
Ano 3 | nº 673 | 18 de janeiro de 2018
NOTÍCIAS
Menor demanda enfraquece preços da carne de boi
Esse cenário é típico para este mês, visto que se trata de um período em que o consumo diminui por conta das férias e das maiores despesas
As cotações da carcaça casada de boi estão enfraquecidas no mercado atacadista da Grande São Paulo, conforme dados do Cepea. Esse cenário é típico para este mês, visto que se trata de um período em que o consumo diminui por conta das férias e das maiores despesas. No acumulado de janeiro (de 28 de dezembro a 17 de janeiro), a carcaça casada do boi (à vista) se desvalorizou 2,7%, fechando a R$ 10,10/kg nessa quarta-feira, 17. Em relação ao boi gordo, o Indicador ESALQ/BM&FBovespa (estado de São Paulo) fechou a R$ 147,20 ontem, ligeira alta de 0,82% no mesmo comparativo. No geral, segundo pesquisadores do Cepea, as negociações seguem em ritmo lento e compradores apresentam relativa dificuldade para o preenchimento das escalas.
Cepea
Boi gordo: oferta restrita e demanda fraca
Mercado do boi gordo estável na última quarta-feira (17/1)
De um lado, a baixa oferta de boiadas limita a oferta de compra a preços abaixo da referência e de outro, a demanda sem estímulo resulta em nenhuma oferta acima da referência. Frigoríficos com escalas de abate confortáveis ofertam preços abaixo da referência na maioria das praças pecuárias pesquisadas e os negócios fluem devagar ou não fluem. Em São Paulo, segundo levantamento da Scot Consultoria, a arroba do boi gordo ficou cotada em R$147,00, à vista, livre de Funrural. No mercado atacadista de carne bovina com osso, o boi casado de bovinos castrados ficou cotado em R$9,68/kg. Em curto prazo, quedas para esse mercado não estão descartadas.
SCOT CONSULTORIA
Rebanho de MS cresce 2,8% em 2017
Segundo a Iagro, número de bovinos chegou a 21,824 milhões no ano. Apesar do crescimento, número está aquém do registrado em 2013
O rebanho bovino de Mato Grosso do Sul cresceu 2,8% em 2017, para 21,824 milhões de cabeças, segundo levantamento da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) de Mato Grosso do Sul. Em 2016, este número era de 21,226 milhões de cabeças. “Apesar do aumento significativo de mais de meio milhão de cabeças no período de um ano, o rebanho sul-mato-grossense ainda está distante dos mais de 24 milhões de reses registrados em 2013, melhor desempenho”, diz a agência, em nota. Segundo dados da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), o Estado produziu 791 mil toneladas de carne bovina em 2017, registrando aumento de 0,82% em relação ao ano anterior, quando produziu 784 mil toneladas.
ESTADÃO CONTEÚDO
Funrural: possibilidade de bloqueio de bens apavora produtores
Lei de renegociação admite essa penalidade para quem não pagou o tributo, sem a necessidade de autorização judicial
Para advogados, indisponibilidade é inconstitucional A lei de renegociação do Funrural trouxe uma novidade negativa para os produtores: a possibilidade do bloqueio de bens de quem não pagou o tributo, sem a necessidade de autorização judicial. Vai bastar apenas que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional localize a propriedade e notifique o devedor, que vai ter cinco dias úteis para quitar o débito. Caso contrário, esses bens vão ser bloqueados pela União. “Essa indisponibilidade atropela as garantias fundamentais que protegem o direito do patrimônio e também atropela outra garantia fundamental que é o devido processo legal. Ou seja, a União escreve você em dívida ativa, averba a dívida em relação a um bem no seu registro e consequentemente isso torna indisponível para o seu proprietário sem qualquer processo, sem qualquer contraditório”, diz o advogado tributarista Erich Endrillo. Ele lembra que o bloqueio de bens não estava previsto na medida provisória e que não faz sentido a matéria ter sido incorporada no projeto de lei: “Não foi um tema amadurecido no ponto de vista com a sociedade”. Os produtores rurais, que esperam um fim para o impasse do Funrural, estão bastante surpresos e afirmam que se sentem enganados. “Enganaram os produtores e as suas entidades de classe. Algumas, como a CNA e o Sistema Sindical, estavam apoiando o Refis e foram enganados. Porque acredito que não tinham o conhecimento desse jabuti que foi incluído. Acredito que nem os deputados que representam os produtores da bancada ruralista tenham conhecimento. Não é possível que eles concordam com uma medida dessa”, afirma o produtor Luiz Ghesti. Ele diz que parou de recolher o tributo desde a decisão do Supremo Tribunal Federal de 2011, que considerava a cobrança do Funrural inconstitucional. E afirma que não sabe o valor do passivo. Para ele, o valor se tornou impagável. “Eu não estou devendo. Eu não recolhi porque o Supremo disse que não era para recolher, porque era inconstitucional. Então eu não considero que tenha dívida. Agora, a Receita pode decidir a seu bel prazer que essa dívida existe e com isso poderá me cobrar e poderá, inclusive, bloquear os meus bens e acabar com a atividade”, diz Ghesti. Os representantes dos produtores rurais também foram pegos de surpresa e agora avaliam qual pode ser o prejuízo para o setor. “Junto com as outras federações e com a CNA, nós estamos avaliando qual será o prejuízo que o produtor pode ter com essa nova lei que foi sancionada. 00:43 – Na verdade, aquilo que se esperava ser um benefício, uma coisa que viria para auxiliar o produtor, na verdade se transformou num pacote de maldades”, afirma Fernando Cézar Ribeiro, vice-presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do DF. O setor não descarta a possibilidade de a Suprema Corte voltar atrás na decisão e desconsiderar a dívida passada do produtor, mas acredita ter caído numa armadilha do governo. Contra essa medida, a Ordem dos Advogados do Brasil deve ingressar nesta semana com um pedido de suspensão do bloqueio de bens. “Eu acho que tanto a CNA quanto as federações e os deputados que foram a favor dessa lei entraram numa armadilha do próprio governo. Foi criado o ônus, e os bônus que a lei previa foram quase todos vetados”, diz Ribeiro. “A OAB, a Confederação Nacional da Indústria, do Comércio e da Agricultura, dentre outros, já estudam ingressar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, ADI, direto no STF, com pedido de liminar para suspender nessa lei exatamente o artigo específico que fala dessa indisponibilidade”, diz o advogado Endrillo. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional estuda um prazo de 30 a 60 dias para começar a implementar a medida. A orientação da OAB aos produtores é que procurem seus direitos judicialmente. “Se daqui para lá não tiver nenhuma liminar genérica suspendendo pra todos, cada um vai ter que cuidar do seu interesse”, avisa Endrillo
CANAL RURAL
EMPRESAS
Frigorífico do PA vai abrir nova unidade fidelizando parcerias: escala com antecedência, mas oferta preço 1 semana antes
A nova unidade do Frigorífico Rio Maria, em Canaã dos Carajás, atualmente em reforma, vai abrir com capacidade para 250 abates/dia, deixando o produtor com opção mais próxima (hoje o boi da região tem que viajar 150 km). Em Rio Maria, matriz mata 550 animais/dia, hoje pagando R$ 131/prazo e R$ 129/vista, e tem uma parte da escalação fechada para fevereiro
A região de Canaã dos Carajás/PA, terá mais uma nova unidade do frigorífico Rio Maria com capacidade de 250 abates por dia. Até o momento, a planta está em reformas e aguarda a aprovação da inspeção federal. O Presidente do frigorífico Rio Maria, Roberto Paulinelli, destaca que a nova unidade vai facilitar à logística e dar mais opção aos pecuaristas da região, que não vão precisar se deslocar cerca de 150 km até o frigorífico mais próximo. “O pessoal de Canaã tem que abater o gado em Xinguará, Marabá ou em Água Azul, com a nova unidade vai ser uma boa opção para os produtores que vão abater o boi mais perto da fazenda”, ressalta. Apesar de a nova unidade estar na mesma localidade que os grandes frigoríficos, à concorrência acaba não sendo um problema, na qual o foco é em varejo médio e já possuem clientes fiéis. “Toda a semana temos vendas certas, pois temos clientes que estão comigo a mais de 12 anos. Além disso, eu estou mais próximo dos pecuaristas e acaba passando mais segurança”, afirma a liderança. No entanto, a preocupação dos produtores da região é com as exportações, visto que países como a Rússia e Hong Kong restringiram alguns frigoríficos e isso acabou comprometendo as ofertas. O Presidente salienta que com a volta das chuvas regulares nos últimos dias as pastagens estão em boas condições, com isso a safra será entre os meses de março a junho, e assim terá muita oferta de boi gordo. Já em Rio Maria/PA, onde está situada a matriz do frigorífico abate 550 animais por dia. Atualmente, o preço para o boi gordo está por volta de R$ 131,00/@ a prazo, já a vista está em torno de R$ 129,00/@ descontando o Funrural. Além disso, a unidade trabalha com escalas programadas em que os preços são informados uma semana antes do abate. “Muitas pessoas já deixam o gado escalado até para fevereiro, mas não está vendido. Eu vou passar o preço uma semana antes de abater, caso o cliente não quiser pode tirar o gado da escala. É o que faz a gente ficar firme no mercado”, finaliza Paulinelli.
Notícias Agrícolas
JBS vende Five Rivers Cattle Feeding nos EUA por US$ 200 mi
A JBS USA Food Company, subsidiária da JBS S.A. nos Estados Unidos, fechou acordo para a venda da totalidade das operações de confinamento da Five Rivers Cattle Feeding nos EUA por US$ 200 milhões, concluindo o plano de desinvestimento anunciado no ano passado, informou a processadora de carnes brasileira na quarta-feira (17)
Os ativos foram vendidos para afiliados da empresa de investimento norte-americana Pinnacle Asset Management, informou a JBS em comunicado. A transação inclui o valor de mercado do estoque de silagem e grãos da Five Rivers, na data do fechamento da operação, e está sujeito a ajuste pela variação do capital de giro também na data de fechamento. O comprador também firmará contrato de longo prazo para fornecimento de gado às unidades de abate do grupo JBS nos EUA, conforme definido na transação. Os recursos obtidos com a venda da Five Rivers serão usados em parte para amortizar dívidas com bancos no Brasil, em linha com acordo firmado em meados do ano passado. A JBS já tinha vendido as operações de confinamento da Five Rivers no Canadá em julho de 2017, por 50 milhões de dólares canadenses (US$ 40 milhões). A operação anunciada na quarta-feira (17) é a quinta alienação de ativos anunciada pela JBS desde que a empresa lançou um plano de desinvestimento em junho do ano passado, após divulgado o escândalo do envolvimento de controladores e executivos da companhia com pagamento de propina a políticos brasileiros. A JBS reduziu o índice de alavancagem medido por dívida líquida/EBITDA para 3,42 vezes ao final do terceiro trimestre de 2017, ante 4,16 vezes no segundo trimestre, como resultado do uso dos recursos levantados com a venda de ativos. “A JBS sai fortalecida desse processo de desinvestimento e de reforço de liquidez. Conseguimos vender os ativos pelos valores que esperávamos e a geração de caixa dos negócios da companhia foi muito forte”, disse o presidente e fundador da JBS, José Batista Sobrinho, em nota. A empresa estimava levantar R$ 6 bilhões com o plano de desinvestimento, que considerava a venda da fatia de 19,2% na empresa Vigor Alimentos, da totalidade de participação na irlandesa processadora de aves Moy Park e todos os ativos da Five Rivers Cattle Feeding. Além desses ativos incluídos no plano, a JBS vendeu suas operações de carne bovina no Mercosul para a Minerva em julho de 2017, por US$ 300 milhões.
CARNETEC
Seara vai pagar R$ 1,3 mi por descumprir cota de aprendizes
A Seara Alimentos, do grupo JBS S.A., irá pagar uma multa de R$ 1,3 milhão por não preencher a cota de aprendizes determinada em lei na unidade de Roca Sales, no Rio Grande do Sul, segundo informações divulgadas pelo Ministério Público do Trabalho em Santa Cruz do Sul (RS)
Em 2013, inquérito civil movido pelo MPT constatou que a unidade contava com dois aprendizes, quando deveria ter 72. Após tentativa frustrada de acordo para fechar termo de ajuste de conduta, o MPT entrou com ação civil pública na Justiça do Trabalho, que determinou o preenchimento da cota sob pena de multa. Em abril de 2017, o MPT verificou que a decisão da Justiça estava sendo descumprida, o que gerou a determinação para o pagamento da multa formalizada em 15 de dezembro, segundo o acordo divulgado pelo MPT. O valor da multa será destinado a entidades ou projetos relacionados ao combate ao trabalho ilícito de crianças e adolescentes. A JBS informou por meio de nota que a unidade de Roca Sales regularizou a situação com contratação do número de aprendizes estipulado em junho de 2017.
CARNETEC
INTERNACIONAL
Argentina pode crescer até 25% em exportação de carne bovina para a China com envio de novos produtos
As exportações de carne bovina da Argentina para a China podem crescer de 20% a 25%, segundo estimativas do Consórcio de Exportadores de Carnes (ABC) e do Instituto de Promoção da Carne Bovina Argentina (Ipcva).
Nesta madrugada, por meio de uma videoconferência, autoridades do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) entraram em acordo com seus pares chineses para ampliar as exportações de carne bovina e também vender carne ovina. Até o momento, a Argentina vinha exportando carne congelada sem osso para este mercado. Contudo, ainda falta a assinatura de acordo para firmar o que foi acordado na videoconferência, que deve ser feita pelos ministros da área de agricultura de ambos os países. Assim, serão somados os produtos congelados e carne congelada sem osso. Segundo números oficiais, até o mês de novembro de 2017, a Argentina colocou 83.294 toneladas de carne congelada sem osso, 96% a mais versus o mesmo período de 2016. Para Miguel Jairala, analista econômico do Ipcva, o país poderia ter encerrado o ano de 2017 (estimando dezembro) com um volume recorde de 94.000 toneladas. No caso específico da carne congelada sem osso, o Brasil exportou 35% no ano passado, Uruguai, 20% e Argentina, 15%, se igualando à Austrália.
Ipcva
Pecuaristas franceses temem efeitos de importações de carne bovina da América do Sul
Os pecuaristas franceses temem o fim de seus meios de subsistência à medida que a União Europeia (UE) se aproxima de fechar um acordo para importar grandes quantidades de carne da América do Sul para a França
Cedric Mandin, que cria cerca de 800 vacas Charolais com seu irmão na região da Vendéia da França, é a quarta geração de sua família que comanda a fazenda e ele teme que seja a última. A fonte de sua preocupação é um grande acordo comercial negociado pela UE e os quatro membros do Mercosul – Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – um acordo cuja assinatura parece mais próxima do que nunca. Se o acordo for assinado, “estaríamos numa situação impossível, insustentável”, afirmou Mandin, que herdou sua fazenda de 270 hectares há 20 anos. “Hoje, recebemos entre 3,60 e 3,70 euros (US$ 4,40 a US$ 4,53) por quilograma de carne, mas nossos custos de produção são 4,50 euros (US$ 5,51) por quilo. Já temos um déficit e enfrentamos uma situação difícil em nossas fazendas. Se além disso, adicionamos essas importações maciças de carne bovina da América do Sul na Europa, estamos sujeitos a ver os preços caírem”. A indústria pecuária da França, a maior da Europa, enfrentou uma profunda crise de aumento de custos e preços mais baixos – contra um cenário de queda no consumo de carne. Muitos produtores mal conseguem ter lucros, enquanto os níveis de endividamento aumentaram. “Estamos em crise há quatro anos, quatro anos que tentamos simplificar tudo, reduzir nossos custos até o limite. Chega um ponto em que você não pode cortar mais – em termos de competitividade, tentamos tudo”. Se a UE e os países da América do Sul chegarem ao acordo, pelo menos 70.000 toneladas de carne bovina do Mercosul podem entrar na Europa a cada ano, sem tarifas personalizadas. Os negociadores europeus consideram isso uma quantidade enorme, enquanto o lado sul-americano diz que fica muito aquém do que é necessário. As novas importações representariam apenas 1% cento da produção total de bovinos da Europa e 4,5% da produção da França. Mas os produtores dizem que a atual estrutura de mercado não poderia absorver o aumento, que ultrapassaria as 65 mil toneladas que a UE concordou em permitir ao Canadá como parte de um acordo comercial. Essa avaliação é compartilhada por Philippe Chotteau, economista-chefe do Instituto Francês de Pecuária, que disse que a carne bovina com preços mais baixos “agravará a crise”. Ele estima que os preços de varejo podem cair em 10%, enquanto o instituto nacional de gado FNB diz que 25.000 a 30.000 empregos podem ser perdidos na França. Além das ameaças econômicas, muitos pecuaristas franceses também dizem que estão preocupados com a rastreabilidade insuficiente e os regimes de segurança alimentar nos países do Mercosul, citando o escândalo sobre a carne brasileira. Vários países impuseram proibições às importações de carne do Brasil, o maior produtor mundial. “Nossos animais são rastreados desde o nascimento. Lá, na melhor das hipóteses, quando eles deixam a fazenda”, disse Mandin. “Posso lhe dizer o nome do pai e da mãe das minhas vacas. Existe uma rastreabilidade genuína durante toda a vida do animal. Estamos tentando defender essa singularidade francesa”. Mas depois de duas décadas de negociações paralisadas, os negociadores deram grandes passos nos últimos meses e parecem determinados a chegar a um acordo de livre comércio, aproveitando o vazio de liderança global na sequência da eleição do Presidente dos EUA, Donald Trump. A Comissão Europeia quer realizar um acordo no início deste ano, antes que uma janela de oportunidade possa fechar com as eleições esperadas no próximo ano no Brasil. A França, no entanto, disse que não quer “apressar-se” sobre o assunto, tendo em vista o impacto potencial sobre os seus produtores de carne.
AGÊNCIA FRANCE PRESSE (AFP)
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