CLIPPING DA ABRAFRIGO Nº 1227 DE 04 DE MAIO DE 2020

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Ano 6 | nº 1227| 04 de maio de 2020 

 

NOTÍCIAS

Boi gordo: mercado devagar

Em São Paulo, a referência de preço da arroba do boi gordo encerrou a última semana com preços estáveis

Apesar do pouco volume de negócios ao longo da semana passada, para os frigoríficos foi suficiente, visto que a opção das indústrias é por escalas enxutas, em torno de três dias. Com isso, sem a necessidade de alongar as escalas, foram poucos os compradores ativos na manhã de 30/4. Em boa parte das praças pecuárias monitoradas pela Scot Consultoria, o mercado do boi gordo apresentou baixa movimentação, com os compradores fora das compras. Em algumas regiões, os frigoríficos abriram as compras ofertando preços menores pelo boi, no entanto, o volume de negócios foi mínimo ou inexistiu. A estratégia é avaliar o consumo interno de carne bovina no final de semana prolongado, para então, decidirem a política de compras. Com o pagamento dos salários na próxima semana, a expectativa é de que o consumo de carne bovina melhore. Do lado da oferta, com a proximidade do período seco do ano, a permanência de boiadas terminadas em pastos começa a ser um problema e em função disso as ofertas de venda devem aumentar.

SCOT CONSULTORIA                 

Vacinação contra aftosa está suspensa no Acre, Rondônia e RS

Ministério da Agricultura também incluiu ainda alguns municípios do Amazonas e de Mato Grosso

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou no Diário Oficial da União da quinta-feira, 30 de abril, a Instrução Normativa nº 36, que proíbe a manutenção, comercialização e o uso de vacinas contra a febre aftosa no Rio Grande do Sul e no Bloco I do Plano Estratégico 2017-2026 do Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PE PNEFA), composto pelos estados do Acre e de Rondônia e por alguns municípios e parte de municípios do Amazonas e de Mato Grosso. Além de Acre e Rondônia, o Bloco I do PE PNEFA inclui os municípios de Apuí, Boca do Acre, Canutama, Eirunepé, Envira, Guajará, Humaitá, Itamarati, Ipixuna, Lábrea, Manicoré, Novo Aripuanã, Pauini e parte do município de Tapauá, no Amazonas; e o município de Rondolândia e partes dos municípios de Aripuanã, Colniza, Comodoro e Juína, em Mato Grosso. “Este é um importante passo para o reconhecimento do Rio Grande do Sul como área livre de febre aftosa sem vacinação e precisava acontecer antes do mês de maio”, explica o Presidente do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS, Rogério Kerber, em nota à imprensa. O prazo para comunicação da vacinação em território gaúcho – campanha realizada entre entre 16 de março e 24 de abril – terminou na quinta-feira (30).  Essa nova área junta-se ao estado do Paraná no projeto de ampliação de zonas livres de febre aftosa sem vacinação no país. A expectativa é o reconhecimento pela Organização Mundial para Saúde Animal (OIE) desses estados como zonas livres de febre aftosa sem vacinação em maio de 2021.

Mapa e Fundesa-RS

Arroba do boi gordo caiu até R$ 17 em abril; veja a tendência para maio

Em meio à pandemia do novo coronavírus, a demanda por carne bovina recuou no atacado. Segundo consultoria, exportações para a China impediram quedas maiores

Abril foi marcado por severa queda de preços no mercado físico do boi gordo, refletindo a situação do atacado, de acordo com a consultoria Safras. “O corte traseiro foi o que mais sofreu diante da desaceleração do consumo, uma consequência direta do confinamento decretado por diversas prefeituras”, disse o analista Fernando Henrique Iglesias. A consultoria destaca que o fechamento de restaurantes, bares, redes hoteleiras e outros estabelecimentos, uma medida de contenção para o novo coronavírus, afetou a demanda para os cortes considerados top de linha, com a população em geral dando preferência aos embutidos, congelados e, principalmente, à carne de frango e ovos, que têm preços mais acessíveis. Segundo ele, um alento para os pecuaristas e, principalmente, frigoríficos foi a manutenção de um ótimo nível de exportação para a China, fator que evitou quedas ainda mais consistentes tanto no preço da matéria-prima como no atacado. Veja comparativo de preços do boi gordo entre 31 de março e 30 de abril:

São Paulo – passou de R$ 202 para R$ 194

Goiânia (GO) – passou de R$ 190 para R$ 175

Uberaba (MG) – passou de R$ 197 para R$ 183

Dourados (MS) – passou de R$ 192 para R$ 175

Cuiabá (MT) – passou de R$ 180 para R$ 170

“A expectativa não é boa para o mês de maio, apesar de um dos pontos altos de consumo de carnes do ano se concentrar no Dia das Mães, uma vez que o distanciamento social permanecerá em vigor”, diz Iglesias.

AGÊNCIA SAFRAS

Paraná começa recadastramento do rebanho

O Estado do Paraná iniciará sua campanha de atualização de rebanhos no dia 1º de maio, informou a Secretaria de Agricultura do Estado em nota em seu site

Essa atualização substitui a vacinação contra febre aftosa, visto que os criadores paranaenses não imunizam mais seus rebanhos desde outubro do ano passado. A campanha vai se estender por sete meses, até 30 de novembro. A Portaria número 78, de 27 de abril de 2020, estabelece o novo período de forma excepcional. A alteração foi feita em razão da pandemia do coronavírus, que mudou também a forma de atendimento da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), a fim de evitar aglomerações, informa a nota da secretaria. O cadastro é obrigatório com vistas a garantir a rastreabilidade e a sanidade de todo o rebanho paranaense. Para cadastrar o rebanho, o produtor pode entrar no site da Adapar, no link www.produtor.adapar.pr.gov.br/comprovacaorebanho O Paraná deixou de vacinar o rebanho com vistas à obtenção do certificado de área livre de febre aftosa, sem vacinação, concedido pelo Ministério da Agricultura e ratificado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). A expectativa é de que o Estado obtenha esse status em maio do ano que vem, durante reunião da OIE.

Portal Estadão

ECONOMIA

Exterior e tensão política doméstica empurram dólar a 4ª alta mensal seguida

O dólar voltou a fechar uma sessão em alta na quinta-feira, alavancado pelo exterior, mas encerrou a semana em queda de mais de 4%, ao fim de um período marcado por alguma trégua nos temores quanto à permanência de Paulo Guedes no governo e pelo reforço nas intervenções cambiais do Banco Central

A desvalorização na semana, contudo, apenas reduziu o ganho acumulado em abril —quarto mês seguido de alta. O suporte externo ao dólar se somou à escalada dos ruídos políticos domésticos, que, embora amenizados, ainda são vistos como persistentes. O real terminou o mês com o segundo pior desempenho global (-4,48%), à frente apenas da lira turca (-5,4%). As divisas emergentes de forma geral destoaram de outras divisas sensíveis ao sentimento de risco global. O dólar australiano, por exemplo, saltou mais de 6% no período. No dia 24 de abril, data em que Sergio Moro anunciou sua saída do governo, o dólar disparou a uma máxima histórica nominal intradiária de 5,7491 reais. “Pressões de alta deverão continuar em curso enquanto a moeda seguir acima das máximas de março e do começo de abril”, disseram analistas do Commerzbank. As máximas do começo de abril e do mês de março estão perto de 5,33 reais e de 5,20 reais, respectivamente. Para o Credit Suisse, o dólar deverá passar agora por um “longo período de consolidação”, antes de retomar sua tendência de alta. “Vemos resistência inicialmente na atual máxima histórica, de 5,7475 reais, que pode limitar (nova alta) por enquanto. Posteriormente, contudo, esperamos finalmente uma fuga desse limite e uma retomada da tendência principal de valorização, com o próximo nível na barreira psicológica de 6,0000 reais”, concluíram. A moeda norte-americana terminou a sessão no mercado à vista com ganho de 1,55%, a 5,4380 reais na venda. Na semana, a cotação caiu 4,06%, mas ainda encerrou abril com valorização de 4,69%. Nos quatro primeiros meses do ano, o dólar disparou 35,51%. Em leilões realizados em abril, o BC liquidou um total de 6,792 bilhões de dólares em swaps cambiais tradicionais com data de início neste mês, maior volume do ano.

REUTERS 

Ibovespa recua 3,2%

O principal índice da bolsa paulista caiu na quinta-feira, mas o forte rali das últimas três sessões, o levou a fechar abril com o melhor desempenho mensal em 15 meses

O Ibovespa caiu 3,2% na sessão, para 80.505,89 pontos. Ainda assim, acumulou alta 10,25% no mês, marcando o maior avanço mensal desde janeiro de 2019, quando teve ganho de 10,8%. Na semana, o avanço foi de 10,8%. O volume financeiro do dia somou 27,7 bilhões de reais, abaixo da média diária recente, antes do feriado que paralisa os negócios na sexta-feira. Em meio a dados assustadores de retração econômica e a previsões sombrias de empresas, os agentes encontraram algum alívio em um punhado de balanços trimestrais acima do esperado, novas ofensivas de flexibilização monetária ao redor do mundo e na esperança de tratamentos eficazes para o coronavírus. Nesta sessão, os agentes encontraram bons motivos para vender ações em embolsar parte dos lucros dos últimos três dias.  No Brasil, a taxa de desemprego terminou o primeiro trimestre em 12,2%, com 12,85 milhões de desempregados, movimento sazonal, mas que já deu os primeiros sinais da pandemia. Em outra frente, investidores também reagiram ao possível adiamento do alívio nas medidas de isolamento para combater o vírus. A pandemia deve chegar ao seu pico no Brasil em 10 de maio e há chance de se agravar depois com a queda no isolamento social em parte do país.

REUTERS                    

Dívida bruta sobe a 78,4% do PIB em março e perda do BC com swap é a maior em mais de 4 anos

A dívida bruta brasileira subiu a 78,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em março, acima do esperado por economistas e maior patamar desde agosto do ano passado, num mês também marcado por forte elevação das perdas do Banco Central com os contratos de swap, em meio à disparada do dólar diante da pandemia do novo coronavírus e da saída maciça de recursos do país

Em fevereiro, a dívida bruta era de 76,7% do PIB, e analistas consultados pela Reuters esperavam uma alta para 77% do PIB. Já a dívida líquida, que considera os ativos do governo, recuou para 51,7% do PIB, sobre 53,6%, refletindo o aumento do valor em reais das reservas internacionais. Em março, o déficit primário foi de 23,655 bilhões de reais para o setor público consolidado. Enquanto o governo central —formado por governo federal, Banco Central e INSS— teve um rombo de 21,380 bilhões de reais, Estados e municípios ficaram no vermelho em 2,680 bilhões de reais. As empresas estatais, por sua vez, registraram superávit de 405 milhões de reais. Na véspera, o Tesouro já havia divulgado que o resultado do governo central foi beneficiado pela decisão do governo de jogar para frente o pagamento de cerca de 10 bilhões de reais em precatórios. Sem isso, o rombo teria sido significativamente maior.

De acordo com o Secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, o resultado de março também não foi afetado pela crise com o Covid-19. Esse efeito ficará claro a partir de abril, quando o rombo primário deve superar o déficit de todo o ano de 2019, destacou ele. De janeiro a março, houve superávit de 11,720 bilhões de reais para o setor público consolidado. Em 12 meses, a conta é de déficit de 63,490 bilhões de reais, equivalente a 0,86% do PIB. Mansueto já frisou que, por conta dos desdobramentos associados ao combate ao coronavírus, o déficit primário do setor público em 2020 vai se aproximar de 600 bilhões de reais, equivalente a cerca de 8% do PIB. Já o resultado nominal do setor público, que inclui a conta de juros da dívida pública, deve ficar entre 12% e 13% do PIB, disse Mansueto. O déficit nominal nos 12 meses até março bateu em 6,24% do PIB, sobre 6,02% no acumulado até fevereiro, mostraram os dados do BC. Segundo a autarquia, o dado foi afetado pela perda de 31,3 bilhões de reais nas operações com swap em março, a maior desde setembro de 2015, mês em que o país perdeu a classificação grau de investimento da agência de rating Standard & Poor´s. Incluindo os dados de abril até o dia 24, a perda com swaps neste ano já soma 61,2 bilhões de reais.

REUTERS

Economia brasileira deve cair 4% em 2020, com exportações para China evitando baque maior, diz Guedes

O Ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou na quinta-feira que estimativas iniciais apontavam que a economia brasileira iria encolher 6% como consequência da crise da pandemia no novo coronavírus, mas que, como o país não está sofrendo um choque externo, graças ao aumento das exportações para a China, expectativa agora é de uma retração de cerca de 4% neste ano

“O Brasil ia cair 6%, sendo 2% o choque externo e 4% por desativação interna, e na verdade esses 2% de externo não estão acontecendo”, afirmou Guedes em audiência virtual da comissão mista da Câmara e do Senado que acompanha a crise do Covid-19, frisando que a estimativa é precária por não se saber a extensão ou profundidade da crise da saúde. Segundo Guedes, a elevação das exportações para a China, da ordem de 25%, estão compensando a redução de mais de 30% das vendas externas para os Estados Unidos e Argentina, preservando o país de um choque externo. “Como a China é hoje mais do que a soma de Estados Unidos, Argentina e União Europeia, as exportações brasileiras estão inalteradas. Subiram bastante em agronegócio, caíram um pouco em manufaturados, mas o impacto externo, como eu previa, puramente do ponto de vista de choque externo, não está tendo grandes consequências por enquanto”, disse Guedes. O Ministro disse que a “maldição” de ser uma economia excluída das cadeias de produção globais acabou sendo uma “benção” no cenário atual.

REUTERS 

Taxa de desemprego no Brasil sobe a 12,2% no 1º tri e mostra sinais de impacto do coronavírus

A taxa de desemprego do Brasil terminou o primeiro trimestre em 12,2%, com 12,85 milhões de desempregados no país, em um movimento sazonal, mas que já apresenta os primeiros sinais do impacto do coronavírus sobre o mercado de trabalho

A Pnad Contínua divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira mostrou aumento da taxa ante 11,0% no quarto trimestre de 2019 e 11,6% nos três meses até fevereiro. No mesmo período de 2019, o desemprego era de 12,7%. É a maior taxa desde o trimestre encerrado em maio de 2019. “A pesquisa tem movimento sazonal de dispensas, mas tem claramente sinais do impacto do Covid-19”, disse o Coordenador da Pnad Contínua, Cimar Azeredo. “O efeito da pandemia já apareceu de claro e de pronto em março.” Entre janeiro e março, o total de desempregados no país era de 12,85 milhões, contra 11,632 milhões no quarto trimestre e 13,387 milhões no mesmo período do ano anterior. O IBGE informou ainda que o total de pessoas ocupadas foi a 92,223 milhões nos três primeiros meses do ano, uma queda de 2,5% ante o período imediatamente anterior, o maior recuo de toda a série histórica. “Não dá para separar efeito sazonal e do Covid-19. A ocupação reduziu muito, a busca por trabalho caiu pelo distanciamento social”, explicou Azeredo. Os trabalhadores com carteira assinada no primeiro trimestre somavam 33,096 milhões, contra 33,668 milhões entre outubro e dezembro, também um sinal dos impactos da pandemia. Os empregados sem carteira no setor privado eram 11,023 milhões, ante 11,855 milhões no período anterior. A taxa de informalidade chegou a 39,9% no primeiro trimestre deste ano, ante 41% no último trimestre de 2019, o que representa 36,8 milhões de trabalhadores. A Pnad mostrou ainda que o total de pessoas fora da força de trabalho subiu para 67,3 milhões, batendo novo recorde desde 2012. Esse grupo é formado por pessoas que não procuram trabalho, mas que não se enquadram no desalento. Os desalentados, aqueles que desistiram de procurar emprego, somaram 4,8 milhões. O rendimento médio do trabalhador chegou a 2.398 reais nos três meses até março, de 2.371 reais até dezembro.

REUTERS

EMPRESAS 

Ações da Marfrig já subiram 26% no ano

Embalado pela demanda da China, valor de mercado da empresa já cresceu R$ 1,8 bi no ano

A Marfrig Global Foods, segunda maior indústria de carne bovina do mundo, se descolou do pavor que tomou conta dos investidores desde que a pandemia de covid-19 se tornou o assunto dominante. Entre os raros papéis do Ibovespa que subiram em 2020, os da empresa de carne tiveram a maior valorização. Desde o início deste ano, as ações da Marfrig subiram 25,6% na bolsa – o Ibovespa caiu 28% -, o que fez a empresa ganhar R$ 1,8 bilhão em valor de mercado. A companhia controlada por Marcos Molina vale R$ 8,9 bilhões atualmente. Quando se considera o início do lockdown em Wuhan, em 23 de janeiro, o valor de mercado da Marfrig aumentou R$ 291,6 milhões na B3. Ao longo da crise, é verdade que as ações também sofreram – em 18 de março, a empresa fechou o pregão avaliada em R$ 4,6 bilhões -, mas a recuperação foi rápida, também porque a indústria de alimentos é apontada como mais resistente à pandemia. As ações de JBS e Minerva, concorrentes da Marfrig, também tiveram desempenho melhor que o Ibovespa, mas seus papéis ainda acumulam queda no ano – de 4,45% no caso da JBS e de 4,75% no da Minerva. Em entrevista concedida ontem ao Valor, o CEO da Marfrig, Miguel Gularte, disse que o amplo acesso da empresa à China é um dos grandes responsáveis pela resiliência. “Se estamos vendo que o mercado chinês vai liderar as exportações e praticar os melhores preços e margens, evidentemente temos um diferencial importante”, disse o executivo, ressaltando que a Marfrig é a companhia da América do Sul com mais frigoríficos habilitados a exportar para o país asiático. Ao todo, 13 abatedouros do grupo estão aptos a vender aos chineses – sete no Brasil, quatro do Uruguai e dois da Argentina. No quarto trimestre de 2019, a China já havia sido bastante relevante para a companhia, respondendo por 14% da receita – à frente do Brasil e só atrás dos EUA, que representaram 60%. Gularte também destacou que a Marfrig conseguiu superar o desempenho da indústria brasileira nas exportações de carne bovina. Nos primeiros três meses do ano, as exportações de carne bovina da Marfrig a partir do Brasil aumentaram 25%. Em fevereiro, citou o executivo, a Marfrig foi responsável por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne bovina à China – essa fatia costuma ser da ordem de 17%. “Não agarrei a primeira oferta de US$ 4 mil [normalmente o corte custa cerca de US$ 5,2 e US$ 5,6 mil] pelo dianteiro bovino”, disse, argumentando que é normal que as primeiras ofertas dos importadores sejam a preços piores. Com isso, a companhia se beneficia do dólar apreciado, o que engorda as margens de lucro. No Brasil, as exportações da empresa passaram a representar 70% da produção, ante uma fatia anterior de 60%. Na operação argentina, mais de 87% da produção foi exportada – para atender os clientes no mercado interno argentino, a Marfrig está comprando carne de outros frigoríficos do país vizinho. No mercado brasileiro, as vendas de hambúrguer também surpreenderam, o que ajuda a compensar a fraqueza das vendas de cortes nobres.

VALOR ECONÔMICO 

BRF obtém autorização para retomar atividades na unidade de Rio Verde

A BRF informou na quinta-feira que conseguiu autorização para retomar as atividades na unidade de frango e suínos de Rio Verde (GO) a partir de sexta-feira

O fechamento aconteceu por determinação do serviço de inspeção federal (SIF) após análises laboratoriais da água. A companhia disse que apresentou um plano abrangente para resolução dos apontamentos identificados pelo SIF a respeito do sistema de abastecimento de água da unidade, incluindo as devidas ações necessárias de melhoria. “Adicionalmente, a BRF demonstrou e assegurou ao órgão a consistência e conformidade de seus controles relacionados ao tema”, disse a empresa em comunicado. “A BRF enfatiza seu compromisso com os princípios fundamentais e inegociáveis com a segurança, integridade e qualidade e não tem economizado esforços para continuar aprimorando os seus processos e controles internos…”, disse.

REUTERS

Rio Grande do Sul tem 9 unidades de processamento de carne com surtos de Covid-19

Autoridades de saúde do Rio Grande do Sul afirmaram que o novo coronavírus se espalhou por nove unidades de processamento de carnes do Estado, segundo um boletim epidemiológico do governo local enviado à Reuters na quinta-feira

O documento abrange casos de Covid-19 registrados entre 20 de março e 27 de abril em sete cidades gaúchas, entre elas Lajeado e Passo Fundo, onde empresas como BRF e JBS possuem operações. O relatório identificou as cidades onde estão localizadas as nove plantas que tiveram casos confirmados, mas não mencionou especificamente as companhias ou unidades afetadas pelo surto. Cerca de 16.345 pessoas que trabalham nessas instalações foram potencialmente expostas ao vírus, de acordo com o documento. Nos últimos dias, a pandemia de coronavírus demonstrou sinais de aceleração no Brasil, com um salto recorde no número de casos na quinta-feira, quando o país atingiu 78.162 infecções confirmadas, além de 5.466 mortes. Há 124 casos confirmados da doença entre funcionários das instalações de processamento de carne no Rio Grande do Sul, sendo que ao menos uma pessoa morreu em decorrência da Covid-19, doença respiratória causada pelo vírus, disseram as autoridades. Houve também seis casos de “óbitos secundários” relacionados aos funcionários dos frigoríficos, ou seja, mortes de pessoas que tiveram contato domiciliar com os trabalhadores. A BRF, que já registrou diversos casos da doença no Rio Grande do Sul, não respondeu imediatamente a um pedido por comentários. Na semana passada, a empresa assinou um acordo com procuradores do Trabalho se comprometendo a melhorar as medidas de proteção aos trabalhadores em nível nacional. A JBS não possuía um comentário de imediato. Uma unidade de carne de frango da JBS em Passo Fundo, que emprega cerca de 2.600 pessoas, foi fechada na semana passada, como parte de uma investigação sobre um surto de coronavírus no local.

REUTERS 

FRANGOS & SUÍNOS 

Mercado do suíno estável

Após as baixas nos preços no mercado interno, a última semana de abril apresentou estabilidade nas cotações nas granjas e no atacado

O animal terminado está cotado, em média, em R$70,00 por arroba nas granjas paulistas e no atacado a carcaça está em R$5,70 por quilo. Apesar da estabilidade, quando comparamos com o início do mês, os preços apresentaram queda. A arroba do suíno terminado caiu 27,1% e para a carcaça a queda foi de 21,9%. Esse cenário é reflexo da baixa demanda no mercado interno, que teve influência do período de isolamento social em virtude da pandemia mundial.

Com relação às exportações, até a quarta semana de abril, os embarques seguem em bom ritmo. O volume médio diário de carne in natura aumentou de 14,4% quando comparado a igual período de 2019 e o faturamento cresceu 28,5% em igual comparação, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

SCOT CONSULTORIA 

INTERNACIONAL 

Margem de carne bovina sobe nos EUA, América do Sul, diz Marfrig

As margens de lucro dos frigoríficos não estão em alta apenas nos Estados Unidos, onde a paralisação de diversas unidades por conta do coronavírus fez o preço da carne disparar

A combinação de desvalorização cambial, menor concorrência, aumento da oferta de gado e maior demanda de exportações também torna o negócio de carne bovina mais rentável na América do Sul. Essa é a avaliação de Miguel Gularte, Presidente da Marfrig Global Foods. Após atingirem níveis recordes para o primeiro trimestre, as margens de carne bovina devem permanecer altas, disse. A Marfrig possui unidades nos EUA, Brasil, Argentina, Uruguai e Chile. Fora da América do Sul, outros grandes países produtores de carne vermelha, como Austrália e Índia, enfrentam desafios que podem limitar as exportações, abrindo espaço para os sul-americanos. Além disso, a China retomou o forte ritmo de compras de carne bovina desde março, a Europa começa a voltar ao mercado e os primeiros embarques para os EUA estão a caminho. Com a perspectiva favorável para as exportações, o mercado externo tem aumentado sua participação nas vendas da Marfrig, disse Gularte em entrevista por telefone na quarta-feira. Nos EUA, onde a Marfrig controla a National Beef Packing Co., as margens devem continuar positivas com a ampla oferta de gado, exportações estáveis e as vendas fluindo no mercado doméstico. Embora o absenteísmo tenha atingido níveis recordes nos EUA em meio à pandemia de coronavírus, isso não afetou as operações da empresa. Um frigorífico da National Beef em Iowa, que ficou fechado por duas semanas devido ao surto de coronavírus, agora funciona normalmente, disse. A empresa não registrou casos de Covid-19 em unidades na América do Sul. No Brasil, o absenteísmo está em uma mínima histórica, afirmou Gularte. A expectativa de aumento de desemprego e queda na renda em países onde a empresa opera, como o Brasil, não afeta a perspectiva de rentabilidade positiva. A queda na demanda de food service no país foi compensada por uma alta nos volumes no atacado, embora uma migração do consumo para cortes mais baratos já tenha sido identificada, afirmou. Em relação à oferta de matéria-prima, se aproxima o período do ano em que a América do Sul conta com disponibilidade de gado a preços mais competitivos, lembrou. “A equação é positiva (para as margens da indústria). Estamos em um setor em que a demanda supera a oferta, e isso não vai mudar mesmo em um mundo mais pobre”, disse.

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