animais abatidos dentro do estado, que, segundo dados do Indea, avançou 14,86% no comparativo mensal, totalizando 460,47 mil cabeças”.
IMEA
ECONOMIA
Dólar tem 10ª alta consecutiva e crava novo recorde histórico acima de R$4,51 com exterior arisco após Fed
O dólar subiu pela décima sessão consecutiva ante o real na terça-feira, fechando acima de 4,50 reais pela primeira vez e batendo o nono recorde nominal seguido, num dia de grande volatilidade nos mercados globais após um corte surpresa de juros nos Estados Unidos gerar temores de que o impacto do coronavírus nas economias norte-americana e global pode ser maior que o temido
O dólar à vista fechou em alta de 0,54%, a 4,5109 reais na venda, com folga deixando para trás a máxima recorde para um encerramento de 4,4868 reais alcançada na véspera. Durante os negócios desta terça, a cotação bateu 4,5190 reais na venda, novo pico recorde intradiário. Na mínima do dia, atingida depois de o Fed cortar os juros, a moeda desceu a 4,4531 reais (-0,75%). Na B3, o dólar futuro de maior liquidez tinha valorização de 0,80%, a 4,5180 reais.
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Ibovespa fecha em queda com alerta do Fed sobre surto de coronavírus
O Ibovespa caiu na terça-feira numa sessão volátil, marcada por decisão extraordinária do Federal Reserve de cortar juros nos EUA devido ao surto de coronavírus, com o chairman do banco central norte-americano
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,02%, a 105.537,14 pontos. O volume financeiro somou 34,5 bilhões de reais. “O coronavírus apresenta riscos crescentes para a atividade econômica. À luz desses riscos e em apoio ao cumprimento de suas metas de máximo emprego e estabilidade de preços, o Comitê Federal de Mercado Aberto decidiu hoje reduzir a meta” para a taxa de juros, afirmou o Fed em comunicado. As bolsas em Nova York também reagiram com ganhos à decisão, mas o clima azedou na sequência, em meio a comentários do chairman do Fed, Jerome Powell, citando mudança no balanço de riscos e que é necessária uma resposta multifacetada para proteger as economias dos efeitos do vírus, que, segundo ele, não estão aparecendo nos dados ainda. Participantes do mercado chamaram atenção para o timing, pelo fato de o Fed não ter esperado seu encontro neste mês. “O Fed adiantar esse corte, ainda mais tendo reunião em duas semanas, sugere que a situação é bem pior do que parece”, disse o gestor de uma empresa ligada a previdência complementar. Na mínima da sessão, após a fala de Powell, o Ibovespa chegou a 104.404,82 pontos. A BRF ON caiu 7,27%, mesmo após reportar lucro no quarto trimestre, com analistas afirmando que o Ebitda ficou abaixo do esperado. A companhia também revisou sua projeção de endividamento. Em teleconferência, executivos afirmaram que a margem bruta de 25% no quarto trimestre se mostrou sustentável.
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EMPRESAS
BRF espera resultados melhores, mas câmbio volátil afeta previsão de alavancagem
A BRF trabalha com um cenário de crescimento na demanda por proteínas na China nos próximos meses, uma expectativa apoiada ainda por um rebanho de suínos do país ainda debilitado pela peste suína africana, afirmaram executivos da dona das marcas Sadia e Perdigão na terça-feira
De volta ao lucro, BRF divulga resultados com lucro líquido de R$1,2 bilhão em 2019. Mas a queda do real ante o dólar e a expectativa de que a empresa não terá o mesmo impacto tributário positivo registrado no balanço de 2019 fez a companhia divulgar uma projeção de alavancagem com teto acima do desempenhado no ano passado, o que fez as ações da produtora de alimentos liderar as perdas na bolsa paulista. De olho na confusão do mercado, que logo entendeu que a empresa poderia apresentar piora de desempenho neste ano, o Presidente da BRF, Lorival Luz, afirmou que a projeção de alavancagem entre 2,35 vezes e 2,75 vezes esperada para 2020 não se deve a uma previsão de “resultado pior” ou de “ciclo que se encerra” durante teleconferência com analistas da companhia. Em 2019, a alavancagem foi de 2,5 vezes. “Estamos colocando essa variação (na previsão de alavancagem) porque tem uma volatilidade enorme do câmbio, além do efeito dos 884 milhões que impactaram positivamente o Ebitda de 2019, o que não acontecerá em 2020”, disse Luz, se referindo ao ganho tributário obtido no ano passado. “O cenário de 2020 temos uma perspectiva de déficit ainda de produção de proteínas para atendimento do mercado chinês e até com o efeito do coronavírus, há tendência de haver demanda maior por produtos congelados de qualidade, uma busca por maior segurança alimentar. É uma perspectiva positiva”, disse o Presidente da BRF. Segundo Luz, a BRF, que em 2019 teve o primeiro lucro anual em quatro anos, revertendo prejuízo de 2,1 bilhões de reais de 2018, mantém a meta de atingir alavancagem entre 1,5 vezes e 2 vezes “no longo prazo”. A BRF teve no quarto trimestre margem bruta de 25,5%, acima dos 18,9% registrados um ano antes, algo considerado por Luz como sustentável. No Brasil, a margem bruta da empresa foi de 27,2% ante 20,9% nos últimos três meses de 2018.
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FRANGOS & SUÍNOS
País fatura mais com exportação de carne bovina, suína e de frango em fevereiro
As receitas com as exportações brasileiras de carnes bovina, suína e de frango registraram alta em fevereiro deste ano em comparação com igual mês de 2019, como mostram os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia, que consideram 18 dias úteis
Os embarques de carne bovina in natura ao exterior somaram 110,6 mil toneladas em fevereiro, queda de 4,16% em relação às 115,4 mil toneladas de igual mês de 2019, que teve 20 dias úteis. Mas a receita com os embarques subiu 14,13% na mesma comparação, saindo de US$ 433 milhões para US$ 494,2 milhões, em função da alta do preço médio na exportação. Em fevereiro, a tonelada de carne bovina in natura teve cotação média de US$ 4.469,20. Um ano antes, o preço médio na exportação foi de US$ 3.751,50. Na comparação com janeiro deste ano (com 22 dias úteis e embarques de 117 mil toneladas), as exportações de carne bovina em fevereiro caíram 5,47% em volume. Em comparação com janeiro deste ano, quando as exportações totalizaram US$ 576 milhões, a receita com as vendas externas de carne bovina recuou 14,2% em fevereiro. No primeiro bimestre de 2020, o Brasil exportou 227,6 mil toneladas de carne bovina in natura, alta de 4,45% sobre igual período de 2019, quando o País vendeu ao exterior 217,9 mil toneladas da proteína. Em relação ao faturamento, as exportações alcançaram US$ 1,070 bilhão no primeiro bimestre, valor 30,95% maior que o de janeiro a fevereiro de 2019, com US$ 817,2 milhões. Na carne suína in natura, os embarques somaram 58,1 mil toneladas em fevereiro, alta de 26,57% sobre as 45,9 mil toneladas de igual mês de 2019, mas 2% abaixo das 59,3 mil toneladas de janeiro deste ano. A receita atingiu US$ 143,3 milhões em fevereiro, 58% acima dos US$ 90,7 milhões de um ano antes, mas 5,97% abaixo das US$ 152,4 milhões de janeiro deste ano. No primeiro bimestre deste ano, as exportações de carne suína in natura atingiram 117,4 mil toneladas, alta de 33,8% ante as 87,8 mil toneladas de janeiro e fevereiro de 2019. A receita com as vendas somou US$ 295,7 milhões, um aumento de 69,35%, sobre os US$ 174,6 milhões do primeiro bimestre do ano passado. No caso da carne de frango in natura, o País faturou 9,23% mais com as exportações em fevereiro em relação a igual mês do ano passado. O valor arrecadado com os embarques somou US$ 505 milhões em fevereiro, ante US$ 462,3 milhões no segundo mês de 2019. Em relação à quantidade embarcada, o Ministério da Economia informa que avançou 12,13%, perfazendo 324,3 mil toneladas em fevereiro ante 289,2 mil toneladas em fevereiro de 2019. Em relação a janeiro deste ano, quando o País embarcou 301,6 mil toneladas da carne da ave, o total embarcado cresceu 7,52% em fevereiro/2020. Em receita, o avanço foi de 3,52%, já que em janeiro de 2020 foi exportado o equivalente a US$ 487,8 milhões. No acumulado do ano, considerando-se os dois primeiros meses de 2020, o País embarcou 625,9 mil toneladas de carne de frango in natura, quantidade 13,69% maior ante as 550,5 mil toneladas de janeiro e fevereiro de 2019. Em faturamento, o acumulado soma US$ 992,8 milhões, ou 14,16% mais ante os US$ 869,6 milhões de janeiro e fevereiro de 2019.
Estadão
INTERNACIONAL
Exportação de carne bovina da Austrália perde força com ausência da China
Tradicional concorrente do Brasil no comércio global da carne bovina, país da Oceania relata desaceleração nos embarques em fevereiro
A saída momentânea do gigante asiático do comércio global da proteína vermelha – devido sobretudo aos problemas gerados pelo surto do novo coronavírus – também afeta fortemente outros grandes países fornecedores do produto, que, como o Brasil, foram premiados no ano passado pelo enorme apetite dos importadores chineses. Um deles é a Austrália, tradicional concorrente do Brasil no comércio global da carne bovina, que relata desaceleração nos embarques em fevereiro, puxada pela baixa participação das compras chinesas. Em 2019, pela primeira vez na história, a China tornou-se o principal comprador de carne bovina da Austrália, em termos de volume. No ano passado, os chineses elevaram em 85% as compras de carne bovina australiana. Segundo reportagem do portal australiano Beef Central, o país da Oceania embarcou 92.968 toneladas de carne resfriada e congelada em fevereiro, com recuo de 2,3% em relação ao resultado obtido no mesmo período do ano passado, de acordo com dados do Ministério de Agricultura. “É provável que seja apenas a ponta do iceberg, à medida que a indústria australiana passa agora para uma fase de reconstrução de rebanhos, após 18 meses de seca em escala continental”, relata a reportagem. Estimativas mostram que o rebanho australiano de bovinos atingiu o menor patamar em 30 anos. Atualmente, os lotes de fêmeas que, em 2019, representaram 57% dos abates semanais em grande parte do ano, desapareceram rapidamente das linhas de abate das indústrias, informa o portal australiano. Em 2019, o abate de bovinos adultos cresceu 8% sobre 2018, para 8,5 milhões de cabeças. Nos últimos seis meses do ano, o abate de bovinos adultos ficou bem acima da média de cinco anos. Tudo isso sugere que as exportações de carne bovina para o restante deste ano provavelmente serão drasticamente mais baixas que 2019, alcançando um patamar bem abaixo da média de cinco anos, pois as fêmeas são retidas para reprodução, reduzindo a oferta de animais terminados. Projeções locais apontam queda de 15% nos abates este ano, para 7,2 milhões de cabeças.
PORTAL DBO
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