
Ano 6 | nº 1166| 30 de janeiro de 2020
NOTÍCIAS
‘Queda no preço do boi deve ter chegado ao limite’
Na avaliação da Safras & Mercado, os frigoríficos já encontram dificuldade na composição de suas escalas de abate após a última rodada de queda dos preços; confira as cotações
A pressão de queda dos preços físicos do boi gordo diminuiu. Segundo o analista de Safras & Mercado Fernando Henrique Iglesias, o movimento de baixa aparenta ter alcançado seu limiar, com os frigoríficos encontrando grande dificuldade na composição de suas escalas de abate após a última rodada de queda dos preços. “Os pecuaristas se deparam com uma boa capacidade de retenção, avaliando a boa condição das pastagens após o regime de chuvas registrado no mês de janeiro”, disse. Em São Paulo, preços entre R$ 185 e R$ 186 a arroba para pagamento à vista, contra R$ 186,00 na terça-feira. Em Minas Gerais, preços de R$ 181 a arroba, em Uberaba, estáveis. Em Mato Grosso do Sul, preços seguiram em R$ 173,00 a arroba, em Dourados. Em Goiás, o preço indicado permaneceu em R$ 180,00 a arroba em Goiânia. Já em Mato Grosso, o preço ficou entre R$ 172,00 e R$ 173,00 a arroba em Cuiabá. O mercado atacadista volta a ter preços acomodados no decorrer da semana. O escoamento da carne ainda ocorre de maneira lenta, situação que pode mudar durante a primeira quinzena de fevereiro. “Além da entrada dos salários deve ser considerado o retorno às aulas como motivador da demanda”, disse o analista. O corte traseiro segue precificado a R$ 13,05, por quilo. Corte dianteiro ainda é cotado a R$ 10,40, por quilo. Ponta de agulha permanece cotada a R$ 9,70, por quilo.
AGÊNCIA SAFRAS
Baixo volume de negócios no mercado do boi gordo em São Paulo
Segundo o levantamento da Scot Consultoria, na última quarta-feira (29/1), a cotação do boi gordo permaneceu estável na praça paulista, na comparação com o dia 28/1
A queda registrada no fechamento do dia anterior afastou os pecuaristas e o resultado foi um baixo volume de negócios concretizados. Além disso, parte dos frigoríficos abriu as compras somente na quarta-feira (29/1), com cuidado devido ao escoamento ruim de carne no atacado e às incertezas do mercado chinês. Espera-se uma melhoria no consumo de carne bovina nos próximos dias, o que pode dar sustentação aos preços e estimular a compra de boiadas.
SCOT CONSULTORIA
Recuo no preço do boi gordo no Rio Grande do Sul
Na última quarta-feira (29/1), a queda mais expressiva no preço do boi gordo foi registrada no Rio Grande do Sul
Segundo levantamento da Scot Consultoria, o boi gordo caiu 1,5% na comparação diária, ou 0,10/kg, e ficou cotado em R$6,80, bruto, a prazo; R$6,79 com desconto do Senar; e R$6,70 com desconto do Funrural e Senar. O enfraquecimento da demanda doméstica por carne bovina segue como o principal vetor da pressão de baixa no mercado.
SCOT CONSULTORIA
ECONOMIA
Dólar vai a máxima em 2 meses com debate sobre política monetária
O dólar fechou na máxima em dois meses frente ao real nesta quarta-feira, perto de 4,22 reais, em firme alta num dia de força da moeda norte-americana em todo o mundo ainda por receios sobre o coronavírus e com atenção a políticas monetárias no Brasil e nos Estados Unidos
O real esteve entre as moedas de pior desempenho nesta sessão, junto com o peso do Chile, onde o juro foi mantido em 1,75% nesta sessão. Analistas voltaram a citar as expectativas para a política monetária no Brasil como um fator a influenciar no descolamento do real ante o movimento do dólar no exterior. O real acumula depreciação de 4,89%, pior desempenho entre as principais moedas, no acumulado de janeiro, período em que o mercado voltou a elevar fichas em mais cortes de juros pelo Banco Central brasileiro. Analistas têm afirmado que o movimento de depreciação do real está relacionado à perda de atratividade da moeda como ativo, entre outros fatores, por causa do retorno “extra” oferecido pela renda fixa brasileira em comparação a seus pares, na esteira dos cortes da Selic a sucessivas mínimas recordes. O BC anuncia sua decisão de juros na próxima quarta-feira, dia 5 de fevereiro. Parte do mercado considera a probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para um novo piso histórico de 4,25%. A Selic está atualmente em 4,50% ao ano. O dólar à vista subiu 0,59%, a 4,219 reais na venda. É o maior patamar para um encerramento desde 29 de novembro de 2019 (4,2405 reais na venda). Na B3, o dólar futuro de maior liquidez ganhou 0,83%, a 4,2310 reais.
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Ibovespa fecha em queda com bancos entre maiores pressões
O Ibovespa fechou em queda na quarta-feira, com bancos entre as maiores pressões de baixa, após balanço trimestral do Santander Brasil, além de persistentes incertezas sobre os potenciais reflexos do surto de coronavírus na China
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,94%, a 115.384,84 pontos. O volume financeiro da sessão somou 19,95 bilhões de reais. Na visão do Presidente da BGC Liquidez, Ermínio Lucci, os mercados tendem a continuar voláteis, com o principal foco sendo a avaliação do impacto da epidemia do coronavírus no crescimento econômico da China e por consequência nos emergentes. Mais cedo, o economista do governo chinês Chang Ming estimou que o surto, que já matou mais de 130 pessoas e infectou quase 6 mil na China, pode reduzir o crescimento do PIB no primeiro trimestre em cerca de 1 ponto percentual. Em Nova York, o S&P 500 resultados e projeções de empresas como Apple, Boeing e GE adicionaram um tom positivo em parte da sessão, mas o fôlego arrefeceu em meio a comentários do titular do Federal Reserve. O banco central dos EUA manteve a taxa básica de juro, conforme esperado, e o chairman Jerome Powell afirmou que a autoridade monetária vê os preços de ativos de certa forma elevados.
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EMPRESAS
Coronavírus não afetará vendas de carne para a China, diz presidente da JBS
O Presidente-Executivo da JBS disse na quarta-feira que não espera que o surto de coronavírus tenha impacto negativo nas importações de carne por parte da China
Gilberto Tomazoni disse que o surto de SARS na China, em 2003, poderia ser uma situação comparável, e que naquele período as importações de carne pelo país aumentaram. Por sua vez, o Presidente da BRF, Lorival Luz comentou durante evento do Credit Suisse que o vírus poderá aumentar a demanda chinesa por carne congelada e processada. Já a Marfrig comentou em comunicado que ainda não registrou cancelamentos de vendas ou embarques para a China.
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Demanda chinesa por carne continuará elevada em 2020 por efeito de peste suína
Os presidentes-executivos da JBS e da BRF disseram na quarta-feira que as importações chinesas de carne continuarão elevadas neste ano por causa dos efeitos da peste suína africana sobre rebanhos locais
O Presidente da JBS, Gilberto Tomazoni, falando junto com o Presidente da BRF, Lorival Luz, disse durante evento do Credit Suisse que espera que os impactos da doença sobre o mercado global de carne atinjam um pico em 2020.
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BRF e Seara elevarão preços de carnes suína e de aves no Brasil
As empresas disseram que vão repassar a alta do preço interno do milho
Para compensar o impacto da disparada do milho no mercado doméstico, as agroindústrias de aves e suínos terão de repassar a alta aos consumidores. A sinalização foi dada na quarta-feira por Gilberto Tomazoni, CEO da JBS, e Lorival Luz, da BRF. As duas companhias são donas das três maiores marcas de alimentos à base de carnes do país: Seara, Sadia e Perdigão. “Todo frango come milho”, disse o Presidente da BRF, durante debate promovido pelo Credit Suisse na capital paulista. De acordo com ele, como o cereal mais caro afeta a todos os competidores, a recomposição das margens acabará sendo feita, ainda que o período de reajuste possa variar de acordo com a estratégia de cada empresa. Para as indústrias processadoras de frangos e suínos, o milho costuma representar em torno de 30% do custo de produção. O grão é o principal ingrediente da ração e, neste ano, está 30% mais caro em relação ao início do ano passado, segundo o indicador Esalq/BM&FBovespa. A JBS atua nos dois mercados — com a Seara no Brasil e a Pilgrim’s Pride nos Estados Unidos. O executivo da JBS não foi explícito durante o debate, mas deixou no ar o risco de desequilíbrio na oferta e demanda de frango no Brasil. Mais dependente da produção no Brasil que a concorrente, a BRF está mais otimista. Para Luz, Presidente da companhia, as perspectivas são bastante positivas nos mercados doméstico e internacional. No Brasil, destacou o executivo, a BRF registrou uma campanha de vendas de produtos natalinos “espetacular”, sinalizando uma retomada vigorosa do consumo. No exterior, a situação da peste suína também torna o cenário benigno para a empresa, que é a maior produtora de frango e suínos do Brasil. Segundo Luz, a tendência é de demanda firme da China neste e no próximo ano. Recentemente, o Rabobank projetou que os chineses importarão 4,2 milhões de toneladas de carne suína neste ano, o equivalente à produção do Brasil. Diante da maior demanda chinesa, a expectativa é que o país continue ampliando a lista de frigoríficos habilitados a exportar, acrescentou, durante o debate, Eduardo Miron, Presidente da Marfrig. No debate, Miron citou a capacidade de negociação dos chineses, mas ressaltou que as renegociações de contratos com os importadores do país não foi “um assunto” para a Marfrig.
VALOR ECONÔMICO
FRANGOS & SUÍNOS
Aumento no volume exportado de carne suína na comparação anual
Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil exportou em janeiro de 2020, até a quarta semana (17 dias úteis), em média, 2,7 mil toneladas de carne suína in natura por dia
Embora o volume seja 13,9% menor em relação à média diária do mês anterior, na comparação com o mesmo período de 2019 o volume embarcado teve incremento de 42,1%. O preço médio da tonelada de carne suína exportada pelo Brasil também melhorou. Em janeiro de 2019 a tonelada estava cotada em US$2.009,00, alcançando US$2.596,90 em dezembro/19. Em janeiro de 2020, a tonelada foi comercializada, em média, por US$2.609,30, uma alta de 29,9% em um ano.
SCOT CONSULTORIA
INTERNACIONAL
Argentina teme que cota Hilton não seja cumprida pelos requisitos da UE
Após a cota de 29.500 toneladas de exportação de carne bovina da Argentina da chamada cota Hilton para a União Europeia ter sido concluída nos últimos anos, um procedimento sanitário que os produtores devem cumprir poderia colocar o negócio em risco novamente, se não for corrigido
Segundo especialistas do setor de pecuária e carne, o problema começou quando, em novembro passado, o Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar (Senasa) ordenou o recadastramento de estabelecimentos de pecuária que produzem cortes destinados à cota Hilton. O acordo histórico entre a Comunidade Europeia (CE) e a Argentina estabelece que o gado da cota Hilton deve ser alimentado apenas com pasto, o que exclui os animais confinados que ganham os últimos quilos de peso com grãos. Nos últimos 15 anos, devido ao crescimento da engorda de animais e à suplementação de grãos na pecuária argentina, não houve obstáculos por parte das autoridades europeias, principalmente se havia algum estabelecimento de pecuária que usasse grãos de seu próprio campo. No entanto, nas próximas duas semanas, chegará uma missão de saúde da Comunidade Europeia que poderá exigir com mais detalhes o cumprimento do acordo histórico que a Argentina prometeu cumprir. Segundo fontes do setor, até o momento existem cerca de 500 estabelecimentos cadastrados que atendem a essa modalidade, que alcançariam menos da metade (1.300) dos necessários para produzir as 29.500 toneladas de carne de alto valor destinadas aos países da União Europeia. No setor frigorífico, eles estão cientes desse problema e não querem um negócio de exportação de mais de US $ 300 milhões por ano em risco. Embora não mais represente seu foco principal, os cortes Hilton continuam sendo os mais valiosos (US $ 10.300 a tonelada) e o dobro da média paga pela China, principal destino nos últimos anos para a carne argentina.
El País Digital
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